Predestinados
3 Capítulo 3 - Jacob, the Sun
Saí correndo para os braços de Jake, tomando cuidado para não parecer mais rápida que um humano – já falei que essa droga de disfarce era uma droga?! Então, era mesmo uma droga -, e fui amparada por seus braços fortes e seu cheiro maravilhoso. Era tão bom sentir o cheiro amadeirado dele! Era forte, másculo. E ainda estar dentro dos braços dele era como o paraíso. Eu podia sentir seus músculos se contraindo e seu coração bater acelerado. Abracei-o muito forte. Queria me fundir a ele e estava quase conseguindo, mas infelizmente, dois corpos não habitam o mesmo espaço.
Ele estava um gato de camisa xadrez e calça jeans. A roupa delineava bem os músculos... E que músculos! Ai que perdição! Aqueles braços que me agarravam com a mesma força que eu empregava, como se ele também quisesse ser um comigo... aquelas pernas grossas e aquela bunda... Ah, que bunda!
"Foco Renesmee, foco" repeti para mim mesma tentando não aparentar meu profundo constrangimento com relação aos meus pensamentos. Dessa vez, eu realmente esperava que minha mãe estivesse me escudando.
—Oi – sussurrei contra seu peito– Como foi sua viagem?
Ele beijou o topo de minha cabeça e me afastou gentilmente para olhar no fundo dos meus olhos, como quem estivesse vendo minha alma — ai, meu Deus, porque ele faz isso comigo? Toda vez que olho nos olhos dele perco a linha do pensamento! -, sorriu e disse com sua voz grave e um pouco rouca:
—Correu tudo bem. E você? Como está na escola?
—Bem – sorri sem graça. É, pelo visto, ele me via apenas como a garotinha que segurou no colo.
Um pouco mais chateada do que deveria, retirei meus braços dele e me virei para meus pais, Jake apoiava um braço sobre meus ombros enquanto caminhávamos. Ele tinha uma mala na outra mão e eu levava a outra. Não queria que ele me largasse, mesmo que eu estivesse um pouquinho chateada.
O que quer que tenha acontecido enquanto eu estava com Jacob, tinha feito meu pai não questionar nada sobre meu comportamento. Mas minha mãe viu a decepção em meus olhos e lançou-me um olhar que dizia: “Calma, filha, vai dar tudo certo.” Bom, eu aprendi a ler minha mãe como meu pai, então apenas sorri de canto para ela.
Fomos direto para a casa da vovó Esme, afinal, não era só essa parte dos Cullen que sentia falta dele. Segundo a tia Rose, ele era o cachorrinho da família.
Durante o percurso todo, Jake foi na frente, com meu pai e mamãe veio me fazer companhia no banco traseiro. Eu queria que Jacob estivesse ali porque eu entrelaçaria minha mão com a dele, mas fazer o quê?! Os assuntos tratados dentro do carro foram, na sua maioria, sobre a faculdade de Jacob.
—A Nessie vive rodeada de garotos, sabia, Jake? — lançou meu pai, quando Jake perguntou como estávamos na escola.
—Ah, é? — creio que pude perceber um traço amargo na voz do meu sol, mas não tive certeza. — Que legal, Nessie. Muitos namoradinhos, então. Quero conhecer cada um. — ele virou a cabeça para falar, seu olhar fuzilante sobre mim.
—Pai! — reclamei enquanto Edward ria da minha desgraça. — Mentir é muito feio! Você mesmo me ensinou isso! É mentira, Jake. Pode perguntar para a mamãe!
—Bella?
—Bom, ela vive rodeada de garotos, mas não passam de amiguinhos, não, é, amor? — mamãe passou a mão em meus cabelos. — Se ela chegasse com namorado em casa, eu mesma acabaria com a raça dele.
—Meu Deus, quem escuta vocês falando, parece que tenho cinco anos e estou iniciando na escola! — cruzei os braços, emburrada. — Não tenho namorado nenhum, ok? E é porque eu não quero! Se eu quiser algum, vocês não terão que se meter na minha vida!
—Ok, senhorita nervosinha – papai ergueu as mãos para cima e depois voltou para o volante, sua voz mais cortante do que diamante. — Mas saiba que ele não vai te aceitar tão bem, afinal, para ficar com você, ele terá que ser imortal. Não quero minha filha com qualquer adolescente patético que virá a magoar seu belo coração.
Revirei os olhos e bufei, escorando-me em minha mãe. Ah, se ele soubesse! Para mim, o assunto do carro acabou ali. Ainda foram ditas algumas amenidades e passados alguns micos que eu levei nesses meses, mas Jake já estava a par de quase tudo, já que eu nunca o deixava desinformado, sempre contava por mensagem ou telefone.
Chegando à casa da vovó, decidi que era a hora do meu presente. Olhei para mamãe como quem pedisse permissão. Ela olhou para o papai e esse assentiu. Aposto que ela pediu para ele ir na frente com Jake porque queria falar comigo.
—O que houve, meu amor? — sussurrou para mim. Ainda estávamos no carro.
—Será que ele gosta de mim o suficiente, mãe? — murmurei, fitando minhas mãos.
—Jake te ama, Renesmee. Eu e seu pai temos medo desse sentimento desde que você nasceu.
—O imprinthing?
—Nessie, eu tenho medo de criar expectativas em você, portanto, não quero falar como acontece o imprinthing. Jacob me contou como era antes de eu me transformar. Ainda acho um absurdo você ser a imprinthed dele. Mas saiba que sempre estarei te apoiando.
—Amo o Jake, mamãe.
—Eu sei, meu amor. Você vai ver que tudo vai dar certo, no fim das contas.
—Você distrai o papai para mim? Quero dar um presente para o Jake – sorri fraco.
Ela riu, beijou meus cabelos e fitou-me nos olhos.
—Aquela música? — perguntou e eu assenti. — Seu pai vai ficar uma fera! — e riu mais. — Pode deixar, princesa. Só espere até Jacob ter conversado com todos antes de qualquer coisa, está bem?
—Prometo! — a abracei e beijei sua face antes de sair correndo do carro.
Sim, eu tinha um presente especial para o meu melhor amigo/amor da minha vida.
Quando cheguei na casa, estava todo mundo em volta do Jake. Ao me ver, ele sorriu e deu uns tapinhas ao seu lado no sofá. Sorri e sentei-me ali. Ele logo apoiou o braço em meus ombros e me aconchegou em seu corpo quente. Eu poderia dizer que ele estava querendo alguma coisa, mas esse era o comportamento natural dele. Tia Rose ergueu uma sobrancelha para mim e eu olhei para minhas mãos em meu colo, envergonhada. Oras, ela não podia falar nada. Fazia bem pior com tio Emmett. E aquele era só um abraço.
Mamãe entrou assim que sentei-me e já foi puxando meu pai pelo braço, porta afora. Tio Emmett fez piadinha da situação e eu acabei por ficar mais envergonhada ainda, mas, dessa vez, pela minha mãe. Afinal, ela estava cumprindo a parte dela em nosso acordo.
—Emmett, vai cuidar da tua vida sexual e deixa a minha em paz, beleza? — gritou ela do lado de fora, já colocando o carro para funcionar e saindo.
—Espero que eles não quebrem metade da floresta. Áreas desmatadas são mais difíceis de caçar e de explorar com a minha Rose – tio Emmett pensou alto.
—Podia ter passado o dia todo sem essa, Emmett – reclamou Jacob. — O que te faz pensar que eu quero saber sobre a vida sexual de vampiros?! Afinal, é para me receber que estamos aqui na sala, não para conversar sobre … argh. Isso!
Rindo, tio Emmett coçou a cabeça e pediu desculpas. Então voltaram a conversar amenidades. Depois de uma meia hora, vovó Esme foi para a cozinha preparar algo para eu e Jake comermos. Enquanto isso, todos voltavam às suas atividades. Era a hora, eu tinha certeza. Olhei para meu amigo e sorri envergonhada.
—Jacob, tenho um presente para você – falei baixinho, olhando minhas mãos. — É uma música.
Ele sorriu docemente e fomos para o piano de mãos dadas. Como sempre, ele se sentou ao meu lado e esperou paciente para a tortura, como ele dizia.
—Eu compus essa música para você – olhei para ele de lado. — E ela se chama... não ria!... "Jacob The Sun".
Mas ele riu, ele sempre ria dos nomes das minhas músicas. Na verdade, gargalhou, com direito a jogada de cabeça para trás. Não esperei ele parar de rir, apenas rolei os olhos, coloquei os dedos nas teclas e comecei a tocar.
As notas da música no piano formavam uma doce melodia. Era uma canção linda, mas, ao mesmo, tempo triste. Exatamente como eu me sentia com relação a Jake. Ele conseguia despertar meu lado belo, meu lado bonequinha, com vontade de me arrumar toda e ficar bonita para ele. Ele conseguia me levar por pensamentos felizes, onde eu imaginava um futuro inteiro ao seu lado. Entretanto também fazia com que eu me sentisse insegura, insuficiente e boba. Suas reações às minhas tentativas de sedução me deixavam frustrada e eu não conseguia segurar minhas lágrimas quando deitava para dormir.
Enquanto tocava, percebi, pela visão periférica, que Jacob fechou os olhos para apreciar melhor a música. Senti meu ego inflar minimamente quando seus lábios curvaram para cima, num sorriso mínimo. Assim que acabei, olhei diretamente para seu rosto. Ele estava tão sereno! Dava até vontade de roubar-lhe um beijo. Calma, Renesmee, mantenha o foco! Então ele abriu os olhos e sorriu para mim. Pude perceber uma lágrima no canto de seus olhos e um brilho de admiração neles.
—Ficou lindo, pequena — falou e se aproximou para beijar meu nariz, demorando um tempo nisso.
O tempo foi o suficiente para que eu erguesse a cabeça e beijasse sua boca. Assim o fiz. Apenas um selinho cheio de sentimentos da minha parte. Logo que percebi que tinha seu calor em minha boca, me separei e sai correndo sem pensar direito.
Corri pela floresta, a brisa fazendo minha cabeça clarear e perceber a besteira que eu havia feito. Chegou num dado momento, que parei e subi na maior árvore que encontrei, bem no topo, escondendo o rosto entre as mãos e chorando.
Ai que vergonha! O Jake nunca mais vai me querer como amiga! Nunca mais vai querer olhar na minha cara! Droga, Renesmee! Droga, como eu sou idiota! Estraguei tudo! E agora, o que eu vou falar para ele? O que eu vou falar para os meus pais? O que eles vão fazer? O que o Jake vai me dizer? E se ele não gostou? E se fui precipitada demais? E se ele não olhasse mais na minha cara?
Oh, não!
Estou perdida!
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