Predestinada - Livro 1
2 Capítulo 2 - Algumas atitudes pioram seu dia
Notas iniciais
O despertador tocou. Me desperto do sono, gritando.
"Ah, não!", reclamo com voz de sono.
Eu não queria levantar, além de estar com preguiça, me sentia melancólica. Eu passei a noite pensando em Dimitri, sendo assim, eu estava cansada e com dor de cabeça, uma bela maneira de começar o dia.
"Isso são horas?", me perguntei.
Aos poucos, me desdobrei da cama, para ir ao banheiro. Assim, ao chegar nele, jogo uma água na boca e escovo os dentes. Higiene matinal, como sempre. Até que tiro a roupa e vou para o banho (meninos, não leiam isso), entrando devagar no box, cheia de sono.
Enquanto a água caia sob minha minha cabeça, novamente, reparo que eu não estava bem. Fecho meus olhos. Até que então, sinto o desespero! Um desespero tão grande que me atingiu, que eu não sabia porquê o sentia. Me desesperei no banho, sentindo aquela sensação de pavor, o medo.
Assim, no chão me debrucei. Senti meu corpo tremer com aquela sensação horrível, enquanto o chuveiro ainda me molhava e sem querer, a borda da porta me cortava. Com os olhos em lágrimas, me segurei para não cair totalmente nesse desespero. Levantei minha mão para pegar a toalha e me seguei. Meus olhos me entregavam.
"Droga,", pensei "vou ter que passar maquiagem para esconder isso também." enquanto ia até meu armário pegar a roupa.
Voltando para o quarto, naquele armário, escolhi minhas roupas, vendo e revendo o que usaria, mas no fim, eu ainda estava distraída. Mordendo os lábios, não conseguia tirar os olhos da janela. Olhando à ela, vejo que está nublado.
"Outono como eu te amo".
Eu sempre gostei desse tempo, do outono ao inverno, assim as épocas mais frias me deixavam mais alegre, pois é como se eu tivesse realmente a certeza de que estou viva. Mas tenho certeza que também é porquê, é a época de usar casacos, moletons, tênis durante toda estação. Não sou do tipo de garota que vive por moda, mas eu gosto de ficar arrumada; só uso roupas que me deixam assim, bem mais confortável.
Finalmente, decidida, peguei uma blusa de manga curta com a estampa da Green Day, colocando uma camisa xadrez por cima. Calça skinny, tênis All-Star. Após isso, só faltava meu cabelo secar.
Tento secar o cabelo com a toalha, sem parar, mas com dificuldade, vejo que é inútil. "Merda!". Joguei a toalha no chão, os deixo secando naturalmente.
Em minha mente, eu não tinha muito tempo. Fiz minha maquiagem de modo bem leve. Uma sombra marrom média e a esfumo, em seguida o rímel, passo o blush rosado e brilho labial. "Pronto!", sorrio para mim mesma no espelho.
Ainda assim, estando de mal humor e melancólica, penso que não posso deixar isso me abater. Tenho que demonstrar força. Pelo menos, por hora...
[...]
"Ainda tenho que achar esse meu celular", o procuro. Onde ele está, eu não faço a mínima ideia, mas tento lembrar direito, pressiono o rosto e me viro, "Ah, está bem ai! Que bom que te encontrei! Temos que falar com o Rob!". O encontrei; estava em cima de escrivaninha.
Quando liguei para ele, caiu na caixa postal.
"Rob, são...", olho para o despertador "São 6:45 e você não acordou. Mas enfim, vou te esperar no ponto de ônibus e não ouse se atrasar", falei, cansada. Enfim, desliguei.
Desço correndo e vejo minha avó colocando café em sua xícara de chá. "Já acordada?" perguntei, rindo. Ela levanta sua cabeça e diz:
"Uau, para onde você está indo?", ela riu. "Para o colégio que você não vai"
"Aí meu Deus, eu vou tirar isso, então!", digo arregalando os olhos.
"Não, não, você está linda. Só nunca te vejo com maquiagem" diz ela.
"Bom, por acaso, resolvi usar hoje", sorri.
"Quem é?", ela pergunta com um sorriso malicioso.
"Quem é o que?".
"O garoto para quem você quis se maquiar.", diz.
Sinto minhas bochechas ficando mais rosadas que o blush que passei. Exitando, reclamei. "Eu não me maquiei para nenhum menino idiota, eu só..." não podia contar a verdade a ela, algo que detesto é deixa-lá preocupada.
"Não precisa esconder nada de mim, Charlie." diz Pearl " Eu já tive sua idade e sei bem como as coisas funcionam, podem ter mudado algumas , porém ainda sei bem como é. É aquele menino, não é? O Rob? Ele é bonito, está fazendo um bom trabalho investindo nele." Pearl pisca para mim e sorri em seguida.
Que vergonha...
Eu fiquei parada, traumatizada pelo o que minha avó acabou de dizer. E ainda tinha mais.
"Olha, dê uns beijinhos e abraço, mas não deixe passar disso, porque se não, daqui a nove meses vem uma versão mini sua", disse Pearl, que começa a rir pela cara que fiz. "Essa é a verdade nua e crua!".
"Tudo bem, eu perdi a fome e vou indo." me aproximo de Pearl, dou um beijo em sua bochecha e saio.
Vou andando até o ponto de ônibus, quando atravessei, podia jurar que tinha visto o carro dos irmãos lindos parado em frente ao mercado. Eu fico esperando Rob, sinto um mão no meu ombro e com um movimento, peguei a mão e torci; me virei para ver quem era e, era John.
"Sou eu! John!" falando em meio aos grunhidos por eu está torcendo sua mão.
"Me desculpe, não foi minha intenção, mas você assustou" digo e percebo que ainda estou torcendo a mão dele.
Logo atrás, vejo Dimitri vermelho de tanto rir de seu irmão e ele diz:
"Bom... Agora, eu acho que nunca vai tocar nela tão cedo" disse sarcasticamente e olhando para mim.
"Você está perseguindo?" pergunto a John.
"Não, não estamos." diz Dimitri.
Por Dimitri usar sempre esse tom sarcástico, fico me perguntando se ele está me dizendo a verdade. Então levanto uma das sobrancelhas e digo com o mesmo tom sarcástico que ele usou:
"Fala sério"
"E estou." rebate Dimitri.
"Na verdade, viemos comprar umas coisas aqui com nossa mãe" diz John percebendo que a atitude de Dimitri não estava sendo nada agradável. Vi que os olhos dele estavam brilhando ao olhar para mim. " e em seguida, vamos pro colégio, se quiser carona." e levanta uma das sobrancelhas para mim e noto que um leve sorrio em seu rosto.
"Não, valeu. Eu vou esperar o Rob" digo e em mente rezando para que Rob apareça logo.
"Para quê? Pra o carro quebra de novo e a gente ter que te dá carona?" diz Dimitri. Minha vontade foi de pular em seu pescoço. E sinto que estou carrancuda, então me viro e olho para rua.
"Dimitri, olhe os modos.", diz uma voz, uma voz feminina e rouca " Não é assim que se fala com as pessoas e muito menos com uma menina."
Me viro e vejo uma mulher que aparentava ter uns 40 anos, ela tinha olhos azuis, cabelos loiros, pele clara; devia ser mãe deles.
"Me desculpe pelo meu filho, ele não pensa antes de falar e muito menos pensa na educação que lhe dei." diz a mulher se aproximando de mim. E vejo Dimitri revirando os olhos quando sua mãe lhe chama a atenção. "Me chamo Tess Reese e você é?"
"Charlotte Steves, mas me chame de Charlie." Digo, não gostava do meu nome, só do meu apelido 'Charlie', para mim, era melhor que 'Charlotte'. Por isso, penso bem nos nomes que quero dar aos meus filhos e, se eu tiver... Tem isso também.
"Quer carona até o colégio?", pergunta Tess.
"Eu agradeço, mas eu já tenho uma carona que está um tanto atrasada. Porém, mesmo assim agradeço" e sorrio para Tess que me retribui com um sorriso.
"Tudo bem, até mais, Charlie" se despede Tess.
Dimitri anda até a mim.
"Não quis te ofender" diz, ele parecia que era obrigado a dizer isso.
"Não ofendeu" digo já virada olhando a rua para mostrar que eu não dava a mínima para suas desculpas. Aquilo me magoou, não tinha feito nada e ele foi totalmente grosseiro comigo de repente.
"Então, tudo bem, Charlotte" diz Dimitri andando de costas, levantando as sobrancelhas para me provocar.
Volto meu olhar a Dimitri e estava o fuzilando com o olhar, eu não gostava daquele garoto; de jeito nenhum.
"Te vejo na aula, Charlie" diz John sorrindo para mim. Olho e retribuo o sorriso só para provocar Dimitri. Talvez John só seja simpático, só que ele não percebe o quanto exagera.
E eles foram embora para o meu sossego.
Já era 6:50 da manhã e nada do Rob. "Eu vou te matar Rob" penso até que vejo um Corolla 2012 preto parando do meu lado, senti um frio tão grande na espinha. Se não fosse Rob abaixando o vidro do carro ,eu iria corre; o mesmo modelo de carro foi usado no dia em que me sequestraram.
"Desculpa a demora, eu tava... Uauuu, você tá linda" diz Rob boquiaberto olhando para mim. "Eu tava... eu tava..." e continuou gaguejando Rob.
"Ok, você já é a terceira pessoa que me olha desse jeito hoje, eu quero tirar isso da minha cara." digo já me sentindo envergonhada.
"Entra aí" diz Rob com um olhar que estava me assustando.
Entrei no carro e fomos quietos até uma parte do caminho.
"Porque eu sou a terceira pessoa que olho desse jeito? Que jeito?" pergunta Rob quebrando o silêncio e tirando os olhos da estrada rapidamente para olhar para mim. Mesmo sendo um movimento rápido, os olhos de Rob brilhavam.
"A primeira foi minha vó que veio com um papo de beijos, daqui a nove meses pode vim uma versão mini minha." Rob caí na gargalhada e continuo " E ela perguntou se eu tinha me arrumado para algum menino e perguntou se era você" nessa hora fui eu quem comecei a rir.
"E o que você disse?" pergunta Rob ficando sério.
"Eu disse que não, não era para menino nenhum. Eu... acordei mal essa manhã, me senti desesperada não sei por que, por isso usei maquiagem para esconder como estava." confesso e abaixo a cabeça.
"Quem foi a segunda?" pergunta Rob para mudar de assunto percebendo que estava ficando mal de novo.
"Foi John", digo.
"John Reese?", Rob perguntou.
"Sim, ele estava com Dimitri e a mãe dele no mercado" falo, percebendo o quanto é estranho, pois no dia anterior depois de terem me deixando em frente ao mercado, Dimitri manobrou o carro dando meia volta e seguiu em frente.
"Tudo bem..." diz Rob.
"Você está estranho, o que foi?" pergunto a Rob.
O carro parou, olho em volta e já estávamos no estacionamento; quando volto a olhar Rob, ele está próximo de mim que sinto sua respiração em cima de mim, eu fico olhando dentro de seus olhos tentando entender porque essa atitude de Rob. Ele coloca um de suas mãos em meu rosto e o acaricia, se aproximava lentamente de mim.
"Ahhhh não! O que isso?! Ele vai me beijar? Meu melhor amigo vai me beijar?" penso.
"Charlie, eu queria te dizer isso já tem um tempo e eu..." diz Rob cada vez mais se aproximando e em vez de olhar para meus olhos, seu olhar seguia meus lábios
Me afasto de Rob, não posso e não vou fazer isso. Eu nunca pensei em Rob dessa maneira. Uma atitude como essa que eu esperava de alguém, seria John; em apenas dois dias que o conheço, é dele que espero essa atitude. E além do mais, eu nunca beijei ninguém em toda minha vida. Isso me deixa nervosa, muito, muito nervosa.
"Eu tenho que ir para aula", digo saindo do carro sem olhar para Rob e vou andando o mais rápido que pude sem olhar para trás. Não queria olhar para ele, não depois que ele fez.
(Será que ele não vê que isso pode estragar nossa amizade? Ou eu que estou sendo exagerada demais? Deixo a questão.)
E chegando perto do meu armário, abro a porta tampando meu rosto de tudo, assim, quase o enfiando dentro do coitado do armário. Não acredito que vou fazer tudo isso para pegar um livro. Que vergonha! Enfim, o fechei.
Em seguida, uma pessoinha abriu a boca e se segurou para falar, no instante que fechei com pressa o armário e a percebendo, do nada. "Oi, Charlie!", Disse Clarice, com seu sorriso lindo.
Se eu não estivesse concentrada, essa menina de novo me matava de susto. Eu me espantei. Arregalei meus olhos e me escorei:
"Meu Deus!"
Nessa ação, Clarice ainda assim, sorriu.
"Tudo bem?", a jovem perguntou.
"Oi, Clarice", sorrio de volta "Feliz aniversário!"
"Obrigada! Agora é oficial. Quatorze anos.", diz Clarice rindo de sua brincadeira. Ela brincava com suas próprias mãos, as segurando e balançando, como uma criança inocente. "Então... Pensou no clube de artes?" pergunta.
"Sim," minto, não tinha nem passado pela minha cabeça " onde posso me inscrever? e que horas que começa?".
"Começa às 15:30 e você se inscreve no quadro que tem no corredor principal; são todas as terças. Vai ser bom ter você no clube, Charlie." diz Clarice com um grande sorriso em seu rosto.
"Tudo bem, vou estar lá, mas eu não sou muito boa em artes. Será que tem algum problema?" pergunto, confusa.
"A maioria das pessoas que vão não tem tanto talento assim para artes, vão mais por pontos extras. Não se preocupe você vai se sair bem." diz Clarice.
"Ata, então... Te vejo lá" digo e vou andando de costas.
Logo, literalmente, saltitando, Clarice se despediu, saindo de minha frente. Ela brincava como uma mocinha; devia ser minha filha! "A propósito, Charlie", ela parou de saltitar, "você está bonita", falou, olhando por trás de mim. "Até mais!" ela voltou a saltitar... "e cuidado para não bater no seu amigo-namorado de novo.".
Sem entender, achando que era uma simples brincadeira, arregalei os olhos quando Clarice disse 'amigo-namorado', me virei. Atrás mim, e ele me olhou, mas antes acenou para Clarice que acenou de volta, como uma criancinha bobinha (que lindinha!). Respirei fundo e esperei ele dizer alguma coisa. O silêncio veio de sua boca. Já que ele não vai dizer nada, então eu vou.
"Rob, desculpa ter saído daquele jeito, mas é que... Você me assustou e... Eu nunca esperaria uma atitude dessas vindo de você." falo tentando me desculpar, mas ele só me olha, não diz nada.
"Tudo bem, se você quer tratamento de silêncio, vai ter tratamento de silêncio." e saio andando, mas Rob agarra meu braço.
"Charlie, para. Eu... eu não devia ter feito aquilo, me desculpe." diz.
"Tudo bem". digo olhando para o chão, não conseguia olhar para ele.
"Vai ficar assim comigo?" pergunta Rob.
"Assim como?" pergunto.
"Eu sei que coloquei você em uma situação um pouco desconfortável e tudo mais... Porém, não ouse, jamais, mentir para mim" diz Rob que apertou meu braço com tanta força que parece que vai quebrá-lo.
"Rob, você tá me machucando." digo o encarando.
Ele não me solta e apenas me encara.
"Rob, me solta!" grito com ele e as pessoas envolta do corredor começam a olhar para nós.
"Me desculpa, eu não sei o que tá acontecendo comigo, eu..." diz Rob parecendo que tinha voltado a si, soltando meu braço e sai andando depressa pelo corredor; esbarrando em quem estivesse em sua frente.
Não entendi nada e vou andando até a sala de química e entro, dou de cara com Dimitri que segura meus ombros.
"Calma aí, Stevens." zomba.
"Não começa" digo já sem paciência e pelo fato de não gostar dele.
Vou andando até minha mesa; me sento e coloco os braços envolta de minha cabeça e tenho vontade de me enterrar em minhas próprias lágrimas, mas não posso chorar na frente dessa gente.
A aula começa, mas eu não dou a mínima, entrego meu dever e nem presto atenção aula. Sinto umas quinzes bolinhas de papel sendo tacadas em mim, até que perco a paciência e me viro para ver quem está jogando, com os olhos vasculho pela sala; quem está sendo tão infantil de fazer isso? E mais uma bolinha e veio da direção de Dimitri que estava na fileira do lado esquerdo da minha três cadeiras atrás.
"Você não se cansa de ser patético?", pergunto.
"Você não se cansa de estar mal humorada?", ele rebate.
As pessoas em volta fazem o som de "Ohhhh", mais bem baixo.
"Na verdade, não. É até divertido, porque assim eu consigo te irritar, fazendo você ser um grosseiro e arrogante na frente de sua mãe e ela te dar uma boa lição de moral." rebato e levanto a sobrancelha.
"Quem vai chorar agora, vadio?", penso.
"Vai ser você." ouço a voz de Dimitri em minha mente.
Olho para frente franzindo as sobrancelhas sem entender, e olho de volta para Dimitri que sorria maliciosamente. Aquilo me assustou, ele conseguiu fala comigo através da minha própria mente. Como? Ou eu estou ficando louca finalmente ou os efeitos do pós-traumáticos estão querendo aparece agora.
[...]
Após quase todas as aulas, na hora do almoço; depois de tudo o que já aconteceu hoje, não sinto o mínimo de fome. Então vou para o lugar onde eu ficava sozinha antes de conhecer Rob.
O lugar era fora do refeitório e era uma espécie de beco que tinha por causa dos dois prédios que se juntavam e o faziam. Então ficava ali nos meus primeiros dias de aulas, ficava pensando; mas hoje, eu vou só ficar quieta sem pensar em nada. Não quero pensar, quero fugir desse lugar, dessas pessoas, quero fugir para o meu mundo quieto e perfeito, sem nada e nem ninguém para me atrapalhar.
Fiquei ali até o almoço terminar, depois fui para aula de geografia e assim que acabou, fui até o corredor principal, tinha que ocupar minha mente com algo e o clube de artes me parecia uma boa. Me inscrevi e aproveitei, inscrevi em mais um clube: de teatro e de artes, esses bastam.
Tinha poucas pessoas no clube de artes, agora entendi porque encontrei com Clarice no corredor com panfletos depois do susto que tomei com ela. Me aproximei de Clarice para dar um 'oi' e começar a fazer minha obra-prima.
"Oi," disse sorrindo para Clarice. "eu vim.".
"Charlie," disse Clarice me abraçando " que bom que você veio. Vamos começar agora, olha ali tem uns pincéis. Mas antes, esses são Oliver, Katie, Becky, Michael", ela fala muito animada. Fui quase que sofrendo para dar um cumprimento a cada um que ela me apresentava. "e aquele é..."
"Dimitri", digo interrompendo Clarice.
"Olá, Stevens" diz Dimitri com um sorriso malicioso.
"Ahh, vocês já se conhecem" diz Clarice "Que bom. Charlie, essa é a Sra. Chase, nossa professora de artes."
"Oi, sou Charlie" me apresento a Sra. Chase que me cumprimenta de volta, mas em silêncio.
"Charlie, tem alguma coisa no seu cabelo", diz Clarice.
"O que é?" pergunto
Clarice tira e diz: "É uma bolinha de papel"
Escuto Dimitri rindo, quando vou me virar para ser grosseira com ele, Clarice murmurou algo que não entendi.
"O que?" pergunto.
"Aqui" diz Clarice me dando a bolinha de papel.
Eu a peguei, parecia ter alguma coisa escrita nela; a abri e lá estava escrito.
"Você está linda".
Sinto minhas bochechas ficarem vermelhas, meu sangue todo ficar quente. Olho para Dimitri que estava ajeitando seu cavalete e olha para mim, franzi a testa e diz:
"Não me olhe desse jeito, Stevens," dá mais um de seus sorrisos maliciosos. "eu sei que você me acha bonito, mas não estou interessado em você."
"Tem certeza? Pois eu acho que foi você que escreveu uma coisinha na bolinha de papel" digo.
"Eu não escrevi nada."Diz Dimitri franzi a testa confuso "Eu jogava em você mais nada." diz Dimitri
"Como não, tá escrito aqui" aponto para a bolinha de papel e, quando olho não tem nada. "Espera aí, estava escrito aqui, eu não sou louca."
"Tudo bem, então, maluca."
Depois daquilo eu fiquei quieta, eu realmente tinha visto aquilo, Dimitri tinha escrito que eu estava linda, estava ali. E eu o escutei dentro da minha cabeça, como isso é possível? Ou melhor, isso é real?
Até que o clube de artes era bem divertido, tirando a parte que Dimitri fazia parte dele, mas fora isso, eu adorei, estava tentando reproduzir uma das obras de Romero Britto.
[...]
Fui para casa andando, não esperei por Rob e nem vi o carro de seu pai no estacionamento. Às vezes, uma caminhada faz bem; Cheguei em casa cansada, minha vó não estava, era noite do bingo.
Subi e fui tomar banho, quando terminei, penteei meu cabelo e encontrei mais duas bolinhas de papel, resolvi abri-las; nelas estão escrito:
"Não confie tão rápido assim em alguém".
"Desconfie de todos".
Aquelas palavras me assustaram que eu corri para janela a tranquei, minha vó já deve estar chegando. Vou me deitar, mas antes vou até a cozinha pego uma faca e coloco de baixo de minha cama. Pego o taco de baseball e coloco em cima do criado-mudo e me deito.
Não consigo dormir, até que penso em ligar para Rob, não está tarde, são só 20:38, ele fica jogando vídeo game de madrugada. Me sento na cama pegando o celular em cima do criado-mudo e liguei para Rob, ninguém atende; tento mais e mais um e, mais uma vez até finalmente ele atende.
"Que foi, Charlie?" diz Rob num tom grosseiro.
"Como é? " pergunto
"Que foi, Charlie?" repetindo no mesmo tom de voz.
"Eu só queria saber se você estava bem." digo calmente.
"Estou bem e ocupado" continuando com o tom que cada vez mais eu queria explodir de raiva.
"Rob, o que você tem? Você está estranho desde que você me viu hoje" pergunto, eu não podia desistir de Rob, ele era meu melhor amigo, por mais que a atitude dele tenha me assustado e muito; não podia perdê-lo dessa maneira.
"Você não iria entender, você é imatura demais para isso." diz Rob
"O que você quer dizer com isso?" sem entender Rob.
"Charlie, ou você é burra ou se faz de idiota". diz Rob
"Rob... o que tá acontecendo com você?" pergunto e percebo que estou chorando. "Eu tô ligando para saber se você está bem e você me trata assim por quê não quis te beijar?"
"Charlie, você não..." não o deixo terminar, desligo o telefone.
Coloco o celular em cima do criado-mudo novamente e me jogo na cama, chorando; estava cansada emocionalmente e fisicamente.
Ainda estava chorando, devia ter se passado horas, pois minha avó havia chegado, ouvi seus passos no corredor, fingi que estava dormindo; estava de costas para a porta. Quando ela abriu a porta para me dar uma olhada e a fechou, eu olhei para o relógio do despertador, eram 00:13 e eu pedi à Deus que o dia de hoje seja melhor do que ontem.
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