Predador: A Irmandade Dos Justiceiros
24 Capitulo 24: Cinzas
Notas iniciais
Caique não sabia o que dizer... Ver aquela grande mansão em chamas o fazia imaginar os gritos de horror que as pessoas que ali estavam fizeram enquanto as chamas as consumiam, eram crianças que haviam perdido suas vidas ali, algumas provavelmente ainda não tinham sequer sentido o gosto de um primeiro beijo, ou o pulsar enlouquecido de seu primeiro amor, mas aquilo não importava mais, qualquer que tenha sido os sonhos e desejos daquelas pessoas ardia naquela grande fornalha que em seguida se tornaria cinzas e tempos depois uma mera história...
Os novos justiceiros ao lado de Caique se viram para seu líder tentando dizer alguma coisa, mas desistem quando enxergam as lágrimas silenciosas daquele jovem adulto descerem de seu rosto, o reflexo da mansão em chamas era viva em seus olhos e ele não ousava piscar, pois aquela era sua punição por ter falhado uma segunda vez... Ele só sairia dali quando tudo acabasse... Aquele era o pior castigo que ele poderia receber de si mesmo... E ele sabia que merecia...
Horas após as chamas silenciarem e a comoção ao redor sumir, Caique se aproxima dos destroços ainda quentes da mansão e vasculha o local procurando algum vestígio de alguém, uma lembrança, nem que fosse uma simples memória, mas nada encontra, ele volta para onde estão seus companheiros que estavam escondidos longes dali e que apesar do silêncio não deixavam de se preocupar com sua situação atual.
– Caique... Nós sabemos como se sente, mas não podemos ficar parados aqui, nenhum lugar é seguro para nós, temos que fugir o quanto antes ou seremos pegos e mortos também. – Kenshiro informa olhando para o líder.
–... – O azulado nada responde, somente fita o outro.
– Nós temos que nos reorganizar, não podemos deixar as mortes deles serem em vão! – Lilith diz.
–...
– Mas para onde iremos fugir? Estamos sendo procurados, eles sabem nossas identidades! – Carol pergunta olhando para o pequeno grupo.
–...
– Caique diz alguma coisa droga! – Akemi se irrita com o silencio do mais velho e grita tentando fazer ele voltar ao normal.
– Mortos não falam e seu amado líder já age como se estivesse morto.
A voz feminina calma e fria assusta os jovens que olham para uma árvore enxergando uma mulher encapuzada com uma roupa de couro em um dos galhos, ela pula e se aproxima dos jovens que ficam em alerta.
– Quem é você? É uma dos que fizeram isso com a gente?! – Carol pergunta em posição de ataque.
– Se eu tivesse feito isso vocês não estariam vivos também. – Ela rebate enquanto se aproxima mais.
Os jovens se armam e apontam para Kaelina que olha com a ponta dos olhos e balança a cabeça de forma reprovativa.
– Amadores... – Sussurra para si.
– Parem... Se ela quisesse já teria matado todos vocês...
A voz de Caique finalmente sai e seus aliados ficam surpresos.
– Caique! – Eles se exaltam um pouco.
O jovem se levanta virando-se para Kaelina.
– O que veio fazer aqui? Rir da minha incompetência, jogar na minha cara o como fui idiota por não dar ouvidos ao seu aviso? – Ele tenta não demonstrar estar aborrecido.
– E por que eu iria perder o meu tempo repetindo o que você já sabe? – Ela cruza os braços ficando frente a frente com Caique.
– O que quer Daemonia? Seja rápida, pois não estou de bom humor hoje! – Ele também cruza os braços encarando-a.
– Para onde vai agora que sabe que não tem para onde ir?
– Eu estou pensando ok? Eu tenho diversos lugares que posso usar como esconderijo.
– Como sua mansão em cinzas ali? Ou está falando da fábrica fantasma no porto central? Talvez a suíte presidencial do hotel Royal Palace? – Diz olhando séria.
A expressão de Caique vacila por um momento.
– Todos os imóveis credenciados de vocês, assim como seus familiares estão sendo monitorados, incluindo esses celulares ridículos que vocês têm no bolso, toda a tecnologia que tanto confiou e que de maneira imprudente usou para brincar de justiceiro nos últimos meses agora é a mesma arma que seus inimigos aprenderam a usar para ataca-los e eles não vão parar enquanto não conseguirem isso, por que é assim que o governo trabalha.
– Minha família está sendo monitorada? – Lilith fala surpresa.
– Sim, e os agentes esperarão o momento em que vocês vacilarem para usá-lo e assim encontrar os outros, ou seja, vocês estão fadados a caírem em uma armadilha a qualquer momento e entregar o paradeiro dos outros com isso.
– Como... Como você sabe de tudo isso? – Carol pergunta.
– Por que eu uso a cabeça para não agir imprudentemente e por que conheço como uma mente política doentia age.
– Mas você não viria aqui apenas para nos dizer isso Daemonia, vá direto ao ponto. – Caique corta a conversa indo direto ao ponto.
Kaelina olha em seus olhos analisando-o e sorri cinicamente quando percebe que Caique sabia não haver outra saída, como ela havia previsto.
– Eu conheço um lugar onde poderão ir e estarão seguros.
O grupo se entreolha.
– Conhece? Por acaso esse lugar... – Caique falava.
– Exatamente... Meu esconderijo. – Ela completa a sentença.
– Seu esconderijo?! – Kenshiro pergunta.
– Por que nos ofereceria ajuda? Pensei que sempre agia sozinha e que não gostasse de companhia.
– Digamos que depois que vocês começaram a agir na cidade as atenções que os meus inimigos tinham em mim se voltaram para vocês e isso apenas facilitou ainda mais o meu trabalho... Vejam isso como uma retribuição pela ajuda involuntária que recebi. – Ela sorri cinicamente outra vez.
– Entendo... – Caique pensa por um instante. – Eu aceito a oferta, não vou arriscar a vida de meus companheiros e enquanto não pensar em uma solução para o problema que estamos enfrentando no momento, creio que seu esconderijo é o melhor lugar. – O jovem responde.
– Ótimo, então vamos em frente, mas vou logo alertá-los: Minha casa, minhas regras, quebrem uma delas e serão mortos, se eu for misericordiosa apenas o chutarei de lá com alguns ossos quebrados.
Caique sorri quando percebe que ela tinha soado como ele mesmo.
– Sim senhora... – Todos menos Lilith falam.
– Para começar o uso de tecnologia é proibido e existe um sistema de bloqueio para qualquer sinal radioelétrico exterior e todo sinal interno do esconderijo só funciona localmente entenderam, em outras palavras, desistam dos celulares que têm nos bolsos, vocês não poderão usá-los lá.
O grupo olha com pesar para relógios, celulares, tablets e outros equipamentos tecnológicos que carregavam e os descartam, Kaelina joga uma pequena granada de impulso eletromagnético e destrói todo o sistema dos aparelhos, ela ainda passa um scanner portátil de sua própria armadura em cada um para averiguar se todos os aparelhos haviam sido destruídos e Caique apenas observa o como ela era cautelosa.
Quando chegam a uma determinada área Kaelina veda os olhos dos justiceiros com exceção de Caique que ajuda a guia-los pelo caminho, pois ela não podia confiar em ninguém a não ser ele e quando finalmente chegam ao lugar determinado...
– Podem abrir os olhos. – Kaelina anuncia e acende um interruptor.
Os justiceiros enxergam um enorme galpão, pela forma das paredes e a forma de montagem Lilith logo imaginou que era um galpão subterrâneo. O local tinha uma iluminação bem forte, as paredes eram de metal, com algumas partes somente de rochas, o piso era puro aço e o teto também.
– Este local era uma mina que foi abandona há décadas pelo governo por esgotamento de recursos naturais e outros problemas que fizeram ser esvaziada e abandonada, este lugar é basicamente um labirinto com centenas de caminhos, corredores e portas, por isso um excelente esconderijo, a luz interna e agua são de um sistema antigo e autossuficiente de abastecimento implantando na época que a mina funcionava, por isso indetectável e como é muito no subsolo nenhum sinal radioelétrico sai ou chega da superfície e para ter sinal só usando o antigo sistema de captação de sinal da mina que uso para ouvir e ver as noticias da cidade, por se tratar de um sistema antigo e arcaico, ninguém detecta, tornando o lugar um esconderijo perfeito e amplo para o grupo. – Kaelina detalha tudo sobre aquele local. — Fora que por se tratar de um ambiente usado por antigos mineiros ele é cheio de quartos, áreas de lazer, banheiros, garagens para automóveis de grande porte, etc... Aqui será o lar e local de treinamento de vocês a partir de hoje. – Terminando de falar a mulher mostra onde seria o quarto de todos ali.
O azulado assim que soube qual seria o dele, adentrou e se deitou la ficou pensando em seus amigos, todos os sorrisos, todas as brincadeiras e todos os momentos de alegria que teve ao lado dos jovens justiceiros.
– A ira de um dragão é algo tão assustador e terrível, que nem mesmo dragões maiores são capazes de se aproximarem do lagarto em fúria. – Caique se lembrou uma vez que seu pai lhe contou sobre os dragões.
– Então que seja jogada em toda a cidade a ira de Predador. – O rapaz se levantou e foi atrás de Kaelina achando a mulher na cozinha junto de Lilith. – Onde fica seu laboratório?
– Por que quer saber?
– Preciso recriar algo la.
– Posso saber o que se trata?
– Não. – Diz ríspido e rápido para a mulher.
– Acabou de chegar e já se esqueceu... Minha casa, minhas regras não se lembra?
– Desculpe, mas não sou apto a seguir regras. – A mulher fitou o rapaz e se levantou.
– Me siga. – Kaelina andou por alguns corredores e alguns minutos depois, abriu a porta mostrando o laboratório e oficina para o azulado. – Os computadores não são ligados a internet e a nenhum sistema com o sem fio, são somente maquinas paradas ai que não podem se comunicar com o mundo exterior, as maquinas também não são conectadas a nenhum sistema remoto, so servem para trabalhos internos e não possuem comunicação sem fio, aqui será seguro você criar suas armas por que tudo o que precisa encontrasse nesta sala e o melhor é que nenhuma das maquinas é possível, qualquer tipo de comunicação ou rastreamento então divirta-se. – A mulher fecha a porta e sem demora Caique vai de encontro as maquinas.
O azulado analisa cada um dos aparelhos ali presente e percebe que conseguiria criar suas armaduras e suas armas, melhorando e aperfeiçoando ainda mais os equipamentos.
Em outro cômodo os outros justiceiros estavam sentados em sofás olhando para Kaelina que informava como seriam as coisas a partir daquele momento.
– O líder de vocês já se trancou no laboratório e esta criando novos equipamentos, para assim você se tornarem armas, mas antes que isso aconteça a partir de hoje eu irei treinar vocês 3 para se tornarem assassinos silenciosos e sombrios.
– E como ira nos treinas? – Akemi pergunta com a voz irritada.
– Neste local existem mais de 17 áreas de lazer, mas umas 5 eu personalizei criando locais de treinamento, nestes lugares vocês iram aprender como serem sorrateiros para aniquilar seus inimigos facilmente.
– Parece interessante. – Kenshiro comenta. – E como você nos ensinara?
– Nestas salas temos vários equipamentos que iram proporcionar com que vocês melhorem suas habilidades e suas forças mentais, para assim vocês conseguirem raciocinar, visualizar e criar uma tática tanto de ataque como de defesa em uma velocidade incrível.
– Você conseguiu criar áreas de treinamento de equipes de elite nestas salas? – Lilith pergunta meio surpresa.
– Não foi áreas de treinamento para equipes de elite, e sim para treinamento de espiões assassinos. – Informa calma para a mais velha.
– Certo e como será o treinamento? – Carol pergunta e a morena pede para que os ali presentes a seguissem. Depois de 5 minutos de caminhada por alguns corredores eles chegam a um local, onde vários objetos parecido com arvores, barris, caixas, paredes se encontravam.
– Esta sala eu chamo de área Stealth, aqui vocês iram aprender a serem sorrateiros e incrivelmente silenciosos.
– Como esta sala funciona? – Carol pergunta.
– Existem 60 pontos de visão, sensores de movimento e de ruído espalhados por toda a sala, com estes equipamentos esta equipado armas de disparo de borracha, a pressão destas armas é muito forte e a velocidade do projetil viaja a somente 90km/h menos que uma bala de verdade, cada vez que um destes equipamentos de percepção notar vocês, estas armas iram disparar no local onde estiverem, se forem acertados preparem para sentir uma aguda dor. Fora daqui no local onde eu e Lilith ficaremos, será o regulador de sensor, neste local iremos regular o nível de sensores que neste momento esta no nível de uma criança de 2 anos, com o decorrer do treinamento irei aumentar o grau, assim ficando mais difícil não serem notados então sugiro que vocês tragam muitos curativos para os treinos. – Kaelina termina de falar e olha para os jovens. – Mas por hoje não irei treinar vocês, deixarei isso para amanhã então tratem de descansar que vocês ainda sofreram muito em minhas mãos. – Termina de falar com um sorriso meio assustador.
No final do dia Lilith informou para o azulado que a destruição causada em sua mansão, pelo que os investigadores conseguiram descobrir foi causado por uma bomba, lançada de uma área distante e devastando muito o local atingido.
Naquele momento Caique percebeu que ate mesmo o exército, estava nas mãos dos criminosos da cidade, com seus projetos avançando e Kaelina iniciando o treinamento dos outros justiceiros, Predador não iria demorar muito para novamente surgir nas ruas.
O rapaz olha para a armadura quase pronta e faz uma promessa.
– Não existira mais Nano Light, não existira mais nada que bloqueie os sentimentos de qualquer um, a partir de agora esses desgraçados iram sentir toda a ira de um dragão e com esta armadura, resgatarei Reiko e limparei a cidade, isso é uma promessa. – Termina de falar pegando a mascara de Predador que já estava finalizada.
Ele perdeu sua família, seus amigos, sua casa, seu dinheiro e agora é cassado por toda a cidade. Porem agora sem mais o que lhe proibir Caique ira poder se transformar no verdadeiro Predador na cidade.
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