Preconcepção
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Uma madrugada tranquila de outono nos terrenos da escola, dois vultos encapuzados atravessavam os gramados entrando na floresta proibida
— Lumus — o que tomava dianteira iluminava o caminho, desviavam das raízes altas e distorcidas pelo caminho, os sons das criaturas da floresta ecoam por toda parte, as varinhas dos intrusos em mãos para caso de necessidade. Depois de sete minutos de caminhada chegam a um pequeno lago cercado por árvores ancestrais, a luz da lua refletida no lago iluminava o lugar
— Nox — apagava a luz da ponta da varinha e tirava a capa revelando seus cabelos loiros com uma trança, um uniforme com detalhes em amarelo e um cachecol amarelo e preto — feitiços de desilusão são desagradáveis.
— Não tem outro jeito Milady — também tirando a capa — principalmente com a segurança reforçada depois daqueles dois estuporados — colocou uma cesta no chão e ela uma bolsa.
No alto de uma das árvores a beira do lago uma criatura que se misturava na escuridão percebia a presença dos adolescentes, foi saltando de árvore em árvore até o chão e pulando em cima do menino magricela começando a lambe-lo
— Oi para você também Banguela — Astrid debochava enquanto Soluço tentava evitar as lambidas — não conseguimos vir ontem depois da aula de Astronomia — o dragão sai de cima do garoto e retribui uma lambida nela também — arg
— Aqui garoto, jantar — derrubou a cesta cheia de pescados, e tirou algumas ferramentas da bolsa que Astrid tinha colocado ao lado — vamos regular esse pedal.
— Até acharmos um feitiço decente de imitação para barbatana mecânica — pegava uma sela escondida debaixo do oco de uma árvore — você continua "pilotando" o Banguela.
— Nós Milady — ajudava ela amarrar a sela — inclusive você opera o pedal hoje
— Não era isso que tínhamos conversado — guardava as coisas que trouxeram no mesmo oco da árvore que tirou a sela — mas ok.
Depois de esconder as capas bolsa no oco da árvore e a cesta próxima do lago, os dois subiram no dragão, Astrid na frente pilotando e Soluço atrás
— Vamos Banguela — levantaram vôo até as copas desfolhadas da floresta, dragão rugiu e começou voar em alta velocidade pelo céu da noite com os dois lufanos nas costas.
...
Dois anos antes
Fim de tarde pouco tempo depois do começo do ano letivo, Astrid descia pelos terrenos da escola rumo a cabana onde o Professor Bonarroto morava, teria uma detenção por ser apanhada nos corredores depois do toque de recolher pelo zelador Bolor.
— Vamos lá, não conta para ele — escuto uma voz anasalada de dentro da cabana, ignorando isso bateu na porta
— Está aberta Hofferson — disse voz abafada do lado de dentro, entrou dentro da cabana circular estavam sentados próximos a lareira o professor e seu colega de casa, Soluço Haddock — sente-se, quero conversar com vocês dois antes de começarmos — se sentou na cadeira ao lado de Soluço.
— Vocês deviam agradecer o professor Sandman por evitar que sua detenção fosse com o Bolor — faziam uma careta só de imaginar o zelador ranzinza — seria uma noite inesquecível.
— Séria incrível — sarcastimente comenta o menino, recebendo um olhar de incredulidade da garota.
— Não tem ideia — não dando muita atenção — mas vamos ao que interessa. Estávamos discutindo desempenho acadêmico dos alunos e achamos que vocês dois deviam trabalhar juntos em todas as aulas.
— Mas porque ? — questionava Astrid estreitando os olhos
— Vocês são complementares, Hofferson suas notas em aulas práticas são as melhores do seu ano e Haddock são desastrosas — mencionado ficava corado como um pimentão envergonhado — deve ser um novo recorde de explosões acidentais e caldeirões rachados e...
— Professor ! — o menino magricela envergonhado interrompe
— A sim — da um sorriso despreocupado e continua — por outro lado ele tem notas teóricas tão altas quanto daquela corvina entusiasmada ao contrário das suas Hofferson que foram preocupantes — a vez da garota ficar envergonhada — resumindo, vocês dois juntos teriam notas para profissões de alto escalão no ministério.
— É se... se algum de nós não quiser? — perguntava desviando olhar da colega
— Vamos deixar vocês fora de atividades extracurriculares, pois vão usar esse tempo para melhorar suas notas — e com um sorriso divertido concluí — coincidência vocês terem se inscrito para os testes do time de quadribol da Lufa-Lufa.
— Como... — eles começam mas entendem as informações privilegiadas do docente, se encaram depois olham para professor que coçava a orelha com a varinha despreocupado.
— Peguem os sacos aí no canto, nessa detenção vão me ajudar — abrindo a porta da cabana e saindo
— Ajudar com o que? — saindo da cabana seguindo os loiros na direção da floresta
— Alguns espertinhos estão contrabandeando artigos proibidos pela floresta, ou escondendo lá — acendia a ponta da varinha em um feitiço não verbal — Vamos olhar sem se embrenhar na floresta
— Que tipo de artigo ? — Astrid pergunta curiosa
— De travessuras a coisas que impressionam até um auror — dizia com a casualidade de sempre, não notando os dois engolindo seco — facilitar para vocês, vão daqui em direção os muros — apontava a direção — eu vou na direção das estufas, volto no máximo em uma hora. Só entrem até onde da para ver a saída da floresta — e deixou os dois sozinhos
— Vamos — com carranca na cara Astrid chama o outro adolescente entrando na floresta — Lumus
Os dois olhavam pela floresta procurando por esconderijos mais óbvios, como as raízes altas, buracos no chão e ocos em árvores velhas. Ambos foram encontrando travessuras das mais banais como as vendidas na Zonko's e outros menos comuns os quais nem tinham ideia qual a serventia , depois de meia hora Astrid já tinha chegado aos muros da propriedade da escola e pensava nos exageros do professor, até agora não tinha encontrado nada de mais
— Vamos voltar — olhou em volta procurando o colega — Soluço? — emburrava a cara imaginando ter deixando ele para trás, e começou a voltar o procurando — ótimo, perco o afilhado do professor.
Por intuição se aprofundou um pouco na floresta e levantou a varinha na altura dos olhos e continuou a andar
— Incendio — ouviu o feitiço ser recitado alguns metros a frente, com cuidado foi se aproximando da origem.
Olhando de trás de uma das árvores viu seu colega lufano agachado olhando para um amontoado de brasas no chão, sem entender chegou mais perto por trás do garoto e viu algo se mexer nas brasas
— ISSO É hmm... — Soluço pulou da sua posição tampando a boca da garota com a mão.
— Não grita, vai assustar ae — Astrid pega o braço dele e torce o deixando de costas para ele — ele... ele — concluiu com a dor da imobilização
— Nunca mais faça isso — falava perigosamente baixo com olhar de raiva e o soltou — entendido !?
— Ok, ok, eu mereci — dizia enquanto passava a mão pelo braço dolorido — mas por favor fala baixo
— O que você está fazendo com esse demônio ? — cruzava os braços esperando a explicação
— É só um filhote de dragão ferido — olhava para feição de incredulidade dela — você é bem mais perigosa — concluiu só para ele.
— Só? Isso é algo que se mata assim que se vê — apontava para o pequeno lagarto preto no meio das brasas
— Não! Se o Bocão descobrir ele mata, o que não vai acontecer — afirmava mais para se convencer
— Porque deixar isso viver ? — quase exasperada no tom baixo — você nunca teve Trato de Criaturas.
— É você e uma magizoologista agora — ela respondia com olhar de reprovação — se você me der uma chance de explicar.
— Sou toda ouvidos — amolecia a postura
— Dragões não são essas criaturas do senso comum prega, e para ser mutilado onde na calda como foi boa coisa não é — começava gesticulando acintosamente — minha mãe estudava eles, tenho as anotações dela no dormitório, te mostro se me ajudar a entrar com ele.
— Nós vamos ser expulsos !! — levava as mãos a cabeça
— Não vamos, você sabe entrar sem ninguém ver — solta sem perceber que falou de mais.
— Como sabe disso ? — segurava ele pelo colarinho — foi aquela cobra do Frost?!
— Então me ajuda ? — desconversando arrumando o colarinho da blusa com sorriso sem graça
— Vamos logo então — cedeu derrotada — temos que ser rápidos
— Bocão ainda vai demorar para sentir nossa falta — esvaziada seu saco com tralhas e forrava o fundo com terra e galhos e pegava uma faca de prata no cinto e furava o saco
Olhava para ele com questionamento na cara "onde tirou essa faca". Ele pegava o pequeno animal pela as brasas frias debaixo do filhote e colocava dentro do saco
— Vamos ? — segurava o saco por baixo com cuidado enquanto ela afirmava com a cabeça — você guia.
E com isso os adolescentes seguiram pelo escuro rumo a alguma passagem secreta para dentro do castelo
...
Presente
— Voltamos amanhã amigão — coçava a cabeça do dragão
— Teoricamente é hoje — implicava com ele logo depois de bocejar.
— Pensava que o sarcástico desagradável era eu — implicava de volta
— Guarda essas coisas e vamos, quando sol nascer temos que estar dentro do castelo — ignorou o comentário pegando os materiais deles e vestindo uma das capas — você lança a proteção
— Certo — guardava os equipamentos na árvore e erguia a varinha — Protego totalum — espalhando proteção sobre o pequeno lago onde o dragão passava maior parte do tempo
— Vamos, quero meu café — fazia um carinho de despedida no dragão esperando Soluço terminar.
Lançam feitiço de desilusão um sobre o outro é vão em direção ao castelo com os primeiros raios de luz do dia.
Fale com o autor