Preconcepção

13 Capítulo 13


Jantar daquela noite de janeiro já estava da metade para o fim no grande salão, ainda muitos estudantes comendo e conversando.


Anna olhava pelo salão não muito discreta, principalmente para mesa da soserina do outro lado do salão


— Como você esconde esse romance com o bostinha? — Merida sentada ao lado dela bufava — e discreta como um troll.


— Elsa já subiu — passava o braço envolta do amiga sorrindo — Soluço já está no sétimo sono numa hora dessa.


— Anna, estamos em Hogwarts — apertava a ponte do nariz — eles não precisam ver para descobrir.


— Eles não são fofoqueiros — gesticulava com a mão como se não fosse importante.


— Sério? Sua irmã e uma "simpática" monitora — fazia aspas com os dedos e olhava incrédula para outra ruiva — pessoas fariam questão de fofocar de você na frente dela se tivessem algo.


— Não se preocupe — viu algo perto das portas e se levantou — te vejo mais tarde no quarto.


Saiu antes de ouvir a resposta cansada da amiga, e subiu as escadarias, aí chegar no segundo andar quando passava por um corredor foi puxada para dentro de uma sala.

— Oi Hans — sorria para o sonserino mais velho


— Acho que precisamos conversar sobre descrição — ainda a segurava bem próximo.


— Sinto que já escutei isso hoje — fechou a cara apesar de bem humorada.


— Sempre engraçadinha princesa — sorria enquanto apoiava a mão na parede atrás da garota.


— Está difícil te achar depois do natal — fazia beicinho para ele.


— Ocupado, muitas coisas acontecendo — colocou a outra mão na bochecha dela — sinto muito em não dar a atenção que você merece desde que tudo aconteceu.


— Está tudo bem, sei que sua família não é muito fã da minha — riu sem graça — a carta que mandou já me fez muito bem naquele dia.


— Fico feliz que ajudou — segurou no queixo e beijou a ruiva — tenho que me preparar para aula astronomia, te vejo depois — saiu deixando a ruiva mais nova na sala vazia.

...

No sétimo andar próximo a torre de astronomia Elsa se encostava no corredor lendo um livro aparentemente distraída.


— Pensei que a torre da corvinal ficasse do outro lado do castelo — voz veio do corredor junto de passos silenciosos.


— É eu que as masmorras ficassem no subsolo — respondeu no mesmo ritmo — o que faz aqui?


— Podia te perguntar o mesmo — quando os cabelos brancos eram visíveis nas sombras do corredor parou de andar e manteve distância — mas eu já sei a resposta nesse caso


— Claro, não me importa o que você acha que sabe — tirou os olhos do livro — por favor vá embora


— Relaxe — acenou com a mão — bostinha que você está esperando ainda não subiu.


— O que você quer Frost? — tentou voltar atenção para o livro.


— Te ajudar — riu do olhar incrédulo dela — ajudar na sua nobre empreitada em busca de informações, que só alguém como você pode conseguir.


— Frost não sei do que... — Foi interrompida pelo albino


— Antes da fala ensaiada me deixe terminar — falou em tom sério pouco usual dele — eu percebi que você está mais distante que o normal das poucas pessoas que você e próxima


Ela fechou o livro e deu toda atenção para o garoto mais novo que se aproximou um pouco mais


— Sua irmã já está acostumada a não questionar suas estranhezas como ela mesmo diz, Soluço provavelmente deve estar remoendo alguma culpa sem sentido pela morte do pai de vocês duas — deu sorriso conhecedor — e olhando de perto você está um pouco fora do personagem, se aproximando lentamente de pessoas que não chegariam perto de você se não fosse neta de quem é


— Aonde você quer chegar com isso ? — voz já demonstrando cansaço daquela conversa


— Que achei um bom plano, as questões de sangue dividem essa escola mais que as próprias casas — gesticulou para a loira platinada — e você além de estar disposta ultrapassar essas barreiras e a pessoa certa para isso


— Qual é seu interesse nisso ? — perguntava com rosto em branco


— Mesmo que o seu, até o motivo familiar e parecido — riu sem graça — boa sorte com sua vítima — se virou e saiu desaparecendo nas sombras do corredor


— Eu não disse que concordava — disse voltando atenção ao livro


— Não ligo — ecoou já distante pelo corredor junto do som esbaforida que a garota soltou com a resposta


Depois do sonserino mais novo a deixou no corredor silencioso, Elsa ficou presa em seus pensamentos com o livro aberto distraidamente até ouvir passos da outra extremidade do corredor


— Boa noite Arendelle — ruivo sonserino do seu ano carregando alguns materiais a cumprimentou


— Boa noite Westergaard — acenou para ele — já tão cedo aqui para aula de astronomia ?


— Dependendo da companhia o tempo pode voar — isso causou uma risada contida da garota.


— Não posso discordar da sua lógica — colocou o livro de baixo do braço e deu alguns passos se afastando da parede — algo que você procure aqui tão cedo ?


— Você pode me dizer se encontrei — sorria convencido para ela


— Mesmo parecendo direto — ficou ao lado do ruivo — da voltas sem chegar onde quer


— Só quero saber o que está diferente — ficou de frente olhando diretamente para as frias orbes azuis da garota.


— Percepção de mundo! — no mesmo tom linear e frio habitual — desperdiçar sangue mágico com seres inferiores, morrer por isso não vale a pena. Meu avô mesmo inepto como era estava certo.


— Se realmente pensa assim — sorria e invadia o espaço pessoal dela — posso te ajudar.


— Aí está um dos seus vários enganos — interrompeu o avanço dele segurando seu queixo com a mão — única que pode ajudar alguém aqui sou eu.


— Mas... — se calou com dedo indicador dela pressionado nós seus lábios enquanto ela sorria divertida


— Eu sou a primogênita Arendelle, o que dispensa apresentações, você apenas o décimo terceiro de uma família que mantém o status sanguíneo e financeiro aos trancos e barrancos — se aproximou do ouvido dele e concluiu — você vai ter que se esforçar mais para merecer minha ajuda, e só aí ser útil para mim.

Se virou e começou a andar — tenha uma boa noite Hans — e rapidamente saiu da vista do sonserino.

...

— Punzel, deixa sua lagartixa longe de mim por favor — a garota de olhos castanhos e cabelo preto acinzentado curto reclama enquanto jogava Pascal no ombro da loira.


— Um pouco de bom humor não te mataria Cassandra — acariciava seu camaleão enquanto as duas iam pelos corredores para torre da corvinal


— Mais? Já ando com você que é praticamente um raio de sol ambulante bem humorado — fez cara de desgosto — que já é excessivo para mim.


— Também te amo Cas — abraçou de lado a contragosto da garota mais velha


— Assim vou ficar com ciúmes Punzel — menino albino aparecia no sentido contrário do corredor.


— Cobrinha gelada aqui em cima, boa coisa não é — Jack ria do comentário de Cassandra.


— Bom te ver também, melhor capitã de quadribol de Hogwarts — fazia uma referência exagerada, sorriso divertido nunca deixando rosto.


— Namorado larápio dela não vai gostar de escutar isso — Cassandra dava um pequeno sorriso maldoso


— CAS! — olhava exasperante para colega de casa enquanto o sonserino gargalhava.


— Ok — voltava assunto ao albino — pensei que cobras se rastejam pelas passagens.


— Passagens secretas desses andares altos são esquisitas até para mim, e porque eu perderia a chance de esbarrar em vocês? — piscou para as corvinas.


— Jack, prefiro me manter ignorante de quais desastres seus passeios noturnos podem causar — deu abraço rápido no garoto antes de ir — vamos que já está quase na hora do toque de recolher.


— Você que me prendeu lá em baixo até agora — reclamava enquanto resistia ao puxão da loira — não vou me apressar.


— Até mais — Jack logo desapareceu da vista das duas, que continuaram rumo ao salão comunal.


Ao chegar a porta tinha acabado de ser aberta pela monitora do quinto ano Elsa, que ao perceber a presença delas segurou a porta


— Obrigado — reparou o olhar meio vago e enojado da aluna mais velha — tudo bem Elsa ?


— Sim, obrigado por perguntar — e assim foi para as escadas dos dormitórios deixando as duas no salão comunal movimentado de fim de noite.

Notas finais
Obrigado por ler, demorei um pouco por estar com dificuldades de escrever o capítulo 18