Preconcepção
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Com movimento preciso com a varinha defendeu mais um dos ataques da garota ruiva do outro lado da sala, levantou uma sobrancelha na direção dela e sorriu para provocá-la
— Você não pode só se defender filha de trol — jogava mais uma rodada de feitiços reluzentes pela sala mal iluminada por tochas
— Olha a língua princesa — arrancou um grunhido de irritação da ruiva enquanto se defendeu com sucesso mais uma vez — Já que você insiste no duelo ofensivo
Com uma mudança de postura imperceptível para os que não estivessem prestando total atenção a loira começou a lançar feitiços não verbais na sua adversária, que foram prontamente defendidos. As íris azuis se encontram antes de recomeçar a troca rápida de feitiços, as luzes multicoloridas rasgaram o ar, o movimento de pulso junto das varinhas parecia uma dança bem coreografada.
— Merda — a varinha da ruiva caia no chão logo depois de ser desarmada
— Vitória da Hofferson — José que estava arbitrando exclamou
— Quero revanche! — vociferava enquanto recolhia sua varinha no chão.
— Calma lá cabeça de fogo, se ficarmos aqui até você cansar de perder da brutamontes ninguém mais duela — comentou alto o albino encostado preguiçosamente na parede ao lado da outra ruiva e de outros dois sentados conversando baixo com um livro aberto em suas pernas
— Cala boca Frost! — respondia cada vez mais frustrada com as provocações.
— Depois que eu convenci meu querido capitão em pleno domingo usar seus poderes de monitor para usarmos o clube de duelos, você me trata assim — falava com falso tom ofendido na voz com sorriso brincalhão no rosto
— Você não é tão persuasivo assim gelinho, agora é minha vez contra a DunBroch — José trocava de posição com Astrid
— Mas conheço alguém que te convenceria a qualquer coisa — comentava só para Anna ao lado dele escutar apontando com os olhos para a loira com grandes tranças sentada no chão, a ruiva tentava abafar a risada.
— Coitado do José, preferia enfrentar um trasgo raivoso do que a Merida depois da Astrid conseguir apertar os calos dela — comentou a garota rúbea ainda risonha
— Quando ela não consegue? — continuavam os dois fofocando baixo enquanto assistiam o duelo — ela tem um dom único de irritar a Merida, e prática ele como um esporte.
— É porque são muito parecidas, da paranoia aos olhos, a voz que parece ser da mesma pessoa e a fascinação pelo magrelo sardento — apontou para o garoto no chão com a cabeça.
— Diferença é que a loira e sádica e quando formarmos vamos chama-la de senhora Haddock — ambos riam alto dessa vez antes do albino ser atingindo por um soco no ombro quase desequilibrando — Ei!
— Pensei que você gostava dos seus dentes dentro da boca Frost — ameaçava a loira com rosto corado com os dois que estavam duelando aproximando do pequeno grupo depois da vitória da escocesa, Anna ria abertamente da cena.
— Vamos continuar ou vocês vão ficar batendo papo? — pontua José fingindo não estar interessado.
— Na verdade nós temos que ir — indo em direção aos dois sentados no chão.
— Nós? — Merida questionava com uma carranca curiosa
— Sim, nós — puxava o garoto sardento do chão e o colocava de pé.
— A verdade — Soluço se endireitava pegando um livro no chão — temos algumas coisas para resolver antes do feriado do Natal.
— Coisas? — Anna arqueava as sobrancelhas.
— Sim, coisas — os dois lufanos seguiam para porta — bom duelo para vocês, e boa sorte princesa — adicionou a última parte com uma voz cantante antes de fecharem a porta.
Do corredor vazio das masmorras conseguiram ouvir a irritação da escocesa, e riam baixo indo na direção das escadas.
— Meus pais vão ficar ocupados com a loja — começou quanto o outro balançava a varinha em volta deles — usei de desculpa para ficar em Hogwarts no Natal
— Queria fazer o mesmo — levantava as mãos em frustação
— Sei que você vai amar um feriado com burocratas e seus familiares noruegueses — mal segurava a risada no seu tom divertido na voz — pelo menos vai ter as Arendelle para Anna implicar com você junto do seu primo
— Elsa não vai em eventos sociais — gesticulava enquanto passavam pelo quinto andar — Anna deve estar combinando com a Merida alguma desculpa para não irem, como se ela pudesse dar a volta na mãe dela — ria do seu próprio comentário
Ao chegarem ao sétimo andar viraram a esquerda passando por uma tapeçaria com alguns Trolls entrando na única porta próxima, do lado de dentro uma sala abarrotada de tudo um pouco, pilhas de livros, caixas e caldeirões mal equilibrados, mesas e armários empoeirados.
— Está tudo naquele armário — pegava uma chave no bolso e se agachava destrancando um cadeado antigo cheio de runas no metal — cuidado para não derru... — interrompida pelo estrondo de coisas caindo — Sério? De novo Soluço.
— Não é como se alguém fosse reparar na bagunça de uma sala vai vem e que pouca gente sabe que existe — coçava a nuca constrangido.
— Pelo menos não foi encima de mim dessa vez — colocava dentro de uma bolsa principalmente livros que estavam dentro do armário — mas fez sermos notados
— Você realmente é perceptiva — a loira corvina saia de trás de uma das pilhas de tralhas com um livro nas mãos — não é só adulação apaixonada.
— Não à lugar melhor para encontrar uma monitora do que aqui — respondia Soluço corado pelo último comentário.
— Dessa vez seu sarcasmo está certo — loira lufana se levantava fechando a bolsa.
— Eu quero saber o que vocês estão fazendo aqui ? — Elsa olhava com uma sobrancelha erguida
— Não — disseram e uníssono.
— Então vou deixar passar dessa vez — sorria minimamente divertida.
— Não é como você tivesse outra opção Arendelle — se virava e ia sai pelo corredor de tralhas.
— Te vejo amanhã antes da saída para o feriado ? — Soluço ficando sozinho com ela no corredor.
— Sim, mas guarde as surpresas para o outro aniversariante do dia — sorria enquanto começava a voltar por onde veio.
— Diga isso para a Anna e sua mãe — saiu caminhando rápido para alcançar Astrid
...
Anos antes
Em uma mansão encravada no coração de Londres os últimos presentes de um velório deixavam a casa prestando condolências a Agnarr e Iduna, a última começando a subir as escadas
— Iduna espere um pouco — falava cansado o homem loiro.
— Agora não, termine de resolver as coisas — parava no meio da escada — esse show de horrores pela morte do seu pai já chegou ao fim, vou falar com Anna depois vou para Wigtown ver como Elsa está — continuou subindo as escadas indo para o quarto da filha.
Ao chegar a uma das portas no segundo andar bateu e entrou — já se trocou querida?
— Sim mamãe — correu pelo quarto e se agarrou no vestido da mãe — vamos buscar Elsa?
— Eu vou buscá-la — a criança ruiva fazia bico olhando pra mãe — não vou demorar muito querida, porque você não faz companhia para seu pai ? — pegava menina no colo — ele vai precisar da companhia da caçulinha dele — beijava a bochecha da garota enquanto saiam do quarto.
— Pode ser mamãe — de volta o chão a menina desceu as escadas indo em direção ao escritório da casa.
— Sem correr Anna... deixa para lá — dava um pequeno sorriso e ia e saia pela porta aparatando assim que a fechou.
Desaparatou em um pequeno morro em um campo verde no terreno atrás de um casarão antigo de madeira, conhecida como a casa dos Haddock. Desceu em direção a porta dos fundos da casa que se abriu antes dela alcançar.
— Como foi ? — Ruivo corpulento perguntava enquanto abria caminho pela casa.
— O esperado do velório de alguém tão influente como Runeard — chegaram até o pé da escada — fazer sala junto da Anna para o tipo de gente que se daria o trabalho de prestar condolências de um ex-ministro deposto foi desgastante
— Imagino, e Agnarr como está? — perguntava um pouco mais baixo.
— Se fingindo de forte, apesar de tudo era o pai dele — se encostava no corrimão da escada — as crianças estão lá em cima ?
— Sim, só desceram para comer desde que os busquei anteontem — colocou sua grande mão sobre o ombro dela — tirei minhas conclusões com o quão alterada ela estava depois de acordar aqui, e o tão calado Soluço está. Quer conversar sobre antes de subirmos?
— Vamos falar sobre depois — começou a subir as escadas — no quarto dele ?
— Sim — concordou a seguindo.
Caminharam até a porta do garoto a abrindo devagar, lá dentro deitada na cama estava a garota de cabelos brancos em seus raros momentos solto, olhava por trás do garoto sentado no chão encostado na cama para o caderno que ele rabiscava. Nenhum dos dois notando os adultos no quarto.
— Oi queridos — Iduna se sentava na cama acariciando as pernas da filha e dando e afagando a cabeça do garoto — tudo bem ?
— Sim mamãe — dava um sorriso pouco convincente para mãe.
— Uma ótima dupla de péssimos mentirosos — encarava os dois com um sorriso divertido.
— Ele é muito pior — se defendia a garota de cabelos alvos.
— EI — olhar de traição direcionado para a amiga mais velha.
Os adultos riram da troca das crianças — querida está pronta para voltar para casa ?
— Não posso ficar mais um pouco ? — virava na cama colocando a cabeça no colo da mãe, os pares de olhos azuis se encontravam
— Seu padrinho e um homem ocupado — acariciava o rosto da filha — não pode ficar por conta de duas crianças, e sua irmã está preocupada...
— Certo, mas não precisa ser agora? — argumentava ansiosa.
— Não querida, ainda vou passar um tempo conversando com seu padrinho — dava beijo na testa da garota antes dela se levantar.
— Posso ir no sótão com ela papai ? — entrava no assunto pela primeira vez se levantando do chão.
— Sim, só não façam nada perigoso com aqueles objetos trouxas — puxava uma cadeira para se sentar.
— Não posso prometer nada — falava baixo enquanto agarrava o pulso da garota e a puxava pela porta. Podia se ouvir que começou a tagarelar sobre algo com a menina depois de fechar a porta e se afastar, os adultos permaneceram no quarto em silêncio.
— São crianças, pelo menos conseguem se distrair mais facilmente — homem corpulento olhava com simpatia para porta que as crianças passaram.
— Há fardos que são muito pesados — olhar triste enfeitava a feição da mulher.
— Então aconteceu de novo, e isso causou a...
— Sim, foi ela. — o interrompeu não querendo usar aquelas palavras
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