Preciso de Você
4 Uma tarde no Parque
Notas iniciais
Tive lindos sonhos e terríveis pesadelos. Parecia que anoite não ia acabar nunca, digo, nunca mesmo! Até que pude ouvir meu despertador tocar Blitzkrieg — DeathStars. Demorei pra sair da cama, fiquei lá, pensando sobre tudo. Olhei para minhas duas malas e meu quarto. É, eu vou sentir falta daqui.
- Filha! Já acordou? — não, mãe, tô dormindo — Vem tomar café!
- Tô indo mãe.
Meu celular começou a tocar The city is at war — CobraStarship e é claro que logo identifiquei como sendo uma das minhas melhores amigas. Carla.
- Acordou preta safada?
- Não, tô dormindo ainda. E tô sonhando com você, sedução.
- Ui !
Começamos a rir ali
- Tu vai com a gente, né ? Pro parque! É o seu ultimo dia, temos que ficar juntos.
- Aham, claro que vou.
- E a tua cabeça?
- Vai bem.
- Mentira, ela nunca foi muito boa.
- Rárá, muito engraçada.
Ficamos conversando ali por alguns minutinhos, até que falei que precisava desligar. Meu cereal de letrinhas me espera.
- Mãe, eu vou pro parque hoje com o pessoal, tá?
- Que pessoal ? — perguntou ela, enquanto lia um manual de instruções sobre como usar o novo microondas.
- O único pessoal que eu falo.
- Credo menina, desse jeito vou achar que você é antisocial, estranha, sei lá. — Bom...
- Cadê meu café? — Que na verdade é cereal, mas enfim .
- Na sua frente...
- Ah tá, hehe.
Comecei a comer ali, e a assistir televisão.
Tava passando um desenho novo, sobre uma estrela do mar que se apaixonou por um tubarão muito bonito e popular, e era seu amiguinho. Dorgas. E esse tubarão não percebia quem gostava dele, e dá atenção só pra outros amiguinhos, que na verdade, são falsos. Aff, me poupe, desenhos infantis... Oh não, a estrela do mar foi levada para um lugar muito distante ! E o tubarão... Nossa, ele tá sentindo falta da estrela do mar, que nada a ver... Agora tá tendo um flashback dos momentos em que passaram juntos. Que bonitinho, parece pessoas que eu conheço...
Ah não, não tem nada a ver comigo. Eu não sou uma estrela do mar!
- Que horas vai ser esse negócio ?
- Ah... Daqui a pouco.
- Vão passar o dia lá?
- É mãe. Tipo, eu vou viajar onze horas da noite né?
- Hum...
- Aí eu fico lá até umas nove, das nove, tô pronta nove e meia, e a gente já vai pro aeroporto.
- Uhum.
- Tudo bem, não vou me atrasar.
-Aham... Já tomou banho hoje?
Olhei pra ela com cara de ... Como posso falar, de quem tem culpa ? Sei lá.
- Nhãaao hehe.
- Porca. Termina esse café e vai já pro banho !
Ainda eram seis e meia da manhã, mas aqui estou, depois do banho é claro, na praça central da cidade, com um sorvete (sim, nas horas vagas, mamãe vendia sorvete, resolvi pegar ) na mão e na outra, um livro pequeno, de poemas. Estava fazendo um clima agradável, aí eu vi a Bia com o Leonnardo, porra, acho melhor eu dar meia volta.
- Alê ? Oi !- Lílian ? Do nada ?
- Ooi Lilian, como vai ?
Ela me abraçou. Eu nem falo muito com ela, desde que entrei naquele colégio, e ela me achava estranha. Ai ai.
- Tô bem.
- O que faz tão cedo aqui ?
- Vim caminhar com a Bia e o Leo e a outra Bia.
- É?- Uhum.
- Tá. Eu já tô indo, tenho que me arrumar pra umas coisas aí. Tchau.
- Ei...
- Diga
- Nada não.
Ela mudou bastante. Da garota super engraçada, ela tem ficado um pouco mais séria e sei lá. Aconteceu a mesma coisa com a Bia. E ela tem falado um pouco mais comigo, o que é mais estranho.Voltei pra casa e me arrumei. Oito e meia da manhã eu já estava no shopping com meus amigos, e ficamos por lá, conversando, tirando fotos, fomos ao cinema, zoamos com o pessoal de lá. Caímos no banheiro, tropeçamos na escada rolante, consegui o telefone de uma menina. E um menino deu em cima da namorada do meu amigo e rolou uma discussãozinha. Daí fomos ao parque, umas quatro da tarde, quando o sol estava baixo.
Linda paisagem era aquela. Enchi o saco de todo mundo pra ir na roda-gigante, mas ninguem quis ir porque era alta demais e só dava duas pessoas.Aí eu resolvi ir foreveralone porque desde pequena, adoro lugares altos. Eu achando que não ia mais ninguém, chegou a Lilian, de repente.
- Uau! De novo ? Ainda tá com Leo e Bia ?
- Sim, eles e mais o resto do povinho. HAHA. Eles não quiseram vir na roda gigante porque acham sem graça.
- Né.
Começou a funcionar e ficamos conversando sobre qualquer coisa. Até que parou no topo. Um problema. Um pequeno problema que iria desencadear algo que nem eu imaginaria.
- Alê eu tenho que te falar uma coisa.
- Pode falar, hehe.
- ...
Aí ela me beijou. Sim, uma menina que eu estudei durante dez anos e que nunca tive lá muita intimidade, me beijou. E não foi um beijinho simples não. Foi um beijo francês mesmo. Eu tive que corresponder, não gosto de deixar ninguém esperando. E ela beija bem, hein.
- Lilian o que ...
- Eu não consegui confessar isso... Já faz três anos.
- Sério ? Mas, eu sempre fui tão sem graça, isolada, feia, estranha e tão sapatão.
- É, mas também você tinha, tinha não, tem, sim um senso de humor melhor que muitos, sabe desenhar muito bem, toca violão, e toca bem. É muito inteligente, simpática, carinhosa, confiável e enfim, gosto disso em você.
- Mesmo? Puxa, eu nunca imaginei que alguem poderia gostar de mim...
- Eu gosto muito de você.
- Lilian, você sabe que nunca vai poder dar certo, não é ? Eu vou embora do Brasil...
- Sim. Eu sabia. E também sei que você é apaixonada pela Bianca, né.
- Como é que você ... —
- Tá na cara, Alê! Desde sempre.
Fiquei olhando pra ela com cara de idiota, fazendo-a rir. A roda gigante voltou a funcionar e estávamos quase de volta.
- Se tá tão óbvio, porque ela ainda não percebeu ?
- Ela vai perceber, cedo ou ... tarde.. demais.
- Imagino.
Um silêncio predominou por ali, até que o homem nos tirasse de lá e pedisse desculpas pelo ocorrido. Logo me encontrei com os meus amigos e Lilian com os delas. Puxei a Carla e ficamos andando por aí, até achar uma daquelas barraquinhas de " Tiro ao alvo " e resolvi tentar.
- Escolhe o que você quer aí, Carla — eu disse — Qualquer um.
- Eu quero aquele grandão ali — ela apontou pro maior e mais lindo urso que eu já vi.
- Kawaii.
- Vamo lá minha gente, as amiguinhas vão tentar? Opa, um casal, vamos lá! Vamos lá rapaz, quer tentar a sorte pra sua namorada ?
Quando olhei para o lado, vi Leonnardo e Bia. Fingi que não tinha visto, mas já era tarde.
- Oi ALÊ — disse Leo, segurando a espingarda — E aí, qual vai ser ?
Ajeitei o minha escopeta preta ( somente pra tiro ao alvo, hein) e mais pesado que o dele, colocando as minusculas balas .
- O maior e melhor.
Olhei para Bia, que ficou ao lado dele.
- E aí Bianca — eu disse — Como tá o passeio ?
- Tá ótimo !
Se você estivesse no local na hora, iria ser uma cena um tanto... Divertida. Ou sei lá. Estava lá, eu linda, com 1,70 de altura, com a "minha garota" atrás de mim, que no caso é uma das minhas melhores amifas. Sendo que eu estava disputando um urso gigante contra um carinha de 1,80, e ele tinha a garota dele para satisfazer.
E como gosto de uma boa disputa...
- Eu vou levar esse urso.
- Dúvido — ele disse.
- Pois bem, você primeiro.
- Primeiro as damas...
- Eu não sou uma dama, vai você, cavalheiro.
- Tudo bem então.
Leonnardo queria impressionar Bia. Sabe que... Eu, sabe, eu também. Ele atirou, passou perto, mas errou.
Minha vez .
O alvo estava em movimento, então calculei os movimentos... Pra falar a verdade, só contei os segundos que ele fica num lugar, o velocidade com a qual eles se movimenta e pronto.
Dei o primeiro tiro, acertando um dos discos de ferro.
Eu ainda tinha que acertar mais 4.
- Como é? Você acerta e vai mais uma, ou acerta e deixa eu atirar também ? — ele perguntou.
- Sei lá, você decide. Vai errar de qualquer jeito — sorri, piscando pra Carla e olhando séria pra Bia.
- Beleza.
Na primeira tentativa dele, acabou errando. Passou bem perto.
- Minha vez.
Respirei fundo e soltei o ar, devagar, acertando o segundo disco, sorri, satisfeita.
- É você agora.
- Posso atirar tudo de uma vez ?
- Vai fundo.
Leonnardo acertou 3 tiros de uma vez.
- Pois bem.Ele atirou nos "maiores" deixando as placas minusculas pra mim.
Contei de novo os segundos com precisão exata, e atirei. Acertando todos.
- Ganhei...
Carla deu uns pulinhos e me abraçou. Depois, pegou o urso.
- Parabéns! Oh, casal, não precisam ficar com essa cara, podem tentar de novo... Hehe!
Fiquei rindo do homem da barraquinha.
- Eu disse que ganhava.
Olhei para Bia e baixei os olhos. Saindo dali. Já era de mim isso. Carla e eu fomos em mais alguns brinquedos e ela contou o ocorrido aos nossos amigos. Comprei um algodão-doce enorme e verde, sentei num banco e fiquei olhando o parque. Já eram sete da noite, e estava um pouco frio. A musiquinha psicodélica do parque, juntamente com suas luzes coloridas e incenssáveis, faziam-me acreditar que eu estava num sonho sem sentido.
Daí comecei a cantarolar Ballad of Mona Lisa, eu sabia cantar bem, admito. Mas, não quero ser cantora. Mentira, quero, mas não quero lá ser muito famosa e nem ter uma empresa.
Quero ser tipo a... So-Ko.
- She paints her fingers with a close precision, he starts to notice empty bottles of gim
- And she takes a moment to acess the sins she's paid for.
Bianca apareceu do nada, e sentou-se ao meu lado, e tinha em mãos uma máquina fotográfica. A câmera que eu havia dado a ela de aniversário.
- Você sempre aparece do nada assim ? — perguntei, enquanto puxava um pedaço do algodão-doce.
- Na verdade, eu não sabia que era você, até escutar sua voz, cantando a nossa música favorita.
- Nossa música, é... ?
- Hã ?
- Nada ... Desculpa por ter feito você perder o urso.
- Tudo bem, eu nem queria o urso mesmo, pode ver como foi o Leonnardo que pediu. Eu queria na verdade era...- Era ?
- Te chamar pra ir no Castelo comigo...
Fiquei fitando ela, e percebi que ela estava um pouco triste. Por que ?
- Quer ir agora ? Sério?
- Claro.
Eu ainda tinha duas horas e meia, e eu conheço aquele castelo como ninguém ( porque eu sem querer consegui o mapa -n). Ela levantou-se e num ato inesperado, segurou minha mão. Lembro-me que ela nunca segurava minha mão... Bom... Afinal de contas, Bia sempre fora uma menina fria...
- Ai meu pai !
- O que foi?
- Cadê meu celular ?
Bia procurou desesperadamente pelo seu celular, mas não achava em parte alguma da sua bolsa.
- Não acredito.
- Espera, vou ligar, deve tá sim na sua bolsa.
Dei um toque e começou a tocar " F*ckin' Perfect " da P!nk.
— Pensei que o seu toque comum era Ballad of Mona Lisa.
- Mas, é...
- Colocou essa musica pra mim?
- Sim.
Eu sabia a letra, e eu gostava de associar esse tipo de coisa com a personalidade das pessoas. E de certa forma, aquela musica combinava toda comigo.
Mas, havia um trecho na musica que me chamava atenção
" Fucking perfect... to me "
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