Precisava Te Dizer
22 Dor e Sofrimento
Notas iniciais
POV Bella.
Não, realmente isso não estava acontecendo!
Coloquei minha calça rapidamente e desci as escadas correndo o mais rápido possível, quase caindo no ultimo degrau. Corri pela casa e a vi na sala procurando as chaves do carro e sorriu ao encontrá-las no sofá. Corri até ela antes que chegasse a porta e segurei firme em seu braço.
– Alice, por favor, vamos conversar! – implorei.
– Não quero conversar com você agora, Isabella, se eu falar alguma coisa será xingamentos, minha única vontade agora é te bater, ou melhor, nunca mais te ver! – falou séria e tentou sair do meu aperto. – Me solta! – falou entre dentes.
– Não, não vou te soltar, quero conversar com você! – a puxei e colei seu corpo ao meu. – Alice, por tudo que é mais sagrado, por todo nosso amor, eu não quis esconder nada de você, eu apenas quis lhe proteger, foi tão errado assim? – perguntei.
– Sim, foi muito errado. Se não fosse o Robert estar doente, você com certeza não teria aquela pressão e não venderia a oficina, ou seja, não me contaria isso. Agora se não fosse pelo Sam ter lhe dito que ele não ficaria conosco, pois é filho do Masen, você também esconderia isso de mim! – Eu abaixei a cabeça, de certa forma ela estava certa.
– Eu só não gosto de vê-la triste, sabe disso. Odeio qualquer coisa que a faça perder esse sorriso.
– Então se odeie, pois você tirou o meu sorriso da cara e fez a raiva aparecer em meu peito. – segurei minhas lágrimas.
– Alice, eu te amo e...
– Se me amasse de verdade não faria isso comigo! Bella, se Sam não fosse seu amigo? Se um policial descobrisse sobre o Rob e viesse pega-lo de nós? VOCÊ TEM NOÇÃO DE COMO EU FICARIA? E O ROBERT? ELE É UMA CRIANÇA, MAS MUITO INTELIGENTE, MERECE SABER SOBRE SUA VIDA! – gritou comigo.
– Você esta mais do que certa, Alice, mas mesmo assim eu... – Praticamente socou minha cara com o tapa que me deu.
– Você com certeza parece não mais raciocinar direito! – se soltou de mim e andou até a porta.
– Alice... Deixe-me explicar, por favor.
– Mais do que já falou? Você já se explicou, Isabella. – Me olhou magoada. – Eu realmente não quero mais falar com você, não agora!
Quando ia abrir a maçaneta da porta a peguei pelo braço e a virei para mim.
– Você tem noção de como EU estou agora? De como EU estou me sentindo!? – eu perdi um pouco a minha calma e minha razão. – Alice, eu amo você e Robert mais que tudo nessa vida, faço do possível e impossível para vê-los bem e felizes. Alice, eu realmente não lhe contei aquilo por ser apenas suposição! Coisa que não tinha um fundamento para você ficar se preocupando atoa! ALICE EU PREFIRO SOFRER SOZINHA A VER LÁGRIMAS NOS OLHOS DE VOCÊS! SERÁ QUE NÃO CONSEGUE ENTENDER ISSO? – Gritei com ela. – Vocês são minha vida, e eu não gosto de ver minha vida acabada! – acariciei seu rosto, mas seu semblante continuava sério e raivoso.
– Suas palavras não me convenceram Isabella. Vamos dar um tempo? Sim? – Arregalei os olhos. – Quero me dedicar ao meu filho, não brigar com você. – virou as costas novamente.
– NÃO, ALICE, POR FAVOR, NÃO FAÇA ISSO COMIGO! – implorei. – PORRA! VOCÊ PARECE NÃO SE IMPORTAR COM AS COISAS QUE EU FAÇO PARA EVITAR SEU SOFRIMENTO! – Gritei com um pouco de raiva agora. – EU SÓ QUERO O SEU BEM! MAS QUE MERDA!
– Só quer o meu bem? Meu bem seria poder participar ativamente da vida do meu filho, saber de tudo. Poder confiar em você, que não escondesse mais nada de mim! – balançou a cabeça e colocou a mão em cima da aliança que dei a ela. – Se eu não sei apreciar e dar valor ao seu amor, então acho que não podemos ficar juntas, não é? – meu coração disparou, minha respiração ficou completamente fora do ritmo quando a vi retirar a aliança.
– Alice... Não foi isso que... Não foi... – Meus olhos estavam cheios d’agua. A dor em meu peito estava só crescendo e aumentou ainda mais quando retirou a aliança completamente e colocou-a em cima da mesinha. – Alice! – Falei desesperada.
– Bom, agora não vou te dar mais trabalho... – falou baixo. – Eu não quero atrapalhar sua vida, fazer você sentir algum tipo de dor, pois bem, achei a melhor solução. – Falou com certo sarcasmo. – Por favor, só peço que aja normalmente na frente do Robert, eu não vou me afastar dele e acho que você também não. – Abriu a porta e quando estava para sair virou e falou olhando em meus olhos. – Não me procure, por favor. – e saiu...
POV NARRADOR.
Isabella estava sem chão, acabara de ver sua Alice, a mulher de sua vida, a dispensar sem direito de falar nada. A dor em seu peito estava demasiadamente grande, as lágrimas rolavam grosseiramente por sua face e seus soluços estavam altamente auditivos. Ela andou até a mesinha e colocou a mão na aliança.
– Alice, não... Não... – se encostou na porta e deslizou por ela até o chão. Abraçou suas pernas e chorou igual uma criança.
No carro...
Alice realmente estava acabada, chateada, enfurecida, mas o pior de todos os sentimentos, ela estava completamente triste, desnorteada, confusa. Ela realmente se perguntava “eu fiz mesmo isso?”, e essa pergunta se confirmava toda vez que olhava para sua mão e via a marca da aliança, mas ela que era bom... Nada.
As lágrimas também escorriam por sua face sem nenhum controle por sua parte. Alice se sentia traída de certa forma, Bella preferiu deixa-la às cegas por todo esse tempo, e isso que causava a ira dela.
POV Alice
Bella... Por quê? Por que escondeu isso de mim? Poderia ter evitado isso... Tudo isso.
Eu realmente estava me sentindo mal, minha mão parecia não mais existir sem aquela aliança dourada no meu dedo anelar da mão direita.
As lágrimas pareciam não ter fim, tanto que desisti de seca-la e deixei-as correrem livremente por minha face. Dirigi até minha casa, estacionei o carro de qualquer maneira e entrei rapidamente.
– Alice querida, como o Robert... – Minha mãe veio falar comigo alegremente, mas perdeu o sorriso ao ver-me chorando. – Alice, o que acontece? – Perguntou preocupada.
– Nada. – a ignorei e subi as escadas correndo. Entrei em meu quarto e me joguei na cama chorando ainda mais.
– Alice... – Minha mãe entrou em meu quarto e sentou-se ao meu lado na cama. – Filha, o Robert... Ele piorou? – perguntou preocupada.
– Não, ele esta bem, muito bem. – continuei com meu rosto escondido, enterrado completamente no travesseiro.
– O que aconteceu para estar desse jeito então? – Perguntou me virando na cama e pegando em minha mão, justamente a mão direita. Olhou para ela e arregalou os olhos. – Alice, cadê... – solucei. – Não me diga que vocês... – assenti. – Alice... – lamentou e puxou-me para seu colo quando comecei a soluçar e chorar.
– Mãe eu não aguentei, pode ter sido por impulso, mas eu estou completamente magoada com ela, triste! Isabella escondeu coisas de mim, coisas que realmente afetariam minha vida diretamente! – desabei em seu colo. – Mãe, como posso confiar em Bella se ela não parar de tentar “aliviar minha dor?”. Esconder as coisas de mim não às alivia, e sim piora e vem com esse sentimento de traição! – Acariciou minha cabeça.
– Filha, Bella a ama muito, é óbvio que nunca irá querer vê-la chorando, isso é normal. – tentou defende-la.
– Mãe, mentir para mim é querer me proteger? Acho que tenho o direito de saber das coisas, principalmente quando essa coisa é sobre meu filho!
– E o que exatamente ela escondeu de você? – perguntou.
– Robert é um Masen, mãe. – fico tensa. – Matthew Masen é seu pai! Ela me escondeu isso, ela sabia desde o inicio que Robert não era filho daqueles monstros!
– Ela sabia? Como ela tinha tanta certeza? – perguntou.
– Ela fez umas perguntas ao Robert e supôs que...
– Você esta me dizendo que brigou com Bella, a mulher da sua vida, por que ela lhe escondeu uma suposição? – me repreendeu.
– Mas mãe eu...
– Nem mas nem meio mas. Alice, ela fez o certo, para quer lhe preocupar atoa com coisa que ela não sabia se era de fato verdade? – me levantou e falou olhando em meus olhos. – Alice, Bella é a mulher mais incrível que eu já conheci. Quando vocês descobriram que Robert estava doente e eu fui vê-las no hospital e sabe o que eu vi? – neguei com a cabeça. – Uma mulher controlando sua dor, sua tristeza e lágrimas para conseguir cuidar, consolar outra. – Abaixei a cabeça. – Bella abriu mão de tantas coisas por você, Bella sofreu tanto para que você pudesse ter sempre esse lindo e maravilhoso sorriso nos lábios. – Foi relatando.
– Ela me escondeu que estava praticamente falindo. Bella vendou sua oficina. – falei.
– Eu sabia disso. – Arregalei os olhos. – Emmett me contou isso, estava preocupado com a irmã, ele falou que me via como uma mãe e que precisava de conselhos. – assenti. – Mais um motivo para você ter orgulho de sua mulher. Bella lutou até o ultimo minuto para tentar pagar suas dividas com seu próprio dinheiro, infelizmente não conseguiu, mas nem por isso se deixou abalar.
– Você esta certa, mãe, mas agora eu já estraguei tudo, eu gritei com ela, brigamos e pedi para que não viesse me procurar...
– E dê um tempo, deixa a poeira abaixar e vocês não mais tiverem essa magoa em seus corações, quer dizer, você não a ter. Tenho certeza que Bella já esta se corroendo para não vir aqui te implorar perdão. – Acariciou meu rosto. – Você tem que ir trabalhar hoje, vá descansar um pouco, amanhã é um novo dia, vocês se verão novamente. – beijou minha testa e se levantou. – Descanse, Alice, você vai precisar. – Assenti e deitei na cama.
– Bella, por que eu sou tão idiota assim? – perguntei a mim mesma e fechei meus olhos. – Era para hoje ser um dia perfeito, cheio de amor e não brigas.- lamentei e deixei a escuridão me tomar.
POV Bella
– Bella? – Ouvi a voz de Charlie ao longe. Eu estava completamente jogada no sofá e com uma garrafa de cerveja em mãos. Ao meu redor havia coisas e mais coisas quebradas por Alice e, em sua maioria, por mim. Garravas de cervejas vazias estavam ao meu lado, um litro de Vodka pela metade em meu colo. Eu estava completamente entorpecida pelo álcool. – Filha. – Charlie andou até mim e sentou-se ao meu lado. – O que aconteceu? – perguntou aflito.
– Alice terminou tudo comigo. – falei enquanto bebia minha cerveja. – Eu sou um nada, pai, eu realmente não merecia uma mulher tão perfeita quanto Alice... – comecei a chorar.
– Bella... – Tirou a garrafa de minha mão e me pegou no colo. – Vamos tomar um banho gelado, sim? Depois você me explica o que aconteceu. – me levou até meu quarto e ligou o chuveiro.
Retirou minha blusa e minha calça me deixando apenas de calcinha e sutiã. Quando senti a alguém fria bater em meu bumbum...
– AHMMMMMMMM GELADA, GELADA,GELADA!!! – Comecei a pular e ouvi meu pai rindo.
– Calma ai Bells, é para seu bem. – Colocou minha cabeça debaixo daquela agua congelante e eu comecei a berrar.
– AAAAAAAHHHHHHH PARA, PARA!! – Ele me tirou dali e me enrolou numa toalha. Pegou-me no colo novamente e me levou para a cama, eu com certeza não conseguiria dar um passo sem cair. Enrolei-me rapidamente na coberta e... E senti o cheiro dela ali... – Não... – Comecei a chorar.
– Bella, o que esta acontecendo? – perguntou aflito.
– Pai... Eu... – solucei ainda mais. Ele sentou na cama e colocou minha cabeça em seu colo.
– Você...? – Me incentivou.
– Pai, eu só quis poupa-la de um sofrimento inexistente, mas Alice parece que não gostou muito disso. – eu ainda não compreendi isso. – Ela disse “Eu não quero atrapalhar sua vida, fazer você sentir algum tipo de dor”.Pai existe dor maior do que esta longe de quem se ama? – perguntei me acomodando em seu colo e recebendo carinhos dele.
– Não, não tem... – olhou em meus olhos. – Alice esta confusa e chateada com você, apenas isso.
– Não foi o que pareceu ao retirar a aliança e coloca-la na mesa. – solucei.
– Calma Bells, vocês vão se acertar. – me garantiu.
– Faltam menos de dois meses para o nosso casamento no civil, já desistimos da festa por conta do Robert. – Foi só ali que reparei que ele não sabia sobre Robert.
– Então, Robert, eu tenho um neto há duas semanas e não sabia... – me repreendeu. – Fiquei sabendo pelo Jake!
– Desculpa, eu realmente deveria ter lhe ligado. – pedi.
– Tudo bem, onde ele esta?- perguntou animado.
– Hospital. – ficou sem entender. – Ele teve um tumor há uma semana. – ficou rígido. – Mas já foi operado e só esta no hospital por conta da radioterapia. – assentiu. – O verei amanhã, te levo comigo. – Assentiu.
– Bella, troque de roupa e vá descansar. Amanhã é um novo dia, dê um tempo para vocês, deixe Alice refletir e aproveite desse tempo para fazer a mesma coisa. – Assenti. – Estou na casa do Emmett, acho que você precisa ficar sozinha. – se levantou. – Eu vim apenas lhe dar um beijo e saber se o Robert estava aqui, amanhã pela manhã passo aqui. E por favor, sem mais bebidas. – Assenti.
– Tudo bem, obrigada por tudo, pai. – beijou minha testa e saiu.
– Alice... Eu realmente não vou conseguir ficar muito longe de você, espero fervorosamente que o que tenha me dito foi da boca para fora.
Levantei meio cambaleando e retirei minha roupa e coloquei um vestido, voltei para cama e apaguei...
[...]
–Pai, vamos logo. – O apressei assim que parei na porta da casa do Emm.
– Tia Bells. – Peter veio correndo e pulou no meu carro subindo em meu colo.
– E ai rapaz, tudo bem? – sorri para ele e beijei seu rostinho.
– Sim, sim! – sorriu. – A senhora ta triste? – perguntou.
– Por que acha isso? – perguntei.
– Seus olhinhos estão vermelhos e aqui tá preto. – colocou as mãozinhas em minhas olheiras. -Mamãe disse que isso acontece porque não dormimos direitinho. – Beijei sua testa.
– Só tive umas insônias, meu bem, nada de mais. Vá com Beth, você vai perder a hora. – me deu um beijo na bochecha e desceu do carro.
– Manda um beijo pro pimo, to com saudades dele. – assenti rindo.
– Bella... – Emmett veio até mim. — Papai nos contou o que aconteceu e como te encontrou ontem. – me olhou triste.
– Pois é né... – Virei meu rosto, eu não queria ter aquele tipo de assunto, não ali e nem agora.
– Tudo bem, conversaremos depois. – beijou minha testa e vi meu pai entrar no carro.
– Tchau. – me despedi e acelerei o carro. – Bom dia, pai. – o cumprimentei a caminho do hospital.
– Eu que pergunto, Bom dia? – falou meio preocupado.
– Nada como um dia após o outro. – suspirei. – 4 anos sem tê-la foi torturante, mas eu fiquei 4 anos sem vê-la. Ter que ficar um dia sem tocar-lhe e vê-la ali tão perto... Eu realmente não sei se vou suportar. – respirei fundo.
– Tenho certeza que sim, e logo vou ver vocês se beijando e dizendo sim para um juiz de paz. – acariciou minha cabeça e estacionei na garagem do hospital.
– Vamos. – mudei de assunto e fomos para dentro do hospital.
– Bella, como vai? – Rose me cumprimentou. – Sr. Swan, dormiu bem? – perguntou educadamente.
– Como um anjo. – riram.
– Bem, vamos pai? – o chamei.
Andamos pelos corredores até encontrar aquele quarto tão conhecido por mim. Abri a porta e vi Alice acariciando seu rostinho, ele estava sorrindo para ela.
– Papai. – sorriu a me ver. Suspirei e sorri para ele. Olhei para Alice e a vi ficar tensa. Andei até eles e fiquei ao seu lado.
– Como você esta, meu príncipe. – beijei sua testa.
– Bem! – seu sorriso sumiu ao ver meu pai. – quem é ele? – sussurrou.
– É meu papai, ele quer te conhecer. – sorriu minimamente. – Pai, venha cá. – o chamei.
– Alice, como vai, criança? – a abraçou... E devo dizer que fiquei morrendo de inveja dele?
– Indo, e o senhor?
– Bem também. – olhou para o Robert e sorriu. – E você rapaz, tudo bem? – ele assentiu meio tímido.
– Robert, esse é Charlie Swan, meu pai. Pai esse é Robert, nosso filho. – Falei apontando para Alice.
– Você é muito bonito, garoto. – passou a mão na sua testinha. – muito mesmo.
– Obrigado. – falou sem graça. – Você é meu vovô? – perguntou tímido. Meu pai abriu um sorrisão.
– Claro que sim, meu netinho lindo. – pegou em sua mãozinha e a beijou. – Eu vou fazer umas coisas e já volto, quero muito conversar com você. – Rob assentiu rindo e meu pai saiu me deixando sozinha com Alice e Robert.
– Papai. – me chamou. – Aqueles negócios que a tia Rose me deu faz ver coisas? – perguntou.
– Não... Por quê? – Alice que respondeu preocupada.
– Porque ontem você, mamãe, tava com um anel dourado no dedo, agora sumiu! – falou sem entender. – O papai continua com a dela. Eu to vendo coisas? – eu respirei fundo e segurei minhas lágrimas.
– Não pequeno, você não esta vendo coisas. – suspirei. – Alice apenas... Apenas não quer mais usa-la, só isso. – dei uma justificativa qualquer.
– Mas ela ficava tão bonita ai. – Rob podia não saber o que se passava, e sua inocência ao perguntar as coisas que me deixava ainda mais triste. Até ele achava o mesmo que eu.
– Concordo com você. – falei sem pensar e vi Alice ficar rígida ao meu lado. – Mas sua mãe não a quer mais, fazer o que? – beijei sua bochecha.
– Você ta triste, papai? – perguntou novamente e fazendo carinho no meu rosto.
– Você é o segundo pirralho que me pergunta isso. – sorri de lado. – Peter te mandou um beijo.
– To com saudades do pimo. – ri dele. – Mas não me respondeu. – fez bico.
– Eu deveria estar triste? – respondi com outra pergunta.
– Me diz você! – que menino esperto!
– Não... Não estou triste. – menti.
– E eu estou na minha caminha comendo cereal vendo Bob Espoja! – O olhei incrédula e explodi numa gargalhada.
– Robert, não pode falar desse jeito com sua pai, mais respeito. – Alice o repreendeu segurando o riso.
– Desculpa, mas ela que começou mentindo! – cruzou os braços e Alice perdeu aquele sorriso.
– Você acha que ela esta triste? – perguntou inocentemente.
– Tenho certeza! – afirmou firmemente. – Olha os olhinhos dela! Tão sem brilho. E por que você não beijou a mamãe ainda, papai? – o olhei sem entender.
– Você reclama quando eu beijo e reclama quando não beijo também? – resolvi fugir do assunto.
– Já me acostumei... – deu de ombros. – Vocês brigaram? – ele era mais inteligente do que eu pensava.
– Não... Robert... Apenas... – Falamos juntas e ficamos quietas. Andei até o lado de Alice e toquei em sua mão. Ela se arrepiou com meu toque e olhou para mim.
– Apenas estamos nos estranhando um pouco, mas ela sabe que a amo mais do que tudo. – me declarei olhando fundo em seu olho.
Aproveitei que estávamos na frente do Robert e a abracei por trás. Abracei forte, inspirei seu perfume e senti seu corpo se jogar um pouco par atrás.
– Eu te amo, por favor, não... – Se soltou de mim e beijou a testa do Robert.
– Preciso ir, descanse filho, na hora do almoço eu volto para te ver.
E sumiu do quarto.
– Papai.- Me olhou. – Vocês vão voltar a ficar bem?
– Espero que sim e... – Eu realmente cai na dele? – Estamos bem! – tentei disfarçar.
– Não, acabou de dizer que espera que fiquem! – sorriu travesso.
– Você é um pilantra, sabia! – fiz cosquinha nele. – Eu espero muito que fiquemos bem.
– Eu não entendo esse negocio de adultos, por que vocês ficam brigando direto, mas eu quero minha mamãe e minha papai juntas novamente. – fez bico.
– Somos dois, meu príncipe! Mas não sou somente eu que tenho que decidir isso! – me sentei ao seu lado e ele me fitou sem entender. – Ontem brigamos, ela me disse coisas e eu as rebati. Robert, ela disse que não quer mais se casar comigo, sabe o que isso quer dizer? – Eu estava realmente perdida, estava desabafando com meu filho de 3 anos!
– Que ela ta mentindo? – o olhei sem entender. – Você e a mamãe mentem muito uma para outra. Ela te ama tanto quanto eu!
– Você acha? – perguntei.
– Abusoluta certeza! – ri dele
– Absoluta, Robert.
– Dá no mesmo! – se jogou na cama.
– É, dá no mesmo. – me levantei e fiquei fitando seus olhos verdes.
– Eu te amo papai, e não gosto de ver a senhora triste. – sorri para ele.
– E eu não vou ficar triste, você me deu um incentivo enorme agora.
– É? – assenti. – ótimo, trás sorvete para mim? – Ri muito dele. – O que foi?
– Você e Alice ficam muito juntos, olha só... – beijei suas mãozinhas. – Sabe que não pode, mas quando sair daqui eu vou te dar MUITO SORVETE! – ele abriu um sorrisão e bateu as mãos.
– O Peter também vai comer, né? – assenti. – ótimo!
– Bom, eu tenho que ir agora, e você descanse, daqui a pouco meu pai vem conversar com você. – ele assentiu.
Beijei sua testa e sai de seu quarto com uma nova chama de esperança em meu peito. Eu não posso desistir de minha mulher assim, Alice era minha, minha e de mais ninguém!
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