Precious Blood
4 Ghost
Notas iniciais

Abri olhos sentindo uma grande e insuportável dor por todo meu corpo.
— Não se mexa muito. — Minha vista estava muito turva para reconhecer quem estava a minha frente, só via cores, duas bolas azuis eletrizantes e claras.
Quem é seja me carregou para fora do carro e me deitou na neve gelada. Estava muito confusa naquele momento, meu corpo todo estava dolorido, tinha dificuldade até para respirar.
— Você vai ficar bem. — Essas foram as últimas palavras que ouvi com aquela linda voz antes de apagar novamente.
*****
Levei minha mão até minha cabeça que latejava. Gemi de dor ao senti a área machucada e úmida pelo sangue.
Pisquei varias vezes depois de abri os olhos para estabelecer a vista. Estava deitada sobre a neve da calçada da rua, tentei lembrar-me como vim parar aqui, mas não veio nada a minha cabeça doida no momento.
Sentei-me e virei meu pescoço cruzando os braços com frio, vi meu carro com a frente batida pelo poste e engoli em seco, tinha certeza que minha mãe e Charlie iriam me matar.
— Kyle! — Lembrei-me e levantei-me correndo desequilibrada até o garoto no banco do passageiro desacordado e com o ombro ferido. — Kyle, pelo amor de Deus!
O sacudia desesperadamente e naquele momento coisas horríveis passaram pelo minha cabeça.
— Kyle! — Lágrimas começaram a cair pelo meu rosto. — Kyle, acorde.
Estava começando a ficar tão nervosa que mal consegui tirar seu cinto de segurança. Reclamei e peguei seu celular em seu bolso, estava prestes a ligar para a ambulância ao ouvi-lo gemer.
— Kyle? — Me surpreendi e o abracei. — Kyle!
— Kath... — Ele recuperava os sentidos aos poucos. — O que você fez, mulher?
— Não fiz nada, a rua que talvez estivesse molhada ou algo assim. — Voltei a tentar soltá-lo do cinto. — Temos que ir ao hospital, você esta machucado.
— Você também. — Kyle se virou para me ajudar e se soltou em poucos segundos. — Sua mãe vai lhe matar.
— Disso eu sei. — Falava enquanto o ajudava a sai do carro. — Não ligo.
*****
Estava sentada ao lado de Kyle na maca, já estávamos com os curativos nos machucados e a enfermeira nos deu um remédio para parar a dor de cabeça.
Já ligaram para nossos pais e eles estavam a caminho. Quando a enfermeira nos deixou a sós não falei nada, apenas parei para pensar o que acontecera; Vi o encapuzado, isso me deixou muito assustada, ele poderia nos segui ou coisa pior, só pensava ir para casa, acho que o nervosismo tomou controle sobre mim.
Olhei para Kyle, alguns pedaços de vidro entraram em seu braço, machucando-o bastante, a enfermeira teve trabalho para tirar os pedaços e enfaixar seu braço.
— Desculpa, Kyle. — Falei triste.
— O que? — Ele me olhou, nem estava prestando atenção do que estava ao seu redor.
— Desculpa. — Repeti. — Você não estaria assim se não fosse por mim.
— Que isso, Kath? — Ele sorriu pegando minha mão e apertando-a levemente. — Não tem problema.
— Claro que tem. — Descansei minha cabeça em seu ombro. — Estou me sentindo horrível.
— Tudo bem, Kath.
— Minha filha! — Ergui meu pescoço ao ouvi mamãe, ela vinha apressadamente em minha direção. Quando chegou perto o suficiente me abraçou. — Como você esta?
— Estou bem, mãe.
— Vim correndo quando soube, — Ela olhou para Kyle. — E você, meu bem?
— Estou bem. — Ele sorriu.
— Tentei falar com sua mãe, mas ela não atende. — Kyle ficou tristonho com a notícia e toquei sua perna sorrindo:
— Tudo bem, Kyle, você vai conosco.
Debbie Marshall, a mãe de Kyle, não é uma mãe, digamos assim, muito presente, ela vive viajando ou fora de casa por causa do seu trabalho.
— Sim. — Mamãe afirmou. — Se quiser até pode dormir lá em casa.
Kyle sorriu.
*****
— Que droga! — Kyle jogou suas cartas de Uno todas amarelas na cama, fazendo eu e Bells rirem.
— Você sempre ganha, Kath!
— Desculpa. — Falei continuando a rir. — Vamos de novo, ok?
Ele me olhou pelo canto dos olhos com uma expressão engraçada enquanto Bells pegava as cartas de nossos meios.
— Hey, Kyle. — Bells alinhava as cartas. — Vai dormir aqui?
— Vou.
— Onde esta o colchão? — Peguei uma parte da pilha de cartas em sua mão, ajudando-a a embaralhar.
— Esta aqui... Eu acho. — Terminei de embaralhar as cartas em minhas mãos e as entreguei.
Com preguiça de levanta para ver, me abaixei para olhar em baixo da cama de uma maneira que quase me fez cair. Kyle riu e me ajudou a erguer-me.
— Esta aqui sim. — Sorri e vi minhas nove cartas em minha frente.
As peguei. Estávamos sentados com as pernas cruzadas em círculo em cima de minha cama. Kyle pegou suas cartas e as escondeu de mim inclinando para trás com um olhar maligno que dizia: "Você nunca vai ver minhas".
Eu ri e olhei para avaliar minhas cartas, não tinha nenhuma em que poderia ameaça-lo, tinha dois bloqueios e um +4, mas o sentido estava horário, então iria tudo para Bells. Ela foi a primeira, jogando um 4 amarelo.
— Que sacanagem! — Kyle reclamou.
— Kyle, pelo amor de Deus, você não tem uma carta amarela? — Perguntei assustada quando sua mão repousou sobre a pilha de cartas para comprar.
— Não!
— De nove cartas você não tem uma carta amarela ou com quatro? — Bells riu.
Kyle sorriu sem graça e pegou uma carta 4 azul de seu baralho, todos rimos.
— Não prestei muito a atenção...
Estava quase dando a hora de nós nos vestimos para a hípica, ainda jogávamos Uno. Afinal, não tinha nada de bom a fazer e Uno era legal, porém para melhorar o jogo decidimos fazer uma pergunta ao outro quando algum colocar uma carta de número 2 e cor verde.
— Então... — Bells colocou uma carta 2 verde delicadamente sobre a cama me olhando. — Kath.
— Oi?
— Me fale o que aconteceu entre você e o gatinho da festa. — Bells abriu um sorriso malicioso e Kyle inclinou-se para frente para ouvi melhor.
— Que gatinho? — Perguntei sem entender.
— O de olhos verdes e bombado. — Kyle respondeu por Bells e a olhou rapidamente. — Também a vi com ele no canto, mas depois sumiram.
— O achou gatinho, Kyle? — Sorri brincando.
— Você entendeu. — Ele jogou uma carta 5 verde. — Responda logo.
Os dois olhavam-me esperando a resposta, senti de imediato a pressão em seus olhares. Pensei se falava a verdade ou não, falar que uma pessoa quase lhe matou se não fosse seu novo vizinho estranhamente misterioso e bonito não é fácil.
— Bom, nós conversamos e fomos pegar umas bebidas, pois o cara do bar tinha sumido...
Com minhas palavras me veio aquela horrível cena: O homem moreno e com olhos negros vidrados em mim, com um semblante pálido, imóvel com o pescoço dilacerado no meio de uma poça de sangue.
Balancei minha cabeça e a abaixei, perturbada com a cena.
— O que mais, Kath? — Bells de alguma forma notou que eu não estava bem.
— Eu o vi morto! — Não aguentei e soltei os olhando, Bells ficou pasma e Kyle, que estava olhando suas cartas, me encarou assustado e falou:
— O que? O garoto?
— O cara do bar. — Tinha começado, então teria que terminar. — Eu acho que o garoto que o matou. — Falei baixinho.
— Como assim? Kath, por que não avisou?
— Logo depois que eu vi o cara morto, o garoto de olhos verdes, que se chamava Hector, bateu em minha cabeça. — Falei com medo. — Prometem que não vão falar nada a ninguém.
— Não vou falar. — Kyle falou como se fosse óbvio. — Prometo.
— Também prometo, mas fale.
— Eu fiquei muito tonta e cai. — Deixei as cartas de Uno, naquelas alturas jogar Uno não importava muito. — E ele veio para cima de mim, acho que ele queria me matar.
— Ou lhe abusar! — Falou Bells Perplexa com as mãos sobre seus lábios.
— Ou os dois!
— Não! — Me assustei. — Ele queria me matar, ele tentou me beijar, mas mesmo assim, seus olhos eram diabólicos.
— Se ele queria lhe beijar, então queria lhe abusar.
— Não, Bells, ele queria me matar. — Insisti. — Eu notei!
— Ou queria te morder... — Depois dessas palavras de Kyle o quarto se calou e o olhamos com uma expressão que dizia: "o que?" — Tipo um vampiro.
Kyle era um gênio nesses assuntos sobrenaturais, ele realmente amava vampiros, lobisomens, e essas outras coisas que é óbvio que não existe.
— Esquece. — Ele falou notando o que acabara de falar. — O que aconteceu depois?
Não acredito que Hector poderia ser um vampiro. Qual é? Vampiros nem mesmo existem!
— Depois ele quebrou meu celular... — Peguei meu celular do bolso da calça para vê o estrago do visor quebrado.
Fui interrompida por algumas batidas na porta e o rosto de mamãe aparecendo:
— Já esta na hora, tem certeza que querem mesmo ir, acho que vocês deveriam descansar?
— Está tudo bem, mãe. — Levantei-me e andei até ela, deixando-a passar as mãos em meus cabelos. — Estamos bem.
— Kyle, não quer pegar suas coisas em sua casa?
— Claro, senhora Campbell — Kyle me olhou, jogou suas cartas na cama e levantou-se, indo a minha direção. — Vou me arrumar e já volto.
— Tudo bem. — Sorri.
Kyle é meu vizinho da frente, é muito comum ele ir para cá ou eu ir a sua casa, nossa infância se resumiu a isso: Um ir brincar na casa do outro ou os dois brincarem na rua.
Quando ele se foi, Bells não perguntou sobre a continuação da historia, presumiu que não queria falar sobre tal assunto e apenas me mandou um sorriso.
Já estávamos há uns minutos na pista de obstáculos, Kyle fazia seu percurso maravilhosamente bem com Silver, sua égua castanha com uma mancha branca que descia de sua testa até o nariz, estava deitada sobre o pescoço musculoso de Ghost ao lado de mais dois alunos e seus cavalos.
— Muito bem, Kyle. — Bati palmas a Kyle quando ele terminou seu percurso e veio até mim. — Foi muito bem.
— Apesar da dorzinha que estou sentindo no meu braço acho que sim. — Kyle acariciava o pescoço Silver. — Obrigado. — Ele tentou se aproximar mais ainda, porém Ghost relinchou raivoso.
— Opa, calminha. — Apalpei o pelo negro de Ghost e levantei meu olhar para Kyle. — Você sabe que ele não gosta que cheguem assim.
— Ghost é terrível, nunca vi cavalo assim, você o acostumou errado. — Kyle ficou em uma distância considerada suficiente de nós dois e deu a volta, chegando por trás. — Sem contar sua raiva.
— Ghost não é tão raivoso assim.
— Uma volta caminhando no campo enquanto eu saio e já volto. — O professor falou antes de sair.
— Ghost só não gosta de pessoas estranhas. — Continuei quando caminhávamos um ao lado do outro.
— Eu sou estranho? — Kyle sentiu-se atingido de brincadeira. — Eu o vi nascer!
— Viu é? — Sorri olhando para frente.
Puxei as rédeas automaticamente ao ver aquele lindo e elegante ser humano vindo galopando até o campo onde estávamos montando um lindo cavalo da mesma cor da neve em suas patas. Era uma imagem de outro mundo.
— O que foi? — Kyle perguntou parando um pouco a frente.
— Quem é aquele? — Apontei com a cabeça.
Não consegui ver muito bem suas características por causa do capacete, mas percebi sua pele branca e uma coisa que me chamou a atenção: Olhos eletricamente azuis.
Seus olhos me causaram certo medo, com certeza não tinha experiências boas com olhos eletrizantes, porém os dele não eram tão eletrizantes com de Hector ou Caleb Stackhouse.
— Ah... É o novo aluno, ontem o seu cavalo chegou, me admiro de você não ter visto-o, ele é um cavalo realmente muito bonito.
— Não vi, acho que fica em um estábulo longe do de Ghost. — Pressionei meus pés levemente na barriga de Ghost para podermos continuar a caminhada.
— Sim, é no outro corredor.
O acompanhei com olhos até notá-lo olhar-me de volta.
— Vocês mulheres...
Virei meu pescoço rapidamente para Kyle, franzindo as sobrancelhas, pois não havia entendido seu comentário.
— O que? — Perguntei já ao seu lado.
— Não podem ver um par de olhos claros que ficam loucas...
— Isso é mentira! — Neguei indignada. — Eu não sou assim!
— Vai dizer que não o achou atraente.
— Atraente, sim, mas isso não significa que ele é atraente por possuir olhos claros. — Claro que não! Kyle é a prova viva de que essa afirmação esta completamente errada.
Para mim Kyle era muito bonito, tinha pele branca, cabelos castanhos escuros em topete e lindos olhos castanhos claros, seu rosto era todo afilado, seu nariz era de causar inveja a qualquer um, seu corpo era magro, porém um pouco musculoso.
— Srta. Campbell. — o professor havia voltado montado em seu cavalo marrom.
— Eu? — Perguntei apenas para confirmar.
— Sim. — Afirmou o professor. — Faça o circuito do obstáculo um ao obstáculo dez.
Abaixei minha cabeça lentamente e fui para o começo do circuito. Comecei a galopar quando o professor Malik deu-me o sinal.
Correr com Ghost era maravilhoso! Gostava de sentir o vento em meu rosto como se tivesse voando. Ghost poderia ser considerado um cavalo agressivo para as de mais pessoas, mas comigo ele é um amor. A sensação que sentia era indescritível, sentia uma enorme paz e tranquilidade, por um minuto era capaz de eu esquecer o dia louco que tive ontem e a manhã de hoje.
Assim que pulamos o obstáculo número oito Ghost empinou, tive que me segurar bem para não cair.
— O que foi? O que foi? — Ele estava agitado e dando leves empinadas. — Calma, garoto!
Estava começando a ficar nervosa e meu nervosismo estava sendo passando para Ghost, o que o fazia cada vez mais agitado. Olhei para frente e me assustei vendo o motivo da agitação de Ghost.
— Vamos lá, Campbell! — O professor gritava, mas não tirava os olhos da criatura que se encontrava em minha frente.
Era o encapuzado, parado como uma estátua, fazendo meu coração acelerar rapidamente, Ghost empinou fazendo-me desequilibrar e cair.
Gemi ao cair fortemente na neve e gritei o nome de Ghost ao vê-lo correr para longe. Virei-me novamente no encapuzado sem rosto a minha frente, mas ele já havia sumido.
— Estas bem? — Escutei a mais linda e melodiosa voz de todas que já escutara de algum menino.
Apenas balancei minha cabeça positivamente ao ser o garoto novo de olhos azuis agachado ao meu lado. Kyle estava ao seu lado, com olhos preocupados.
— Vem... Deixe-me lhe ajudar.
— Não, deixe-me aqui um pouco! — Praticamente gritei quando ele se aproximou para me ajudar.
Olhei para meu pé que doía muito, a ponto de me deixar com medo de mexê-lo ou deixar alguém mexer, minha vontade era de gritar com dor, mas apenas soltava alguns gemidos.
— Você deve ter torcido seu pé com a queda. — Ele esperou minha resposta, porém não houve alguma.
— Não! — Gritei ao ver o garoto aproximar-se de meu pé. — Não toque, por favor.
— Não ia tocar... — Apesar de seus olhos serem eletrizantes, vendo-os de perto não me davam medo algum. — Iria lhe carregar, você precisa de cuidados médicos... — Eles eram sinceros. — Posso?
Balancei positivamente a cabeça e ele respondeu com um sorriso, o sorriso mais lindo que já vira na vida inteira, meu coração disparou.
A dedicação do garoto em me carregar e me trazer a cavalo para o refeitório foi a máxima possível, ele sentou-me em uma cadeira e pegou uma compressa gelada para colocar sobre meu tornozelo.
Seu cavalheirismo e educação me cativaram de uma maneira sobrenatural, tirando o fato dele ser muito lindo...
— Foi apenas uma leve torcida. — Ele falou examinando meu pé como um médico profissional. — A dor aliviou?
— Não muito. — Segurava minha bota ao meu colo. — Acha que vai demorar a melhorar?
— Como falei anteriormente foi apenas uma leve torcida. — Era ele que colocara a compressa em meu pé, fazendo leves movimentos circulares. — Está um pouco inchado, porém com um pouco de descanso não vai demorar muito para voltar a treinar com seu cavalo. — O garoto olhou-me.
— Obrigada por me ajudar. — Deixei a bota no chão. — Pensei que Kyle iria me ajudar, mas não.
Kyle simplesmente sumiu, o vi ao lado do garoto quando cair, mas apenas aquele minuto.
— O garoto que estava com você? Não seja tão dura com ele, ele foi pegar seu cavalo.
— Ele foi pegar Ghost? — Perguntei espantada.
— Sim... Porque o espanto?
— Bom, Ghost não gosta de ninguém a não ser eu e o seu cuidador, pode ser difícil para Kyle.
— Entendo. — O garoto deu um sorrisinho e voltou a olhar meu tornozelo fazendo a massagem.
Ficamos colados alguns minutos e concentrei-me direito em suas características; Como o garoto tinha tirado seu capacete pude notar que seus cabelos eram bem castanhos claros e lisos, ele parecia um anjo, seu rosto era todo afilado, em sua pele branca não havia nenhuma imperfeição.
— Você é novo, certo? — Seus olhos voltaram a olhar-me novamente. — Veio de onde?
— Mudei-me antes de ontem de Munique. — Isso explicou muitas coisas, inclusive o sotaque. — E você, é daqui mesmo?
— Sim, morei minha vida toda aqui... — Fui interrompida pelo chamado de Kyle, nos dois viramos os pescoços e o vimos correndo em nossa direção cansado.
Ele apoiava os braços em seus joelhos, recuperando o ar, olhou-me e sorriu:
— Vejo que não sofreu nenhum ferimento grave, ainda bem.
— Sim, tirando meu tornozelo estou bem, só foi um susto. — Retribuir o sorriso. — Obrigada por ir atrás de Ghost, Kyle, não sei o que deu nele. — Menti.
— Tudo bem. — Ele olhou para o garoto e o cumprimentou, o garoto nos olhou e soltou:
— Vocês estão juntos?
— Oh, não. — Kyle respondeu.
— Somos amigos. — Continuei. — Por que a pergunta?
— Por nada. — Ele olhou para a faixa que se enrolava em uma parte braço de Kyle e logo em seguida para o curativo em minha testa. — O que aconteceu com vocês?
— Sofremos um acidente, mas estamos bem.
— Qual é seu nome? — Kyle perguntou.
— Isaac... Isaac Lemecier e vocês?
— Sou Kyle e essa é Katherine, há quando tempo esta aqui?
— Kyle! — Chamei sua atenção, Kyle foi meio grosso, como se estivesse desconfiado.
— Estou aqui desde antes de ontem, vim de Paris, minha mãe é natural daqui. — Isaac não notou nada, o respondeu normalmente e me olhou. — É um prazer conhecer-lhes.
Tudo em Isaac me chamava a atenção, ele era tão educado e bonito que não parecia real.
— Acho melhor irmos, não é? — Kyle pegou minha bota do chão. — Eu lhe ajudo.
O olhei com certa expressão, o que Kyle tinha? Ele estava com ciúmes, era isso? Virei-me novamente para Isaac.
— Consegues pisar no chão? — Ele perguntou preocupado.
Fiquei em pé com a ajuda de Kyle, meu pé doeu ao pisar no chão, porém a dor era suportável.
— Sim. — Sorri. — Obrigada mais uma vez.
— Não há de quê, senhorita. — Isaac abaixou a cabeça lentamente e me distanciei sorrindo.
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