Precious Blood
1 Prólogo
200 anos atrás, Holmes Chapel.
~ Por Asher Donovan. ~
Abri os olhos ainda confuso por causa da ultima pancada na cabeça, a toquei e vi vermelho em minhas mãos. Que diabos ele fez comigo? Minha cabeça esta aberta?
Olhei para todos os lados e pude, com a visão meio turva, os estragos que fizemos juntos, pedras que cobriram a rua estavam arrancadas mostrando o rastro do corpo de Matthew quando jogado, carruagens destruídas e até um cavalo morto, esse foi eu que matei, ao querer jogá-lo em cima de Matthew, deveríamos ter escolhido uma área mais afastada para brigar, quando essa parte da vila acordar terá uma discussão tamanha.
Conseguir sentar-me, ainda observando minha mão vermelha do sangue e depois minha perna aberta, todo meu corpo ardia, até minha alma, não me lembro muito dos últimos minutos da briga, apenas algumas coisas... não muito boas.
Levantei meu olhar para o céu escuro em cima de minha cabeça, uma garoa fina e fria descia, meus olhos abaixaram mais um pouco e o vi deitado no chão, com a respiração ofegante e pescoço dilacerado.
Meu corpo ficou quente de raiva, meu sangue estava fervendo, queria poder me levantar e acabar de vez com ele, tirar a sua vida de vez para ele poder deixar Catarina em paz, mas estava tão fraco quanto ele.
Catarina é minha, desde o início e sempre será, não é um anjo qualquer que vai tomá-la de mim, aliás... Ninguém vai tomá-la de mim.
– Ela não ama-te, Asher. — Matthew olhou para mim e falou ofegante.
– Não é você que decide os sentimentos de Catarina. — Respondi firme.
Sentia o sabor de seu sangue em minha boca, droga! Não vai durar muito para esse sangue entrar em meu organismo e começar a nascer aquelas asas brancas ridículas em mim.
Desgraçado.
Levei minha mão para dentro de minha boca com o intuito de vomitar, sentir um desconforto, mas não consegui.
– Não tem mais jeito. — Matthew ria fraco ainda deitado no chão. — Já era.
– Cala essa boca! — Gritei.
– Você é patético!
Arrgh! Filha da mãe! Estiquei minha mão e conseguir empurra-lo fortemente contra uma pequena casinha não muito longe.
Droga, a parede foi de cima a baixo, com certeza acordei alguém. Isso deve ser um aviso para acabarmos com isso... Para eu acabar com isso.
Sorri com seu gemido de dor. Telecinese, um dom que anjos nunca terão o prazer de ter. Levantei, com dificuldade, muita por acaso.
– Você tem que aprender a selecionar direito o que você vai falar. — Andei até ele e me abaixei ao seu lado sem preocupações, ele estava sentindo a dor do veneno em suas veias, ele estava sentindo muita dor para fazer algo contra mim, o que me deixava orgulhoso. Matthew será meu primeiro anjo transformado.
Na verdade, estou até admirando sua resistência, a maioria desmaia antes dos 10 minutos da "morte". Olhei para o relógio no meu pulso, já tinha passado 8 minutos.
– Catarina nunca vai te amar. — Ele ainda conseguia falar? Fiquei admirado por alguns segundos. — Estamos brigando a toa, ela esta agora com Isaac.
– Você acha? Eu não acho, na verdade eu nem me preocupo com ele, ele vai pagar por se apaixonar por Catarina... E não será para mim. — Suspirei e estiquei minha perna machucada. — Minha preocupação é com você, quando ela souber que você virou um vampiro, irá lhe odiar.
– Não vou virar.
Olhei novamente para o relógio. Apenas 1 minuto. Ele respirava fundo. Acho que ele morrerá naturalmente, preciso mesmo mata-lo?
Sorri dos meus próprios pensamentos. Mas é claro! Mata-lo com minhas próprias mãos será um imenso prazer.
– Já que ela me odiará quando me tornar um vampiro... Quer dizer que ela te odeia. — Ele falava com pausas longas. — Por você ser um.
– Eu sou uma exceção. — Chegou a hora. — Ela me ama.
Essas forão as ultimas palavras que ele ouviu antes de eu pegar seu pescoço e com um simples e fatal movimento, quebra-lo.
Pronto! Acabado! O matei... Pelo menos por enquanto.
Suspirei e me levantei com dificuldade e parei. Uma linda garotinha de cabelos dourados e olhos castanhos e grandes me olhava de dentro da casa destruída.
– A... — Ela estava assustada, não falava nem se mexia, estava em choque.
– Não... — Falei indo até ela ao senti que ela ia chorar. Não tenho o menor jeito com crianças, não sei o que fazer com uma, ainda mais nessa situação! Ela estaria a muito tempo a observar? Poderia matá-la por isso, mas acho que já seria muita maldade, quem eu queria matar já matei... — Sh... Não, não chora, ok?
Irônico uma criança de no máximo 5 anos ouvi isso de um homem encharcado de sangue e ferimentos.
– Você acabou de matar aquele homem. — Sua voz era doce. — Eu vi.
– Não, você não viu. — Pensei profundamente em me agarrar em seu pequeno pescoço porém um pensamento me fez recuar.
Como não pensei nisso! Oh que burro que sou! Posso hipnotizá-la, claro!
– Vou chamar papai. — Ela correu podem fui mais rápido e fiquei em sua frente, lhe encarando.
– Você não vai chamar ninguém. — Meus olhos se eletrizaram. — Você vai dormir, tudo isso foi um sonho, você não vai contar a ninguém o que acabou de ver.
– Eu não vou chamar ninguém, vou dormir, tudo isso foi um sonho, eu não contar a ninguém o que acabei de ver. — Ela falou como um robozinho.
– Ok. — Levantei-me. — Pode ir.
– Ok. Posso ir.
– Para menina, já chega! Não precisa repetir tudo. — A empurrei gentilmente para o quarto. — Cuidado com o bicho-papão.
Virei-me e suspirei. Definitivamente não me dava bem com crianças.
Comecei a andar mancando, minha perna esta doendo muito, espero que tenha alguém que me dê carona para o hotel nessa hora da manhã, aí eu pego carona, me alimento e ainda fico com a carruagem. Há coisa melhor?
Eu respondo... Sim, encontrar um antídoto antes de me tornar uma das coisas que eu mais odeio no mundo. Um anjo.
– Olá, bela moça, poderia dar-me uma carona até o Cranage Hall? — Perguntei a primeira mulher que parou.
Ela era realmente muito bela, quem sabe eu possa usá-la um pouco antes de matá-la.
– Claro, posso sim... Você é Asher Donovan?
Incrível como as notícias se espalham rapidamente por essa pequena vila, cheguei antes de ontem e mulheres já sabem quem sou.
– Sim, sou eu mesmo. — Peguei sua mão e a beijei. Ela estava tão hipnotizada que nem notou que minha mão estava cheia de sangue. — E qual seria seu nome?
– Me chamo Alice. — Ela corou.
– Nome bonito o seu, Alice. — Entrei na sua linda carruagem, futuramente minha por um acaso.
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