Precious Blood

3 Capítulo 3. Lua vermelha.


Aoi POV.

A noite continuava a passar de maneira lenta, quase torturante, sempre gostei desse suspense, ainda mais quando acho uma presa tão interessante como aquele garoto, ele me intrigava, e eu queria desvendar esse mistério. E seria nesta noite, neste momento.

Enquanto nos movíamos, ele me encarava, mordia seu próprio lábio inferior, me provocava, deixava seus olhos acompanharem minha mão em meus lábios, os desejos em seus olhos eram evidentes, e claro, eu aceitava suas provocações. Mas no instante seguinte, antes de cair sobre a poltrona, ele abaixa sua cabeça, não imagino o que se passou por ali, mas gostava da maneira submissa dele agir.

– O... O que... O que você va... Vai fazer?? – A voz baixa, quase rouca quebra o silêncio daquele momento, não pude deixar de esboçar em minha face mais uma vez um sorriso irônico.

Realmente era notável sua reação, o desejo em seus olhos que insistiam em desviar-se dos meus, a luxuria que cobria seu corpo, quase me chamando, o desejo mais forte, a vontade ficando cada vez mais incontrolável. A maneira doce como se portava, a voz suave que saia de seus lábios, naquele momento, tudo era um convite.

Logo o sorriso já não fazia mais parte de minha face, mantendo-me mais sério, levo meu corpo para próximo do dele, já sentado na poltrona, apoiando um dos joelhos na mesma, entre suas pernas, deixando uma das mãos apoiar-me no braço dela, a outra, com a taça de vinho ainda em minha posse, vou levando para perto de seu rosto, começando a escorrer aquele liquido vermelho pela sua pele branca, um contraste tão convidativo que não conseguia mais me segurar. Levando meus lábios até seu pescoço, sugando aquele liquido junto à sua pele, mordendo-a mais agressivamente desta vez.

O medo dele sumira agora, mantinha-se quieto, apenas sentindo o toque de meus dentes, e estava gostando. Aos poucos, vai sentindo-se menos intimidado, jogando sua cabeça para o lado oposto de meus dentes, dando-me mais espaço. Após alguns segundos, ele leva uma de suas mãos até a minha que se encontrava no braço da poltrona, deixando sua mão por cima da minha, envolvendo-a com seus dedos, e apertando forte, conforme minhas mordidas em seu pescoço se intensificavam, logo soltando suspiros de dor, e junto a isso, sussurra baixinho, em quase uma súplica:

– Por... Por favor, morda forte, fundo... Não... Não leve só meu sangue... Leve a alma... Para... Para eu poder andar com você... Para sempre... – Admito que esse garoto me surpreendia e intrigava cada vez mais.

A sanidade, pouco visível em mim naquele momento, depois de ouvir aquelas palavras, fazia-me deslizar meus lábios por toda a extensão de seu pescoço, mordidas fortes tomavam cada pedaço daquela pele, terminando de derramar todo aquele liquido vermelho, aquele doce gosto misturando-se ao aroma do jovem, ao gosto de sua pele, fazendo-me perder completamente a sanidade. Jogo a taça ao chão com violência, fazendo o barulho de seus estilhaços uma música para aquela cena, notando seu atordoamento quanto ao estralo que ouvira, mas não me importando. Chegando a curva de seu pescoço, mantendo meus dentes apenas roçando em sua pele.

Parando bruscamente o que fazia, encarando seus olhos, sua face, mantendo o mistério, deixando que apenas meus olhos dissessem por meus lábios, e a resposta era sim.

– Você é minha criança. Você sempre será apenas meu. E assim, para sempre ficará ao meu lado, meu bichinho de estimação. – Após essas palavras lhe acaricio a face, retirando alguns fios de cabelo que escondiam seus olhos, sentando-me em seu colo, tomo seus lábios, levando a ele o doce sabor que permanecia em minha boca. Seu próprio gosto.

Mantinha meus olhos abertos, observando a reação do garoto, um sorriso que tomou sua face, satisfeito por ouvir aquelas palavras que havia lhe dito. Empurrando-o para que ficasse preso entre mim e a poltrona, pressionando seu corpo com força. Entreabrindo seus lábios com os meus, logo invadindo-o com minha língua, sugando a sua para o encontro da mesma, com intensidade e luxúria, satisfazendo minha pequena criança, a mim mesmo e meu orgulho.

Pressionando seu pescoço com uma das mãos, onde as mordidas ainda estavam marcadas, fazendo-o gemer com a dor que lhe proporcionava, o obrigando a satisfazer minha insanidade naquele momento. Ele envolve minha cintura com seus braços, pressionando mais ainda nossos corpos, mas logo mostrando uma ligeira falta de ar com tanta pressão e com nossos lábios ainda colados. Deixava o beijo cada vez mais violento, intenso e avassalador, mordendo seus lábios e puxando-o vez ou outra. Ele correspondia com a mesma vontade veroz que a minha, ele realmente parecia estar gostando daquilo tudo.

Não mais agüentando, ele implora por um pouco de ar, deixando meus lábios para poder respirar, e junto à isso ele leva uma de sua mão até a minha que se encontrava em seu pescoço, pressionando-lhe o pescoço, passa meus dedos em sua boca, deixando que sua saliva cobrisse completamente os mesmos, deixando-os completamente umedecidos, dizendo baixinho, com certa dificuldade e nitidamente dolorido.

– Uhum... Com algo molhado por cima... Dói menos... – Após desferir tais palavras, ele, ainda segurando minha mão, leva-a novamente para seu pescoço, puxando-me novamente para o encontro de seus lábios.

Seus desejos explícitos em sua face e em seus gestos, o olhar satisfeito que eu deslocava sobre ele, tudo deixava aquela cena mais convidativa, isso realmente me excitava. Com minha mão novamente em seu pescoço, volto a acariciar o local na mesma intensidade de antes. O beijo cada vez mais agressivo e envolvente, nossas línguas dançando em perfeita sintonia.

Após mais alguns minutos com nossos corpos tão juntos, ele implora por um pouco de ar novamente, sem ar e com dificuldades para manter sua respiração, mas assim que puxa um pouco de ar para si, ele vem de encontro novamente a mim, mas desta vez evito a penetração de sua língua por entre meus lábios, apenas roçando-os, mas sem tomá-los, em uma provocação quase doentia.

Vou descendo meus lábios por entre sua pele mais uma vez, percorrendo o mesmo caminho já traçado a vários minutos atrás, parando em seu pescoço, mas agora, trazendo a tona meus caninos, deixando-os a mostra, o arrepio daquela criança ao vê-los, sua respiração mais profunda, o cheiro de medo que exalava, tudo se misturando e aos poucos deixando que esse medo tomasse por completo seu corpo e mente, ficando completamente imóvel, quase petrificado.

Vou aprofundando meus dentes em sua pele, a dor é inevitável, ele começa a se debater, seguro-o com força contra a poltrona, continuando a penetração em sua pele. Fazendo seu sangue parar aos poucos o ritmo normal e a seguir um novo caminho, que era em direção à minha boca, seu doce gosto, sim, ele tinha um sabor especial para mim nesta noite, não tinha o costume de me interessar tanto por minhas vítimas, mas ele era diferente, eu sabia disso.

Ele tentava de todas as maneiras fazer-me parar, a dor que sentia era simplesmente indescritível, eu sabia exatamente como era essa dor, eu também já havia passado por ela. Seu sangue sendo sugado, correndo para a direção inversa que deveria, meus caninhos preso em sua pele, cravando cada vez mais fundo conforme aquele liquido vermelho seguia para meus lábios, e a cada movimento que fazia com eles, sentia ele se retorcer de dor, mas aos poucos foi se acalmando, ficando sem forças e sem sangue, foi ficando cada vez mais mole e quieto. Mas quando eu pensava que estava terminando, seus lábios sussurraram ainda junto aos meus:

– Dê... Dê-me... O abraço... – Eu realmente não pude acreditar que ele havia peço isso, ele me surpreendia cada vez mais.

O Abraço, como é chamado, quando nós, vampiros trazemos alguém para nosso lado, quando transformamos alguém em nossa espécie, espécie superiora a vocês, reles humanos estúpidos. Fui parando vagarosamente de sugar-lhe o sangue, pensativo no que eu iria fazer, ele tinha sido um bom garoto desde o começo, acho que serviria como um bom subordinado. Ao afastar meus lábios de sua carne, deixando que algumas gotas pingassem aquele sangue tão saboroso de meus caninos, logo limpando minha face, olhando para o garoto que se encontrava ali, agonizando, com seus olhos quase fechando, mas ainda sim, mantendo-os em mim, implorando.

Cravo meus dentes em um de meus pulsos, fazendo um pequeno corte por onde escorria meu sangue, levando-o até seus lábios, deixando que aos poucos fossem entrando em sua boca, fazendo-o sentir o verdadeiro gosto de um vampiro. Conforme as gotas iam descendo por sua garganta, quase morta, a vida ia tomando força mais uma vez, vida em sua maneira de dizer, aquela criança agora, estava morta, e dormiria o sono eterno.

Seus lábios se movem para meu pulso, começando a sugá-lo mais forte, e a cada sugada que ele dava, ele tomava novamente sua força, uma nova energia começava a circundar nele, uma nova criança havia nascido, mais uma cria para o mundo das trevas nasceu.

– Obrigado... – Foram as últimas palavras que escutei.

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