Preciosa vidinha

1 Sensível renascer


Noite.

Senti minha morte e o meu viver, nada pude ver. O escuro tomava conta do fundo, do lago. Senti meu nariz se encher d'água. Bati os braços em direção a superfície,me sentia sem ar. Quando emergi me vi em um lago pequeno onde uma cachoeira castigava-o sem dó. Havia muitas árvores em volta, cheias de vida. nadei até a grama e me perguntei de que lugar eu vinha e para onde iria. Não senti medo. Segui entre as árvores, estava frio, podia sentir isso em minha sensível carne. consegui ver animais, animais que não pude reconhecer, só conhecia os peixes do lago. nomeei um que tinha um par de chifres, chamei de soda. Havia visto uma lata escrito "soda" uma vez, no fundo do lago. Eu queria me esquentar, estava completamente nu, só tinha um amuleto sem sentido que brilhava no escuro. Foi quanto avistei uma parte da floresta iluminada. Me aproximei e vi três barracas e dois garotos sentados em um tronco, olhando para uma fogueira. Não sabia se eram hostis ou amigos, mas, preferi não arriscar contato. Esperei paciente para que eles fossem para suas barracas. Quando foram, dei um tempo só olhando. Eles dormiram, pensei. E bem devagar abri a primeira barraca. Havia uma garota dormindo, não parecia muito bem. Estava pálida e quase completamente coberta. Encostei a mão no seu rosto, quando minhas mãos começaram a brilhar um estranho azul claro, mas desapareceu assim que tirei a mão de seu rosto. Olhei para uma pequena bolsa, puxei o zíper bem devagar, peguei um cachecol laranja e algumas moedas. Saí bem rápido e quieto de sua barraca. Fui até as barracas dos garotos, consegui uma mochila que tinha comida e e algumas roupas. Era um casaco preto e duas calças, vesti o casaco e a calça e tratei de sair do acampamento deles. Certamente o corpo humano é estranho. Se dão o luxo de dormir e acabam deixando sua guarda baixa. Sou um deles há pouco tempo e já sinto sua vulnerabilidade.

— Ei, você nos roubou, seu idiota.

Ouvi e gelei, virei para trás e era a garota da barraca, mas não estava mais com aquele tom morto.

— Desculpe, foi necessário. — eu disse

— Devolva ou vai se arrepender, filho da puta.

— Eu preciso mais que vocês, volte para seus amigos.

— Não me deixa escolha.

Ela avançou correndo na minha direção, eu fiquei imóvel, ela me acertou um puta socão na cara. Eu recuei e pude sentir a dor terrível que é um punho. Ela fez uma cara meio arrependida. Foi quando saí correndo. Acreditem, ela continuou na minha. Ia pulando arbustos, troncos caídos e ela continuava atrás de mim. Aumentei a velocidade e mesmo assim não fui melhor que ela. Ela se jogou em cima de mim, caímos rolando um penhasco que só acabava em um rio, o rio fluía em direção a uma queda de cachoeira. E a profecia se concretizou. Rolamos em direção ao rio ela gemia de dor durante a queda, nossos corpos explodiram na água e antes que pudéssemos fazer qualquer movimento, caímos, e entre o abismo e o lago que estava a baixo eu pude ver o meu amuleto brilhar um forte tom amarelo de novo. e novamente nos vimos no fundo d'água. O brilho iluminava todo o lago, consegui ver ela desmaiada no fundo, ignorei toda a dor que sentia em meu corpo e nadei em seu encontro, peguei o seu corpo e fui nadando até a superfície. Então eu reconheci o local, a minha casa. Estava de volta ao lago. Dei voltas e nem percebi. Levei a garota até a margem, sabia que ela tinha engolido muita água. Empurrei as minhas mãos contra seus seios, na esperança que ela voltasse a respirar. ela cuspiu a água e fiquei aliviado. Seria péssimo começar uma vida matando uma. Deixei ela deitada na margem e fui até o fundo do rio, queria pegar o que restou da minha flor. Fui afundando e percebendo que não tinha mais flor, no lugar havia uma espécie de estaca enfiada na terra. Mas fiquei curioso para saber o que havia acontecido. E quando fiquei perto suficiente para pôr a mão. Era uma espada laçada dentro de uma Bainha. E foi aí que o meu amuleto mudou de cor e iluminou o lago todo de verde.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.