Preço ou Prêmio
2 Capítulo 2
Notas iniciais
“Mãe?”
Ela passou direto por ele, incapaz de encarar os olhos que se pareciam tanto com os de sua mãe biológica. Não era a primeira vez que ela odiara sua genética mas era sim a primeira em algum tempo que era acompanhada desse sentimento pesado e sufocante que ameaça seu peito. Ela sabia que não seria a última vez.
“Mãe, O que?...”
Ele fez um movimento em sua sireção, mas hesitou, no exato momento que ela queria se virar. Ela sabia que não seria capaz de esconder os olhos vermelhos, mas quando ela ouviu sua voz, o jeito que ele a chamara de ‘mãe’ de novo, ela sentiu que talvez, só talvez, não importasse, mas ele inalou chocado.
“Você usou magia...”
O tom de sua voz era metade chocado e metade acusatório. Ela tinha mantido sua promessa, só usava magia em algumas raras ocasiões, mas quando ela viu Emma se aproximar foi como um reflexo, um choque de adrenalina como lutar ou correr. Ela rapidamente passou a mão no rosto para tentar esconder as evidências de lágrimas.
“Eu-“
“Eu consigo sentir o cheiro, mãe, tem cheio de... Não sei, maças ou algo assim. Você usou mágica.”
“Sim, usei, eu tinha... Eu simplesmente tinha de ir embora...”
Sua instantanea admissão pareceu acalmá-lo, mas a mão que estava a alcançando não fez contato. Ao invés disso ele a puxou de volta e a pos no bolso de seu jeans, um gesto tão similar ao de uma certa loira que fez Regina fechar os olhos.
“Mas... Porque você teria que ir embora do Granny’s?”
Ele soou tão... desapontado. Ela se apoiou na pequena mesinha que decorava o corredor, tentando esconder que tremia. Ela ainda não tinha virado para encará-lo e ela não achava que podia. Ela sentiu como seu coração se abriu, derrabando vergonha, dor e arrependimento. Saber que ela nunca o mereceu, que nunca mereceu o amor de Henry e nem o de... Não importa o quanto ela os queira. Ela não desistiria entretanto, o amor que ela sentia por ele era tão grande que não suportaria a ideia de perde-lo mais uma vez.
“Eu, Henry... Eu encontrei com Em- Miss Swan”
O jeito grosso com que ela cuspiu o nome que corrigiu não passou despercebido, a razão por trás sim.
“Ela está bem? O que você fez com ela? Ela ainda vai passar o natal aqui?”
Oh...
Suas mãos ficaram frias, foi o que ela notou primeiro, a energia de sua mágica em seu sistema. Seu coração que ela pensou ter se quebrado em mil pedaços a provou errada por quebrar um pouco mais. Sua decisão foi instantânea, e mesmo que impulsiva, ela sentiu que estava certa. Ela não o deixaria ver assim. Não deixaria seu filho a ver quebrada.
“Vá pegar sua mochila, Henry”
Sem vida, ela se virou parcialmente, o sorriso falso que portava doia em seus lábios e ela não tinha certeza se ele iria ou não ver o que estava por trás. Ela teria que contar com a sua falta de interesse.
“Que?”
“Você vai dormir na casa da Miss Swan”
“Oh... Sério? Legal, mas qual a razão?”
“Não faça perguntas, apenas faça o que eu digo”
Ela odiava ter que falar essa frase. Ela odiava ter que ouví-la e odiava usá-la, mas quando ela, inesperadamente com um olhar estranho em seu rosto, a obedeceu, ela se deixou apoiar na mesinha que estava encostada. A sua magia fazendo com que suas mãos tremessem e violentamente ela empurrou a madeira, temendo que a colocaria em fogo caso continuasse o contato. Magia é emoção e neste momento, ela sentia que não tinha controle de nenhum dos dois.
Respirando fundo, ela pressionou as mãos contra seu peito, ponderando sobre arrancar seu corção, acabar com a sua dor. Não sentir nada soava como uma alternativa á essa dor constante, essa rejeição contínua de tudo e todos que ela se importa. Mas a lembrança do olhar frio e vazio de sua mãe Cora, combinados com os sons do andar de cima que a lembravam de seu filho, a fez mudar de ideia. Talvez ele não a tenha escolhido, ou ela não seja sua preferida, talvez ele sempre a veja como má, mas ela não iria nunca se tornar sua própria mãe. Henry significava muito para ela fazer isso. Então Regina continuaria tentando, desesperadamente, merecer seu amor.
Um batida na porta a paralisou instantaneamente e ela poderia sentir a pessoa do lado de fora, antes mesmo de ter a chance de respirar.
Ela olhou para suas mãos trêmulas e respirou enquanto fechava a expressão, permitindo a antigo e familiar sensação de vazio sobre si. Se as pessoas queriam uma Rainha Má, se esse era o único modo que ela seria vista, ela bem que poderia usar sua armadura e máscara. Ela abriu a porta sem aviso e assistiu a surpresa da loira em sua varanda.
'Miss Swan?'
Sem emoções. Uma surpresa o que anos de prática poderiam causar em seu tom.
'Regina! Merda!’
“Se você terminou com as profanidades, Miss Swan, talvez você pudesse...”
“Eu... Regina...”
“Você já disse meu nome, querida”
Os olhos da loira brilharam, sentidos, pelas suas palavras e Regina a fitou. Ela nunca tinha visto o ar de superioridade de Snow em Emma antes, e ela tinha procurado. Mas parecia que a loira era o posto da mãe esse sentido. Como se ela não se sentisse digna do amor e da bondade que ela recebia das pessoas da cidade. Como se ela odiasse o título de salvadora e se sentisse inconfortável sendo uma heroina. Então, se ofender nesse momento, enquanto se aproximava da antiga rainha, não era de sua natureza.
“Por favor, me deixe explicar”
“Você foi perfeitamente clara Em... Miss Swan”
Ela amaldiçoou o pequeno deslize e a quebra de sua voz, ela esperava que talvez passasse sem ser notado mas a derrota no rosto de Emma a dizia que fora o oposto. A esperança e o horror lutando em seus olhos.
“Não, Regina, por favor... Eu não quis que você...”
“A ouvisse? Geralmente é esse o caso, querida, com essas coisas. Entretanto alguém um pouco inteligente fosse olhar em volta antes de... Oh, eu esqueci que estava falando com você”
Sarcasmo rolava entre suas palavras. Ela repreendeu a si mesma por não ter pensado em algo melhor do que insultar a inteligencia da loira, mas a névoa de incerteza que a ameaçava engolir não a deixava com muita coisa para inventar;
“Mãe? Eu realmen... Oh, oi Mãe, você é rápida... Nós vamos no seu carro?”
“I...Uhh... O que?” A loira perguntou.
“Você veio me buscar certo?”
A repentina insegurança em sua voz fez Regina ver a falha de seu plano. Ela não pderia deixar seu filho se sentir não desejado – não importa o quão compreensível era o questionamento de Miss Swan- ela simplesmente não deixaria isso acontecer. Ela abriu a boca para falar mas Emma a surpreendeu.
Seus olhos foram da mochila de Henry em suas mãos para seu rosto e ela a fitou.
“Sempre... Porque você não espera no carro enquanto eu falo com a sua mãe?”
Regina se abaixou automaticamente, gentilmente ajeitando cabelo dele para fora do rosto e limpando uma pequena mancha na sua bochecha, fazendo com que ele saisse de perto dela.
“Mããããe...”
Ela sorriu, tentando engolir sua rejeiçao. Ela o puxou para um abraço forte e uma lágrima escapou de seus olhos quando ele tentou se afastar novamente, mesmo que sem força nenhuma.
“Tchau, Mãe”
E então ele a surpreendeu com um beijo em sua bochecha, virando e correndo em direção ao carro, sem nem mesmo olhar para trás. Sua mão se moveu automaticamente, acariciando o lugar onde ele a beijou, querendo capturar esse momento e guardá-lo em uma caixinha.
'Regina?'
Ela se virou, rapidamente limpando qualquer rastro de lágrimas em seu rosto que a traíssem.
“Eu espero que você diga à ele que vou celebrar com ele depois, Miss Swan. Eu quero que seu Natal seja impecável. Sem jantares na frente da tv, sem brigas de família, você acha que consegue isso?
“Eu... Mas... Eu esperava pegá-lo ant...”
“Você queria passar o natal com seu filho não é? Estou deixando, livre de qualquer preço”
“Você não pode simplesmente...”
“Oh, não posso? Obviamente você se esqueceu com quem está falando. Você não ideia do que eu sou capaz.”
Só deu tempo dela fechar a porta antes de seu máscara cair e dar lugar ás lágrimas. Ela repreendeu a si mesma enquanto se apoiava na madeira branca da porta, tão dura quanto ela desejava que seu coração fosse. A dor em seu peito radiava por suas veias, o silêncio que a circulava era apenas mais um lembrete de sua vida solitária. E quando o único som que podia ouvir era o de passos hesitantes, saindo de sua varanda, ela finalmente se deixou cair no chão e chorar.
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