Prazer, Meu Nome É Robert.
18 Retrato.
Notas iniciais
Alguém chamava-a. Anne abriu lentamente os olhos, vendo Luck parado a sua frente com um olhar preocupado.
- Lu... Luck? – disse ainda sonolenta.
Luck estava agachado ao lado do banco em que a garota encontrava-se, com seu braço pousado em sua cintura e seu olhar preocupado pairado em Anne.
- O que aconteceu Anne? Por que tá aqui á essa hora? – perguntou com o olhar preocupado.
Anne sentou-se no banco e percebeu que estava tremendo. Fazia frio, devia estar de madrugada já.
- É... uma longa história. – respondeu ainda sentindo-se zonza.
Ele olhou para o joelho de Anne, e espantou-se.
- Anne, seu joelho... – ele disse preocupado.
- Eu sei, eu sei. Eu, hum, caí. – respondeu.
Não sentia mais dor, porém tinha medo de infeccionar.
- Vem Anne, vamos pra minha casa. – disse levantando-se.
- Não, eu não posso... Quer dizer, e seus pais? – perguntou.
- Eu sou emancipado. Não moro com eles. – respondeu. – Vem.
Ele estendeu a mão para Anne, que imediatamente pegou a mão dele.
Luck puxou-a para si e aconchegou-a em seu peito.
Ele estava quente, e Anne morrendo de frio. Passou a mão pelo tórax dele abraçando-o na tentativa de se aquecer. Estava morrendo de frio, seu corpo gelado tremia contra o peito quente de Luck.
- Que horas são? – Anne perguntou.
- Bem tarde. – ele riu. – Já passou de meia noite.
Luck parou em frente à casa que tinha mostrado á Anne e com a chave já em mãos abriu-a.
Logo na entrada quase todos os cômodos já podiam ser vistos. A casa era pequena. A cozinha e a sala ficavam no mesmo cômodo, que não era tão grande. Uma bancada fazia a divisão de ambos.
Luck levou-a até o sofá e indicou para que se sentasse.
- Então – ele começou a falar enquanto ia até a cozinha. – Por que estava aqui á essa hora?
Percebendo que Anne não iria contar complementou:
- Não se preocupe, tenho todo o tempo do mundo. – ele sorriu.
Vendo que ele não desistiria, ela respirou e tentou escolher as palavras certas e resumir toda a história.
- Eu briguei com... – ‘’pai não’’. – o Robert. Eu queria sair, e ele não queria deixar, discuti com ele e ele disse que se eu saísse não devia voltar hoje... Ou ‘’ontem’’ sei lá. Aqui foi o único lugar que me veio, pensei que iria te encontrar, mais tava tudo apagado e silencioso, então fiquei no banco.
Luck analisou-a, talvez tentando entender a história sem ter que fazer outras perguntas.
- Robert é? – perguntou querendo saber quem era.
- DIZEM – ela enfatizou a palavra. – Que é meu pai.
- Dizem? – repetiu sem entender.
- É... mais é estranho... – Anne respondeu.
Percebendo que Luck ia perguntar outras coisas, Anne levantou-se e disse:
- Por favor, não quero responder mais nada. – falou. – por favor.
Ele sorriu dizendo:
- Como você quiser. – disse aproximando-se. – Sem mais perguntas por hoje.
Ela sabia que as perguntas voltariam, mais se voltassem que pelo menos ela estivesse descansada e mais disposta a responder, coisa que ela não tinha naquele momento.
- Você não estava em casa, estava? – agora era Anne que tinha perguntas a fazer.
- Não... – respondeu. – Mais lembra, sem perguntas por hoje. – ele sorriu abraçando Anne.
Ambos jogaram-se no sofá. Luck passou a mão pelos cabelos de Anne, olhando-a entre sorrisos. Beijou-a na bochecha e de repente começou a rir.
- Está rindo do que? – perguntou Anne contagiando-se.
- Sua barriga... Está roncando. – ele ria. – Está com fome não?! – perguntou trazendo-a mais perto de seu rosto.
- Sim. Muito na verdade. Não almocei hoje. – respondeu sorrindo.
Luck continuava a sorrir. Deu um beijo na testa de Anne e se levantou.
- Vou pegar alguma coisa pra você. – disse indo novamente para a cozinha.
Anne passou os olhos por toda a sala. Era simples mais organizada. Até que seus olhos estacionaram em um porta-retrato.
Havia um garotinho, que provavelmente era Luck, e do seu lado um homem e uma mulher, provavelmente seus pais.
Aproveitando que Luck estava concentrado em preparar algo no fogão Anne aproximou-se e pegou o retrato.
Nele apenas um numero marcado.
Um ano.
A três anos atrás.
Anne então entendeu. Era obvio que a foto não fora tirada a três anos atrás, já que na foto o garotinho era apenas uma criança...
- Luck? – chamou-o.
- Sim?!
Anne não sabia como perguntar.
- Seus pais... hum... quer dizer. Eles... – ela enrolava-se nas próprias palavras. – faleceram? – cuspiu a palavra.
Luck olhou-a e Anne viu a tristeza percorrer o seu rosto fazendo a garota arrepender-se de ter perguntado.
- Sim Anne...
- Desculpe... – pediu. – não era a intenção te deixar mal... Eu só...
- Fica tranquila. – ele sorriu. – Eles eram pessoas maravilhosas, sempre presentes, e com certeza iriam adorar você.
Anne sorriu sem graça.
- Pronto! – disse animado.
Luck foi novamente até o sofá com Anne, desta vez com um prato na mão.
- Espero que goste. Panquecas. É o que eu faço de melhor. – riu entregando o prato á Anne.
- E você? Não vai comer? – perguntou.
- Já jantei, estou sem fome. – disse respondendo-a.
Anne não conseguiu se segurar, avançou no prato como um animal em sua presa. Não demorou muito para que tivesse devorado toda a panqueca.
Ele olhou-a sorrindo.
- E então, estou aprovado? – perguntou entre risos.
- Aprovadíssimo. – ela riu.
Luck pegou o prato das mãos de Anne e levou de volta á cozinha, deixando na pia.
Voltou até o sofá e sentou-se ao lado dela abraçando-a.
Luck passou a beijar seu pescoço, subindo até a bochecha, demorando-se em cada pequeno espaço.
Anne precisava dele, precisava de seu beijo.
Luck olhou-a divertindo-se com a ansiedade dela e voltando a beijar seu pescoço.
Subiu novamente, agora pelo queixo de Anne, até finalmente seus lábios se encontrarem.
Luck pressionava seus lábios contra o dela, dando leves mordiscadas.
O beijo de Luck era doce e ao mesmo tempo quente, era uma mistura de sensações. Fazia Anne desejar mais, como uma droga que a viciava muito rápido, fazendo-a necessitar de Luck, de seu beijo.
Anne apertava seus lábios contra os deles, sentindo sua boca doce ir de encontro com ela, retribuindo o carinho.
Ambos desejavam que aquele beijo durasse para sempre. Desejavam perder-se no calor um do outro.
Foi Luck que se afastou primeiro, fazendo Anne soltar uma nota de decepção, que Luck respondeu com um sorriso.
- Você precisa descansar. – disse passando a mão pelo rosto de Anne.
‘’Não, eu preciso de você’’ pensou.
- Sim... Acho que sim. – falou.
- Vem – ele levantou-se chamando-a. – vai ficar no meu quarto e eu durmo aqui.
- Não. De jeito nenhum. – falou. – eu fico aqui e você lá.
- Não discute comigo senhorita. – ele riu.
- Vou ficar aqui. – Anne bateu o pé no chão fingindo estar emburrada.
- Ei mocinha, na minha casa ninguém fica emburrada. – sorriu-a.
- Eu fico. – riu.
Luck agarrou-a pela cintura segurando-a em seu colo enquanto a enchia de cócegas, fazendo Anne revirar-se contra o seu peito de modo ofegante.
Ele rapidamente entrou no quarto, uma porta que estava em um pequeno corredor.
Jogou-a na cama e continuou enchendo-a de cócegas, fazendo ela rolar pela cama com as mãos na barriga.
- Pa... par... para. – ela ria descontroladamente.
Ele parou, porém continuou rindo enquanto ela se recompunha.
- Agora entendeu que vai ficar aqui né? – ele sorriu.
- Sim, mais ainda não concordo. – Anne sorriu de volta.
Ele riu enquanto levantava-se da cama e ia até o armário.
Logo voltou á cama com um cobertor felpudo na mão. Deixou ao lado de Anne e sentou-se na cama.
- Acho que você não vai querer dormir com essa roupa. – disse ele vendo a roupa suja de Anne.
Anne nem havia se dado conta de como estava imunda, parecia aquela garota...
Foi então que ela lembrou. Tudo o que havia acontecido naquele jardim voltou á sua mente. Anne engoliu em seco.
- Está tudo bem? – perguntou.
- Ah... Sim. – sorriu.
- Vem, vou te dar umas roupas minhas, vão ficar meio grandes mais acho que dá. – disse.
Anne levantou-se e seguiu-o até o armário. Viu Luck mexer em algumas peças de roupas.
Por fim entregou-a uma camisa comprida e uma bermuda.
- Pegue. Vou te dar uma toalha e você vai tomar um banho... – ele olhou para o joelho de Anne. – E não pense que eu esqueci do seu joelho senhorita, depois do banho vou fazer um curativo aí. – disse.
A garota já nem lembrava do machucado.
Anne pegou a toalha e a roupa que Luck a emprestou e foi para o banheiro.
Era pequeno, porém muito arrumado. Despiu-se rapidamente e deixou a roupa em um canto e foi para debaixo do chuveiro.
A água quente escorria até seu joelho, fazendo Anne contorcer-se enquanto seus olhos enchiam-se de lágrimas.
Rapidamente tomou seu banho e saiu.
Secou-se, se vestiu e olhou-se no espelho. Soltou uma risada na mesma hora. Estava engraçada com a roupa de Luck.
Quando saiu encontrou Luck encostado á parede. Parecia não tê-la visto, estava de olhos fechados. Mais foi só quando se aproximou que Anne viu. Uma lágrima escorria por seu rosto e, junto ao seu peito o retrato de seus pais.
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