Prazer, Meu Nome É Robert.
3 De volta á sua... Casa?!
Notas iniciais
Ele a olha com impaciência.
– Sou seu pai. Já devem ter lhe dito. – ele dá partida no carro.
– Seu nome. Quero saber seu nome. – ela diz sem encara-lo.
– Robert. – ele responde.
– Robert do que? – pergunta.
– Ora... Por que tantas perguntas Anne? – ele diz olhando-a com desconfiança.
– Robert do que? – ela volta a perguntar agora com certa entonação na voz.
– Robert Monroe, assim como você. – ele diz concentrado em guiar o carro.
Anne apenas o olha sem nada dizer.
– Sei que é tudo, digamos ‘’novo’’ para você. Mais deveria agir com menos desconfiança. – ele diz.
– Talvez. – responde.
Seguem o restante do caminho sem trocar mais nenhuma palavra. Anne fica a olhar as paisagens que passavam rapidamente pelo vidro do carro.
Depois do que pareceu ter sido uma meia hora Robert diminui a velocidade. Anne olha para o lado e se vê em uma rua quase deserta, com poucas casas e praticamente ninguém nas ruas. Nenhum comércio nem nada do tipo. Mesmo com a velocidade bastante reduzida ele continua a seguir pela rua.
Passaram-se cerca de dez minutos. A chuva havia parado, porém ainda não havia sol. Nem sol, nem chuva. Apenas um céu nublado e escuro, em meio aquele lugar estranho.
O lugar onde estavam era mais movimentado. Tinha algumas pessoas na rua, um ou outro comércio, e casas.
Robert parou em frente á uma delas. Não era muito grande, mais era uma das mais isoladas comparada ao restante das casas, porém nada anormal. Era uma casa que parecia ter sido pintada recentemente. Tinha um tom de creme, quase branco. Tinha uma pequena garagem e um jardim menor ainda. Porém não havia flores nem plantas, apenas uma grama rala e mal cuidada.
Ele estacionou o carro na garagem, sorriu e disse: — Esta é a sua casa!
Anne olhava a casa sem nada responder. Deu um sorriso de má vontade e saiu do carro.
Caminhou até a porta da casa enquanto ele vinha atrás com as chaves na mão.
– Abre. – disse entregando-a as chaves.
– Não, a casa é sua. – respondeu encarando-o.
– É nossa. – sorriu insistindo com as chaves em mãos.
Anne pegou as chaves e abriu a porta.
Viu-se em um pequeno corredor, bem anormal para uma casa, já que a maioria das casas tinha a sala de estar como a entrada. Nesse corredor havia 6 portas.
Ela parou no começo do corredor e olhou para Robert sem entender.
– Sei que é diferente da maioria das casas. — ele sorriu. O que me estranha é que você costumava gostar, dizia que era ‘’diferente, fora do comum’’.
– Diferente e fora do comum é mesmo. – ela disse em voz alta.
‘’Mas não em um sentido bom’’ pensou completando a própria frase.
Ele apenas sorriu e indicou para que seguisse.
– Bom, aquele é o seu quarto, ali a cozinha, o banheiro, a sala, e o meu quarto. – falou indicando cada uma das portas.
Mais ainda faltava uma. – E aquela? – perguntou indicando a ultima porta do lado direito.
– Um tipo de porão, digamos. Guardo todas as tranqueiras que não uso mais lá. – ele disse sem maiores detalhes.
Anne continuou parada. Não sabia o que fazer, falar, ou aonde ir.
– Vai lá. Sei que está curiosa em ver a casa. Vou arrumar algumas coisas aqui fora. Já volto. – disse voltando para a garagem.
Na verdade não estava curiosa, nem com vontade de ver nada, queria apenas ir embora. Até o hospital seria melhor. Porém seguiu reto, resolveu conhecer a ‘’sua’’ casa.
A sala era pequena. Tinha um sofá vermelho velho em seu centro. Um pequeno raque, uma televisão pequena, alguns objetos de enfeite e uma poltrona em um canto. Não era o lugar mais agradável. Foi até a porta ao lado. Era o seu quarto. Tinha uma cama de solteiro em um canto, uma cômoda, um espelho comprido pendurado na parede, e um criado mudo. No outro quarto havia uma cama de casal, um guarda roupa, uma pequena televisão, um criado mudo e uma janela no canto. O banheiro era pequeno, lembrava o do hospital; tinha uma pia, um vaso sanitário, porém não havia espelho, e um chuveiro. A cozinha era o maior cômodo da casa, havia uma mesa de jantar no centro e alguns eletromésticos em volta.
Como o outro cômodo por guardar tranqueiras deveria ser ainda pior que os outros, resolveu não conhece-lo.
– Conheceu tudo?
Anne tomou um susto, seu coração disparou na mesma hora. Jurava ter visto um vulto passar por ela.
– Desculpe. – ele riu. – te assustei? – perguntou.
– Não... Quer dizer, mais ou menos. – respondeu passando a mão na cabeça. Havia voltado a doer.
– Ainda dói a cabeça? – Robert perguntou notando o desconforto da garota.
– Um pouco. – respondeu.
– Vou fazer uma compressa para você. Espere só. – ele fez uma pausa. – Um pouco.
Ela assentiu.
Aquilo pareceu mais uma ameaça do que qualquer outra coisa. Mais ignorou. Talvez estivesse sendo dura demais com seu...
Pai.
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