Prazer Estranho
1 Príncipe encantado e coita e tal
Notas iniciais
"Pessoas azaradas esperam por tudo, menos a gentileza vindo de lugares estranhos"
— Não, Não, Não — falei enquanto corria em disparada para longe da chuva, esse dia tinha tudo para ser um dia perfeito sem problemas, mas é claro que estava tudo calmo demais e bem na hora em que menos esperava começou a chover, molhando alguns dos papéis que carregava. Meu chefe ia me matar?Com toda a certeza, principalmente por serem relatórios de clientes novos que ele nem se quer leu ainda, Ah maravilha de vida, hein? Trabalhava de meio período como recepcionista de uma agência de advocacia, não era lá grande coisa porém o salário era suficiente para me manter de barriga cheia, sem contar que ajudava com as contas na faculdade, minha vida linda e maravilhosa não sei ainda como conseguia respirar Ah é cursar administração tem lá suas vantagens você sabe organizar melhor seu tempo.
Corria de maneira descontrolada pela rua, as vezes até mesmo tropeçava nessa minha ida até em casa acabei com um dos joelhos ralados, oh maravilha, ainda mais maravilha estar usando um vestido rosa com alguns detalhes em flor com uma sapatilha cute cute nos pés. Belo dia que escolhi tentar ser meiga, isso Sakura muito bem continue assim. Revirei os olhos descontente com os meus pensamentos, para completar eu ainda morava longe do trabalho, poderia ser pior?Claro que poderia afinal de contas nem se quer abri a boca para que isso acontecesse.
A questão era, toda coisa de ruim ou qualquer pensamento que tinha desejando que alguém se desse muito mal, essa coisa virava de volta para mim. Bem que diziam, o feitiço sempre vira contra o feiticeiro.
Cada vez mais colocava os papéis ao meu corpo e esse coitado tremia devido ao vento gelado em que fazia, imaginava como estava o machucado no meu joelho com toda certeza pior que o meu estado, teria que dar um jeito nisso depois.
Meus cabelos róseos colavam-se no rosto devido a chuva acabei ficando com uma franja desajeitada além de soltar vários espirros,ah mais essa, resfriado não, não posso e não devo ficar resfriada.
Fui parando de correr quando achei uma sombrinha. Amém glória aos deuses, tinha achado o meu socorro, bem provável da sombra cair na minha cabeça, não é brincadeira mas por via das dúvidas resolvi nem pensar com tanta intensidade sobre isso. Virei o rosto um pouco para ver aonde tinha parado, era uma loja de doces, se chamava "Life Cady Sugar", tive que rir baixo pelo nome ridículo da loja mesmo assim bateu até fome, fome não, digo vontade maluca de comer doce ou tomar alguma coisa, devem vender algo quente para tomar certo? Parei de olhar a loja para prestar atenção na chuva, essa não pararia de cair nem tão cedo, oh maravilha.
Bufei, por um momento relutei em entrar mesmo assim não iria ficar no frio, fiquei lá igual uma idiota encarando o chão tendo a pontinha dos lábios mordiscados. Minha atenção só foi tirada de concentração no instante em que a porta da loja se abriu, deixando um barulho de sino ecoar pelos meus ouvidos.
Levei minhas orbes verdes até a porta, dando de cara um deus, digo, delícia em pessoa, digo homem de cabelos negros assim como seus olhos e cara de poucos amigos, ah por favor me de um desconto não sei nem o que é sair há tipo assim séculos?Quem diria beijar, será que eu ainda sei como se faz isso? Sai do transe quando a voz máscula dele passava pelos meus ouvidos, de início não percebi o de sarcasmo e superioridade que ela carregava apenas quando ele se manifestava, — Acho melhor você fechar a boca garota — falava com um dos dedos apontados para essa.
Pisquei várias vezes, tentando entender o que o moreno dizia, — Ou limpe sua baba — dito isso o mesmo passou a rolar seus olhos pelo meu corpo, uma sobrancelha franzida e os lábios um pouco tortos. — Venha — ordenava.
Primeiro, mamãe me ensinou a nunca aceitar pedidos de estranhos o que será que ela diria se caso aceitasse uma ordem? Provavelmente ela me colocaria para fora de casa, ah pobre mamãe, segundo eu estava babando?????Seria muito melhor um buraco abrir ali mesmo para que então eu entrasse e o mico seria menos constrangedor do que pareceu ter sido e por fim, ele tinha me secado com os olhos?Serio isso?Bem acho que não, apenas avaliou o meu lindo estado e teve pena quem sabe?Ou apenas talvez ele seja um abusador de meninas inocentes em série ou apenas tenha um fetiche por cabelos rosas? Suspirei de maneira pesada assim que balancei a cabeça em negativa.
O moreno ainda me encarava com aquela expressão fria, tão fria que deixaria a brisa gelado no chinelo, engoli a própria saliva e finalmente me manifestei, — Qual sua razão para ajudar uma estranha? — questionava. Pude ouvir seus dentes se encostarem, como um rangido, aquilo arrepiou os pelos da nuca dando pequenos calafrios, — Se você quiser fique aí onde está no frio, mas se for esperta vai vir comigo e tomar uma xícara de chocolate quente.
Ah?Aquilo não tinha ajudado em nada, era bem verdade que estava com frio e uma xícara de chocolate quente cairia tão bem como uma luva ou uma cama quentinha. Revirei os olhos em pura implicância, — Por favor — falei fazendo um beicinho, ótimo Sakura só falta se enterrar agora, claro que ele vai te deixar bem aí agora. A reação dele foi um riso sem humor tendo a sobrancelha esquerda levemente franzida, — Como se chama? — perguntava, não demorei muito em responde-lo, — Sakura Haru-uno — retruquei.
Ele fez uma pausa pequena, estalou os dedos ao mesmo tempo em que sua boca se abriu e depois fechou novamente. — Sasuke Uchiha — novamente aquele silêncio constrangedor se instalou porém minhas pernas e dentes tremiam sem parar chamando atenção do homem, esse por sua vez segurava a porta da loja para que adentrasse o local.
Não sou nem louca de recusar, afinal poucas vezes alguém demonstrou gentileza, entrei com rapidez deixando as narinas cheias pelo cheiro de bolo recém saído do forno. Rodei meus olhos pelo local percebendo que era pequeno, ainda sim bastante acolhedor.
As paredes eram pintadas de laranja bem clarinho, tendo alguns quadros espalhados assim como mesas instaladas em locais estratégicos para melhor estadia dos clientes.
A esquerda ficava os doces em a vitrine, variedades imensas que causaram a baba no meu rosto triplicar de tamanho, logo ao lado o caixa assim como a área dos funcionários e o banheiro. Passei os dedos pelo queixo limpando o local, o moreno tinha parado atrás de mim e ainda me olhava daquela mesma forma, percebi apenas quando virei a cabeça em sua direção, — A loja é linda — falei.
— Eu sei — Era difícil achar assunto com ele, toda vez, pelo menos por esse curto tempo de convivência ficamos nesse silêncio chato, qualé gato eu não mordo talvez só um pouco? Ri comigo mesma, idiota idiota, o prêmio de pessoa mais idiota vai para Sakura Haruno.
Distraída nem tinha notado que Sasuke havia saído do local onde estava, passando a ficar na minha frente me indicando uma porta, — Vai até lá e eu vou logo em seguida. Não relutei muito menos questionei, mentira uma parte minha deseja fazer isso todavia algo me dizia para não cometer esse ato, optei pela voz mais sensata.
Passei por ele com meus cabelos encharcados, nem vou comentar o meu corpo. Entrei no local indicado, notando que era um quartinho nos fundos, aparentava pelo menos ser bem cuidado.
Suas paredes eram pretas, não tinha a mesma decoração harmoniosa da loja o que me entristeceu, uma cama de solteiro logo adiante dos meus olhos, ao seu lado eu concluí que seria o banheiro. Atrás de mim o guarda roupa de duas portas, e perto da cama a TV, nem tanto grande nem tão pequena e sim mediana.
Fiquei parada no centro desse cubículo, sem saber o que fazer. Logo a porta por onde tinha passado foi aberta, dando me a visão dos sonhos de qualquer garota, um boy magia gaterrimo, entrando com um pedaço de bolo de chocolate e uma xícara de chocolate quente com dois marshmallows teria eu, Sakura Haruno achado um príncipe?Bem vamos o que isso vai dar.
Sasuke fechou a porta com certa brutalidade, o que me fez dar um pulinho e cair no chão feito uma idiota, pontos para vergonha alheia e as vantagens de passar vergonha na frente do boy. Levantei com um sorriso torto, enquanto ele me encarava deixando escapar um murmúrio, — Tonta.
O moreno caminhou até mesinha, essa por sinal nem tinha visto a existência, deixou as coisas em cima dessa se dirigindo até o guarda roupa, tirou de lá uma camiseta de meiga manga e uma das cuecas. Jogou tudo em cima da cama só então direcionando seu olhar até o meu. — Vamos, vai de lavar você não quer ficar assim por mais tempo — falava.
— Sasuke — chamei, uma voz até manhosa demais convenhamos, merda Sakura, merda. — Que é? — rebatia com toda a delicadeza do universo, — Você está me ajudando por qual razão? Digo eu creio que você não ajuda desconhecidos na chuva eu acho — Tudo bem que a última parte deu vontade de esconder a cara mas fazer o que a curiosidade era muito maior que a minha pouca sanidade mental. Ele respirou bem fundo olhou pro teto no princípio e riu de maneira rouca,
— Você não é uma desconhecida — fez uma breve pausa relaxando a expressão no rosto — Eu já vi você passar por aqui algumas vezes só nunca tive chances de falar com você — explicava nisso se aproximou de mim pondo as mãos nos meus ombros, fazendo um breve sinal com a cabeça indicando a porta do banheiro.
Entendi a partir dali que ele não falaria mais nada, apenas bufei derrotada entrando no local, logo trancando a porta, porque né. Tirei a roupa molhada deixando em um canto, liguei o chuveiro permitindo o corpo relaxa de baixo da água quente, ardia por causa do machucado no joelho, esse eu dei um jeito depois que sai, quer dizer apenas limpei o machucado minhas habilidades não eram lá tão boas, mas eu sobreviveria eu acho.
Não demorei muito tempo, logo sai enrolada na toalha peguei a roupa molhada na mão e sai dali, — Sasuke? — chamei — Sim? -Pode me passar essa roupa? -pedi deixando uma pequena distância entre ambos pude sentir o olhar de malícia sobre meu corpo ainda sim nada disse, imagino como está minhas bochechas, vermelhas.
Peguei as roupas limpas e secas voltando ao banheiro, tranquei a porta deixando as roupas molhadas no chão do quarto, desculpe a vergonha foi bem mais forte que eu desculpe amigo.
Assim que a porta se trancava atrás de mim não demorei em ouvir uma risada ecoando no outro cômodo, vesti a camisa que ficou feito uma camisola mim, relutei em vestir a cueca afinal ele provavelmente já tinha vestido ela e aquilo já esteve aí, neguei com a cabeça.
Ouvi pequenas batidas na porta, — Sakura? — disse esperando por algum sinal meu — Esqueci de falar, a cueca é nova ainda não a usei, então não precisa se preocupar. Suspirei de maneira aliviada já vestindo-a, assim que destranquei a porta caminhei até onde ele estava, esse por sua vez me estendeu o prato com bolo.
Eu claro aceitei de bom grado, alma de gorda corpo de magra, fazer o que. Sentei ao seu lado na cama, com os olhos brilhando ele sorriu meio torto ao ver a cena. — Tudo bem — falou me vendo comer do bolo maravilhoso de chocolate. — Eu já tinha visto você outras vezes, de longe é claro.
Sempre apressada correndo com um monte de papéis na mão ou até mesmo descabelada — na última parte meus olhos se arregalavam um pouco, ótimo Sakura isso é uma maravilha, só que não,logo fiz um sinal para ele prosseguir — Não sei mais o que dizer, todos os dias olhava você correr em frente à loja, aquilo foi como se conhecesse você de algum modo.
— Prazer estranho — disse por instinto, boca você é uma maravilha, quando fica quieta. Sasuke assim que ouviu acabou por rir alto, feito uma hiena,
— Você é engraçada estranha — disse. Depois daquilo ficamos conversando sobre bobagens, infelizmente meu tempo ali se acabou assim como o de Sasuke, ele disse se caso eu quisesse me levaria em casa e eu claro aceitei apenas tive que esperar ele fechar a loja.
Sasuke falava pouco, ainda sim quando falava tentava fazer lo rir, por mais que os olhares fossem de tédio arranquei boas risadas daquele moreno. Peguei minha sacola, vulgo roupas molhadas e tudo mais junto com ela, coloquei um casaco emprestado também, o caminho até minha casa foi bem tranquilo e nada silêncioso afinal eu cantava de maneira escandalosa, parecendo um pato sendo enforcado Sasuke olhava tudo aquilo incrédulo segurando uma risada, nem mesmo assim o fiz rir mais, oh vida.
Assim que vi a porta do condomínio onde morava, sorriu de maneira forçada me despedindo meio sem jeito, — Obrigada estranho — falei, já tratando de abrir a porta. — Sakura — falou me olhando pelo canto das orbes negras. — Sim? — o interroguei me pondo de volta no carro. -Mande uma mensagem assim que chegar em casa.
Não falei nada, apenas assenti afirmando que mandaria, afinal nao tínhamos trocado números atoa, né???Espero que não. Não demorei em sair, fechei a porta do carro correndo até minha casa. Dormi de maneira bem tranquila, claro que depois de uma boa conversa com o gostosão e um interrogatório de Ino.
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