Pray For Love

24 Capítulo 23 - Oh Fortuna


Notas iniciais
Último capítulo do desafio, mas calma pessoal, ainda tem o epílogo amanhã kkkkk. Não vou me estender porque de texto já tem o suficiente aí em baixo kkkkk Boa leitura! (Título: Ó Sorte) ➢ Dia 28: Oh Fortuna - Carmina Burana

As mãos de Lucy se fecharam ao redor do cabo do machado, tentando puxá-lo da mão do homem. Devido ao peso do objeto, sua força conseguiu mudar eu curso, fazendo com que ela e o provável mago caíssem contra o piso esbranquiçado, a lâmina da arma se enterrando contra os ladrilhos sem qualquer pudor. A magia esbranquiçada que se desprendia do fio de corte parecia corroer o material das lajotas, fazendo-as ficarem frouxas rapidamente e permitindo que ele o tirasse do chão com facilidade e o empunhasse novamente.

Lucy praguejou baixinho, escorregando com os pés descalços para ficar de pé antes que ele conseguisse levantar a arma de novo. Tão logo alcançou Romeo, entrelaçou a mão com a dele e começou a correr.

— Deixem ele comigo — assegurou Lily, mas a garota nem sequer se atreveu a virar para olhar, ocupada como estava tentando assimilar a situação. Seu inimigo era alto, usava roupas pretas e um dos ombros de seu casaco de couro estava rasgado, revelando abertamente uma tatuagem negra de uma aranha na teia.

Ah, para qualquer desavisado, pareceria apenas um gangster ou algo do gênero, mas Lucy entendia das coisas melhor do que isso, e já havia visto aquele símbolo antes.

— Lucy-nee! — choramingou Romeo, fazendo pressão na garota pela mão que usava para arrastá-lo, fazendo-a diminuir os passos até pararem no meio do corredor, agora vazio. A loira virou o rosto para olhá-lo, surpresa de ver o olhar preocupado em seu rosto cansado e abatido. — Não tem problema ter deixado eles sozinhos?

A Heartfillia fechou os olhos, pondo uma mão na testa. O cansaço parecia estar fazendo maravilhas com sua mente, pensava sarcasticamente, mordendo o lábio inferior.

Aquele era o símbolo de uma guilda renegada, Cobweb. Até onde sabia, não eram fortes como a Grimoire Heart, mas certamente valiam uma boa e perigosa luta. Todos os membros eram ótimos em se esconder e atacar, em armar armadilhas, em torturar seus alvos...

— Sim, é um problema — murmurou, imaginando a cara chorosa de Happy. — Mas não é um problema com o qual você tem que se preocupar — acrescentou. Então o soltou e empurrou seus ombros na direção do caminho pelo qual não haviam ido ainda. — Eu vou ajudá-los, então vá avisar os outros onde nós estamos, ok? Eles já devem estar por aqui — comentou, ao ouvir um som alto de pancada e perceber a estrutura acima de sua cabeça tremendo. — A julgar pela discrição da batalha...

— Não posso deixar você lutar sozinha! — reclamou o moreno, virando-se para olhá-la, o rosto ainda contorcido em sentimentos desagradáveis.

— Você não vai me deixar sozinha. Happy, Charle e Lily estão lá atrás, e eles todos são ótimos lutadores. — Ok, isso não era bem verdade, mas esperava que Happy tivesse aprendido algum truque no ano que saiu para treinar com Natsu. Seria bem útil.

— Ah... — começou, como se pretendesse protestar, mas sem argumentos. Aproveitando sua pausa momentânea, Lucy o empurrou novamente antes de se virar e correr na direção na direção da qual tinha vindo.

Seus cabelos longos e agora um pouco sujos e suados esvoaçaram no rabo de cavalo em suas costas, alguns já soltos da fita azul escorrendo por seus ombros, vivos. Virou uma dobra do corredor, se deparando em seguida com a batalha entre os gatos e o homem do machado.

Lily parecia ter se machucado um pouco, a julgar pelo sangue em suas mãos. Charle e Happy voavam do outro lado, Charle em forma humana, por algum motivo que Lucy achou mais sensato não se questionar naquele momento. Parecia estar preparando alguma magia brilhante em seus dedos pequenos, que estendeu na direção do mago.

Ele mais do que rapidamente se virou, tentando enterrar o machado em seu corpo pequeno. A gata voou para trás, soltando uma exclamação surpresa enquanto o golpe em sua palma se dissolvia no ar. Isso definitivamente não era bom.

Aproximou-se o mais rápido que conseguiu, parando ao lado de Lily, que a olhou com as sobrancelhas franzidas, mas guardou quaisquer perguntas para si mesmo enquanto explicava a situação rapidamente:

— Aquele machado estranho destrói tudo, até magia. — O inimigo pareceu interessado em sua conversa, assim se virando para olhá-lo. Seus pequenos olhos negros caíram sobre Lucy em um segundo.

— Decidiu voltar, gracinha? Não sei se foi uma boa ideia. Não quero deixar cicatrizes nesse seu rostinho lindo. — Ah, aquelas falas eram tão clichês! Lucy tinha vontade de esfregar frases românticas descentes na cara dele, mas não parecia uma boa ideia no momento.

Lily avançou contra o mago enquanto estava distraído olhando a garota, os punhos em riste, e quase conseguiu acertar um soco no queixo dele, não fosse porque desviou para a esquerda, fazendo menção de levantar o machado para atacar. O gato rapidamente se afastou, batendo as costas na parede durante o processo e evitando ter o corpo cortado ao meio.

Uma vez que um objeto daquele tamanho estava rodando numa direção, seria difícil fazê-lo mudar o rumo tão rápido, já que a inércia não permitiria. Com isso em mente, Lucy arrancou a faca do cinto e partiu para cima. O mago a olhou de sua altura imponente, mas diferente do que Lucy esperava, simplesmente soltou a arma, que saiu zunindo em direção à parede.

Alarmada, a maga estelar deu um passo para trás, interrompendo seu ataque, mas ele foi veloz em estender uma de suas enormes mãos e prendê-la ao redor do pescoço da garota.

Lucy gemeu quando não sentiu mais o chão sob seus pés. Levantou a faca na mão trêmula, enfiando-a no antebraço de seu captor, o que o fez urrar de raiva. Em um segundo, sem que sequer conseguisse assimilar o movimento, suas costas estavam contra a parede fria. Ele ergueu a outra mão, prendendo seu pescoço com ainda mais força, enquanto gritava irritado:

— Acha que vai me derrotar assim, sua vadiazinha? Acha mesmo?

O sangue de seu ferimento escorreu, molhando a mão dela, que segurava em sua pele de modo precário. A falta de respiração em consequência de seu enforcamento começou a lhe causar tontura e podia jurar que estava vendo estrelas no lugar de olhos e o cenário estava começando a escurecer. Contorceu-se, tentando chutá-lo, mas não tinha consciência suficiente para ter certeza se estava acertando ou não. Seus pulmões ardiam e clamavam por oxigênio sem qualquer piedade de sua dona, a urgência tornando seus movimentos mais selvagens, embora começassem a durar cada vez menos.

Ah, claro, ela conhecia isso muito bem. O que acontecia quando você começava a perder a consciência.

Então, sem mais nem menos, as mãos a soltaram. Lucy caiu sentada, sem se importar com a dor que isso causado ao traseiro. Puxou o ar fracamente, tentando manter coerência em seus pensamentos, e tentou averiguar os arredores.

A primeira coisa que viu foi um grande par de olhos negros cujo dono dava-lhe pequenos tapas peludos na bochechas. Seus lábios felinos se moviam, parecendo formar frases preocupadas, mas as orelhas de Lucy não estavam trabalhando direito, então tudo o que fez foi chamar seu nome e dizer que não conseguia entender antes de calmamente esperar seu cérebro terminar de organizar as prioridades e resolver funcionar novamente.

O que demorou, provavelmente, um ou dois minutos, já que quando finalmente assimilou a situação, Happy já estava falando com os outros dois gatos.

O homem jazia caído a seus pés, o machado que empunhara antes enfiado em suas costas, e seu sangue formava uma poça no chão. Não parecia morto, a julgar pelo modo como suas omoplatas subiam e desciam com dificuldade, mas provavelmente estava sofrendo bastante na inconsciência. Olhando para baixo, a loira pôde notar suas roupas encharcadas de sangue, até as mãos, agora grudentas. Torceu o nariz, virando a atenção para Happy.

— Desse jeito ele vai morrer — disse, ao que o gato azul voltou a cabeça para ela imediatamente e se jogou sobre seu rosto, evitando o corpo avermelhado.

— Lucy! Eu achei que você fosse morrer! — choramingou, fazendo manha.

A loira lhe deu um desconto, afinal, sentiria a mesma coisa se ele fosse enforcado por um cara de dois metros por mais de um minuto e começasse a apresentar sinais de insanidade no tempo seguinte.

— É a segunda vez hoje que tenho que dizer, eu não vou morrer — brincou. Sentiu vontade de lhe fazer um carinho, mas provavelmente seria desagradável, considerando seu estado sujo.

— Ele não vai morrer — informou Charle, chamando a atenção da maga estelar ao apontar o pescoço do mago. — Esse colar dele parece que cura ferimentos, por isso não tínhamos derrotado ele ainda. Mas a magia do machado vai continuar a ferir enquanto ele continuar a curar, então acho que esse grandão vai ficar aí no chão até alguém tirar a lâmina dele.

Cruzou os braços, como se achasse a punição mais do que digna do brutamontes. Lucy teria rido se sua garganta não estivesse ardendo horrores.

— Temos que sair daqui, você não acha? — sugeriu

— Parece uma boa ideia pra mim — completou Happy, voando para o lado de Lily novamente quando deu-se por satisfeito de contato humano. — Temos que encontrar o Natsu antes que ele mate alguém.

Ah, essa também não era a primeira vez que ela ouvia aquilo naquele dia.

Se tanta gente estava dizendo, devia haver um bom motivo.

— Certo! — concordou, levantando-se precariamente antes que começassem a seguir o corredor o mais rápido possível.

~*~

— Fracotes! — zombou Cana, usando suas cartas para explodir um enfeite na parede, que caiu na cabeça de um irritante mago que manipulava marionetes.

Ah, enfrentar esse tipo de gente só valeria a pena pela diversão mesmo, pareciam todos uns idiotas, pensava Natsu, terminando de dar um soco no rosto de um dos inimigos, que caiu inconsciente no chão. Sentiu um impulso infantil de ir lá e chutá-lo uma vez mais antes de ir embora, mas espancar desconhecidos definitivamente não ia resolver seus problemas.

Aquele maldito do Gray havia desaparecido em algum lugar com o mago de cabelos verdes que vira quando Lucy havia sido sequestrada, só porque estava morrendo de vontade de armar uma vingancinha cética! Argh, teria de acertar as contas com o cabeça de gelo mais tarde.

Os membros da Fairy Tail estavam avançando rápido para o interior da base inimiga. Aparentemente, eles haviam armado uma arapuca bem bolada para derrotar a guilda, mas por qualquer motivo desconhecido, Makarov sabia exatamente como evitá-la e ainda pegá-los de guarda baixa — e fora o que havia feito.

O velhote havia desaparecido em algum corredor havia algum tempo, sem dar quaisquer explicações. Não que Natsu estivesse interessado, de modo algum. Só queria saber se Lucy e Romeo estavam vivos e bem, e que o resto queimasse que para ele não fazia a menor diferença — tá bom, fazia, mas não naquele momento.

Seguiu seu instinto em direção a uma porta entreaberta próxima. De acordo com o mestre, a fortaleza de Cobweb era quase um labirinto por dentro para quem não conhecesse direito, então não parecia uma das ideias mais sensatas entrar e sair caminhando a esmo, no entanto, não custava nada dar uma olhadinha.

Tão logo passou pela porta, pode ouvir barulhos ao fundo. E parecia uma voz muito, muito familiar.

Romeo! — gritou, apertando o passo em direção à dobra do corredor. Assim que mudou a direção, o corpo do garoto ficou visível, encostado à parede com uma mão em chamas enfiada ao lado de seu rosto e um homem moreno à sua frente.

— Oh, você tem companhia... — zombou o rapaz, os olhos esverdeados cintilando ao se encontrarem com os do dragão de fogo. — Oh, e se não é o Salamander. Eu vi você nas notícias, moleque encrenqueiro. Espere só eu acabar essa luta e já te dou um trato.

— Não! — gritou, preparando um golpe com a palma da mão. Pulou, descendo as asas de fogo em direção ao corpo delgado do inimigo, que simplesmente riu e pulou para trás, os saltos de seus coturnos derrapando no piso pálido. Seus cabelos esvoaçaram um pouco, emoldurando seu rosto comprido e risonho.

Uma risada essencialmente sarcástica e zombeteira.

— Natsu-nii — murmurou Romeo. O mago praguejou, apagando o fogo de seu golpe e olhando sobre o ombro para o garoto, que o observava assustado. Havia um corte transversal em sua bochecha, que deixava um rastro de sangue até o queixo, seus olhos estavam fundos e cansados e as feições pareciam abatidas, assim como o corpo, com cortes e hematomas espalhados na pele visível.

O Dragneel contorceu os lábios, arreganhando os dentes em irritação, e voltou a fitar o mago inimigo, que simplesmente continuou com o sorriso imponente estendido pelo rosto. Este levantou uma sobrancelha castanha, parecendo divertido com a situação.

— O que você vai fazer? Me queimar, senhor dragão? — brincou, ativando as chamas numa de suas mãos, que brilharam avermelhadas.

Natsu contraiu a expressão, os dentes caninos afiados brilhando à luz, e estava preparado para usar suas garras flamejantes quando uma voz os interrompeu.

— Natsu, vai embora!

Virou a face, um pouco surpreso, notando com a visão periférica enquanto seu inimigo fazia o mesmo. Parado na entrada do corredor, parecendo um pouco cansado, com as roupas meio sujas, estava Macao. Suas sobrancelhas estavam contraídas e seus olhos brilhavam com a chama da perseverança. Natsu hesitou por um momento, pego desprevenido.

— Ir embora? — indagou, franzindo um pouco a própria tez.

— Sim. Vai achar a Lucy — completou o adulto, torcendo o nariz ao indicar com a cabeça o mago de fogo, tal de Leald. — Deixa que eu cuido dessa escória. Tenho umas contas a acertar com ele. Vai achar a Lucy antes que alguém desagradável faça isso primeiro.

— Como se eu fosse deixar — desdenhou, apagando o fogo na palma da mão com irritação. — Já estou indo achar ela, seu velho.

— Boa decisão — elogiou Macao, mas sua voz foi perdida no eco do corredor enquanto Natsu seguia o mais rápido que podia.

Provavelmente estava indo pelo caminho errado, mas que fosse para o inferno, ele não se importava nem um pouco! Ficar parado não o ajudaria a achar Lucy. E de qualquer modo, sempre podia sair quebrando algumas paredes para facilitar a circulação de pessoas.

Oh, essa sim era uma ótima ideia.

~*~

O que diabos... — começou Charle, a voz entrecortada pelos sons de magia e batalha.

Viraram um dos últimos corredores que, pelo que haviam contado a Lucy, daria nas escadas, mas por algum motivo o salão que deveria estar vazio quando chegassem agora era o campo de batalha de um par de magos.

Ah, nem bem era esse o problema. Um par qualquer poderia ser facilmente ignorado, mas não era. Makarov estava de pé de um lado, sua magia de crescimento corporal um pouco restrita pelos três metros de altura do teto. Do outro, havia um mago com uma altura um pouco maior que a da maga estelar, membros esguios e arrumados cabelos negros que não tinha cara de ter mais que trinta anos.

M-mestre! — chamou surpresa ao perceber o piso destruído, assim com algumas paredes que já haviam ido abaixo durante o processo de batalha. O grisalho deixou seus olhos caírem sobre a loira ao corredor intacto, assentindo com a cabeça de modo maduro.

— Lucy. Vejo que está bem — comentou. Ao perceber seu foco mudando, o inimigo também deixou os olhos caírem sobre a garota.

— Ah, a convidada que o idiota do Leald trouxe — resmungou, parecendo avaliá-lo com o olhar com desdém. — Pelo menos nos foi útil. Mas podíamos ter tido uma batalha mais tranquila — comentou, voltando a atenção para o antigo mestre da Fairy Tail.

— Claro, claro, se não soubéssemos todos os seus truques, Maurin — disse sarcasticamente, preparando os punhos para atacar o pequeno inimigo.

— Se fossem assim tão bons, estariam ganhando. — Maurin levantou uma sobrancelha negra. Nesse momento, Lucy parou para prestar atenção à luta verdadeiramente.

Enquanto Makarov jazia em seu canto do salão com vários cortes sobre seu corpo forte de titã, o tal adversário parecia intocado, sem sequer um fio de cabelo preto fora do lugar. E não demorou para que entendesse o motivo.

Quando o mais velho fez um movimento em intenção de atacar, uma magia já na palma de sua mão, preparada para acabar com o pequeno, ele simplesmente abriu a boca e falou novamente:

— Só isso?

Ondas sonoras poderosas deixaram seus lábios, empurrando Makarov para trás, algumas até mesmo causando pequenos ferimentos na pele de porcelana. Lucy arregalou os olhos, seus cabelos balançando como loucos devido ao movimento do ar. A força das ondas era tão grande que até eram visíveis!

Tinham que se aproximar de um inimigo que só precisava falar para atacá-los?

Happy agarrou-se à Lily, parecendo assustado. Havia feito um movimento em antecipação na direção da loira, mas pareceu mudar de ideia ao ver o estado ensanguentado de suas roupas. Até em momentos de desespero ele conseguia ser um maldito seletivo!

— E agora você vai me mostrar o segredo da Fairy Tail? — exigiu o moreno, balançando o pescoço para estralá-lo. Parecia estar achando a batalha um entretenimento particularmente tedioso, o que a assustava além de seus limites.

Se o mestre não poderia derrotá-lo, então certamente estavam acabados.

— Sonhe que você vai ver isso — desdenhou Makarov, a expressão contorcida e irritação. — A primeira não quis te mostrar, então não serei eu a fazer isso.

— É verdade.

A voz a seu lado fez Lucy pular. Ao virar o rosto, deparou-se com uma cascata de cachos de um loiro pálido. Quis segurar o choro na garganta ao reconhecer a pequena figura a seu lado. Às vezes esquecia o status da garota, parecia tão indefesa em sua altura e corpo, mas ainda assim, permaneceria eternamente sendo a fundadora da Fairy Tail.

M-mavis-san!

Ao dizer seu nome, o espírito virou e sorriu para a maga estelar.

— Desculpe a confusão, Lucy — pediu, seus olhos azuis meio entristecidos. — Eu devia ter dado um jeito em Maurin há muito tempo, mas tive esperanças que ele ia dar um jeito nessa ganância dele.

Seus orbes brilhantes seguiram lentamente até a luta que se desenrolava a frente. Embora o semblante parecesse impassível, Lucy podia perceber as mãos e lábios trêmulos da primeira mestra.

— Você o conhece? Ele parece bem jovem... — comentou, tentando entender melhor a situação.

— Ah, não se engane. Ele usa magia para manter a aparência que tinha quando nos conhecemos — explicou a loira, meneando a cabeça negativamente enquanto dizia as palavras. — Ele era um membro da Fairy Tail de quando a criei, queria ser um mestre, mas já desde aquela época era bem ambicioso. Quer saber o segredo da guilda... — elucidou com a voz doce.

— Segredo da guilda? — A Heartfillia inclinou a cabeça para o lado. Na falta de resposta de Mavis, concluiu que era algo que provavelmente não deveria saber.

Parecia que o mestre não estava tendo muito sucesso em seu intento de derrotar o tal Maurin. Provavelmente era o líder da Cobweb, intuiu. Makarov não parecia na melhor condição para batalhar, a julgar pelo modo como se inclinava contra o abdômen. Provavelmente as rajadas de som seguidas deviam estar afetando seus tímpanos e, internamente, o equilíbrio do corpo.

Lucy apertou as mãos, nervosa, quando o observou errar mais um golpe frustrado. A julgar pela expressão do moreno, não parecia estar gostando nada dos acontecimentos.

— Você vai me obrigar a te torturar, Makarov? — perguntou, pondo uma mão irritada na testa.

— Você vai me obrigar a usar um golpe especial — imitou o mestre suas palavras, e juntou as mãos numa posição que Lucy já conhecia.

Fairy Law — murmurou Mavis a seu lado, ecoando seus pensamentos.

Os dedos do mais velho começaram a brilhar, mas antes que tivesse tempo de terminar o encantamento, uma onda sonora particularmente aguda atravessou o ar em sua direção. Suas mãos se descolaram e seu corpo se ajoelhou no chão, as mãos nas orelhas em instantes, das quais escorria um viscoso líquido vermelho.

O coração de Lucy se apertou em seu peito. Tinha que ajudar! Tinha!

Makarov reclamou algo, tentando ficar de pé e preparando um punho para um bom soco. Maruin revirou os olhos, e estava prestes a dar palmas com as mãos para revidar, quando foi surpreendido pela loira.

Lucy atravessou o salão, rápida, ignorando o gritou de Mavis em suas costas. Seus pés doeram ao pisar sobre restos de cimento das paredes e do próprio piso, mas ignorou isso deliberadamente, jogando sua mão na direção do rosto do moreno.

Pretendia dar um soco, mas no impulso, sua palma se espalmou contra a pele macia. Maurin rodou, pego de surpresa, e ela podia jurar que seu olhos ficaram vermelhos enquanto agarrava seu pulso e os girava cento e oitenta graus, seguindo o caminho de inércio do corpo da loira.

Suas unhas se prenderam ao redor do pulso da garota, furando a pele de alabastro, mas tentou apagar isso de sua mente enquanto virava o rosto de sobrancelhas contraídas para Makarov e fazia um sinal com os olhos para que aproveitasse a oportunidade.

Ele pareceu entender, a julgar pelo modo como preparou as mãos para Fairy Law novamente. Parecia preocupado sobre acertá-la no golpe também, mas esse definitivamente era o menor dos problemas de Lucy.

Desceu sua mão pelo rosto de Maurin, deixando suas próprias unhas fazerem algum estrago em seu rostinho bonito. Ele franziu o nariz, colocando sua outra palma ao redor de seu pescoço e a Heartfillia gemeu quando a pele ainda sensível foi forçada por seus dedos delgados. Provavelmente ainda estava roxa ou preta do começo de hematoma, só mover o pescoço já doía horrores, assim como falar.

Prendeu uma mão no ombro da camisa preta do mago, usando a outra para puxar seus cabelos. Seu objetivo não era machucá-lo, porque isso podia lembrá-lo de Makarov, mas simplesmente manter sua atenção.

A marca de seu tapa ainda estava na bochecha arranhada do mago, vermelha, com todos os dedos marcados, o que a dava um pouco de satisfação interna enquanto ele apertava seus pescoço, fazendo sons esganiçados de dor deixarem sua garganta.

Então o moreno aproximou o rosto do dela, mesmo com seus dedos puxando seu cabelos, e sussurrou em seu ouvido.

— Teimosa você.

Sentiu uma tontura imediata e seu cérebro pareceu virar milk shake. Suas mãos perderam a força enquanto a dele redobrou, fazendo sua garganta queimar por sob a pele. Segurou uma exclamação de dor, juntando a pouca consciência que ainda tinha e se agarrando ao corpo masculino. Se caísse, não daria tempo de Makarov executar o golpe antes de ser atacado novamente.

— Sim, eu sou — murmurou, ignorando as agulhadas que sua garganta parecia dar em sua sanidade. A voz soava tão baixa que se surpreendeu que ele foi capaz de entender, mas podia ter simplesmente lido seus lábios.

— Não gosto disso — informou, enviando na garota uma nova onda de tontura. Lucy sentia os dedos fracos, a mente fraca, suas orelhas ardiam e o calor que podia sentir certamente era o sangue deixando seus pobres tímpanos.

Ah, se saísse viva dessa confusão, ia ter que passar um bom tempo em repouso!

Apertou as unhas contra a roupa de Maurin, que pareceu resmungar frustrado pelo que podia discernir com sua visão. Ele chutou sua canela, o que a fez perder o equilíbrio, mas Lucy não desistiu, jogando o corpo contra o dele: se fosse cair, certamente iria levá-lo consigo.

O moreno amaldiçoou baixo, empurrando-a de si com a maior força possível.

Dessa vez foi inevitável, misturado com o ataque sonoro de sua reclamação, a garota caiu para trás, estatelando o ombro no chão, que protestou ativamente contra o movimento. Fechou os olhos, sentindo o mundo rodar a seu redor, percebendo apenas como seus dedos, seu pescoço, seus ouvidos, sua cabeça, seu braço doíam incomodamente.

O tempo pareceu ser o suficiente, já que em seguida conseguiu entender o que parecia ser uma explosão. Entreabriu os olhos a tempo de ver o teto quebrando com a vinda de Fairy Law e a figura de Maurin parecia gritar horrores, mas não conseguia ouvir direito.

No segundo seguinte, uma mão grande tomou seu braço, puxando-a para cima. Quis impedir, mas não tinha força nem para isso, e não se arrependeu de não fazê-lo quando seus olhos se encontraram com um par de orbes verdes musgo embebidos na mais dolorosa das preocupações.

Luce? Oh, meu Deus, Luce — ele dizia, chacoalhando-a. Pode perceber seus olhos averiguando seu corpo, presos de modo inevitável na grande mancha vermelha em suas roupas.

Achava que era seu sangue. Achava que ela estava morrendo.

— Eu estou bem, Natsu — murmurou, tentando dar um sorriso encorajador para os olhos que se direcionaram para seu rosto quando ela falou. Ele aconchegou seu corpo no próprio colo, seu corpo quente contra o dela. — Só estou meio tonta, aquele idiota gritou no meu ouvido — explicou.

— Mas... E esse sangue... E esses hematomas... — começou ele, estendendo os dedos para tocar o pescoço da loira, uma ideia que ela prontamente reprovou ao levantar uma mão e dar um tapa na dele.

— Você precisa aprender que se vê com os olhos e não com as mãos — repreendeu, dando uma pequena risadinha rouca. Natsu franziu os lábios, parecendo sem humor para piadas. Não que ela pudesse culpá-lo, ela também não estaria lá muito feliz se encontrasse ele parecendo uma boneca de pano como estava. — De onde você veio?

— Do teto — indicou um buraco com a cabeça distraidamente, a voz apreensiva. — Cansei de procurar no meu andar e resolvi descer.

— Você sabe que escadas logo ali, né? — brincou, tentando se apoiar nele para sentar sozinha, embora a cabeça ainda não estivesse em pleno funcionamento.

— Você sabe que eu não gosto do modo convencional — zombou, parecendo um pouco mais calmo enquanto a observava recobrar a compostura lentamente.

Lucy soltou uma risadinha pelo nariz, que foi cortada quando ouviu uma voz ao fundo:

— Vocês parecem estar se divertindo — comentou o moreno Maurin, de pé, encostado à parede.

Seus cabelos estavam bagunçados, a marca do tapa de Lucy ainda em sua bochecha, e havia vários machucados sangrentos por seu corpo. Pela visão periférica, a garota podia perceber os gatos, assim como Mavis e Makarov, encarando-o boquiabertos.

— Fairy Law não funcionou — murmurou, sentindo uma súbita onda de tontura que a fez apoiar o rosto contra o peito de Natsu. Algumas lágrimas aflitas subiram a seus olhos sem serem convidadas.

— Tudo bem — comentou o mestre da Fairy Tail, ganhando sua atenção e a de Natsu. — Ele não é impossível de vencer. Mais um bom golpe vai derrubá-lo.

— Que bom golpe? O punho do dragão de fogo? — perguntou, percebendo Natsu alternando sua atenção entre ela e o grisalho.

— Não. — Makarov estralou a língua, o olhar intenso e a voz arranhada na garganta, como se também estivesse cansado. — Uranometria.

O corpo de Lucy gelou sob o toque quente de Natsu e ele a chacoalhou de leve, perguntando qual era o problema. Pela expressão do mestre, ele claramente sabia sobre o último dono do golpe. Teria engolido em seco se isso não fosse trazer muito mais malefícios que benefícios.

— Certo — assentiu, afastando-se do corpo de Natsu e limpando o rastro de lágrima de seu rosto. — Você pode distrair ele um pouco? — pediu ao rosado. — Vamos acabar com isso.

O dragão de fogo a olhou com as sobrancelhas franzidas por um tempo antes de assentir com a cabeça, parecendo contra a ideia de se afastar da maga estelar, mas fazendo-o assim mesmo. Ficou de pé, correndo na direção de Maurin enquanto gritava algumas obscenidades de praxe.

Lucy fez uma força sobre humana para ficar de pé. Suas pernas tremiam enquanto observava o rosado apanhando um pouco do moreno, que parecia com um humor bem menos do que agradável naquele momento. Mordeu o lábio, direcionando seu olhar para o teto e deixando os pensamentos vagarem para a magia.

Uma parte no fundo de sua mente, no entanto, se concentrou em outra coisa.

A sorte, a fortuna, era algo tão incerto. Às vezes lhe sorria, lhe fazia rainha, lhe dava um motivo tão belo para estar viva, deixava que encontrasse a Fairy Tail, que fizesse amigos, que se apaixonasse.

Por outro lado, podia humilhá-la tão rápido, retirar sua coroa de flores, destruir seu motivo para sorrir, sumir com a guilda de seus sonhos, fazer seus amigos se afastarem, fazê-la perder o amor de sua vida. Até mesmo nos últimos dias, a fortuna sempre estivera rindo sobre seu ombro, desdenhosa, esperando para criar uma parede nova em frente à loira.

Havia encontrado Natsu, achado que ele não a amava, descoberto que a amava, quase perdido ele, e nesse meio tempo esteve perto da morte pelo menos um par de vezes. Nada agradável. Mas de um jeito ou de outro, no fim, a sorte havia lhe sorrido e tivera um pequeno final feliz.

Aquela sorte que brincava com a mente, que a fazia se sentir miserável, que fazia sua felicidade evaporar em frente a seus olhos, como quando sua mãe morreu, como quando Igneel e Aquarius se foram... Essa era a mesma sorte brincalhona que a havia apresentado a Natsu.

Fechou os olhos e rezou. Porque se havia uma roda da fortuna, tinha que estar virada para o lado positivo, tinha que dar tudo certo, não podiam perder ali, naquele momento. Fechou sua mente e rezou, não mais como um ano antes, para perder sentimentos egoístas, mas motivada por eles. Nunca mais pediria nada, se fosse preciso, mas naquele momento fez uma prece por amor.

— Oitenta e oito signos, brilhem!

A fortuna tinha de sorrir para ela uma vez mais.

Uranometria!

E, com carinho, ela sorriu.

Notas finais
A letra dessa música me causou arrepios kkkk Olhem se puderem, é incrível demais. É isso kkkkk. Desculpem pelo capítulo enorme. Tagarelo mais amanhã que vocês já devem estar de saco cheio de ler por hoje kkkkkk Mas, de um jeito ou de outro, amei demais escrever esse capítulo, e espero que tenham gostado de ler. Pra quem achou que a Lucy ia ficar à beira da morte, taí, estrelinha pra vocês kkkkkkk Se bem que ela até que tá bem viva, só não tá muito sã kkkkk. Obrigada a todos que estão comigo, todos que estão lendo esse recadinho e que não estão também kkkkkk. Ainda dá tempo de falarem comigo, viu? Eu não mordo e não enforco leitores novos que só comentam no último capítulo, juro kkkkkkk. Bem, nos vemos mais tarde :3 Beijitinhooooooos PS: Faltou 2 reviews pra eu responder tudo T.T Vou por em dia quando eu acordar kkkkkkk