Pray For Love

13 Capítulo 12 - What's Up


Notas iniciais
E aqui estamos, cedo.... Ou não kkkkk Como sempre, faço tudo na última hora, já sabem kkkkkk De qualquer jeito, nos falamos lá em baixo ;D Boa leitura!!! (Título: O que está acontecendo) ➢ Dia 17: What's Up - 4 Non Blondes

Lucy esfregou suas têmporas, irritada, revirando-se de um lado para o outro na cama, bagunçando o lençol, embora essa fosse a última coisa com a qual queria se importar. Sua mente estava dando voltas ao redor dos acontecimentos dos últimos dias. Quer dizer, fazia o quê, uma semana desde que Natsu voltara, e ele já estava desaparecido novamente.

Agarrou o travesseiro e colocou-o sobre a cabeça, apertando-se entre ele e o colchão com violência. Seu braço protestou o mais alto que pôde contra o movimento e ela prontamente o ignorou, porque embora doesse, seu coração doía infinitamente mais. Recusou-se a reconhecer a ardência em seus olhos secos que ansiavam por verter lágrimas, e teve que admitir a verdade dolorosamente para si mesma.

Ela havia voltado ao ponto inicial. Sentimentos egoístas e incontroláveis que queria esconder e destruir, que não iriam embora de jeito nenhum. A quem queria enganar dizendo a si mesma que talvez eles fossem bons? Talvez de um ponto de vista, até fossem, mas sem Natsu, não passavam de migalhas nojentas e nocivas.

Resmungou para si mesma, a voz abafada pelo colchão, tentando esvaziar a mente. Queria dormir, ainda tinha um longo dia pela frente partindo até onde Erza estava aparentemente esperando, e mesmo assim não conseguia relaxar o suficiente para roncar como Happy na cama ao lado.

Considerando o tempo em que estivera presa em Tenrou, já fazia vinte e cinco anos que havia nascido — e o período em que sentiu que sabia seu lugar fora tão curto quanto apenas um ano. Uma vida inteira procurando o lugar certo, o caminho certo, para que pudesse afinal ser feliz, mesmo com o rancor do passado à sua sombra, e quando ela finalmente encontrou, não havia de fato nada.

Durante anos, tudo o que podia fazer para superar isso era sentar e chorar, normalmente sozinha, em meio às cobertas de sua cama, às vezes finas e caras, de seda, às vezes encardidas, de qualquer pousada em que pudera se hospedar à noite, sem lugar para ir, sem lugar ao qual retornar quando terminasse seu caminho.

Ela mesma havia causado a partida do garoto ficando brava por motivo algum, na verdade, e era isso o que mais a irritava. Esse sentimento estúpido de ciúme e possessividade, todo o egoísmo que havia feito Natsu ficar bravo e ir embora.

Argh! E depois de superar a morte de sua mãe, não conseguia superar um sentimento idiota de amor. Como exatamente ela havia sido presunçosa o suficiente para achar que poderia ajudar Natsu a superar o sentimento dele?

Jogou o travesseiro para cima, sentindo-se estranha, num misto de desafio, tristeza, culpa, raiva — de si mesma e de tudo, de sua mãe por morrer, de Natsu por não tentar ser mais compreensivo, dela mesma por ser impulsiva, de Happy, por dormir tão confortavelmente enquanto ela se sentia um lixo daquele jeito.

Levantou-se e andou até a janela do quarto, abrindo-a irritada. Adoraria pular para fora, mas era o tipo de queda que com certeza a mataria, e embora estivesse com o humor meio suicida, não era o tipo de coisa que resolveria seus problemas.

Assim, não pulou, nem jogou a cara para fora, nem tentou se pendurar ou pular para o prédio ao lado — mesmo porque tudo o que via de sua janela era a parede do que parecia uma fábrica vazia — e ao invés disso ocupou-se em gritar:

O que diabos está acontecendo, afinal de contas? — reclamou a plenos pulmões, e como que respondendo sua pergunta, uma rajada de vento entrou, balançando seus cabelos.

Suas palavras foram acompanhadas do grunhido confuso de Happy acordando com susto. O gato resmungou algumas coisas surpresas ao fundo, mas a garota o ignorou, continuando a perguntar ao céu, ao mundo, a si mesma, o que estava acontecendo.

Todas as noites ela rezou para ter respostas diferentes, todas as noites ela rezou por uma mudança, em seus sentimentos, no mundo, na dor que sentia pelo sumiço de Natsu, pela perda de sua mãe, pela despedida de Aquarius. Ela rezou muitas vezes para não ter que ter mais aqueles sentimentos, todos eles, para que o amor não existisse mais.

— Lucy? — chamou Happy após mais alguns minutos abusando de seus tímpanos sensíveis. Ele estava flutuando ao seu lado, e uma de suas patas segurava o ombro de seu pijama amarelo. — Lucy, está tudo bem? Você tá chorando...

A Heartfillia puxava o ar em lufadas generosas. Logo alguém bateria na porta do quarto e brigaria com eles por gritarem de madrugada, mas ela não ligava para isso, definitivamente.

Não havia uma resposta certa. Ela havia cometido um erro, era inaceitável, mas deveria se desculpar, de um jeito ou de outro. Tinha certeza de que Natsu entenderia. Ele era bem compreensivo, afinal de contas.

— Está tudo bem, Happy — sussurrou, dando um sorriso gentil para o gato, que a olhou com seus grandes olhos preocupados. — Tudo bem.

~*~

— Exames? — perguntou a loira, franzindo a testa. — Por que exatamente?

— Não posso ter certeza, mas olhando assim e pelo que você descreveu, isso pode estar fraturado — explicou a médica, arrumando sua franja um pouco grisalha atrás da orelha. — Temos que fazer os exames para saber o que é e então se for o caso talvez engessar.

— Ah... — suspirou a loira, pondo uma mão na testa. — Nesse caso, preciso falar com os meus amigos. Eles estão esperando, achamos que seria rápido.

— Certo, mas seja breve — instruiu a mulher, dando um pequeno sorriso encorajador, ao qual Lucy assentiu antes de sair, descer o corredor e virar até a sala de espera, na qual seus amigos se acomodavam, destoando claramente dos pacientes que esperavam atendimento a seu redor.

— Pessoal — chamou, aproximando-se do grupo. Happy foi o primeiro a notá-la, levantando a pata para acenar para a garota.

— Lucy, já podemos ir? — perguntou Gray, dando-lhe um sorriso. Sua falta de camisa parecia incomodar algumas mães com seus filhos pequenos, que o olhavam e murmuravam entre si ao longe.

— Na verdade, vou precisar ficar e fazer alguns exames. Por que vocês não vão antes e depois eu alcanço vocês? — perguntou, dando um sorriso largo. — Uma tarde de diferença não é muito, vou estar lá antes que percebam.

— Mas, Lucy... — começou Mira, franzindo as sobrancelhas. — Aqui é meio perigoso, sabe. Não é seguro ficar sozinha, você pode se machucar — explicou de modo sucinto, gesticulando um pouco com as mãos para dar ênfase.

— Acho que todos deviam esperar — afirmou Juvia, assentindo com a cabeça. — Não estamos com pressa, afinal de contas.

E claro, ela não estava com a menor pressa de parar de dividir o quarto com seu querido Gray-sama.

— Não, Natsu deve estar nos esperando lá com a Erza. Se demorarmos, ele vai se preocupar — comentou Lisanna, entrando pela primeira vez na discussão. Então, levantou-se vagarosamente, se espreguiçando após sair da poltrona pálida. — Vão na frente mesmo, eu fico e cuido da Lucy, já conheço a cidade.

— Lisanna — chamou a Strauss, estendendo uma mão para a irmã.

— Mira-nee, tá tudo bem — respondeu a albina, dando um sorriso largo. — Eu posso me cuidar, prometo. Além disso, vocês têm que bater no Natsu por sair correndo na frente. Aquele idiota, por causa dele que temos que nos dividir.

Lucy mordeu a língua, se sentindo um pouco culpada por permitir que eles ficassem irritados com o dragão de fogo quando tecnicamente a culpa era toda dela. Quando contou a eles o que aconteceu, omitiu propositalmente tudo sobre seu ciúme desinibido e a reação irritada de Natsu, deixando-os a par apenas do fato de que ele iria à frente — aparentemente por motivos desconhecidos.

— Certo... Então vamos esperar vocês até amanhã de noite, ok? — combinou Mirajane, ainda com a expressão meio em dúvida.

Concordaram, e então o grupo partiu, Lisanna voltou ao hotel e Lucy voltou para dentro do hospital.

~*~

— Não se preocupe, isso não dá trabalho nenhum — riu Lisanna, cortando o restante da carne no prato da loira e entregando a ela o garfo enquanto se voltava para sua própria comida.

Devido aos exames, a médica havia descoberto duas rachaduras no braço direito de Lucy, o que resultou num incômodo gesso pinicando sobre sua pele e impedindo-a de efetivamente usar o braço para algo além de coçar a barriga — de um jeito bem estúpido, só para constar.

A Heartfillia já havia quebrado o braço uma vez, quando era pequena. Depois que o médico contratado por seu pai a diagnosticou e engessou o membro, sua mãe a mimou o tempo inteiro, dando-lhe comida na boca, dormindo com ela para não se sentir sozinha, brincando de chá com ela e seus coelhos de pelúcia.

Agora estava limitada a reclamar sozinha e pedir favores aos outros. Não era como se não pudesse realmente cortar a carne, mas daria mais trabalho do que valia, então Lisanna havia se oferecido.

— Estava doendo muito, é? Machucar o osso parece horrível — comentou a albina, remexendo seu bife enquanto observava a loira espetar a comida com a mão esquerda.

— Doeu, mas nada insuportável — respondeu Lucy, antes de encher a boca novamente. Após engolir, começou de novo: — Espero que sare logo — reclamou, e provavelmente estava fazendo careta, a julgar pelo sorriso da Strauss.

— Mas vai, com cert... — A albina parou de falar quando ambas ouviram a conversa da mesa ao lado, ocupada por um grupo de viajantes modestos que pareciam ter acabado de chegar de viagem. Normalmente elas não se importariam, mas o que disseram as fez parar instantaneamente.

— Então uns ladrões pegaram ele logo que parou em Hagen — explicou um dos homens, a voz suave, mesmo contando um fato desagradável. — Eles só encontraram o corpo, mas os agentes disseram que era um mago e pelos estragos ao redor do corpo provavelmente usava magia de fogo. Parece que usaram muita violência contra ele, estava desagradável.

Uma das mulheres junto a eles soltou um grunhido de preocupação fino.

— Mas pelo menos vão pegar os culpados? — perguntou ela, após alguns instantes.

— Não sei. Sempre tem tantas pessoas mal encaradas por aqui, não sei como ele não abaixou a cabeça e entregou o dinheiro. Não valia a pena morrer por algo como isso — resmungou outro viajante, parecendo pensativo.

Lucy não os estava escutando mais. As batidas de seu coração estavam erráticas soando por seus ouvidos como se viessem de fora, tocando uma canção só delas, de preocupação, de medo, de morte.

Antes que Lisanna pudesse dizer qualquer coisa, ela já havia pulado de seu lugar, usando para tanto tamanha brutalidade que derrabou a cadeira ao movimento. Atravessou o salão, decidida, e nada, absolutamente nada a pararia, até que tivesse certeza de que Natsu estava bem.

E se não estivesse, ela teria de pensar o que fazer a seguir.

Notas finais
E cá estamos ;D Primeiramente: Obrigada pelas duas recomendações, pessoal! Não posso reclamar nem um pouquinho do feedback carinhoso que vocês estão me dando, seus leitores maravilhosos. Só espero que isso aqui esteja à altura do que você me dão em troca. Mais onze dias, estão preparados? ;D Agora sobre não vir no domingo... Não sei se estão lembrados, mas na sexta eu disse nas notas que ia programar a postagem de sábado porque não ia estar em casa. Pois é, eu só voltei na segunda, fora do programado, e acabou não dando pra fazer o capítulo do Summer Nights pra vocês xD Uma pena, já estava até planejando kkkkkkk. Acho que vou fazer como um extra ou sei lá quando a fanfic terminar, mas até o final do mês eu decido ;D Ah, e desculpem por preocupá-los sobre a falta de atualização no domingo, espero que isso não aconteça novamente :) Então adoráveis, essas músicas são lindas e maravilhosas, mas elas acabam causando umas reviravoltas no conteúdo a fanfic kkkkk. Eu não pretendia voltar para o drama inicial, mas gente, foi necessário kkkkkk Tem mais música dramática ainda essa semana, espero só que não apareça muitas mais pra não conturbarmos mais a felicidade NaLu do universo kkkkk Caso estejam se perguntando, eu ouvi todas as músicas, só não olhei as letras, fiquei com preguiça, e não sou boa o suficiente pra traduzir tudo quando escuto, então... surpresas pra mim e pra vocês vindo por aí kkkkkkkk De qualquer modo, obrigada a todos que estão lendo e comentando! Já coloquei quase todas as respostas de review em dia, mas se não conseguir terminar hoje ainda, termino amanhã com certeza! Podem contar comigo, seu feedback merece minha atenção ;D Beijitinhooooooooooooooooooos PS: Natsu morreu? Será que o pessoal vai encontrar ele antes da Lucy? Será que existe chance de ele estar vivo? E a Lucy, será que ela está segura correndo por aí com ladrões e assassinos à solta e um braço quebrado? Façam suas apostas, huhu~ PS²: Desculpem por postar atrasado ontem, meu relógio decretou fim do horário de verão sem o consentimento universal e me enganou -.-'' Achei que fosse quase meia-noite, mas era quase uma da manhã...