Notas iniciais
Oiii, bem primeiramente gostaria de agradecer as duas lindas recomendações que recebi, portanto este capítulo será dedicado a eles, MUITO OBRIGDA VIU, EU ADOREI!: anacarolis e Leonardo!
Espero que gostem da leitura, estou tentando fazer capítulos menores, mas este deve ter saído tão grande quanto o anterior.
Para aqueles que gostam de história, bom proveito! :]

Glossário:


Interfectorem: assassinos.


Messor: ceifeiro.


Deuses Mortis: Deuses da morte.


Exercitus: exército.


Somnium Vastator: Destruidor de sonhos.


Patrium in Terra: País da Terra.


Patrium Ventosa: País do Vento.


Praedestinatum: Predestinados.


Elementorum Origo: Origem Elementar.


Pacem: Paz.


Tutela: Protetor.


Pelo mestre*: Uma expressão.



Capítulo 13: Praedestinatum_Verônica



[Pov Clarice]


Eu andava pelos longos corredores que eram estreitos e pisava lentamente sobre o extenso carpete de veludo vermelho. A iluminação de velas não era uma das melhores, mas clareava o caminho que eu percorria lentamente.


Era chato estar sozinha, acho que isto nunca acontecia comigo. Antigamente, quando ainda não conhecia Tom, sempre estava sendo vigiada por membros do exercitus de alta confiança do meu pai, mas que jamais ficavam comigo por muito tempo.


Agora, como Tom estava fazendo a prova, assim como Lucas, eu estava sozinha. Claro que Fernando poderia estar comigo, ou melhor, ele poderia estar estudando os pergaminhos que deixei, mas não, sabia que ele jamais faria algo que julga ser chato enquanto poderia estar com a “loira gostosa”, é assim que ele a chama, não é? Fernando é tão safado! Fala de um modo tão pejorativo sobre mulheres na minha frente que eu fico sem graça! Aí que dá ficar andando apenas com homens!


Virei a esquerda entrando em um outro corredor tão mal iluminado quanto qualquer outro.


Era estranho não ver nenhum participante perambulando pela mansão, antes, quando eu estava com os garotos ou quando era hora de alguma refeição, era até difícil andar pelos corredores de tão cheios de participantes. Mas agora, o silêncio se propagava pelos corredores e o único ruído que ouvia eram dos meus passos.


Será que todos os participantes estavam realizando suas provas assim como Tom e Lucas? Será que Fernando também já havia sido convocado? Será que já haviam desclassificados e por isto a mansão estava tão vazia?


Comecei a dar passos ainda mais lentos e cuidadosos, querendo fazer o mínimo de barulho possível. Gostaria que meus passos fossem inaudíveis, mas era quase que impossível! Pois em cada passo que dava, o assoalho de madeira rangia.


Ouvi um barulho brusco e intenso a minha frente, imediatamente a chamas das velas trepidaram, algumas chegaram a se apagar, deixando o local ainda mais mal iluminado.


Curiosa, segui em frente e encontrei uma porta de madeira completamente aberta, tal porta parecia que levava a uma das várias varandas daquela mansão.


– Tem alguém aí? – Perguntei continuando a dar singelos passos à frente, mas não obtive resposta.


Aquelas portas da varanda de madeira eram tão pesadas, que mesmo com a ventania mais forte daquela região, dificilmente se abririam. Alguém havia a aberto.


Entrei na varanda, e diferente dos outros cômodos da mansão, aquela estava acabada. O assoalho era velho, tão velho que poderia ver a madeira das extremidades já podres, assim como também do para-peito, isto se ainda o tivesse.


Aquele lugar não era seguro para se andar. Eu estava no que? Terceiro ou quarto andar daquela mansão? Se aquele assoalho não aguentasse o peso, a queda seria grande.


Daria meia volta se não sentisse meu braço sendo puxado para o lado, me assustando.


– O que faz aqui a minha sobrinha predileta?


– Sou a sua única. – Respondi de prontidão.


Encarei aqueles olhos tão claros quantos os meus, assim como a pele. Seus cabelos eram grisalhos misturados com a tonalidade escura e estavam presos em uma trança. Ele usava roupas elegantes e de porte fino. Usava também um casaco longo de pele da cor acinzentada, para aguentar as baixas temperaturas de nossa terra. Sua expressão séria mostrava o quanto ele estava extremamente irritado, principalmente por me encarar sem piscar. Mas sempre possuía sua imagem onipotente, talvez hereditária, tão igual à de meu pai. Na verdade, Brutus e meu pai eram tão parecidos em aspectos físicos, que facilmente eram confundidos, a única coisa que os diferenciava era que o rosto de meu tio era menos anguloso que de meu pai, assim como seus olhos também eram mais fundos.


– O que faz por aqui, tio?


– Sou eu que deveria te perguntar isto, não é?


Era lógico que meu tio deveria ter vindo junto de meu pai atrás de mim, afinal, fugi de casa e isto deve ter dado muitas preocupações aos meus familiares.


Ele tirou a expressão séria e a substitui-o por um sorriso, um tão carinhoso que até mesmo eu, que não entendia o motivo do sorriso, acabei sorrindo também. Diferente que meu pai, Brutus, era bem mais carinhoso comigo.


– Você fez com que nos preocupássemos com você, Clarice. Seu pai achava que o Líder da Somnium Vastator havia lhe capturado, e por isto quase que fez uma loucura. Esta guerra está séria, e não precisamos de mais problemas para intensificá-la, não é? – Ele perguntou ainda sorridente colocando uma das mãos no topo de minha cabeça. – Imagina só o que o Líder da Somnium Vastator poderia fazer se tivesse em suas mãos à primogênita do Líder da Patrium in Terra?


– Eu estou bem, tio. Não precisa se preocupar.


– Há que bom, assim espero que continue, minha pequena, assim espero.


– Tire as mãos dela! – A exclamação de Fernando atrás de mim me assustou.


Senti meu tio largando o meu braço e tirando a mão da minha cabeça. Ele permanecia ainda com um sorriso, mas parecia muito mais com um sorriso irônico do que carinhoso.


– Acalme-se Fernando, este é o meu tio, Brutus. Tio, este é um amigo meu, Fernando. – Tentei apresentá-los, mas ambos trocavam olhares tão intensos que fiquei confusa de tal recepção.


– Um prazer. – Fernando murmurou quase não movendo o maxilar.


– O prazer é todo meu, Fernando. Bem, infelizmente eu tenho que ir, já estava de saída desse lugar mesmo. E cuidado com os cômodos que visita, minha querida sobrinha. Este mesmo está com um assoalho terrível, não duvido que logo despenque, e não queremos que você seja uma das feridas, não é?


Meu tio passou por mim e por Fernando, que ainda cedeu espaço para ele passar pela porta. Encarei meu amigo que parecia extremamente irritado.


– Ei, o que aconteceu? Seu lábio está inchado e roxo, você andou brigando? E você não era para estar com a “loira gostosa”? – Logo que ele ouviu isto desviou o olhar, suspirando.


– Você realmente quer saber o que aconteceu? – Perguntou levemente irritado, mas depois fez um sorrisinho de lado, encarando-me.


– Eu acho que não. – Perguntei insegura.


– Ótima escolha. Mas venha, vamos sair daqui... Este lugar não é seguro, afinal, como você veio parar aqui!? Clarice, preste atenção no que eu vou te falar, você é filha do Líder da Patrium in Terra, muitos gostariam da sua morte! Ainda não percebeu isto? Não pode confiar em qualquer um...!


– Ei! Agora está pior do que o Tom, ein!? Pelo Mestre*! Aquele era o meu tio, se eu não posso confiar na minha própria família, confiarei em quem?


Ele murmurou algo, que não consegui ouvir enquanto passava daquela porta e saia daquela varanda.


– O que você disse?


– Nada não, Clarice. Apenas vamos sair deste andar, ele é muito estranho!


– Quem está estranho hoje é você. O que foi? – Mas ele permaneceu em silêncio, coloquei uma de minhas mãos sobre seu ombro e sorri, fazendo com que ele me encarasse confuso – Está nervoso por causa da prova?


– É, é por isto mesmo.


– Então vamos comer alguma coisa, está quase anoitecendo e comer é a melhor maneira de tirar qualquer tensão! Não se preocupe, daqui a pouco o exercitus também te chamara para iniciar a sua prova.


Assim nós dois partimos em direção da cozinha em silêncio, e isto era estranho, pois entre todo Fernando era o mais comunicativo. Realmente meu amigo deveria estar bem tenso.



[Pov Thiago]


– Ei, você não ia embora? – Perguntei correndo em direção de Verônica, que andava rapidamente pelos corredores sendo perseguida por mim e Castro.


– Eu irei, mas antes, preciso terminar todos os meus compromissos.


– Que seriam...? – Perguntava curioso, esperando que ela completasse a frase, mas ela não completou.


Quando nós a alcançamos, ela parou diante de uma porta, onde eu sabia que todos os cômodos daquele andar estavam sendo “julgados” os participantes.


Sem pedir permissão, ela adentrou no cômodo.


– O que você está fazendo...? – Mas sabia que ela não ia me responder, por isso resmunguei e entrei também, junto de Castro.


Diferente do cômodo que julgamos Lucas, aquele era extremamente bem iluminado e pequeno.


Nele havia um homem com poucos trajes, que usava apenas uma calça bem surrada e rasgada. Tal homem tinha seus braços e pernas presas em tiras grossas de couro em cada extremidade da parede, fazendo com que tivesse que sustentar seu próprio peso por estar suspenso. Um outro homem segurava um chicote de couro, e chicoteava fortemente o participante nas costas nuas que já estava em carne viva, enquanto um outro homem, que também trabalhava para o exercitus, dava murros em diversos locais do corpo do participante.


Logo que os dois interfectores perceberam a nossa presença na sala, eles pararam de torturar o participante que eu não conseguia definir quem era, pois seu rosto estava tombado para frente e seu cabelo tampava sua face.


– O que pensam que estão fazendo!? – A exclamação de Verônica imperativa me alertava que ela estava bem zangada.


– Quem pensa que é para levantar a voz a mim, vadia?! – Disse o homem com o chicote. Com passos lentos, ele se aproximou de Verônica, com o rosto erguido e o olhar desafiador, como se quisesse persuadi-la.


De repente, tal homem parou de andar e continuou a encarar Verônica, mas aos poucos, as expressões tornaram-se rígidas e o rosto foi ficando arroxeado, ele abriu a boca, a procura de ar, mas nenhum ato desesperador dele poderia preencher seus pulmões de oxigênio. Aquela não seria a primeira e nem a última vez que eu veria Verônica matar alguém asfixiado sem mover nenhum dedo. Apenas encarando o seu rival.


– É você que não sabe com quem se deve levantar a voz! – Exclamei entrando na frente de Verônica e cortando o contato visual. O homem caiu ao chão, afoito e com as mãos na garganta, agradecendo por conseguir voltar a respirar. – Realmente o nível de interfectores está em decadência! Não reconhece nem uma alta patente? Idiota! Está “vadia” é uma dos quatro Deuses Mortis do exercitus; ela não é apenas a sua superiora, ela é a minha também. Ela é a patente máxima do exercitus!


Tal homem estava ainda tão afoito que ao dizer “desculpe”, suas palavras saíram baixas de mais e pausadas. Assustado, ele nem ousou olhar para Verônica novamente. O outro interfectorem ajoelhou-se no chão, logo que descobriu da presença de um Deus Mortis na sala.


– Eu tinha feito uma pergunta! – Verônica exigiu uma resposta.


– É claro, Deusa Mortis. – Disse de prontidão o homem antes ajoelhado que se ergueu rapidamente e foi no canto da sala, pegando alguns pergaminhos que estavam no chão, deveriam ser os relatórios de Castro sobre o participante torturado. – De acordo com os relatórios, Tom Barden Vargas possui o medo em ser mais fraco do que o necessário. Por isto, estamos o torturando, para ele ser mais resistente e superar sua fraqueza. Mas iríamos logo desclassificá-lo, afinal, ele desmaiou quase no inicio da tortura.


– Pelo Mestre*! Se tivermos interfectores neste nível no exercitus jamais conseguiremos vencer a Somnium Vastator! – Verônica exclamava cada vez mais aborrecida andando em direção do participante, erguendo o seu rosto, e então finalmente eu pude ver, aquele realmente era o Tom, a tutela da filha do Líder da Terra. – Idiotas! Não percebem!? Ele não está desacordado! Ele está D-O-R-M-I-N-D-O! – Ela gritou soletrando perto do ouvido da tutela, que abriu lentamente os olhos.


Dormindo? Aquilo poderia ser verdade? Encarei os interfectores e eles estavam tão surpresos quanto eu sobre a notícia. Pelo Mestre*! Qual era o treinamento daquelas tutelas para serem tão assustadores assim?! Até concordo que esta não é a tortura mais pesada que existe, mas dormir enquanto está sendo chicoteado e socado não deve render o melhor sono do mundo, não é?


– Você... – Comentou atordoado Tom encarando a mulher a sua frente.


– Faz muito tempo que não nos vemos, Tom. – Afirmou Verônica com um sorriso irônico.


Encarei Castro, que estava tão confuso quanto eu.



[Pov Fernando]


A melhor parte de ficar naquela mansão com certeza era usufruir aquela maravilhosa comida. Pelo Mestre*! Como alguém poderia cozinhar tão bem!?


Eu e Clarice aproveitamos mesmo, pedindo qualquer coisa que viesse na cabeça, principalmente os doces. Um melhor do que o outro.


– Tom ia adorar estar aqui.


Há! Nisso ela realmente tinha razão, se havia uma coisa que realmente um dia Tom me surpreendeu foi em descobrir que aquele cara era viciado em doce. Mais do que eu! Sim, um dia eu também achei que poderia ser impossível! Até conhecer o Tom.


Enquanto mastigava o doce, perguntei a Clarice, sem ligar se estava ou não com a boca cheia:


– Hei, aquele seu tio, Brutus. Vocês são muito próximos?


– Há sim, toda a minha família é muito próxima. Em Patrium in Terra vivíamos no mesmo palacete, pelo menos, todos elementorum origo da família principal. Acho que eu e meu irmão passamos mais tempo com ele do que com o nosso próprio pai.


– Você tem um irmão?


– Infelizmente – Ela murmurou fingindo estar irritada, mas depois sorriu, como recordasse da imagem de seu irmão. –Ele é mais novo do que eu, e verdadeiramente um pestinha! Já peguei vários castigos por culpa dele. Afinal, a culpa sempre vem para o irmão mais velho, neste caso, eu. Mas não posso negar que sinto saudades daquele pestinha ou... De qualquer membro da minha família, principalmente da minha mãe. Já faz alguns meses que estou longe de casa. – Ela pegou o copo com seu suco e o encarou, mas parecia que refletia sobre algo. – Como Líder da Patrium in Terra, papai jamais poderia ter uma primogênita do sexo feminino, geraria vários problemas se uma mulher lidera-se um dos quatro países, principalmente na Patrium inTerra. – Ela me encarou, aproximando o seu rosto do meu – Eu amo meu país e meu povo, mas ele é extremamente tradicional, por isto foi decidido que meu irmão mais novo seria o futuro líder do país. – Murmurou voltando a se afastar de mim.


– Isto não te incomoda?


– Não – E deu um longo suspiro – A responsabilidade de liderar um país é gigantesca, jamais gostaria de ter tal carma.

poderosas.

– Carma? – Ela prestava atenção no que dizia!? – Clarice, isso não é uma carma! É um privilégio. Ser líder de um país não significa apenas ser o poder supremo daquela região, mas também ser uma das pessoas mais influentes do mundo, assim como

– Não pense que isso é tudo dado de graça, Fernando. A criança que nasce para exercer tal cargo é treinada desde pequena, não só nos assuntos físicos, mas estudiosos também. Você realmente precisa ser a pessoa mais poderosa de seu país, se não, será deposto.


– Sua educação foi está?


Ela voltou a encarar o copo de suco, que estava quase pela metade, deu mais um longo suspiro e me encarou séria.


– Foi, apenas a parte física que eu não fui treinada. Papai sempre disse que conhecimento nunca era de mais, e mesmo contra os conselheiros da Patrium in Terra, ele não fez distinção educacional sobre os filhos.


– Então você perdeu a melhor parte – Disse sorrindo e pegando mais uma colherada de meu doce – Ler apenas pergaminhos durante toda a infância deve ter sido muito chato.


– Ah! Não foi tão ruim assim, li muitas histórias super interessantes, todas verídicas. Papai nunca gostou de falar sobre o passado, mas os relatórios comprovam. A parte que eu mais gosto é quando eles lutaram contra a ditadura anterior.


– Já ouvi sobre isto. Os quatro meninos que lutaram junto do Mestre com os “poderes da natureza” e tiraram os tiranos de 300 anos de ditadura. Oh! Fala sério, você acredita fielmente nisto!? É tudo blasfêmia!


– Não! Não é! – Clarice exclamou tão alto e batendo com forças as mãos na mesa me surpreendendo. Parecia que até havia a ofendido dizendo aquilo. – A cidade Pacem realmente existiu! Conheço pessoas que sobreviveram à destruição. Aquilo realmente aconteceu!


– Uma Clarice revoltada? – Perguntou alguém ao nosso lado. Estava tão surpreso pelas reações de Clarice, que ver Lucas se juntando a nós naquela mesa da sala de jantar depois de voltar da sua prova, nem me surpreendeu. – Sobre o que estão discutindo?


– Sobre historinhas contadas para crianças antes de dormir – Respondi sarcasticamente, mas recebi um olhar tão intimidador de Clarice que percebi que era melhor ficar quieto.


Lucas se sentou ao meu lado, ele também deve ter percebido que naquele momento era mais seguro ficar mais próximo de mim do que de Clarice.


– Eu ainda não entendi – Ele comentou inseguro, acho que ele também não sabia se era bom continuar naquela conversa.


– Estamos falando sobre o passado dos Líderes Elementares. Ele não acredita que quatro meninos lutaram junto do Mestre e tiraram os tiranos da ditadura a quase cinqüenta anos atrás...


– Opa! Não foi isso que eu quis dizer. Eu só não acredito que quatro moleques e um orientador, sozinhos, conseguiram derrotar uma ditadura que durou quase 300 anos no poder! Deve ter muita podridão escondida.


– Clarice, o que você sabe sobre está época? – Lucas perguntou curioso.


Por mim, curioso até de mais.


– Apenas o que estava escrito em alguns pergaminhos de meu país.


– E sobre o que eles falavam? – Lucas voltou a perguntar.


Clarice me encarou severamente. Agora eu sabia um assunto fácil de como irritá-la.


– Certo! Eu prometo ficar de boca fechada e ouvir toda a história! – Fui obrigado a dizer!


Já não disse que essa garota realmente está se tornando bem persuasiva?



[Pov Tom]


Eu mal poderia acreditar. Como aquilo poderia ser possível?


Havia uma mulher na minha frente. Ela possuía longos cabelos cacheados, seu tom de pele continua tão claro como eu me lembrava. Agora, ela não era aquela pequena garotinha. Não... Estava bem mais alta, deveria ter um pouco mais de um e setenta de altura.


Mesmo sendo apenas uma garota, Verônica sempre chamava a atenção no centro de treinamento para tutelas no exercitus, principalmente por ser a única mulher naquela época. Mas pelo visto, ela sempre foi bela mesmo. Seus traços eram delicados e singelos, e como sempre eram seus olhos os que mais chamavam atenção, principalmente em contraste com a pele tão clara. O corpo sempre bem malhado, mesmo sendo escondido pela roupa justa. Possuía curvas extremamente bem trabalhadas e com certeza deveriam dar-lhe mais idade do que ela realmente tinha. Percebi que ela carregava uma espada protegida pela bainha e presa no quadril.


Mas dessa vez me surpreendi em ver que mesmo de baixo das expressões sérias e duras que ela continha no rosto, percebia levemente uma tristeza em seu olhar. Seus olhos, que antigamente possuíam um brilho tão intenso de uma garota ingênua, hoje eram quase opacos. A pele branca tão macia de antigamente, hoje estava marcada de expressões, e por de baixo dos olhos existiam profundas olheiras, de várias noites mal dormidas.


Eu conseguia sentir uma péssima energia vinda dela, um intenso agouro. O ar que antes eu respirava tornou-se mais denso. Conseguia sentir a tristeza emanada por ela... Mas havia algo mais... Algo ainda mais intenso... Seria... Dor?


– Pare de me encarar deste jeito. Você sempre parece que vê mais do que os outros. Sua clarividência sempre me surpreendeu.


Ela se afastou, então consegui voltar a respirar normalmente.


– Clarividência? Como você sabe disto?


Ela se aproximou de Thiago e voltou-se para mim sorridente e respondeu:


– Clarividência é um dom. Se as pessoas já acham raro alguém ter o poder de controlar um fluxo elementar, imagine só ser um clarividente! É algo, Tom, previsto desde pequeno. Você sempre foi muito... Intuitivo.


– Achei que estivesse morta.


– Uma clarividência que precisa ser mais bem treinada! – Ela rapidamente pontuou.


– Por que está aqui Verônica? Por que veio até mim?


– Nós dois precisamos ter uma conversa –Ela voltou a se aproximar, com isso, o ar se tornou mais denso e quente, e aos poucos, ficava cada vez mais sufocante – Saiam da sala os dois interfectores, agora quem cuidará da prova dele sou eu.


Os interfectores que me “torturavam” saíram da sala sem pestanejar, estranhei tal fato.


Por que obedeceriam a uma ordem dela? Por que Thiago e seu ajudante também estavam lá? Será que dormi por muito tempo?


– E sobre o que vamos conversar? – Perguntei.


– Te contarei sobre uma história muito antiga.


Nos encaramos por um longo tempo em silêncio. Eu não conseguia entender o motivo de Verônica estar lá!


A conheci no centro de treinamento de tutelas no exercitus. Por eu ser três anos mais velho, era, portanto, de uma turma mais avançada.


Normalmente, as turmas eram separadas pela idade, mas em poucos meses, os treinadores perceberam que ela não poderia permanecer em sua turma. Ela obtinha um desempenho muito maior do que deveria. Assim, a mudavam constantemente de nível.


Ela chegou na minha turma com quase quatro anos, enquanto eu, tinha sete.


No inicio, a minha turma inteira achava aquilo ridículo! E questionávamos por tê-la colocado na nossa turma. E realmente ela não ficou por muito tempo, a mudaram em poucos meses depois, só que para um nível superior.


Quando ela tinha quatro anos, demorou apenas mais três para se formar. Enquanto eu, com sete anos, só passei com mais onze anos de treinamento.


Normalmente, apenas com 18 anos nos tornaríamos tutelas oficiais. Mas Verônica nunca foi normal. Ela era um gênio. Orgulho de qualquer treinador nosso.


Uma vez, eu matei uma aula, apenas para vê-la lutar no seu último ano com alguém de sua turma. Ela venceu, obviamente, com movimentos tão sutis que eu não entendia como poderia ter vencido um homem do dobro do seu tamanho e o triplo do seu peso.


Mas hoje, tendo-na tão perto de mim, eu entendo como poderia ter vencido.


Ela não fazia absolutamente nada, e mesmo assim, eu mal conseguia respirar próximo dela. Seu poder elementar era tão grande que sabia que deveria estar arrepiado.


Sentia aquilo apenas sobre a presença de uma pessoa, Marco Tierra, o Líder da Patrium in Terra, e olha que aquilo ainda acontecia apenas quando ele estava extremamente irritado.


Seria possível o poder dela se equivaler com o dele?


– Por que está aqui? – Perguntava, não fazia sentido. Eu a conhecia, pois ela era uma lenda no centro de treinamento de tutelas, mas por que ela me conhecia? Como ela sabia que estaria lá? Nada daquilo fazia sentido!


– Não me desaponte, Tom. Use o que tem ao seu favor contra mim! Vamos!!! – Ela exigiu.


– Não farei isso com você!


– Tem medo do seu poder? – Ela perguntou sarcasticamente, algo que me irritou.


– Não gosto de fazer isto, é algo seu, particular.


Então ela sorriu, mas não era o sorriso torto ou sarcástico que ela havia feito, desta vez era um sorriso verdadeiro, e por ser assim, era levemente melancólico.


– Deixe-me te explicar algo antes. Clarividência é um dom, mas que precisa ser bem administrado. Se você não conseguir dominar o seu poder, ele te dominará. Preste atenção, Tom, não estou pedindo que você invada as minhas memórias. Apenas que pegue as imagens que estou pensando, e então, terá suas respostas.


Eu simplesmente pisquei e suspirei lentamente ao sentir um calor invadir o meu corpo. Algo tão quente que queimava a minha carne exposta dos ferimentos.


Então eu simplesmente senti o cheiro intenso de hortaliças.


Senti-me tonto e fechei completamente meus olhos. Mas uma imagem veio em minha cabeça, uma pessoa de curtos cabelos loiros, pele clara, não tão clara como a de Verônica; mas o mais incomum era a cor de seus olhos, branco com presença de íris. Eu conhecia aquele rosto anguloso e aquele nariz “perfeitinho” de mais. Era Lucas.


Estava cada vez mais difícil de respirar e minha cabeça começava a latejar. Até que eu ouvi a voz de alguém, ela era rouca, tremula e fraca. Demorei em entender que aquelas eram as últimas palavras de alguém:


–... Cuide dos Praedestinatum...


Quando percebi, já vomita no chão, com alguém me chamando e sentindo suas mãos em meus ombros:


– Você está bem?!


Meus punhos e tornozelos que antes estavam presos por resistentes ligas de couro, foram soltos. Verônica segurou meu corpo, para que eu não caísse bruscamente no chão.


Com delicadeza, ela me fez sentar.


– Tom! Responde! Você está bem!? –Verônica tornou a perguntar.


Era terrível sentir aquele gosto azedo na boca, e agora, todo o meu almoço estava no chão, fora aquele cheiro insuportável! Droga! Por isso eu odeio clarividência, sempre me faz passar mal e ainda me deixa com dor de cabeça. Sentia-me também extremamente zonzo.


– Incrível! – Alguém exclamou, deveria ser o ajudando do Thiago, logo que aquela voz nem era de Verônica ou do Messor.– Ele nem precisou tocar em você, Deusa Mortis... Ah! Desculpe-me, eu ia dizer Verônica. Enfim, ele apenas bastou olhar para você! Nem precisou tocá-la ou ter em mãos algo que pertencesse a você. Verônica, você sente alguma dor de cabeça, algum sintoma estranho?


– Deveria estar perguntando isto ao Tom, e não a mim, Castro! – Ela comentou aborrecida, achei aquilo até que uma cena engraçada se não estivesse naquela situação.


– Não quis parecer grosso, mas em um clarividente iniciante, é comum que na pessoa “investigada” passe tão mal quanto o clarividente.


– Entendo, mas estou bem, não senti nada –Ela rapidamente respondeu – Thiago! Faça alguma coisa, traga pelo menos um copo d’água para ele! Tom, você está se sentindo melhor?


Então, eu finalmente entendi. Lucas era um elementorum origo, Verônica era uma tutela, consequentemente, ela deveria ser a tutela dele. Mas pela cor de olhos dele, eu sabia que ele era da Patrium Ventosa, mais do que isso, ele deveria ser o filho do Líder do Vento, Fabiano.


Mas como era possível ambos saírem vivos depois da destruição de Patrium Ventosa? Pior, de quem era aquela voz das memórias dela?


Praedestinatum? Eu já tive uma visão sobre isto, mas pouco me lembrava. Apenas sabia que Clarice era uma.


Então, o que aquilo tinha haver com a Clarice?


– O que é Praedestinatum?


– É sobre isto que estou aqui. Como já disse, irei lhe contar uma história. Ah! Obrigada Thiago... Tome, beba está água. Quando se sentir bem, direi o motivo de estar aqui. – Ela comentou atenciosamente.


Eu bebi a água que Thiago trouxe, enquanto isso comecei a sentir uma leve brisa sobre meu rosto. Abri meus olhos e a encarei, então ela informou:


– Você é sensível a minha presença, desculpe. Por isto estou controlando o vento, acho que assim fica melhor para você respirar, não é?


– Sim – Murmurei colocando o copo de vidro vazio no chão. – Comece, eu quero saber de tudo.


– Certo.


Ela se sentou ao meu lado e chamou Thiago e Castro, que se sentaram próximos de nós dois. Pelo visto a conversa seria longa e ela queria deixar todos avisados.


– Alguns documentos foram encontrados, provando que no mesmo planeta que habitamos hoje, há séculos atrás, as coisas eram bem diferentes. Nele, existia mais de sete bilhões de habitantes e quase 200 países. A organização da sociedade e os valores eram completamente diferentes do que agora. Não irei me aprofundar muito nisto, pois desconheço sobre muitas coisas. Mas o relevante é entenderem que de algum modo àquela sociedade entrou em colapso e sobreviveram menos de 1% daquela população dispersa pelo planeta. Aprendendo com seus erros, tais sobreviventes começaram a depender menos das tecnologias que utilizavam e se aproximaram da natureza, pois era nela que acreditavam que poderiam voltar a obter equilíbrio na vida. Não sei explicar como, época ou em quais gerações, mas desenvolveram os fluxos elementares: terra, vento, água e fogo; as pessoas que manipularam seriam os que chamamos hoje de elementorum origo. Aos poucos essa nova sociedade foi crescendo e se dispersando. Com o tempo, percebeu-se que era mais difícil existir pessoas que conseguiam dominar os fluxos elementares do que as que não conseguiam. Por causa do poder, os elementorum origo governaram aquela sociedade, dividindo o planeta em quatro partes, cada uma, governada por um elementorum origo de cada fluxo elementar. Como a maioria das pessoas não conseguia controlar mais o fluxo elementar, elas começaram a temer seus governantes. E seus governantes por estarem a muito tempo no poder, começaram a explorar sua sociedade. Mas a pior parte foi quando os países começaram a lutar entre si, querendo o domínio de terras alheias e de seus fluxos elementares. Com o enfraquecimento interno e externo dos países aconteceram diversas crises. A população não aguentando mais a situação que se encontrava, realizou uma revolução, nela foi depostos e mortos todos os elementorum origo encontrados. Iniciou-se assim a ditadura. Durante a perseguição, sobreviveram alguns elementorum origo dos quatro países, eles se unirão e se auxiliaram a sobreviver durante toda a ditadura, voltando a se aproximar da natureza. Ao fazerem isso, também foram punidos pela mesma, afinal, haviam cometido erros e iniciaram o desequilibro que tanto tentavam evitar. Só que durante a ditadura as crises se alarmarão, a censura e a quantidade de mortos e desaparecidos triplicaram, e tornou-se assim uma era pior do que a governada pelos elementorum origo. Temendo que acontecesse a mesma destruição que ocorreu a seus ancestrais, há séculos atrás, um integrante de cada fluxo elementar fez um acordo com a natureza, em busca do equilíbrio novamente. Tal acordo obedecia às regras que em cada era de crise, uma criança nasceria com o poder dos quatro fluxos elementares e seria responsável para estabelecer o equilíbrio, e assim a paz, na sociedade atual. Mas a criança escolhida não teria controle de seus poderes, porque seria perigoso, então se decidiu que o poder seria administrado por alguém que possuísse o seu sangue, em outras palavras, um familiar. Para que os erros do passado não se repetissem, a natureza escolheria qual seria a criança escolhida e teria que obedecer a uma ordem entre as gerações, que seria: terra, vento, fogo e água; e assim continuaria o ciclo.


– Calma, espere, é muita informação até para mim! – Exclamou Thiago colocando as mãos na cabeça em um ato desesperado –Você acha que vamos acreditar em todas essas historinhas?


– Eu sei que é loucura, mas apenas assim entenderam o que são os Praedestinatum... E acredite, se não fosse necessário eu não perderia o meu tempo aqui explicando tudo isto a vocês. O que eu estou contando é verdadeiro e...


– Eu acredito em você, continue. Eu quero saber a onde isto se liga a Clarice. – Disse interrompendo Verônica que me encarou e mexeu a cabeça positivamente.


Eu sentia e sabia que aquilo era verdadeiro. Sim, eu sei que é loucura, mas faz parte de ser um clarividente.


– Deixe-me continuar, Thiago. Depois você tira suas conclusões. Enfim, como eu ia dizendo, existiria a criança escolhida com os quatro fluxos elementares e junto dela, outras quatro crianças descendentes dos elementorum origo que realizaram aquele pacto com a natureza seriam responsáveis em depor os tiranos do poder e restaurar a paz. Essas quatro crianças seriam chamadas de praedestinatum. Mas pela intensa perseguição, os elementorum origo tiveram que se afastar. Apenas 300 anos depois de uma intensa ditadura, o Mestre reuniu os praedestinatum e a criança escolhida, e finalmente derrubou a ditadura e restabeleceu-se o equilíbrio, e junto dele os quatro países, onde cada um era representado pelo seu Líder Elementar.


– Espere, então você está querendo nos informar que os Lideres Elementares atuais são antigos Praedestinatum? – Perguntou Thiago, novamente interrompendo Verônica.


– Não, eu estou aqui para alertar que o mundo está novamente em crise, e que por isto existe novos quatro Praedestinatum e uma criança escolhida, onde todos juntos deverão voltar a colocar o mundo em equilíbrio com a natureza. E é aí que está história se liga a Clarice, ela é uma dos praedestinatum.


– E é aí que o Lucas também se liga na história, não é Verônica? Ele também é um. – Disse seriamente a encarando, afinal, teria que ter um motivo para ela saber tantas coisas sobre este assunto, agora eu entendia, por ser a tutela de um dos praedestinatum ela ainda se sentia no direito de ter que protegê-lo.


Verônica afirmou a minha conclusão mexendo a cabeça positivamente e trocamos olhares cúmplices.


– Agora eu entendo as sensações que tive no primeiro dia que os vi nesta prova – Comentou o ajudante de Thiago, ele me encarou, tocando em uma das minhas mãos – Não é apenas Lucas e Clarice que são os praedestinatum. Agora eu entendo o motivo de vocês quatro terem um altíssimo entrosamento dos fluxos elementares, você e Fernando são os outros dois.


– Como? – Balbuciei. Encarei Verônica, que apenas me afirmou mexendo positivamente com a cabeça novamente.


Era só o que me faltava, ter mais uma grande responsabilidade.


– Não... Espere, como você sabe disto? Ou melhor, como vocês dois sabem disto!? – Perguntei encarando Verônica e Castro, exigindo por uma resposta, enquanto Thiago, parecia tão atordoado pelas informações quanto eu.


– No momento certo, todos vocês descobrirão. Não estou aqui para informar isto a você, Tom, ou para nenhum outro praedestinatum. Mas precisei contar está história para você ter ideia de como é importante e até mesmo perigoso ser o que vocês quatro são. Entre todos, você é o mais maduro e forte; mas sua força ou de qualquer outro praedestinatum ainda não é o suficiente parta destruir a Somnium Vastator. Então, por enquanto, eu preciso que vocês quatro fiquem em segurança e que treinem. Uma hora ou outra, o destino de vocês será realizado e precisarão estar preparados. Eu conheço o Lucas, e ele buscará o poder e treinará arduamente até conseguir realizar a sua vingança, mas não conheço Clarice e nem Fernando, e ambos precisam também estar prontos e treinados. Peço a você que tente manter esse time unido, porque separados vocês são fracos, mas juntos, poderão ser um pouco mais fortes. Alerto que uma das regras era que se um dos praedestinatum morresse, a criança escolhida perderia os seus poderes de poder controlar os quatro elementos. Por isso, peço também para cuidar de Lucas. Se o Líder da Somnium Vastator descobrir que existe um sobrevivente da Patrium Ventosa já seria um grande problema, principalmente se ele souber que o sobrevivente é um elementorum origo, filho de Fabiano e pior, um praedestinatum; e se Lucas morrer, vocês perderam a maior arma que poderia destruir a Somnium Vastator, a criança escolhida. E não precisamos de mais problemas, não é?


Dei um longo suspiro e refleti sobre tudo que Verônica havia dito. Aquilo era um pesadelo, eu não teria que cuidar agora apenas da Clarice, tinha o Lucas e o Fernando também, afinal, nenhum praedestinatum poderia morrer. Fora ter que me salvar também. Pelo Mestre*! Por que sempre tinha que sobrar mais responsabilidades a mim?


– Quer que eu traga mais um copo d’água, Tom? – Perguntou Thiago.


– Não, acho que preciso de um doce. Pensando melhor, talvez dois.



[Pov Lucas]


Sentado ao lado de Fernando e de frente a Clarice, prestava atenção na história que ela contaria sobre o passado dos Lideres Elementares que havia lido em pergaminhos.


Meu pai, Fabiano, não gostava de contar nada sobre o passado, e isto sempre me intrigava, pois todas as histórias das confusões e aventuras que ele se meteu na adolescência eu só ficava sabendo pelos outros.


– O Mestre reuniu quatro garotos, todos eram elementorum origo e de fluxos elementares diferentes. Eu não sei muito bem os problemas que os outros garotos tiveram que enfrentar para conseguir se reunir, mas no caso do meu pai, o meu avô era completamente contra. Na época, eles sofriam a repressão da ditadura, ninguém se denominava elementorum origo, pois temiam serem mortos, assim como também negavam a existência do uso dos fluxos elementares, logo que apenas os elementorum origo conseguiam usá-los. Meu pai desobedeceu às ordens de meu avô, fugiu de casa e se juntou com o Mestre, na época, o grupo ainda não estava completamente formado, faltava ainda Fabiano.


Ao ouvir o nome de meu pai senti um aperto no peito. Era complicado aceitar ainda a sua morte. Já havia se passado dois anos que meu país foi destruído de uma maneira tão brutal que eu duvidava um dia realmente aceitar tal destruição.


– O Mestre mais os quatro garotos começam a viajar pelo mundo, sempre lutando contra a ditadura e sendo censurados e perseguidos. Quando meu pai tinha cerca de treze anos, o Mestre começou a treinar todos os garotos a controlarem os seus fluxos elementares. Meu pai, Marco, dominava o elemento Terra; Adélio, a água; Fabiano o vento e Rodrigo o fogo. Juntos eles lutaram contra a ditadura; nisto o grupo se fortaleceu e se unificou. Um dia papai comentou que eles se tratavam como verdadeiros irmãos. Depois de sete anos, eles conseguiram destruir a ditadura, tomaram o poder e separam o mundo em quatro grandes regiões que se tornaram os quatro países elementares, sendo liderados pelos seus respectivos lideres elementares. A região na qual ocorria o encontro das quatro nações, criou-se uma cidade chamada Pacem, independente de qualquer país; liderada pelo o Mestre.


– Eu já ouvi muito sobre esta cidade nas ruas – Comentou Fernando que até agora permanecia em silêncio – Diziam que lá era o melhor lugar para se viver, não existia desigualdade ou perseguições, tinha também o solo mais fértil, era ótimo para qualquer tipo de plantação. Já chamado por muitos de paraíso para qualquer povo e cultura. Quando eu era pequeno sonhava em morar no lugar, até descobrir que ele havia sido destruído.


– É, mas papai um dia me contou que atualmente aquela região não é nada parecida com o que já foi. Quando o Mestre foi assassinado e a cidade queimada, tudo o que sobrou foi ruínas. O mais intrigante é que não achei nenhum pergaminho que explicasse o motivo, mas os Lideres Elementares começaram a discordarem, principalmente com o Líder do Fogo, Rodrigo, que se afastou. Há cerca de 28 anos atrás, Rodrigo armou para Fabiano matar o Mestre, e ainda queimou toda a cidade.


– O que? – Perguntei pasmo, jamais havia ouvido nada a respeito sobre aquilo!


– Pelo que eu sei, inicialmente Adélio e meu pai acharam que o tio Fabiano, seu pai, Lucas, tinha matado o Mestre e auxiliado Rodrigo a destruir a cidade, apenas cerca de dez anos mais tarde descobriram toda a verdade. Só que nesse intervalo de tempo, Rodrigo já havia feito muitas atrocidades, onde os Lideres Elementares não conseguiram evitar.


Aquilo poderia ser real? Se fosse, por que eu jamais tinha ouvido nada daquilo? O que mais sobre o passado de meu pai eu não conhecia?


Então eu me lembrei o que um dia minha tutela havia dito a mim: “Eu lhe disse, você apenas conhece aquilo que seu pai quer que conheça”.


– Hei Lucas! Eu estou falando com você?! Desde quando você é um elementorum origo cara?! Eu sabia que você escondia coisas do seu passado, mas nem tanto!


Ignorei as palavras de Fernando, não ia perder meu tempo explicando coisas banais. Eu apenas queria descobrir o que mais Clarice sabia e o que mais podia ter sido escondido de mim.


Tudo aquilo poderia estar ligado com a destruição do meu país?


– Continue Clarice – Exigi.


Clarice olhou ao nosso redor, averiguando se realmente não havia ninguém ouvindo a nossa conversa. Ela se aproximou mais da mesa, e em sussurros continuou a explicação:


– Dizem que o Líder do Fogo enlouqueceu. Depois da morte do Mestre e a destruição de Pacem, ele voltou para o seu país. Lá ele recrutou todos que sabiam usar o fluxo elementar e seus familiares. Registros mostram que mais de 60% daquela população foi perseguida e morta. Assim, Rodrigo destruiu o seu país e criou um grupo rebelde chamado hoje de Somnium Vastator.


Apenas ao ouvir aquele nome, senti meu estomago embrulhar. Meu coração palpitar tão forte, que eu tinha a singela impressão que poderia até quebrar a minha caixa torácica. Eu os odiava! Eles eram os culpados pela destruição do meu país! Jurei destruir aquele grupo! Torturá-lo igual ao que torturaram as pessoas que eu amava!


– Espera... Você está querendo dizer o que com isso, Clarice? – Perguntei ainda chocado de mais sobre o que eu ouvia, sentia minhas mãos tremulas de raiva.


– Que Rodrigo, o garoto que cresceu com os nossos pais e que um dia jurou lealdade ao Mestre e destruiu a Ditadura, tornando-se o Líder do Fogo. É hoje, o Líder do grupo rebelde Somnium Vastator.



Continua...

Notas finais
Depois deste capítulo acho que dá par entender melhor como funciona esta sociedade;
Bem, o capítulo também teve várias narrações, espero que tenham gostado disto. Primeiramente com a cena Clarice-Brutus-Fenando, essas falsidades ainda rendera muito, e acredito que já de para perceber que o nosso Fernandinho já está bem confuso com o seu trabalho.
Agora é importante entender todas essas Histórias narradas tanto pela Veronica quanto pela Clarice, são muito importantes para o futuro desempenho da fic e a base da história a ser desenvolvida. Sei que esses últimos capítulos postados estão bem mais relacionados com o passado do que com o presente, mas logo voltarei a me focar mais nos nossos personagens.
Espero que tenham gostado do capítulo de hoje, pois deu um PUTA de um trabalho!
Como já disse, vira e mexe eu sempre pego coisas já escritas e fico retomando. Então para aqueles leitores que fazem muito tempo que acompanho a fic, recomendo que leiam o PRÓLOGO, e vão ver que retomei várias coisas que já havia escrito lá. Assim como também deixará muito evidente algumas revelações futuras.
Muito obrigada pelos reviwes e a compreensão de muito leitores.
Mas ainda quero muuuuuuito mais reviwes! E caprichem, eu acho que mereço, hehehe :], me deixem feliz ^^!
Mereço mais RECOMENDAÇÕES?! :D!!!