Praedestinatum Em Busca Do Sonho.
5 O que você acha que papai está fazendo_ Clarice
Notas iniciais
Capítulo dedicado para "Lee M" obrigada pela foda recomendação, fico muito deliz que estejam gostando da fic ^^!
E também dedicado a Nara, pela super ajuda na capa.
bjs e boa leitura, este será outro capítulo calminho, mas no proximo as coisas começam a esquentar
Capítulo 4: O que você cha que papai está fazendo? _ Clarice.
Eu era a primeira a vigiar, assim estava sentada ao lado de Tom, que também estava acordado, infelizmente.
Minhas mãos estavam encostadas nos joelhos, mas sentindo um calafrio, toquei meus braços movimentando-os em direção horizontal, tentando esquentá-los. Percebendo isso, Tom se aproximou ainda mais, colocando uma de suas mãos em meu ombro e me puxando mais próximo de si, e como de costume encostei minha cabeça em seu peito, eu sempre fui bem pequena comparada a Tom.
– Eles estão dormindo mesmo? – Perguntei fitando-o, Tom não precisou nem encará-los para afirmar com a cabeça positivamente. – Você também deveria...
– Não vou deixá-la sozinha.
Suspirei pesadamente por ouvir as decorativas e automáticas palavras de Tom, era sempre a mesma coisa, eu não lembro nem direito desde quando tudo isso começou.
– Meu pai não está aqui para lhe dar ordens...
– A ordem fundamental não precisa ser dita. – Suspirei pesadamente novamente, o encarei, mas ele continuava com aquele olhar sério e distante, eu jamais ia conseguir convencê-lo – É a senhorita que deveria estar dormindo.
– Ah Tom, por favor, não comece. E pare de me chamar de senhorita, eles vão desconfiar; sou sua prima, lembra-se? Pode me chamar pelo meu primeiro nome, Clarice. – Ele permaneceu em silêncio, sério de mais, pensativo de mais, Tom de mais. – Você poderia nos ajudar desde o começo, Fernando está se esforçando muito usando o fluxo elementar; tenho certeza que se você quisesse Tom – Ele me encarou e eu sussurrava cada vez mais baixo, aquele seria o nosso segredo — Está missão, talvez, já estivesse cumprida, ou então, quase.
– Se vocês querem se tornar interfectorem, precisam conquistar esse título, não vou ajudar mais também não vou atrapalhar. E você Clarice, não deveria ter se metido na luta de Fernando...
– Ele ia ser morto. – Tive que me segurar para não gritar e acordar Fernando e Lucas.
– Sua atitude foi inesperada, não conseguiria te proteger se algo acontecesse. Agora, mesmo lutando, você não sairá perto de mim...
– E os garotos?
– É você que preciso proteger, não eles. – O olhar recriminador sobre mim fazia com que soubesse que ele não mudaria de opinião, pelo menos não tão cedo.
Mesmo com Tom tão perto de mim, ainda sentia frio, meu corpo encolhido e minhas pálpebras pesadas. Estava com sono e cansada, mas não deixaria Tom pegar o meu turno, eu ia cumpri-lo inteiro, como ele mesmo disse, se quero me tornar uma interfectorem preciso conquistar esse cargo. Acho que daqui alguns minutos posso trocar com o Tom, afinal, já estou aqui a um bom tempo, querendo ainda matar o tempo, e assim, vencer o sono, perguntei a Tom:
– O que você acha que papai está fazendo?
Ele me encarou, silenciosamente analisava todas as minhas expressões faciais, odeio quando ele faz isso, parece que penetra na minha mente e a lê, para finalmente, me julgar.
– Saudades de casa?
Parei de encará-lo e fechei os olhos, suspirando pela milésima vez.
– Talvez...
E sem perceber, peguei no sono.
Acordei com Tom me balançando levemente, apesar da visão toda borrada sabia que já era de manha, tinha muita claridade. Ainda sonolenta, ouvi:
– Meia hora para partirmos. – Sabia que aquela ordem, que não tinha um tom de voz ignorante, mas mesmo assim séria era de Lucas.
Levantei-me meio cambaleante, sentia como meu corpo suplicando por mais tempo de sono, sem contar as fadigas musculares do excesso de exercício físico.
O que eu não daria por um banho de água quente, uma refeição bem preparada e a minha cama fofa e super confortável. Mas pensando mais humildemente, apenas um banho é o suficiente, pode ser até com água fria, mais preciso de um banho! Minha pele apesar de não ter machucados como os dos garotos, está suja de terra e suor. Céus! Estou fedendo, tenho certeza! Como todos aqui, é claro, talvez um pouco menos.
Fiz uma rápida higiene matinal e tentei arrumar o cabelo, algo impossível. Mas fiquei impressionada com a quantidade de gravetos e folhas que estavam presos nele e ninguém me falou. Homens... Amarrei de qualquer jeito, sem me importar muito com imagem, pela primeira vez na minha vida! Mas também pela primeira vez a minha imagem não importava, mas apenas naquele lugar.
Aproximei-me de Fernando que continuava sentando no chão e resmungando alguma coisa para Lucas, seu rosto estava encostado na parede e seus olhos fechados, ele se assustou mais uma vez quando sentiu as minhas mãos em sua testa, continuava com febre, olhei para a sua perna e as ataduras feitas ontem à noite estavam sujas de sangue.
– Como você está se sentindo? – Perguntei me abaixando e sentando na sua frente, comecei a rasgar um novo pedaço da minha calça, o pedaço mais limpo que eu achei, e comecei a tirar as suja e velha dele.
– Já tive dias melhores...
Vi o ferimento manchado com a tonalidade avermelhada, mas pelo menos o sangue havia estancado, entre as fendas da ferida uma cor esbranquiçada e amarelada, sabia que aquilo era pus, e muito pus. A pele cortada estava bem avermelhada, torcia para que logo a ferida fechasse, mas pelo visto ia ainda demorar, sem contar que estava começando a infeccionar.
Suspirei preocupada e o encarei, ele olhou para o ferimento e deu de ombros.
– Não tem motivo para você ficar apreensiva, eu disse que já tive dias melhores, mas não queira dizer que também não tive piores, esse ferimentozinho não é nada – E piscou cúmplice para mim, e involuntariamente sorri e ele acabou sorrindo também, e admito que um sorriso lindo; realçado talvez pela sua cor de pele.
– Consegue ficar de pé?
E imediatamente vi o sorriso de Fernando se desmanchar, e antes que dissesse algo, Lucas comentou:
– Era sobre isso que nós estávamos conversando antes, acho que alguém vai ter que ser carregado novamente – Lucas cantarolou, com um tom de deboche, já Fernando realmente fez uma carranca, completamente contrariado, acho que ele não gostava nem um pouco de ser carregado. E não consegui suprimir uma risada com a cena.
Então, logo partimos, Fernando sendo carregado pelas costas de Lucas. Fernando continuava a usar o fluxo natural, ele informou que o nosso time caçado estava cada vez mais afastado, e que por isso, tínhamos que correr mais rápido.
Lucas não reclamou por aumentar a intensidade e velocidade ainda carregando Fernando, que repetidas vezes dizia que queria descer e andar sozinho. Lucas negou até a morte, e ele estava certo, Fernando não estava em condições para correr, e talvez, não conseguiria correr na mesma velocidade e continuidade que a gente.
Minha mochila estava leve, a parte boa é que para correr era muito bom, mas a parte ruim era saber que estava praticamente vazia, estávamos sem água e pouquíssima comida, que daria apenas para uma refeição de hoje.
Nossa sorte é que no caminho encontramos alguns pés de laranjas, tinham poucas frutas, era final de safra, a maioria estava podre, mas conseguimos nos virar um pouco.
– Vai chover! – Exclamou feliz Fernando enquanto corríamos, o encarei e ele olhava para o céu, sorridente. Admito que não era o melhor tempo que já vi, mas as nuvens não estavam tão carregadas assim, poderia até chover, mas eu não tinha certeza se era hoje, olhei para Tom e soube que ele compartilhava os mesmos pensamentos que os meus, de repente começou uma ventania, Lucas sorriu.
Antes que eu falasse algo, grossas gotas de água começaram a cair e serem carregadas pela ventania, a frequência dos pingos foi aumentando, até que uma rápida tempestade começou.
– CHUVA!!! – Exclamou feliz Fernando, que ergueu os braços dando vivas, achei engraçado.
Sem perceber, nós paramos de correr, olhei para o céu, e nunca me senti tão aliviada ao sentir gotículas de água frias pingando rapidamente em meu rosto, fechei meus olhos, abri minha boca.
– ÁGUA!ÁGUA! ÁGUA!
–Dá pra parar de gritar no meu ouvido, Fernando!?
–Você que é um chato, Lucas!
– Olha como você fala comigo, bebê. Se não eu te derrubo no chão!
– Quem você está chamando de bebê?! Metidinho.
Nem sei explicar como, mas essa discussão idiota prosseguiu, mas eu ignorei, afinal, era maravilhoso estar naquela tempestade, consegui até beber bastante água! E mesmo não sendo comparado nem um pouco com um banho de águas quentes, era melhor do que nada.
Rapidamente ao me lembrar, peguei minha mochila e a abri, retirando de lá as duas garrafas de água, joguei uma para Fernando, ele pegou por reflexo e me encarou meio chocado, esqueci de avisar que ia jogar algo para ele, fiz isso para ver se a discussão idiota acabava, e realmente acabou.
– Vamos tentar enchê-las de água, mesmo que um pouco é melhor do que nada.
Sem pestanejar ele já abriu e a ergueu em direção aos céus. Pelo fato da abertura da garrafa ser pequena era difícil recolher água, sem contar que a chuva foi rápida e quando terminou enchemos apenas um quarto de cada garrafa, e então, prosseguidos com a viagem, não antes de Fernando resmungar frustrado algo como:
– Eu queria mais chuva...
Nós corríamos, corríamos e corríamos... Aumentávamos cada vez mais nossa velocidade, tirando o período curto da tempestade, não paramos para descansar ou comer, apenas corríamos pela floresta fechada, algumas vezes as raízes altas, cipós e outros empecilhos em nosso caminho atrapalhavam, mais depois de um tempo até começamos a nos acostumar, ou aprendemos a desviar.
Eu sei que o terceiro dia foi terminando, podia ver o por do sol entre as colinas, que ontem, pareciam menores do que hoje. Iria escurecer e estávamos cansados.
– Fernando – Lucas o chamou enquanto ainda o carregava, ainda me surpreendo como ele parecia menos cansado que eu. – Eles estão ainda muito longe?
– A nossa distância sobre eles diminuiu, mas ainda temos muito caminho para fazer, acredito que se mantivermos o mesmo andamento que hoje, talvez os encontraremos no final do dia com o grupo esperando um pouco antes que o amanhecer.
– O que vocês acham certo de fazer? – Ele perguntou ao time – Continuarmos a correr pela noite, parar um pouco e descansar sem arrumar um lugar seguro ou arrumarmos um agora, descansar mais e encontrar mais tarde com o time?
Lucas ficou quieto e pensativo. Eu olhei para Tom, esperando que ele desse a sua opinião sobre algo, mas ele não deu; realmente parecia que não ia se meter na resolução dessa prova; suspirei frustrada, uma pequena dica em suas palavras seria o suficiente para saber qual era o caminho certo a seguir.
– Se realmente vamos nos encontrar amanha com o time caçado precisamos estar em boas condições... – Apesar de saber que Tom nunca deixaria me meter nas lutas, Fernando não estava em boas condições de lutar, sobrando apenas para Lucas e Tom, com o Tom não me importo muito, sei que ele consegue se virar e muito bem sozinho; mas Lucas estará cansado por carregar Fernando, mesmo não querendo admitir.
– Mas também precisamos pensar que se descansarmos e, talvez achá-los amanha, já terá se passado quatro dias; demoramos três dias para a ida e demoraremos três dias para a volta, apesar de ser ainda mais complicado por termos que carregar um time por três dias, onde levaremos mais tempo. Assim nossos sete dias acabam, e se algo der errado não dará tempo para repará-lo, o prazo tornou-se pequeno agora.
Entendia as palavras de Lucas, poderíamos correr mais e tentar encontrar o time caçado o mais rápido possível para que finalmente cumpríssemos a missão. Mas eles, principalmente Lucas, precisavam descansar.
– Olha Lucas, acho que a Clarice está certa. – Argumentou Fernando nas costas de Lucas – Não adianta nada achá-los sem conseguir capturá-los.
Lucas suspirou vencido, e então ordenou para que mais uma vez Fernando achasse um lugar seguro, e mais uma vez Fernando achou, ele realmente era bom nisso, acho que até o Tom se surpreendia.
Era novamente uma gruta, Fernando avisou que aquele local não era tão seguro quanto o do primeiro dia da missão, pelo fácil acesso.
Por um lado eu agradecia, escalar aquela colina daquela vez me traumatizou, odiei, era difícil de mais, precisava de muita força e ainda me machuquei. Percebi que o meu lugar era sempre ficar no chão, no solo.
Lucas colocou o Fernando no chão e se sentou ao lado dele suado e ofegante, ele estava cansado. Parecia que ambos discutiam algo sobre Fernando poder correr amanha, mais Lucas parecia debater.
Abri a minha mochila e agradeci pelo céu ainda não estar muito escuro, separei igualmente a comida entre todos, era pouca, algumas frutas apenas, e sabia que ninguém ia aguentar fazer tanto esforço físico comendo apenas aquilo por dia; tínhamos um quarto de água em cada garrafa, deixei uma para Tom e outra com os meninos para dividirem. Depois de comermos em silêncio, ou quase, pois sempre em algum momento Fernando e Lucas começavam a conversar ou discutir – Não sei bem ainda diferenciar isto – sobre algum assunto que surgia do nada e que parecia que apenas eles entendiam. Não sei explicar muito bem desde quanto, mas parecia que Lucas e Fernando estavam começando a se darem bem, e apesar de saber que ambos negariam até a morte, sabia que estavam começando a criar uma amizade, sorri involuntariamente enquanto os encarava.
Tom chamou minha atenção devolvendo-me a pouca quantidade de água da nossa divisão, ergui-me e fui em direção de Fernando, Tom murmurou algo para que eu parasse e bebesse aquela água; mais ignorei. Ele parecia saber o que eu ia fazer, novamente. Talvez realmente soubesse.
Sentei na frente de Fernando mais uma vez e Lucas e ele pararam de discutirem. Já sabendo o que eu ia fazer, Fernando apenas esperou eu colocar minha mão em sua cabeça e analisar se continuava com febre, ele não estava.
– Eu já disse que estou me sentindo bem melhor! Pelos poderes do Mestre*! Por que nenhuns de vocês acreditam em mim? – Acho que ele já havia discutido isso com o Lucas.
Comecei a tirar a faixa da perna dele, aquela não estava suja de sangue, como imaginei hoje cedo o sangue havia estancado. Surpreendi-me ao ver a ferida, o corte estava superficial e nada profundo como antes, o pus estava em menos quantidade e o ferimento estava no início de se fechar, a pele que hoje cedo estava inchada e avermelhada não estava mais assim. A infecção não existia. Como aquilo era possível?
– Eu disse que estava melhor, quase não está doendo. – Repetiu Fernando.
Eu e Lucas trocamos olhares surpresos.
– Se continuar assim até de manha, talvez, sua perna esteja quase curada.
– Isso quer dizer que eu não preciso mais ser carregado! – Exclamou sorridente e poderia jurar haver um brilho diferente em seus olhos arroxeados, seria felicidade?
– Talvez...
– Oba! – Exclamou novamente muito feliz erguendo os braços, naquele momento realmente Fernando me lembrou uma criança, no fundo, talvez ainda fosse uma.
– Bebê... – Lucas precisava resmungar e estragar todo aquele momento, pois logo aí, começou uma nova discussão banal entre os dois.
Pelo menos aquela viagem estava começando a ficar mais... Divertida. Sim, acho que é esse o termo, estávamos começando a ficarmos unidos. Devo ter feito um enorme sorriso por perceber isso.
Lavei o ferimento do Fernando com a minha água, como eu já havia bebido naquele dia na chuva, achei eu não fosse tão necessário ingerir, sem contar é claro, que precisávamos lavar seu ferimento para que a infecção não voltasse.
– Por que você faz isso? – Fernando me perguntou encarando-me profundamente com aqueles olhos arroxeados, fiquei sem jeito por ser analisada tão minuciosamente, devo ter corado.
– Eu já lhe respondi isto ontem. – Respondi apenas murmurando e encarando rapidamente seus olhos, jamais conseguiria manter as trocas de olhar, poderia jurar sentir meu rosto quente.
Terminei de enfaixar a sua perna com o tecido anterior, aquele estava mais limpo comparado a qualquer outra peça que usava. Ah! Como eu queria um banho, roupas limpas e perfume, poderia jurar que novamente voltava a feder.
– Clarice! – Encarei Fernando que me chamava ele se erguia na minha frente com um pouco de dificuldade, antes que eu dissesse algo ele me interrompeu – Vamos! Fique de pé, está na hora de você aprender uma coisa.
Atordoada eu me levantei, Lucas parecia tão confuso quanto eu, olhei para Tom, que estava pronto a se intrometer em qualquer momento, Fernando também o encarou, engoliu seco, acho que agora ele o temia e respeitava depois do soco que levou. Então disse para Tom:
– Relaxe, não irei machucá-la.
Será que ele havia percebido o que eu e Tom éramos?
– Então Clarice separe mais as pernas, você é destra, não é? Coloque a sua perna direita um pouco mais para trás.
Apesar de obedecer às ordens que ele me dava, não entendia o que ele queria fazer.
– O que você está planejando?
– Te ensinando a dar um soco decente. Não se me mexe.
– O quê...? – Ele se aproximou e me analisou.
– Te ensinando a dar um soco – Repetiu como se eu não tivesse entendido, eu entendi, eu só não entendi. Entende? – Agora flexione os joelhos um pouco mais... – E se posicionou na minha frente. – E me soque no braço, você sabe mirar? Não é bom ter mais um machucado na boca – Disse assim simplesmente, com aquele maldito sorrisinho realçado pela sua cor de pele. Desgraçado... Como ele pode ficar tão... Tão...
– Hei, já chega! Você não vai ensiná-la a lutar. – O tom de voz extremamente sério de Tom assustou a nós dois.
Lucas se ergueu e se aproximou de Tom, tentando ser o mais amigável possível, percebi que Lucas era um político natural, apesar de perceber que ele também temia Tom, eu entendia, ninguém o conhecia muito bem, e ele sempre se mostrava muito distante, realmente não queria se intrometer. Mas eles estavam certos em temê-lo, como também estavam errados por julgá-lo tão cedo, quando se conhece realmente Tom, sabe-se que ele é a pessoa mais bondosa e confiável que já conheci. Sim, ele é amigável, apenas quanto quer, é claro.
– Ah! Vamos concordar que nem sempre poderá salvá-la. – Disse Fernando sério, e recebeu tanto uns olhares mortais de Tom, que de maneira nenhuma queria que eu aprendesse a lutar, quanto Lucas por saber que era errado Fernando falar com aquele tom de voz com Tom, e sabia que pensava se Fernando tinha que levar mais socos para saber até onde poderia se intrometer nos assuntos relacionados a mim em relação a Tom. Seu atrevimento tinha que ter limites.
Mesmo Lucas segurando Tom, ele avançou em Fernando, que o encarava sério e sabia que Tom iria atacá-lo e marcá-lo com mais um machucado, talvez do outro lado da boca, para que assim pelo menos, os lábios inchados ficassem proporcionais.
– Não faça isso Tom! – Odeio ordená-lo, mas Fernando desta vez não havia me insultado e só queria me ajudar. Sem contar que eu realmente queria aprender, não fui para lá tentar mudar? Estava na hora de ir a busca das mudanças.
Tom parou imediatamente, mais seu olhar de profundo ódio ainda era emanado para Fernando. Obviamente os garotos acharam muito estranho o comportamento de Tom por me ouvir, mas em silêncio permaneceram, sem questionarem por nada.
– Por favor, Tom – Tentei ser mais gentil e chamar a atenção dele para mim, não gostava de tratá-lo com ignorância. – Eles estão certos, e eu não quero me sentir uma escoria. Você mesmo me disse hoje, não é? Eu preciso merecer o que quero. – Ele me analisou seriamente, não parecia bravo comigo, mais poderia perceber muito bem que estava contrariado.
– Se você realmente quer... – E voltou-se para Fernando ainda tentando ser segurado por Lucas – Mas se você fazer um misero arranhãozinho nela, sofrerá as consequências. – Então simplesmente se afastou, enquanto os garotos estavam atordoados de mais.
– Pode deixar, não vou fazer nada para ela. Afinal, estou te devendo uma Clarice, e não gosto de dever para os outros.
Tom se afastou e voltou a se sentar a onde estava antes, Lucas também foi para o lugar que ele estava antes sentado, do sentindo contrário que Tom.
– Você também está me devendo uma – Disse Lucas em um tom zombeteiro e poderia jurar que Fernando o respondeu com palavrões.
Depois ele voltou a sua atenção para mim, ficando de lado e com os braços flexionados.
– O que você viu nele? – Ele me perguntou assim, de repente.
–Mas do que você está falando...?
–Nada não, esquece. – E imediatamente mudou de assunto – Não é todo mundo que eu deixo bater em mim não, mimadinha.
– Acho então que vou entender isso como um elogio.
– Vai demorar muito? Vamos! É apenas um soco. – Disse apressado e com um tom de voz zombeteiro.
– E se eu te machucar?
– Relaxa Clarice, o mundo não é os contos de fadas que você imagina.
– Você não sabe o que eu imagino?
– Mimadinha, por favor, comece, ainda precisamos dormir.
Mesmo insegura, eu fechei o meu punho e o soquei; “fraco de mais”, pude perceber apenas no olhar de Fernando.
Lucas foi deitar falando a ordem de quem ficaria de vigia: Fernando, Eu, Tom e ele. E logo foi dormir, Fernando tinha que ficar acordado mesmo, então, o treino proseguiu mais tempo do que imaginamos. Ele ainda me orientou para que eu fosse dormir o pouco tempo que tinha, porque amanha seria um dia cheio, mas eu estava empolgada, aprendi que gostava de bater no Fernando. Tom logicamente analisou o nosso treino em vez de ir dormir. O que posso dizer? Isso é bem do Tom, jamais me deixaria sozinha.
Eu fiquei socando Fernando o período inteiro de vigilância dele, ele ainda me deu algumas dicas sobre mexer os pés e trocar de mãos, apesar de eu ser destra e quase sempre os socos de direitas serem um pouco mais fortes. Admito que comecei a sentir os meus punhos doerem, estavam avermelhados. Nada comparado ao dos meninos quando lutavam, mas aquilo machucava.
– Acho que já chega por hoje, meu braço ficou dormente – Fiquei até que contente por ouvir isso, apesar de pelo menos ter dado uns 100 socos, só agora começou a ficar nesse estado, sabia que jamais seria como Tom que com apenas um soco ele acabou com o Fernando e com qualquer outro inimigo dele. – Se der tempo te ensino mais alguma coisa amanha à noite, certo?
– Certo. – Ele se afastou já pronto para dormir, ele deveria estar bem cansado, mas admito que agora estava muito acordada, seria bom para a minha vigilância que ia começar – Obrigada Fernando.
– Já disse, não é? – E deitou-se no chão de barriga para cima e com o braço que eu não bati atrás da cabeça – Estou apenas pagando a minha divida.
– Sim...
Dirigi-me até o Tom e me sentei ao lado dele, ele permanecia com o olhar sério e parecia um pouco bravo comigo, eu sei que não era pelo modo que eu havia falado com ele, quantas vezes ele não dizia para mim que eu não deveria lhe tratar como uma pessoa normal e sim como ele realmente deveria ser tratado? Mas eu nunca poderia tratá-lo sem gentileza, demorou um pouco para ele entender isso. O motivo dele estará bravo era sobre outra coisa, eu sabia, assim como também sabia que quando Fernando e Lucas realmente estivessem dormindo uma longa conversa começaria entre nós dois.
O que posso dizer... Assim que ia se começar o quarto dia da missão...
Continua.
Notas finais
oiii, então espero que tenham gostado do capitulo,ele foi bem simples, mas achei fofo por ser da Clarice.
Príximo capítulo será Narrado pelo misterioso Tom.
Bem, primeiramente quero me desculpar pelas demoras de atualizações, quem me conhece sabe que sempre posto com mais frequencia, mas final de ano é terrivel. Enfim, afiso que em fevereiro tentarei sempre atalizar a fic, pelo menos duas ou três vezes por semana, aproveitar o tempo livre, pois quando começar as aulas irá ficar como agora.
Bem, algo também que eu gostaria de dizer que eu mudei a capa e a sinopse, espero que gostem.
OBRIGADA POR TODOS OS COMENTARIOS E ESPERANDO POR MAIS. Merceço recomendações?
bjs nessa
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