Praedestinatum Em Busca Do Sonho.
11 Apenas eu vou matar o Líder do grupo rebelde_Lucas
Notas iniciais
Capítulo 10: Eu, apenas eu, irei matar o Líder do grupo rebelde_ Lucas.
Logo depois de darem as orientações da terceira fase da prova, Fernando desapareceu. Percebi que ele estava muito distraído durante a palestra.
E como não estar? Apesar de saber que Clarice pertencia aos Elementorum Origo, ele não. Mas descobrir que ela é da família fundamental, filha do Líder da Terra, realmente é um choque, para nós dois. Sem contar o fato dela ter sido desclassificada e estar conversando particularmente – Junto de Tom – com o Líder Elementar.
Bem, então depois das orientações, que pareciam que ele prestava atenção menos do que eu, Fernando simplesmente desapareceu.
Vaguei pensativo e assim desorientado pela enorme mansão.
Afinal, muitos até sabiam o que seria cobrado para si, apesar de não saber a maneira que isto seria explorado, eles sabiam qual era o seu maior medo. Mas e eu? Qual era o meu?
Não pense que eu não tenho nenhum medo, muito pelo contrário, eu tenho, e vários. A questão é que eu não sei definir qual é o meu maior medo.
Suspirei frustrado, continuei caminho sem saber para onde meus pés me levavam.
Sem saber como ou de onde Thiago vinha, ele parou na minha frente. Sempre com aquela presença altiva de mais e informou:
– Lucas, o Líder da Terra quer falar com você.
Poderia dizer que estava surpreso pelo chamado, mas não estava.
Suspirei contrariado e Thiago me lançou um olhar de repreensão que eu ignorei. Ele me guiou até um corredor longo e estreito, entramos em uma ampla sala, uma que eu nunca tinha visto antes, parecia mais um escritório, nela havia uma enorme mesa de pedra e suas paredes eram tampadas pelos enormes armários contendo inúmeros livros de diversos tamanhos, grossuras, texturas e cores.
Marco Tierra, Líder da Terra do Patrium in Terra, estava sentado em uma confortável poltrona escura. Logo que eu entrei, ele me encarava, com um semblante que não conseguia definir, apenas que ele me analisava silenciosamente com seus pequenos olhos claros.
O Líder da Terra não precisou pedir para que Thiago se retirasse, pois o mesmo se curvou e saiu da sala, deixando-nos sozinhos; e eu, extremamente desconfortável.
– É surpreendente como você lembra seu pai – As sutis poucas palavras em sussurros me surpreenderam.
Quando eu era pequeno era acostumado a ouvir isto, mais jamais nos últimos anos. Isto foi nostálgico.
– Achei que avisaria a mim e a Adélio quando decidisse entrar no exercitus. – O Líder da Terra continuou.
– De qualquer modo você e o Líder da Água descobririam que eu havia me inscrito, não era necessário avisar – Me restringi a responder.
O Líder da Terra continuava a me analisar.
– Como foram seus anos depois de...? Bem, você sabe. – Percebi um leve desconforto do Líder por me perguntar isto, eu também fiquei, coloquei as mãos dentro do bolso e olhei para o chão.
– Sabe a resposta, então por que pergunta?– Talvez meu tom aborrecido e levemente alto de mais, não tenha agradado ao onipotente Líder.
– Pelo visto sua educação não puxou de seu pai. – Marco disse em um tom ainda mais alto que o meu, aborrecido também. Mas ele suspirou e resmungou algo como “nova geração muito audaciosa”.
Levantou-se e andou até mim, parando em minha frente e encarando meus olhos, assim como eu fazia com ele.
– Sabe do perigo que esta se colocando ao vir para cá, certo? Você é o último de sua terra e etnia. Pessoas comuns apesar de saberem a história, não sabem caracterizá-lo como um habitante de Patrium Ventosa, mas aqueles povos perto de sua terra ou aliados dos Somnium Vastator sabem. Se o líder do grupo rebelde descobrir que houve apenas um sobrevivente ao massacre de dois anos atrás, ele irá caçá-lo até a morte, principalmente se ele descobrir que você é um Elementorum Origo.
– Eu não me importo.
– Não mesmo?
– Não, ele pode tentar fazer o que quiser, ele já tirou tudo de mim, não tenho mais nada a perder. Será eu que irei caçá-lo e só irei descansar quando tiver o sangue dele em minhas mãos.
Aquele era o meu único objetivo, eu ia destruir toda a Somnium Vastator, um por um, causando tanta dor em cada integrante assim como fizeram em cada pessoa de minha família e povo de meu país. Até que finalmente, com minhas próprias mãos, mataria sem hesitar o Líder do grupo rebelde, vingando-me de todos que eu perdi.
– Então você esta vivendo apenas por vingança?
– Sim. – Afirmei encarando-o tão firmemente como ele fazia comigo.
O Líder da Terra deu um longo suspiro, e para a minha surpresa, colocou uma de suas mãos em meu ombro.
– Vingança é uma adaga de dois gumes, seu pai não gostaria que tomasse esse rumo em sua vida.
– Meu pai está morto. – Em um movimento brusco fiz com que ele tirasse uma de suas mãos de meu ombro.
– Quero apenas te ajudar.
– Quando precisamos de sua ajuda e a do Líder da Água, não nos ajudaram. Por que agora irei confiar em você?
O Líder da Terra parecia levemente surpreso e ofendido por minhas palavras, mas logo depois ele me encarou sério.
– Não faço isso por você, moleque. Faço pelo seu pai, eu devo isto a ele. Eu sinto muito pelo que aconteceu há dois anos atrás, se eu e Adélio soubéssemos o que aconteceria, jamais negaríamos ajuda a Patrium Ventosa... – Eu o interrompi.
– Mas negaram, e agora tudo que eu amei está morto. Então não me venha com desculpa ou piedade. Eu não preciso disto. A única coisa que realmente importa é destruir o grupo Somnium Vastator, e eu, apenas eu, irei matar o Líder do grupo rebelde.
Eu não ia perder mais do meu tempo ali. Sem pedir permissão, me afastei e abri a porta, logo ouvi:
– Eu entendo sua vingança, o Líder da Somnium Vastator também tirou muita coisa de mim; perdi um pai e dois irmãos, sei que não é nada comparado com o que você perdeu, mas já é muito. Eu vi o Líder do grupo se perder para a escuridão, pouco a pouco. E eu não pude fazer nada. Mas aviso, garoto, cuidado com o rumo que tomara, porque se não, irá se tornar igual ao que mais odeia.
Não o respondi mais ainda pude ouvir:
– Talvez, não seja tão parecido com seu pai...
E aquelas palavras me abalarão muito mais do que quando ele disse que eu era parecido. Será que eu havia mudado tanto assim em dois anos?
– Se queres destruir o Líder da Somnium Vastator, primeiramente precisa descobrir o passado dele. – Aquelas foram às últimas palavras que ouvi do Líder da Terra ao fechar a porta e partir.
Naquele momento, não entendia muito bem o que ele queria dizer com aquilo, mas acredito que logo saberei.
[ Pov Fernando]
Encarei os olhos verdes extremamente claros, Clarice estava sentada ao meu lado, detraída observando a paisagem ainda daquela varanda, enquanto Tom havia saído para se informar quando o almoço sairia. Admito que eu também estava com fome. Aproveitando o momento em que eu e Clarice estávamos sozinhos, perguntei extremamente sem jeito. Mas se havia alguém que eu realmente confiasse, era nela. Não me pergunte como ou porque, apenas confio.
– Clarice – Chamei inseguro, tinha certeza que ela ia rir da minha cara com o que eu ia dizer.
– Alguma coisa errada, Fernando? – Ela se aproximou, do seu jeito meigo de ser, encarando-me preocupada.
Ah, sim! Havia algo muito errado. E que apenas com ela seria capaz de pedir.
Eu sempre cresci na rua, me virando do jeito que dá. Fiz algumas coisas que não me orgulho, mas precisava fazer para sobreviver.
Sempre me virei sozinho. Diferente de Clarice, não tinha uma família perto de mim para me auxiliar ou proteger. Eu sempre fiz tudo para mim mesmo.
Mas Clarice, mesmo não me conhecendo, se preocupou e cuidou na prova passada, então ela conquistou de uma maneira que jamais alguém tenha conquistado a minha confiança.
Com Lucas e principalmente o Tom, ainda não os conheço muito bem. O Tom principalmente, o Lucas eu sei que com algumas coisas talvez eu possa contar com ele. Mas para mim aquele loirinho ainda é muito misterioso. Já Clarice, bem, é a Clarice, entende? Acho que ela nunca mentiu pra ninguém e nem saberia fazer isto.
– Fernando! Dá pra falar logo!?
– Então, tipo assim, eu preciso de um favor.
“Favor”, jamais, nunca mesmo, eu havia pedido algo pra alguém.
– Pode dizer. Lembra-se, “eu sou o mascote do time, a irmãzinha que sempre precisa ser salva” – Ela falou tentando me imitar, mas que saiu uma bela de uma catástrofe, principalmente com aquele jeitinho implicitamente meigo ou o tom de voz ainda agudo de mais, fora à imitação que... Pelo Mestre*! Péssima. Clarice era uma terrível atriz.
É obvio que eu não consegui parar de rir com aquela encenação horrenda!
– Fernando! Não ria, eu estou falando sério. Vai me dizer ou não do que você precisa da minha ajuda? Se eu sou sua “irmãzinha”, você é meu “irmão”, e irmãos cuidam um do outro.
Enruguei minhas sobrancelhas, não tinha pensando nisto. Mas bem, voltando ao assunto mesmo, coloquei as mãos dentro do bolso estando desconfortável, olhei também para a paisagem da varanda, admito que aquela área de treinamento era bonita.
– Fernando – Ela enfatizou me chamando –Eu tenho paciência, mas você está realmente tentando acabar com ela. Vamos, diga! Agora estou curiosa.
Clarice sem paciência? Acho que nunca poderei imaginar a cena sem presenciar, é simplesmente impossível imaginar. Mas sabia que não tinha muito tempo, afinal, logo Tom voltaria e eu não queria que ele ficasse sabendo do meu pedido.
– Mas você não pode contar pra ninguém, muito menos pra o Lucas e o Tom.
– Sério?
– Sério.
– Mas me conta, você realmente está me deixando curiosa! – Exclamou empolgada.
– Você não pode rir.
– Ah! Fernando! Conta vai!
– Tá bem, criança, calma aí. Ficará só entre nós dois.
– Fernando! – Ela me encarou impaciente, de uma certa maneira, era engraçado.
– Ta, olha, eu preciso que você me ajude a... – Hesitei, afinal, como poderia dizer isto? Ela vai me achar o cara mais sem noção, mais burro, mais burro e mais burro que ela já conheceu! Certeza.
– Fernando... – Ela me chamou novamente, mas dessa vez do jeito meigo que só ela sabia fazer, se aproximou de mim e colocou uma de suas pequenas mãos no meu rosto, fazendo uma singela caricia, que ninguém jamais havia feito pra mim, não sem segundas intenções. Mas não Clarice, não me encarando daquele jeito que nem sei explicar, mas que somente ela sabia fazer. Encarando-me com aqueles olhos tão claros que do mesmo jeito eu conseguia ver que não existia malícia ou maldade. Como poderia existir uma pessoa como ela? – Confie em mim, seu segredo estará guardado comigo. – Suas palavras sussurrantes eram tão sinceras que absolutamente ninguém conseguiria desconfiar dela. Clarice era assim, de uma maneira tão inesperada e impossível de explicar, ela conquistava a confiança de qualquer um, como também confiava.
– Eu preciso que você me ensine a ler e escrever. – Desabafei também sussurrando, mas com confiança em minhas palavras. Porque eu sabia que Clarice guardaria e me ajudaria, e que ela, uma garota estudada, poderia me ajudar.
Ela fez um singelo sorriso e fez um pequeno aceso positivo com a cabeça, reagindo como se aquele pedido fosse tão simples como qualquer outro. E não como um dos meus terríveis segredos.
Eu queria me tornar um interfectorem, assim como Clarice, nós queríamos mudar nosso modos de vida. Se eu me tornasse um, o exercitus sempre ofereceria qualquer auxilio que eu precisasse. Nunca mais moraria nas ruas sem destino ou objetivo, eu ia executar aquilo que me mandassem. Não ligava para minhas missões ou as pessoas que possivelmente eu teria que matar, apenas, desta vez, havia objetivos que eu teria que cumprir. Mas uma hora ou outra eu teria que saber ler ou escrever, e se não soubesse, isso poderia me prejudicar e muito em uma missão. Era algo, que como um morador de rua, eu não precisava, mas como um interfectorem, sim.
Sabia que se tivesse uma prova escrita, eu reprovaria sem pensar duas vezes.
– Certo. Te ajudarei – Finalmente Clarice disse, em um olhar tão sério quanto eu mantinha o meu – Não vai ser fácil te ensinar sem que Tom descubra, mas daremos nosso jeito.
– Obrigada Clarice.
– Não precisa me agradecer, eu já te disse uma vez, não é? Uma família cuida um do outro. – Eu sabia que ela estava certa, mais uma vez. – Fernando, este é o seu maior medo? – Ela me perguntou assim de repente, fiquei confuso, não entendia porque ela me perguntava isto.
– Por que?
– Porque se for este, você estará bem encrencado com a terceira prova. Leitura e escrita é um trabalho longo, que apenas com muito tempo você conseguirá aprimorar.
– Ele é um grande segredo, mas não é o meu grande medo.
– E qual seria?
Encarei a bela paisagem da varanda, a vegetação do campo e da floresta era muito bonita, principalmente com aquele relevo irregular.
– Desculpe, mas isso eu não vou te dizer.
Ela suspirou frustrada, mas se juntou a mim encarando aquela paisagem.
– Imaginei... – Ela murmurou em resposta.
[Pov Tom]
Descobri que o almoço não demoraria para sair, estava com fome. Ia a direção daquela varanda onde deixei Fernando com Clarice. Normalmente eu jamais a deixaria sozinha, mas sabia que estava em segurança com Fernando. O meu sexto sentindo dizia isso. Eu sempre confiava nele se Clarice estivesse envolvida. De alguma maneira inexplicável, eu sabia que Fernando protegeria tão bem Clarice quanto eu.
Até finalmente eu avistei o loirinho em um longo e largo corredor, ao me aproximar percebi que ele estava aborrecido.
– Lucas, você desapareceu.
Percebendo apenas agora a minha presença, ele respondeu:
– Ah! Tava resolvendo uns negócios – Algo me avisa que era sério – Ei, onde está a Clarice? – Perguntou olhando ao redor, mas sabia que tal pergunta também tinha a intenção de não continuar com o assunto anterior, permiti que isso acontecesse. Afinal, assuntos particulares de Lucas não me interessam.
– Ela está com o Fernando. – Respondi com tranquilidade, mas ele, surpreso, arqueou as sobrancelhas e parecia se indagar de algo.
– Ela vai ficar?
Expliquei para ele sobre e fomos em direção da varanda. Onde encontramos Fernando e Clarice observando a paisagem, encostados no parapeito da varanda. Percebendo a nossa aproximação, logo Fernando perguntou:
– Fala pra mim que o almoço já está pronto?
Como sempre o Fernando era um esfomeado. Quando contei que logo sairia ele pareceu uma criança emburrada, como se tivessem roubado seu doce.
Mas o clima de descontração não durou muito. Thiago surgiu diante de nós e parecia até um pouco surpreso por ver que nós quatro continuavamos juntos. Nenhum time da prova anterior continuava unido.
– Lucas, me siga.
O loirinho parecia bem desanimado com o chamado, mas antes que retrucasse alguma coisa, o Messor explicou:
– Sua prova irá começar, siga-me.
Imediatamente o clima ficou tenso e Lucas mudou de postura, tudo que ouvi mais tarde foi Clarice desejando boa sorte ao loirinho. A única coisa que sabíamos daquela prova, era que ela seria individual, sem tempo de duração previsto, local ou modo de ser avaliado.
Logo Thiago e Lucas sumiram do nosso campo de visão.
Continua...
Notas finais
Bem, como podem ter percebido usei este capitulo sendo narrado por tres pessoas, lucas, Fernando e Tom. Achei que assim ficaria melhor e desenvolveria a fic mais rapidamente tbm, por isto, quando a narração muda tem um maior espaço entre os paragrafos, sei que primeiramente deve ter ficado um pouco confuso, mas em uma escrita profissional n se avis a troca de narrador [ muitas vezes indicado com "Pov de Fulano"] enbtão opitei para isto,
esse caítulo ficou pequeno, mas achei melhor deste jeito. O proximo estara cheio de surpresas, pois pretendo mostrar o maior medo de Lucas, Fernando e Tom no mesmo capitulo, e assim definimos melhor a caracteristicas de cada personagem.
Esperam que tenham curtido e desculpe a demora, mas realmente to muito sem tempo.
esperando reviwes e se possiveis recomendações. Daqueles tamanho enooormes que eu tanto gosto!
bjs nessa
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