Regina chegou correndo a casa das tias naquela noite, a morena não queria e não podia acreditar e aceitar que Daniel havia morrido.

– Foi a maldição, não foi?! – Regina gritava dentro de casa em busca de suas tias – Ele morreu porque eu o amava demais?!

— Minha pobre garotinha – a voz de Morgana pode ser ouvida e Regina, rapidamente, se virou para a porta da pequena estufa.

A mais nova deu alguns passos para perto da mesa que tinha na cozinha, Morgana estava parada na porta da estufa e Viviane logo apareceu parando perto da escada e de onde estava, Regina conseguia ver as duas.

–Nós não tínhamos ideia – Morgana se pronunciou novamente – quando fizemos o feitiço – ela e Viviane se entreolharam e em seguida olharam para a sobrinha com pesar.

— Feitiço? – os olhos da morena já estavam mais vermelhos que antes. Ela não chorava mais – Sobre o que está falando? – ela olhou suas tias e entendeu o que estava acontecendo – Vocês não fizeram isso — seu tom de voz estava num misto de incredulidade e revolta – Não fizeram. Não digam que a minha própria família...

— Foi apenas um empurrãozinho – Viviane a interrompeu – Você queria tanto ser feliz.

— Não esperávamos que fosse ama-lo de verdade – completou Morgana

— Mas eu amava – Regina voltou a chorar e sua voz saiu embargada – e eu quero ele de volta.

A mais nova foi andando até a porta fechada que estava a sua frente, adentrou ao cômodo escuro, procurou por um livro grosso, com a aparência antiga e o levou até a mesa da cozinha.

– Vocês o trouxeram para minha vida. Agora, tragam-no de volta. – disse de cabeça baixa folheando o livro – Eu nunca pedi nada. Nunca pedi um feitiço, mas eu peço agora. Tragam ele de volta, sei que podem traze-lo de volta!

—Não faremos isto – disseram as duas juntas num tom calmo.

— Mas podem fazer. Sei que podem, eu me lembro – a mais nova dizia desesperada enquanto ainda procurava algo no velho livro – Eu vi quando a mamãe e o papai morreram.

— Mesmo que o trouxéssemos de volta, não seria o Daniel. – Morgana dizia calmamente tentando trazer a sobrinha a razão. – Seria outra coisa. Seria algo sombrio e anormal.

— Não me importo como ele volte, desde que ele volte. – Regina estava realmente desesperada e suas tias sabiam/sentiam isso, mas precisavam que a morena voltasse a razão pois agir no calor da emoção desse jeito seria imprudente. – Façam isso por mm, por favor.

Regina caiu de joelhos implorando para as tias, mas elas não podiam fazer aquilo. A mais nova estava certa, elas poderiam fazer aquilo, mas mexer com a morte era algo extremamente perigoso. Reviver alguém era alguém com magia relacionado a magia negra e isso, sempre, vinha com consequências.

*~><~*

Uma semana depois da morte do seu marido, Regina resolveu voltar para a casa de suas tias com as filhas. A morena até tentou permanecer em sua casa, mas tudo ali lembrava Daniel e isso estava deixando-a pior do que já estava.

Regina parou em frente a casa, sentia como se tivesse voltando no tempo ao ver suas filhas entrando naquele terreno do mesmo jeito que ela e Zelena foram para lá. A casa continuava do mesmo jeito, paredes brancas, a cerca também banca e com alguns arbustos e flores presos a ela, algumas árvores que davam sombra a algumas partes do terreno. A morena suspirou ao relembrar e foi andando atrás das meninas. Na porta, suas tias esperavam por elas.

– Isso é apenas por uns tempos por isso tratem de não se acostumar – Regina falava para as filhas enquanto andavam – Nada de doces no café da manhã. O dever de casa será feito depois do jantar e quero cabelo e dentes escovados antes de irem para a cama – parou de falar quando chegou perto das tias e as olhou diretamente – e quanto a vocês duas... minhas filhas jamais farão feitiços. Nunca!

[...]

Regina passava os dias os dias praticamente reclusa em seu quarto. As meninas já haviam voltado a escola e, mesmo sem Daniel, tudo estava voltando a certa normalidade que tinham. Naquela manhã, Kylie, depois de se arrumar para ir à escola, resolveu ir acordar a mãe já que era Regina sempre as acordava.

– Mãe? – a ruivinha bateu na porta e a abriu devagar – Está na hora de irmos para a escola. – ela falou assim que chegou perto da cama – Mamãe – chamou novamente – É a mesmo hora de ontem, de anteontem e de antes de anteontem. Sai da cama sua dorminhoca – a mais nova dizia enquanto levantava um pouco a coberta para ver se sua mãe ainda dormia, mas Regina ainda se mantinha de olhos fechados – Mãe, eu preocupada com a Antonia. Sabia que ela coloca orelhas do Mickey e dirige pela cidade completamente bêbada... e nua. – aquela foi a ultima tática pra fazer a mãe levanta e Regina riu baixo, mas não levantou e Kylie decidiu deixa-la e voltar mais tarde – Está bem. Vejo você mais tarde.

Nessa hora Regina retirou a coberta, se levantou um pouco e quando a menina estava saindo puxou-a para cama junto com ela e, novamente, cobriu-se com a coberta.

– Vem cá – abraçou a menina – Desculpe, meu bem. Só estou muito cansada.

— Tudo bem, mãezinha – a menina sorriu e Regina deu um beijo em seu ombro.

O dia passou como todos os outros, Regina fazia as coisas no automático enquanto as meninas estavam na escola e depois que elas voltavam jantavam, faziam seus deveres e depois tinham um pouco de tempo livre até irem dormir.

Naquela noite, Regina estava, de novo, enfurnada em seu quarto pensando em sua vida. Seus olhos vermelhos evidenciavam o choro recente.

– Zelena

A morena chamou, aos sussurros, o nome da irmã que a tempos não via, mas que sentia falta todos os dias, principalmente depois da morte de seu marido.

Ao levantar sua mão, seus olhos pousaram naquela marca feita a tanto tempo, mas que sempre lembraria a promessa feita. E então seus dedos da mão direita passaram pela palma da esquerda e um suspiro profundo pode ser ouvido no silencio do quarto.

*~><~*

Zelena estava deitada, o cômodo estava sendo iluminado apenas por velas, com a mão direita levantada em frente ao seu rosto um pequeno corte cicatrizado pode ser observado.

– Regina

O nome de sua irmã ecoou em sua mente e foi externado por sua voz. Sentia uma pequena angustia tomar conta do seu coração e ao fechar os olhos pode escutar a voz de Regina chamando-a. E em um salto ela levantou da cama balançando seus cabelos.

– Eu estava pensando em você – a voz grossa de Robin se fez presente preenchendo o ambiente enquanto ele se virava de frente para Zelena com uma garrafa na mão

— Você sempre pensa em mim – ela acendeu o cigarro que tinha acabado de pegar e deu uma tragada enquanto Robin bebia o liquido da garrafa. A ruiva se aproximou dele na cama, o beijou e pegou a garrafa de suas mãos e quando ia se afastar ele se levantou e a puxou para perto a beijando novamente – querido, eu preciso ir ao banheiro – mordeu o próprio lábio inferior e se afastou, mas assim que virou as costas ele a agarrou.

— Que tal irmos juntos? – ele disse em seu ouvido colando seu peito nas costas da ruiva, porém sua voz saiu num tom possessivo e isso a assustou um pouco.

— Robin, qual é – Zelena se soltou dos braços de Locksley

— Eu falei brincando – ele disse rindo, mas Zelena viu um brilho diferente em seu olhar – Vai – disse, por fim, sorrindo para ela e voltando para a cama.

Zelena entrou no banheiro, fechou a porta e pegou em sua bolsa um vidrinho. O abriu e virou um pouco do conteúdo vermelho na palma de sua mão. Eram bolinhas vermelhas bem pequenas, talvez maiores que grãos. A ruiva pegou uma pequena quantidade e jogou dentro da garrafa que tinha colocado em cima da pia. Com o dedão tampou a boca da garrafa e começou a agitar fazendo a bolina se dissolver aquele liquido.

[...]

A noite já tina caído, a estrada estava pouco movimentada, no som do carro estava tocando A Case of You de Joni Mitchell. Zelena cantava e dirigia despreocupada.

Notas finais
Link da musica que a Zelena ouve no carro https://www.youtube.com/watch?v=6voJjexENok
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.