Practical Magic
5 Capitulo 5
Regina chegou correndo a casa das tias naquela noite, a morena não queria e não podia acreditar e aceitar que Daniel havia morrido.
– Foi a maldição, não foi?! – Regina gritava dentro de casa em busca de suas tias – Ele morreu porque eu o amava demais?!
— Minha pobre garotinha – a voz de Morgana pode ser ouvida e Regina, rapidamente, se virou para a porta da pequena estufa.
A mais nova deu alguns passos para perto da mesa que tinha na cozinha, Morgana estava parada na porta da estufa e Viviane logo apareceu parando perto da escada e de onde estava, Regina conseguia ver as duas.
–Nós não tínhamos ideia – Morgana se pronunciou novamente – quando fizemos o feitiço – ela e Viviane se entreolharam e em seguida olharam para a sobrinha com pesar.
— Feitiço? – os olhos da morena já estavam mais vermelhos que antes. Ela não chorava mais – Sobre o que está falando? – ela olhou suas tias e entendeu o que estava acontecendo – Vocês não fizeram isso — seu tom de voz estava num misto de incredulidade e revolta – Não fizeram. Não digam que a minha própria família...
— Foi apenas um empurrãozinho – Viviane a interrompeu – Você queria tanto ser feliz.
— Não esperávamos que fosse ama-lo de verdade – completou Morgana
— Mas eu amava – Regina voltou a chorar e sua voz saiu embargada – e eu quero ele de volta.
A mais nova foi andando até a porta fechada que estava a sua frente, adentrou ao cômodo escuro, procurou por um livro grosso, com a aparência antiga e o levou até a mesa da cozinha.
– Vocês o trouxeram para minha vida. Agora, tragam-no de volta. – disse de cabeça baixa folheando o livro – Eu nunca pedi nada. Nunca pedi um feitiço, mas eu peço agora. Tragam ele de volta, sei que podem traze-lo de volta!
—Não faremos isto – disseram as duas juntas num tom calmo.
— Mas podem fazer. Sei que podem, eu me lembro – a mais nova dizia desesperada enquanto ainda procurava algo no velho livro – Eu vi quando a mamãe e o papai morreram.
— Mesmo que o trouxéssemos de volta, não seria o Daniel. – Morgana dizia calmamente tentando trazer a sobrinha a razão. – Seria outra coisa. Seria algo sombrio e anormal.
— Não me importo como ele volte, desde que ele volte. – Regina estava realmente desesperada e suas tias sabiam/sentiam isso, mas precisavam que a morena voltasse a razão pois agir no calor da emoção desse jeito seria imprudente. – Façam isso por mm, por favor.
Regina caiu de joelhos implorando para as tias, mas elas não podiam fazer aquilo. A mais nova estava certa, elas poderiam fazer aquilo, mas mexer com a morte era algo extremamente perigoso. Reviver alguém era alguém com magia relacionado a magia negra e isso, sempre, vinha com consequências.
*~><~*
Uma semana depois da morte do seu marido, Regina resolveu voltar para a casa de suas tias com as filhas. A morena até tentou permanecer em sua casa, mas tudo ali lembrava Daniel e isso estava deixando-a pior do que já estava.
Regina parou em frente a casa, sentia como se tivesse voltando no tempo ao ver suas filhas entrando naquele terreno do mesmo jeito que ela e Zelena foram para lá. A casa continuava do mesmo jeito, paredes brancas, a cerca também banca e com alguns arbustos e flores presos a ela, algumas árvores que davam sombra a algumas partes do terreno. A morena suspirou ao relembrar e foi andando atrás das meninas. Na porta, suas tias esperavam por elas.
– Isso é apenas por uns tempos por isso tratem de não se acostumar – Regina falava para as filhas enquanto andavam – Nada de doces no café da manhã. O dever de casa será feito depois do jantar e quero cabelo e dentes escovados antes de irem para a cama – parou de falar quando chegou perto das tias e as olhou diretamente – e quanto a vocês duas... minhas filhas jamais farão feitiços. Nunca!
[...]
Regina passava os dias os dias praticamente reclusa em seu quarto. As meninas já haviam voltado a escola e, mesmo sem Daniel, tudo estava voltando a certa normalidade que tinham. Naquela manhã, Kylie, depois de se arrumar para ir à escola, resolveu ir acordar a mãe já que era Regina sempre as acordava.
– Mãe? – a ruivinha bateu na porta e a abriu devagar – Está na hora de irmos para a escola. – ela falou assim que chegou perto da cama – Mamãe – chamou novamente – É a mesmo hora de ontem, de anteontem e de antes de anteontem. Sai da cama sua dorminhoca – a mais nova dizia enquanto levantava um pouco a coberta para ver se sua mãe ainda dormia, mas Regina ainda se mantinha de olhos fechados – Mãe, eu tô preocupada com a Antonia. Sabia que ela coloca orelhas do Mickey e dirige pela cidade completamente bêbada... e nua. – aquela foi a ultima tática pra fazer a mãe levanta e Regina riu baixo, mas não levantou e Kylie decidiu deixa-la e voltar mais tarde – Está bem. Vejo você mais tarde.
Nessa hora Regina retirou a coberta, se levantou um pouco e quando a menina estava saindo puxou-a para cama junto com ela e, novamente, cobriu-se com a coberta.
– Vem cá – abraçou a menina – Desculpe, meu bem. Só estou muito cansada.
— Tudo bem, mãezinha – a menina sorriu e Regina deu um beijo em seu ombro.
O dia passou como todos os outros, Regina fazia as coisas no automático enquanto as meninas estavam na escola e depois que elas voltavam jantavam, faziam seus deveres e depois tinham um pouco de tempo livre até irem dormir.
Naquela noite, Regina estava, de novo, enfurnada em seu quarto pensando em sua vida. Seus olhos vermelhos evidenciavam o choro recente.
– Zelena
A morena chamou, aos sussurros, o nome da irmã que a tempos não via, mas que sentia falta todos os dias, principalmente depois da morte de seu marido.
Ao levantar sua mão, seus olhos pousaram naquela marca feita a tanto tempo, mas que sempre lembraria a promessa feita. E então seus dedos da mão direita passaram pela palma da esquerda e um suspiro profundo pode ser ouvido no silencio do quarto.
*~><~*
Zelena estava deitada, o cômodo estava sendo iluminado apenas por velas, com a mão direita levantada em frente ao seu rosto um pequeno corte cicatrizado pode ser observado.
– Regina
O nome de sua irmã ecoou em sua mente e foi externado por sua voz. Sentia uma pequena angustia tomar conta do seu coração e ao fechar os olhos pode escutar a voz de Regina chamando-a. E em um salto ela levantou da cama balançando seus cabelos.
– Eu estava pensando em você – a voz grossa de Robin se fez presente preenchendo o ambiente enquanto ele se virava de frente para Zelena com uma garrafa na mão
— Você sempre pensa em mim – ela acendeu o cigarro que tinha acabado de pegar e deu uma tragada enquanto Robin bebia o liquido da garrafa. A ruiva se aproximou dele na cama, o beijou e pegou a garrafa de suas mãos e quando ia se afastar ele se levantou e a puxou para perto a beijando novamente – querido, eu preciso ir ao banheiro – mordeu o próprio lábio inferior e se afastou, mas assim que virou as costas ele a agarrou.
— Que tal irmos juntos? – ele disse em seu ouvido colando seu peito nas costas da ruiva, porém sua voz saiu num tom possessivo e isso a assustou um pouco.
— Robin, qual é – Zelena se soltou dos braços de Locksley
— Eu falei brincando – ele disse rindo, mas Zelena viu um brilho diferente em seu olhar – Vai – disse, por fim, sorrindo para ela e voltando para a cama.
Zelena entrou no banheiro, fechou a porta e pegou em sua bolsa um vidrinho. O abriu e virou um pouco do conteúdo vermelho na palma de sua mão. Eram bolinhas vermelhas bem pequenas, talvez maiores que grãos. A ruiva pegou uma pequena quantidade e jogou dentro da garrafa que tinha colocado em cima da pia. Com o dedão tampou a boca da garrafa e começou a agitar fazendo a bolina se dissolver aquele liquido.
[...]
A noite já tina caído, a estrada estava pouco movimentada, no som do carro estava tocando A Case of You de Joni Mitchell. Zelena cantava e dirigia despreocupada.
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