Pra que mudar?

3 Capítulo 2: Afinal, qual é a dele?


Notas iniciais
Oii pessoal, Desculpem a demora, estou agarrada esses dias. Divirtam-se!

— Ficar encarando os outros de boca aberta é grosseria. – o garoto diz com desdém. Volto à realidade e paro de encarar seus lindos olhos.

— Ficar segurando uma estranha pela cintura assim também. – respondo sua provocação com outra. O garoto limita-se a me soltar e dar um passo para trás.

— Você é muito esquentadinha pra quem acabou de chegar aqui. – ele diz.

— E isso é da sua conta? – pergunta irônica, enquanto caminho em direção ao closet.

— Calma, eu vim em paz. Até livrei a Ana de perder um dente. Você tem um soco poderoso! Não briga como uma garota. – ele diz em tom de admiração. Viro-me e o encaro por um momento, um sorriso involuntário brota em meus lábios. Ele tem um sorriso contagiante, isso eu não posso negar.

— Quem é você afinal? Anjo da Guarda das vadias desse colégio? –pergunto irônica, caminhando em direção ao banheiro.

— Quase isso, sou monitor e irmão mais velho da Ana. – ele responde. Viro-me e olho para ele chocada. O gatinho tinha que ser irmão daquela insuportável? –penso irritada.

— Que pena. – digo sem querer. Ele me encara confuso. – Pena, ter crescido com uma irmã insuportável dessas. –complemento.

— Ana é mimada, mas não é má pessoa. – ele diz defendendo sua irmãzinha ridícula.

— Que bom pra ela. Agora que você já salvou o dia, já pode ir embora. –digo irônica, já entrando no banheiro. Ele segura meu braço com força. Viro-me e o encaro.

— Você não me disse seu nome. –ele diz como se eu devesse algo a ele.

— Nem você disse o seu. –respondo no mesmo tom que ele usou comigo.

— Desculpe, meu nome é Diego. – ele diz, soltando meu braço e estendendo sua mão.

— Eu sou Alexia. – respondo recusando seu aperto de mão. Entro no banheiro e bato a porta com força. Escuto Diego balbuciar algo do lado de fora, e sorrio.

Ligo o chuveiro e começo a tomar meu banho.

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Certo, o uniforme não era assim tão horrível. Camisa social branca, short-saia xadrez e casaco preto. Coloquei botas de cano alto para complementar e alguns acessórios.

Ouço meu celular tocando e me apresso em atender.

— Alô? – digo.

— Oi filha. – Minha mãe diz cumprimentando-me. É incrível o cinismo dela. Fingindo que não me traiu.

— O que você quer? – pergunto curta e grossa.

— Saber como chegou, se esta bem? – ela respondeu.

— Não finja interesse por mim. Você me mandou pra cá, agora me deixe em paz. – respondo curta e grossa e desligo em sua cara.

Saio em direção ao refeitório em busca do meu almoço, aproveito e levo minha mochila com os livros novos e meus horários de aula. Levo quase meia hora para encontrar meu armário no corredor. Assim que acho, ponho ali quase todos os livros e cadernos que estão comigo. Deixo em minha mochila apenas os necessários.

Agora já aliviada de tanto peso, entro no refeitório lotado. Percebo alguns rostos se virarem e me encararem. Os meninos comentam e riem baixinho, as garotas me olham em tom de deboche.

Limito-me a pegar uma bandeja e servir-me de comida. Não quero confusão com esse povo. Meu objetivo maior é atormentar a vida dos meus pais e de mais ninguém.

Procuro uma mesa vazia, encontro uma mais distante, próxima a uma das janelas e quase corro em sua direção. Depois de algum tempo sozinha, Roberta, minha colega de quarto normal senta-se junto a mim.

— Como está sendo seu primeiro dia? – Roberta me pergunta.

— Um saco. – respondo friamente.

— Fiquei sabendo que a Ana aprontou para seu lado hoje. – ela disse em tom de brincadeira. Olhei irritada para ela, mas seu sorriso zombeteiro me fez sorrir também.

— Ela deve ter problema de cabeça. O que eu fiz afinal? – perguntei.

— Toda vez que um aluno de uma turma tem uma falta injustificada, o professor passa um trabalho obrigatório extra. – Roberta explicou com tranquilidade.

— E isso é motivo para ser acordada com um banho de água fria? – pergunto irônica.

— Não, mas é motivo para começar com o pé direito nesse lugar. – Roberta respondeu no mesmo tom que eu.

— Já passou por isso? –pergunto curiosa.

— Sim, mas tive minha cara arrastada no barro de madrugada. Você foi mais sortuda. – ela responde com amargura.

Terminamos de almoçar e caminhamos juntas para aula de Francês. A sala de aula mais parecia um museu moderno. Era enorme e as fileiras com mesas iam subindo gradativamente até o alto. Na frente, ao centro, havia um pequeno palco destinado ao professor. Os lugares eram marcados, então tive a infelicidade de sentar na primeira fileira ao lado da Ana.

Todos jogavam conversa fora e eu limitei-me a ficar mexendo em meu celular. De repente uma mulher velha entrou marchando em direção à mesa do professor. Todos ficaram em silencio quase que imediatamente. Guardei meu celular no bolso e me sentei ereta.

— Bom dia Alunos. Espero que tenham feito a lição 8 do livro como solicitei na última aula. Quem é Alexia? – ela pergunta e posso sentir os olhares de todos sobre mim. Levanto a mão levemente e a mulher caminha em minha direção.

— Sou a professora Victoria, leciono francês. No seu antigo colégio você tinha esta disciplina? –ela pergunta encarando-me.

— Sim. –respondo direta.

— Você tem facilidade? Fala francês? – ela me questiona novamente.

— Sim. Minha mãe avó é francesa, morei com ela por quatro anos. – respondo optando pela sinceridade.

— Que ótimo. Faça até a lição oito para mim até o final do mês e vou avaliar da mesma forma que os seus colegas então. – ela ordena e volta para sua mãe.

Retiro o livro de francês da bolsa e começo a prestar atenção em sua fala. Ana me olha de soslaio com sua cara de nojo natural. Algo me incomoda, sinto um olhar em minha nuca. Viro meu rosto levemente para trás, e vejo Diego me encarando, quando percebe que o flagrei ele desvia seu olhar para a professora. Atrás dele, outro garoto também me encara, mas ao contrário de Diego, ele não desvia seu olhar. Cabelos castanhos lisos, olhos da mesma cor. Ele me lembra alguém, mas não sei quem.

—Gustavo, pode pronunciar essa frase em francês para a turma? – A professora pergunta ao garoto nos tirando do transe.

Gustavo continua a me encarar enquanto pronuncia a frase que a professora pediu. Assim que ele termina, o sinal toca e somos dispensados.

Notas finais
O que acharam?? Por favor comentem!! Vocês me inspiram! Beijos