Notas iniciais
Eu avisei a vocês leitores, meu pc tinha morrido e eu ia acabar demorando um pouco mais para postar um novo capítulo. Além disso esse fim de semana teve Enem, foi complicado. Novo capítulo, curto, é verdade, mas ainda assim eu gosto dele. Espero que gostem :3 Ah, não foi betado MIMIMI

Pra que decidir?

Capítulo sete – Outro lado.

Fic por L. Kathar

“—Não se preocupe, diretor. Tenho certeza de que todos nós seremos ótimos amigos…” – E sorriu.

Saülo era um rapaz de pele mais branca do que uma folha de papel. Além disso, seus cabelos esverdeados e rebeldes e seus olhos cor-de-rosa causavam um impacto nas pessoas, de tal forma que ele mantinha todos os olhares sobre si.

Aqueles seres da raça independente, a de Caos ou a de Saülo, tinham uma espécie de lábia natural, algo que hipnotizava as pessoas. Além do mais, quase todos eles conseguiam com facilidade convencer os outros.

Tanto que Abel e Dante ainda tremiam enquanto o resto da sala admirava o novo aluno.

“—Senta aqui, Saülo…” – Murmurou uma das meninas, apontando para uma carteira vazia ao seu lado. O rapaz de cabelos verdes foi até lá em silêncio, sentando-se do lado dela. No entanto… Seu olhar que deveria estar sobre a menina, fora desviado quase que imediatamente(como se só agora ele o visse) para Diogo.

As fofocas iniciaram quase que imediatamente… Boatos corriam e nos primeiros minutos daquela aula, as histórias mais absurdas corriam pela boca dos alunos, colegas de sala do nosso indeciso.

“—Eu soube que este garoto veio da Alemanha e mora aqui com o avô dele…”

“—Não pode ser… Ele nem é loiro…”

“--Você viu como ultimamente tem aparecido alunos novos?”

“—Claro que vi… Você acha mesmo que ele é russo?”

“—Não sei… Ele nem é loiro, verdade?”

“—Mas eu soube que ele veio da Inglaterra! Vai ver ele é de algum lugar mais distante. Onde as pessoas tem cabelos verdes?”

“—Na Indonésia… Eu soube que as plantas de lá causam mutações genéticas.”

“—Caraca… Eu não sabia… Nos lugares quentes as plantas sofrem mutações, né?”

“—O Chile é quente?”

“—Os garotos disseram que lá é muito frio… Que nem em Taiwan.”

“—Ah… Então ele é de Taiwan? Bem que eu imaginava!”

No mais, as aulas corriam bem.

Todos rapidamente perceberam que o novato sabia as respostas para todas as perguntas e que o mesmo era até bastante quieto, considerando sua popularidade que já estava nas alturas.

Mas afinal, essa história não é sobre o futuro Caos.

O toque estridente para o intervalo das aulas soou e quase todos saíram correndo em direção aos enormes refeitórios, buscando as mesas mais bem localizadas ou até mesmo dispirando corridas para ver quem era o primeiro da fila.

Após três minutos de intervalo, só sobraram em sala de aula Abel, que copiava assuntos do quadro, Dante, que estava só olhando ainda pasmo para Saülo, o próprio Saülo que ainda copiava tal qual Abel, e Diogo que nada fazia.

“—Abel… Você acha seguro nós irmos comprar o lanche do ruivo?” – O vampiro pela primeira vez parecia mesmo preocupado com algo.

“—Você prefere deixar ele sem comer?” – Sussurrou o loiro de volta, estreitando os olhos para o vampiro. A verdade era que também estava preocupado.

“—Ah, vão vocês, estou com sono e com dores… Dá pra alguém ir buscar comida pra mim!?” –Reclamou Diogo, com cara de poucos amigos.

“—Você não entende a… Gravidade deste assunto, Diogo…” – Comentou o alquimista com uma voz levemente sombria.

Mas a preocupação de todos não durou muito por Saülo levantar-se e sair de lá com seu boneco sob o braço. Ele caminhava muito lentamente, prestando atenção em tudo ao seu redor.

A raça do futuro Caos e do atual era a raça Ômega, uma raça que se originara a muito tempo num planeta inteiramente deles, eles eram formados exclusivamente dos desejos humanos e não tinham exatamente uma vida própria, os Ômegas tinham uma chave de dar corda e de tempos em tempos tinham que levar corda para não pararem de funcionar.

“—Bando de hipócritas, aposto que em cerca de duas semanas já começarão a me ignorar.”

Saülo murmurou mais para si mesmo e para Toynako, que sequer se movia, era só um boneco de pano afinal. Foi em direção ao banheiro e trancou-se num dos boxes, ele podia ouvir os comentários dos demais alunos a cerca de si e não gostava nem um pouco daquilo. Baixou a tampa do vaso sanitário e colocou Toynako sentado sobre ele.

“—Você pode por gentileza me fazer compania?” – Perguntou com uma voz levemente irritada, revirando os olhos em escárnio.

“—Muito bem, é assim que se faz…” – O pequeno boneco de pano começou a tomar corpo e forma, crescendo rapidamente e ficando ainda maior que o próprio futuro Caos.

O aspecto de Toynako era aparentemente normal, ao menos seria se não fossem seus olhos de botões negros e reluzentes e sua boca com costuras proeminentes.

“—O futuro Caos serei eu, Toynako. Não devo ficar pedindo coisas a um reles boneco como você.”

“—Olha só quem fala…” – Comenta baixinho, rindo e espreguiçando-se. “—Se não quiser que eu apareça é só não chamar, meu caro…”

“—Você sabe para que foi chamado.” – Diz com a voz seca e baixa, afinal estava no banheiro da escola.

“—E não vou fazer nada com você aqui. É perigoso, se nos pegarem seu disfarce vai por água a baixo.”

Saülo estreitou os olhos e cruzou os braços como um garoto mimado, tendo seus cabelos bagunçados por Toynako, que sorria revelando seus dentes pontudos e forçando sua pele semelhante a tecidos a ponto de rasgar por causa das costuras.

“—Cuide do seu disfarce, pequeno, cuide dele, ele é deveras importante para nós…”

“—Você está falando que nem o Caos.”

“—E você como um garoto mimado, agora cale-se e conquiste as pessoas por aí.”

“—Não quero mais ninguém…” –Reclama fazendo bico.

Toynako ainda segurou com força o rosto do menino de cabelos verdes, estava a ponto de beijá-lo quando o sinal tocou. Imediatamente voltou a sua forma de boneco, caindo no chão daquele banheiro.

Saülo pegou o boneco nos braços e saiu do box, olhando de canto dois garotos se agarrarem.

“É injusto, eles podem e eu não posso.” – Pensou contrariado, saindo dali e voltando para a sala.

Chegando lá viu seu alvo comendo algum lanche humano e sendo cercado por um alquimista e um vampiro. Revirou os olhos em descaso, voltando para sua cadeira. Tinha muita coisa para fazer, muita gente para recrutar.

Quanto a Diogo, como bom menino que era ficou a espiar o tempo todo o garoto de olhos cor-de-rosa, visivelmente interessado nele. Saülo tinha o corpo magro e esguio, não era tão afeminado quanto Abel, claro que não. Na verdade ele era visivelmente masculino, mas muito atraente. Era curioso prestar atenção no seu rosto corando quando algum garoto ou garota fazia um comentário de mau gosto para o lado dele.

“—Fim de semana finalmente…” – Murmurou Abel amarrando seus cabelos ao sair da escola.

Tanto ele quanto Dante queriam relevar o fato de o futuro Caos estar na terra, talvez ele só estivesse ali para estudar o comportamento humano, todos os futuros juizes passavam algum tempo na terra cedo ou tarde, mas nem vampiro nem alquimista negavam que estavam tremendo de medo por alguém como Saülo estar na terra, e principalmente na mesma escola de Diogo.

Por ter uma ótima lábia e uma aparência melhor ainda, o ‘filhote de Ômega’ –como Dante costumava chamá-lo- era alguém que poderia atrapalhar e muito na escolha do indeciso ruivo.

“—Nunca vi você ficar feliz por não precisar ir para a escola, Abel… Geralmente é o contrário.” – Comentou Diogo, arqueando as sobrancelhas.

“—É porque amanhã é meu dia de cuidar de ti, pirralho.” – Dante falou depois de pigarrear.

“—Vamos voltar a visitar aquele menino?”

“—Que menino?”

“—O Kanon… Poderíamos levar o Abel junto já qie ele quer ser alquimista.”

O loiro abaixou um pouco o rosto, ficara sabendo por boas e más línguas sobre a história de Kanon, ainda antes de vir para a terra. Tão trágico, e pensar que ele não conseguiria concluir seu sonho.

Dante olhou para Abel e deu um sorriso maldoso.

“—Vamos levá-lo sim.”

Mas naquele momento eles não fariam muito mais além de voltar para a casa do ruivo. Cada um imerso em seus próprios pensamentos.

Dante pensava em como seria divertido ver a dor nos olhos do alquimista quando ele visse um aspirante na situação de Kanon.

Abel pensava no menino que queria ser alquimista, além de pensar também no Caos que viera a terra. Seria ele uma ameaça?

E Diogo? Bem, este deveria estar pensando no quão feliz Kanon ficaria ao ver um alquimista de verdade… Entretanto também pensava no moleque de cabelos verdes que não saira de sua cabeça desde que lhe aparecera na escola.

08/11/2010

Notas finais
E então, o que acharam? Ç_Ç
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.