Notas iniciais
A letra da música foi alterada. Precisei mudar pra encaixar melhor na fic. Espero que gostem. Enjoy!

Mas sempre haverá uma data,
Palavra, um olhar, um filme, uma música
Pra te fazer lembrar.
Um perfume, um abraço
Um sorriso só pra atrapalhar
Só pra te fazer lembrar de mim.

Está amanhecendo. Mais uma noite em claro, mais uma noite apenas pensando. A palavra “esquecer” passou várias vezes pela cabeça, mas o que diabos eu posso fazer?

Minha garganta está seca. Levanto da cama e vou até a cozinha, erro meu. Sempre esqueço que a foto está grudada na porta da geladeira. Na verdade, a última coisa que faço é esquecer, a foto continua ali simplesmente porque eu não tenho o mínimo de coragem pra retirar ela de lá. Bebo água direto da garrafa, mas a garganta continua seca. Eu sei o porquê dessa sensação, hoje é o dia em que tudo muda.

Fecho a porta e olho mais uma vez a foto, a garota sorrindo me olha e me manda um beijo. Porque depois de tanto tempo eu ainda sinto a mesma coisa? A mesma dor apertando meu peito, a mesma sensação de perda. Sinto as lágrimas chegando, mas seco a primeira antes mesmo de deixar que ela desça pelo meu rosto.

Subo as escadas e volto pro quarto. Resolvo abrir a janela, a vista do casal andando pelo pequeno bairro trouxa onde fica a casa que comprei pra nós, só piora a situação. Lembro de você passeando pela rua, de mãos dadas comigo, sorrindo aquele sorriso que era só meu. Os olhos de um castanho intenso e profundo que faziam com que eu me perdesse em você.

Outras lembranças surgem, as mesmas que me atormentaram durante a noite e que continuam me atormentando, seja em sonhos ou acordado. Seus cabelos soltos esvoaçando ao vento, seus braços aconchegantes me envolvendo, seu corpo que tão perfeitamente encaixava no meu durante as noites em que nos amamos. Depois a briga, você arrumando suas malas, chorando, então você abriu a porta e nunca mais voltou.

Eu fui tão imbecil, tão idiota.

Você ainda tentou resolver as coisas, mas eu orgulhoso e babaca que sempre fui resolvi ignorar, passei por cima do meu coração que ansiava ter você de volta e fiz exatamente o contrário, afastei você, mandei que fosse embora fingindo que estava bem, fingindo que meu coração não estava aos pedaços.

Assim que terminamos você recuperou seus amigos. E logo no começo, achei que mesmo assim você estava tão mal quanto eu, que seu coração também estava partido. Ilusão não era?

Quando depois de alguns meses vi você com ele, meu coração apertou. Não podia ser verdade. A raiva me dominou, lembrei da briga que tivemos e comecei a achar que sempre tive razão. Era ele quem você queria o tempo todo não era? Eu era apenas diversão não era? O amor que jurei ter visto em seus olhos era ilusão. Não?

Então uma carta sua chegou e eu havia me recusado a ler, com medo. Medo de abrir e saber que você havia me esquecido, medo de encontrar ali a confirmação de que você nunca tinha me amado. Medo de perder você mais uma vez.

Mas eu já havia perdido.

Tentei seguir a vida, arrumei alguém pra mim também. Mas a sua lembrança ainda era tão viva que jamais consegui um relacionamento que durasse mais de um mês. Antes que eu percebesse um ano inteiro havia passado, depois dois... E nesse tempo quantas e quantas vezes eu me proibi de mandar as mensagens que escrevia, dizendo que não escreveria mais? Quantas vezes eu coloquei o telefone de volta no gancho sabendo que não adiantaria nada e me prometendo que não faria mais isso? Sempre me arrependia e voltava a fazer. Mas a cada vez eu achava que a dor era menor. Eu já não pensava em você o dia todo, sabia que iria demorar, mas tinha plena convicção de que eu iria te esquecer. Era o que eu pensava.

Nunca estive tão enganado.

Quando a notícia do seu casamento chegou eu senti como se algo em mim acabasse de morrer. Eu havia perdido você e essa era a maior confirmação. A ira foi tanta que quebrei metade da casa. Bebi durante dias tentando esquecer, fumava carteiras e carteiras de cigarro uma atrás da outra, mas só o que eu conseguia era ouvir sua voz em minha cabeça sempre reclamando que aquilo um dia iria me matar.

Era exatamente o que eu queria. Morrer.

Mas até pra isso eu era covarde, sempre fui um covarde. Continuei a beber e fumar. Comecei a pagar por mulheres na esperança de que alguma delas pudesse curar a imensa cicatriz que eu tinha no lugar onde um dia meu coração esteve.

Só então percebi que ele não esteve mais comigo desde o dia em que você apareceu. Ele era seu, e eu o havia dado de boa vontade. Mesmo antes de ficarmos juntos e até agora. Tudo o que eu queria era você e apenas você, mas meu orgulho idiota havia feito eu te perder.

Pensei várias e várias vezes em te procurar, mas que bem isso faria? Resolvi então mandar uma carta, cheguei a escrever, mas a coragem pra enviar nunca me aparecia. A data do seu casamento só ficava cada vez mais e mais próxima e eu cada vez mais desesperado. E então o dia havia chegado, hoje era seu casamento. Que direito eu tinha? Mandar aquela carta só iria piorar as coisas não? Durante todo esse tempo eu sempre me iludi pensando que você sofria tanto quanto eu. Mas era mentira não era? Você estava feliz com ele não estava?

Você está feliz?

Eu precisava saber. Procurei pela carta que um dia você me mandou e comecei a ler.

“Tá tão difícil pra você também, né?
O coração vazio, mas sempre de pé
Buscando alguma direção.

Quantas vezes eu escrevi e não mandei
Peguei o telefone e não liguei
Parti meu próprio coração.

Mas a má notícia é que
Isso não vai passar tão cedo
Não adianta esperar.

Às vezes fico bem, mas depois vem o desespero
Eu tento esconder
Mas vi que pensei em você o dia inteiro.

E sempre haverá uma data,
Palavra, um olhar, um filme, uma música
Pra me fazer lembrar.
Um perfume, um abraço
Um sorriso só pra atrapalhar
Só pra me fazer lembrar de ti.

Se ainda há uma chance pra nós, se você ainda me ama, por favor, volte pra mim.”

Percebi que era a letra de uma música que eu tinha escutado em algum lugar, mas você havia alterado algumas estrofes. E no final estavam as palavras que sempre quis ouvir e que tive medo de que não fossem as que eu iria escutar. Será que mesmo depois de todo esse tempo você ainda me queria Hermione? Depois de ler a carta, mesmo que escrita há tanto tempo eu precisava falar com você. Precisava descobrir se você ainda sentia algo por mim ou se verdadeiramente havia perdido você.

Comecei a me vestir, eu precisava te ver.

Quando estava saindo de casa, pronto pra aparatar até você foi que me dei conta de que eu não podia fazer isso. Não devia ir até você no dia do seu casamento não é? Era errado e completamente egoísta. Mas eu era egoísta e mesmo tendo uma grande chance de acabar com seu casamento eu iria. Eu precisava de você. Eu preciso de você.

Eu amo você.

Aparatei pro mesmo lugar onde você me disse uma vez que haviam acontecido os casamentos de Gui e Fleur e Harry e Gina. A enorme tenda estava ali, e haviam muitas pessoas sentadas olhando para o pequeno altar onde você e Rony Weasley estavam. Você estava tão linda naquele vestido. Você é linda. Como eu queria que fosse eu no lugar dele. Mas eu precisava interromper aquela cerimônia. Entrei na tenda e passei pelo corredor, sendo seguido por montes de olhares desaprovadores que provavelmente estavam se perguntando o que eu estava fazendo ali.

O burburinho chama sua atenção e vocês dois viram seus olhares para trás pra saber o que estava acontecendo. Vejo a surpresa em seu rosto e a ira no rosto dele.

– Draco. – sua voz mal sai.

– O que você pensa que está fazendo aqui Malfoy? – Ele dá um passo a frente e desce do altar pronto pra me encarar.

– Não vim falar com você. Saia da minha frente Weasley.

– Já percebeu onde é que você está? – Olho em volta, todos estão de pé e com as mãos nas varinhas prontos pra ajudar o ruivo que me encara com ódio.

– Draco. – É ela quem me chama.

– Hermione. – Sei que há dor em meu rosto, jamais conseguiria esconder isso dela.

– O que é que você faz aqui? O que você quer?

– Eu vim atrás de você Hermione, eu quero você. Minha vida tem sido um verdadeiro inferno desde que você se foi. Eu fui um idiota, um verdadeiro imbecil. Deixei meu orgulho falar mais alto. – Sinto as lágrimas em meu rosto e mando meu orgulho pra longe. Se for preciso me humilhar na frente de todos pra ter ela de volta é exatamente o que vou fazer.

– Mas você... Você havia me dito que estava bem.

– Eu menti. Menti e me arrependo todos os dias de ter mentido.

– E a carta? – Ela havia começado a chorar e o Weasley estava completamente perdido, olhava de mim pra ela tentando entender. – Você nunca me respondeu...

– Eu não li. Eu achei que você estivesse tentando me dizer que não me amava mais, que havia me esquecido e que estava feliz com ele. Eu nunca abri a carta, até cinco minutos atrás. Foi só então que eu percebi o tamanho da minha estupidez. Me perdoe Hermione, por favor. Me perdoe e volte pra mim. Eu não sou nada sem você.

– Vá embora Malfoy. Ela não quer mais nada com você agora. Nós estamos nos casando, você ainda não percebeu? Quando você terminou com ela e mandou que ela fosse embora ela sofreu, sofreu por sua causa. Fui eu quem estive do lado dela. Jurei que jamais deixaria você fazer isso de novo, jurei que você jamais chegaria perto dela outra vez. Quando pedi pra que ela me desse uma chance ela me deu, e eu jurei que a faria feliz. Ela está feliz comigo. Agora vá embora e não nos perturbe mais.

– Cala a boca! Você não sabe nada do que aconteceu entre mim e a Hermione. Não aja como se soubesse. Nada do que ela possa ter te dito chega aos pés do que nós realmente vivemos. Vocês viraram as costas pra ela quando souberam que estávamos juntos. Vocês não são dignos de se dizerem amigos dela. Nem você e muito menos o Potter. – virei-me pra ela – Hermione. Eu só quero uma resposta. Uma. Depois disso eu vou embora e dependendo de qual for, ou você vai comigo, ou eu juro a você que jamais volto a te perturbar.

– Draco...

– Você ainda me ama Hermione? Ainda sente algo, por menor que seja, que me dê esperanças de ter você de volta?

– Draco eu...

Ficamos nos encarando e quando eu já estava disposto a ir embora, vejo-a secar as lágrimas do rosto. Ela pega as barras do vestido e puxa um pouco pra cima, o suficiente pra não tropeçar nele, desce o primeiro degrau, depois o segundo. O Weasley olha pra ela cada vez mais confuso. Ela se aproxima, e ele se coloca entre nós.

– Hermione o que você está fazendo? — Ela passa por ele e ficamos frente a frente.

– Malfoy, você não tinha o direito de aparecer aqui assim. Esse é o meu casamento. Acha que pode vir aqui assim e dizer que me ama? O que você estava pensando?

– Hermione... – vou me virando pra ir embora, mas ela põe a mão em meu braço. A esperança me faz ficar. Vejo ela se virar para o Weasley.

– Ron, eu amo você. Mas eu amo você como amo o Harry. Pensei que pudesse dar a você o amor que você merece, mas eu não posso. O meu amor não é o amor que você quer. E você merece muito mais do que o amor que eu poderia lhe dar. Me perdoe por favor.

– Hermione, como assim?

Ela se vira novamente olhando para todos os convidados que estão mais do que surpresos atrás de mim e então olha diretamente para os pais do seu noivo

– Arthur, Molly, jamais tive a intenção de magoar nenhum de vocês. Espero que um dia vocês me perdoem. – Ela olha pros amigos Harry e Gina que estavam no altar e seriam os padrinhos. – Gina, me desculpe. Harry, por favor, não me odeie por isso. – e então ela olha pra mim – Você Malfoy, é um verdadeiro idiota. Mas eu amo você.

Ela pega minha mão e aparata comigo. Percebo que estamos na frente da minha casa. Da nossa casa e ela está sorrindo pra mim.

– Não podemos mais morar aqui, pelo menos por enquanto. Acabei obrigando você a viver num bairro de trouxas, mas a verdade é que eu não acharia tão ruim não ter que esconder que somos bruxos. Talvez se eu redecorar a mansão e deixa-la menos sombria nós poderíamos morar ali. Que tal? Não, talvez não. Poderíamos comprar uma casa em algum outro lugar. Não sei. O que você acha?

– Hermione, você tem certeza? É realmente isso que quer? Você me quer?

– Draco Malfoy, eu amo você. Quero passar todos os dias da minha vida ao seu lado. Agora quer calar sua maldita boca e me beijar?

Sem precisar de mais nenhum incentivo eu a beijo. Sinto que tudo está no seu devido lugar, ela é minha, eu sou dela e meu mundo se completa. Ela é meu mundo. Quando cesso o beijo olho em seus olhos e vejo todas as promessas de um futuro perfeito.

Notas finais
Pra quem ficou curioso quanto a música que aparece na fic: Lucas Lucco - Pra te Fazer Lembrar http://www.youtube.com/watch?v=WVSfSPXt3T0 Como eu já disse eu alterei um pouco a letra pra poder encaixar na fic. É isso gente, se gostaram comentem, se não gostarem comentem também pra que eu possa melhorar. Beijinhos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!