Pra Sempre
18 Encontro com Theo
Notas iniciais
Acordo tarde. Olho as horas e vejo que são pouco mais de uma da tarde.
Desde que Vicky chegou, Alex veio dormir comigo em meu quarto, fornecendo o dele para ela. Mas essa noite, não o deixei dormir no mesmo quarto que eu, por isso ele foi dormir no sofá da sala. E não vou deixar ele dormir comigo de novo, pois a situação anda bem complicada ultimamente. Não posso dormir com uma pessoa que me quer, quando eu quero outra pessoa.
Troco de roupa e vou em direção a porta para abri-la, mas, na hora que abro, Vicky bate em meu rosto como se estivesse batendo na porta.
—Desculpa, Jú! – Ela fala preocupada, massageando meu rosto no lugar em que bateu.
—Tudo bem. – Rio, tirando sua mão do meu rosto. – Queria falar comigo?
—Claro que sim! – Ela fala séria, e logo em seguida, fecha a porta.
Nós sentamos na cama.
—QUAL É O SEU PROBLEMA? – Ela grita, me chacoalhando.
—O QUE FOI?
—COMO VOCÊ PODE DEIXAR O CARA QUE VOCÊ AMA DORMIR NA SALA, QUANDO VOCÊS TÊM VÁRIAS COISAS PARA FAZER NESSE QUARTO? – Grita muito alto.
—Puta que... cala essa boca! – Ponho a mão em sua boca, para que ela se cale. – Acontece que o Alex é muito babaca, está bem?!
—Como assim? Vocês brigaram?
—Ele anda bancando o ciumento.
—Mas ele deve ter motivos para ter ciúmes, não? – Ela pergunta. – Júlia, não me diga que está gostando de outro...
—Ele é meu amigo de muito tempo, aliás, é meu melhor amigo. É bem mais carinhoso e compreensivo que Alex, e se declarou para mim.
—AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHH!! – Vicky grita, me chacoalhando, pela segunda vez. – VOCÊ ESTÁ COM UM PRETENDENTE QUE PODE PEGAR, SEM PROBLEMAS, E NÃO ME FALOU?
—Vicky, cala essa boca! – Eu ponho a mão em sua boca, novamente.
—Quem é o sortudo?
—Theo Martin. É da minha escola.
—Que bom, porque agora vou poder ficar sabendo de tudo sobre! – Ela se levanta da cama e começa a dar pulinhos, batendo as mãos.
—Como assim? Você vai estudar comigo? – Levanto da cama, animada.
—Sim!
Nós começamos a gritar e pular juntas, até que alguém abre a porta.
—Eu ouvi alguém dizer que a Jú está com um pretendente que pode pegar, sem problemas. – É a Luna.
Eu dou um tapinha no braço de Vicky, fazendo uma expressão irritada (falsa), e depois conto tudo, que acabei de falar com Vicky, para Luna.
[...]
Terminando o almoço, vou ao banheiro que há em meu quarto, para escovar os dentes.
—Vocês estavam animadas antes do almoço. – Vejo Alex pelo espelho, mas o ignoro. – Olha, Jú, a gente não pode ficar brigado pra sempre. E eu não gosto de ficar assim com você.
—Então deixe eu seguir minha vida, Alex! Se eu gosto de um garoto, que não seja você, você deve aceitar! – Me irrito.
—Jú, você gosta mesmo dele? – Ele pergunta.
—Alex, eu e ele nos conhecemos por muito tem... na verdade, eu não te devo explicações. – Continuo a escovar meus dentes.
—Então vamos ficar assim? – O ignoro, lavando minha escova de dentes, e logo em seguida, minha boca. – Júlia. – Ele me chama, sério.
Meu celular toca. É uma mensagem de Theo. Imediatamente, guardo minha escova de dentes e vou checar.
—Você não costuma ver as mensagens assim que recebe. – Alex fala.
—Coloquei um toque diferente para as mensagens do Theo. – Falo, olhando para o celular.
—Ah, claro. – Ele fala, irônico, e, logo depois, sai do meu quarto.
Não gosto de ver Alex assim. Ele é como um irmão para mim. Sinceramente, esse é o único tipo de amor que sinto por ele. Antes, acho que senti algo a mais, mas tudo isso passou.
Mas ele já está me irritando com isso tudo. Se eu não esclarecer o que tenho com Theo, ele continuará a me encher o saco.
Na mensagem que Theo mandou, ele pede para nos encontrarmos, no final da tarde, em sua casa, pois precisa falar comigo. Eu mando uma mensagem, confirmando.
[...]
Já está na hora de eu ir até a casa de Theo. Estou nervosa. O que ele vai me dizer?
Desço as escadas e me despeço das pessoas. Quando vou saindo pela porta, alguém segura minha mão.
—Onde você vai? – É Alex.
—Não é da sua conta. – Falo, e, logo em seguida, solto meu braço e fecho a porta.
Já estou cheia do Alex estar sempre querendo saber para onde vou, com quem vou, por quê vou, e sempre querendo ir comigo. Certo, antes eu gostava de ir para os lugares com ele, mas, agora, ele já está me enchendo.
[...]
Chego, a pé, na casa de Theo e toco a campainha. Ele atende e eu, com um frio na barriga, o cumprimento com um abraço.
Theo e sua família são do Canadá. Ele mora, sozinho, aqui nos Estados Unidos, enquanto sua família mora na sua cidade natal, passando o dinheiro necessário para que ele consiga viver bem.
Ele me convida para entrar. Conversamos, até anoitecer, e eu acabo sentada na mesa da cozinha e ele em pé, na minha frente.
—Jú, eu gosto muito de uma garota. Acho que ela gosta de mim, mas não tenho certeza. – Ele fala, se referindo a mim.
—Tenho certeza de que ela gosta de você.
—Mas como posso saber?
—Talvez ela demonstre com um gesto. – Falo, colocando minha mão por dentro de sua blusa, e, assim, tocando em seu abdômen. Não sei de onde tirei essa coragem.
Theo acaricia minha bochecha com seu polegar. Fecho meus olhos, sentindo uma boa sensação. Pego em sua mão, e, com ela, ele toca em minha coxa. Me arrepio. Ele vai subindo sua mão, até tocar em minha cintura, por dentro do vestido.

Ele se aproxima, lentamente, do meu rosto e me beija. Então, me carrega até o sofá, fazendo com que eu fique um pouco deitada e escorada. Ele fica em cima de mim.
—Theo... – Falo, ofegante. – Você... é virgem?
—Só respondo se você responder primeiro. – Ele sorri.
—Vamos responder juntos. No três. Um... dois... três!
No final, nós dois respondemos a mesma coisa: sim. O fato de Theo ser virgem me tranquilizou um pouco porque... acho que quero perder minha virgindade com ele....
—E o que você quer, agora? – Theo pergunta.
—Eu... – Fico sem graça para responder, então o beijo, sem falar mais nada.
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