A missão de Cila e Caribde era simples. Elas deveriam ir até o castelo dourado de Posseidon, encontrar a filha dele Rodhe, libertá-la e dar a ela um pouco das lágrimas de Rhéia. Depois disso Rodhe poderia acordar os marinas mortos com sua voz. A partir dai, bastava tão somente, dizerem aos marinas onde buscar a concha de Tritão e estariam totalmente livres para fazer o que bem entendessem de sua existência.

Partiram do estreito de Messina, se movimentando tão rápido pelas águas quanto era possível. A expectativa era chegarem rápido, fazerem o que deviam fazer o mais rápido possível e sumir da presença do Deus, aparecendo somente após os problemas entre ele e Athena tenham sido resolvidos.

Ao chegar no reino de Poseidon o que encontraram foi total devastação e desolação. Os pilares haviam sido destruídos, inclusive o central. E na base deste, se encontrava a ânfora que continha o espírito do grande Deus dos mares. Cila pensou ao ver aquele contenedor, que bastava que ela mesma retirasse o lacre, retirando dali a alma do Deus e tendo para si a gratidão do grandioso dos mares. No entanto, quando ela se atreveu a tocar o selo, fora lançada violentamente a alguns metros de distancia. Ninguém poderia retirar aquele selo se não a própria Athena.

Ambas se dirigiam ao que, um dia, fora um belo castelo cheio de vida e de seres somente imaginados pelos próprios deuses. Todo tipo de vida marinha e de seres mitológicos que habitavam aquele reino. Era um local de constantes festas e de alegria desacerbada. Como somente os deuses poderiam fazer. Agora o que as duas mulheres viam a sua frete, era um palácio dourado, mas cheio de profunda tristeza e solidão. Um lugar que antes fora iluminado, agora era sombrio. No centro deste palácio tinha um grande salão, onde eram realizadas festas grandiosas do reino marinho.

Ali, no centro estava uma grande pedra resplandecente. Um cristal inquebrável. E dentro deste cristal, o corpo da pequena Rodhe. Fila da união de Poseidon com Hália, a garota havia sido vítima da esposa oficial do Deus e agora estava ali, aprisionada.

–- Vamos... – Disse Caribde iniciando seu caminhar ao adentra no grande salão, mas fora brecada por Cila.

–- Não acha que está muito fácil? – Cila que, segurava o braço de sua companheira olhava para os lados cautelosamente.

Caribde entendera o ponto de vista de Cila. Ela se abaixa e pega uma pedra no chão e atira no salão. A pedra quica várias vezes no chão, fazendo com que o rumor de suas batidas ecoassem no local deixando clara a grandiosidade daquela sala.

Ao redor daquela sala, haviam inumeráveis estátuas, das nereias. Belas mulheres de constituição corporal única e de sensualidade exuberantes. Cada uma ou com uma lança nas mãos ou com bidentes ( como um arpão de pesca constituído de apenas duas pontas) . Todas posicionada perto de cada uma das colunas que circundavam o local. Segundos após a pedra ter se firmado, elas, por poder superior ao compreendido pelos humanos, criara vida próprias, apontando as lanças e bidentes que tinham em suas mãos, lançando na pedra raios infindáveis de forma que a pedra se desvanecia na iluminação causada pelos flashes em nada mais do que pó.

Como sabido, as duas mulheres anteriormente se tratavam de bestas marinhas. Agora tinham forma humana, no entanto não haviam perdido suas qualidades mitológicas.

Enquanto Cila observava estupefata com o ocorrido, Caribde exibia um semi-sorriso nos seus lábios.

–- Afaste-se Cila... – Caribde dizia tranquila dando um passo a frente da mulher de cabelos negros – Cuido disso...

Então ela abria seus braços, como alguém que abraça a uma larga coluna.

–- Por séculos, com meu fôlego, suguei água do mar e navios. Grandes e pequenos. Os expelindo após isso... — ela olhava por cima de seu ombro para Cila ainda com um semi-sorriso nos lábios – Creio que possamos usar isso a nosso favor... Afinal são somente estátuas...

Ela emana uma luminescência azulada em seu corpo, e a besta que a pouco era aparece em suas costas. Tudo começa a ser sugado por ela. Pedras, corais, objetos... Tudo que estava no caminho. Após ter os pulmões bem cheios, ela colocava todo o ar para fora, fazendo com que tudo que fora sugado para a imagem que tinha se formado, fosse expelido com grande violência. Alguns dos objetos foram, com extrema violência, em direção a algumas das estátuas do local as destruídas. Isso causou um grande numero de pedras e objetos que se lançavam para todas as direções. As estátuas que sobraram, criavam agora vida novamente e direcionavam a ira de seus raios a estes objetos e pedaços dos escombros das estátuas anteriormente destruídas... Com isso, os raios delas acabaram por atingir umas as outras. Sendo assim todas destruídas.

–- Hrum.. – Caribde agora tomava a posição normal de seu corpo, fechando seus braços e se colocando totalmente ereta – uma pena que estátuas não tenham cérebro...

Ela começa a caminhar indo em direção a rocha localizada ao centro. Ao se depararem com ela, viram que era de grande transparência e que, dentro, estava a jovem. Bela e com um rosto jovial, Rodhe, estava com o rosto voltado para cima com a boca aberta como alguém que grita. Era uma jovem de olhos grandes e verdes. Com o belo rosto adornado por uma longa cabeleira de vermelho vivo. Tinha os braços erguidos, como alguém que pede ajudar para sair de um buraco, e sua vestimenta era um belo vestido de fina seda na cor verde clara como as joias marítimas.

–- Bem vejamos o que posso fazer... – Cila se adiantava parando a frente do grande mineral.

Cila era dona de potente voz. Esse tinha sido o maior talento que havia chamado a atenção de Poseidon. Uma voz somente comparada com a das sereias e divas. Ela fecha seus olhos e começa a soltar algumas notas de uma melodiosa canção que contava histórias do mar e seus viajantes. Após algumas notas, já se podia sentira que a pedra estava ressoando com a canção. Então ela faz uma nota tão aguda, que chega machucar os ouvidos de Caribde e quebrar as peças de cristal do local. A pedra estoura, criando uma chuva cintilante de pó fino que toma conta do lugar como se fossem milhares de estrelas.

Agora a pequena Rodhe estava deitada no chão a frente delas.

–- Dá próxima vez... –Caribde diz massageando os ouvidos – Me avise para tampar minhas preciosas orelhas...

A resposta de Cila e somente um sorriso.

A jovem Rodhe começa a despertar no chão, e ao estar totalmente acordada, ela puxa um bom bocado de ar para os pulmões despertando daquele sono que lhe tinha sido imposto. Ao despertar, as duas mulheres explicam o que ocorrera com seu pai e isso enche o coração da pequena uma ira inominável. Ela amava muito seu pai... Dizem a Rodhe que é dever dela acordar aos marinas com sua voz, e que deve tomar as gotas das lágrimas da titã para executar este feito.

Dão a ela a incumbência de dar a mensagem aos marinas, de que devem recuperar a concha de Tritão e que esta concha deve ser tocada pela jovem filha de Poseidon quebrando assim o selo de Athena e libertando seu pai. Ao dizerem tais coisas, as duas mulheres egoístas, dizem a jovem que o trabalho delas está feito e desaparecem, pedindo tão somente, que a jovem lembre a Poseidon que foram elas que libertaram a menina.

Rodhe era jovem, porem corajosa. Ela caminha entre os caminhos que ligam cada um dos pilares. Sua visão e assombrada por cada uma das imagens da destruição feita nos pilares. Ela traz a vida cada um dos marinas que foram mortos e com seu canto.

Chama para perto deles Sorento, informado a este que seu pai logo renascera e que Julian novamente será o receptáculo do corpo do pai.

Julian é colocado em sono, pela doce voz da menina. É levado ao castelo dourado, e lá permanece até que os marinas retornem com a concha de Tritão.

–- Agora vem a minha tarefa mais difícil... – Fala Rodhe arrodilhada pelos marinas ali presentes e com uma certa preocupação no rosto. – Chamar a Kanon para estar ao nosso lado... me esperem... – ela olha com preocupação para ânfora que contem a alma do deus dos mares. – eu não me demoro e não vou falhar pai.

*********** Numa praia distante em Athenas **********

Kanon estava parado de frente parado de frente azul mar mediterrâneo enquanto a doce brisa calorosa toca a sua face. Ele fechava seus olhos e inspirava fundo pensando em tudo que se passara com ele até ali. Às vezes se perguntava qual era de fato o seu verdadeiro lugar uma vez que sendo o gêmeo mais novo, ele era somente um substituto para seu irmão em caso de morte deste.

O vento fazia com que seus longos cabelos azuis dançassem em um ballet interminável e sincronizado de acordo com a melodia tocada pelas andas do ar.

Ainda de olhos fechados ele começa a escutar uma canção ao longe. Esta canção entra por suas orbitas auditivas fazendo uma ligação direta com alma do rapaz que se desliga totalmente do mundo. E a medida que as notas de tal canção se aproximava dele, ele começava a ver em sua mente, um filme onde ele era reconhecido por quem era e não por ser somente um provável substituto. Ele via um mundo, onde ele era quem exercia o papel principal de uma história. Uma história de glória inimaginável ao lado de um dos deuses mais importantes da casta olimpíada.

–- Kanon... Meu pai espera por você – Rodhe dizia ao ouvido dele com uma voz aveludada e sussurrada chamando a atenção dele para a bela face da jovem que agora estava parada ao seu lado – e eu conto com você para exercer um importante papel ao lado dele.

O vestido da jovem dançava e a barra da saia de sua fina vestimenta tocava as pernas do rapaz enquanto os fios sedosos e com odor de finos óleos tocavam a face de Kanon.

Ele arregalava os olhos por reconhecer a face da moça que vira aprisionada ao centro do castelo dourado.

–- Rodhe?... — ele fala quase gaguejando — como isso e possível?

–- Tudo e possível dragão marinho... – Ela respondia com um gentil sorriso no rosto. – e sendo assim, mesmo com a sua tentativa de trair a meu pai, estou disposta a interceder por você, e fazê-lo retomar o seu lugar de honra entre os bravos marinas. – Ela tocava com suavidade o rosto do rapaz com a ponta de seus dedos.

Antes mesmo que ele pudesse falar qualquer coisa, Rodhe reinicia a sua doce canção tocando novamente a alma de Kanon enquanto ela, com suavidade, e toca os cabelos do rapaz. A canção atinge ao coração e mente de Kanon fazendo com que qualquer defesa ou resposta dele seja esquecida em seu intimo e ele a segue para reino marinho assumindo sua antiga escama de dragão marinho.

Com todos reunidos agora, Rodhe dá a eles a tarefa de ir até Argos, localizar a fonte que fora revivida por seu pai, e nesta fonte a concha de Tritão que devia retornar até o palácio onde seria novamente tocada quebrando o selo de Athena e libertando a seu pai.

–- Vão marinas. – Ela diz com a gentileza jovial que tinha em seu coração. – Tragam a trombeta. Pois o som dela tem o mesmo poder destruidor da pancada do tridente sagrado... Infelizmente o tridente de meu pai só pode ser manuseado por ele... Então tragam esta concha para que possamos chamar a vida meu irmão, e ele toque sua trombeta marinha... – ela ergue as mãos ordenando a ida deles – eu estarei constantemente cantando minhas orações a vocês. Assim mesmo que morram, se a tarefa for cumprida vocês voltaram à vida.

********* Distante dali *********

Briaréu, o gigante com 100 braços e 50 cabeças se ajoelha abaixando a todas as suas cabeças em sinal de respeito

–- Suas ordens foram cumpridas... exatamente como foi solicitado.

–- Muito bem ... — Uma voz repetida em vários ecos de inumeráveis tons diz com satisfação – Agradeço Briaréu. Você será recompensado. O equilíbrio entre os Deuses será restabelecido dentro em breve.

Notas finais
* agora vão ser feitos os espaços e também prólogo para os demais... mas isso deve ser feito tão logo sejam decididos quem fará parte.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.