Power Rangers: Esquadrão Z
30 Quando a Cabeça não Pensa
Notas iniciais
![]()
A feira de ciências se aproximava, gerando empolgação em alguns e desespero em outros, como Brock e Stuart, conhecidos por suas travessuras no 6⁰ ano-A. Em uma tarde ensolarada, os dois estavam em um ferro-velho em busca de materiais para o projeto. Stuart, cansado, expressou seu desejo de descansar, enquanto Brock o incentivava a continuar, ressaltando a boa nota que poderiam conseguir se se esforçassem. Eles estavam determinados a encontrar algo interessante para apresentar na feira.
Brock verificava uma pilha de peças de metal amontoadas. Afastando algumas, viu um brilho vermelho piscando no fundo e enfiou a mão direita para puxar o que quer que fosse.
— Stuart, me dá uma força aqui! Minha mão tá presa!
O parceiro o agarrou por trás na tentativa de puxá-lo com toda a força que era capaz de empreender. Com a puxada brusca, ambos caíram para trás. Por sorte, a pilha de lixo não ameaçou criar uma avalanche.
— Brock, cê quase me esmagou, seu roliço! — reclamou Stuart, empurrando-o para o lado e tentando levantar meio que arfando — Achou o quê ali dentro?
— Esse troço aqui. — disse Brock levantando e parando para conferir melhor o objeto — Ulalá. — sorriu com a ideia que brotava de sua pueril mente — Stuart, saca só essa relíquia.
— Que trambolho é esse? — indagou Stuart franzindo a testa ao olhar mais de perto — Parece um capacete.
— E é um capacete, seu mané.
— E daí? No que é que isso vai ser útil pro nosso projeto?
— Esse talvez seja o nosso projeto, mano! — disse Brock, entusiasmado, destacando o estranho capacete arroxeado com uma espécie de led vermelho semelhante a um rubi — Não percebe que ele é especial, parece um item de super-herói. Será que veio do espaço?
— Não sei não, Brock. Brincar com coisa de alienígena pode dar ruim. Vai que isso aí é tóxico e nos transforma em mutantes super-gosmentos com tentáculos? — disse ele, fazendo gestos e expressões para associar a monstros — As garotas vão nos rejeitar mais ainda.
— Eu acho que cabe direitinho na minha cabeça, fica vendo. — disse Brock aproximando o capacete à sua cabeça, prestes a colocar.
— Brock, espera aí, não faz isso... — disse Stuart tendo um mau pressentimento ao ver o amigo cobrir a cabeça com a proteção.
— Sob medida! Eu tô me sentindo... tô me sentindo incrível! O bam-bam-bam do pedaço!
— Só mesmo um capacete de outro mundo pra encaixar na sua cabeçona. — disse Stuart que deram sua típica risada zombeteira. Brock o repreendeu tipicamente com um pescotapa — Ei, foi zoeira, cara! Mas e aí, o que é que isso faz pra gente se dar bem na feira?
— Não sei, vamos descobrir, meu amigo. — disse Brock, aparentando um estranho deslumbramento com o acessório — Já pensou se ele me da superpoderes pra combater o crime que nem os Power Rangers? — começou a sonhar acordado imaginando-se como um Ranger nas cores do capacete lutando contra monstros alienígenas pela cidade com golpes de karatê entre chutes e socos. Um estalar de dedos vindo de Stuart perto de sua face o arrancou do devaneio fantasioso — Ô, me deixa pensar no meu futuro, cara!
— Que futuro, cara? Olha pra gente, dois caras a toa sem a menor ideia do que fazer da vida. E você aí sonhando que vai virar super-herói por causa de um capacete velho de outro planeta!
— Fica frio, seu bunda-mole, eu tava só tirando uma com a tua cara, mas eu bem que queria ganhar uns poderes com essa belezinha aqui. Já pensou? Eu como um grandalhão de armadura soltando raios laser nos bandidos.
— Já chega de ficar sonhando, Brock, tira isso aí e vamos mandar pra alguém que sabe dessas paradas de tecnologia extraterrestre pra poder investigar. — sugeriu Stuart, impaciente — Quero me mandar daqui, a gente perdeu maior tempão catando lixo igual dois vagabundos. Quer dizer, nós somos vagabundos.
Brock tentava retirar o capacete, mas parecia ter colado na sua cabeça.
— Eita, não tá dando pra tirar, Stuart... — disse ele começando a entrar em nervosismo — Me ajuda aqui, cara! Parece que tinha super bonder no fundo! — Stuart foi ajuda-lo e tentava arduamente ao limite de sua força arrancar aquilo, a dupla girando afoita com o sufoco.
— Brock, fica parado! Assim não tem como tirar essa coisa!
— Mais força, Stuart, mais força! Mas não força demais porque senão minha cabeça sai junto!
— Tá quase lá... — disse Stuart intensificando a força, os dentes cerrados e os olhos fechados.
— Eu acho que não subiu um centímetro sequer. — disse uma voz grave oriunda do capacete.
— Como é que é, Brock?
— O quê? Eu não falei nada. — disse o valentão gorducho dando uma pausa no esforço.
— Acabou de dizer que não subiu nem um centímetro sequer. Mas sei lá, sua voz tava meio estranha, como se tivesse tomado hormônios pra engrossar, sabe.
— Não foi minha voz, doido! Foi o... — disse Brock que cortou a fala ao erguer a visão para o Led do capacete — Caramba, veio do capacete. — foi acometido por um misto de medo e fascínio.
— Eu tenho uma dívida de gratidão com vocês, meus salvadores. — falara a voz, os fazendo arquejar de susto.
— Ele falou, Stuart! Ele falou conosco!
— Esse troço tá vivo! Mas como é possível?
— Nada é tão impossível quanto parece, amigos. Eu me chamo Andreos, estive soterrado naquela montanha de ferro retorcido por mais tempo do que sou capaz de estimar.
— E ainda fala bonito. Parece até um nerd quatro olhos sem sal que eu conheço. — disse Brock referenciando Damian — Mas diferente dele você parece ser um cara maneiro e descolado.
— Eu cai por acidente neste planeta que ainda mal conheço. — disse Andreos, o Led piscando a cada palavra que proferia — Eu adoro ser apresentado a novas culturas e principalmente a novos organismos também.
— Ah, então você é mesmo um ET. — disse Stuart, curioso — Mas desgruda do Brock, precisamos levar o capacete pra alguém dar uma olhadinha.
— Infelizmente, eu não posso.
— Mas você falou que nada é tão impossível quanto parece. — disse Brock — Libera aí, chapa.
— Por mais que eu quisesse, meu mecanismo impede porque se conecta de forma neural e física a qualquer organismo biológico que faça contato tátil ao meu receptáculo.
— Ah, legal. Agora repete, mas falando no nosso idioma. — pediu Brock.
— Se esse for o nível básico de inteligência da civilização deste mundo, estou bem decepcionado, para ser sincero. — disse Andreos soando frio e austero — Mas vocês me retiraram daquela prisão e por isso sou grato, podemos nós três sermos grandes aliados.
— A gente te ajudou a sair, agora você pode retribuir o favor ajudando a gente a se safar no projeto de ciências. — disse Brock — E aí, parceiros?
— Brock, você é muito inteligente, na verdade. Apenas tem uma crônica preguiça de pensar. — declarou Andreos de modo mais simpático — Eu sempre quis me ligar a alguém que fizesse algo benéfico a mim e ainda aceitasse algo em troca. Isso faz eu me sentir bem, podemos ajudar um ao outro.
— Hehe, gostei de ouvir isso. Andreos, você pode ser minha salvação pra fechar esse ano no azul. — disse Brock, afeiçoado ao novo amigo.
— Sua salvação?! Não seria a nossa salvação, Brock? — criticou Stuart, soando enciumado.
— Ops, foi mal, Stuart, o Andreos é tão legal que nem reparei que você ainda tava aí.
— Legal, né? Um cara alienígena que você mal conhece te faz prestar tanta atenção enquanto eu sou esquecido.
— Não te esqueci, cara. Relaxa aí, o Andreos vai nos dizer como virar o jogo pra gente no colégio. Né não, amigão?
— Estou disposto a atender qualquer necessidade que tiverem. Acredite, Brock, nossa ligação será um perfeito intercâmbio.
— Mano, ele me faz sentir como alguém muito forte, no corpo e na mente. — confessou Brock, a expressão de ânimo.
— Por que não vamos a um lugar mais reservado para que eu conte minha história? — sugeriu Andreos.
— Fechou, tem uma oficina abandonada aqui pertinho. — indicou Brock — Se nos pegam aqui falando sozinhos, vão pensar que estamos doidões. Vamos nessa, Stuart. — caminhou na direção que os levaria a tal oficina.
Stuart encarava a situação com forte receio, expressando uma seriedade um tanto atípica de sua personalidade. Brock virou-se estranhando a inércia do parceiro.
— Anda, seu mané! Tá esperando o quê? Não quer saber mais sobre o Andreos?
— Eu não. — disse ele em voz baixa, quase inaudível, logo acompanhando Brock a contragosto devido ao ciúme despertado pelo novo e peculiar vínculo de amizade que lhe plantava uma profunda desconfiança.
***
Nas proximidades daquela área, um espaço mais amplo e aberto, os Rangers se dedicavam ativamente ao teste de um modelo simulado de sonda espacial projetado e desenvolvido por Damian como seu trabalho voltado à feira de ciências. A turma não tinha a menor sombra de dúvidas mesmo antes da demonstração: a nota máxima para o Ranger Preto era mais que certa. O aparelho foi colocado no chão e estava pronto para lançamento por meio de um controle.
— Sistema de refrigeração confere. — disse Zoe, agachada, fechando um compartimento.
— Potencializadores de durabilidade confere. — falou Jessie terminando sua parte no auxílio.
— Propulsores e capacitores confere. — afirmou Austin.
— Adesivo de boa sorte... — disse Tim, sorrindo de empolgação, colando uma figurinha da NASADA na estrutura superior da sonda — ... confere. — esfregou as mãos, eufórico — Depressa com esse lançamento, Damian, senão vou explodir de ansiedade.
— Essa é a única explosão que esperamos acontecer nesse teste. — disse Zoe de tiração com o Ranger Azul — E então, Damian, podemos sentar pra assistir a decolagem?
— Em seus lugares, meus caros apreciadores da engenharia espacial. — disse Damian.
Os heróis foram até caixotes agrupados e sentaram-se aguardando a sonda alçar voo.
— Mandar ver, Damian, arrebenta. — disse Austin — Nem tem porque dizer isso, né? Tá óbvio que esse projeto é o mais sensacional da classe.
— Estão servidos? Trouxe de quase todos os sabores. — disse Tim com latas de refrigerante que abrira.
— Ah, valeu, Tim, tava com uma sede mesmo. — disse Austin pegando um de cola.
— É só uma demonstração, não uma sessão de cinema. — disse Zoe que pegara um de sabor laranja — Mas agradecemos de ter trazido pra todos os gostos.
— Algum problema aí, Damian? — indagou Jessie que bebia um de guaraná.
— Nada preocupante, só uma checagem do lado externo. Já começo o lançamento. — respondeu o Ranger Preto agachado fazendo os check-ups.
Observando atentamente o esquenta para a deflagração do voo de teste, Lokknon tivera um pequeno surto de paranoia, suspeitando de um propósito escuso relacionado ao aparelho.
— Eu não caio facilmente nessa conversa de que isso é destinado a uma simples feira de ciências colegial. Algum plano oculto está sendo camuflado por Dickerson em relação a essa sonda aparentemente amadora.
— Se Mudok estivesse vendo isso agora não hesitaria em enviar Psycho-Bots para arruinar o teste de lançamento que pode ser muito bem-sucedido levando em conta a genialidade atestada do Ranger Preto! — disse Barooma assistindo próximo ao seu computador e ao bio-modelador que estava em processo de limpeza automatizada.
— Por falar nele, desde ontem que anda enfurnado naquela oficina. — comentou Aracna lixando as unhas sentada na grande almofada — Mestre, o que tem a dizer? Mudok está criando um novo brinquedinho em segredo. Isso é proibido, certo?
— Eu concedi a ele o voto de sigilo para que me surpreenda quando finalmente inaugurar sua máquina de extermínio contra os Rangers. Mas ótima ideia, Barooma. Caso isso se trate de uma estratégia da Intercorp em explorar outros mundos, tenho a obrigação de abate-la! Psycho-Bots, ataquem! — disse o imperador que bateu seu punho direito no botão do braço do trono.
Os soldados robóticos de um olho só surgiram em teleporte fazendo cerco aos Rangers que se alarmaram estremecidos largando as latinhas e se posicionaram juntos para a luta.
— O dia tava calmo demais. — disse Austin.
— Lokknon maldito, não pode ver ninguém curtindo a vida que fica se doendo! — falou Tim.
— Damian, a sonda! — alertou Jessie.
— Vamos tentar mante-los o mais longe possível dela! — disse o Ranger Preto.
— Ótimo, tá bem na cara que estão afim de pega-la! — disse Zoe pronta para o ataque.
— Muito bem, Rangers, atacar! — bradou Austin.
Os heróis avançaram aplicando chutes eficazes que derrubavam-os, além de socos desferidos no torso dos robôs e rasteiras. Damian se mantinha próximo da sonda desviando de golpes de dois Psycho-Bots, mas logo largou a defensiva ao socar um por vez depressa na barriga e derruba-los. Austin executou um golpe de derrubada típico de judô em um, logo notando um perigo de proximidade despercebido pelo Ranger Preto.
— Damian, não se distrai com eles, protege a sonda! — disse o líder que dera um pisão na cabeça do robô o danificando.
Tim jogava dois deles, que estavam agarrando-o de frente, contra vários tonéis de ferro empilhados e contendo água. Os soldados caíram ficando encharcados e consequentemente faiscando envolto de raios pelos danos, se debatendo como peixes.
— Tomem essa, seus imundos! Vão tomar banho! — insultou o Ranger Azul fazendo gesto de negativo com os polegares.
Damian fora cercado por três soldados e se desdobrou ao máximo de sua força desviando dos golpes e revidando com chutes. Porém, viu que se afastara um pouco da sonda. Um Psycho-Bot caído reergueu-se rápido e disparou um laser vermelho de seu braço que atingiu em cheio o projeto, o qual explodiu em faíscas.
— A sonda! — disse Damian que chutara fortemente um robô contra um poste — Não! — correu para verificar a dimensão do estrago.
— Temos que sair daqui, Damian! — disse Austin parando-o — Estão aparecendo mais deles, não vamos dar conta de todos até nos cansarmos!
Os Rangers foram recuando ante ao grupo mais numeroso de soldados que se aproximava. Alguns deles dispararam tiros dos detonadores — armas que assemelhavam-se a lança-foguetes.
— Corram! — disse Austin, seguido pelos amigos correndo em disparada para o ferro-velho e pulando a cerca baixa. Os tiros causaram explosões mínimas de fogo das quais o grupo escapara devido a mira ineficiente dos robôs.
Enquanto isso, Brock, Stuart e Andreos estavam ainda a caminho da oficina desativada. O valentão gorducho não parava de confabular com o novo parceiro inseparável.
— E foi aí que o Stuart se tocou que tinha bebido a água sanitária e não a água normal! Hahahaha!
Andreos se deixava contagiar pela risada, gargalhando à sua maneira. Stuart, por outro lado, via cada vez mais com maus olhos a relação estreitada de ambos, sentindo-se colocado de escanteio pelo melhor amigo.
— Ei, Stuart, conta você agora uma história de quando fui desastrado.
— Minha vez, é? Não sei nem por onde eu começo.
— Qual é, mano, que cara de orangotango mal-humorado é essa? A gente tá no pique pra não ficar devendo nessa feira chata de ciências graças ao Andreos e você fica aí emburrado.
— Se ele quisesse mesmo nos ajudar já teria dito como será nosso projeto!
— Oh, vai com calma aí, Stuart! Nunca te vi nessa braveza toda, rapaz! Qual é a tua?
— Eu creio que Stuart está reagindo com desconfiança quanto a nossa conexão, Brock. — disse Andreos.
— É, eu tô sim! Você já tá ficando bem abusadinho pro meu gosto! — confrontou Stuart.
— Tá com ciúme do Andreos, cara? Você devia agradecer a ele por querer salvar nossas peles!
— Salvar como? Ele não nos disse nada até agora, tá escondendo alguma coisa da gente!
— Stuart, peço que se acalme, as minhas intenções com o Brock são as melhores possíveis. A ligação bio-mecânica que estabelecemos não é prejudicial a ele.
— Então prova, cabeça de lata! — mandou Stuart apontando o dedo para o ser alienígena.
O grupo de Psycho-Bots, mais precisamente uma pequena parte que separou-se para caçar os Rangers, os abordou mirando suas armas.
— Ai, caramba, Brock, olha pra trás, olha pra trás!
Brock virava-se para conferir.
— Ué, o que é que tá aconte... Oh, oh, são aqueles robôs sinistros do espaço! Vamo puxar o carro, vamo picar a mula, vamo se escafeder!
— Não há motivo para pânico, rapazes. Estão plenamente seguros comigo. — assegurou Andreos. Os Psycho-Bots se aproximaram, prontos para atirar — Brock, confie em mim.
— Mas o que tu pode fazer pra dar um apavoro nesses malucos? Você é só um capacete!
— Vão atirar na gente! — alarmou-se Stuart, agitado — Onde é que eu me escondo?
Os robôs dispararam com os detonadores. Subitamente, Brock se colocou à frente de Stuart e esticou os braços criando uma barreira meio transparente em forma de cúpula que protegera-os dos tiros explosivos que estouraram atrás deles. Logo, o braço direito de Brock se metamorfoseou numa liga metálica formando um braço robótico que materializara um canhão com o qual atirou em peso contra aos robôs. Os soldados voaram com a tremenda explosão resultante, caindo avariados.
— Caraca velho, o meu braço virou um canhão de derrubar até tanque blindado! — disse Brock vendo o braço retornar ao normal rapidamente.
— Isso não foi nada mais que uma fração do que sou capaz de realizar. — afirmou Andreos gerando alta expectativa em seu "irmão siamês".
— Eu não disse que esse capacete podia me dar superpoderes, Stuart? Cara, sou muito sortudo!
— Brock, aquilo foi sensacional, mas... Não foi você, foi o Andreos, esses poderes são dele.
— O que é mais uma razão pra você agradecê-lo.
— Tá legal... — disse Stuart de má vontade, a expressão de azedume — Valeu, Andreos.
— E vocês dois achando que eu não passava de um simples capacete extraterrestre.
— Então você pode criar tipo uma armadura de metal parecida com um robô? — perguntou Brock, entusiasmado.
— Basicamente fui programado com a finalidade de se associar a organismos biológicos, de preferência humanoides como vocês, meu antigo propósito era transformar a vida daqueles que acabavam perdendo seus membros superiores e inferiores em acidentes terríveis ou por má-formação congênita. No entanto... A minha memória foi apagada e isso é tudo de que lembro do meu antigo database.
— Você criava soldados de armaduras, é isso? — indagou Brock.
— Eu e mais outras redes de defesa automatizadas. O que aconteceu há pouco foi uma reação espontânea sua em querer se proteger e proteger seu amigo, Brock.
— E o que isso significa? — questionou Stuart.
— Que Brock está se adaptando ao meu sistema de assimilação para utilizar todas as funções mecânicas que disponho para ataque e defesa.
— Temos o nosso projeto, Stuart! Vamos deixar a galera do colégio de queixo caído!
A dupla — ou melhor, o trio, se direcionava para o ponto onde os Rangers estiveram para o teste da sonda, encontrando o aparelho destruído e caixa com as latinhas de refrigerante largada.
— Ei, o que é aquela geringonça ali? — indagou Stuart que foi olhar de perto. Chutou de leve a sonda tostada — Parece nova por fora, mas ferrada por dentro.
— Deixaram presentinhos aqui pra quem achasse. — disse Brock pegando duas latinhas — Segura, Stuart! Aí, Andreos, te apresento o refrigerante, uma bebida super viciante. Esse aqui é de cola, o melhor de todos!
— Brock, ele tá dentro de um capacete, não dá pra enxergar. — apontou Stuart abrindo a latinha — A não ser que essa bola de gude aí no meio seja o olho dele, sei lá. — bebera com gosto.
— O tato e a audição são os únicos sentidos orgânicos que possuo, mas minha habilidade sensorial pra detectar ameaças também pode ser considerada. Sem meu sistema vocal, eu não poderia provar quem eu sou, embora fizesse Brock se defender de perigos como de antes.
Quando Brock terminara de tomar uma lata inteira de refrigerante, Andreos se manifestou.
— Hum, mas essa bebida consumida pelos terráqueos é de um sabor incomparável.
— Como é que você sente o gosto? — perguntou Stuart franzido a testa.
— Stuart, larga de ser chato! O Andreos tá ligado em mim, agora ele sente o que eu sinto.
— A refrescância desse conteúdo libera neurotransmissores que indicam satisfação e prazer. O vício de Brock é parte de mim também. É um ótimo estímulo para completar meu processo de mecanização.
— Tá falando da armadura irada que você cria? Então você só precisa de mais refrigerante?
— Se quiser montar todo o quebra-cabeça, peça por peça, sim.
— Fechado, amigão. Stuart, pega a caixa com as latinhas, vamos levar lá pra oficina.
— Somente as desse sabor que Brock gosta. — especificou Andreos.
Stuart olhava torto para o amigo ao ir pegar a caixa e segui-lo altamente desconfiado até a oficina. Paralelamente, os Rangers viam-se escondidos seguramente após a perseguição.
— Acho que despistamos eles. — disse Austin conferindo em volta.
— Ou o Lokknon os recolheu após concluir a missão que era transformar minha sonda em lixo espacial. — disse Damian, frustrado.
— Não fica assim, Damian. — disse Zoe o tocando no ombro, compadecida — A feira é na semana que vem, tem um fim de semana inteiro pra criar uma sonda nova ou outro projeto.
— Tem uma biblioteca enorme de ideia geniais na sua cabeça pra pensar em alguma coisa que substitua a sonda. — disse Jessie.
— Aí, garotas, o Damian pode ter um cérebro de computador, mas ele é de carne e osso como todos os meros mortais. — disse Tim — Só uma máquina pra produzir algo em dois dias.
— Não acredito no que vou dizer, mas ele tem razão. Nesse prazo apertado, só uma I.A. conseguiria entregar.
— Eu não gosto quando você fala em siglas, cara. É que nem uma vez quando me falou da RPM sobre máquinas velozes e quando fui pesquisar descobri que é uma montadora de carros tunados.
Os comunicadores tocaram os deixando alertas.
— Na escuta, Sr. Dickerson. — disse Austin ao atender o chamado e levando os demais a se aproximarem.
— Rangers, preciso que venham pra se atualizarem de uma novidade fantástica.
— Falou novidade eu não ignoro. — disse Jessie.
— Nem eu. Já fico morrendo de ansiedade. — disse Zoe.
— Dá uma dica aí, Sr. Dickerson. — pediu Tim.
— Não, nada de pistas, tem que ser uma surpresa completa. Ou vão deixar pra saber quando Lokknon enviar um monstro?
— Tá brincando, né? É claro que vamos agora mesmo sem demora. — disse Austin, ansioso.
Os Rangers apertaram os botões de teleporte simultaneamente virando pilares de luzes com as respectivas cores. Chegaram na Central de Comando ávidos pela notícia.
— Rangers, bem-vindos. — disse Karen de pé à direita de Dickerson — Estão prontos pra ouvirem?
— Podemos dar nossos palpites pra vocês revelarem por eliminação? — perguntou Damian.
— Na verdade, estamos com um pouco de pressa, então faremos a revelação sem enrolação. — disse Dickerson com um sorriso de satisfação que transmitia nervosismo — Sendo assim, pode vir... — virou o rosto ao chamar.
A surpresa foi proporcional entre os cinco. A figura de Owen saía do caminho escuro que levava ao laboratório. O Ranger Verde veio andando até os amigos sorrindo contente.
— Owen?! Você voltou, finalmente! — disse Zoe indo abraça-lo.
— Pois é, galera, o bom filho à casa torna. O teste que acabei de passar com a célula verde foi um tremendo sucesso. Não foi, Sr. Dickerson?
— Sem dúvidas, Owen. Estamos Karen e eu orgulhosos do empenho que você investiu pra se sair aprovado. Me fez sentir recompensado pelo trabalho de ajuste que virei o ano fazendo.
— Haha, nosso trevo de quatro folhas voltou pro time! Parabéns, parceiro! — disse Tim o abraçando de lado e fazendo cócegas na cabeça dele com a mão fechada.
— Ei, Tim, para, isso dói, cara! Hahaha! — falou Owen, sentindo-se ótimo ao revê-los.
— Sr. Dickerson passou tanto tempo resolvendo esse problema que nem suspeitamos disso quando ele nos chamou. — disse Austin.
— Verdade, agora lembrei que tinha uma previsão pro conserto da célula acabar. — disse Jessie — Acho que a agitação do fim de ano e as férias de inverno fizeram a gente esquecer.
— Esqueceram que eu podia voltar a ser parte da equipe? Olha que isso me magoa hein. — brincou Owen — Tô de zoação, pessoal, vocês se amarraram em mim como Ranger Verde por pouco tempo que ficaram morrendo de saudades.
— E acredito que ficaremos mais impressionados quando vermos as melhorias em prática. — disse Damian que batera sua mão direita na de Owen e apertou-a.
— Bem-vindo de volta, Owen. — disse Austin o tocando no ombro — A sua jornada vai recomeçar a partir de agora. E aí, que tal comemorar com um rodízio lá no Earl?
— Hoje é o dia do rodízio de fritas, né? Vocês melhoraram meu dia que já tava incrível. Vamos lá que eu tô com tanta fome que comeria um touro. — olhou sugestivo para Damian.
— A minha fome já se equipara a de um tubarão. — disse Damian em zoeira com Tim.
— Já a minha se compara a de um gorila. — disse Tim.
— Mas gorilas não são conhecidos por uma fome voraz. — disse Zoe.
— Ah é, eu devia ter dito que era de um leão pra brincadeira terminar no Austin. — falou Tim arrancando risadas de todos
Brock estava na oficina, sentado em uma poltrona velha cercada por peças automotivas enferrujadas. Uma lâmpada amarela iluminava o ambiente, onde Andreos lhe cobria por um maquinário. Após terminar uma lata de refrigerante, a camada robótica de Brock se expandiu, fazendo com que ele esmagasse a lata e a jogasse no chão, junto às outras.
— Mais uma, Stuart. — pediu Brock.
— Ahn... Acabaram todas.
— Eu desejo mais! — disseram ambos como uma única entidade de modo rude, os olhos de Brock brilhando em amarelo, o que assustara Stuart. O valentão de cabelo franjado recuou trêmulo — O que foi? Traga-me mais bebida, serviçal!
— Bro-Brock... É você aí ainda, né?
Seu amigo voltara a si balançando a cabeça.
— Stuart, por que você tá tremendo de medo? Tá vendo algum monstro aqui?
— Sim, você! Quer dizer, o Andreos! Ele tá te transformando numa coisa maligna com pele de robô! Cara, a gente se meteu numa furada!
— Relaxa, Stuart, o Andreos precisa que eu beba refrigerante até ele completar a armadura pro nosso projeto de ciências. Não ouviu ele dizer que não dá prejuízo nenhum pra mim?
— E se ele tiver mentido? Olha pra você, parece um rei que transforma os outros em escravos! Um rei bem malvado porque o seu novo melhor amigo foi bem grosso comigo só porque eu disse que acabou o refrigerante!
— O Andreos não te trataria mal por causa disso. Né, Andreos?
— De forma alguma. Eu pedi gentilmente que trouxesse mais latas. Ele se irritou por puro ciúme. — dissimulou Andreos.
— É mentira dele, Brock! Ele me chamou de serviçal! Vai acreditar num cara que conheceu só há algumas horas do que em alguém que te conhece faz anos?
— Stuart, fui eu quem falou com você daquele jeito! Deixa de ser neurótico, cara!
— Não foi... Eu juro que não foi... — dizia Stuart desesperado com as mãos na cabeça — Foi o Andreos, ele tá te fazendo pensar que foi você por causa da ligação!
— Quer saber de uma coisa? Te arranca daqui e traz mais latas de refrigerante agora! — disse Brock com dedo indicador apontado ao amigo de modo autoritário — Eu comecei isso e vou até o fim! Quer se ferrar no trabalho? Problema seu!
— Ótimo, o projeto é todo seu! Mas só vou trazer mais uma caixa e depois caio fora!
— Mexa-se, escravo! — disse Andreos, ríspido, com os olhos de Brock brilhando macabros.
Stuart correu para fora da oficina amedrontado.
— Aconteceu de novo...
Na Cantina do Earl, Owen relatava como havia se dado os testes no simulador.
— Caramba, você foi o primeiro a testar o simulador de batalha?! — disse Tim.
— Um privilégio necessário. — opinou Damian.
— A sua cara tá meio azul, Tim. — zoou Jessie — É a cor da sua inveja? — dera uma risada.
— Aí, deveríamos estar todos felizes pelo Owen, afinal sem esse teste no simulador ele não poderia mostrar na prática se a célula estava bem. — disse Austin.
— Mas eu cheguei a questionar o Sr. Dickerson se vocês não podiam participar comigo porque seria mais justo, mas ele quis que fosse uma surpresa. — contou Owen pegando uma porção de batatas fritas — Seriam cinco contra um, mas no fim foram dez. — enfiou na boca.
— Dez? Quais adversários você enfrentou? — perguntou Zoe.
— Eram versões em holograma de caras malvados alienígenas que já ameaçaram a Terra. De todos eles, o que mais me deixou tenso foi um que parecia saído de um filme B de terror. A pele dele era carne viva com uma espécie de esqueleto de metal por cima e enxergava por um óculos vermelho que disparava raio laser, muito bizarro. — contava Owen deixando-os mais interessados.
— E quais outros? Vai, conta mais. — pressionou Jessie.
— Ahn, tinha outro que o corpo era preto com listras verdes e usava uma espada...
Já na oficina, Stuart retornava carregando uma caixa repleta de mais latas de refrigerante de cola, largando no chão próximo de Brock.
— Aqui está, majestade! — disse ele em tom irônico.
— Me entregue. — disse Andreos com sua voz mas controlando os músculos faciais de Brock.
— Por que você não vem pegar com essa mão gigante? — desafiou Stuart.
Andreos materializou o canhão na mão direita ameaçando atirar caso ele o afrontasse novamente.
— Eu não preciso de um servo insolente como você, humano medíocre! — disse ele, logo usando um poder telecinético na caixa para traze-la a si. Foi abrindo mais latas chegando a beber duas de uma vez.
— Ah, que delicia! — disse Brock de volta ao comando. Dera um forte arroto — Stuart, você só trouxe essas? Tá pouco pra encher o tanque!
— Brock, chega! — disse Stuart subindo na pilha de metal até se aproximar do amigo — Já se entupiu demais de refrigerante, é o bastante pro projeto da feira, me dá isso aqui. — tentou tomar a lata das mãos dele a força.
— Cai fora, ainda não tá completo! Espera a armadura ficar inteira, só faltam as pernas!
— A armadura fica inteira, eu sei! Mas e você? Não confia no Andreos, ele tá tentando te possuir pra ficar no controle, cara, se toca!
Os olhos de Brock tornaram a brilhar raivosos. O Led vermelho de Andreos no meio do capacete disparou um laser fino que atingiu o braço direito de Stuart o fazendo se desequilibrar, cair da pilha e rolar ao chão.
— Brock, você deixou o Andreos me machucar... Tá doendo muito. — disse ele ao levantar tocando na ferida — Como pode fazer isso com seu melhor amigo?
— Se fosse meu amigo não teria desistido do plano como um covarde. — disse Brock dominado mentalmente por Andreos.
— Eu nem sei mais com quem eu tô falando. — declarou Stuart que correu indo às lágrimas.
Na cantina do Earl, Owen recebia uma ligação urgente de seu pai. Atendeu após dois toques.
— Ahn... Tá certo, eu tô indo pra me arrumar bem depressa. OK, eu não demoro, eu tô aqui no Earl com a turma do colégio. Falou.
— Seu pai? — indagou Zoe.
— É, ele me lembrou de que fomos convidados pro casamento da minha prima Noelle e temos que estar lá em duas horas.
— Vamos torcer pra que o Lokknon não ataque hoje com nenhum monstro difícil. — disse Austin.
— Beleza, vou indo nessa, galera. — disse Owen levantando — A gente se vê, falou rapazes, falou meninas, tchau! Tchau, Earl! — o cozinheiro acenou com simpatia dando um joinha. Owen saíra praticamente correndo.
— Bem, Zoe e eu temos que ir também. — revelou Jessie levantando.
— Pior que sim, precisamos comprar o material pro nosso projeto em dupla. Já enrolamos bastante.
— Deixa eu adivinhar: uma esperando a outra tomar a iniciativa. — disse Damian.
— Como sempre, né? Mas esse método é coisa do passado. — disse Jessie.
— Quatro mãos agem melhor que duas. — afirmou a Ranger Rosa — Tchau, meninos, até mais tarde.
As duas se dirigiam a saída da cantina andando lado a lado. Na esquina, avistaram Stuart com uma expressão que não costumavam ver nele.
— Aquele é o Stuart... — disse Jessie.
— E tá vindo até nós?! Parece aflito. — percebera Zoe.
— O que ele quer? Olha, vamos por outro caminho, talvez ele só queira sacanear nós duas ou assaltar nossos bolsos pra comer no Earl.
— Não, espera. Quando foi que vimos o Stuart andar sozinho?
— Nossa, verdade, ele tá sempre colado no Brock por aí. — disse Jessie com estranheza no olhar. Stuart as alcançou, ofegante.
— Garotas, ainda bem... que achei vocês. O Brock tá mal, muito mal. Mas não só mal de saúde, ele tá do mal mesmo. Digo, não é ele, mas a coisa no capacete que ele achou.
— Esse é o pedido de ajuda mais confuso que já ouvi. — comentou Jessie.
— Stuart, mantenha a calma. — orientou Zoe, expressando interesse em ajuda-lo — Vai do início e devagar. O que houve de tão grave com o Brock?
— Se importam de virem comigo? Só posso provar se eu mostrar a vocês.
As meninas o acompanhavam até a decrépita oficina, Stuart indo na frente guiando-as.
— Stuart, se for uma pegadinha idiota de vocês, eu te prometo que vamos dar o troco! — disse Jessie, a paciência ínfima e no limite.
— Não tem pegadinha nenhuma, o problema é mais sério do que vocês imaginam, podem crer. — disse ele tentando conter o nervosismo. Se aproximavam da entrada da oficina.
Zoe notara o ferimento no braço dele.
— Stuart, seu braço... — disse ela pegando com leveza — Parece uma queimadura de terceiro grau, você tinha que ir pro hospital.
— Isso foi o Brock quem fez. Digo, a coisa que tá possuindo o corpo dele.
— E você quer que a gente faça um exorcismo que nem o padre fez na garota daquele filme? — perguntou Jessie, revirando os olhos, cética.
— Jessie, para com isso, tô começando a achar que tem algo realmente digno da nossa atenção. — comentou Zoe em voz baixa — Algo que só os Power Rangers podem resolver.
— Desculpa, amiga, mas, pelo histórico desses dois, só acredito vendo.
Ao entrarem na garagem, viram Brock sentado sobre a pilha de sucata. Stuart percebeu que havia chegado no meio de uma discussão entre Brock e Andreos sobre o controle do corpo.
— Mal se juntaram e o casalzinho já tá brigando? Quem tá pedindo o divórcio?
— Eu! — disse Brock — Você tinha razão sobre o Andreos, ele tá tomando conta do meu corpo, o projeto que se dane!
— Muito cuidado com o que diz, Brock! — advertiu Andreos pelo Led no capacete — Eu já assumi cerca de 90% de sua biologia a nível celular. Somos verdadeiros amigos inseparáveis!
— Não, meu parceiro inseparável é o Stuart e vai ser sempre ele! — esbravejou Brock — Cai fora do meu corpo, sai da minha cabeça!
— O que diabos tá acontecendo aqui, afinal? — indagou Jessie, estranhando — O Brock arranjou uma armadura de brinquedo e tá endoidando?
— Que brinquedo o quê! Isso é um alien se espalhando pelo corpo do Brock igual a uma micose! — apontava Stuart com veemência.
Andreos se manifestou enfurecido.
— Pertencemos um ao outro agora! Mas eu sou o dominante, portanto se submeta a mim! — falou com a boca de Brock, os olhos brilhando.
— Tá legal, tô convencida! — admitiu Jessie, surpresa.
— Como isso foi acontecer? — perguntou Zoe, nervosa.
— A gente tava caçando metal pro nosso projeto de ciências, daí o Brock achou um capacete onde vive o Andreos! Ele é de outro planeta e gruda em qualquer um que põe o capacete!
— Você trouxe amigos para tentar obstruir a minha metamorfose! Que pena pois seu plano fracassou lindamente. — disse Andreos levantando da poltrona, pulando e pisando com tremor no chão — Vou remover do meu caminho todos que tentarem se opor a meu propósito!
— Seu propósito era ser nosso projeto de ciências, mas como é o baita de um traíra e mentiroso, não vai rolar! — acusou Stuart.
— Hahaha, em todo esse tempo eu priorizei unicamente os meus interesses. Por que uma forma de vida avançada como eu faria as vontades de seres tão patéticos e primitivos? — falava Andreos combinando sua voz a de Brock.
— Stuart, é melhor você fugir. — sugeriu Jessie.
— Ninguém sairá daqui com vida! — ameaçou Andreos formando o canhão no braço direito e mirando em Stuart. Disparou um tiro, mas Zoe pulou sobre Stuart, salvando-o. O disparo acertou um amontoado de peças que explodiram com faíscas.
— Zoe, você salvou minha vida... — disse ele com sorriso bobo.
— É, salvei, agora sai daqui pra que você se salve! — aconselhou ela o ajudando a levantar.
— Mas e vocês duas?
— A gente vai tentar te fazer ganhar tempo pra fugir e... depois chamamos os Power Rangers. — disse Jessie — Vai logo, vaza daqui!
Stuart correra o mais rápido que pode para fora da oficina. Zoe avançou primeiro, saltando ao desferir chutes que foram defendidos pelos braços robustos de Andreos. O ser alienígena disparou com o ladrão do canhão, levando a Ranger Rosa a desviar com cambalhotas para trás, escapando das explosões de faíscas. Era a vez de Jessie que partiu ao ataque usando uma barra de ferro pontuda, mas Andreos defendia-se dos golpes facilmente até agarrar o bastão ferroso e quebra-lo com uma joelhada. Chutou-a contra alguns barris de madeira.
— Jessie! — disse Zoe que fora retaliar. Andreos materializou uma estaca metálica no braço esquerdo tentando golpea-la, mas Zoe desviava com pulos e esquivas e dera um giro seguido de um chute que não empurrou-o por mais que três centímetros.
Zoe foi até os fundos da oficina se escondendo atrás de um estante alta e pesada, logo tomando um susto ao ser abordada por Jessie.
A dupla combinou as forças para derrubar a estante sobre Andreos. O móvel caiu barulhento sobre ele que praguejou alto.
— Com ele preso, o Stuart fica fora de perigo e a cidade também, por enquanto. — disse Zoe — Vamos lá.
Apertaram os botões de teleporte, chegando a Central de Comando em pilares de luzes rosa e amarela. Dickerson e Karen viraram-se surpresos com a vinda delas.
— Sr. Dickerson, é um caso de vida ou morte. — disse Jessie mostrando o pedaço da estaca que arrancou.
Andreos não tivera nenhum esforço árduo para sair de cima da estante, a levantando com violência e fúria ao ponto de joga-la contra uma parede atrás. Austin, Damian e Tim foram alertados pelo som do comunicador. Olhando em volta o baixíssimo movimento, Austin atendeu ao chamado discretamente na mesa.
— Na escuta, Sr. Dickerson.
— Garotos, venham imediatamente. Jessie e Zoe estão aqui, relataram um caso bem grave.
O trio fora até o corredor que dava acesso a cantina e lá mesmo teleportaram-se. Chegando a Central de Comando, os três vieram curiosos.
— Eu tava quase vencendo o Austin na competição de cachorro-quente do rodízio. — disse Tim — É bom que seja bem importante.
— O Brock foi possuído por um alienígena que se espalha pelo corpo. — contou Jessie.
— Ah, então não tem importância. — desdenhou Tim.
— Peraí, o que tá havendo? Como assim o Brock foi possuido? — indagou Austin.
— O Stuart veio nos contar, eles acharam um capacete alienígena e o Brock colocou. — relatou Zoe — Mas essa coisa, que se chama de Andreos, se ligou a ele ao ponto de criar um corpo robótico por cima aos poucos.
— Como uma infecção fúngica. — afirmou Damian — Onde eles encontraram esse artefato?
— No mesmo ferro-velho onde estávamos. — informou Jessie — A situação não tá nada boa, o Brock foi tomado por esse monstro-robô e talvez... eles não possam se separar.
— E isso é uma emergência? — indagou Tim.
Dickerson voltava do laboratório.
— Ah, é sim, Tim, e como é. Nosso inimigo da vez é um tecno-parasita da pior espécie. Já incluí os dados da análise, Karen, pode jogar na tela.
A tecnóloga acessou a ficha da criatura bio-mecânica.
— Ele é capaz de desenvolver uma quase perfeita interface homem-máquina com seu hospedeiro. — disse ela com base nos resultados — À medida que nutrem um ao outro, a submissão do hospedeiro aumenta.
— Mas o Brock pareceu resistir ao controle. — disse Zoe.
— A ligação neural entre eles ficou instável num dado momento, mas o parasita pode contornar isso tranquilamente se o elo físico estiver quase total, ou seja, a infecção já quase no auge.
— E curiosamente há níveis altíssimos de insulina que o computador associou a composição de refrigerante. — falou Dickerson.
— Bem que notei umas latinhas de refri largadas na oficina onde eles estavam. — adicionou Jessie.
— O parasita necessita de estímulo para se desenvolver. — explicou Karen voltando-se aos Rangers — Nesse caso, o refrigerante foi o combustível.
— Se bem que aquele roliço é viciado em beber refrigerante. — disse Tim — No que esses idiotas pensaram em usar um capacete desconhecido?
— Se liga, são Brock e Stuart. Senso crítico e desconfiança pra ciladas não constam no DNA deles. — afirmou Damian.
O alerta soou, as imagens no monitor central mostrando Andreos em ação atacando.
— Esse é o Andreos! — disse Jessie.
— Ajam depressa, crianças, nesse estágio ele pode infectar outras pessoas. — avisou Karen.
— Se estiverem com dificuldades, chamarei o Owen. — disse Dickerson.
— Beleza, vamos nessa pessoal. — disse Austin sacando sua célula e morfador — Hora de morfar!
— Touro Ónix!
— Tubarão Cobalto!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
— Leão Escarlate!
No centro da cidade, Andreos escondia-se numa árvore alvejando um garoto com seus amigos trocando figurinhas. Com sua visão dourada enquadrando o alvo, ele preparou-se para disparar uma parte de si e infecta-lo.
— Os terráqueos finalmente saberão o que é a evolução perfeita.
Porém, tiros de laser que explodiram faíscas à sua volta o interceptaram. Os garotos fugiram assustados e mais pessoas correram em pânico ao verem Andreos. Os Rangers chegavam prontos para o combate, alinhados.
— Vimos o que tentou fazer, ô cara de sucata! — disse Tim.
— Se quiser transmitir sua infecção pra mais gente, terá que se ver conosco primeiro! — disse Austin.
— Eu sou o sinônimo da salvação para esta espécie! Havendo outros como eu, este planeta verá dias mais prósperos!
— E que civilização é próspera sendo controlada por um único organismo sem ninguém tomando as próprias decisões? Você não quer evolução, mas sim dominação! — questionou Damian.
— No fim das contas, só restará você! — disse Zoe.
— Vai ficar sozinho! Já pensou que triste seria sua vida? — falou Jessie.
Andreos avançou contra os Rangers que foram de encontro a ele. O parasita os derrubava à medida que defendia-se dos golpes. Zoe saltou num giro para o lado disparando com a pistola Z, mas os tiros mal arranharam a couraça. Damian tentou com sua marreta um golpe num salto, mas tomara um soco forte que o mandou contra latas de lixo.
— Damian! — disse Austin — Punhos Selvagens! — disparou com os canhões, porém tais tiros não fizeram mais que estouros de faíscas no corpo metálico. Andreos girou da cintura para cima disparando lasers potentes que causavam explosões flamejantes de tirar os heróis do chão.
— Por que estamos pegando tão leve? — indagou Tim — A gente devia ir com tudo!
— Lembrem-se que é o Brock ali dentro! — salientou Austin se recompondo.
— E daí? Um valentão a menos na Terra! — argumentou o Ranger Azul.
— Tim, por mais desagradável que ele seja, é uma vítima nisso tudo! — disse Zoe.
— E não importa o quanto irritantes sejam, a amizade dele com o Stuart é muito forte pra acabar em tragédia! — opinou Jessie.
— Por piores que sejam algumas pessoas, temos o dever de salva-las, não podemos decidir quem vive ou morre baseado em gostar ou não de ninguém. — disse Damian juntando-se a eles.
— Tá legal, vocês estão certos... — disse Tim sentindo-se mal — Mas como faremos pra atacar sem machucar o Brock? Nós cinco não damos conta, tem que ser um peso-pesado comparado a força dele.
— Vão ficar aí discutindo ou continuarão a sofrer minha ira?
— Tá na hora de você sofrer a nossa! Rangers, atacar! — bradou Austin. Os heróis correram até Andreos munidos de suas armas para um novo round. Vendo a desvantagem claramente, Dickerson não hesitou em chamar por Owen. O Ranger Verde se arrumava para a festa, seu pai ajudando-o a dar nó na gravata.
— Pra quê irmos tão elegantes? O único que aguenta esse terno é o manequim.
O comunicador tocara, levando Marley a estranhar.
— Que som é esse?
— Ahn... Meu bipe, configurei pra lembrar do horário de alimentar o Nemo, meu peixe. — disse Owen subindo depressa a escada.
— Mas você nem tem aquário, filho.
— O senhor que não viu, comprei ontem! Eu volto já, me espera aí!
Ao entrar depressa no quarto e trancar a porta, Owen atendeu o chamado.
— Owen na escuta.
— Os Rangers precisam de um reforço. Está disponível, não está?
— É claro, Sr. Dickerson. Nunca deixaria eles na mão por nada. Tô a caminho. — disse Owen que desligou e pegara a célula e o morfador — Hora de morfar! Gorila Esmeralda!
Após a morfagem, Owen pegara uma caixinha na cômoda.
— Não sairia sem dar seu lanchinho, Nemo. — falou, derramando o pó no aquário para alimentar o peixe-palhaço — Agora sim, direto à ação! — teleportou-se ao local do combate.
O Ranger Verde saltara investindo contra Andreos usando a adaga Kong. O parasita sofrera um dano no peito, mas revidou com um laser disparado da centelha contra o qual Owen defendeu-se com a adaga, sendo empurrado com os pés arrastando no solo.
— O Owen tá na área! — disse Tim.
— Olha como ele tá resistindo àquele ataque! — disse Austin, levantando — Aguenta firme, Owen!
— Hoje não, Frankenstein de lata! — disse Owen que saltou veloz, o laser atingindo o chão e causando uma explosão. Desferiu um corte horizontal da adaga num giro, virando de costas enquanto Andreos sofria o impacto doloroso com faíscas salpicando.
— Se a centelha for danificada seriamente, Brock e eu seremos destruídos!
— Macro-Detonador! — bradou Owen invocando sua robusta arma. O canhão surgiu sobre seu ombro direito e foi apontado para Andreos — Fica paradinho aí. — piscou o flash paralisante — Preparar, apontar...
Contudo, os Rangers o interromperam a tempo.
— Owen, não faz isso! — disse Austin baixando o canhão.
— Qual foi, galera? Ele tava prestes a ser detonado!
— Aquilo é um parasita alienígena que se apoderou do corpo do Brock! — avisou Damian.
— Ele pode ter dito a verdade! — disse Jessie.
— Tem que haver um jeito de separa-los. — falou Zoe.
— O Brock e esse grandalhão são um só? Caraca, quase que eu faço besteira! E agora?
Karen entrava em contato.
— Rangers, há uma solução ideal pra salvarem o Brock: um soro que torna qualquer matéria sólida intangível. Agradeçam ao Dickerson, uma das invenções de feira de ciências dele.
— Intangível? Como assim? — indagou Jessie.
— Significa que pode atravessar outras superfícies. — explicou Damian — Podemos tirar o Brock do corpo de Andreos só o puxando!
— Mas qual de nós fará isso? — perguntou Tim — Vamos tirar no par ou ímpar?
— Deixem comigo. — se propôs Owen.
Karen teleportou o frasco do soro diretamente as mãos do Ranger Verde.
— Valeu, Karen! — disse Owen olhando o frasco e o abrindo — Acho que é só molhar e... — derramou o líquido turquesa nas mãos e testou atravessando uma mão no corpo de Tim que se assombrou.
— Ei, isso parece lance de fantasma! Tira essa mão daí, cara!
— Haha, testado e aprovado! — disse Owen retirando a mão — Vou arranca-lo por trás!
— Nós cinco agarramos o Andreos! — definiu Austin.
— Mas sejamos rápidos porque o efeito do flash paralisador tá acabando! — alertou Owen que logo saltou para ficar atrás de Andreos. O parasita já movia alguns dedos e músculos.
— Estou reavendo minha mobilidade... — disse o alienígena.
— Mas vai perder seu colega de quarto! — disse Owen enfiando as mãos costas de Andreos procurando tatear Brock — Legal, atravessou. Só falta achar o Brock...
O quinteto agarrou as pernas e braços de Andreos fortemente.
— Me larguem, a simbiose é irreversível! Eu irei reinar neste mundo!
— Só se for pra ser o rei da sucata velha! — insultou Tim.
— Como é que tá aí, Owen? — perguntou Austin agarrando a perna direita com esforço.
— Quase lá... — disse o Ranger Verde aprofundando as mãos — Tô sentindo ele... Tá aqui, achei! O peguei, é agora!
— Puxa! — pediu Zoe gemendo pelo esforço em manter Andreos parado.
Owen usara do máximo de sua força física para arrancar Brock daquela estrutura bio-mecânica. O tirou de uma vez, rompendo ligamentos de fios, caindo para trás.
— Brock! — chamou Stuart correndo até eles.
— Ele tá bem, só tá inconsciente. — disse Owen o segurando de lado — Consegue tira-lo daqui?
— Sim, eu consigo. Aí, Power Rangers, valeu mesmo por salvarem a vida do meu amigão!
— Cuida bem dele e procurem não catar qualquer lixo estranho pelos cantos. — disse Austin vindo com os demais.
Stuart agradeceu-os novamente e se afastou dali arrastando Brock. Andreos estava trêmulo vibrando com sua voz entrecortada. Os Rangers o viram ruir se desmontando em várias peças.
— Yeah! Ele desmontou que nem lego! — celebrou Tim.
Porém, Barooma surgira com seu cajado, disparando um raio sobre as peças de Andreos.
— Aqui estou que para lembra-los que o mestre Lokknon observa a tudo!
As peças se reorganizaram, levando Andreos a reassumir sua forma anterior, mas agindo independente de um hospedeiro.
— Ele trouxe o Andreos de volta! — disse Jessie.
— Eu nunca fui embora! — disse o parasita.
— Ah, é verdade, ele tá dentro do capacete! — recordou Austin — Deve ser o ponto fraco!
— Agora sou uma entidade livre para propagar meu DNA!
— Ele não depende mais de um hospedeiro! — apontou Damian.
— Barooma, você nos paga! — repreendeu Zoe.
— Até mais, Power Lixos! — disse o cientista retornando a nave de Lokknon em teleporte.
Andreos liberou bombas dos dedos que causavam explosões incapacitantes em volta dos Rangers.
— Rangers, vamos combinar nossas armas! — disse Austin levantando.
— Espera, Austin. — disse Owen o tocando no ombro ao lado dele — O Abatedor Selvagem sozinho pode não ser forte o bastante contra ele. Sr. Dickerson me falou que é possível fundi-lo ao Macro-Detonador.
— É sério? Que máximo, Owen! Pessoal, vamos lá! Combinar armas!
Os Rangers conectaram suas armas fundindo-as e assim formando o Abatedor Selvagem.
— Sua vez, Owen! — disse Jessie.
— Macro-Detonador! — invocara o canhão vigoroso — Agregar! — apertara um botão. A arma se deslocou para o Abatedor Selvagem ficando na área superior e gerando um processo de fusão com raios verdes envolvidos. O resultado foi um canhão triplo segurado pelos seis Rangers que compartilhavam suas energias para alimenta-lo com uma só mão dentro.
— Caramba, esse canhão deve ter um tiro de arrasar! — disse Tim, empolgado.
— Atenção, pessoal, ele vai atacar! — disse Austin — Pronto, Owen?
— Minha energia somou! Quando você disser! — disse o Ranger Verde à esquerda dele.
Andreos disparava um poderoso laser da centelha.
— Um, dois, três... Disparar!
O canhão triplo lançou esferas de energia com raios que se combinaram numa só chocando-se contra o laser azul brilhante de Andreos. A potência do tiro triplo combinado prevaleceu no cabo de guerra, atingindo Andreos impiedosamente. O parasita caiu e explodiu fatalmente para a alegria agitada dos Rangers.
Na nave de Lokknon, o imperador via-se dormindo no trono com uma viseira preta chegando a dar roncos altos e intermitentes.
— Barooma, me salva dessa dúvida cruel: acordamos ou não o mestre pra reportar o novo triunfo dos Power Pirralhos? — perguntou Aracna, à direita do subalterno, em voz baixa.
— É o sono reparador do mestre! Deve se manter inabalável!
— Mas se não dissermos nada quando ele acordar, ele vai se irritar. E se o acordarmos agora... ele também vai se irritar.
— O sono do mestre é a prioridade para que ele preserve a disposição e o vigor!
— Hum, verdade. — disse Aracna que foi aproximando-se — Acho que vou leva-lo pro seu quarto onde é mais confortável.
Mas Lokknon dera um alto ronco junto a movimentos que sinalizavam um possível despertar súbito, mas sendo um mero alarme falso. Aracna recuou retraída sorrindo nervosamente.
— Melhor deixa-lo aí mesmo.
Barooma entrava na oficina de Mudok como muito raramente fazia. O androide ocupava-se no seu mais novo invento maquinal que representava uma nova arma de destruição.
— Mudok, você tem um minuto?
— A perder ouvindo essa sua voz irritante dentro do meu espaço privado? Não, obrigado.
— Estou certo de que gostará do que eu trouxe para você estudar com todo o interesse!
Mudok parava de soldar aquela estrutura, virando-se para o cientista.
— Mas isso é um... gerador de interface bio-cibernética. Onde encontrou?
Barooma se aproximou com o capacete que era o receptáculo de Andreos em mãos.
— Sobreviveu a última batalha dos Rangers! Acredito que o metal da CPU seja indestrutível!
— Verei o quão indestrutível é. — disse Mudok pegando o capacete — Mas está chamuscado. Será que a I.A. foi desligada permanentemente?
— Com um ataque destrutivo como aquele, receio que sim! Mas aproveite a matéria-prima para incluir no seu novo projeto! Até mais!
Barooma saia da sala com seu andar meio vagaroso. Mudok estudava o capacete.
— Eventualmente passaremos um bom tempo juntos. — disse o androide o colocando num modelo de cabeça robótica e retornando ao seu trabalho.
O Led vermelho acendia-se um tanto quanto lentamente até brilhar em totalidade.
XXXX
Fale com o autor