Power Rangers: Esquadrão Z
25 O Verde da Sorte
Notas iniciais
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Na primeira hora da manhã, Karen já se encontrava rumando à sala de controle da Central de Comando carregando sua bolsa de couro ao passar pelo corredor de luzes amarelas embutidas acima das paredes. Ao se aproximar da porta, fizera o reconhecimento biométrico e facial, a porta dupla enfim abrindo. Acendeu parte das luzes da sala, mas notara algo distintamente estranho vindo da passagem que levava à oficina. Estreitou os olhos andando vagarosamente com suspeita no semblante.
— Dickerson? — chamou ela inclinando a cabeça para um lado para olhar a passagem — Mas que negócio é esse? — indagou, baixinho, a intensidade subitamente elevada da luz esmeralda a deixando tensa — O que será isso? Dickerson, é você quem tá aí? — largou a bolsa no painel e correu até lá.
Entrando no laboratório do explorador, seus olhos sendo agredidos pela luz resplandecente, tanto é que rapidamente protegeu-os com as mãos atordoada. As paredes do recinto estremeciam.
— Dickerson! Desliga isso, não enxergo nada! Que experiência é essa?
A luz foi reduzindo gradualmente. Com o apagar total, a tecnóloga reabriu os olhos e viu o mentor dos Rangers com sua habitual roupa de trabalho, mas usando um grande óculos escuros de proteção. Diante dele havia uma mesa de operações com uma robusta máquina semelhante em forma com uma furadeira cuja ponta brilhava como uma ínfima brasa.
Sob ela, uma célula de morfagem cor verde exalando fumaça extremamente quente. Pegando-a com as mãos seguramente enluvadas, Dickerson removeu os óculos e virou-se para a assistente com entusiasmo radiante na face.
— Consegui, Karen. Estabilizei o núcleo de energia. A célula de morfagem verde está concreta e cem por cento pronta para operar.
Karen boquiabriu tamanha sua perplexidade.
— Dickerson... Nossa, mas isso é... Incrível. — disse ela indo até ele. O abraçou — Sabia que estava trabalhando numa célula nova, mas não que estivesse numa etapa tão avançada nesses últimos dias. Tô muito orgulhosa de você, dedicou tantos anos a esse projeto com base nos arquivos do seu pai...
— É, ele... sem dúvidas estaria explodindo de felicidade como estou agora. — disse Dickerson olhando para a célula recém-concluída.
— Eu tenho certeza de que ele se orgulha do homem que você é esteja onde estiver olhando por sua vida. — disse Karen afagando o ombro do amigo — Diria que agora você se tornou alguém maior que ele. Ai, eu tô louquinha pra contar a novidade pros Rangers. Será que eles vão aprovar a ideia?
— A questão que importa agora é a aprovação de um certo alguém acima de nós. — lembrou Dickerson, o que fez esfriar a empolgação dela.
— Ah, não... A sagrada burocracia da Intercorp.
Logo em seguida, o arqueólogo e engenheiro iniciava uma videochamada na sala de controle com o comandante Leozor.
— Meus mais sinceros parabéns, Dickerson. — dizia o leão antropomórfico — Se seu pai testemunhasse essa gloriosa proeza, sem dúvidas ele estaria tão confiante quanto eu no que isso representa para o futuro.
— Muito obrigado, comandante. Mas... A célula terá de passar por algum sistema de vistoria na ala científica da estação? Garanto ao senhor que a estabilização que acabei de fazer é um atestado seguro de que ela está apta pra utilização em campo.
— Se você alega com tanta firmeza o sucesso desse procedimento, então não me cabe impor nenhum tipo de inspeção. O almirante certamente teria uma opinião diferente, mas o pedido passa pelo meu crivo... e afirmo que nele termina. Tem minha total concessão para fazer desta célula o que desejar, a equipe está sob sua tutela, não vou impedir que queira expandi-la para reforçar o arsenal.
Dickerson e Karen suspiravam de alívio entreolhando-se com ânimo.
— No entanto, deve fazer uma seleção criteriosa para definir o usuário.
— Mas é claro, comandante. Geralmente, escolher a dedo não é um motivo de preocupação pra mim quando eu observo que aquilo tem os atributos necessários e capazes.
— Ainda assim, o direito de escolha requer um prazo específico, uma norma do conselho.
— Sempre esse conselho... — disse Karen em voz baixa, desconfortável.
— Quanto tempo eu preciso?
— Dois dias. — respondeu Leozor para a surpresa de ambos — Caso a seleção não aconteça por falta de adesão, o Conselho assumirá a prerrogativa.
Karen olhou de lado com temor para Dickerson se importando com o modo que ele absorvia a regra e como a colocaria em prática.
— A decisão é sua. Aceite o prazo e terá autonomia para integrar o novo membro do Esquadrão Z. Recuse e deixe ao encargo do conselho. Sabe que eles indicam candidatos de suas preferências, exclusivamente parentes. Isso pode soar desfavorável já que seus Rangers são de uma única espécie e a ideia de um integrante estrangeiro causaria algum mau-estar entre eles, acredito eu.
— Está bem, senhor. Farei o possível pra encontrar o mais qualificado pra vaga, acredite.
— Sendo assim, me despeço. Até mais ver, Dickerson, boa sorte. Você também, Karen.
— Obrigada pela atenção, comandante. Até mais. — disse Karen acenando tímida e tensa.
A chamada foi desligada e Dickerson se mostrava cansado passando as mãos no rosto ao reclinar-se na cadeira giratória.
— Não começa, eu não quero ouvir uma palavra sequer sobre desistência. Você não cruzou esse longo oceano a nado pra morrer na praia.
— Eu não considero desperdiçar todo o tempo que investi nessa célula e entregar minha autonomia ao conselho, Karen. — disse ele, pensativo olhando para cima, o cansaço transparecendo — O legado tornou mais fácil recrutar os cinco Rangers do time principal. Mas onde vou arranjar um número seis em dois dias?
***
No seu quarto, Lokknon foi abruptamente incomodado por Aracna ao estar deitado em posição mortuária na sua cama luxuosa. Os olhos amarelos do capacete fechavam-se em sincronia com os dele. O imperador dormia com o traje inteiro, sem tirar luvas nem as botas.
— Mestre, por favor, acorde! É uma notícia urgente! — dizia a princesa aracnídea o balançando.
Lokknon despertou com agitação e alarme, quase chegando a cair da cama.
— O que significa isso? Quem se atreve a interromper meu sono de beleza? Aracna!? — a empurrou raivosamente — O que faz aqui? Por que resolve me acordar com tanto estardalhaço?
— Uma descoberta nada boa. Me desculpe por perturbar seu sono! — disse Aracna ajoelhando-se e juntando as mãos ao implorar.
— Se for tão urgente quanto diz... Argh, está bem, irei relevar, mas nunca mais repita isso!
— Ao que tudo indica, mestre, o papaizinho dos Rangers andou fazendo experiências na sua salinha de inventos. — disse Aracna levantando.
Mudok e Barooma adentraram no recinto ávidos para compartilhar a informação.
— Detectamos um pulso de energia oriundo de uma localização específica na Alameda dos Anjos. — informou o androide se aproximando — Obviamente, partiu da base ultrassecreta dos Rangers. É uma assinatura energética dez vezes superior a que os Rangers liberam quando morfam.
— Inclusive, causou uma instabilidade nos nossos sensores enquanto se manifestava, mas pudemos medir com alta precisão o nível de energia acentuado desse projeto misterioso! — disse Barooma.
— Não há nenhum mistério nisso... — disse Lokknon levantando pensativo.. O imperador foi andando lentamente e parou, logo virando-se aos três — Dickerson criou uma nova fonte de poder.
Aracna reagiu com certa surpresa e tensão.
— Como uma nova célula de morfagem? — indagou Mudok.
— Muito provavelmente. — disse Lokknon em firme seriedade — O dia mais temido por mim chegou. Aquele verme pode ter finalmente superado seu pai. — especulou, erguendo de leve o punho direito cerrado devido a fúria incitada pela péssima notícia.
***
Pela manhã, os Rangers se encontraram do lado de fora da Angel Grove Middle School em meio aos vários alunos, o que raramente ocorria, enquanto chegavam para vivenciar um novo e produtivo dia estudantil.
— Fala aí, garotas! — disse Austin vindo com Tim e Damian, os três juntando-se a elas.
— Bom dia, rapazes. — cumprimentou Zoe.
— Oi, oi, meninos. — disse Jessie — A onda de calor voltou ou é só a sensibilidade muito exagerada da minha pele de princesa quando faz um solzinho assim de outono?
— De acordo com a previsão do tempo, hoje é um dos últimos dias de temperaturas atípicas pra esse meio de estação. — disse Damian — Mas nada que exija muito protetor solar.
— O tempo anda mesmo uma maluquice. Nenhuma estação é como antigamente. No meu tempo, outono tinha mais folhas secas caídas nas árvores. — disse Tim.
— Falou o Matusalém. — disse Austin que caiu na risada junto com as meninas.
Os comunicadores tocaram inesperadamente.
— Nossa, mas justo agora? — disse Jessie cobrindo a pulseira com a mão para abafar o som tal qual os demais.
— Tem gente demais aqui fora. — observou Zoe.
— E querendo ou não, chamamos atenção. — comentou Damian.
O grupo foi andando na busca por um local estritamente reservado e seguro.
— Ali, perto do bosque. — apontou Austin — Não acho que seremos vistos mesmo se tivermos que morfar.
Os cinco caminharam em direção ao ponto indicado sem atraírem olhares desconfiados. Se embrenharam nos arbustos e esconderam-se atrás de uma árvore robusta. Os amigos se juntaram à esquerda e direita de Austin que logo apertou o botão de atender a chamada.
— Na escuta, Sr. Dickerson.
— Desculpem o contato tão cedo, mas é que não estava mais aguentando esperar pra dividir essa notícia incrível com vocês.
— Que notícia? Vamos ganhar mais medalhas? — perguntou Tim.
— Não, mas irão ganhar um novo parceiro de equipe.
— Alguém vai substituir a Karen? Me diz que não, por favor. — disse Jessie.
— Ou algum novo membro pra ajudar no suporte? — especulou Zoe.
— Tem a ver com o time de vocês, crianças. Ontem à noite... eu finalizei uma nova célula de morfagem.
A reação dos heróis foi de espanto expressivo.
— Caramba, Sr. Dickerson... A gente nem sabe o que dizer de tão felizes que estamos por essa conquista. Parabéns. — felicitou Austin.
— Já não havia a menor sombra de dúvidas que o senhor é um gênio. — disse Damian
— De que cor ela é? — perguntou Jessie.
— Verde. Carrega uma potência de poder bruto muito acima das cinco que meu pai criou.
— Então... esse novato será mais forte que todos nós cinco juntos? — indagou Tim perdendo o brilho da alegria que a boa nova trouxe.
— Não há com o que se preocuparem. Saibam que vocês como uma equipe são complementares e muito bem capazes de evoluírem às suas próprias maneiras. Entendo que provoque insegurança, mas não se sintam intimidados com a entrada de um novo membro.
— Mas e o legado que estamos honrando? — indagou Jessie.
— Pois é, não existia um Ranger número seis na equipe dos nossos pais. — disse Zoe.
— De fato, o Esquadrão Aviário não contava com um Ranger extra, mas diversas equipes anteriores a eles e a vocês também integraram um sexto, eram membros excepcionais, com esse novo pro nosso esquadrão não será diferente. Quando os recrutei, desejava que fossem um time avançado em todos os sentidos, sem a mínima obrigação de se igualar ao passado. Basta fazer a escolha certa e, se não for pedir muito, eu preciso que me ajudem.
— Não tem ninguém que o senhor possa indicar pra essa vaga? — questionou Damian.
— Infelizmente, não, não tenho nomes pra candidatos. E pra piorar, o comandante Leozor me deu apenas dois dias pra definir o novo Ranger. É o preço que paguei pra conseguir o aval. Passado esse prazo e eu não tiver entregue ninguém, o conselho da Intercorp irá decidir. Vocês não querem dar boas-vindas a um mauricinho ou patricinha alienígena, certo?
— Não, obrigada. — disse Zoe.
— Termos alguém da laia da Cindy no nosso time? Já basta ela nos atormentando todo santo dia. — respondeu Jessie.
— A gente tem que dar uma força pra evitar que isso aconteça. — disse Austin engajando-se — Por mais que isso pareça quebrar o legado, acho que receber um Ranger novo só vai nos tornar mais fortes em conjunto. Tentem enxergar pelo lado mais positivo.
— Às vezes odeio quando você tem razão, cara. — disse Tim — Mas não importa quem seja, vai demorar pra eu me acostumar.
— Mesmo se formos escolher daqui do colégio? — perguntou Zoe — A propósito, como vamos fazer essa seleção de candidatos?
— Decidam entre vocês como irão proceder. Estou contando com a dedicação de vocês, Karen e eu vamos torcer pra que se saiam bem.
O sinal para o início das aulas ressoou ultrapassando as paredes da escola e alarmando os Rangers.
— Lembrem-se, Rangers: a inclusão de um novo amigo na equipe não desrespeita o legado. Ele permanecerá firme até o último dia de suas jornadas. Sendo assim, encarem isso da forma mais compreensiva possível. Boa sorte.
O mentor encerrara o contato deixando os Rangers parados a refletir.
— Alô-ô! Gente, o sinal já tocou. — disse Jessie estalando os dedos — Vamos ficar aqui plantados pensando num plano de eleger nosso novo parceiro?
— E se fizermos uma propaganda? — sugeriu Damian — Mas com alguma fachada convincente e atrativa.
— Mas aí não seria propaganda enganosa? — disse Tim.
— Enganosa por uma boa causa. — esclareceu Zoe.
— Eureka! — falou Austin — Vamos criar um dojo de karatê. Já até decidi o nome: faixa verde.
— Quem vai querer se inscrever num dojo chamado "faixa verde"? — questionou Jessie — A faixa verde fica um pouco atrás da preta, se não tô enganada.
— Podemos justificar que o dinheiro das mensalidades será revertido para entidades ambientais. — incrementou Damian com outra sugestão bem aceita.
— Ah, boa, Damian! — disse Austin batendo sua mão na do Ranger Preto e dando um soquinho.
— Eu cuido de produzir os panfletos. — disse Zoe — Modéstia a parte, sou a melhor artista publicitária da equipe.
— Me entrega pra levar à secretaria e imprimir. – pediu Damian.
— Pode deixar, vou fazer bem escondidinho durante a aula. — garantiu a Ranger Rosa.
— E por falar em aula, nós estamos power atrasados. — disse Austin — O último que chegar na sala vai entregar mais panfletos! — o Ranger Vermelho disparou a mil. Os demais o seguiram aos risos competindo na corrida.
***
Lokknon espionou cada segundo da conversa entre Dickerson e os Rangers, confirmando seus temores quanto a uma célula adicional.
— Nossas teorias tinham fundamento! Dickerson pretende fazer com que um novo Ranger ingresse no esquadrão! — disse Barooma que virou-se para Lokknon — Mas que sorriso mais contraditório é esse, mestre?
— Não reconhecem? É o sorriso que eu dou sempre que me acende a luz de uma ideia engenhosa. — disse o imperador não se abalando.
— Deve ser o fato de Dickerson estar desesperado com um tempo tão curto para apresentar seu candidato. — disse Mudok.
— Exato! E nós daremos esse candidato que convencerá a todos de que é o mais preparado para se apoderar desta célula! Já ouviram falar da técnica de hipnose? Com um monstro disfarçado de um aluno dessa escola e persuadindo qualquer um, estaremos a um passo de sabermos a localização da base dos Rangers!
— Mestre, eu já programei a máquina com informações referentes a hipnose e disfarces de espionagem! Pus um boneco na cabine pouco depois de concluir os reparos! — disse Barooma indo até o bio-modelador — Agora é à prova de erros! Que venha com muita saúde! — baixou a alavanca.
A máquina piscava relâmpagos e exalava fumaça de vapor que espalhava-se. Lokknon vibrava de emoção no seu trono. Após o cessar dos efeitos da forja, o monstro enfim saía.
— Abram alas para o maior hipnotizador do universo! O que mestre Lokknon deseja que eu faça para iniciar meu show de hipnotismo?
— Interessante, o bio-modelador renasceu excelente. — apontou Mudok — O monstro tem pleno conhecimento de quem é o mestre.
— Não fez algo assim quanto ao nome dele, fez? — perguntou Aracna.
— É claro que não, sabendo que você é maníaca por isso!
— Veja só, o seu criador é um sujeito de muita cautela, Hypnoculus.
— Assim que me chamo? Maravilha, eu preciso saber onde consigo um massa de escravos que se submeta ao meu irresistível poder.
— Primeiro, olhe concentrado para o visualizador. — disse Mudok passando imagens de alunos da Angel Grove Middle School na tela— Grave cada uma dessas imagens mentalmente.
— São todos rostos muito simples de memorizar. Que seres mais ordinários.
— Agora, transforme-se num garoto da faixa etária desses terráqueos, um rosto irreconhecível para todos. — ordenou Lokknon.
— Minha metamorfose servirá pra alguma coisa?! Estou dentro! — falou Hypnoculus que logo brilhara uma luz roxa, assumindo a aparência humana requerida — O que acharam da minha fantasia?
— Hum, que rapazinho mais bonito. Como se chama, lindinho? — perguntou Aracna.
— Ralph. — definiu ele, sorrindo malicioso — Ralph Grass.
— Não há ninguém com esse nome nas listas de chamadas! — revelou Barooma — Irei forjar uma ficha de matrícula!
— Useu sabiamente seu poder, Hypno--- digo, Ralph. — disse Lokknon — Lhe darei algumas informações previas, venha cá.
— Estou ouvindo, milorde. — disse o falsário com um sorrisinho de canto canalha.
***
Assim que iniciara o intervalo, os Rangers deflagraram a maratona de distribuição dos panfletos em todo o refeitório. Austin entregou até mesmo para Cindy e suas amigas que poderiam indicar alguém do grupo elitista. Jessie e Zoe focaram nos garotos esportistas que tivessem inclinações para artes marciais ou conhecessem amigos que preenchessem os requisitos básicos de inscrição. Tim e Damian abordavam alunos aleatórios, alguns flagrantemente jogando os papéis no lixo e sendo vistos com reprovação pela dupla.
Enquanto a panfletagem rolava à solta, o novato Ralph Grass — ou Hypnoculus — adentrava na secretaria do colégio. A moça caucasiana de lisos cabelos castanhos ergueu um olhar curioso para ele enquanto fazia anotações.
— Posso ajudar? — indagou ela.
— Olá, er... — Ralph se mostrava meio perdido olhando em volta — É aqui onde fazem a matrícula para estudantes?
— Desculpe, rapaz. Lugar certo, hora errada. O período de matrículas só começa pouco antes do início do verão.
— É que sou transferido, ouvi dizer que abrem exceções para situações como a minha.
— Me deixe ver sua ficha. — pediu a secretária num gesto de mão. Ralph a entregou. Porém, a mulher franziu a testa e pareceu prender uma risada — Isso é brincadeira, né? Não tem endereço, número de telefone, nem data de nascimento...
— Está enganada. — disse ele a olhando fixamente nos olhos aos quais ela fez contato direto — Tenho certeza de que está tudo aí. — um brilho púrpura piscou dos olhos de Ralph refletindo nos da secretária que rapidamente lhe sorriu simpática.
— Mas é claro que sim, realmente sua ficha está completa. — disse ela, hipnotizada — Tem até a assinatura dos seus pais já. — carimbou a folha — Considere-se ingressado na nossa escola.
— Obrigado. — disse ele recebendo de volta a ficha com uma expressão sacana.
No fim do intervalo, Owen vinha tomando um suco de caixinha quando se deparou com um panfleto do falso dojo caído. O apanhou e lera o anúncio atrativo feito por Zoe.
— Um dojo de karatê? Que demais, acho que vou tentar me inscrever. Só uma pena as vagas serem tão limitadas. Mas não é de todo ruim, é a oportunidade perfeita pra colocar em prática tudo que aprendi nos filmes de luta. Ah, essa tá pra mim. — disse ele sorrindo com autoconfiança.
No retorno às aulas, os Rangers sentaram-se perto uns dos outros.
— E aí, galera? Quantos nomes já estão garantidos na inscrição? — perguntou Austin.
— Por enquanto ninguém se manifestou. — respondeu Damian.
— Tem o número de contato da Zoe pra mais informações. — disse Jessie.
— Já tô aqui com meu celular no modo de espera. — disse a Ranger Rosa — Vamos torcer pra que até o fim do dia pelo menos uma única pessoa ligue. Pus o número do fixo da minha casa também.
— Atenção, crianças, todos em seus lugares! — disse a professora Paddleton apagando a lousa — Abram na página 40 que narra o ponto de partida da história colonial da América.
Ralph Grass batia educadamente na porta aberta da sala chamando a atenção da Srta. Paddleton que virou-se para o novato.
— Pois não?
— Oi, é que sou transferido e decidi que hoje é meu primeiro dia de aula aqui. — disse ele piscando o brilho púrpura dos olhos que refletiu nos da professora — Me chamo Ralph Grass.
— Ah sim, é uma grande alegria termos uma cara nova logo hoje. Vamos, entre e escolha um lugar vago. — permitiu ela, voltando a classe — Deem as boas-vindas a Ralph, novo colega de vocês. Desculpe perguntar, mas... transferido de onde mesmo?
— Atlanta. — mentiu o falsário. Se dirigiu a uma carteira um pouco atrás de onde os Rangers estavam.
— Esse gatinho veio de Atlanta? — disse Jessie no pé do ouvido de Zoe, encantada com Ralph — Se a maioria dos garotos de lá forem tão bonitos como ele, já é meu destino turístico pras férias que vem.
— Não acha estranho um aluno transferido nessa época do ano? — questionou Zoe em voz baixa.
Ralph sentou-se no lugar escolhido de olhos atentos nos Rangers.
— Ei, e aí, beleza? Sou o Austin. Não sabia que passaram a aceitar transferidos faltando pouco pra terminar o bimestre.
— Pois é, foi uma surpresa até pra mim. — disse Ralph.
— Oi, sou a Jessie e essa aqui na minha frente é a Zoe. — disse a Ranger Amarela com toda a simpatia acenando com os dedos movendo.
— Seja bem-vindo a escola, Ralph. — cumprimentou Damian — Sou o Damian, prazer.
— E eu o Timothy, mas meus camaradas aqui me chamam de Tim. Gosta de bater uma bolinha?
— Não, gosto mais de jogos que trabalham a mente, como xadrez ou poker.
— Sabe jogar poker?! Nunca encontrei ninguém da nossa idade que soubesse. — animou-se o Ranger Azul — Cara, tô vendo que seremos grandes parceiros de baralho.
— Posso te ensinar hoje ou amanhã no intervalo.
— Gosta de karatê e artes marciais em geral? — perguntou Jessie.
— Se eu gosto? Assisto torneios de luta na TV sempre que passa, não importa de qual modalidade. Kung-fu, taekwondo, boxe, MMA... Ouvi dizer que vão inaugurar um dojo de karatê aqui na cidade.
— Ahn... É, o Faixa Verde. — disse Austin — Vai ser um concorrente de peso da academia do Centro da Juventude.
— Tô pensando em me inscrever, mas parece ser meio longe daqui.
— Não tem problema, inscrevemos o seu nome. — concedeu Jessie. Ela olhou de forma meio carente para Austin que parecia receoso.
— Somos nós que organizamos. — revelou Damian — O dojo pertence ao pai do Austin.
— É mesmo? Legal, acho que encontrei um amigo com quem treinar. — disse Ralph que piscou seu brilho hipnótico em todos eles — Todos nós seremos ótimos amigos.
Durante a saída, o novo aluno da Angel Grove Middle School descia a escada curta da entrada do colégio abraçando Zoe e Jessie em cada lado, ambas altamente interessadas nele — claramente não lúcidas.
— Meninas, que tal irmos tomar um sorvete qualquer dia desses? Por minha conta.
— Ralph, você tem sido muito adorável. — disse Zoe, serenamente.
— Nunca tivemos antes um colega que fosse tão inspirador. — elogiou Jessie, suspirando de amor — Em poucos minutos, você já virou nosso favorito do ano.
— Vem conosco, Ralph. — disse Austin apontando para o bosque com o polegar.
— É, não temos muito tempo de sobra pra coletar muitos nomes até o dia da inauguração do dojo. — afirmou Damian.
— Vai se amarrar nesse lugar, cara.— disse Tim.
— Tá vendo aquela palhaçada, Stuart? O novatinho boçal tá roubando sua namorada. — disse Brock saindo com o parceiro.
— Pior que esse prego não tá só de olho na Zoe! Você não tem uma queda pela Jessie, Brock?
— Ahn... Er... E-eu nunca falei do que eu sinto pela Jessie, OK? Mas não quero dizer que eu goste dela... daquele jeito... – falava Brock, desconcertado — Ah, o que esse babaca tem de especial hein? Coisa mais feia, mal chegou e já tá arrastando asa paras meninas.
— Ele não tá muito perto deles agora, vamos dar uma prensa nele, Brock. — idealizou Stuart ao que o amigo aceitara.
— Vou só amarrar meu sapato, podem ir na frente. — disse Ralph se abaixando atar os cadarços do tênis direito quando a dupla de valentões se aproximava com peito inflados.
— Aí, ô calouro! Quem você pensa que é pra ficar de chamego com as garotas da nossa classe como se fosse o rei da paquera?
— Você é um sem-vergonha! E sabe o que fazemos com sem-vergonhas? — disse Stuart estralando os ossos dos dedos.
— A gente amassa que nem pão cru na mesa. – completou Brock aquecendo os punhos.
Ralph levantou e os encarou medindo de cima a baixo. Sorriu de canto, maquiavélico.
— Por que vocês não vão catar milho do chão?
— Ué, nós nem somos galinhas pra fazer isso. — disse Stuart, confuso.
— Mas é lógico que são. — retrucou Ralph emitindo o olhar hipnótico. De repente, a dupla começara a imitar galinhas, cacarejando e batendo as asas, atraindo vários alunos que não perderam a chance de fazer chacota numa risadaria massiva com direito a gravações de vídeos.
— Tô aqui, podemos ir agora. — disse ele juntando-se novamente aos Rangers.
— Toca no meu ombro. — permitiu Austin. Ralph o fizera, logo todos os Rangers simultaneamente apertando os botões de teleporte. Chegaram a Central de Comando, mas Karen e Dickerson reagiram negativamente surpresos.
— Amigo novo de vocês? — indagou Karen.
— Quero que conheçam o Ralph, o candidato ao teste da célula de morfagem verde. — disse Austin com um entusiasmo que soou estranho a Dickerson.
— Mas vocês haviam me falado que os interessados viriam até aqui a pé em vez de por teleporte. Esqueceram? Até repassei o código de acesso.
— Mas tá tudo bem, Sr. Dickerson. Não dissemos o que somos e nem o que fazemos. — minimizou Zoe — O Ralph se mostrou muito confiável pra manter sigilo
— Pois é, ele é o cara perfeito pra ser o novo Ranger. — opinou Jessie, derretida por Ralph.
— Então aqui que é o dojo de artes marciais? Por que parece tanto com uma nave espacial? — questionava Ralph explorando a sala.
— Porque se trata de um espaço de monitoramento avançado. — explicou Karen — Mas o teste no qual você passará exige colocar suas habilidades de luta à prova. Eu sou a Karen, assistente sistemática.
— E eu sou Thomas Dickerson, arqueólogo e engenheiro. Rangers, agradeço que tenham encontrado alguém que se dispusesse. — disse o mentor que se abriu a ideia de testar Ralph — Me acompanhe, Ralph.
— Podemos ver também? — perguntou Tim.
— Achei que tinha ficado subtendido. — disse Dickerson chamando-os — Venham.
Foram até uma ampla sala específica de treinamento que possuía paredes cinzentas e escuras quadriculadas.
— Bem-vindos ao nosso simulador de realidade virtual. — disse Dickerson acendendo as luzes.
— Sr. Dickerson, nunca nos trouxe pra cá. — disse Zoe.
— É um sala de treino equipada com transmissores holográficos multioeperacionais? — indagou Damian.
— Isso e muito mais. — respondeu Dickerson — Podem ficar sossegados, num futuro próximo vocês a usarão. Faltam ainda certos ajustes. — voltou-se a Ralph — Muito bem, Ralph, eu escolhi o Austin para seu primeiro teste de aptidão.
— Ótimo, uma luta de karatê. — disse o líder, empolgado — Não pensa que sou páreo mole, hein Ralph.
— Vocês estão se comportando de um modo... um tanto quanto engraçado. — apontou Karen.
— É a ansiedade de conferir o resultado do teste do Ralph. — disse Zoe.
— Fora que não acreditamos que fôssemos conseguir um nome pra hoje. — revelou Damian.
— Mas tivemos a sorte grande de ganhar a inscrição do Ralph. — disse Jessie — Tem que ser ele o merecedor dessa célula, tem que ser.
— Então não vão torcer pelo Austin? — indagou Ralph — Porque eu não vou pegar nem um pouquinho leve. — se posicionou diante dele.
— Como cortesia, te deixo fazer o primeiro movimento. — disse Austin em posição de luta.
Ralph iniciou atacando com chutes que a primeira vista impressionaram. Austin desviava por cima e por baixo em saltos e esquivas ágeis, logo depois desferindo golpes efetivos que empurraram Ralph embora não o bastante para derruba-lo. O novato deu cambalhotas e aplicou um chute duplo que levou Austin ao chão.
Dickerson estreitou os olhos para Ralph que era saudado por Tim e Damian e parabenizado por Austin e as meninas. Minutos depois, a turma se refresvava com sucos de uva conversando numa parte reservada da sala de controle. Àquela altura, a hipnose cessara.
— Se sentiram meio estranhos um tempinho atrás? — perguntou Jessie.
— Estranhos como? — indagou Zoe.
— Não devíamos ter trazido o Ralph, o Sr. Dickerson tava certo. — disse a Ranger Amarela.
— Verdade, combinamos com firmeza que cada candidato deveria comparecer pelo endereço constado no panfleto. — salientou Damian.
— A gente fez besteira? O Ralph é maneiro, mas agora tô pensando que... venceu o Austin rápido demais. — disse Tim — Aqueles golpes pareciam coisa de faixa preta das antigas. Ele não pode ser tão bom assim.
— Austin, o que nos diz? — perguntou Damian.
— Hã? Ah, sim.... — disse ele trazido de volta à realidade — Eu tava meditando sobre a luta. Tem alguma coisa muito estranha nesse cara. O impacto dos golpes dele era forte demais pra ser apenas um teste, ele lutou muito a sério.
— Vai ver ele treina com muita disciplina e tem um mestre com uma experiência longa. — especulou Zoe.
— Eu treino com um mestre de experiência longa e ele se chama John Jones, também conhecido como meu pai. Não sei o que pensar do Ralph, ninguém sabe tanto com somente 12 anos.
— Devemos falar com ele? — perguntou Jessie.
Austin seriamente o observou explorar a sala vendo os painéis e a mesa examinadora.
— Eu falo. Ele vai ter que contar como aprendeu a lutar daquele jeito.
O líder se encaminhou até ele, mas se deteve quando Karen e Dickerson vinham voltando. Cauteloso, Ralph havia posto um pen-drive numa entrada, baixando dados de arquivos relevantes da Intercorp. Quando Karen aproximou-se, removeu o dispositivo USB imediatamente e disfarçava com um sorriso.
— O que está fazendo? — perguntou a tecnóloga.
— Eu... Eu só tava vendo esse joguinho aqui. — disse mostrando a tela do monitor que exibia um jogo similar ao Atari — E aí, ganhei a célula?
— Ouça do anfitrião. — disse ela dando passagem para Dickerson. O mentor encarou-o com firmeza e seriedade.
— Ralph, ficamos abismados com seu nível de combatividade, você tem clara vocação e garra para ser um Ranger de primeira linha. Portanto, você está semi-aprovado. Pegue a célula, fique com ela enquanto não passa por novos testes.
Ralph recebera a célula, não escondendo a expressão de fascínio conquistador. Voltou os olhos e piscou uma luz vermelha, desfazendo a hipnose que causou em Dickerson.
— Mas já? O protocolo é receber a célula junto ao morfador e deveria ser após os outros testes. — contrariou Karen — Dickerson, é um erro. Mesmo com o voto de sigilo, ele pode se descuidar com a célula e...
— Tem razão, é um erro. — disse Dickerson tornando a lucidez, balançando leve a cabeça e piscando depressa os olhos. Os Rangers se aproximavam, intrigados — Ralph, não posso...
O garoto se afastou de imediato quando Dickerson sinalizou querer a célula de volta.
— Ralph, devolve a célula, ainda não foi escolhido. — disse Austin.
— Ralph? Mas quem diabos é Ralph? — indagou ele, desfazendo a farsa ao retornar a forma de Hypnoculus diante de todos — Eu sou Hypnoculus! E obrigado pelo prêmio de consolação!
Dickerson prontamente apertou um botão no painel, teletransportando-o antes que atacasse. Hypnoculus virou um pilar de luz cinza e desapareceu. Os Rangers viam-se perplexos.
— O Ralph... era uma fraude?! — lamentou Jessie, desolada.
— Como não percebemos antes? — indagou Zoe, abalada.
— Talvez pelo poder desse monstro. — supôs Damian — Uma habilidade similar a hipnose.
— Por isso mesmo ele derrotou o Austin! — alarmou Tim — Que droga, gostei tanto daquele cara!
— Hipnotizou todos nós, principalmente o Austin para faze-lo perder a luta. — disse Karen — Admito que dessa vez a corja do mal foi longe demais.
— O Lokknon vai nos pagar caro. — disse Austin, furioso por dentro.
— Rangers, ajam depressa. — disse Dickerson pondo imagens no monitor principal — Nosso infiltrado está à solta na cidade. Se a célula cair nas mãos do Lokknon... estaremos com graves problemas em muitas possibilidades.
— É nossa vez de dar o troco, vamos pegar aquela célula, galera. — disse Austin sacando a célula e o morfador tal qual os demais — Prontos? É hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
— Leão Escarlate!
***
Hypnoculus alvejava o centro da Alameda dos Anjos acima de um prédio, motivado pela imensidão do território onde formaria escravos hipnóticos. Mudok surgiu em teleporte atrás dele.
— Estava me esperando? — perguntou o androide.
— O quê? Não, só tava observando a extensão dessa cidade! Ela é ótima para propagar minha onda hipnótica! O que você quer?
— Ora, mas não é óbvio? Isso que está segurando me parece ser a célula de morfagem nova dos Rangers.
— Ah sim, aqui está, foi ridiculamente fácil pega-lá. — disse Hypnoculus entregando a célula verde — E isto também. — tirou um pen-drive do seu corpo — Os arquivos daquele lugarzinho sem graça. Vou receber uma promoção?
— Hum... — Mudok pensava a respeito olhando para a célula — Este artefato deve comportar um poder inigualável. Dickerson pretendia testa-la... Deixe que eu faço isso por ele.
O androide inseriu a célula na entrada abaixo da cabeça de Hypnoculus que ficara trêmulo em recuo, vibrando com raios verdes em volta.
— O que tá acontecendo comigo? O que você fez?
— O elevei a um novo patamar. Agora desça e expanda sua onda a um alcance fora dos limites. — disse Mudok que logo em seguida teleportou de volta a nave de Lokknon.
Os cidadãos corriam aterorizados da ameaça de Hypnoculus que se deslumbrava com o poder amplificado graças à célula.
— Eu nunca imaginei que pudesse sentir um poder tão delirante que deixasse meu corpo elétrico como um gerador inesgotável! — disse ele que logo disparou suas ondas hipnóticas de cor esverdeada sobre as pessoas a um raio de 10 km. Os afetados pararam de correr com os olhos brilhando em luz verde e virando para a direção oposta de modo robótico.
Os Rangers surgiam no momento exato em que os escravos mentais marchavam repetindo a frase "Ao mestre Lokknon".
— Salve-se quem puder! O apocalipse zumbi chegou na cidade! — disse Tim alarmado com o levante.
— Estão todos agindo como se fossem escravos do Lokknon! — apontou Zoe.
— É coisa do Hypnoculus! — disse Austin — Mas pra onde estão indo?
Barooma apareceu acima de um prédio de dois andares.
— Eu tenho a resposta pra sua pergunta, Ranger Vermelho! — disse o cientista que com seu cajado disparou um raio amarelo ao longe. Tal raio criou um portal que seria o destino dos hipnotizados e os levaria direto à nave de Lokknon.
— O que você fez, seu cabeça de chaleira? — perguntou Jessie.
— Encurtei a distância entre esses terráqueos e o mestre! O portal ficará aberto a tempo de boa parte deles estarem confinados na nave!
— Se essas pessoas entrarem nesse portal, jamais irão sair. — disse Damian — Lokknon terá servos humanos para fortificar o exército!
— Temos de criar uma barreira que os impeça de avançar! — definiu Austin.
— É inútil, eles não pararão de caminhar rumo ao portal por nada que fizerem para impedir! — disse Barooma — Sugiro que gastem suas energias com um outro problema!
Hypnoculus vinha se aproximando e notara a presença dos Rangers.
— Os Power Babacas chegaram! E chegaram tarde porque ninguém nesta cidade estará imune a minha onda hipnótica! — disse o monstro que lançou sua onda contra os heróis, porém eles nada sentiam.
— Quebrou a cara, otário! — xingou Tim.
— É, nossos capacetes nos protegem! — falara Jessie.
— O que significa que não há nada que você possa usar pra nos atingir! — disse Austin — Rangers, atacar!
— Eu não teria tamanha certeza! Hahaha! — disse Barooma que partiu teletransportando.
— Sorte que eu tenho um truque bem guardado! — disse Hypnoculus que disparou ondas verdes contra os heróis, estas sim eficazes e incapacitantes — Hahahaha! Se movam que nem baratas tontas, seus fedelhos!
Os Rangers colocavam as mãos na cabeça sofrendo uma confusão mental que bloqueava o senso de orientação devido as ondas contínuas.
— Não preciso hipnotizar mais ninguém! É mais divertido vê-los se mexendo assim! — falou, as ondas saindo ininterruptas dos seus olhos.
— Minha mente... tá girando! — disse Austin, atordoado.
— É como se... tudo a nossa volta estivesse deformando! — disse Damian.
— Eu mal consigo entender o que eu falo! — disse Tim, balançado a cabeça lentamente com a desorientação.
Enquanto isso, Owen caminhava até o observatório astronômico pela estradinha íngreme de terra ladeada por grama que subia.
— É ali que fica um dojo? — indagou, tirando do bolso da bermuda o panfleto e conferiu — Mas diz que é aqui mesmo. Estranho... A não ser que vão derrubar o observatório pra construir a academia no lugar. É, pode ser que seja isso. Ou não... Hum, esse negócio tá meio suspeito pro meu gosto. Bem, nunca dispenso um mistério.
O fotógrafo prosseguiu a caminhada. Quando se aproximou, usou o código-chave indicado no panfleto e digitou no leitor. A porta abriu-se e ele adentrou no ambiente semi-escuro vendo o enorme telescópio. Mirou a atenção num elevador com faixa amarela escrito "interditado".
— Interditado... Sei. — disse ele com sorrisinho. Foi até o elevador e abriu facilmente as portas após retirar a faixa, logo entrando e checando os botões — Funciona perfeitamente. Legal, vamos descer... — apertou um.
Descera até o subnível. Foi explorando o corredor de paredes cinzas com luzes amarelas embutidas na linha divisória entre o teto e as paredes.
— Eu não faço ideia de onde tô me metendo, mas... acho que vou ser surpreendido. — disse ele que sacou sua câmera e foi fotografando. Chegando a porta da sala de controle, viu estar aberta e empurrou para o lado. Karen e Dickerson viraram-se ao se deparar com a visita.
— Opa... — disse Owen esquadrinhando o ambiente com assombro — Vocês são funcionários da NASADA?
— Não... Nós somos cientistas... — disse Karen, nervosa — Dickerson...
— O que está fazendo aqui, Owen? — indagou o mentor.
— Sabem o meu nome?! Isso aqui é o quê? Uma rede de espionagem da CIA? E-eu... peguei esse panfleto sobre um dojo de karatê que pelo que vejo... não existe. É alguma pegadinha?
— Não tem pegadinha nenhuma. Você está no lugar certo. — disse Dickerson, mais aberto a presença de Owen.
— Dickerson... O que tá pretendendo?
— Encontramos nosso novo Ranger.
— Mas a célula...
— Ainda está aqui. — disse ele com tranquilidade — Selada num cofre de altíssima segurança. A que Hypnoculus roubou não passava de uma versão beta que eu testaria no Ralph antes de entregar a definitiva.
Um sorriso se desenhou na face de Karen. Dickerson olhou firmemente para Owen.
— Seja bem-vindo a Central de Comando, Owen.
— Disse... Ranger?! Por acaso eu vim parar... no quartel-general dos Power Rangers?
— É um nome um pouco vulgar pra chamar nossa base, mas... sim, é onde coordenamos as ações dos Power Rangers, trabalham conosco juntamente a organização de defesa espacial Intercorp.
Karen entrara em contato com os Rangers.
— Rangers, excelente notícia: a célula que Hypnoculus roubou não passa de uma versão de testes! A definitiva está a salvo num cofre!
Porém, não houve retorno.
— Ah não, é isso. As ondas de Hypnoculus deixam eles confusos demais pra assimilar a informação. Eles estão impotentes.
— Acho que a hora é agora. — disse Dickerson que fora pegar a célula. Após destranca-la do cofre, a trouxe para Owen junto com o morfador.
— Dickerson, nós nem conduzimos testes...
— Os Rangers não podem esperar. Owen, pegue. — entregou os dois itens — Você tem uma missão de enorme importância a partir de agora, o destino o trouxe até aqui. Acredito que dará conta. Mas a questão é: acredita em si?
Owen olhou seriamente para os objetos e acenou positivamente com a cabeça. Pegou firme os equipamentos, assumindo o encargo.
Os Rangers sentiam-se exauridos com a persistência das ondas atordoantes, os cinco caindo.
— Meu poder é ilimitado! Vou tortura-los até que seus cérebros virem geleia!
Dois disparos de lasers o atingiram em cheio, gerando explosões fortes de faíscas. Com isso, os Rangers livraram-se rapidamente da confusão das ondas.
— Estão todos bem? — perguntou Austin reerguendo-se.
— Meu neurônios estão normalizando as sinapses. — falou Damian reorientando-se.
— De onde veio esses tiros? — indagou Zoe.
O som de uma motocicleta os levou a virar os rostos para a direita.
— Mas aquilo é... — disse Austin olhando mais atento.
Uma Beast Cycle de cor verde com a face de um gorila acima da roda dianteira rumava até lá. O piloto utilizava um traje de spandex verde-folha com luvas e botas brancas e um capacete vigoroso. Hypnoculus estava zangado.
— Quem ousa interromper minha diversão?
— Gente, será que é delírio por causa do ataque ou... isso é real? — perguntou Jessie.
— É mais real do que parece. — disse Austin — Galera, aquele é um Power Ranger!
— Mas como o Sr. Dickerson... — disse Damian interrompido pelo toque dos comunicadores.
— Na escuta, Sr. Dickerson. — atendeu Austin.
— Rangers, espero que gostem do novo parceiro de aventuras. — disse o explorador — A célula roubada por Hypnoculus era uma versão beta. A oficial estava trancada num cofre a sete chaves.
— Nossa, que beleza! Mas quem o senhor escolheu tão rápido?
— O destino o escolheu, não eu. Segurem os queixos porque eles vão cair.
— Mas não pode ser! Outro Ranger!? — reclamou Hypnoculus. O Ranger Verde parou a moto freando de lado, logo descendo para se apresentar — Quem é você, seu pirralho verde?
— Aquele que vai te deixar verde de raiva pra me enfrentar! — disse Owen realizando uma pose — Esquadrão Z! Gorila Esmeralda! Ranger Verde!
— Essa voz... — reconheceu Zoe — Não dá pra acreditar...
— Confesso que agora tô verdadeiramente chocado. — disse Damian.
— É ele mesmo? — indagou Jessie.
— Não, vocês confundiram. — disse Tim, incrédulo.
— Sim... É ele, sim! Aquele é o Owen, pessoal! – cravou Austin — Mas quem diria...
Hypnoculus foi aproximando-se desafiador.
— O que foi? Te deixo atacar primeiro! Tá com medo, é?
— Medo de um verme como você?! Se prepare pra sofrer com as minhas ondas! Eu tava quase transformando seus amigos em poeira!
— É por esse motivo que vou fazê-lo se arrepender! Pode vir com tudo o que você tem!
— Cuidado com o que deseja! — disse Hypnoculus que lançou ondas poderosas dos olhos. Owen saltou quando elas atingiram o chão, causando uma grande explosão de fogo atrás dele. O Ranger Verde sacava sua pistola Z em pleno ar, logo disparando. Os tiros fizeram estouros de faíscas em volta de Hypnoculus o repelindo — Vai ter que fazer melhor que isso aí!
O monstro disparou mais ondas explosivas, das quais Owen desviava correndo em zigue-zague. Ao saltar, dera um chute na criatura e seguiu aplicando socos rápidos na barriga dele.
— Assim vai quebrar meu pêndulo!
Owen dera um soco potente que o lançou para longe e o fez cair sobre blocos de concreto numa área de construção civil. Os demais Rangers se maravilharam com o desempenho.
— Caramba, que força bruta gigante ele tem. — analisou Austin.
Mas Hypnoculus reergueu sem pensar na rendição. Viu um ônibus parado próximo e o levantou, logo o lançando direto a Owen.
— Segura essa, verdinho!
— Sem problema. — disse Owen, calmo. Quando o ônibus caiu sobre ele, os Rangers pensaram que o veículo o esmagara.
— Ah, essa não! O Owen virou uva passa verde! — disse Tim cobrindo o visor com as mãos.
— Não, olhem só! — disse Austin — Haha! Incrível!
O Ranger Verde ficara de pé levantando o ônibus apenas com mindinho direito.
— Tá bom ou quer mais?
Colocou o ônibus de volta ao solo e o empurrou com um chute na traseira contra Hypnoculus. O monstro foi atropelado com alto impacto caindo numa cerca elétrica na qual foi eletrocutado. Devido ao choque, acabou regurgitando a célula beta que saiu tostada.
— Cansei dessa briguinha! Vou hipnotizar o resto dessa cidade! Terminamos isso outra hora, verdinho! — disse o monstro correndo em fuga.
— Aí, eu não gosto de ser deixado pra depois! — disse Owen que invocou sua arma — Macro-Detonador! – um robusto canhão verde e branco com detalhes cinzentos surgiu sobre seu ombro direito. Visualizou pelo marcador de alvo — Travado na mira... literalmente!
A arma lançou um laser fino que paralisou Hypnoculus.
— Perdi meus movimentos! Nem meu pêndulo se mexe!
— Disparar! — bradou Owen, o canhão expelindo uma grande esfera de energia verde eletrificada.
O ataque atingiu Hypnoculus e foi absorvido por ele, o destruindo de dentro para fora. Logo caíra de frente. Owen virou de costas com o canhão, vanglorioso enquanto o monstro explodia em fogo e faíscas.
— E-ele... derrotou aquele monstrão sozinho! — espantou-se Tim — Não é justo!
— Ele nos poupou fazendo esse favor, não esquece de agradece-lo hein. — disse Damian dando batidinhas no capacete do amigo.
Lokknon se enervou quase espumando.
— Dickerson maldito! Sempre com um trunfo engenhoso! Mas não faz mal, ainda temos a cópia dos arquivos da Intercorp... e também o laser regenerador! Barooma, dispare!
— O plano de escravos terráqueos permanece operante, mestre! Hypnoculus será restaurado agora mesmo!
Apertou o botão vermelho que disparou o raio esverdeado. Hypnoculus revivera agigantando-se.
— Vou hipnotizar em escala global! — lançou mais ondas hipnóticas sobre os cidadãos que temporariamente foram liberados após sua destruição e novamente sucumbiram ao transe.
Mudok observou indo até os Rangers escondido no alto de um prédio.
— Veremos do que mais esse Ranger Verde é capaz. Psycho-Bots, ataquem!
Os robôs surgiram cercando Owen.
— Podem deixar, eu cuido deles! — avisou ele aos demais.
— Legal, contamos com você! — disse Austin dando um joinha.
— Precisamos do poder Megazord agora! — bradaram os Rangers.
As máquinas animais corriam ao campo de batalha. Os Rangers saltaram adentrando nos cockpits.
— Chave de Comando, ativar! Sequência Megazord! — disse Austin inserindo e girando a chave. As máquinas ligaram-se, formando o Megazord Z que pousou pronto para o combate.
— Nem pense que suas ondas vão nos atingir! – disse Jessie.
— O Megazord é nossa blindagem. — reforçou Damian.
— Ainda não estão livres! — disse Hypnoculus que disparou ondas hipnóticas no robô que foi desarticulado.
— O que tá havendo? Os controles não respondem! – disse Zoe — Arraia Rósea!
— Águia Flasvescente tá inativa!
— Tubarão Cobalto foi paralisado!
— Meu Touro Ônix também!
— Ele pode hipnotizar os zords?! Como isso é possível? — dizia Austin.
— Rangers, ainda que possam pilotar seus zords, eles possuem uma autoconsciência. — disse Karen — Mas ao que parece, Hypnoculus absorveu a energia da célula beta que o deixou ainda mais forte, inclusive a ponto de afetar os zords.
— O que a gente faz? — indagou Austin.
— Agora separem-se! — disse Hypnoculus. O Megazord se desmontara ao comando dele.
Owen atirava nos robôs com a pistola Z e vira o Megazord desfazendo-se.
— O robô gigante deles... Eles precisam de mim! — disse chutando um Psycho-Bot. Dickerson entrava em contato.
— Owen, seu zord está liberado para operar. Ele se encontra armazenado num hangar secreto ocultado por um canion perto da reserva florestal.
— Só um instantinho pra acabar com esses molengas! — disse Owen que saltou, logo se segurando no gancho de um máquina pesada a certa altura e com o cabo se balançando como num cipó ao mesmo tempo em que atirava em vários soldados que caíam com explosões de faíscas. Ao se balançar, imitou o grito do Tarzan.
Voltou ao chão, sacando uma lâmina média.
— Hora de testar essa faquinha. Adaga Kong!
Com a adaga, perfurava e cortava os Psycho-Bots com maestria e destreza dando também saltos acrobáticos em desvios dos tiros seguidos de mais cortes e fincadas da lâmina que destruíam-os, chegando a líquidar com dois em cada lado com grande agilidade.
O exército despedaçado de Mudok foi teleportado.
— Acabei. Mas eles sumiram!
— Isso é normal, Mudok os recolhe para recicla-los. — informou Dickerson — Agora socorra os Rangers. A outra extremidade do punhal é um apito com o qual você pode chamar pelo seu zord.
— É sério? — disse virando a ponta de baixo da adaga para ele — Beleza! Eu tô amando isso! — levou-a a boca do capacete, soprando o apito ao olhar para cima.
O som despertou o zord gorila que saíra do hangar batendo os punhos do peito e rugindo. Chegara ao palco da luta, logo recebendo a pilotagem de seu dono que saltou ao cockpit.
— Vamos ver o que esse grandão faz!
Hypnoculus influenciava os zords a atacarem uns aos outros.
— Desse jeito vamos nos autodestruir! — disse Austin. O leão escarlate levará um golpe da Águia Flavescente num voo rasante.
— Desculpa, Austin! Será que não tem nada que possamos fazer?
— Podem parar de brigar, amigos! O gorilão tá na área! — disse Owen levando seu zord a intervir.
— Um King Kong robô?! Aí sim, curti! — disse Tim, animado.
O gorila mecânico foi alvo da onda hipnótica de Hypnoculus, porém manteve-se sob controle de Owen.
— Minha hipnose não pode ter falhado! Absurdo!
— Owen, o Gorila Esmeralda responde exclusivamente ao apito. Ele não é influenciado por nenhuma outra fonte de comando. — revelou Dickerson.
— Como se bastasse ter gostado dele logo de cara... Ele é o melhor parceiro animal que já tive! Bombas-Bananas.
O zords disparou granadas em forma de bananas maduras contra Hypnoculus que foi sendo afastado com explosões no corpo e ao redor.
— Os controles voltaram, Hypnoculus perdeu o foco! — dissera Austin — Depressa, sequência Megazord!
O Megazord Z fora reformado imediatamente.
— Sabre Selvagem!
A espada caíra sobre a mão direita do robô.
— O que foi? Acabaram as bananinhas? Precisa de mais do que isso pra evitar minha hipnose!
— Insígnia Feroz!
O robô formara o círculo em sentido horário, logo realizando o corte final que atingiu Hypnoculus certeiro. O monstro cambaleou envolto de raios e tombou, explodindo fatalmente. Os Rangers ficaram em êxtase comemorando.
A hipnose se desfez, as pessoas recobrando a lucidez e se questionando. O portal de Barooma fechara-se.
Owen aterrissou num ponto discreto após sair do zord.
— Desativar!
Desmorfou, logo sendo abordado pelos Rangers ainda uniformizados.
— O que acharam? Tô admitido, né?
— Vamos pedir a opinião de quem tem a última palavra. — disse Austin dando sua mão direita a ele. Owen apertou-a. Os Rangers teletransportaram-se para a Central de Comando.
— Essa é a sensação de um teletransporte? Surreal. — disse Owen ainda atônito com a virada em sua vida.
— Owen, nós analisamos friamente seu exercício em campo. — disse Dickerson atrás dos Rangers que se agruparam frente ao novato — Consideramos como seu teste de admissão.
— E eu mandei super bem ou... super mal? — indagou, tenso.
Karen e Dickerson entreolharam-se com sorrisos misteriosos, gerando mais nervosismo.
— Você excedeu nossas expectativas, Owen. — disse Karen.
— Sendo assim, esta oficializado como Power Ranger. — determinou Dickerson.
A emoção tomara conta do semblante de Owen.
— Agora a cereja do bolo. — disse Jessie.
— No fim, ele conseguiu o que queria. — disse Damian.
— Mas agora jogando limpo. — disse Zoe.
— Mas... Galera, é certo ou errado fazermos isso? — perguntou Tim.
— Owen firmou um compromisso com a equipe dentro de todas as exigências. — salientou Dickerson — Ele não vai ferir esse contrato.
— Isso aí, gente, não há mais o que temermos. Ele é um de nós agora. — disse Austin — Prontos?
— Desativar! — falaram em uníssono, desmorfando. Owen arregalou os olhos boquiabrindo.
— Eu tô sonhando, não tô? Vo-vocês... Eram vocês o tempo inteiro?! Meus próprios colegas de classe... — sorrira abertamente — Cara, isso é bizarro e... fantástico ao mesmo tempo!
— Bem-vindo ao clube, Owen. — disse Austin se aproximando com os demais — Somos uma turma mais unida do que fomos no colégio.
— E que não vai deixar o ciúme ter espaço. — disse Zoe.
— Porque juntos somos mais fortes. — disse Jessie.
— Menos quando se tem uma arma irada como aquele Macro-Detonador. — disse Tim.
— Ah, qual é, Tim? Ficou verde de inveja, foi? — disse Owen em tom de zoeira.
— Só um pouquinho. — disse o Ranger Azul fazendo sinal de pouco com os dedos.
— Não liga, ele vai superar. — disse Damian.
— Lembram daquele ritual que fizemos depois da nossa primeira batalha? — perguntou Austin estendendo seu braço direito inclinado para baixo — Já que o Owen acabou de entrar, ele também merece participar.
Zoe, Jessie, Tim e Damian, nesta ordem, colocaram as mãos umas sobre as outras. Os cinco esperaram Owen retribuir.
— E aí, cara? Tá com a gente? — perguntou Damian.
O fotógrafo amador sorriu para os amigos e botou sua mão na pilha.
— Esse foi o melhor dia de toda a minha vida.
— Ótimo. Mas depois vai nos contar como chegou até aqui. — disse Austin.
— Um golpe publicitário me ajudou.
— Ah, o panfleto do dojo. — disse Jessie.
— Não sabíamos que se interessava por karatê. — falou Zoe.
— Pra quê um dojo quando se tem... tudo isso aqui?
— Bem, pessoal... — disse Austin — Prontos?
Os outros cinco acenaram de cabeça.
— Power Rangers! — gritaram erguendo as mãos e aplaudidos por Karen e Dickerson que sorriam transpirando orgulho daquele time que somava um novo elo na corrente.
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