Power Rangers: Esquadrão Z

10 Entre a Cruz e a Espada


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Mudok envia um Psycho-Bot para atacar a escola de modo que os Rangers se descuidem em tentar manterem suas identidades secretas quando um aluno é feito de refém. Enquanto isso, o vilão desbloqueia uma herança de família que pode significar um problema maior aos heróis. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

A semana da sustentabilidade prosseguia a pleno vapor na Angel Grove High School passando para a apresentação de trabalhos de ciências individuais ou em duplas após as aulas de campos ecológicas. Como de praxe, Damian fora o primeiro a ser chamado pela Srta. Paddleton.

— Bem, crianças, vamos dar início a nossa maratona de exposições. Damian, você vem primeiro, por favor. Não sou de esperar o melhor para o final.

— Sim, senhora. — disse o Ranger Preto levando um aquário quadrado e uma caixa embaixo da axila direita até a mesa da professora.

— O melhor? Ela tomou café coado com meia podre, só pode. — disse Brock, invejando.

— Tipo a sua? — indagou Stuart que tomou um peteleco na testa — Ai! Tô só zoando, Brock!

— A gente aqui com um super projeto científico e é esse nerdzinho que vai primeiro?! Cê não acha injusto?

— Mas ele sempre vai primeiro, é o que tira as melhores notas. E quanto a nós... a gente é uma negação, Brock.

— Ah, quem liga pra essa puxação de saco? Vai ver ele nem teve uma ideia tão genial assim pra essa joça de semana ecológica e blá blá blá. — resmungou o valentão gorducho.

— Dá pra vocês dois pararem? — pediu Jessie virando-se para trás — Estamos sentindo um cheiro esquisito aqui, parece alguma coisa queimando... Deve ser esse projeto de vocês ou suas caras ardendo de inveja.

— Que inveja o quê! Tá doida? Eu lá vou ter inveja desse quatro olhos por causa de um projetinho mequetrefe desses.

— Vamos arrasar. — disse Stuart fazendo careta de deboche atrás do parceiro — Eu espero... — falou baixinho quase cobrindo a boca.

Damian iniciava sua apresentação retirando o desintoxicador de água da caixinha.

— Eu desenvolvi um aparelho de uso prático com a única finalidade de descontaminar a água, esteja ela sob qualquer agente poluente. — disse o jovem gênio destampando o aquário — Aqui vocês veem o aquário em estado deplorável de poluição. Agora... — pegara o dispositivo esférico de metal e colocou sobre a água — Mergulho o desintoxicador que aciona sua função assim que entra em contato com a água. Com a densidade que possui, ele submerge a uma profundidade de acordo com o local contaminado. Pronto, ele está submerso no seu limite.

O aparelho liberou sua substância aquosa que se espalhou em cada milímetro do aquário.

— Incrível, a água ficou límpida e cristalina em questão de segundos. — disse a professora, fascinada.

— A ação purificadora dele é quase instantânea. Se hipoteticamente a Terra sofresse uma catástrofe ambiental em larga escala contra a vida marinha, ele seria a alternativa mais viável. Obviamente que o tamanho deveria ser mais do que redobrado pra suprir a necessidade de despoluir a nível oceânico.

— Palmas para o Damian, turma! — disse a Srta. Paddleton. A classe aplaudiu, os Rangers, em especial, o fazendo de pé sorrindo para o amigo. A exceção de Brock e Stuart com caras de tédio e aborrecimento.

Damian voltava para sua carteira contente com a reação positiva.

— Obrigado a todos.

— Cara, arrasou, como esperado do nosso cérebro da equipe. — disse Austin dando um toque amigável na mão de Damian.

— Eu que arranjei o aquário hein. — disse Tim atrás do Ranger Preto — Numa loja de artigos usados que a Zoe me levou.

— Um esforço conjunto pra fazer desse projeto a melhor demonstração prática. — disse a Ranger Rosa, orgulhosa do amigo.

— Valeu mesmo, não teria sido possível sem essa força. Sozinho eu sei que não chego longe.

Brock se levantou para um pedido a Srta. Paddleton.

— Professora, pode ser eu e o Stuart agora?

— Que seja. Venham. — concedeu ela, gesticulando ao chama-los.

A dupla se dirigiu empolgada até a mesa da professora levando a maquete de um vulcão ligada à um aparelho de enchimento.

— Depois do espetáculo da apresentação do Damian, vai esses dois manés. — disse Jessie — Eles deviam ter insistido em serem os primeiros.

— Vulcão? Eles saíram da segunda série, mas a segunda série não saiu deles. — comentou Zoe fazendo Jessie e Tim rirem.

— Beleza, galera, nosso projeto é bem simples. Nada de baboseira sobre limpador de água porque qualquer aquário moderno já tem sistema embutido pra isso e mil vezes mais avançado. — falou Brock mirando os olhos em Damian.

— Santa ignorância. — disse Damian revirando os olhos.

— E agora faremos uma representação de como seria uma erupção vulcânica na era geológica mais antiga que foi a... foi a... Qual mesmo, Stuart? — perguntou se inclinando ao lado para ouvir o parceiro falar no seu ouvido — Ah é, a Idade da Pedra.

— Eles nem deveriam estar aqui, mas num museu de história natural palestrando. — ironizou Damian levando os Rangers a risadas.

— Stuart agora vai encher nosso vulcão de pura lava derretida. — disse Brock, seu parceiro apertando um inflador laranja para esvaziar o tubo com a "lava" que seria encaminhada ao vulcão de papel machê.

— Brock, acho que emperrou. Não tá saindo nada. Dá uma olhada aí pra ver se sai algo.

Brock olhou o buraco no topo do vulcão.

— Tá seco lá no fundo ainda. Continua tentando.

— Ah, saquei o problema. Eu tinha esquecido disso aqui. — disse Stuart retirando a trava do tubo para dar passagem a lava — Era só destravar.

Porém, a lava, que era uma tinta laranja, esguichou forte na cara de Brock sujando todo o seu rosto. A risada da classe foi inevitável. O líquido respingou na Srta. Paddleton em grande quantidade, deixando-a zangada.

— Detenção depois do último tempo, os dois!

— Seu idiota! Tinha que conferir se tava travado ou não! — disse Brock dando um pescotapa no parceiro.

— Mas eu conferi! Só que eu inflei antes, daí saiu tudo de uma vez quando destravei, foi mal!

***

Na nave de Lokknon, Mudok estava enfurnado na sua oficina verificando coordenadas galáticas no radar incluso num console.

— Excelente, a distância mínima é de 500 anos-luz. Com uma cápsula de transporte, não vou demorar mais que... — disse o androide que se interrompeu ao ouvir um ruído na sala escura e olhou em volta. Pegara uma pistola de laser liberada de sua cintura e apontou para os pontos mais escuros — Quem está aí? Apareça ou eu atiro.

— Tudo bem, Mudok, não há o que temer. — disse Aracna saindo com as mãos para cima — É apenas eu e minha beleza escultural invadindo sua sala para tirar uma dúvida.

— É você, Aracna?! Me poupe, o que veio fazer aqui além de me importunar? Meu tempo não vale cada palavra que eu gasto falando com você sobre o que quer que seja.

— Caramba, mas que mau-humor hein. Faz horas que não aparece na sala do mestre para observar os Rangers.

— Diga ao mestre que tenho planos diferentes hoje. Algo pessoal, eu... — disse Mudok que logo bateu sua mão direita fechada no console — Eu vivo uma crise interna, preciso... provar meu valor ao mestre de qualquer forma.

— Então você tem alguma chance de sugerir um plano para derrotar os Rangers e brilhar com o sucesso já que Barooma está lá fora ainda se divertindo entre as estrelas. — disse Aracna se aproximando.

— Barooma continua fora de cena... Interessante, mas tenho uma viagem a fazer.

— Aonde pensa que vai? O mestre precisa de você e do seu cérebro de lata.

— Não é da sua conta. Saia da minha oficina, preciso terminar minha checagem.

— Pode ir se quiser, até os confins do universo, eu não ligo. — disse a princesa aracnídea virando as costas ao colega — Signfica que hoje eu serei o braço direito do mestre contra os Power Pirralhos com você e o Barooma fora.

Mudok ergueu a cabeça e a encarou.

— Aracna, espere. Não pense que vou dar essa satisfação a você tão facilmente. Hoje será o meu dia de fazer dos Rangers os seres mais patéticos do universo.

— Esperava que reagisse assim. — disse ela com sorriso de canto — E então? Vai ao mestre contar da sua missão particular ou não?

Ambos se direcionaram juntos até a sala de Lokknon na qual o imperador bebia seu licor púrpura e apertava o botão de um controle remoto diante do visualizador multifocal como se mudasse os canais de TV ao ver cada ponto externo da Alameda dos Anjos.

— Lastimável, não há nada de inspirador acontecendo nessa cidade irritantemente pacata dos Rangers.

Mudok e Aracna surgiram para informa-lo.

— Mestre, Mudok tem algo importante a lhe dizer.

— Veja só quem resolve aparecer. Por que se manteve fora da minha vista esse tempo todo, Mudok? Estive preocupado, não vou mentir.

— Eu me ocupei com os preparativos de um novo projeto em andamento, milorde. Mas enquanto ele não alcança a etapa final, me proponho a fazer uma viagem até o planeta onde fui criado para um objetivo pessoal, mas em virtude da conveniente ausência de Barooma eu devo compartilhar com o senhor.

— Pois então fale e terá minha permissão de sair da nave para sua viagem.

— Uma herança de família enterrada há tempos numa localização não especificada. Não faço ideia do que seja, mas suponho que é uma arma de destruição em massa terrível o bastante para colocar os Rangers de joelhos implorando por piedade.

— Com base em quê você faz essa suposição, afinal?

— Minha família projetava arsenais bélicos e vendia para piratas espaciais das mais diversas espécies. Eles estipularam uma data-limite para desenterrar esse tesouro e é hoje. Se eu não chegar lá a tempo, vai permanecer bloqueado para sempre. — disse Mudok que se ajoelhou perante seu imperador — Com sua licença, posso me retirar rumo a minha antiga terra?

— Concedido. Mas enquanto isso, o que acontecerá com os Rangers? Eles estão tranquilos demais com essa tal semana ecológica detestável.

— Não se preocupe, eu pensei num plano que os deixará numa situação muito crítica ao ponto de enlouquecerem. — disse o androide imaginando sua artimanha em prática com uma risadinha.

***

Durante o intervalo, os Rangers se viam reunidos no refeitório e um assunto pertinente foi jogado na mesa.

— Não estão achando tudo muito estranho hoje? — indagou Jessie.

— Pra mim tá tudo na maior normalidade. — discordou Tim enfiando bolinhos na boca — Damian ganhou um A e os idiotas do Brock e do Stuart ganharam castigo bem merecido.

— Acho que não é bem isso. — disse Austin — Tem a ver com o Lokknon.

— É exatamente isso, desde anteontem parece tudo muito calmo. — confirmou Jessie — Será que ele ficou com bloqueio criativo?

— Duvido. Talvez esperando a hora mais oportuna pra atacar e nos pegar desprevenidos com a ilusão de que ele desistiu. — teorizou Damian comendo nachos e dividindo com Tim.

— Se for assim, ele subestima nossa inteligência. — disse Zoe tomando um suco de caixinha — Nenhum de nós seria ingênuo de acreditar que só alguns dias de folga querem dizer que o Lokknon perdeu o interesse de conquistar a Terra.

— Talvez um de nós sim. — disse Damian olhando sugestivo para Tim.

— Não faz tanto tempo que estamos nessa, pode ser possível, né? — disse Tim — Nunca se sabe o que aquele maluco vai aprontar.

— Não, ele não admitiria derrota depois daquele monstro de lixo. — aferiu Austin — Alguma coisa ele tá tramando, podem esperar.

— Já perceberam que ele nunca envia monstros enquanto estamos aqui? — perguntou Damian.

— Bem observado. — disse Zoe.

— Nem passou pela minha cabeça. — falou Tim, surpreso — Isso explica muita coisa.

— Pois é, durante as aulas a Terra nunca é atacada. — concordou Jessie — Só quando estamos disponíveis pra lutar. Não seria mais inteligente mandar os monstros feiosos dele numa hora dessas?

— Ele gosta de nos desafiar quando ficamos livres. Não teria graça atacar a cidade sem os Power Rangers por perto. — disse Austin — É a única lógica que faz sentido. Me passa uns nachos aí, Damian.

Paralelamente, dois alunos passavam no corredor próximos aos armários conversando.

— Ih, meu sapato tá desamarrado. Quase que eu tropeço. Espera aí. — disse um deles de cabelo castanho e roupa listrada verde e azul se abaixando para atar os cadarços.

O outro, um garoto caucasiano de cabelo preto e liso, aguardava paciente, se encostando num armário. Contudo, a porta vizinha se abriu e uma mão robótica preta tapou sua boca e o agarrou puxando para dentro do armário. Seu parceiro terminara de amarrar o sapato e estranhou não vê-lo.

— Ué, cadê você, Billy? Billy!

De dentro do armário, Billy saíra numa postura um tanto distinta. O outro virou-se para ele.

— Onde você se meteu? Foi só eu terminar de amarrar o cadarço e você sumiu.

— Eu tinha ido no banheiro. Vamos até o refeitório?

— Mas já saímos de lá e... você já tinha ido ao banheiro antes.

— Sem problema, eu volto logo, só esqueci uma coisa.

— Legal, vou com você. Acho que tem mais uns minutos até o sinal tocar.

— Vai na frente. — disse Billy ao amigo. Seguiu um pouco atrás dele pelo corredor, mas o brilho vermelho que piscou de seus olhos denunciava sua real natureza além da expressão maliciosa com sorriso infame.

Ao entrarem no refeitório, o falsário esquadrinhava ao redor, o olhar penetrante que transmitia maldade. Sua visão robótica toda em vermelho captou os Rangers em meio aos alunos e os identificou rapidamente. Agarrou o parceiro de Billy num movimento de mata-leão.

— Ei, Billy, o que cê tá fazendo? Me larga, cara! Tá apertando... com muita força!

— O Billy foi tirar umas férias do amiguinho chato dele. — disse o Psycho-Bot que revelou sua aparência desfazendo da pele de Billy.

Os Rangers se alarmaram tal qual boa parte dos estudantes se levantando rápido. Um alvoroço se instaurou com um vozerio que preencheu o ar.

— Me tragam os Power Rangers... ou ele morre! — disse o Psycho-Bot pressionando uma pistola laser na cabeça do garoto congelado de medo.

A gritaria apenas aumentou com a ameaça.

— Ninguém sai até que os Power Rangers apareçam! Se tentarem fugir, eu atiro!

— O que você fez com o Billy?

— Calado. Tem a obrigação de não fazer nenhum movimento brusco e ficar em silêncio.

— Me digam que isso não tá acontecendo. — disse Jessie, apavorada.

— Parece que o Lokknon espionou nossa conversa. — supôs Zoe, atônita com a situação.

— Ou finalmente se deu conta que agia sempre quando estávamos fora da escola. — declarou Damian.

— O que é que a gente faz? — questionou Tim, assustado — Austin, bola um plano aí, amigão! Se esse garoto morre na frente de todo mundo...

— Ninguém vai morrer! — determinou o Ranger Vermelho severamente ao amigo — Não vamos deixar isso acontecer.

— Como não vamos? Ele quer os Power Rangers, mas não podemos morfar aqui. — disse Jessie.

— Claro que não, por isso vamos sair de fininho. — idealizou Austin.

— Mas ele acabou de dizer que se pegar alguém fugindo, vai atirar. — disse Zoe, desesperada.

— Teremos que arriscar. Se misturem. Sejam discretos. — disse Austin, andando lentamente para um lado — Venham comigo, devagar...

Os Rangers se esgueiraram pela multidão de alunos sem chamar a mínima atenção aproveitando que o foco da maioria se voltava ao Psycho-Bot e seu refém. Foram para um depósito de alimentos sem porta perto do corredor.

— OK, pessoal, acho que ninguém nos viu. — disse Austin olhando atrás da parede.

— E se nos viu, não vai ser louco de falar. — disse Jessie — Devem pensar que fomos procurar ajuda. — Vocês ouviram bem, aquele Psycho-Bot falou. — apontou, franzindo a testa — Até onde eu sei, eles só fazem um som eletrônico mais irritante que internet discada.

— Aquela voz é familiar... — afirmou Damian, pensativo — Sim, é o Mudok, tenho certeza. Usando o robô como marionete pra nos obrigar a ferir o código da identidade secreta.

— Uma hora ele iria atacar nosso maior ponto fraco. — disse Zoe, altamente preocupada — Austin, tenta contato com o Sr. Dickerson, provavelmente ele tem uma salvação.

— Já tô fazendo isso, mas só ouço estática. — disse Austin mexendo no botão do comunicador — Sr. Dickerson, na escuta? Sr. Dickerson!

— No meu também. — disse Jessie conferindo — E vocês?

— O meu também. — falou Zoe.

— Aqui na mesma. — disse Tim.

— Idem. — respondeu Damian.

— Então vamos ter que teletransportar até lá. – sugeriu Austin — Prontos? Vamos lá.

No entanto, ao apertarem simultaneamente o botão de teleporte nada ocorreu.

— Caraca, não tá funcionando. — disse Tim.

— Não importa quantas vezes eu tente... não vai de jeito nenhum. — disse Austin insistindo até que desistira — O que tá havendo hoje?

— Será que não tem ninguém na Central de Comando nesse momento? Levando em conta que normalmente só entramos em ação depois da escola. — especulou Jessie.

— Mas quando o Trashmaster atacou pela manhã, podíamos nos comunicar. — disse Zoe.

— Sim, Dickerson e Karen estavam a toda disposição, eles tiram folga apenas à noite. — afirmou Damian sentando num caixote — Não seria coerente deixar tudo inoperante com o risco de acontecer algo nesse horário como agora.

— Eu sei o que seria coerente. — disse Tim em tom bravo — Ligar o alarme de incêndio.

— Não. — disseram os outros.

— Por que não? A água vai fazer aquele robô idiota entrar em curto-circuito num instante.

— Galera, só tem uma opção. — disparou Austin, tenso — Temos que morfar, não resta outra saída.

— Eu... concordo. — disse Jessie, insegura — Talvez não deem falta da gente se aparecermos lá morfados, né?

— Arriscado, mas... É nosso único meio pra salvar uma vida. — pontuou Damian, levantando.

— Muito bem, pessoal. — disse Austin pegando sua célula e morfador com os braços esticados para encaixa-los — Hora de morfar!

Mas um silêncio ensurdecedor pesou sobre eles. Nenhuma fagulha de energia recaiu.

— Tá de brincadeira... — disse Tim, chocado.

— Não pode ser. — lamentou Austin, olhando para a célula e o morfador com frustração — Não podemos nem mesmo nos transformar?

— Que belo dia pra ser Power Ranger. — disse Jessie tentando conter a aflição.

— Esse dia tá cada vez mais assustador. — disse Zoe, a expressão de desespero — Vai ver é um problema com a rede de morfagem.

— Por que a rede daria defeito justo nessa circunstância? — questionou Damian — Seria muita coincidência.

— Verdade, mas a gente tá ferrado! — disse Tim, perturbado — O Lokknon pode ter vencido!

— Droga! — esbravejou Austin que chutou uma caixa com frutas, revoltado.

— Calma Austin! — disse Jessie, tocando-o no ombro — Alguma coisa tá impedindo a gente de morfar, alguma coisa que pode ser tirada do caminho.

— Peraí, tô ouvindo alguma coisa... — disse Austin indo ouvir com a cabeça exposta atrás da parede, vendo o Psycho-Bot com o garoto.

— Eu aviso que caso os Power Rangers não apareçam aqui dentro de uma hora... vou estourar a cabeça desse terráqueo em pedaços!

O Ranger Vermelho ficou boquiaberto.

— Austin, o que foi que ele disse? — perguntou Jessie, ansiosa.

— Só temos uma hora. Se não aparecermos nesse tempo... acontece uma tragédia. — disse ele, olhando para os amigos visivelmente atemorizado.

***

Na Central de Comando, Karen estava defronte aos monitores digitando rapidamente no painel e fez uma descoberta que a deixou intrigada.

— Mas... o que significa isso?

— Algum problema? — indagou Dickerson vindo até ela tomando um copo de café.

— O sistema de comunicação está marcado como desligado, mas a frequência de rádio segue a pleno vapor. Não, espera... — disse a tecnóloga, entrando no mainframe do sistema — É uma frequência sobreposta que está neutralizando nosso sinal. Se eu puder rastrear de onde vem...

— E essa frequência invasora pelo menos não nos privou de ver o registro de chamadas. Olha aqui. — apontou Dickerson em outra tela — Várias somente hoje dos Rangers e de poucos minutos atrás. Estavam fazendo contato.

— Achei. — disse Karen, a curiosidade no ápice — Localização monitorada... — apareceu a imagem da Angel Grove High School — Não é comum eles nos chamarem quanto menos na escola. A sobreposição está vindo de lá.

— Aproxima mais. — pediu Dickerson os olhos estreitados — Não lembro de haver um segundo mastro no topo.

— Não é um mastro... — disse Karen ampliando o zoom ao limite — É algum tipo de antena emissora de ondas bloqueadoras.

Dickerson testava contato com os Rangers.

— Nem mesmo nós podemos nos comunicar. Isso é coisa do Lokknon, certamente tentando uma travessura nova.

— Quem diria, ele fugiu da rotina. — disse Karen ergueu de leve às mãos — Não me olha assim, não é sinal de rendição. Ahn, quase isso... Digo, não há como usar uma frequência alternativa, temos que destruir a fonte da sobreposição. E a pergunta de um milhão: mas como?

Dickerson olhava para o nada considerando uma opção de emergência.

— Existe um certo alguém que pode nos tirar dessa enrascada.

Lokknon se esbaldava de júbilo no seu trono com o dilema perturbador dos Rangers.

— Finalmente consigo antever a destruição dos Power Rangers com muito mais clareza! Eles não tem recursos pra resolver essa encruzilhada! Uma pena Mudok não estar aqui pra eu cobri-lo de elogios e dizer o quanto ele foi engenhoso e sagaz!

Aracna estava encostada na parede de braços cruzados assistindo a aflição dos heróis e se ressabiou com a congratulação à Mudok.

— Quero só ver se ele mantém tudo nos trinques até o fim. Humpf! — resmungou ela, virando a cara.

Enquanto isso, a nave compacta de Mudok aterrissava no solo desértico de seu antigo planeta de vivência. O androide saíra do veículo espacial, voltando ao sentir o vento forte soprar em meio a paisagem arenosa sob um céu preto-azulado com uma faixa de branco no horizonte.

— Que saudades desse ar puro. Mas não há tempo pra nostalgia, preciso encontrar depressa a relíquia que é minha por direito. — disse ele segurando um radar em forma de disco pelas alças laterais de metal — Apenas três quilômetros, ótimo. No cume daquela montanha.

Na escola, Damian voltou-se aos amigos com brilho de esperança nos olhos.

— Ei, tive um lampejo!

— Lampejo? Eu não vi luz nenhuma na sua cabeça. — disse Tim, estranhando.

— Tim, ele disse que acabou de ter uma ideia. — disse Austin — Diz aí, Damian.

— Do jeito que a coisa anda, estamos abertos a qualquer sugestão. — disse Zoe.

— E se ligarmos pra alguém aleatório da escola que passe a ligação pro refém? Posso usar um programa de camuflagem vocal pra garantir o anonimato, assim podem acreditar que são os Power Rangers na linha.

— E você tem algum número de alguém das outras classes? — perguntou Jessie. O Ranger Preto sacava seu celular, vasculhando a lista de contatos.

— Vou ligar pro Nate, ele é da quinta B. — falou, logo telefonando — Pus no viva-voz, aproximem-se. Austin, você assume daqui já que é o líder.

O celular de Nate tocou alto chamando atenção em volta.

— Que som é esse? De onde está vindo? — perguntava o Psycho-Bot — Se for uma brincadeira, eu aperto o gatilho!

— Toma aqui! — disse Nate se aproximando temeroso — É pra você, Thomas. São os Power Rangers.

O Psycho-Bot reagiu favoravelmente.

— Ah, então querem negociar, né? Certo, pegue o telefone. — permitiu ele deixando Thomas receber o celular, mas sem solta-lo.

— A-alô? — disse Thomas, tremendo.

— Olá, rapaz. Aqui quem fala é o Ranger Vermelho. Como se chama? — disse a voz de Austin sintetizada num tom grave.

— Thomas.

— Thomas, eu peço que não tente nenhum movimento brusco, entendeu? Eu tenho uma proposta a fazer. Está ouvindo, Mudok?

— Alto e claro. O que me propõe?

— A tecnologia da Intercorp pela liberdade do Thomas. É pegar ou largar.

O androide tivera uma crise de risos preocupante.

— O que é tão engraçado, Mudok? Que eu saiba não contei nenhuma piada.

— Se ilude achando que vou aceitar um punhado da sua tecnologia, não estou interessado. A minha está anos-luz à frente!

O robô derrubara o celular no chão, em seguida retirando de um compartimento interno do corpo um colete preto com explosivos e pondo-o em Thomas. Largou o garoto e apanhou o celular.

— Nada feito. Neste momento, plantei uma bomba-relógio no seu querido garoto programada para explodir em quinze minutos!

Esmagou o celular, gerando pânico total. Atirou o laser para o alto levando todos a se abaixarem.

— Ninguém foge ou eu atiro em todos!

No depósito, os Rangers ficaram desolados com o agravante da situação.

— Meu Deus, agora tudo piorou de vez! — disse Jessie, as mãos na cabeça quase chorando.

— Só quinze minutos... — disse Austin, terrificado.

— Eu não quero viver com a morte de uma pessoa na minha conta! — disse Zoe caindo em prantos com as mãos no rosto. Damian a abraçou em amparo.

— Eu ainda acho que... devíamos tentar o alarme de incêndio! — insistiu Tim.

— Não! — disseram os demais.

Jessie e Zoe se abraçaram chorando enquanto Austin cerrava os dentes em indignação.

— Eu nunca me senti tão fraco. Se deixarmos o Thomas morrer... vai ser uma mancha pro nosso legado.

— E os Power Rangers vão cair de conceito. — lamentou Damian tirando os óculos ao limpar uma lágrima.

— Não... — dizia Tim olhando para os amigos — Não, galera... Ainda tem esperança!

— Nessas horas... só um milagre. — disse Austin, derramando uma lágrima. Urrou de fúria socando a parede.

Na Central de Comando, Dickerson iniciava uma vídeochamada com o comandante Leozor vendo-o como a última salvação.

— Olá, comandante, desculpe incomoda-lo, mas há uma emergência crítica aqui na Terra que requer total ajuda da estação espacial. Nosso sistema comunicador está sofrendo uma interferência que anula qualquer contato.

— Nossos sensores já haviam detectado uma anomalia muito antes. Tentativas de contato dos Rangers a vocês foram captadas pelo nosso radar de frequência. — disse o leão antropomórfico de sobretudo preto e vermelho abotoado como uniforme — O que sugere?

— Vamos mandar a localização do alvo que o canhão laser da estação precisa destruir. — disse Dickerson.

— Lamento, mas não posso fazê-lo sem o devido aval do comandante-supremo Volgas, mesmo na ausência dele que saiu para conduzir uma operação pra desmanchar uma célula de contrabando de tecnologia. Dickerson, preciso que seja mais específico sobre esse caso.

— Lokknon instalou uma antena bloqueadora na escola dos Rangers, algo muito sério está ocorrendo pra terem tentado várias vezes nos chamar. Por favor, abra uma exceção.

— Reafirmo que a decisão parte do alto comando, Dickerson, não posso usurpar essa função. Mas vocês tem o que precisam pra resolver esse entrave. Karen, acesse o mainframe do telescópio do observatório.

— Sim, senhor. — disse a tecnóloga digitando veloz — Aqui está, incrível. Há um canhão laser calibrado dentro do telescópio.

— Foi alterado para casos emergenciais que justificassem ataques a distância. — revelou Leozor.

— Nem eu fazia ideia disso. — confessou Dickerson, surpreso — Karen, como está aí?

— Ajustei a escala e posicionei o canhão. Alvo travado na mira.

A parte superior do observatório girou com o enorme telescópio voltado para a direção certa. Karen apertou o botão de disparo e um feixe vermelho e reto de laser atravessou a lente. Atingiu em cheio a antena que foi partida. No seu planeta, Mudok reclamava da perda.

— Não! O sinal da antena se foi! Mas não faz mal, eu ainda tenho meu trunfo. — disse ele no topo da montanha onde havia um buraco — Basta eu apontar o infravermelho. — baixou um feixe fino de laser na abertura — Meu DNA foi reconhecido. Agora é só...

Um tremor de alta magnitude chacoalhou a montanha fazendo o androide se desequilibrar e cair rolando em meio às rochas. A montanha se rachava inteira e despedaçava, um ser colossal de metal emergindo e rugindo como uma fera.

— Desperte! Poderoso Titanodron!

***

De volta a escola, os Rangers se abraçavam juntos aceitando que o problema era irremediável. Até que o som do toque no comunicador de Austin veio como música aos ouvidos. Os cinco sorriram, recompostos.

— Sr. Dickerson! Finalmente! Pensei que tudo estaria acabado.

— Rangers, havia uma antena instalada no alto do colégio que bloqueava o sinal, mas já a destruímos com o telescópio que possui um canhão escondido. Comandante Leozor nos orientou, agradeçam a ele.

— Que demais! Acredita que nem podíamos morfar?

— O sinal também está conectado aos morfadores, por isso não responderam. O que está havendo aí?

— Mudok mandou um Psycho-Bot pra cá e fez um aluno da nossa sala vizinha de refém. — contou Jessie.

— E agora colocou uma bomba nele que vai explodir em cinco minutos. — disse Zoe.

— Desgraçados, dessa vez foram longe demais. Se apressem, Rangers.

— É pra já! — disse Austin, desligando — Agora sim, galera, é hora de morfar!

— Touro Ônix!

— Tubarão Cobalto!

— Arraia Rósea!

— Águia Flavescente!

— Leão Escarlate!

— O tempo vai se esgotando e nem uma sombra dos Power Rangers! — disse o Psycho-Bot — São esses indivíduos que querem chamar de heróis? Eles viraram as costas pra todos vocês!

Os Rangers surgiram em teleporte no refeitório, sendo aclamados pelos estudantes.

— A única coisa que vamos virar é o seu traseiro do avesso! — disse Austin.

— Então sejam rápidos! — disse o robô acelerando a contagem da bomba em segundos.

— A contagem acelerou! — disse Damian.

— Temos só dez segundos! — disse Zoe.

Austin saltou chutando o Psycho-Bot no peito o afastando de Thomas, logo removendo o colete explosivo. Arremessou contra uma janela quebrando a vidraça. A bomba explodira numa nuvem de fogo e fumaça a uma distância segura, a onda de choque fazendo os carros estacionados alarmarem.

Lokknon fervilhava de cólera com a reviravolta.

— Maldição! Psycho-Bots, ataquem! — vociferou batendo o punho direito no trono.

Um exército de soldados robóticos monoculares surgiu no amplo espaço cercando os Rangers.

— Corram todos, não é seguro! — mandou Austin indo logo para cima de um robô o chutando. Desarmou outro com um chute em arco e o socou no peito fazendo-o cair sobre uma mesa danificado. A luta generalizada tomou conta do refeitório após os alunos se dispersarem. Jessie usou um golpe com as pernas prendendo o pescoço de um robô e torcendo-o, depois saltando de ponta a cabeça as garras raptoras e girando para destruir os robôs no cerco.

Tim deslizava entre as mesas usando um break dance para chutar alguns robôs próximos. O Ranger Azul saltou batendo com o pé no alarme de incêndio na parede. A chuva caíra abundante sobre os robôs que pifavam em curto com faíscas e raios até tombarem.

— Eu não falei que só precisava do alarme do incêndio? Aqui tem tutano! — disse Tim apontando para sua cabeça.

— OK, OK, nunca mais vamos duvidar de você, Tim. — disse Jessie o tocando no ombro.

— E do seu magnífico cérebro. — ironizou Zoe.

— Mandou bem, Tim. — elogiou Austin batendo sua mão a do amigo em comemoração.

— Me admira o Mudok possuir uma tecnologia tão avançada e sem sistema à prova d'água. — comentou Damian segurando a cabeça decepada de um Psycho-Bot.

Um aparente cometa cruzava o espaço sendo visto por Aracna na janela.

— Mas aquele é...

A bola de luz roxa ia diretamente à Terra sendo captada pela Central de Comando.

— Objeto interplanetário não-identificado acabou de entrar na nossa atmosfera. — disse Karen.

O colossal Titanodron aterrissava com impacto sobre a cidade causando um tremor.

— Que barulhão foi esse? — indagou Tim.

— Foi um estrondo e tanto. — disse Jessie.

— Sr. Dickerson, o que foi agora? — questionou Austin.

— Vão até a zona urbana e vejam por si mesmos.

Os Rangers saíram saltando entre os prédios em alta velocidade. Do alto de um edifício se depararam com o gigantesco monstro mecânico de Mudok pisoteando carros, lançando rajadas de fogo azul pela boca que provocavam explosões intensas e movendo sua cauda destruindo prédios.

— Minha nossa... — disse Tim — Parece que tô dentro daquele filme japonês de monstro!

— Era só o que faltava! Um lagarto gigante do espaço pra melhorar nosso dia. — disse Jessie.

— Se a gente ficar aqui parado, essa coisa pode incendiar a cidade inteira! Vamos nessa! — determinou Austin.

— Precisamos do poder Megazord agora! — disseram em uníssono.

Os zords vinham a caminho da batalha de titãs, os Rangers logo saltando para adentrar neles.

— Chave de comando ativada! Sequência Megazord! — bradou Austin, girando a chave.

O Megazord Z foi enfim montado e se firmou para lutar. Do cockpit do Titanodron, Mudok interagiu com os heróis.

— Saudações, Rangers!

— Mudok! Então é você de novo! — disse Austin.

— Não exatamente. Aquilo que deixou vocês assustados não passava de uma cópia minha gerada por inteligência artificial. Aqui estou eu fisicamente e pronto pra aniquila-los com meu vigoroso Titanodron, o símbolo de guerra da minha família!

O monstro metálico ativou os jatos nas pernas o impulsionando velozmente para bater sua cauda no Megazord que fora derrubado com violência.

— A gente não vai deitar pra esse lagartão, vai? — perguntou Tim.

— Não mesmo! Escudo Selvagem! — disse Austin.

O robô reergueu-se defendendo-se dos mísseis disparados dos ombros do Titanodron e avançando bravo com as explosões no escudo e ao redor.

— Aqui vai uma surpresinha. — disse Mudok acionando um comando que abria a barriga do monstro como uma escotilha. De lá saiu um míssil robusto que o Megazord se esforçou em conter sendo empurrado.

— Rangers, há uma nova configuração de combate disponível! — avisou Dickerson — Eu chamo de Modo Velox, amplifica a força e a agilidade em cem vezes. Mas só podem usa-la por apenas um minuto.

— OK, pessoal! Se segurem! — disse Austin — Ativar Modo Velox!

A forma física do robô tornou-se mais esguia e menos densa possibilitando rebater o míssil de volta ao Titanodron com um chute. O colosso de Mudok foi derrubado com uma explosão.

— Parece que o Megazord fez uma dieta. — disse Jessie.

— Mais leve que uma pena! — comentou Zoe.

O Titanodron levantava lançando as granadas de seus joelhos, mas que foram rapidamente rebatidas pelo Megazord com os pés. O robô aplicou golpes velozes e potentes no monstro que causavam danos severos. Após o tempo acabar, o Megazord retornou a fisionomia normal.

— Sabre Selvagem!

A espada caíra na mão direita do robô. Em desespero pelo cockpit em frangalhos, Mudok pulou fora do monstro caindo sobre um prédio. Testemunhou a destruição explosiva do Titanodron pelo corte da espada.

— Não! Meu precioso Titanodron... — lamentou se ajoelhando — Sou uma vergonha pro lema da minha família!

***

Os Rangers se reuniram na Central de Comando perto do meio-dia para discutirem a ocorrência que os forçou a violar a regra número um do super-heroísmo.

— Liguei pro diretor Brewster. — disse Damian vindo até os amigos — Por conta do ataque dos Psycho-Bots, todos os alunos foram liberados mais cedo. Ah, e ele avisou que está tudo bem com o Thomas e o amigo dele, Billy.

— Nossa, que sufoco foi hoje. — disse Jessie — Pela primeira vez, senti que iríamos perder.

— Mas devemos estar felizes pela vida salva do Thomas. — disse Zoe — Ele quem sofreu mais, tadinho. Podia ter sido com qualquer um de nós.

— Tem razão, a vida do Thomas era a nossa prioridade acima de tudo. — disse Austin.

— Lokknon jogou pesado, admito. — disse Dickerson — E quase saiu vitorioso. Por isso peço que nunca baixem a guarda, Rangers. Podem haver novas investidas pra prejudicar suas identidades.

— Comandante Leozor tem algo a dizer. — disse Karen pondo o vídeo na tela.

— Rangers, quero dar meus mais sinceros parabéns pela missão de hoje. Sintam-se honrados por terem impedido a morte trágica de um inocente. Mais uma vez me orgulho de tê-los na linha de frente, continuem nesse ótimo trabalho.

Tim veio se aproximando da tela.

— Aí comandante, pra aumentar nossa moral, bem que merecíamos umas medalhas, não acha?

Leozor o fitou com estranhamento por uns segundos e depois encerrou a transmissão. Tim virou-se para os amigos meio constrangido.

— Acho que isso quer dizer... um não, né?

Os amigos não seguraram os risos com a tentativa frustrada de pedir por mais uma condecoração. Paralelamente, Mudok tivera um acesso de fúria disparando lasers pela sua oficina. Aracna vinha entrando e se abaixou.

— Ei, quase me acertou! Se controla aí!

— O que quer aqui? Não vê que estou ocupado extravasando minha autopiedade?

— Vim ver como se sente. O mestre nem deu uma bronca tão feia assim. Ele te perdoa... só dessa vez.

— Mas não é por isso, estou furioso comigo! Eu... superestimei o poderio lendário da minha família, não esperei que o Titanodron fosse tão ultrapassado diante dos Rangers.

— Você queria o quê? Aquele bicho ficou selado milhares de anos, lógico que a derrota era certa.

— Mas minha honra perante o mestre não está perdida. — disse Mudok olhando para seu novo projeto por uma vidraça — Minha próxima invenção será concluída em breve.

— Brinquedinho novo, é? Posso ver?

— É segredo! Fora daqui, Aracna, antes que eu a expulse!

— Até parece que você daria conta. — disse ela maliciosa, virando-se e saindo. Mudok seguiu contemplando seu invento ainda as escuras. Na tela do seu computador havia designs intitulados de Projeto MK-Destroyer.

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