Power Rangers: Esquadrão Z

47 Soltando a Fera (Parte 3)


Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Ray ordena Chimerax sequestrar Owen após o Ranger Verde ir contra a orientação de Dickerson que agora precisa negociar a liberdade dos Rangers tendo que abrir mão de dados de uma pesquisa para o rival. O desencontro de ideias entre Ray e Chimerax culmina num agravante que obriga os heróis a atingirem um novo patamar de poder. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!



O ataque que deflagrou o embate viera de Owen que saltou desferindo consecutivos chutes com giros contra Chimerax, logo voltando ao chão para lançar um corte diagonal de luz verde, o qual o híbrido defendeu com os braços embora tenha sido empurrado com os pés arrastando. Chimerax revidou com raios dos seus orbs, levando Owen a esquivar das explosões de faíscas com cambalhotas para a direita até ficar sobre um carro de tração e sacar a pistola Z, disparando várias vezes contra o híbrido que se desequilibrou um pouco com as faíscas estourando. Mas Chimerax contra-atacou com mais dos seus raios laranjas que explodiram altas faíscas no carro forçando Owen a saltar energizando a Adaga Kong com a qual desferiu um corte vertical ao descer de volta ao chão, depois girando e realizando outro horizontal, as faíscas estourando violentas no peito do híbrido.




— Se estiver achando pouco, pode pedir mais que eu não vou economizar! — provocou o Ranger Verde ao ver o oponente recuando aparentemente sentindo alguma dor pelos golpes. Porém, o híbrido se recompunha e ainda mais bravo do que estava.




— Você está me dando nervos, seu moleque verde! — disse Chimerax com labaredas na boca, logo lançando um ciclone flamejante. Owen ergueu o braço e imbuiu a adaga de mais energia e correu sem medo na direção da rajada espiral de fogo, a ponta da adaga perfurando o ciclone a medida que ele avançava. Contudo, o corpo vermelho do híbrido, que correspondia ao modo Fúria Animal de Austin, ferveu de energia elevando a intensidade da rajada de fogo e refreando a investida de Owen que sentiu os pés arrastarem no chão ao ser empurrado pela força absurda do ciclone de chamas.




— Não posso perder... Tenho que vencer essa por eles! — disse ele enquanto gemia duelando com a força do ciclone.




O vencedor do cabo de guerra acabou sendo Chimerax que fortaleceu a onda de fogo de súbito, atingindo Owen contra um carro, causando uma explosão tremenda que o fez voar pelos ares, a nuvem de fogo atrás.




Dickerson entrava em contato para alerta-lo:




— Owen, não prossiga com essa luta! Melhor que bata em retirada vindo pra cá antes que você seja vítima da técnica especial dele!




— Nunca... desisto de uma luta. — disse ele levantando com esforço — Ele vai ter que penar pra me vencer. Tô pronto pro segundo round! Pode cair dentro, seu Frankenstein das selvas!




— Pode vir primeiro, garoto, hehehe! — disse Chimerax o chamando com um gesto de mão.




Lokknon ficava na ponta de seu trono, ansiosamente esperando que o híbrido utilizasse seu golpe secreto tal qual fizera nos Rangers anteriormente.




— Mas o que ele está esperando pra finalmente abater o Ranger Verde? Chimerax, aja rápido, o transforme num estúpido gorila humano!




Dickerson mexia em algumas teclas no painel, gerando curiosidade em Karen.




— O que está fazendo?




— Se Owen tiver um remota chance de causar um estrago considerável em Chimerax, o momento de pagar pra ver é agora. — disse o mentor que logo apertou a última tecla, a Enter — Owen, receba seu colete Zoomorph.




A proteção corporal surgiu em teleporte no corpo do Ranger Verde enquanto ele corria direto à Chimerax.




— Opa, agora tô sentindo o poder correr que nem eletricidade pelo meu traje! Valeu, Sr.Dickerson, já tava mais do que na hora! — disse o Ranger Verde que saltou dando alguns chutes rápidos em Chimerax, depois o socando na barriga a um ritmo meio acelerado, por fim desferindo um potente gancho de direita que causou até uma onda vibrante. Chimerax caiu a alguns metros, mas logo reerguia-se — Ah, que pena, você devia ter ido a nocaute depois dessa!




— Pra sua informação, não sou fácil de derrubar, um ataque miserável como esse jamais me apagaria! — disse Chimerax que bateu um dos seus cascos de touro no chão produzindo uma onda de terra avassaladora. Owen saltou desviando e desferiu um corte da Adaga Kong, porém Chimerax girou neutralizando o golpe e disparando as penas douradas da suas asas que atingiram o Ranger Verde como tiros e o derrubaram com faíscas estourando no corpo.




Chimerax moveu-se para tentar pisar nele enquanto caído, mas Owen rolou no chão em desvio e logo se apoiou de um braço para chuta-lo com os dois pés em posição inclinada, depois levantando, girando e lançando mais um corte da adaga, mas que o híbrido barrou com o braço esquerdo. Chimerax o chutou com um dos pés de touro, a potência do golpe o mandando contra a parede de um prédio comercial.




— Ai... Nunca pensei que coice de touro doesse tanto. — disse ele ao levantar com dor no tórax apesar da proteção oferecida pelo colete.




Karen fez um questionamento válido:




— Isso por acaso é um protótipo? Deu a ele uma versão beta do colete?




— Não, é o colete em sua versão completa em cada átomo. — disse Dickerson, preocupado — É bom lembrar que nesta forma Chimerax reúne os poderes dos cinco Rangers no modo Fúria Animal, logicamente Owen não prevalece mesmo usufruindo de uma célula poderosa e um colete que redobra esse poder.




— Então podemos estar subestimando o potencial do Chimerax. — apontou a tecnóloga — É uma fera contra cinco num nível de poder substancialmente elevado. Owen não tem chances favoráveis. Pelo menos ainda não, certo? — olhou para o explorador na espera de uma resposta alentadora, mas tudo que Dickerson expressou foi um semblante tenso.




Chimerax disparava mais raios alaranjados contra Owen que avançava a despeito das explosões de faíscas em volta.




— Mas que pirralho teimoso! Renda-se e aceite sua insignificância perante a mim! — disse o híbrido que também novamente lançou seu bafo de fogo espiral, provocando uma forte explosão de fogo atrás do Ranger Verde que avançava inabalável ainda que não tão firme — O que foi? Não vai se transformar daquele jeito como seus amigos fazem? Aquele poder que agora é parte de mim também! Vamos, não se contenha!




— Tá me incentivando a ficar mais forte?! Que coisa esquisita! Macro-Detonador! — o canhão surgiu sobre o ombro de Owen quando ele parou de correr.




Chimerax recolheu sua mão esquerda para dar lugar ao disparador de torpedo análogo ao de Tim, logo disparando o projétil.




— Droga, sem flash paralisante! — resmungou Owen — Disparar! — a esfera verde e eletrizada foi lançada do canhão, colidindo com impacto estremecedor e explosivo ao torpedo, o que gerou uma onda de choque entre eles os jogando a alguns metros. Owen rolou pelo chão já sem sua arma, o colete Zoomorph, em seguida, desaparecendo em luz verde.




Chimerax levantava meio trôpego, sua disposição parecendo inesgotável. Owen reergueu-se depois, mal aguentando-se.




— Nossa, olha que bagunça — falou ele olhando o centro da cidade cheio de danos estruturais e labaredas — Vou atrás dos meus amigos e liberta-los! Ouviu bem?




— Não seja tolo, a essa altura já devem estar transitando em seus habitats naturais, você não fará ideia de onde estão pra recupera-los hahah.




— Tem razão, eu não. Mas tenho outros amigos que vão me ajudar a descobrir. — disse Owen que logo apertou o botão de teleporte no morfador, indo para a Central de Comando.




Chimerax rosnou furioso em reação ao sumiço do Ranger Verde, esbravejando enquanto seu corpo, a parte vermelha, parecia superaquecer.




— Se tem uma coisa que eu detesto são covardes! Ainda voltaremos a nos encontrar, essa luta não terminou ainda!




Na base Ranger, Owen retirou o capacete e o pôs na mesa de vidro.




— Fui um trouxa e um baita teimoso. — disse ele voltando-se a Karen e Dickerson — Devia ter me lembrado de um conselho que meu pai sempre me dava: saber quando for a hora de desistir. Mas não me entendam mal, tô falando da batalha, não da guerra.




— Não se culpe por não ter se mostrado a altura daquele monstro, a sua desvantagem não é algo pra se envergonhar quando você tentou dar seu melhor ao máximo. — aconselhava Dickerson aproximando-se dele e o tocando no ombro.




— Afinal estava enfrentando o poder combinado de cinco animais baseado no Modo Fúria Animal. — reforçou Karen.




— Que tá demorando pra eu ganhar, né? Me digam que isso é a solução pra derrotar aquela colcha de retalhos ambulante. — falou Owen com certa carência no tom e no olhar.




— Por enquanto, não. — negou Dickerson, o frustrando — Karen e eu observamos que Chimerax esperava você acessar o Modo Fúria Animal para não apenas drenar sua energia com mordidas, mas também o submeter a mesma condição que os outros sofrem agora.




— E cadê eles? Alguma ideia de onde cada um deles estão? — indagou Owen chegando mais perto dos computadores e painéis. Karen acionou o radar, localizando os cinco.




— De acordo com os sinais dos morfadores... Meu Deus, eles foram mais longe do que previ. — disse Karen colocando imagens de cada Ranger na tela e destacando conforme citava — Austin se teleportou para uma savana africana, Zoe e Tim estão nadando com vários cardumes nas águas do Atlântico Sul, Jessie está sobrevoando a floresta Amazônica no território do Brasil e Damian, que está menos distante, avançando pelo deserto de Chiuahua no Texas com uma manada de bois.




— Será que não existe uma fórmula que faça eles voltarem a agir como humanos? — questionou Owen.




— Infelizmente, não tenho nenhum recurso que possa reverter essa zoomorfização. — lamentou Dickerson assistindo aos vídeos dos Rangers situados em diferentes locais — Mas posso evitar que você seja afetado. — olhou para Owen — Criando uma blindagem no colete que anule o poder dessa técnica de Chimerax.




— E já que quer tanto saber... — disse Karen dando uma olhadela para Dickerson com um sorriso brincalhão — O seu modo Fúria Animal está pronto para ser desbloqueado.




— Poxa, Karen, era pra ser uma surpresa no timing correto. — retrucou Dickerson com um sorrisinho de canto.




— Achei que a verdadeira surpresa fosse a novidade que você tava projetando lá no laboratório. — disse a tecnóloga franzindo a testa com ar de suspeita no sorriso e no olhar.




— E isso daí é pra mim também? — empolgou-se Owen.




— Será para todos no tempo certo. — adiantou Dickerson com suspense — Por ora, você deve se manter longe de Chimerax até que a blindagem esteja pronta para instalação.




— E se ele me encontrar querendo uma revanche? — perguntou Owen.




— Fuja, por mais que isso te faça se sentir um peso morto. Torça pra que isso não aconteça, aliás evite sair até que eu entre em contato.




— Mas tenho treino importante hoje a tarde no dojo, não posso faltar por nada desse mundo.




— Então tome todo o cuidado possível. Se der de cara com Chimerax sem que eu tenha feito contato, pelo seu próprio bem, não morfe para testar o seu Fúria Animal. Entendido?




Owen comprimiu os lábios baixando um pouco a cabeça ao expressar certo desalento, sofrendo com a inevitável sensação de inutilidade.




— Sim, entendido. Mas tô com uma dúvida cruel até agora: por que o Chimerax voltou ao tamanho normal do nada?




— Em relação a esse mistério... — disse Karen pondo na tela o vídeo do instante em que Chimerax preparava o triângulo zoomorfizador contra o Megazord e pausou no minuto exato dando um zoom — Aqui, vejam com atenção. — passou o vídeo novamente e passando no frame certo — Um tiro o acertou na testa, dá pra ver por esse ínfimo brilho vermelho que se irradiou.




— Algo me diz que o Ray está por trás disso. — especulou Dickerson, a face séria ao olhar para o vídeo travado — É com ele que realmente devemos nos preocupar.




***




Chimerax andarilhava por uma área de construção civil pouco populosa chamando atenção dos trabalhadores que o encararam atemorizados com menção de saírem correndo.




— O que estão olhando, seus humanos ordinários? Vocês merecem tremer diante da minha existência! Então tremam! — vociferou o híbrido, logo batendo um casco de touro no chão várias vezes, provocando um abalo sísmico que rachava o solo e estremeceu os homens forçando eles a abandonarem o local de trabalho aos gritos e na correria — Fujam, inúteis! É só isso que sabem fazer de melhor!




— Parece que alguém está num de dia de fúria. — disse Ray saindo detrás da parede do prédio inacabado.




— Ray, o que houve comigo naquele momento em que quase destruí os pirralhos Rangers junto com aquele robô? Você tem a resposta, eu sei que tem!




Ray sorriu consigo mesmo, maquiavélico.




— É simples de aferir: Lokknon. Ele fez aquilo com você, te enganou descaradamente sobre a dissolução do soro no seu organismo. Mas eu tenho a alternativa adequada para prevenir que você regrida a forma anterior. — mentia Ray, logo mostrando um pequeno frasco com o soro modificado — Essa é uma versão aprimorada do soro de Lokknon. Beba.




O híbrido tomara o frasco das mãos do cientista, não só tomando do soro como também mastigando e devorando o vidro. Mas não pareceu nem um pouco satisfeito.




— Preciso de mais! Mais! Me faça beber mais desse novo soro, Ray, eu não estou pedindo! — disse Chimerax, afoito, seu corpo esquentando.




— E-eu... Eu trouxe apenas essa dose como um aperitivo para testar!




— Aperitivo?! Eu mereço um banquete farto! — rebateu Chimerax o agarrando pela gola do jaleco branco — Mas tudo bem, se você possui, Lokknon deve também possuir e muito mais!




— Não, espere! — disse Ray logo que Chimerax teleportou-se a nave de Lokknon.




Ao chegar a sala principal do imperador, Chimerax dr direito a alguns passos até Barooma, logo o agarrando com as duas mãos com os quisesse estrangula-lo.


— Eu exijo mais soro ou juro que vou esmagar essa pilha de sucata que você chama de subordinado, Lokknon!


— Mestre, peça para ele me pôr no chão! — implorava Barooma, acovardado pela ameaça.


— Largue ele, Chimerax! Se o destruir, farei com que carregar isso pesadamente na sua consciência!


— Vocês mentiram descaradamente pra mim! — acusava Chimerax — O soro está se dissolvendo, nada mudou!


— Chimerax, se me largar, poderei mostrar o que ocorreu para que voltasse a estatura natural! Tenho imagens como provas cabais!


O híbrido acatou, quase jogando-o no chão.


— Comprovamos que você foi sabotado! E não foi por nós! — o sakorguiano acessou o vídeo e o exibiu exibiu tela do visualizador — Olhe atentamente! A sua testa foi acertada por um tipo de dardo! O material provém da Terra e jamais usaríamos matéria-prima terráquea! Exceto em casos de extrema necessidade, o que não foi o seu!


— Existe apenas uma pessoa a quem pode apontar essa culpa e você sabe bem quem. — disse Lokknon ao híbrido.


Chimerax cerrou os punhos trêmulos de raiva.


— Ray. — disse quase espumando pela boca — Ray, seu maldito!


No seu laboratório, Ray caminhava misturando uma solução até que a súbita aparição de Chimerax o fez largar o recipiente tamanho o susto. Recuou vendo o híbrido ferver de fúria.


— Fabricando mais soro, Ray? Cheguei numa boa hora!


— Não devia ter ido ao Lokknon, eu tentei te avisar.


— Eu não devia ter ido mesmo, que pena pra você! — disse Chimerax que inclinou-se para frente, tocando um casco de touro touro avançando com os chifres mirados em Ray que os agarrou com toda a força sendo empurrado contra um armário — Sua enganação custará caro!


— Fiz isso pra protegê-lo do Lokknon! Ele quer a sua obediência como mais um dos soldados dele! Eu já disse e repito: quero que sejamos parceiros! Não estamos mais numa relação de tutor e bicho de estimação, mas de... almas inseparáveis.


— Está tentando me manipular, seu cretino! — rebateu Chimerax atravessando oa chifres no jaleco de Ray, logo o erguendo e o jogando para o lado oposto onde o cientista caíra sobre uma mesa com vários frascos de soro estabilizador que quebraram no impacto levando o líquido a se espalhar pelo piso.


— Veja o que fez! — disse Ray levantando com o jaleco meio encharcado — Assim você não dá outra escolha senão essa! — retirou um controle e apertou o botão ativando grades horizontais verticais em laser verde diante do híbrido.


— Mas o que é isso? Está me colocando numa prisão? — Chimerax levou suas mãos às grades, queimando-se.


— Sob medida pra você em caso de descontrole. E também para testar essa belezinha aqui. — disse Ray tirando de uma caixa um anel metálico adaptável ao pescoço de Chimerax.


— Não basta estar preso, também ganharei uma coleira!? Aquele seu amigo Dickerson tinha razão!


— Minha amizade com Thomas acabou desde que parti para buscar o primeiro embrião que mantém você vivo. — disse Ray aproximando-se com a coleira — Este é um dispositivo que pode se fixar a você como ímã no metal. — abrira a coleira — Caiu certinho na armadilha, você está onde eu queria que estivesse, agiu como eu queria que agisse. Não existe animal indomável neste mundo, você nunca foi a exceção.


— Mas me fez acreditar que você era exceção entre os humanos! Você é um calhorda traidor, sempre quis me manter acorrentado obedecendo a você.


— Você se tornou uma ameaça e me obrigou a medida drástica! Bem, eu queria que se tornasse uma ameaça pra justificar o uso do anel adestrador, sendo bem honesto. Assim que eu solta-lo das mãos, vai estar sob meu total domínio.


— Não se eu colocar esse lugar inteiro abaixo! — disse Chimerax que logo expeliu sua rajada de fogo pela boca no teto, as chamas alastrando-se e fazendo partes do forno cederem com faíscas salpicando e explodindo.


Consequentemente, o sistema da prisão de lasers foi avariado, desligando as grades. Chimerax investiu contra Ray que corria meio abaixado para se proteger dos pedaços do teto. O híbrido escorregou de frente devido ao piso molhado pelo soro, mas aproveitou que Ray estava ao seu alcance e disparou dos olhos das asas de rapina, o derrubando. Foi rastejando até o cientista e o virou, ficando sobre ele em meio ao incêndio.


— Chegou o seu fim! — disse prestes a golpea-lo. Vendo cabos da fiação elétrica cedendo perto deles, Ray pegara dois e pressionou as pontas no corpo de Chimerax que foi eletrocutado. Entretanto, a eletricidade foi conduzida também a Ray graças ao chão molhado do soro, resultando numa simbiose de corpos em que ambos gritavam simultaneamente ao longo do processo tolerável de se ver apenas pelas silhuetas na parede. A nova nova híbrida levantava após o fim da terrível fusão, os fios piscando faíscas e raios ao redor.


— O que aconteceu? O que fez comigo, Ray?


— O que você fez conosco, imbecil! — disse o cientista cuja cabeça ficara alojada na barriga de Chimerax — A dose do soro modificado que você tomou junto a eletricidade que criou uma ponte entre nossos corpos culminou nessa nova evolução!


— Espere... Não parece tão ruim... Eu permaneço no comando. — deu uma risada infame — Eu continuo no controle, hahahahah! Vamos mostrar ao Lokknon e ver como ele reage!




Chimerax se deslocou para a nave de Lokknon em pura energia, feito um "meteoro" laranja que se expandiu com raios irradiando pelas instalações elétricas, causando pisca-pisca das luzes de néon roxo nas paredes que iluminavam a sala principal. Lokknon se inquietava no trono.




— Barooma, vá verificar os geradores! Mudok está ocupado na oficina!




O androide chegava às pressas até ali.




— Estava ocupado até começar toda essa instabilidade! Parece ser ainda pior do quando alimentei o...




— Não diga esse nome! — vociferou o imperador — Mas o que esta havendo aqui? Meus geradores funcionam perfeitamente, é uma das fontes de energia mais caras do universo!




De repente, os raios laranjas saíram dos leds néon nas paredes e se amontoavam no meio do recinto formando a fisionomia de Chimerax em seu novo estágio evolutivo que espantou aos três.




— Que surpresa, não acham? Aposto que não me reconhecem!




— Mas quem... — disse Lokknon que interrompeu-se para olhar mais atentamente — Ahn... Chimerax, é você mesmo?




— O único e inigualável. Meu novo eu que evoluiu para um estado que não seria exagero chamar de perfeição! — gabou-se o híbrido, a postura altiva. Ray o confrontou:




— Não acha que está se dando crédito demais?




Lokknon, Mudok e Barooma estranharam e procuraram a origem daquela segunda voz de aspecto humano mas num tom cavernoso.




— Mas quem disse isso? — indagou Lokknon.




— Essa voz me lembra alguém... — disse Mudok que logo reconhecera — Espere, esse é o Ray, o rival de Dickerson. Mas de onde ele está falando? É como um fantasma.




— Pode parecer que morri e virei uma alma penada, mas ainda estou aqui... agora preso a essa carcaça degradante. — disse Ray insultando seu ex-mascote.




— Somos um só corpo agora, nossa união não deve ser meramente física, então, talvez por enquanto, precisamos somar nossos dons naturais para destruir Dickerson e os Rangers.




— Se estou entendendo bem... Vocês se unificaram, uma autêntica fusão de corpos orgânicos. Eu nunca tinha visto nada parecido, mas nunca julguei que fosse impossível. — disse Lokknon levantando do trono e se aproximando do híbrido com interesse.




— Foi um infeliz acidente que não teria ocorrido se ele tivesse me obedecido como um mascote fiel. — disse Ray — Mas uma parcela de culpa também é minha, pois o atraí pra uma armadilha que premeditei durante os últimos dois dias.




Barooma vinha até eles com curiosidade




— Fascinante, ele dividem o mesmo corpo, mas suas mentes atuam de forma individual! Gostaria de fazer algumas análises moleculares!




— Afaste-se e procure outra cobaia pra se divertir! — advertiu Chimerax apontando para o cientista — Eu não quero uma separação, afinal é bem plausível afirmar que o fator evolutivo se deve ao DNA de Ray combinado ao meu que já possui células humanas desde o princípio!




— Ah, mas essa separação vai acontecer, sim senhor! — contrariou Ray — Dickerson possui uma pesquisa que ele desenvolveu paralelamente ao meu projeto, se a tivermos podemos alterar a finalidade da experiência pra desfazer essa abominação que viramos!




— Abominável é o seu pensamento! Eu me sinto a criatura mais poderosa e perfeita da Terra! E pare de me bombardear com suas lembranças de quando me fazia de bicho de estimação!




— Compartilhamento de lembranças! — apontou Barooma — Um elo neurológico que faz ambas as mentes interagirem numa eficiente via de mão dupla!




— Como irmãos siameses. — adicionou Mudok perto do colega.




— O que exatamente é esse projeto de Dickerson? — indagou Lokknon, curioso.




— Ele diz ser uma versão aprimorada do meu projeto de hibridismo animal. — dissera Ray — Guarda numa maleta com uma combinação que obviamente apenas ele sabe.




— Hum, e se o forçarmos a uma negociação? — idealizou Lokknon caminhando devagar pela sala com a mão cofiando o queixo, sua imaginação fluindo — O Ranger Verde está sozinho após seus amigos passarem a agir como os animais que simbolizam.




— Quer que ele seja a moeda de troca? — indagou Chimerax — Bem, eu pensei nisso antes. Quero dizer, meu carrapato aqui pensou.




— Comece a me tratar melhor pois sem mim não teria atingido esse estado que você tanto se vangloria. — rebateu Ray — Está definido, pegaremos o Ranger Verde para exigir a maleta em troca. Dickerson estará num beco sem saída. E quando obtermos a pesquisa, distorceremos seu propósito para nos separar.




— Mesmo ligado a mim, continua pensando somente em si mesmo! Eu estou no comando, caso não tenha se dado conta ainda! — contrapôs Chimerax, a irritação no limite — Portanto, eu decido o que será da pesquisa. Pra ser mais preciso, tentarei evoluir mais com ela!




— Chega! Os dois tem intenções opostas quanto a esse projeto valioso, mas um mesmo ideal que é... destruir Dickerson e seus Power Rangers! — disse Lokknon, impaciente com a dupla, circundando o híbrido — O qual também, antes de tudo, é meu! Sendo assim, se irão trabalhar juntos nisso, não deixem essas diferenças atrapalharem!




— Caso Dickerson não venha ou use de trapaças, você pode zoomorfizar o Ranger Verde. — sugeriu Mudok — Facilitará pegar os morfadores em benefício do plano do mestre.




— Mas o trabalho de Aracna terá sido completamente inútil! — ressaltou Barooma.




— Isso é problema dela. — retrucou o androide — Imagine só ela vendo que todo esse disfarce idiota de professora foi em vão, heheheh.




— Ah, eu duvido que Dickerson se recuse a salvar o único que restou dos seus heróis. — disse Chimerax — Eu até já sei como farei para pega-lo, basta incrementar um certo objeto...




— O anel adestrador. Sei exatamente o que fazer. Aliás, sabemos, hahahaha. — disse Ray, altamente confiante.




Enquanto isso, Owen sofria com constantes erros ao longo do treinamento no dojo. Seu mestre o derrubou com um golpe que ele facilmente teria superado.




— O que há com você hoje, rapaz? — perguntou o instrutor, um homem nipo-amaeorcnao de meia-idade careca de cavanhaque grisalho estendendo a mão direita para levanta-lo — Seu rendimento caiu de uma forma muito estranha.




— Foi mal, Sr. Hosoiya. — disse Owen levantando ao ser puxado — Tô encarando alguns probleminhas pessoais, tá difícil se concentrar de tanta preocupação. Será que o senhor pode me liberar mais cedo... tipo agora?




— Está bem, garoto. Mas trate de remover qualquer pedra no caminho que impeça de você crescer ou a faixa azul será um sonho ainda mais distante. — disse Hosoiya compreensível — Por hoje é só, descanse e medite pra afastar as aflições. Até amanhã. — tocou-o no ombro.




— Até, sensei. — disse Owen fazendo a reverência antes de caminhar até seu armário para pegar sua mochila, limpando o suor — Tenho que fazer alguma coisa pra tira-los dessa roubada, de um jeito ou de outro.




Ao sair já com suas roupas habituais, caminhando pela calçada, foi refletindo que ações tomaria a seguir, reconsiderando a orientação de Dickerson.




Na Central de Comando, Karen detectava os sinais dos morfadores dos Rangers, indicando um evento misterioso.




— Dickerson, dá só uma olhada. — chamou a tecnóloga, o mentor vindo até ela interrompendo sua tarefa com a barreira anti-zoomorfização — Os Rangers estão se reagrupando, mas os sinais estão caindo à medida que a proximidade aumenta. Aqui, achei. Há outro sinal, esse anômalo, atraindo eles para si.




— Chimerax, sem dúvidas. Está aprontando alguma trama. Ele ficou mais inteligente ao evoluir, deve ter algo criativo em mente.




— Ainda não terminou com a blindagem?




— Só mas alguns minutos e Owen poderá voltar a ação. — disse o explorador retomando sua atividade no computador estando de pé — São muitas especificidades para ajustar em 100%.




O Ranger Verde caminhava por uma rua pouco movimentada onde localizava-se uma grande fábrica de biscoitos desativada. Estava sendo observado por algo nas sombras do complexo industrial abandonado. Um raio laranja foi disparado contra Owen causando explosões de faíscas nos lados e o fazendo cair.




— Nos encontramos de novo, garoto de verde! — disse Chimerax saindo das sombras e sentindo o sol da tarde na pele — Prepare-se pro seu inevitável fim! Nada nem ninguém o salvará!




— Peraí, você é quem tô pensando que é? — indagou Owen levantando — O Chimerax, é isso? É você mesmo?




— Não apenas ele. — disse Ray — Agora somos uma dupla unida em todos os sentidos!




— Caramba, que bizarro. Viraram um só monstro... Mas como isso aconteceu?




— Eu dispenso dar explicações! Veja, eu trouxe seus queridos amigos de volta.




Os Rangers foram reaparecendo ao saírem pelas várias vias de acesso aos interiores da fábrica. Curiosamente, o quinteto se portava de modo humano, caminhando com os dois pés.




Karen novamente chamou Dickerson.




— É, Chimerax estava mesmo com um plano em curso, mas tem um detalhe sinistro nesse visual repaginado dele, olha bem.




Dickerson conferiu, ficando embasbacado.




— Chimerax... evoluiu novamente?! Lokknon pode ter o alimentado de mais soro ou a metamorfose é espontânea.




— Veja. — disse Karen, ampliando a imagem e focalizando na barriga do híbrido — Esse rosto não te lembra alguém?




O mentor olhara com atenção e associou rapidamente aquela cabeça à figura de Ray.




— Não pode ser... Ray. Agora entendi tudo. — olhou com uma seriedade tensa para Karen que retribuiu o olhar — Eles se polimerizaram.




Owen fitava os amigos se reunindo ao lado de Chimerax, sedento por respostas.




— Falem comigo, por favor! Não escutem o que esse monstro diz pra vocês fazerem!




— Poupe sua língua, nada do que disser trará de volta a racionalidade humana a eles! Eu já disse isso antes, mas você teima como uma criança que mal saiu das fraldas! Com esses anéis em seus pescoços, estão sob meu controle máximo!




— Então só preciso destruir essas coleiras pra liberta-los. Não percebe que só deixou tudo mais fácil pra mim? Acho que você só evoluiu de corpo mesmo, porque no cérebro... — disse Owen se posicionando a lutar.




Dickerson se alarmou ao vê-lo na intenção de partir para o combate sem autorização.




— Owen, não pense em fazer o que acho que vai fazer.




— Ah, ele vai fazer sim. — disse Karen que resolveu entrar em contato — Owen, fuja daí, são cinco contra um e estão no modo Fúria Animal, sua desvantagem é tão certa quanto a derrota.




— Desculpem, mas se eu não arriscar pelo menos uma vez, vou me sentir um perdedor. — disse Owen sacando a célula e o morfador, os arredores livres de testemunhas — Não vou fugir nunca! — estendeu os braços para encaixar os itens — Hora de morfar! Gorila Esmeralda!




— Ataquem! — mandou Chimerax, os Rangers avançando ferozes com grunhidos e rosnados selvagens. Owen saltou ficando de ponta ancbaeca no ar ao desviar de um golpe da bola batesora de Damian. Ao voltar para o chão, dera um chute tornado em Tim, mas levara um golpe de chifres por Damian nas costas , sendo jogado contra a lateral de um carro esportivo. O Ranger Preto avançou como um touro enfurecido, mas Owen segurou firmemente os chifres pressionado contra o veículo que amassava com a força bruta.




— Damian, olha pra mim, parceiro! Se concentra na minha voz... Sou eu, o Owen, você não quer me machucar! Raciocinio sempre foi seu forte, então resiste a isso e volta à razão, por favor!




Damian bufou furioso, a tentativa de Owen mostrando-se falha. O Ranger Verde não segurara por mais tempo e o chutou na barriga para saltar e disparar com a pistola Z de ponta a cabeça no ar, causando estouros de faíscas em volta de Damian ao ponto de atingir o carro e o mesmo explodir. Austin lançou suas clones flamejantes das patas leoninas contra ele.




— Barreira Z! — disse Owen acionando sua própria barreira Z, seu emblema no peito se projetando como um escudo holográfico verde — Austin, para, você não é esse animal feroz, é meu amigo que tenho orgulho de ter como líder!




Mas a barreira foi despedaçada pelos redemoinhos de fogo, provocando uma explosão tremenda atrás do Ranger Verde que foi tirado do chão. Zoe e Jessie vieram juntas correndo. Owen levantou-se depressa com impulso nas pernas num salto para trás antes que fosse pisado pelas garras de rapina de Jessie que deslizava com os pés de águia. Zoe usou o arpão como espada, Owen esquivando habilmente. Mas logo tomara um chute potente de Jessie que causou um pulso vibratório e o mandou uma parede da fábrica. As duas dispararam as bolhas explosivas e as penas de águia contra ele, explodindo faíscas ao redor.




— Meninas, parem, vocês tem que resistir! — insistia Owen atingido pelas penas cortantes no traje faiscando. Tim viera com Austin desferindo golpes marciais que Owen tentava acompanhar e defender ao mesmo tempo, entre chutes e socos — Adaga Kong! — sacou a arma tenrnsdo golpear Tim que esquivava, mas logo Austin o agarrou por trás com as garras de leão e o ergueu — Ei, me coloca no chão, Austin! — o pedido foi atendido, mas não sem antes o Ranger Vermelho efetuar uma sequência acelerada de golpes das garras que o mandaram cair meio longe.




Damian disparou com os chifres bélicos, os tiros como de metralhadoras, levando a saltar em desvio para sua esquerda enquanto os tiros explodiam em fogo atrás dele. Sacou a pistola Z e revidou com disparos fortes, mas que não o intimidaram.




— Acho bom olhar para trás, hahaha! — disse Chimerax assistindo do alto da fábrica. Tim disparou seu torpedo do braço direito, o qual Owen segurou evitando um impacto explosivo. A força do Ranger Verde foi posta à prova.




Owen segurava o torpedo na força máxima, os pés arrastando devagar com atrito no chão. Damian agravou a dificuldade ao lançar sua esfera batedora mas costas de Owen e fazê-la girar, produzindo faíscas no uniforme — Grrr... Não gostei nada dessa massagem!




— Se continuar assim, será esmagado nos dois lados! — alertou Karen, apreensiva.




— Foi mal, Sr. Dickerson... Colete Zoomorph! — bradou Owen, o colete surgindo no seu corpo e garantindo que saltasse para cima, levando o torpedo e a esfera se chocarem resultando numa explosão intensa com onda de choque.


— Não percam mais tempo, o deixem bem machucado para que eu possa captura-lo! — ordenava Chimerax, os Rangers se reagrupando.




— Me capturar? Pra quê? Vai nessa que eu vou deixar! Se preparem porque a fera vai sair da jaula!




Karen e Dickerson se atemorizaram.




— Ele não tá querendo dizer que... — disse a tecnóloga.




— Owen, não faça isso! A blindagem ainda não está pronta! Essa luta não vale tamanho risco!




— Eu não vou desistir assim! Se eu tiver uma chance de salva-los desse controle, a solução é equilibrar o jogo! — disse o Ranger Verde, os demais se aproximando selvagemente para atacar — Cartão da Fera! — o cartão surgiu na sua mão direita e foi inserido — Ativar Modo Fúria Animal!




A armadura verde escuro cobriu seu traje durante a transformação. Owen fizera uma pose para expressar o vigor de seu aumento de poder, sobretudo pelos robustos punhos de gorila. Dickerson se deixou largar na cadeira giratória, sua tensão crescente a cada minuto.




— Bem, eu tentei. Se o pior dos cenários se concretizar... é o fim da força-tarefa e das nossas carreiras, Karen. Ray terá me derrotado.




— Pensa comigo: se Chimerax ainda quisesse zoomorfizar Owen como na luta anterior, ele já o teria feito, não precisaria coloca-lo pra enfrentar cinco Rangers em simultâneo. Ele disse que quer capturá-lo, logo ele alterou os planos.




O explorador ficou a pensar nesse mudança estranha de direcionamento do híbrido. Owen audaciosamente deu passos adiante manejando seus punhos primatas.




— Haha, parece pesado à primeira vista, mas não é! E aí? Quem quer ser o primeiro a encarar o gorilão aqui hein? — desafiou em posição combativa.




Jessie avançou primeiramente, soltando um piado de águia antes de desferir alguns chutes rápidos com as patas de rapina que Owen defendeu com os punhos. A Ranger Amarela voou a certa altura, logo girando no ar e disparando uma enxurrada suas penas cortantes. Movendo os punhos com notória agilidade, Owen foi rebatendo a chuva que fazia faíscas entre os dedos das armas. Logo o Ranger Verde lançou pulsos de energia em um soco duplo no ar, atingindo e derrubando a águia furiosa que caiu sobre uma camionete que explodiu intensamente em faíscas.




Austin e Tim avançaram depois, rosnando juntos ferozmente. Owen fora rápido ao soca-los simultaneamente com os dois punhos energizados, os jogando para alguns metros. Em seguida, Damian e Zoe uniram forças cruzando uma rajada de tiros das bolhas explosivas com os dos chifres bélicos. Owen virou-se a eles, indiferente aos estouros de faíscas ao redor, logo baixando seus punhos ao chão. Os dorsos abriram-se liberando granadas em forma de cabeças do Gorila Esmeralda que atingiram em cheio a dupla causando uma explosão de fogo retumbante de tirá-los do chão.




— Tomara que estejam bem. Nem eu esperava todo esse poder de fogo!




A paciência de Chimerax havia esgotado. O híbrido desceu de onde estava, mostrando-se irritadiço. Caiu atrás de Owen numa curta distância.




— Começo a perceber que foi uma perda de tempo testá-los contra você! Agora é minha vez de enfrenta-lo, de mim não vai escapar!




— Ótimo, pode vir que eu tô pronto! — disse Owen destemido, batendo os punhos de leve um no outro.




— Mentira, nossa revanche está cancelada! — disse Chimerax que disparou raios laranjas dos orbs nos ombros, raios esses que envolveram-se em Owen como serpentes e o ergueram, parecendo aperta-lo com força.




— Isso não vale! — reclamou Owen, logo tendo seu Fúria Animal desativado devido a pressão dolorosa dos raios o envovlrndo numa espécie de cápsula luminosa. Chimerax foi aproximando-o de si — O que vai fazer comigo?




— Nada que o fira, apenas lhe darei um descanso tranquilo antes do gran finale, hahaha! — disse Ray que logo cuspiu um espinho atingindo o peito de Owen. O Ranger Verde foi liberto dos raios e caiu de bruços, vendo sua visão enturvar e os olhos pesarem querendo fechar vendo Chimerax andar até ele.




— Que troço foi esse que me acertou? Pareceu uma picada... Caramba, nunca senti um sono tão pesado na vida... — disse Owen que deu um longo bocejo até adormecer de vez. Chimerax o apanhou e o colocou sobre seu ombro como um boneco.




— Hora de nos preparamos para a próxima fase. — disse Chimerax, caminhando com os Rangers o seguindo como fiéis discípulos.




Lokknon estava jubilante com o triunfo de Chimerax, servindo-se de seu licor púrpura.




— Hahahahahaha, eu só consigo imaginar a lamentação pura estampada no rosto de Dickerson diante de seu rival lhe tomando seus preciosos Rangers! Vou até aumentar o volume para quando a negociação começar, hehehe. — aumentou o volume com o controle remoto.




Minutos depois, Karen olhou de soslaio para seu monitor, percebendo uma notificação. Moveu-se na cadeira giratória para conferir. Ao clicar viu a imagem de Chimerax abrindo com um botão de play no meio.




— Eles gravaram um vídeo. Dickerson!




Após o mentor voltar a sala, a tecnóloga logo reproduziu o vídeo enviado. Chimerax filmava a si mesmo num local desconhecido semelhante a um galpão abandonado.




— Saudações, Dickerson. — disseram Chimerax e Ray, suas vozes harmonizadas — Tenho um convite a lhe fazer e espero que pro bem do seu pupilo você não recuse. — mostrou Owen preso a uma mesa com algemas fornecidas por Mudok — Sabe a pesquisa que fez por baixo dos panos pra competir com meu projeto e que você guardou numa maleta? Eu a quero. Fizemos um acordo: vamos transformar seu projeto na chave para criar o mundo perfeito. Traga a maleta dentro de dez minutos e aberta, eu vi que tem uma senha, nem se atreva a me forçar a adivinhar ou seu Ranger Verde terá o mesmo destino do outros. Dez minutos e contando!




— O sinal do morfador de Owen está visível? — indagou Dickerson.




— Sim, ele não está com a coleira de adestramento. Mas como enviaram esse vídeo?




— A minha pulseira de teleporte serve também como um conversor de vídeos. Ele gravou e transferiu para o HD interno que envia diretamente ao monitor de assistência, o seu.




— Vai mesmo ceder a pesquisa?




Dickerson expressou seriedade e certeza.




— Uma mão lava a outra. É o que amigos fazem um pelo outro. Uma mínima consciência disso não se perdeu no Ray, apesar de tudo.




No galpão, Owen despertava, dando-se conta de estar preso com as algemas magnetizada na mesa.




— Ai, meus braços ficam dormentes levantados assim! Quanto tempo eu tirei essa soneca?




— O bastante para acordar e esperar seu mentor fracassado vir trazer a moeda para a barganha! — disse Chimerax — Dez minutos podem te separar da liberdade ou da aniquilação!




— Engraçado vocês chamarem o Sr. Dickerson de fracassado sendo que vocês viraram essa coisa bizarra. Você aí, ô Ray, nem pode mais ser chamado de cientista! Será que você foi isso algum dia? Cientistas de verdade não aprontam essas maluquices só pelo poder!




— Calado! O tempo está se esgotando. — disse Ray olhando o relógio de parede no galpão — Onde será que está Thomas? Uma parte de mim quer que ele tenha desistido somente pra que eu possa mostrar que perdeu seus heróis!




Chimerax estendeu a mão direita, ameaçando disparar o raio laranja zoomorfizador.




— Um minuto! — disse o híbrido — Que tal uma contagem regressiva pra ficar emocionante? 50, 49, 48, 47, 46, 45...




Dickerson já se encontrava ali, escondido numa coluna de aço com a maleta agarrada e pressionada ao seu peito.




— 10... 9... 8... 7... 6... — prosseguia Chimerax aproximando a mão energizada à Owen — ... 5... 4... 3... 2... 1! Você já era, garoto! Ele não veio!




— Se enganaram! — falou Dickerson aparecendo e vindo com a maleta. Chimerax virou-se desfazendo o ataque pré-executado — Aqui está, todos os dados da pesquisa, nem mais nem menos do que produzi.




— Você sempre cheio de surpresas, Thomas! Eu nem estava mais tão interessado, mas já que está aqui... — disse Ray, logo Chimerax estendendo a mão direita para pegar a maleta. Dickerson a entregou sem firulas.




— Exijo que passe a nos chamar de Chimeray. — disse o híbrido — Somos uma única entidade destinada a governar esse mundo criando um novo das cinzas do antigo.




— O que aconteceu pra vocês se fundirem nesse resultado desastroso?




— Desastroso? Essa fusão foi a melhor coisa que nos aconteceu em muito tempo! — disseram eles em uníssono.




— Meu prêmio Nobel é um sonho morto, mas nessa nova vida tenho um propósito de amplitude maior do que nenhum chegou na história! — disse Ray, enaltecendo-se — Superei você, Dickerson! Superei a todos que duvidaram de mim e do meu potencial científico!




— Se tornando uma abominação? Esse era o único meio de você se sentir vitorioso mesmo, sendo a própria experiência que sonhava. Bela visão de progresso. Agora quero que solte ele.




— Posso ter me tornado um monstro, mas nunca deixo de ser um homem de palavra. — afirmou Ray — Pegue de volta seu pequeno herói. — Chimerax quebrou as algemas com lasers vermelhos oculares, libertando Owen que correu até Dickerson.




— Me diz que tem um plano pra curar os outros do transe animal.




— Espere e verá. — falou Dickerson com mistério. Chimeray estava prestes a abrir a maleta. Contudo, após um ínfima brecha ser aberta, Mudok surgiu repentinamente saltando de uma grua do galpão e caindo perto do híbrido. O androide chutou a maleta para longe.




— Mudok! — falou Dickerson, surpreso.




— O que pensa que está fazendo? Seu cérebro enferrujou? — repreendeu Chimerax, irado.




— Podem me agradecer mais tarde pois acabei de salva-los! Eu examinei o conteúdo dessa maleta com minha visão infravermelho e afirmo seguramente que... — apontou para o explorador — Dickerson armou uma farsa!




— O quê? O que tinha na maleta? — questionou Ray, zangado.




— Não sei exatamente, mas me parecia uma bomba de gás tóxico que seria detonada assim que abrisse a maleta totalmente. — disse Mudok.




— Então era isso? Planejava nos envenenar?! — disseram eles harmonicamente.




— Eu quis livra-los dessa condição horrível! — alegou Dickerson — Ray, por pior que você seja, não merecia esse fim, eu tentei salva-lo pela última vez.




— Tentou desfazer a polimerização, não foi? Seu cretino miserável, isso não passará impune! — disse Ray — Dane-se a sua compaixão, não somos mais amigos e prefiro eu mesmo criar um projeto recomeçando do zero!




— Apareçam! — chamou Chimerax pelos Rangers que saíam da escuridão — Destruam o Ranger Verde!




— Psycho-Bots, ataquem! — disse Mudok lançando no ar as esferas metálicas que abrigavam os soldados, o pequeno exército caindo de pé — Acabem com ele! — apontou à Dickerson que sacou sua pistola laser.




— Owen, use esse cartucho! — disse ele jogando para Owen uma munição especial, os Psycho-Bots o encurralando. O Ranger Verde, cercado pelos demais, pegou certeiro — Destrua os anéis! — chutou um dos robôs, iniciando a luta, logo esquivando de golpes e disparando lasers.




— Beleza, deixa comigo! — falou Owen recarregando a pistola Z — Colete Zoomorph! — a proteção corporal surgia, o Ranger Verde logo reiniciando seu confronto aos amigos, desfiando de ataques e rebatendo com chutes.




Um Psycho-Bot pegara Dickerson na guarda baixa e o chutou nas costas, o derrubando para cair defronte a Chimerax. A pistola acabou largando de sua mão, deslizando até parar nos pés do híbrido que logo a destruiu pisando.




— Você é patético, Dickerson! Eu perdi minha humanidade a ponto de ser uma afronta merecer alguma empatia! — confessou Ray.




Dickerson sacou uma pistola menor disparando virado para cima, o tiro acertando Chimerax, mas ricocheteando nas colunas de ferro até atingir a maleta que foi aberta, liberando a toxina gasosa verde que espalhava-se depressa.




— Grrrr, maldito! — dissera Chimeray que recuou intimidado pelo gás, logo fugindo dali. Os Psycho-Bots pegaram Dickerson desprevenido, aproveitando que ele permanecia caído, desferindo chutes e socos como um bando de valentões reunidos espancando a vítima.




— Dickerson, não! — afligia-se Karen, as mãos na cabeça. Pro outros lado, Lokknon se regozijava ardentemente com a cena de fazê-lo excitar-se.




— Hahahaha, isso, deem o que esse desgraçado do Dickerson merece! Façam dele um genuíno saco de pancadas até que desfaleça! — tomara um brusco gole do licor.




O mentor admitia não ter aberturas para se defender daquela chuva de golpes covardes. Porém, a salvação viera com força de uma rajada de fogo.




— Ciclones Flamejantes! — ouvir a voz de Austin foi um gigantesco alívio, os redemoinhos de fogo afastando destrutivamente os robôs. Dickerson ergueu a cabeça olhando na direção dos Rangers e sorriu, apesar dos doloridos machucados sangrando um pouco na face.




O anel adestrador de Austin caiu partido ao meio. Todos os seis estavam agrupados, o quinteto livre da zoomorfização.




— Bem-vindos de volta, Rangers! — saudou Dickerson levantando da cintura para cima.




— Sr. Dickerson! — disse Zoe correndo junto aos amigos até o mentor — Nossa, tá ferido...




Austin e Damian o ajudaram a ficar de pé.




— Tô muito feliz de vê-los recompostos, são meus heróis.




— Tudo graças ao Owen. — reconheceu Austin — Caramba, eu senti como se minha mente tivesse sido desligada, não conseguia... pensar direito.




— Estávamos agindo sob instintos animais, a técnica do Chimerax consistia em eliminar toda a racionalidade humana em nós. — sintetizou Damian.




— Eu não quero me sentir assim nunca mais. — comentou Jessie — Foi até legal viver como uma águia, mas prefiro muito mais ser humana.




— Eu tô fedendo a bacalhau, também não gostei muito de nadar que nem tubarão assustando os pobres peixinhos. — disse Tim.




— Cadê o Chimeray? — indagou Owen.




— É Chimerax, não? — indagou Tim.




— Eles se fundiram, agora são um só monstro e ainda mais forte. — informou o Ranger Verde.




— Era só o que faltava. Dá pra dizer que o Ray realizou a ambição dele. — declarou Zoe.




Jessie notara algo diferente no loirinho.




— Tá de colete Zoomorph, então você...




— Sim, eu ainda quero mostrar a vocês hoje.




— E você vai porque Chimeray escapou devido a esse gás que criei pra desfazer a fusão. — disse Dickerson logo voltando-se ao gás alastrando — Ele não pode ter ido muito longe, melhor irem. Quero que testem um recurso novo.




— Isso se sobreviverem! — falou Mudok disparando uma pistola laser nas gruas e alicerces do galpão, causando um desabamento, logo teleportando-se de volta a Lokknon. Aparentemente, os sete foram esmagados pelos destroços.




Mas seu coração bateu mais leve ao ver que Owen havia criado uma redoma verde de energia com os punhos primatas tocando no chão ativando o Modo Fúria Animal.




— Salvou nossas vidas de novo, Owen, você é demais! — disse Austin.




— Aí, gostei do modelito novo. Lembra de usar uma fantasia parecida no Carnaval hein. — brincou Tim.




— Vou usar no Halloween pra puxar seu pé com essas mãos de gorila, haha.




Chimeray caminhava meio tonto no epsado aberto fora do galpão.




— Não me sinto bem... Será um efeito daquele gás? Eu corri a tempo de não respirar...




— Você estava a cerca de quatro metros. — disse Dickerson atrás dele. O híbrido virou-se, raivoso — A distância mínima pra ser afetado. Não há nada que possa fazer pra retardar o processo ou reverter. Acabou, Ray.




— Mesmo se nos separarmos, vamos recriar o processo que nos fundiu! — falaram ambos.




— Impossível, não importa como tenha ocorrido. As moléculas da toxina se fixam às células do trato respiratório. A menos que você escolha a outra saída. — disse Dickerson com certo dó.




— E quem nos dará essa outra saída? Você?




— Eu não, mas eles vão. — Dickerson apontou com a cabeça para o alto do prédio de Chimeray que se virou. Os cinco Rangers estavam em linha reta lado a lado — Rangers, é agora! — saiu correndo.




— Dickerson, não pense que sairá ileso! — bradou Chimeray que preparava um disparou bolhas explosivas. Mas logo recebeu um golpe dos punhos de Owen por trás, o empurrando a fazer arrastar os pés. Voltou-se ao Ranger Verde — Insolente!




— Deixa ele em paz!




— Sabe que me deu uma ótima massagem nas costas? Mas prefiro quiropraxia convencional!




— Então vai amar o tratamento que eles vão te dar! — falou Owen — Aí, pessoal, vai ou não vai?




— Vai e vai fundo! — disse Austin — Aí, Chimeray, você vai ver o que é uma zoomorfização de respeito! Prontos?




— Chaves da Fera! — cinco grandes chaves de cada cor surgiram frente aos coletes Zoomorph no Modo Fúria Animal e se inseriram nas entradas no centro do Z no peito — Super Fúria Animal! — as chaves giraram, gerando auras de energia nos Rangers. Os heróis surpreendentemente assumiram formas animais similares aos seus zords e saltaram do prédio avançando em peso contra Chimeray.




Dickerson observava escondido num carro e fizera contato para um importante aviso:




— Rangers, sejam muito efetivos, pois esse upgrade dura apenas 60 segundos!




— Só um minutinho?! — comentou Owen do outro lado — Bom, pelo menos ficaram lindões nos visuais!


Zoe fora a primeira a atacar na sua forma de arraia, flutuando e circundando Chimeray.




— Isso é tudo que faz? Rondar seu alvo?




— Olha só então! Vórtice Aquático! — um forte tornado de água formou-se em torno do híbrido, o levando junto — É com você, Tim!




— Lá vai o Míssil! — disse Tim também flutuando na forma de tubarão, envolvido numa cápsula d'água e foi girando até acertar Chimeray antes que ele caísse, o jogando meio longe — Vai que é tua, Damian!




O touro negro correu valente, os chifres energizados e crescendo de tamanho.




— Fúria Taurina! — os chifres bateram em Chimeray com vibração de impacto, o jogando para outro lado onde caiu perto de Jessie.




— Asas de Rapina! — disse a águia humana, voando e batendo suas asas energizadas em várias partes de Chimeray — Austin, é todo seu!




O leão vermelho correu até Chimerax, mas freou bruscamente a meio metro.




— O que foi? O gatinho se acovardou? — zombaram eles em uníssono, levantando trôpego.




— Dez segundos! — avisou Dickerson.




— É que nessa distância posso te ver melhor todo detonado! — disse o líder — Rugido do Rei! — soltou o rugido potente e estremecedor, a onda vibratória empurrando violentamente Chimeray que fez força para manter os pés arrastando no chão até rasgar o concreto, mas não impediu o dano na forma de uma intensa explosão de fogo atrás.




Os Rangers reagruparam assim que a evolução do Fúria Animal expirou seu tempo. Chimeray viu-se caído de joelhos, humilhado.




— Me façam o favor... Acabem logo comigo! — disse Chimerax.




— Não! Ainda podemos produzir uma cura! — contrariou Ray.




— Idiota, não ouviu o que Dickerson falou? Não existe reversão pro efeito do gás! Eu prefiro morrer honrado pelo que me tornei do que passar o resto da minha vida num corpo ultrapassado e servindo a você!




— Ele tá falando sério? Quer ser destruído? — disse Zoe.




— É o que Chimerax quer, mas o Ray não concorda. — falou Jessie.




— Se Chimerax é quem domina o corpo, então a vontade dele será feita. — determinou Austin — Combinar armas! — os heróis conectaram suas armas do Fúria Animal, formando o poderoso Abatedor da Fúria — Owen, agora que você ganhou o seu, que tal uma mãozinha aqui?




— Uma não, duas! — disse Owen que mandou seus punhos para a arma. Surgia assim o Macro-Abatedor da Fúria.




— Um, dois, três... Disparar! — bradaram os Rangers, o tiro da arma, a partir da fusão dos emblemas animais, se moldou na forma de uma quimera holográfica cujas partes em cada cor remetiam aos zords. A projeção avançou em voo rugindo bravamente e com os punhos verdes de gorila desferiu uma sequência hiperveloz de socos em Chimeray até que o finalizou com um último soco atravessando-o.




O híbrido cambaleou com raios laranjas pelo corpo e faíscas sendo cuspidas em jatos das feridas.




— Dickerson, um dia isso vai pesar na sua consciência a ponto de se arrepender de ter me traído! Destruiu quem um dia foi seu melhor amigo! — disse Ray com o suas últimas palavras antes dele cair para frente junto do parceiro, a explosão fatal de fogo ocorrendo.




— Yeah, acabamos com o médico e o monstro! — comemorou Tim, mas ele acabou tomando uma advertência de Jessie.




— Tim, dá um tempo. Olha ali. — disse ela apontando para Dickerson que estava a esquerda deles observando melancolicamente os restos de Chimeray serem consumidos pelas chamas.




Os heróis desativaram o modo Fúria Animal e se dirigiram até ele.




— Aí, Sr. Dickerson, tá tudo bem? — perguntou Austin.




— Não deixe as palavras do Ray te assombrarem, ele não passava de um megalomaníaco faminto por poder. — aconselhou Damian.




— A única coisa de que me arrependo sobre o Ray... é ter alimentado a ambição doentia dele. Quando o vi naquele estado deplorável, eu tive certeza de que o amigo que estimei como um irmão já não estava mais ali. — desabafou ele, retirando do bolso da calça o broche da fraternidade Amigos da Fauna — O sonho que ele trabalhou tão duro se tornou a sua condenação. Isso aqui era o símbolo da nossa amizade. Merece ir junto com ele. — arremessou o broche ao fogo.




— É muito triste pensar que o Ray podia ter ganhado o mundo com o senhor, mas preferiu vencer sozinho e do jeito mais errado pra no final acabar desse jeito. — disse Zoe.




— Escolhas, Rangers. A vida se trata delas. As façam com cuidado e sabedoria pra não se tornarem vítimas de suas próprias ambições. — orientou Dickerson que logo suavizou seu semblante — Quem tá afim de um rodízio de pizza lá em casa hoje a noite? O Theron é um exímio mestre pizzaiolo, vão se surpreender.




— Tá brincando? É claro que a gente topa! — disse Austin.




— Mas vai ser um rodízio mesmo? Com todos os sabores? — perguntou Tim, afoito.




— Acreditem, não tem receita que o Theron não saiba preparar com maestria. — falara Dickerson.




— Ah, legal, então vou pedir pra ele fazer uma de chocolate, uma de bacon, uma de peixe...




— O quê? Pizza de peixe!? Deve ser nojento. — disse Jessie.




— Não, essas mais exóticas eu ia pedir pra mim comer sozinho.

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— Ah, bom, fica pra você mesmo. Argh. — retrucou Jessie. A turma foi afastando-se dali dando boa risadas para o desprazer de Lokknon.




— Lastimável! — vociferou ele jogando a taça que se espatifou na tela do visualizador — Não podemos contar nem com terceiros pra derrotar esses insetos de roupa colada! Mas a vingança por Ray, Chimerax... e especialmente pelo meus pais está chegando a você como uma tempestade catastrófica, Dickerson!




***




A noite, os Rangers reuniram-se mansão de Dickerson para o jantar divertido cujo cardápio era assinado por Theron com toda sua expertise culinária. Owen, para variar, marcava presença com a permissão de seu pai. Tim foi o primeiro a elogiar o talento do mordomo.




— Essas pizzas parece que foram assadas no forno dos deuses! Que delícia, caramba! — falava ele com a boca cheia.




— Ei, comilão, a casa é do Sr. Dickerson, mas não significa que tudo é permitido, tipo comer e falar ao mesmo tempo. — repreendeu Damian.


— Ops, desculpa aí. — se corrigiu Tim, limpando a boca com um guardanapo — Será que ele já pensou vender essas ideias pro Jungle Karma Pizza?


— Ah, dificilmente ele faria isso. Theron tem muito ciúme de suas criações. — respondeu Dickerson — Lá vem ele voltando.




Theron vinha trazendo mais uma fornada, servindo-os.




— Haha, mais uma rodada! — disse Owen com os talheres nas mãos.




— Não sei se aguento mais duas ou três. — disse Zoe.




— Vamos sair daqui com medo de subir na balança. — brincou Jessie pegando uma fatia.




— Theron, vou ter que te dar os parabéns por tudo isso aqui. — elogiou Austin — Eu nunca comi nada tão delicioso antes. Nem parece que foi um ser humano que preparou.




— É porque Theron está além do que é humanamente possível. — falou Dickerson na principal cadeira da mesa. Olhou de soslaio para o mordomo a sua esquerda — Não é verdade?




— Senhor, eu não acho que seja uma hora apropriada...




— Vamos, Theron, eles já são de casa. Deixe te conhecerem melhor.




O mordomo expirou, olhando mais tranquilo para os Rangers. De repente, sua aparência alterou-se, mantendo apenas o terno preto bem passado, mais precisamente a sua pele humana se desfez como um holograma revelando um corpo metálico de robô, algo que arrancou arquejos de pasmo dos Rangers.




— Nossa! — disse Austin, estupefato — Isso explica tudo, hahaha.




— Vo-você é um robô?! — disse Tim quase engasgando.




— Sintozoide, pra ser mais exato. — disse Theron.




— Um androide que pode mimetizar uma aparência humana através de um sistema holográfico interno. — explicou Damian — Fascinante.




— Agora tô convencido. — disse Owen.




— Eu tô chocada, mas ainda mais grata por essa comida incrível. — disse Zoe.




— O Sr. Dickerson tá muito bem servido. — disse Jessie — Theron, te achamos o máximo.




— Não me cubram de tantos elogios, eu fico sem graça. — disse Theron — Não percebem minhas bochechas coradas?




— Ahn, não. — disse Austin sorrindo e franzindo a testa.




— E agora? — disse Theron retomando a aparência humana.




— É, dá pra ver um vermelhinho aí. — disse Zoe que desatou a rir junto aos amigos.




— Owen, você ainda pensa colocar em prática a investigação sobre a Arianne? — perguntou Damian.




— Amanhã, antes do sinal, vou tentar entrar escondido na sala dela sem ser visto. Vou usar meus dotes de Sherlock Holmes.




— Não faz isso, pode ser muito arriscado. — contrariou Zoe, temendo por ele.




— Quase sempre ela tá na sala do diretor com outros professores tomando cafezinho antes do sinal tocar. — pontuou Jessie.




— Eu tentaria numa boa. — falou Tim — O que aquela mulher tem de linda ela tem de misteriosa.




— De quem estão falando? — indagou Dickerson cortando uma fatia, garfando o pedaço e comendo.




— Nossa professora substituta que é uma carrasca viciada em aplicar detenções por qualquer motivo. — disse Austin — Suspeitamos que ela guarda algum segredo.




E foi na manhã seguinte que Owen levou a cabo seu intento, tendo a chance de vê-la entrar na sala de Brewster. Apos tomar água no bebedouro, o Ranger Verde se direcionou a porta da sala da "professora" que situava-se próxima, logo tocando na maçaneta e observando o entorno.




— Legal, tá aberta. — disse ele, logo abrindo e adentrando com toda a discrição — Por onde eu começo? A bolsa dela? Não, só deve ter coisas que toda mulher guarda. — foi andando.


Porém, uma voz gritando por socorro em tom baixo chegou aos ouvidos dele. Owen virou o rosto, focado em descobrir a origem do som, a voz de uma mulher.




— Vem desse armário. — abriu a porta do armário encontrando uma prateleira onde havia uma boneca de porcelana à imagem e semelhança da Srta. Paddleton.




— Socorro, alguém me ouça! Me tirem daqui! Não aguento mais esse castigo!




— Caramba... Srta. Paddleton, é a senhora mesmo? — indagou Owen, surpreso e intrigado com o que poderia ter submetido a educadora àquele infeliz destino.





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