Power Rangers: Esquadrão Z
46 Soltando a Fera (Parte 2)
Notas iniciais

O caminhar relativamente vagaroso de Chimerax em direção aos seus alvos de certa forma induzia os Rangers à certeza de não estarem conforntando um inimigo que possa ser vencido sem grandes esforços maximizados. Ray contemplava fascinado a realização de um sonho pelo qual jurou dedicar sua carreira acadêmica na ânsia obsessiva de prestígio internacional no âmbito científico.
— Aí está... A maravilha que tive a benção de criar finalmente caminha sobre a Terra e sem efeitos colaterais!
Os Rangers se realinhavam lado a lado fitando a ameaça daquele monstro híbrido se aproximar.
— Por via das dúvidas, galera, é melhor a gente enfrentar esse cara com um poder bem acima do nosso limite normal. — determinou Austin.
— Estamos com você, Austin! — disse Jessie.
— Isso aí, se sabemos que a luta será dura, ninguém solta a mão de ninguém. — disse Owen mostrando seu forte apoio.
O comunicador dele tocara sendo Dickerson na chamada.
— Tô na escuta! — falou o Ranger Verde ao atender.
— Owen, se encarregue de conter todo o caos que os animais do zoológico estão provocando nas imediações, deixe Chimerax com os outros.
— Sempre eu com a parte menos divertida, né? Tá bom, brincadeira, tô indo nessa! — disse Owen, logo desligando — Pessoal, boa sorte com esse Frankenstein animal!
— Vai lá, boa sorte a você também! — dissera Austin, o Ranger Verde logo saindo dali em saltos supervelozes — Agora mostraremos uma boa porção do nosso poder total a você!
— Como desejam me vencer se um de vocês bateu em retirada? Estão confiantes demais! — disse Chimerax seguindo em proximidade perigosa — Vou ensinar como se trata crianças tão cheias de si!
— Olha só, ele fala! — apontou Tim com ironia — Será que sabe fazer número de circo também?
— Vamos lá, Chimerax, mostre a eles do que é capaz! — incentivou Ray. Porém, o híbrido selvagem o olho mordaz por cima do ombro.
— Eu decido quando atacar, humano desprezível! Se não quiser se ferir, fuja daqui e não interfira!
Ressabiado, Ray expressou incômodo e foi recuando, mas mantendo a esperança de impor controle sobre Chimerax para evitar que ele assumisse um senso de independência fora de controle. O cientista correu conforme mandado.
— Muito bem, Rangers, agora! — disse Austin, preparado tal qual os demais.
— Colete Zoomorph! — bradaram os cinco em uníssono, as proteções corporais surgindo em simultâneo.
— Rangers, atacar! — mandara o líder, deflagrando o avançar da equipe contra ao híbrido de várias espécies animais. Chimerax também correu em rota de colisão, rugindo.
Em sua fuga, com constantes olhadelas para trás, Ray acabara tropeçando numa perna escondida atrás de uma jaula coberta e caiu para frente batendo o peito no chão.
— A soberba sempre precede a queda, Sr. Foster. — disse Theron.
— É você, seu serviçal inútil. Avise ao Dickerson... — disse Ray levantando-se é limpando o casaco preto — ... que eu vou aperfeiçoar Chimerax a um patamar que fará os heróis coloridos dele conhecerem o verdadeiro desespero. Não tente me impedir ou juro que envio seu cadáver de encomenda até ele.
— Palavras fortes e dolorosas de se ouvir. Mas não o bastante para enfraquecer minha fé de que meu mestre irá prevalecer sobre você usufruindo da ciência de modo limpo e honesto. É com esse pilar moral que ele sempre se saiu melhor do que você em tudo que se propôs. Aceite o fato de que nunca vencerá se não seguir os mandamentos que jurou honrar.
Ray bufou e deu um rosnado de raiva antes de caminhar se afastando do mordomo. Na batalha, os Rangers desferindo golpes que eram defendidos facilmente por Chimerax. Austin saltou aplicando chutes meio inclinado, aos que o híbrido barrava com movimentos ágeis e mantendo atenção plena nos golpes de Jessie e Zoe em ambos os lados. Com uma bofetada do braço direito — herança genética de um hipopótamo -, Austin foi mandado para longe, logo as meninas sendo as próximas, ambas tomando golpes das garras de crocodilo do braço esquerdo do monstro.
Por trás, vieram Tim e Damian com um chute duplo que impactou com vibração nas costas do híbrido e o empurrou com as garras dos pés de Águia faiscando no chão. Ambos saltaram num impulso, disparando com as pistolas Z em simultâneo, mas os estouros de faíscas mal intimidaram Chimerax que virou-se a eles revidando com um bater de palmas supersônico que os fez voarem contra uma jaula aberta, a qual Chimerax fechou com um poder telecinético, os prendendo.
— Ei, tira a gente daqui! — pediu Tim agarrando as grades — É ilegal manter animais em cativeiro sem licença do governo!
Chimerax avançou com rosnados ferozes, logo pegando a jaula e a erguendo, depois girando em si mesmo para arremessa-la ao alto e por fim disparar raios laranjas dos orbs presos aos seus cabelos que causaram uma explosão destruidora na jaula com a dupla dento.
— Tim! — gritou Zoe levantando — Damian! Eu nunca vou te perdoar se eles... — a Ranger Rosa correu contra ao híbrido — Ferrão de Arraia! — invocou sua arma que majenava feito uma espada, o híbrido esquivando ágil dos cortes de luz rosa que explodiam faíscas no chão. A Ranger Rosa seguia nos rápidos ataques, por vezes girando para lançar cortes diagonais. Chimerax defendeu-se de um apenas com o braço de crocodilo sem sofrer escoriações.
— É só isso que tem pra mostrar? — indagou Chimerax que lanço mais raios dos orbs, os quais envolveram-na como serpentes e a ergueram do chão a torturando com estoruos de faíscas — Meros humanos não irão me parar!
— Não trate todos os humanos como fracos! — disse Austin correndo até ele, disparando com a pistola Z e o detonador Max, os tiros causando explosões faiscantes em Chimerax que largara Zoe para correr rumo ao Ranger Vermelho com os braços em próximo defensiva que fazia os disparos explodirem em fogo ao redor dele.
A colisão entre eles se deu em Austin chutando-o do tórax a cabeça como subisse, dando um salto mortal até que no perfeito timing, de ponta a cabeça, disparou duplamente a queima-roupa, os tiros explodindo no rosto e o fazendo recuar. Jessie veio logo num salto similar a um voo baixo de águia, movendo as garras raptoras afiadas. Chimerax, se reorientando, voltou-se a ela e deu impulso nos pés de rapina para trás usando as garras para duelar com as da Ranger Amarela em choques velozes de lâminas.
Ambos recuaram um ao outro em saltos mortais, voltando ao chão.
— Meu espírito de águia me diz que você vai se dar muito mal! — falou Jessie, logo desferindo um corte em X contra o híbrido que contra-atacou riscando uma linha em arco com as garras do pé direito no chão e mandando-a com oa odna de energia que nulificou o corte em X amarelo e atingiu Jessie, causando uma explosão de fogo de fazer girar verticalmente no ar. Zoe correu para ver o estado de Tim e Damian.
— Rapazes, estão aí? Digam alguma coisa! — disse ela em meio a fumaça. Felizmente, a dupla se reergueia dos pedaços destroçados da jaula.
— Alguma coisa. — brincou Tim para a alegria da Ranger Rosa vindo até ela com Damian.
— Nossa, que bom que estão salvos! Cheguei a pensar que tivessem sido realmente destruídos.
— Aguentamos firme o bombardeio, mas temos que admitir a realidade nua e crua: ele não é um oponente a ser subestimado por não vir do Lokknon. — aconselhou Damian.
Austin dualeva contra Chimerax recorrendo aos punhos selvagens, golpeando com vontade e garra e desferindo chutes com giros em alternância. Chimerax o chutou no peito, empurrando-o meio longe mas o líder mantendo os pés equilibrados no chão.
— Por que não tenta de novo? — desafio Austin.
— Se querem me dar uma luta genuína, então joguem tudo o que vocês tem pra cima de mim! O que foi? Estão com medo de gastar energia?
Os demais se uniram a Austin.
— OK, você provou que é uma fera difícil de ser domada, mas nós também temos nossos poderes animais aumentados! — preparou o Ranger Vermelho — Pessoal, é agora!
— Cartão da Fera! — os cartões surgiram nas mãos para logo serem inseridos na sentadas dos coletes — Modo Fúria Animal, ativar! — disseram eles em uníssono, os trajes sendo sobrepostos por armaduras com as armas individuais baseadas nos respectivos animais dos heróis.
Lokknon ficava de cara emburrada ao vê-los acessarem o poder superior.
— Toda essa minha expectativa acabou me fazendo esquecer que esses vermes tem um poder adicional que os tornam mais fortes! Chimerax, não cometa a idiotice de abrir vantagem a eles, você não recebeu inteligência pela sua transformação a toa.
Barooma possuía uma dúvida pertinente.
— Mestre, está de fato lidando tão tranquilamente com a ideia de uma criatura não produzida por nós possuir uma alta probabilidade de eliminar os Rangers?
— Eu imagino o seguinte contexto, Barooma: Chimerax os coloca de joelhos à beira da destruição iminente, mas quando chegar o momento decisivo, virei eu mesmo dar o golpe final de misericórdia, hahahah!
— Eu sabia, isso sim é do perfeito feitio do mestre! Permitir que um adversário independente os faça sofrerem para no fim a glória máxima pertencer ao senhor!
— Chimerax não é 100% independente. — contrariou Mudok vindo a sala — Ele pode se comportar de forma rebelde, mas Ray pode ter recursos que o ponham sob seu inteiro comando.
— Quem sabe ele acerte naquilo que você mais falhou com o... — disse Barooma cuja fala foi interrompida por Lokknon que estendeu os braços ameaçando disparar raios das suas manoplas.
— Se começarem uma discussão mencionando aquele gato insolente, destruo os dois!
— Está bem, mestre, eu me reservo ao direito de não me referir a ele nunca mais. — disse Mudok.
— Faço das palavras dele as minhas, mestre!
— Vamos trocar de canal... Vejamos aqui. — disse Lokknon apertando o botão no controle remoto. Mudou para imagens de Owen enfrentando dificuldades para refrear a balbúrdia causada pelos animais — Ahá, pelo visto o Ranger Verde não vem tendo sucesso para apaziguar a revolução dos bichos, hehehe.
— Se ele puder ser atrasado, os Rangers não terão a mínima chance de derrotar Chimerax com um ataque definitivo que talvez somente o Macro-Abatedor Selvagem pode efetuar. — analisou Mudok.
— Por essa razão, irei convocar Aracna para tal missão neste instante. — decidiu Lokknon.
— Espere, mestre, ela ainda está em reunião no colégio. — avisou o androide.
— Não há com o que se preocupar quanto a ausência dela! Na verdade, nem ausente ela estará, pelo menos não aos olhos dos terráqueos! — declarou Barooma instigando curiosidade no imperador galático.
— E como será possível ela estar em dois lugares ao mesmo tempo?
— Eu implementei recentemente um sistema generativo que reproduz uma cópia fidedigna em holograma de qualquer ser consciente e objetos em geral! — explicou o cientista, já programando a duplicata de Aracna no seu computador.
— Um clone holográfico, isso é ótimo. — elogiou Mudok — Dickerson continuará na ilusão de que estamos anos-luz de atraso tecnologicamente.
— Pois se temos um recurso ideal para manter intacto o disfarce de Arianne... digo, Aracna, a chamarei agora. — disse Lokknon apertando um botão no braço esquerdo do trono.
Em plena reunião de pais e professores, Arianne bocejava em puro tédio com a falação entre docentes e tutores de seus alunos — mais precisamente participavam os pais e mães de estudantes dos 6⁰ ano-A e B. O assunto na mesa era o grêmio estudantil.
"Como eu odeio, odeio, odeio, mil vezes odeio fingir interesse de estar aqui ouvindo esse monte de baboseira sobre o futuro escolar dos pestinhas que frequentam essa espelunca. Que horas essa tortura acaba? Eu já nem sei mais do que estão falando de tão entediada que eu tô. E se pedirem minha opinião? Ah, que vontade eu tenho de sujar a imagem dos filhinhos que esses pais debiloides acham serem perfeitos.", pensou, sorrindo maliciosa consigo mesma com a última frase e parecendo estar sonhando.
— Srta. Webb? Srta. Webb, não está me ouvindo? — chamava o diretor Brewster, intrigado com o estado pensativo dela. Arianne retornava ao mundo real subitamente.
— Ah, diretor, eu... Me desculpe, por acaso esperava uma resposta minha sobre a gestão do conselho? O que eu tenho a dizer é... — o toque do seu celular a interrompeu — Ahn, só um instantinho, se me permite atender esta ligação. Eu não demoro. — disse ela ao levantar.
— Tudo bem, retomaremos a discussão quando você voltar. — disse Brewster — Enquanto isso, sirvam-se desses bolinhos, por favor, estão deliciosos. — empurrou uma cesta com bolinhos doces aos pais naquele intervalo inesperado.
Aracna fora até o corredor, abrindo o aparelho cuja tela projetou um holograma de Lokknon.
— Mestre, precisa que eu faça algum trabalho? Eu tô presa nesse lugarzinho maçante e atormentador, quase fui proibida de sair pra atender o chamado.
— E se eu lhe disser que é perfeitamente possível você estar em dois locais simultaneamente?
— Verdade? O Barooma finalmente terminou de instalar o programa de clones holográficos?! Ai, já não era sem tempo.
— Então você já estava a par disso antes de mim?! Barooma, eu vou... — disse Lokknon pensando em punir o sakorguiano — Esqueça, vou enviar agora mesmo sua dublê que agirá exatamente conforme a ocasião requer. Vá imediatamente as proximidades do zoológico desta cidade e impeça o Ranger Verde de voltar aos amigos e ajuda-los derrotar um adversário poderoso que tem ampla vantagem de... — Lokknon de repente perdeu o fôlego, arfando pela rapidez com que falava.
— Mestre, respira, tá tudo bem, é muita informação pra compartilhar de uma só vez. Estou saindo daqui agorinha. — disse Aracna que logo encerrou o contato e se dirigiu ao banheiro feminino. A luz roxa do seu teleporte quase atravessou a brecha na soleira da porta.
Owen estava encurralado por tres leões ferozes enquanto a celeuma se agravava com gorilas e chimpanzés invadindo comércios e depredando patrimônio público, além de elefantes, camelos e zebras tumultuando o trânsito que virou uma algazarra de buzinas e vozes alteradas com os animais desfilando na faixa de pedestres.
— Tá tudo uma loucura! Como é que eu saio dessa? Não posso machuca-los... — disse Owen recuando e encontrando o fim da linha na parede de um beco sem saída — Droga, e agora?
Seu comunicador tocara sendo Karen na chamada.
— Na escuta! Eu tô no maior aperto aqui, não consigo atrair toda essa bicharada de volta pro zoológico sozinho!
— Estão atordoados pela onda sonora do rugido de Chimerax. — disse a tecnóloga de volta ao seu lugar na Central de Comando — Mas existe algo que pode reverter esse descontrole. Basta assoprar o apito da Adaga Kong, modifiquei o som temporariamente para causar uma indução neurológica que os farão seguir a fonte de emissão, ou seja, você, pra onde quer que vá.
— Karen, você é nota mil! Não sou o Dr. Dolittle, mas vou conversar com vocês numa linguagem que vão entender facinho! Iááá! — disse Owen que saltou para o alto de um condomínio antes que um dos leões o pegasse, logo sacando a adaga Kong — Sigam o líder Gorila Esmeralda! — soprou o apito que propagou o som audível a todos os animais fugitivos que foram rapidamente atraídos.
O Ranger Verde foi dando saltos pelos prédios mantendo o som constante conforme os animais se deslocavam como um séquito, mas não mais de maneira tresloucada como antes já que a frequência sonora possuía uma reversão instantânea. Ao chegar próximo da entrada do zoológico, Owen se fez como um porteiro ao levante de animais que retornava ao espaço como uma manada menos caótica.
— Joia, estão todos voltando! Preciso voltar pro pessoal antes que...
Um raio púrpura o cortou na fala, atingindo-o com explosões de faíscas.
— Nada disso, é comigo que você terá que se preocupar agora. — disse Aracna no alto de uma pilastra que era parte da estrutura do zoológico. Saltou para descer.
— Ah, já saquei: o Lokknon resolveu me atrasar pra impedir que eu volte pra galera e finalize o Frankenstein das feras! Não vai rolar! — disse ele posicionando-se para lutar com a adaga.
— Talvez será tarde demais quando você chegar. Isto é, se sobreviver à mim, claro! Iááá! — disse a princesa aracnidea fazendo crescer suas unhas vermelhas e partir para o embate.
No colégio, o clone holográfico de Arianne retornava para dar continuidade à reunião escolar, portanto-se com cortesia aos presentes. Sentou-se com postura ereta e feição levemente séria, ajeitando os óculos pequenos.
— Queria ouvir o meu parecer, diretor?
— Bem, sim, Srta. Webb. Agora que voltou podemos dar sequência a reunião. — disse Brewster terminando de comer o último bolinho, logo bebendo um gole d'água.
— Eu estive analisando meticulosamente enquanto conversavam e aproveitei esse intervalo para elaborar uma lista de proposições para melhorias no ensino e atividades interdisciplinares. — disse a falsa Arianne mostrando um papel em que escreveu suas ideais e foi citando uma a uma.
No zoológico, o combate prosseguia ferrenho sem que as duas partes se dessem por vencido ante ao desafio exaustivo. Austin disparou duas ciclones de fogo das patas de leão do Modo Fúria Animal contra Chimerax que ousadamente foi resistindo aos redemoinhos de fogo. O monstro híbrido saltou, as chamas causando uma alta explosão de fogo atrás, logo energizando suas mãos com luz alaranjada para baixar um golpe duplo em Austin que se fragilizou.
— Vocês exalam uma energia que abre meu apetite! — disse Chimerax que segurou as mãos de Austin quando o líder contra-atacaria, surpreendendo ao se inclinar engasgar uma rápida mordida entre o pescoço e o ombro, seu corpo quimérico faiacando com pequenos raios vermelhos, Austin gritando de dor.
— Ei, ele tá mordendo o Austin que nem um vampiro! — apontara Tim.
— Solta ele! — falou Jessie voando diretamente ao híbrido e disparando suas penas cortantes que estouraram faíscas nas costas dele, fazendo largar Austin que caiu de um só joelho.
A Ranger Amarela atacara com seus pés de águia, mas um deles foi agarrado por Chimerax que em seguida passou a morreram perna direita dela, raios amarelos o envolvendo.
— Me larga, isso... tá machucando!
— Se não largar por bem, será a força! — disse Zoe a direita do híbrido a alguns metros — Hidro-Canhão Bolha! — apontou a arma e disparou a enxurrada de bolhas que explodiam no corpo de Chimerax, assim o levando a soltar Jessie que foi jogada agressivamente — Super Arpão Caçador! — lançou o arpão do braço direito, o qual foi segurado pelo híbrido que não sentia nem cócegas com a descarga elétrica cor de rosa liberada. Ele mordera o arpão — O que ele tá fazendo? Eu... tô me sentindo esgotar...
— Relaxa, Zoe, eu dou o que ele merece! — disse Tim do outro lado — Hidro-Canhão Jato! — lançou o intenso jato d'água que mandara o híbrido para longe ao atingi-lo. Correu até a Ranger Rosa meio caída — Cê tá legal?
— Sim, só... meio fraca, senti minha energia sendo drenada enquanto ele mordia o arpão. Toma cuidado.
— Eu ainda não acabei! — falou o Ranger Azul que avançou contra Chimerax logo após ele reerguer-se, saltando para aplicar chutes potentes. Porém, o híbrido pegara o braço esquerdo de Tim, tascando uma mordida profunda que o fez contorcer-se de dor, os raios correndo pelo corpo do ser quimérico.
Mas Tim fora prontamente salvo pela bola demolidora de Damian que bateu aumentada de tamanho contra Chimerax como se o atropelasse com um caminhão. O ataque mandou o híbrido contra várias caixas de madeira grandes levantando poeira e fumaça.
— Aí, valeu, irmãozão! Pensei que ele ia me lanchar vivo! — falou Tim tocando no braço ferido.
— Acho que não foi bem essa a intenção dele. — contrariou Damian. Chimerax irrompia da nuvem de poeira correndo em supervelocidade, logo atacando Damian aceleradamente em golpes de mãos. Com uma pata de rapina o chutou para cima e o pegou, logo tascando suas presas nas costas do Ranger Preto, raios pretos serpenteando pelo seu corpo inteiro.
— Estou satisfeito! — disse Chimerax logo jogando Damian como um descarte, o Ranger Preto rolando no chão, mas sendo amparado pelos amigos que reuniram-se depressa.
— Damian, tá tudo bem? — perguntou Austin.
— Creio que sim, mas... senti minha força diminuir significativamente. — contou ele ao levantar.
— Pois então vamos combinar nossos ataques pra provar que juntos somos realmente imbatíveis! — disse Austin a frente do grupo — Todos prontos?
— Sim! – falaram os demais.
— Agora! — bradou Austin — Ciclones Flamejantes!
— Hidro-Canhão Jato!
— Hidro-Canhão Bolha!
— Chuva de penas!
— Chifres Bélicos! — falou Damian, seus chifres movendo e abrindo-se nas pontas disparando lasers como metralhadoras.
Os ataques se uniram em peso contra Chimerax que foi atingido com alto impacto, a tremenda explosão de fogo resultante o tirando do chão. O híbrido caiu tendo sofrido danos, mostrando certa dificuldade em levantar.
— Excelente, pessoal! Tá na hora da combinação das armas pro golpe definitivo! — disse Austin. Porém, para a desagradável surpresa dos heróis, o Modo Fúria Animal se autodesativou junto aos coletes Zoomorph com brilhos fortes nas respectivas cores — Não pode ser... Mas por que isso aconteceu?
— Austin, ele ficou nos mordendo como se... sugasse nossas energias. — disse Jessie.
— Se bem que eu tava me sentindo meio fraco... — disse o líder — Droga, ele é ainda pior que o Nekovolt nesse lance de absorver nossas forças, é quase impossível se mexer enquanto ele te morde, meu corpo travou total.
— Ele não parece estar em condições de lutar depois daquele nosso ataque multiplicado. — ressaltou Damian — É a chance de um tiro fatal.
— Cadê o Owen? Os animais já estão voltando pros seus lugares e nada dele! — disse Zoe o procurando com os olhos.
Chimerax se reergueu cambaleante em meio às chamas da explosão.
— Isso não me fez perder o que ganhei!
— O que você nos roubou, na verdade! Galera, não tem outra opção, vamos usar o Abatedor Selvagem, talvez funcione! — disse Austin.
Na nave de Lokknon, Barooma calculou uma taxa de êxito no tiro da arma combinada dos Rangers e tratou de alardear para seu lorde.
— Mestre, eles possuem uma provável chance de acerto! Ainda que não destrua Chimerax totalmente, o tiro pode causar danos severos que o farão ser derrotado com simples golpes!
— Nesse caso, a solução está no... laser regenerador! Dispare imediatamente! — ordenou o imperador com braveza.
— Neste instante! — disse Barooma que batera no botão vermelho, o laser disparado sobre Chimerax, algo que surpreendeu os Rangers.
— Essa não, é aquele raio que faz os monstros crescerem! — disse Tim, atemorizado. Chimerax foi gigantizado, rugindo para toda a Alameda dos Anjos ouvir.
— Lokknon tá começando a se meter onde não foi chamado! Hora de revidar à altura! — declarou Austin, determinado.
Os heróis ergueram suas mãos direitas para bradar em uníssono:
— Precisamos do poder Megazord agora!
As máquinas animais saíram de seus hangares correndo diretamente ao campo da batalha entre gigantes. Os Rangers saltaram aos cockpits.
— Chaves de Comando! — sacaram as chaves e as inseriram, logo girando-as — Ligado!
— Sequência Megazord, ativar! — disse Austin.
Com os zords conectando-se, o Megazord Z enfim era formado, pousando para o duelo.
— Escudo Selvagem e Sabre Selvagem! — chamara Austin, o escudo surgindo na mão esquerda e a espada prateada caindo na direita.
O robô atacou primeiramente com um golpe energizado do sabre, mas que Chimerax defendeu com seu ferrão de escorpião retrátil que até ali manteve escondido. O híbrido atacou com o ferrão, o Megazord defendendo-se com o escudo selvagem que foi perfurado, dando abertura para uma corrente de energia ser canalizada contra o robô que foi sofrendo com estouros de faíscas internos e externos.
— Essa energia que ele libera através do ferrão tá deixando os sistemas à beira de uma pane! — alertou Damian, o cockpit chacoalhando.
— Segurem-se e aguentem firme! — orientou Austin — Temos mais truques na manga do que ele pensa!
Chimerax foi atacando com o ferrão em picadas super-rápidas, causando danos físicos na estrutura externa do robô.
— O veneno do meu ferrão vai paralisar esse monte de sucata!
O alerta de falha no sistema surgiu nos painéis.
— Chega, vamos cortar o mal pela raiz! — disse Austin movendo fortemente os controles.
O Megazord mostrou resistência ao usar a espada para cortar o ferrão, mas o choque não causou mais que meras faíscas.
— Chama Cromática! — bradaram aos heróis, a espada logo se incendiando com o fogo multicolorido. Chimerax atacou novamente, o Megazord aproveitando para agarrar o ferrão num bom reflexo e assim corta-lo com o sabre pegando fogo, o que felizmente funcionara.
— Meu ferrão, isso doeu! Me pagarão caro! — protestou Chimerax segurando a cauda de escorpião cortada da qual exalava fumaça.
O Megazord atacara com a espada flamejante multicor em vários cortes velozes, mas que não acarretaram mais que explosões em torno de Chimerax que até expressou fragilidade, mas resistiu aos cortes bravamente.
— Do que é feita a pele desse bicho? — perguntou Tim.
— Me lembra o mito grego do leão caçado por Hércules que tinha uma pele indestrutível. — comentou Damian.
— Não importa se o Ray se inspirou em lendas gregas pra criar esse monstro, aqui no mundo real o Hércules somos todos nós! — disse Austin, firmemente — Vamos acabar logo com isso! Insígnia Feroz!
O robô fizera o círculo em sentido horário, logo o sabre executando o corte diagonal. Porém, Chimerax cruzou os braços em posição de defesa frente ao rosto, o golpe causando explosões a volta dele sem atingi-lo gravemente.
— O quê? Não fez nada contra ele?! — disse Zoe, pasma.
— Ele não tem só uma pele indestrutível, mas quatro! — apontou Jessie — Contando o ferrão de escorpião e os chifres de carneiro, são seis animais dentro de uma única criatura, dá pra entender porque ele não tá facilitando.
Chimerax dera um salto com os pés de rapina juntos para um chute duplo que derrubou o Megazord. Abaixo deles, Owen duelava com Aracna. A princesa aracnídea foi disparando raios da mão direita que o Ranger Verde se esquivava pulando por cima de carro quase flutuando, as explosões de faíscas em volta.
— Meus amigos precisam de mim, cansei de perder tempo com você! — disse ele que voltou ao chão deslizando e realizando um corte de luz verde horizontal da Adaga Kong que atingiu as unhas crescidas de Aracna — Que tal dar uma passadinha na manicure?
— Minhas unhas, eu as fiz hoje pra... — tapou a boca se impedindo de cometer um erro que custaria seu disfarce. Teleportou-se.
— Vou dar uma força pros meus parceiros! — disse Owen voltando-se a luta e soprando o apito da adaga. O zord Gorila Esmeralda saiu da caverna batendo no peito e rugindo, logo rumando ao palco do confronto. Owen saltou ao cockpit.
O Megazord havia se reerguido e travava um duro embate manejando o Sabre Selvagem contra os punhos de Chimerax que acertava golpes precisos tal qual um pugilista.
— Tô de volta na área, amigos! — disse Owen vindo com seu zord — A situação lá embaixo tá sob controle!
— Depois vai contar pra gente como foi que você conseguiu hein! — disse Jessie.
— O Chimerax é seis em um e nós também! — dissera Austin — Conexão Megazord!
O Gorila Esmeralda dividiu-se em várias partes que se remodelaram para encaixar no Megazord Z com raios verdes gerando a conexão.
— Megazord x2! — falaram os seis, o robô posicionado ao combate. Lançou um corte de energia contra Chimerax que cortara os chifres de bode, o enfurecendo.
— Não me renderei jamais! — o híbrido avançou desferindo socos que o robô defendia-se con o sabre — Por que? Por que os humanos insistem em rebaixar os animais irracionais como simples mascotes e mesmo assim os maltratam!
— Ele tá chateado com maus-tratos a animais?! — disse Tim — E quer lutar contra isso destruindo os humanos?! Ah, para de graça!
— Ele pode ter sofrido horrores nas mãos do Ray quando era uma quimera irracional. — disse Zoe.
— Seja o que for, não vamos ter pena dele só porque sofreu sendo cobaia do Ray, as ações falam mais que as palavras! — opinou Austin.
O Megazord Z x2 moveu-se superveloz desferindo um golpe horizontal da espada na cintura de Chimerax que cambaleou para o lado oposto. O robô voltou-se ao monstro, mantendo-se pronto.
— Essa luta já foi além da conta. Vamos lá, pessoal, fatia-lo em seis partes! — disse Austin.
— Insígnia Feroz Hexa!
O círculo com os seis emblemas animais era formado pelo robô com o Sabre Selvagem. Contudo, uma reação inesperada em Chimerax interrompeu o processo antes que ele votlasse a atacar. O híbrido gemia e rosnava com raios laranjas em volta, logo seu tamanho reduzindo ao normal.
— Ele tá encolhendo! — disse Tim — Vamos pisar nele como uma barata ou não?
— Eu adoraria, mas temos que entender porque isso aconteceu. — definiu Austin — Além disso, precisamos encontrar o Theron.
Chimerax estava desnorteado e confuso, tocando no próprio corpo, ávido por uma explicação.
— Mas o que houve? Aquele raio que me levou a crescer perdeu o efeito?!
— Eu posso ajuda-lo a compreender qual foi a causa dessa regressão. — disse Ray saindo detrás de uma van e aproximando-se — Só tem que confiar em mim. Acredite, temos muito mais a ganhar do que perder.
— Você de novo... Meu criador... que me trancou numa cela apertada por 10 longos anos! — disse Chimerax que disparou raios dos orbs, Ray caindo com os estouros de faíscas.
— Me desculpa! Eu fui... precipitado, eu fui o animal selvagem te mantendo preso sem confiar que você seria adestrado!
— Agora que sou uma ameaça maior, quer seu meu amigo? Não vou me dobrar pra um humano cruel como você!
— Não quero mais que seja meu mascote. Mas sim um aliado poderoso rumo a um futuro brilhante. Criaremos um novo mundo, Chimerax, um mundo onde humanos e animais possam conviver harmonicamente.
— Eu não quero harmonia! — rejeitou o híbrido batendo as mãos no capô de um carro, amassando o metal e destruindo os pneus — Quero vingança!
— Eu sou... a exceção pra você?
Chimerax o olhou por cima do ombro.
— Se estiver dizendo a verdade... Eu aceito.
Um espécie de disco negro voador surgiu pairando sobre eles.
— Que negócio é esse? — questionou Ray olhando para a centelha luminosa abaixo do disco que lançou um feixe, tragando-os como um teleporte e saiu voando ao espaço... de volta a nave de Lokknon.
Teleportados para lá, Ray e Chimerax sentiam-se pedidos após caírem no meio da sala aos pés do Imperador.
— Eu gostaria que continuassem caídos e curvados ante a minha grandeza imperial.
— Você deve ser o tal do Lokknon, né? — indagou Ray levantando e o fitando — Baixinho demais pra um imperador.
— Eu não vou tolerar desrespeito ao mestre. — intrometeu-se Mudok com postura impositiva — Irão agradecê-lo considerando o que ele planeja para beneficia-los.
— E você é o cara que me forneceu o soro. Bom vê-lo de novo. — disse Ray buscando entrosamento.
— Me chame de Mudok. Fiquem tranquilos e esperem o mestre revelar o que pretende fazer por vocês.
— Tranquilo? Vivi anos numa jaula e não admito ser colocado em outra! Me deixem sair ou destruirei esse lugar! — esbravejou Chimerax. Ray colocou-se frente a ele, cara a cara o tocando nos ombros.
— Espere, estamos claramente numa espaçonave. Se tiver um surto destrutivo seremos todos puxados para o vácuo do espaço. — disse Ray que voltou-se a Lokknon — Chimerax não precisa de reforços, ele tem a mim e isso basta.
— Mas você e eu possuímos um inimigo em comum: Thomas L. Dickerson. Isso não nos torna automaticamente aliados? — dissera Lokknon tentando persuadi-lo. O cientista refletia.
— Sente um ódio profundo do Dickerson? O que ele fez a você?
— Ele e seu pai foram as principais peças do declínio do império de minha família no planeta onde nasci e por isso não passa um dia sem que eu deseja a ruína desse verme em tudo que ele mais preza.
— Nossa, admito que você o odeia até bem mais que eu. Mas voltando a Chimerax... Sabem me dizer porque ele regrediu ao tamanho normal? Obviamente o raio que o engrandeceu veio daqui.
— Mudok tem uma teoria a respeito. — disse Lokknon passando a palavra ao androide.
— Acreditamos que o soro se dissolveu no organismo, mas deixando uma quantidade residual nos embriões, são esses ovos que seguram a transformação.
— Eu escaneei a biologia de Chimerax agora há pouco! — disse Barooma — A reserva de soro nos ovos também está se esgotando!
— O que vai desencadear uma regressão a sua antiga forma. — disse Ray ao híbrido com preocupação na face — Você voltará a ser aquele fracasso que quase arruinou a minha vida.
— Então onde há mais desse soro? — quis saber Chimerax.
Mudok foi até uma espécie de cofre perto do bio-modelador de onde retirou um frasco médio contendo o soro.
— Usamos este soro ajudar na modelagem de bonecos que se tornam monstros vivos nesta máquina. — disse o androide vindo até Chimerax paraentregar o frasco — Um gole e você se estabilizará.
Porém, Ray tomara o frasco da mão de Mudok.
— Não sabemos o risco de uma ingestão direta. Faça como antes.
— É de mim que se trata, então a decisão é minha! — rebateu Chimerax arrancando o frasco das mãos de Ray e se afastando para enfim beber a substância. Ao tomar, acabou passando do ponto aceitável.
— Pare, eu disse que era só um gole! Isso é uma superdose!
— O que isso vai causar? — perguntou Ray virando Mudok com um toque no ombro.
— Eu não faço a mínima ideia!
Repentinamente, Chimerax foi envolvido por um brilho alaranjado forte com raios saltando. Lokknon vira a reação com positividade.
— Isso está me parecendo algum tipo de evolução! Chimerax está se desenvolvendo a um novo nível graças ao soro!
A confirmação disso não tardou a se elucidar. Chimerax mostrava-se bastante alterado con algumas características físicas mantidas, como os olhos, por exemplo. O que mais chamou a atenção de Ray foi o desaparecimento do DNA dos animais da forma anterior, dando lugar a aspectos ligados aos zords dos Rangers.
— Essa aparência... O novo hibridismo dele me remete aos Power Rangers! — notara Mudok.
— Tenho a resposta para tal questão. — disse Chimerax se aproximando com altivez — Acontece que eu absorvi as energias daqueles fedelhos ao morde-los, assimilei seus poderes animais.
— Provavelmente foi isso que impediu a transformação de ser um desastre. — conejcturou Ray — Sem ofensa. — olhou para Mudok.
— Chimerax, agora que você atingiu um estado superior, eu lhe convido a passar algum tempo no meu simulador virtual para treinar suas habilidades. — disse Lokknon saindo do trono.
— Ele não precisa ser treinado para acabar com os heróis de pijama do Dickerson. — contrariou Ray, enciumado.
— Não vou pedir sua permissão, acho que vou gostar de fazer um aquecimento.
— Ele disse sim, podemos pega-lo emprestado? Amanhã ele estará livre. Digo, não vamos prende-lo, você verá como é o simulador.
— Está bem, mas a participação de vocês nisso termina amanhã.
***
Na manhã de segunda-feira, os Rangers haviam sido alguns dos primeiros alunos do 6⁰ ano-A a entrar na sala após o toque, reunindo-se para configurar acerca da batalha anterior.
— Ai gente, alguém além de mim sofreu com a pele ardendo no lugar onde aquela besta-fera mordeu? Minha perna tava queimando. — disse Jessie ao sentar de lado na carteira a frente de Zoe.
— Esse efeito colateral não foi só seu. — disse a Ranger Rosa — Quase não pegava no sono, uma queimação horrível.
— Mas, Zoe, pelo que vi ele nem tocou aqueles dentões enormes de leão em você. — recordou Tim ao sentar a direita dela.
— A dor da mordida passou do arpão direto pra minha mão. — explicou Zoe.
— Nossa, eu também passei o maior sufoco ontem pra conseguir dormir. — disse Austin tocando na área mordida, estando sentado a frente de Tim.
— Tive que passar um analgésico nas costas e me forçar a dormir de bruços. — relatou Damian — Sorte que o Theron deixou as camas bem confortáveis.
Owen se aproximava com uma expressão meio tensa, logo sentando-se a frente de Jessie.
— Mas como o Owen é um herói especial, ele tinha que se safar dessa. — disse Tim — Aí, você tá com uma cara de que o café da manhã não desceu bem. Ou seu pai te meteu bronca?
— Pessoal, tenho algo grave pra dividir com vocês, notícia bombástica. — disse o Ranger Verde virando-se aos amigos. Baixou a voz — É sobre a Srta. Webb.
— Então conta logo o que é antes que ela venha e coloque fita adesiva nas nossas bocas. — disse Jessie, ansiosa para saber.
— Na reunião de pais no sábado, meu pai notou algo estranho nela. Viu que ela mudou de comportamento depois que saiu pra atender o celular.
— Tá, mas... Isso não parece ser nada demais. — disse Austin, minimizando — Depende de como se ela comportava.
— Meu pai falou que ela ficou revirando os olhos e bocejando como se estivesse entediada. Daí quando ela voltou depois de atender a ligação, parecia outra pessoa, agindo como... uma professora de verdade, a linguagem super-refinada e propondo melhorias pro ensino.
— Será que algum alien substituiu ela? — especulou Tim.
— Não dá pra tirar uma conclusão dessa história, mas que é pra lá de suspeita isso é. — falou Austin — Ninguém muda o jeito de ser assim de uma hora pra outra, é muito bizarro.
— A menos que ela seja portadora de algum transtorno de personalidade fragmentada. — disse Damian ajeitando os óculos.
— Disfarcem, ela tá vindo aí. — disse Jessie se acomodando melhor na carteira.
Arianne entrava na sala com sua pilha de livros que jogou sobre a mesa levando os alunos a ouvirem o baque alto e reagirem com susto.
— Quero todos em seus devidos lugares e em absoluto silêncio. — disse a "educadora" que pegara seu livro didático de interpretação textual — Abram na página 46, faremos uma leitura interpretativa desta crônica sobre o impacto das mídias sociais na comunicação. Acompanhem meu ritmo, todos vocês. — ordenou antes de pigarrear para iniciar a leitura.
Mais tarde, Chimerax voltava do simulador de Lokknon acompanhado de Mudok.
— O treinamento foi de um resultado espetacular, mestre. — disse o androide chegando a sala do Imperador — Chimerax é uma criatura ainda mais prodigiosa nesta forma.
— Eu me sinto pronto para fazer os humanos pagarem pelo que fazem contra os verdadeiros donos do planeta Terra. — disse o monstro híbrido, mal contendo-se de empolgado — Eles se sentem os reis, mas eu vou provar que a Terra não pertence aos que chegaram por último na evolução das espécies!
— Esse seu fervor de ódio é contagiante e eu simplesmente aprecio deveras, hahaha! — disse Lokknon, animado para libera-lo.
— Ele já pode atacar livremente a cidade, mestre? — indagou Mudok.
— A bateria de testes foi suficientemente satisfatória, acompanhei tudo pelo visualizador. Sendo assim, cumpra sua vingança, Chimerax. — disse Lokknon, logo batendo sua mão fechada no botão do braço direito do trono, o teletransportando a Alameda dos Anjos, o híbrido surgindo no movimentado centro comercial e apavorando todos a sua volta.
— Sintam medo, seus humanos imprestáveis! — falava ele, disparando raios dos orbs que explodiam faíscas em carros e prédios em meio ao alarido de pânico.
— Vamos aumentar a lente de foco dele. — disse Lokknon que logo apontou para Barooma — Laser regenerador!
— Como desejar, mestre! — disse o cientista que bateu no botão vermelho, o raio esverdeado atingindo o híbrido e o gigantizando a vários métodos de altura.
Em seu laboratório, Ray finalizava a operação que intentava desde que colocou os olhos no soro mutagênico. Manipulava uma certa quantidade que surrupiou do armário de Lokknon.
— Feito, o composto reagente se adaptou ao soro, assim tornando essa substância em algo único do qual Chimerax será dependente pra nunca mais precisar daquele patife alienígena. — disse ele sentado à mesa de trabalho com uma lamparina acesa no meio da escuridão — Dois dias foi o tempo ideal. Além do mais, roubar um frasco de lá foi como assaltar uma loja de brinquedos.
Relembrou a ocasião no mesmo sábado onde teleportou-se a nave de Lokknon para conferir o andamento do treino de Chimerax, mas não havia ninguém na sala, o que lhe inspirou ao ato de expropiar uma porção do soro tendo antes memorizado a sequência de teclas para abrir o depósito, saindo sem ser flagrado.
— Isso tudo sem disparar nenhum alarme... se é que tinha um, hahahaha. — disse ele, reclinando na cadeira. Porém, um tremor quase o fez cair. Levantou e foi verificar pela janela, afastando a cortina — Ali está ele. — viu Chimerax enorme causando destruição explosiva e aleatória em prédios — Hora de testar a novidade.
Saindo da sala após o término das aulas, os Rangers foram contatados e se moveram para perto da escada onde atenderiam discretamente.
— Na escuta. — disse Austin olhando o entorno.
— Rangers, Chimerax está atacando a metrópole e ao que parece deu uma repaginada no visual. — disse Karen.
— Karen, é você... Onde está o Sr. Dickerson? — perguntou o líder.
— Na oficina trabalhando em alguma coisa que ele ainda não disse o quê. Vão depressa, Chimerax foi gigantizado por Lokknon e pelo que indica seus poderes aumentaram bastante.
— Estamos a caminho. — disse Austin, logo desligando — Vamos lá pra fora.
Os cinco saíram do colégio e se encaminharam ao limiar do bosque, ficando bem escondido pelas folhagens.
— Agora sim, galera. — disse o líder sacando a célula e o morfador tal qual os demais — Prontos? Hora de morfar!
— Touro Ônix!
— Tubarão Cobalto!
— Arraia Rósea!
— Águia Flavescente!
— Leão Escarlate!
Chimerax lançava raios dos orbs laranjas que explodiam tremendamente prédios que eram evacuados às pressas durante os ataques desenfreados. O Megazord Z logo pousou atrás a uma distância segura.
— O que explica essa mudança de aparência? — questionou Austin.
— Vai ver ele se olhou no espelho pela primeira vez e achou que devia ficar bonito, só que essa plástica não deu muito certo. — ironizou Tim.
Chimerax voltou-se ao robô, enfurecendo-se.
— São os pestinhas coloridos de novo!
— Se acha ruim sermos coloridos, olha pra você primeiro! — rebateu Jessie.
O híbrido disparou seus raios laranjas dos orbs.
— Escudo Selvagem! — a arma surgiu, mas não executou uma defesa completa, os raios se alastrando pelo robô e causando sérios danos com explosões de faíscas.
— Níveis de energia instáveis! — alertou Damian.
— Sabre Selvagem! — bradou Austin. A espada caíra na mão direita do robô que foi desferindo golpes contra ao híbrido. Chimerax expressava movimentos defensivos eficazes. Num golpe vertical da espada, a segurou com as duas mãos e com uma joelhada de direita partiu-a ao meio.
— É isso que chamam de luta? Estou mais forte do que nunca, me deem pelo menos um desafio digno do meu poder! — disparou bolhas explosivas da mão direita.
— Essas parecem ser... as bolhas do meu hidro-canhão! — apontou Zoe.
— Vai esquentar! — disse Chimerax expelindo pela boca uma rajada de fogo espiral que atingiu o Megazord com explosões pelo corpo
— E esse é meu ciclone flamejante! — disse Austin atordoado pelo calor terrível que os castigava ali dentro — Ele tá imitando todos os nossos ataques do Modo Fúria Animal!
— Lembram que nos sentimos fracos após ele nos morder? Ele de fato sugou nossas forças e passou por uma metamorfose que conferiu a ele versões dos nossos poderes! — ressaltou Damian.
— Faz todo o sentido! Mas vamos mostrar que os originais são sempre imbatíveis! — afirmou o Ranger Vermelho, tenaz.
Karen entrava em contato.
— Austin, finamente seu protezord está disponível. O chimpanzé acaba de sair da jaula. — disse a tecnóloga apertando uma tecla.
Os heróis ouviram gritos característicos de um macaco se avizinhando. O símio robótico vermelho pulava pelos prédios vindo até o robô. Nesse mesmo instante, Chimerax lançara um novo ciclone flamejante quando o protezord se transformava numa tonfa indo direto à mão direita do robô que dissipou a onda de fogo com a arma antes que o acertasse.
— Haha, adorei ele! — disse Austin — E ainda mais essa arma!
— Parece uma daquelas que os policiais usam na carceragem! — comentou Tim.
O Megazord desferiu um golpe brutal da tonfa no ombro esquerdo de Chimerax que mostrou fragilidade.
— Não doeu nada!
— Então por que você se retraiu que nem uma lesma? — insultou Damian.
— Toma mais! — bradou Austin, o robô manejando a tonfa em mais golpes efetivos e rápidos, espancando o híbrido em vários pontos.
— Não me permito ser humilhado por humanos insignificantes como vocês! — disse Chimerax que recolheu sua mão esquerda formando um canhão que disparou um torpedo contra o robô. O projétil explodiu intensamente no peito do Megazord, o derrubando — Preparem-se para meu golpe final! — os orbs presos aos cabelos levantaram e energizaram-se com raios prenunciando um ataque destrutivo formando um triângulo invertido.
Contudo, Ray via-se no terraço de um prédio próximo apontando um rifle com um dardo engatilhado. Olhou pela mira telescópica, alvejando a cabeça de Chimerax.
— A chance perfeita.
Karen contatara Owen que estava na biblioteca do colégio estudando. O Ranger Verde atendera.
— Owen na escuta.
— Os Rangers estão em sérios apuros combatendo Chimerax no Megazord. Está ocupado?
— Eu tava dando uma lida nuns livros aqui da biblioteca do colégio, mas tô indo nessa. Não tem ninguém, tô sozinho. — disse ele que logo encerrou o contato e foi para perto de uma estante, sacando sua célula e morfador — Hora de morfar! Gorila Esmeralda!
O Ranger Verde corria rumo à batalha, mas frustrou-se ao ver o Megazord caído.
— Ah não, cheguei tarde! Será que estão todos bem? Deve ter sido uma pancada medonha.
Ray disparou o dardo que continha uma substância tranquilizante, acertando a testa de Chimerax. O tiro forçou uma nova regressão de tamanho. Lokknon zangou-se sem entender.
— O que significa isso? Barooma, você garantiu que o soro não iria mais se dissolver!
— Mas minha tese está correta, mestre! O corpo evoluído de Chimerax inibe a dissolução do soro, eu não entendo o que houve! O efeito do laser regenerador estava longe de chegar ao tempo-limite!
Chimerax estava colérico com sua redução ao tamanho normal.
— Aconteceu de novo! Mas o que há de errado comigo?
— Talvez o raio do Lokknon tenha menos tempo em você por não ser um monstro criado por ele! — disse Austin vindo com os demais correndo e parando para um novo round.
— Estou cheio de vocês! — vociferou o híbrido.
— Rangers, agora! — bradou Austin.
— Coletes Zoomorph!
Ao chamarem pelos cartões da fera, inseriram nas entradas dos coletes, ativando o modo Fúria Animal e avançando valentes. Chimerax avançou dando impulso e voando com suas asas de rapina, logo disparando penas que acertaram os heróis com explosões faiscantes. O híbrido voava baixo lançando raios dos orbs que causavam explosões de fogo entre eles. Austin saltou inflamado suas patas leoninas em colisão com Chimerax enquanto uma explosão ocorria ao lado. O líder desferiu um ataque das garras da pata esquerda, acertando o abdômen do monstro ao se cruzar com ele no ar.
— Lá estão eles! — disse Owen encontrando-os — Mandou bem, Austin!
Chimerax caiu de um só joelho com uma ferida aberta, mas que logo regenerou-se. Os Rangers reagruparam.
— Eu não mostrei meu truque especial naquela hora, mas dessa vez nada irá me impedir! — Chimerax repetindo o ataque que daria antes de reduzir ao normal.
— Vamos combinar nossas armas! — idealizou Austin sugerindo formar o Abatedor da Fúria.
Entretanto, a energia triangular foi disparada contra os heróis que se viram presos no triângulo com raios emanando.
— É uma barreira invisível! — disse Austin tentando romper o campo de força com as garras. Chimerax juntou as mãos, fazendo o triângulo se contrair, o que fizera-os gritarem sofrendo com a energia massiva.
— O que ele tá fazendo? — indagou Owen, aflito — Para! — correu até eles.
Mas não pôde evitar o fim do processo daquele ataque eficaz. O quinteto parecia agir de modo animalesco, tal qual seus respectivos zords.
— O que fez com eles? Pessoal, o que foi?
— Não adianta dialogar com eles! Não entenderão uma palavra do que disser pois suas mentes foram convertidas para um estado onde a razão humana foi apagada! Agora só falta você!
Os Rangers dispersaram-se para direções distintas. Austin saiu em quatro patas rugindo como um leão, Jessie alçou voo feito uma águia, Damian correu frito um touro bravo e Tim e Zoe foram para o lago mais próximo onde mergulharam e nadaram tal como tubarão e arraia. Dickerson voltava da oficina.
— Como está indo a situação?
— De mal a pior. — falou Karen olhando apreensiva para ele — Não vai acreditar no que Chimerax acabou de fazer.
Owen sacou sua Adaga Kong e se posicionou, pronto para a ação.
— Meus amigos ainda estão lá, eu vou desfazer esse feitiço de selvageria! Mas primeiro vou te transformar em carcaça pra empalhar na minha parede! — disse ele com revolta e determinação.
CONTINUA...
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