Notas iniciais
Sinopse do capítulo: Crianças de toda a Alameda dos Anjos estão recebendo bichinhos aparentemente inofensivos. No entanto, se tratam de pequenos seres alienígenas que explodem ao serem tratados com muito afeto. Os Rangers correm contra o relógio para evitar um desastre. Tenha uma ótima leitura (e que o poder o proteja)!

Julie desfrutava de mais um sábado de diversão ao lado de sua mãe a auxiliando na cozinha no preparo de um bolo, ambas numa determinada hora sujando os narizes uma da outra com farinha. O pai vinha da sala para pegar sorvete da geladeira e quase esbarrou na filha quando a mesma carregava uma panela com massa.

— Opa, essa foi por um triz. Cuidado hein, criança não pode brincar com fogo. — avisou ele.

— Tá bom, pai. — disse ela que colocou a panela sobre a mesa — Olha se tá no ponto certo, mãe.

A mãe pegara uma colher de pau e provara.

— Hum... Não, ainda precisa manter por mais alguns minutos, no máximo cinco. Não esqueça de contar cada segundo. Ponha lá de volta e depois você...

O toque da campainha interrompeu-a e aflorou empolgação em Julia.

— Eu atendo, eu atendo, deve ser o tio Earl! — disse a garota de 9 anos que correu alegremente até a porta. Ao abrir, seu sorriso, porém, reduziu-se um pouco ao não ver ninguém parado diante dela. No entanto, ao baixar os olhos para o tapete de boas-vindas, viu uma caixa revestida de papel-presente colorido — O que será? — indagou, pegando-a. Rapidamente a desembrulhou e abrira a caixa. Nela continha um bichinho de pelúcia cor-de-rosa de olhos pretos, boca fazendo um biquinho, braços e pernas curtos, além de uma antena de ponta peluda — Uau... Mas é lindo, que fofura!

Correu de volta aos pais para apresenta-los seu mais novo amiguinho, mas não ultrapassando a entrada da cozinha.

— Vocês são os melhores pais do mundo! Meu aniversário é só daqui a três meses e já me deram presente antecipado! — disse ela com um sorriso de orelha a orelha mostrando a pelúcia.

— Mas filha... Nós não preparamos nenhum presente de antecipado. — disse a mãe, desconfiada.

— Quem te entregou esse bichinho esquisito? — indagou o pai, intrigado com o brinquedo.

— Estava perto da porta como uma encomenda. E ele não é esquisito, ele é a coisa mais fofa que eu já vi na minha vida. Cute, cute, cute. — disse Julie fazendo cócegas nele que esboçava uma resposta com risadinhas e semicerrar de olhos.

— E até ri como se estivesse vivo. — disse o pai, levantando uma sobrancelha.

— E respira também. — disse Julie, maravilhada — Eu amei você, melhor que gato ou cachorro.

— A maioria dos brinquedos desse tipo são bem sofisticados hoje, respondem a estímulos de toque. — comentou a mãe — Depois me dá a caixa de onde você o tirou pra ver o remetente. Não quero minha filha aceitando presente de estranhos.

— Pega a senhora, mãe! Mas acho que deve ter sido o tio Earl! Eu vou brincar com meu novo bichinho de estimação! — disse Julie que saiu dali correndo diretamente ao seu quarto.

— Mas Julie, você não ia me ajudar com o bolo... Essa menina não tem jeito.

No seu quarto, decorado com papéis de parede rosa, Julie brincava de hora do chá com o novo companheiro de aventuras, o fazendo "tomar" da xícara.

— Tá gostoso? Quer mais?

O bichinho respondera com mover de braços, um sorrisinho e um som emitido que indicava ser sua voz num tom que confirmava estar gostando da companhia de sua dona. Minutos depois de mitos carinhos e afagos, Julie sentira a temperatura da criaturinha aumentar.

— Você tá ficando tão quente... Será que é febre? Vou pegar o termômetro.

Ela pegara seu termômetro, mas um autêntico é digital que guardava no seu criado-mudo. O pusera na boca do bichinho e o resultado térmico veio imediato após o bipe baixinho e persistente, a surpreendendo.

— Nossa, tudo isso de febre!? Mas você é um brinquedo, era pra ser febre de mentirinha...

— Julie, vem já aqui! — disse a mãe chamando-a da sala.

— Tenho que te deixar sozinho, mas é só um segundinho. Eu já volto pra cuidar de você. — disse ela que o beijou amavelmente ao que ele retribuiu com um semblante feliz, movendo os bracinhos e soltando seu som característico.

Julie fora até a sala onde viu os pais prestes a sair.

— Aonde vão?

— Comprar mais ingredientes e repor o estoque de material, o que tínhamos não foi o bastante. Nem chegue perto do fogão até seu pai e eu voltarmos. Quietinha no seu quarto.

— Sem problema. — disse Julie, simpática.

— Ah, e na caixa não há remetente. Então cuidado com esse bichinho que você ganhou. Qualquer coisa de errado que possa ser perigosa, você joga fora. — disse a mãe quase saindo ao fechar a porta — Comporte-se.

Julie terminou de fechar a porta e se encostou nela pensando no alerta.

— Mas não há nada de errado com o Fluffy. A não ser essa febre estranha.

O carro saíra se distanciando da casa. Porém, a criaturinha esquentava cada vez mais sobre a cama da menina, vibrando e soltando seus sons fofinhos e agudos. Julie retornava ao quarto passando pelo corredor. Subitamente, uma explosão destruidora a empurrou para trás como uma ventania intensa.

— Fluffy! — gritou ela que correu em meios aos escombros repletos de labaredas e a fumaça que a fazia tossir. Não encontrara nenhum sinal de seu bichinho, nada além do seu quarto totalmente destruído e incendiando. Atônita com o desastre, Julie dera um estridente grito de horror com o estado em que ficara a casa.

***

A 56ª edição do concurso de beleza canino da Alameda dos Anjos agitava o parque ecológico atraindo um número que superou a estimativa para aquele ano, seja em competidores, jurados e, sobretudo, público entusiasta de animais domésticos. Damian participava com seu absurdamente peludo Malamute do Alasca chamado Ragnar, mas infelizmente tinha de lidar com o ego de concorrentes implicantes, como Brock, por exemplo. O valentão gorducho inscreveu seu pitbull marrom Rox que rosnava para seus adversários.

— Ei, ô nerdão. Não tá cravando que esse seu puxador de trenó aí vai impressionar o povo do júri, né? Ninguém gosta de cachorro peludão assim, não deixa ele chegar perto do Rox senão pode passar pulgas pra ele. Se eu ver uma pulguinha nele, já sei de quem veio e você vai se ver comigo, hein. Fica esperto, paspalho.

— O Ragnar frequenta o pet-shop de duas a três vezes por semana. E o parque é livre de insetos como pulgas ou carrapatos, sabe, são aqueles bichinhos do tamanho do seu cérebro. — retrucou o Ranger Preto passando a mão no pelo senso de Ragnar.

O cão de Brock rosnou para Damian, salivando.

— Olha aí, tá vendo? O Rox não gostou da sua piada, se eu deixar ele te ataca sem piedade e transforma você e sua bolona de pelo em almoço. Quer tentar a sorte, otário?

— Pesquisas que avaliam traços comportamentais de cães concluíram que um cão reflete a personalidade de seu tutor durante o convívio de longa data. — dissera Damian, desinteressado num embate argumentativo com o rebelde sem causa.

— Blá-blá-blá, lá vem ele com o papo de cientista maluco que fala difícil. E daí que o Rox é como eu? O seu deve ser tão fracote que ia sair correndo com o rabo entre as pernas numa briga de rua.

— Não adestrei o Ragnar pra conflitos. Ele tem um temperamento dócil, maduro e obediente...

O malamute latiu para Rox mostrando-lhe os dentes.

— Mas não quer dizer que ele não saiba se defender. Eu teria cuidado se fosse você.

— Ui, que medo eu tô desse lobinho da neve. — retrucou Brock fingido tremer com um olhar torto para o cão de aspecto lupino.

Em contrapartida, o Ranger Preto e seu amigo de quatro patas tinham uma torcida de peso. Os Rangers esperavam ansiosos o início do desfile na arquibancada na companhia dos pais de Damian e dos irmãos menores dele, Mabel e Zack que tomavam sorvete de casquinha.

— Vejam ali, o Damian com certeza tá dando satisfação pro imbecil do Brock que esqueceu do concurso eleger o cão mais bonito e não o mais feroz. — disse Zoe, a esquerda de Jessie, desaprovando.

— Não sei como deixaram essa fera vinda do inferno participar. — disse Jessie com um pirulito de cereja na boca — Mas tá tudo bem, o Damian chega no pódio, pelo menos comparado a esse cãozinho bravo do Brock ele tem mais chances.

— Vai nessa, Damian! — gritou Tim levantando — Pega esse terceiro lugar por nós!

Tanto os pais de Damian quanto os Rangers o olharam contrariados com as testas franzidas, deixando-o bastante desconcertado.

— Ahn... O primeiro lugar já é seu, cara! Já ganhou, já ganhou! Yeah!

— Aí pessoal, não sei vocês, mas tô achando a competição desse ano bem acirrada, sem querer desmerecer o Damian. — disse Austin.

— Pois é, tem mais gente que no ano passado. — apontou Jessie a esquerda dele — E os competidores ainda mais lindinhos. Menos esse monstrinho do Brock que só faz rosnar e salivar.

— Eu fiz um bolão apostando no Damian. — revelou Tim a direita de Austin — Se ganharmos, teremos um fim de semana inteiro de comida grátis no Earl.

— Apostou com o Earl por comida de graça só por um fim de semana? — desacreditou Zoe.

— É o máximo que ele aceitou como condição. — respondeu Tim — Vamos ver no que vai dar.

Mabel vira algumas meninas brincando com exemplares do bichinho de pelúcia que Jukie recebera em casa e observava, encantando-se com a aparência da criaturinha adorável.

— Será que vocês podiam me dar aquele bichinho ali de presente? Aquelas meninas estão se divertindo tanto, parece que ele fala, se mexe e até respira. — pediu a garota aos pais.

— O natal está quase aí, só mais algumas semanas, filha. Espere mais um pouco. — disse a mãe.

— Espere também pra ver se o salário vai compensar tanto presente. — declarou o pai.

— Haha, parece que alguém não vai ganhar nada esse ano. — disse Zack, zombeteiro.

— Eu fui uma boa menina ao contrário de um certo irmão mais novo que tirou D+ na prova de história.

— Mãe, pai, não acreditem nela! — alarmou-se Zack — Você vai ver, vou contar todos os seus segredinhos daquele seu diário ridículo!

Os irmãos davam língua um para o outro enquanto a competição se iniciava com os desfiles de cães de diversas raças, entre pedigrees e vira-latas. No momento de Damian desfilar com Ragnar, Stuart e alguns outros garotos desordeiros vaiaram em coro. Austin e os amigos contra-atacaram levantando cartazes de torcida, apoiando o Ranger Preto com mais vibração. Após as notas dos jurados serem definidas, o apresentador preparava-se para anunciar as posições do ranking.

Mabel não tirava os olhos das meninas brincando com o felpudo bicho de pelúcia e as invejava com um olhar triste de carência, focando na maneira que o bichinho se portava.

— Em terceiro lugar... — disse o homem caucasiano e gordo que apresentava o conceito — Damian Parker e seu Malamute do Alasca, Ragnar!

Damian fora com seu cão receber a medalha de bronze que foi colocada sobre a coleira dele, ganhando aplausos calorosos da plateia ao subir no pódio. Brock puxava seu pitbull para irem embora, zangado.

— Droga, Rox, sua atitude de molequenmarrento fez a gente perder! O nerdão tava certo, você é igualzinho a mim, sempre estraga tudo!

Damian voltava com Ragnar para seus pais e os Rangers sorrindo de contentamento.

— Meus parabéns aos dois. — disse a mãe o abraçando e o beijando na testa — Ragnar arrasou na passarela.

— É, ele é nosso modelo bonitão. — disse o pai dando uma coçadinha na cabeça do cão.

— Não ficaram desapontados, né? — perguntou Damian aos amigos — Devem ter tido um árduo trabalho com esses cartazes.

— E esse trabalho foi recompensado. — disse Zoe.

— Verdade, terceiro lugar não é tão ruim. — opinou Jessie — Você e esse lobo lindão deram um show de beleza. Não é, garoto? — afagava o pelo espesso de Ragnar.

— Pena que a aposta do Tim foi por água abaixo. — disse Austin.

— Que nada, ainda vamos ganhar comida grátis. — contrapôs o Ranger Azul.

— Vamos? — indagou Austin.

— Claro, eu apostei no terceiro lugar pro Damian. — revelou Tim levando Damian a lhe dar um peteleco na orelha em insatisfação — Ai, qual é? Você me disse pra encarar a vida com uma visão mais realista e foi o que eu fiz.

— Eu devia saber que ia levar esse conselho ao pé da letra. — disse Damian com um sorrisinho de canto reprovando a postura do amigo.

Uma garotinha que possuía um dos bichos de pelúcia rosados passava pelos Rangers, chamando a atenção de Jessie imediatamente.

— Oh, que lindo esses bonequinhos de pelúcia. — disse a Ranger Amarela, fascinada — Vocês sentiram? Tem um cheirinho que lembra morango.

— Eu não senti nada. — disse Zoe — Mas também achei esse bichinho bem bonitinho. Um monte de meninas mais novas tem um.

— Parece que é a mais nova febre consumista de final de ano. — destacou Damian olhando algumas meninas apreciarem seus bichos — Bem, galera, o lanche no Earl hoje é por minha conta, apesar de não levar a medalha de ouro.

— Damian, vai sair com seus amigos levando o Ragnar? — indagou o pai.

— O Earl aceita animais na cantina dele? — perguntou a mãe.

— Ele já até montou um hotel pra cães de rua lá dentro, só que um abrigo de animais recolheu todos e o intimou a não executar essa medida. Mas sim, ele permite clientes levarem pets.

— Queremos você em casa as cinco. Divirtam-se, crianças. — disse o pai, simpático aos Rangers e acenando.

Ragnar latia demasiadamente quando meninas carregando o bicho de pelúcia como bebês passavam por eles.

— Calma, Ragnar! Você nunca latiu tanto assim, amigão! O que é que há? — dizia Damian tentando apazigua-lo.

— Vai ver aquele pitbull feioso do Brock infectou ele com raiva só com um olhar. — disse Tim.

— Diferente dele, o Ragnar é bem vacinado. — respondeu Damian — Mas sabem que eu não duvidaria disso ser possível, pelo que eu vi.

A turma fora andando as risadas rumo ao Earl. Paralelamente, Lokknon celebrava um bem-sucesso teste que serviu como pontapé inicial de sua artimanha nefasta da vez.

— A primeira explosão de muitas que virão! — disse o imperador sentado em seu trono assistindo pelo visualizador o quarto de Julie explodir — Haha, esse plano em pleno curso será completamente à prova de interferências dos Power Pirralhos!

— Olha só, mestre! Mudok e eu trouxemos mais, muito mais! — disse Aracna vindo acompanhada do androide com caixas de plástico contendo pilhas daqueles bichos — Acho que esses daqui são filhotes. Oh, bebezinho da titia Aracna.

Mudou dera um tapa na mão da princesa aracnídea que acariciava um dos bichos.

— Au, o que foi? É só um carinho, nada demais!

— Não se pode trata-los com tanto amor, sua idiota. Quer que a nave do mestre se espalhe em pedaços pelo espaço?

— Tá legal, vou deixa-los bem aqui. — disse Aracna colocando a caixa sobre a grande almofada relaxante — Nem vou mais me aproximar deles.

— Eu acho bom que nenhum de vocês cometa a tolice de se induzir com o efeito dessa criatura na mente de alguém. — disse Lokknon — A propósito, Aracna, é incompreensível que tenha se afeiçoado a eles. Não disse que rosa é a cor que você mais detesta?

— E eu não retiro o que eu disse, mestre. Mas é que eles... — disse Aracna os olhando com emoção reprimida — ... eles... são tão... Deve ser minha feminilidade sendo afetada, melhor eu me afastar antes que eu me torne uma boba alegre de coração mole que adora coisas fofas e peludas, o que não sou e nunca fui. Tá, quase nunca.

— Quanto a mim, se despreocupe, mestre. — asseverou Mudok — Esses Flufferchs não tem poder algum sobre máquinas inteligentes e aperfeiçoadas como eu.

— Então você é tipo uma geladeira que criou pernas e braços? — questionou Aracna o deixando enfezado e pronto parar uma troca de insultos. Mas Barooma chamou a atenção de Lokknon.

— Mestre, a adesão das meninas de 7 a 9 anos da Alameda dos Anjos pelos Flufferchs acabou de corresponder a 10% da população!

— Virou uma sensação infantil digna dessa época de festas terráqueas cafonas. — comentou Aracna.

— Podemos acelerar a expansão do plano para que a cidade seja inteiramente tomada nesse mesmo dia. — reforçou Lokknon — Barooma, me dê um monstro que tenha propriedades de um Flufferch em seu código genético!

— O boneco já foi posto no bio-modelador e as informações genéticas do Flufferch acabaram de serem transferidas para assimilação! — disse Barooma que se dirigiu até a cabine. Baixou a alavanca — Que venha com muita saúde!

A máquina piscava as luzes feito relâmpagos tempestuosos em conformidade ao vapor branco que se alastrava pela sala. A criatura forjada saíra tão logo a porta abriu-se.

— Saudações, mestre Lokknon! O serviço que me oferecer eu o farei de todo bom grado! Assustar umas criancinhas incautas?

— Passou perto, mas antes de matar todos de sustos você tem uma pequena missão a cumprir. — disse Aracna que apontara para as caixas com os Flufferchs.

Mudok pegara uma delas e entregou ao monstro.

— Aqui está, você deverá ir à Terra distribuí-los a crianças que se aproximarem.

— Mas são versões menores de mim... Parecem tão deliciosos que eu não resisto... — disse o monstro pegando um e ameaçando devora-lo.

— Espere, não pode se alimentar deles! Investi muito tempo em coleta-los em planetas próximos. — disse Mudok o impedindo.

— Ele possui um apetite canibal por seres da própria espécie. — afirmou Lokknon — Por acaso isso é considerado um instinto natural, Barooma?

— Pelas minhas pesquisas, mestre, os Flufferchs tendem a incluir seus pares biológicos na dieta quando se aproximam da fase de crescimento após várias explosões! É esta forma que eles adquirem no período, mas ainda são influídos por expressões de afeto!

— Muito bem, agora vá a Alameda dos Anjos com um bom disfarce. — ordenou Lokknon.

— Como este? — perguntou o monstro, logo transformando-se num homem vestindo avental azul sobre camisa branca.

— Nada mal. Atraia o maior números de crianças que puder! — disse o imperador, excitado com o ardil.

— Isso mesmo, Fuzzyon. — disse Aracna — Bom nome, não acha?

— Eu adorei. — disse ele olhando para os adoráveis Flufferchs passando a língua entre os lábios e rindo de empolgação.

***

Os Rangers caminhavam pela calçada já a poucos metros da Cantina do Earl quando avistaram uma multidão de meninas alvoroçadas correndo até um vendedor que distribuía os Flufferchs gratuitamente.

— Aproveitem a promoção exclusiva, crianças! Leve dois, pague zero! — dizia ele com entusiasmo para as garotinhas que o cercavam, entregando vários exemplares da criaturinha felpuda. Ao ouvir aquilo, Jessie não titubeou.

— Pessoal, vocês podem entrar sem mim, eu vou ali pegar um daqueles bichos de pelúcia fofinhos.

— Você gostou mesmo desses monstrinhos com cheiro de morango hein. — disse Tim — Ah, garotas... Se encantam pelo primeiro bichinho com carinha de cachorro sem dono que aparece.

— Eu achei tão lindo, queria adicionar na minha coleção de pelúcias. — declarou a Ranger Amarela olhando as crianças radiantes virem com os Flufferchs em mãos — Eu sei que já passei um pouco da idade de ter esses brinquedos, mas sou uma colecionadora e como tal não vou perder a oportunidade, ainda mais sendo de graça.

— Ele disse "leve dois, pague zero". — disse Zoe — Podia trazer um pra mim também, né?

— Eu sabia que você tinha um fraco por bichinhos fofos assim como eu. Pode deixar, eu trago sim. — disse Jessie indo até o homem.

— A gente te espera aqui! — disse Austin — Nossa, tá virando a maior mania. Mas como não vi em nenhuma loja?

— Ou um comercial na TV já que aparentemente é tão famoso. — disse Damian. Ragnar latia incessantemente para as menininhas e seus Flufferchs — Ragnar, para com isso! Parece até que quer atacar sem motivo, você não é disso! Calma, amigão! — afagava o pelo acinzentado dele para tranquiliza-lo, segurando firme a coleira — Ele não se comporta assim tão agitado, a menos que detecte um perigo.

— Deve ser apenas estresse, você devia levar ele pra casa. — recomendou Zoe.

Jessie voltava com seu Flufferch, acariciando o bichinho que respondia com risadinhas engraçadas.

— Ué, não ia trazer um pra mim? — indagou a Ranger Rosa.

— Acabou tudo, fui a última cliente dele. Esse foi o único que sobrou. Olha, como ele é uma gracinha. Né, fofuchinho? — disse Jessie que fazia cócegas o deixando mais alegre.

— Caramba, vendeu mais que água na feira. — disse Tim.

— Se é tão vendável, por que distribuir de graça? — questionou Damian.

— Se liga, parceiro. O natal tá chegando, daí as pessoas ficam mais de boa nessa época. — disse o Ranger Azul.

Ragnar tornou a latir com menção de avançar em Jessie. Damian o puxou pela coleira.

— Ragnar, já chega, você tá dando trabalho!

— O que ele tem? Parecia que quis me atacar. — notara Jessie agarrando o Flufferch.

— Desde que ele viu esses bichinhos, o instinto primitivo dele foi desbloqueado. — falou o Ranger Preto — Mas logo ele relaxa, talvez seja uma crise de estresse mesmo.

Na cantina, Jessie paparicava o Flufferch a todo instante, ignorando até mesmo o xisburguer.

— Ahn, ninguém vai falar nada? — indagou Tim para Zoe em voz baixa.

— Falar o quê? Ela adorou essa coisinha que parece um alienígena, não vou magoa-la.

— O que estão cochichando? — indagou Jessie.

— Não é nada, é bobagem. — disfarçou Zoe com um sorriso forçado.

— Fofoca idiota. — falou Tim.

— Hum, a fofoca pode ser o que for que eu não resisto em querer saber. Vai, me contem.

— Jessie, você mal tocou no X-Burguer Triplo do Earl. — disse Austin saboreando a iguaria — É seu prato favorito do cardápio.

— Ah é, eu... Fiquei tão entretida com ele aqui que quase esqueci. — disse ela achando cômico. Tirara um pedacinho do pão e dera para o Flufferch que parecia mastigar — Gostou, foi?

— Jessie, que fixação é essa por esse bicho? — indagou Zoe.

— É só um brinquedo e de repente você passou a trata-lo como um bicho de estimação. — reforçou Austin.

— Ou como um bebê. — adicionou Tim, estranhando.

— Acontece que ele é tão realista que toca meu coração com esses movimentos que ele faz. O meu lado sentimental se derrete todinho.

— Dá pra ver que ele é bem avançado e realista pra um brinquedo de graça. — disse Austin.

— Realista até demais. — desconfiava Damian servido de uma porção de batatas fritas.

A voz de Earl falando ao celular em tom de urgência atraiu rapidamente a atenção deles.

— Sua mãe e seu pai saíram? — perguntava ele — Mas tá tudo bem com você mesmo? Não se feriu nem nada? Chamou os bombeiros?

— Gente, será que aconteceu alguma coisa com um parente do Earl? — questionou Zoe.

— Seria bom ir lá e perguntarmos. Vai que ele precisa do nosso apoio se tiver sido algo grave. — disse Austin, levantando — Vamos.

— Nossa, mas você tá quente, viu? — disse Jessie ao levantar — Serão as baterias?

— Vem, larga desse esquisitinho um minuto. — pressionou Zoe a puxando pelo braço.

Os cinco se dirigiram ao balcão, curiosos quanto ao ocorrido emergencial.

— Aí, o que tá pegando, Earl? — indagou Tim.

— Algum acidente ou coisa parecida aconteceu com alguém da sua família? — perguntou Zoe.

— Ouvimos você dizer Julie. — disse Jessie — É o nome da sua sobrinha, né?

— Sim, teve uma explosão no quarto dela. Os vizinhos estão achando que foi vazamento de gás. — disse Earl tirando o avental e pondo sobre o balcão — Ela me pediu pra ir lá, minha irmã e meu cunhado saíram pra fazer compras. Quer que eu a ajude a procurar o bichinho de pelúcia dela, ver se ele saiu inteiro. — deu a volta estando de saída.

— Bichinho de pelúcia? Como ele é? — perguntou Austin.

— Acho que é igualzinho àquele ali na mesa de vocês, a criançada tá fissurada nele. Galerinha, eu já volto. — disse o cozinheiro pondo uma placa numa coluna avisando que o atendente se ausentou temporariamente e saíra as pressas.

Ragnar, que estava na área reservada a pets com brinquedos de borracha e petiscos, voltara a latir ferozmente contra o Flufferch que vibrava e superaquecia na mesa.

— O Ragnar tá dando piti outra vez. — disse Tim.

— Chega, vou deixar ele em casa. — decidiu Damian.

— Espero que a sobrinha do Earl esteja bem. — disse Jessie — Vou voltar pro meu fofucho, ele tá se sentindo sozinho sem ficar meu colo.

O Flufferch alcançou o limite de temperatura, logo explodindo tremendamente, chegando a assustar Ragnar. Todos em volta entraram em pânico, alguns se abaixando e outros correndo. Os Rangers encaravam retraídos e meio abaixados a mesa se incendiar.

— Caraca, que mega-susto! — alardeou Tim, a expressão de pavor e surpresa — Tinha uma bomba dentro do seu alien felpudo, Jessie!

— O Earl vai ter um ataque de nervos quando chegar! — disse Zoe.

— Pessoal, olhem! — disse Austin vendo o Flufferch caído próximo da mesa e apanhou-o — Como isso é possível?

— Pois é, a mesa vira churrasquinho e ele sai sem nenhuma queimadurazinha?! — falara Tim.

— O Earl falou que o bicho de pelúcia da sobrinha dele é igual aos que vem sendo entregues de graça. — disse Jessie ligando os pontos junto aos amigos.

— E houve uma explosão no quarto dela... — disse Zoe, a desconfiança crescente.

— Além de que brinquedos com esse tipo de interatividade não seriam simplesmente distribuídos nas ruas. Estariam nas lojas a preços bem salgados, especialmente nesse período de festas. — disse Damian.

— Ao que parece, o Lokknon tá aprontando mais uma das dele. — teorizou Austin — Toma, Jessie. Vamos leva-lo pro Sr. Dickerson analisar.

— Mas me esperem voltar após levar o Ragnar pra casa. — salientou Damian indo até o cão.

— Beleza. Tim me ajuda a tirar o extintor. — disse Austin recebendo auxilio do Ranger Azul para remover o cilindro vermelho da coluna.

Mabel retornava para casa trazendo um exemplar de Flufferch. Zack desgrudou os olhos da TV para espezinhar a irmã.

— Ei, também posso brincar com ele? Ouvi dizer que ele até fala o nome da pessoa!

— Você quer? Compra o seu! — retrucou Mabel que saiu saltitando para o quarto.

— Mãe, pai, a Mabel tá sendo malvada comigo de novo! — gritou Zack correndo pela sala.

— Mas que birra é essa, Zack? — indagou Damian ao entrar soltando Ragnar da corrente.

— A Mabel não me deixou brincar com o bicho de pelúcia que tá dando o que falar na cidade! Eu odeio ela!

— Essa não... — disse o Ranger Preto, a tensão lhe tomando. Foi até o quarto da irmã entrando com invasão — Mabel, larga isso daí, não é um brinquedo qualquer. Aliás, nem brinquedo é.

— Não te disseram que é falta de educação entrar sem bater? Por que quer meu boneco? Se é pra deixar o Zack brincar...

— Olha, você tem que me dar ele pra jogar fora, é perigoso.

— Perigoso nada! Que mal um bichinho tão fofo como esse faria?

— Melhor acreditar em mim, Mabel. Tem uma bomba dentro dele que pode explodir a qualquer instante, não é seguro pra crianças. Muitas meninas como você correm perigo agora.

— Não sou mais criança pra ficar tomando cuidado com brinquedos!

— Mas acabei de falar que não é um brinquedo, me dá isso! — disse Damian querendo arranca-lo da irmã que gritou estridente o fazendo recuar e tapar os ouvidos.

— Socorro, mamãe! O Damian quer destruir meu boneco novo! — berrava ela saindo correndo do quarto. O comunicador de Damian tocara e ele prontamente atendeu.

— Damian na escuta.

— Já estamos aqui na Central de Comando só te esperando. O Sr. Dickerson tá examinando o monstrinho-bomba, vem logo! — dizia Tim.

— Tô a caminho. — afirmou Damian, logo apertando o botão de teleporte. O Ranger Preto chegara como um pilar de luz negra — Uma má notícia: minha irmã menor é a nova vítima.

— O quê? Ela se feriu numa explosão? — indagou Austin.

— Não, tá tudo bem, por ora. Tentei convence-la a me entregar, mas... bem, sabem como são os irmãos mais novos, né?

— Eu saberia se tivesse um. — disse Jessie — Tô brincando, a gente entendeu.

— Era pra ter sido mais malandro com ela e oferecer algo em troca. — sugeriu Tim.

— Acredite, ela não cai nesse truque obsoleto.

— O pior é que não sabemos exatamente quando a explosão vai acontecer. — disse Zoe.

— E a situação se agrava conforme mais crianças recebem esses bichos. — disse Karen olhando pelo monitor — Pelo sinal de anomalia, mais da metade da população de meninas de 8 a 12 anos da Alameda dos Anjos aderiu à onda.

— Rangers, hoje vocês farão o trabalho inverso do Papai Noel. — disse Dickerson usando uma máscara protetora que cobria do nariz ao queixo, voltando do laboratório com o Flufferch.

— E aí, Sr. Dickerson, o que descobriu dessa coisa? — quis saber Austin.

— Essa criaturinha aparentemente inofensiva é um ser alienígena da raça dos Flufferch. — disse o explorador colocando-o na mesa. Removeu sua máscara para sua voz sair menos abafada — Estão catalogados no banco de dados da Intercorp com todas as informações disponíveis. O resultado da análise de DNA sai em alguns minutos.

— Mas por que explodem e ainda sobrevivem? — perguntou Jessie.

— Explodem por conta de um motivo bem inusitado: eles não aguentam receber tanto carinho e afeto. Uma reação natural deles. A cada demonstração de amor do seu dono, a temperatura corporal deles se excede ao limite. Agora, porque sobrevivem... isso já é um mistério até pra ciência intergalática.

— Achei que já tivessem sido extintos, são considerados pragas em muitos planetas da Via Láctea. — informou Karen.

— Esses olhinhos de carência são irresistíveis. — disse Jessie querendo se aproximar, mas foi parada por Zoe.

— Não é a aparência, mas o aroma agradável que liberam de suas antenas e induzem a vítima a mima-los com todo o carinho que precisam para se autodestruírem. — explicou Dickerson.

O Flufflerch sinalizava uma nova explosão, gerando apreensão nos Rangers.

— Eita, ele tá vibrando que nem um despertador! — disse Tim.

— E esquentando! Vai explodir! — disse Austin.

— Deixem comigo. — disse Karen apertando algumas teclas do painel de controle do computador. O Flufferch desapareceu dali — O teletransportei pra uma área desabitada.

— Essa foi por pouco. Mais uns segundos e seria o maior estrago. — disse Austin.

— Rangers, recolham cada Flufferch adquirido nas casas, agindo furtivamente. — orientou Dickerson.

— Ah, foi isso que quis dizer com trabalho inverso do Papai Noel. — disse Tim — Mas vai ser tipo lance de agente secreto, gostei.

— Será que conseguimos a tempo de nenhuma explosão ocorrer? — questionou Damian — Minha irmã, Mabel, também obteve um deles.

— Considerando que grande parte foi distribuída ao mesmo tempo, suponho que explodirão em períodos aproximados. — analisou Karen.

— Quanto antes evitarmos um desastre maior, melhor. Vamos lá, galera. — disse Austin pegando sua célula e morfador junto aos demais — Prontos? É hora de morfar!

— Touro Ônix!

— Tubarão Cobalto!

— Arraia Rósea!

— Águia Flavescente!

— Leão Escarlate!

Tinha-se início uma maratona desenfreada para coletar cada Flufferch adquirido nas residências usando o teleporte como vantagem. Os Rangers adentravam se esgueirando para surrupiar os monstrinhos explosivos de onde as crianças os deixaram enquanto se distraíam seja com a TV, com o dever de casa, o banho, alguma visita etc. Ao longo da missão secreta, a dificuldade mais significativa foi vivenciada por Damian que se teletransportou ao quintal de sua casa escondendo-se atrás da churrasqueira.

— Como você tá quente, Biffa. Será que você precisa de um marido na cor azul pra te fazer companhia? — indagava Mabel que pensou um pouco enquanto o Flufferch tomava banho de sol recriando numa cadeira de praia de brinquedo — Não sei se vendem desse tipo, mas se eu conseguir outro igual a você, só pintar de azul. Mas por que essa febre? Será que adoeceu nesse sol? Mas nem está tão calor hoje.

O Flufferch iniciou a vibração a medida que sua quentura aumentava.

— Oh não, você tá tendo um daqueles ataques! Socorro, mamãe, papai, a Biffa tá doente! — disse ela alarmada, levantando. Damian saíra do esconderijo para agir saltando para pega-la.

— Você tem que se afastar, é perigoso! — disse o Ranger Preto a levando para longe.

— O Power Ranger Preto aqui em casa?! Eu não posso deixar a Biffa sozinha, ela precisa de cuidados!

— Acredite em mim, não estaria melhor do que esse bichinho se continuasse perto dele! Vem, se abaixa e tapa os ouvidos! — disse Damian, logo fazendo-a se encolher com a cabeça votada ao chão cobrindo os ouvidos.

O Flufferch atingiu o pico de temperatura vibrando intensamente e explodira, a nuvem de fogo se elevando. Mabel olhou para trás e se afligiu com o fogo ao redor do Flufferch.

— Biffa, não! Será que se machucou?

— Espere aqui, eu resolvo isso. — disse Damian que fora apanhar a criaturinha. Sacou a pistola Z e pusera um cartucho distinto no carregador. Atirou nas labaredas um jato d'água com fumaça como um mini-extintor de incêndio — Prontinho, o perigo foi eliminado.

— Agora me devolve a Biffa! Por que isso aconteceu com ela?

— Porque não se trata de um brinquedo, mas de um ser alienígena que explode de tanto carinho recebido. Viu como explodiu forte? Podia ter se ferido gravemente. Estou o confiscando pro seu próprio bem. Meus amigos estão fazendo o mesmo em todos os lares que possuem um.

— Então... o meu irmão Damian tava certo. — disse Mabel sentindo-se culpada — Ele me avisou que era perigoso e não um brinquedo. Quando ele voltar, vou pedir desculpas.

— Nunca duvide de quem preza por proteger você. De agora em diante, prometa que irá escuta-lo sempre que lhe alertar.

Mabel deixou um sorriso esperançoso formar-se.

— Prometo! Obrigada por me salvar, Ranger Preto! — o abraçou forte.

— De nada. — disse Damian timidamente dando batidinhas nas costas dela.

Ao constatar a ação de recolhimento dos Flufferchs executax pelos Rangers, Lokknon rangia os dentes de pura cólera.

— Como esperado desses fedelhos, anulando o avanço do meu plano genial de transformar essa cidade num festival de explosões!

— Acho que chamar esse plano de infalível antes da hora foi precipitado, mestre. — disse Mudok.

— Você acha que eu não me arrependo disso? Fuzzyon terá a carta branca para agir agora!

O monstro disfarçado de vendedor passeava pela cidade quando de repente foi abordado por uma projeção holográfica de Lokknon — visível do tronco a cabeça.

— Mestre Lokknon, como o senhor ficou tão enorme? E desde quando brilha em azul?

— Palerma, isto é um holograma! O comunico para que comece a espalhar terror pela cidade e atraia os Rangers!

— Achei que nunca diria! Hahaha... — disse Fuzzyon que se desfez da pele humana falsa voltando a sua forma original.

— Cause a maior destruição possível para que os impeçam de seguir removendo os Flufferchs de cada residência! Faça isso já! — ordenou o imperador, logo desligando a projeção.

Fuzzyon disparava raios rosados da ponta peluda de sua antena em pontos aleatórios causando explosões de faíscas que aterrorizavam os cidadãos.

— Corram, seus insetos, corram e gritem mais alto até que os Power Rangers ouçam e venham salvar suas vidinhas! — disse ele derrubando uma picape e lançando mais um raio da antena que manteve disparando da direita para a esquerda. Os Rangers empilharam os Flufferchs dentro de um tonel de aço estando no terraço de um prédio de 10 andares.

— Esse é o último! — disse Zoe retornando e jogando-o dentro — Ótimo, estão todos aqui!

— Contabilizados 38, o número total distribuído tanto na rua quanto nas casas. — disse Damian.

— Mas que fim daremos a eles? — indagou Jessie.

— Sei lá, que tal jogar num vulcão? — sugeriu Tim — Lá não vai ter ninguém pra cair de amores por esses olhinhos tão inocentes...

O comunicador tocara sendo Dickerson em contato.

— Na escuta. — disse Austin.

— Vejo que coletaram todos os exemplares antes das explosões simultâneas, parabéns Rangers. Agora voltem as atenções pra cidade, o monstro chamado Fuzzyon está atacando.

— Estamos a caminho. — falou o líder — Vamos lá, Rangers!

Os cinco teleportaram-se ao local de ataque de Fuzzyon o interceptando com tiros de laser.

— Sua festinha destruidora já era! — falou Austin.

— Demos um jeito nos seus filhotes! — disse Zoe.

— Esse papai Flufferch não cheira a morango, que pena. — disse Jessie.

— Vai ficar com cheiro de queimado, isso sim! — garantiu Tim.

— Ele não tá mostrando ofensiva. Rangers, atacar! — bradou Austin. Os heróis avançaram desferindo chutes e golpes de artes marciais que Fuzzyon tomava facilmente, seja pela frente ou por trás, tendo dificuldade em revidar.

Tim e Damian juntaram as mãos para dar um forte impulso a Austin que saltou aplicando um chute duplo direto no rosto de Fuzzyon, o derrubando por uns metros.

— Ele não mostra nenhuma técnica de defesa ou ataque eficiente. — avaliou Austin.

— Ou seja, nem vale a pena lutar contra um monstro tão fraquinho. — disse Jessie.

Porém, Barooma surgia sobre um prédio próximo dali com o tonel de aço.

— Saudações, Bobo Rangers!

— Barooma! Larga isso, não vamos deixar que coloque essas bombas perto das crianças de novo! — advertiu Austin.

— Me ocorreu uma estratégia mais prática! — disse o cientista que usara seu cajado para enviar os Flufferchs recolhidos para Fuzzyon. Os raios mandavam-os diretamente à boca do monstro que devorava incessantemente.

— Boa hora pra um lanchinho!

— Ele tá comendo os bichinhos! — se espantou Jessie — Tadinhos!

Após a refeição ser concluída, Fuzzyon sentira um aumento de força considerável.

— Agora vejam o quanto ele é fraco, Rangers! — disse Barooma que logo teleportou-se.

Fuzzyon girou no próprio eixo feito um tornado lançando bolas de pelo que explodiram tremendamente atrás dos Rangers os tirando do chão. Logo, o monstro veio correndo enquanto os heróis reerguiam-se e os derrubava com força bruta. Austin defendeu-se de um golpe com as duas mãos, o chutando, mas sem aplicar dano sintomático. Fuzzyon o pegou agarrando a fim de esmaga-lo e o levantou.

— Antes de saber que gosto você tem, quero ouvir o som dos seus ossos quebrando!

— Mas que... força tremenda... Não consigo mover um músculo! — disse Austin sofrendo.

— Pessoal, depressa! — alertou Jessie sacando sua pistola Z. Os demais também o fizeram, logo os cinco atirando em simultâneo em cerco a Fuzzyon que recebeu os tiros atordoando-se com as explosões de faíscas. Austin sentia o agarro afrouxar, sentindo poder liberar a mão para sacar sua pistola, assim disparando a queima-roupa bem na face de Fuzzyon que recuou queixando-se de dor e libertando-o.

— Austin, como se sente? — indagou Zoe vindo junto aos outros.

— Livre, leve e solto, haha. Por um momento pensei mesmo que ele tivesse força suficiente pra esmagar meus ossos. Ele ficou realmente bem mais forte depois de se alimentar dos Flufferchs.

— Talvez inicialmente ele tivesse herdado a natureza frágil dos Flufferchs que não o preparou para combate, isso especulando que ele seja uma experiência genética. — disse Damian.

— Não vão pensando que me asustaram! — disse Fuzzyon — Ainda tenho mais se quiserem.

— Não, obrigado, estamos satisfeitos. Combinar armas! — bradou Austin. As armas foram invocadas e prontamente conectadas umas às outra, fundindo-se e formando o Abatedor Selvagem — Preparar, apontar... Disparar!

O canhão duplo liberou as rajadas laranjas de laser contra Fuzzyon que caiu e explodira fatalmente. Porém, o monstro retornava irrompendo da fumaça como se nada tivesse acontecido e girando como um pião lançando mais bolas de pelo rosa explosivas que antigiram os Rangers os jogando longe.

— Estão todos bem? — perguntou Austin.

— Minhas costas doem, mas... Eu tô de boa, não vou deitar pra esse Pé-Grande cor-de-rosa nem a pau! — respondeu Tim levantando após bater num carro.

— Mas o que houve pro tiro falhar? — questionou Zoe ajudando Jessie.

Dickerson trouxe a resposta pelo comunicador.

— Se ele herdou os atributos físicos do Flufferch, é natural que também possua a habilidade de sobreviver à explosões.

— A menos que sua antena seja arrancada. — informou Karen vidrada no monitor.

— O quê? A antena? — perguntou Jessie.

— Rangers, a Karen pesquisou a fundo no banco de dados da Intercorp. Os Flufferchs têm um ponto fraco, no caso a antena pela qual liberam o aroma doce. Sem ela, Fuzzyon não sobreviverá ao próximo tiro.

— Ele tá vindo pro próximo round. O que faremos? Aliás, como faremos? — perguntou Damian.

— Peraí, eu sei como. — disse Jessie — Zoe, vem aqui. — puxou a Ranger Rosa para cochichar algo.

— Segredinho de menina a essa hora?! A gente também quer saber! — disse Tim.

— Saberão agora. — disse Zoe fazendo sinal de OK — Vem, Jessie.

Ambas foram aproximando-se devagar de Fuzzyon em posturas pacíficas e amorosas.

— Oh, quem é o monstrinho mais fofo do universo hein? — dizia Jessie.

— Fuzzyon, você só precisa de um pouco de amor pra se sentir bem. — falava Zoe abrindo os braços — Quer um abraço pra toda essa raiva passar?

— Parem com isso... Estão me deixando com vergonha! — disse Fuzzyon querendo cobrir o rosto. A dupla chegara perto do monstro afagando seu pelo rosado — Que mãos delicadas.

— A gente te faz massagem. — disse Jessie atrás dele — Tudo bem pra você?

— Eu adoraria! Amarela, você coça as minhas costas! E você, Rosa, massageie meus pés!

— Com prazer, fofura. — disse Zoe pegando o pé esquerdo de Fuzzyon — Acho que precisa de uma pedicure.

— Vocês são umas gracinhas, como eu amo ser amado! — disse Fuzzyon em êxtase.

— Que raio de plano é esse? — indagou Tim, confuso.

— Fica de olho, ele tá caindo direitinho. — disse Austin, otimista.

Jessie subia nas costas de Fuzzyon e alcançou o topo da cabeça, esticando a mão direita para pegar a antena.

— Por que parou de coçar?

— Ah, desculpa! — disse Jessie tornando a coçar o pelo denso — Droga... — falou baixinho. "Que se dane, eu tenho que agir rápido!", pensou.

Jessie subirá novamente, pegando a antena e a puxando com força, logo arrancando-a.

— Peguei! Vamos, Zoe! — ambas saltaram.

— O quê?! Minha antena! Onde foi parar?

— Isso aqui? Desculpa, já era! — disse Jessie voltando aos garotos com Zoe.

— Mandaram ver vocês duas! — elogiou Tim entre elas abraçando.

— Suas pentelhas, me enganaram! Ah, minha anteninha se foi!

— Agora, pessoal! Combinar armas! — disse Austin. O Abatedor Selvagem fora novamente formado e apontado para Fuzzyon que lamentava sua perda — Disparar!

O laser duplo saíra, atingindo-o com impacto. Fuzzyon cambaleou envolto de raios, caindo e explodindo.

Lokknon excepcionalmente não surtara de ódio pela derrota. Em vez disso, pegara um Flufferch com as duas mãos de maneira calma.

— Você é a única coisa capaz de refrear minha dor de cabeça depois desse fracasso odioso.

A criaturinha deu sua risadinha liberando seu aroma rosa e adocicado ao rosto de Lokknon. O imperador começava a acariciar e afagar o bichinho animadamente.

— Mas que ser inferior mais adorável! Hahahaha!

— Mestre, tem certeza de que não precisa do seu remédio? — indagou Mudok.

— Estou me sentindo revigorado ouvindo o som desse pequeno ser, não me perturbe! — retrucou com um sorriso largo.

— Ah, não! — disse Aracna notando que o Flufferch esquentava e vibrava — Mestre, pare, vai fazer esse nojentinho explodir aqui dentro!

— Teremos que arrancar dele! — disse Barooma.

Os três vieram alvoroçados até o imperador pedindo que parasse, mas era tardio. O Flufferch causou uma explosão tamanha que estendeu-se para o lado de fora na parte de cima.

***

O colégio inteiro foi tomado pelo burburinho acerca dos bichinhos explosivos na manhã seguinte, sendo o tópico de maior discussão no corredor principal. Brock e Stuart saíam do banheiro escondidos olhando para os armários do 6⁰ano-A. Foram diretamente à um em particular.

— Você lembra da senha que botamos outro dia, né, Brock?

— E eu lá sou esquecido que nem você, Stuart. Você não lembra nem do que comeu no café da manhã hoje. — disse Brock girando o botão é abrindo a porta — Hehe, o nerdzinho vai ter um piripaque quando ver... Ué, que negócio é esse?

Tirou uma caixa embrulhada de presente. Brock balançou-a perto do ouvido.

— Será que é comida? É pesadinho.

— E se for uma daquelas tortas de natal? Abre logo isso aí, Brock! — disse Stuart, animado.

O valentão gorducho abrira o pacote rapidamente. Entretanto, a excitação da dupla se converteu em mais puro assombro.

— Ai caramba, ma-mas... Mas é aquele bicho-bomba! — disse Brock.

— Larga essa coisa, Brock, vamo cair fora!

A dupla correra de medo passando pelos alunos de modo desajeitado. Alguns estudantes próximos reagiram com temor. Mas antes que um escândalo fosse gerado, Damian saiu de onde havia se escondido, perto dos lances de escada, os Rangers o seguindo.

— Todos, por favor, acalmem-se! — disse ele pegando o Flufferch — Isto é uma versão totalmente inanimada, ou seja, um legítimo brinquedo, fiquem tranquilos.

Os alunos davam suspiros aliviados com o engano após um pânico geral quase se instaurar.

— E essa foi mais uma ideia genial do nosso cérebro de aço, Damian Parker! — disse Austin tocando o amigo no ombro — Arrasou com esses otários.

— Quero ver terem coragem de mudar outra vez a senha do seu armário depois desse baita susto. — disse Zoe.

— Eu duvido eles chegarem perto! — adicionou Tim — Fugiram que nem galinhas.

— A ideia foi minha, mas divido o crédito com a Karen, ela quem deu forma a esse Flufferch de pelúcia fidedigno ao original. — lembrou Damian ao que os amigos concordavam.

— Legal a ideia, mas é que... — opinou Jessie meio incerta do que diria, olhando hesitante para o brinquedo — No lugar deles, eu também morreria de medo. Sério, fiquei com trauma.

— Ah, que chato, Jessie, logo quando eu considerava te da-lo de presente. — disse Damian aproximando-se dela.

— Damian, não chega perto de mim com essa coisinha, meu encanto por ele acabou. Foi aquele aroma, me deixou iludida.

— Não, vai, aceita, a Karen fez com tanta dedicação. — insistiu ele.

— Pega ela! — atiçou Tim. Jessie fora andando depressa em fuga com Damian a seguindo na insistência de fazê-la aderir ao Flufferch novamente. Tudo culminou numa perseguição frenética pelo corredor garantindo boas risadas de Austin, Zoe e Tim, divertindo-se a valer.

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