Povoando Suas Páginas
9 Capítulo 8 - Embriaguices
Notas iniciais
Arthur PDV
Olha, que coisa! Eu, Arthur Dobrev, fui parar no mesmo quarto que uma fã lunática. Discuto com ela, agrido e no final bebo com ela. Os subconscientes estão cada vez mais controversos e filhos da puta, não é? Mas que pesadelo horrível... Esse sonho ruim, foi, em sua integridade, arquitetado pelo demônio. Bem, mas o que eu tinha feito de bom para ele me punir assim? Talvez eu deveria ter demitido aquele segurança, tacado fogo na minha secretária ou atropelado alguma velhinha. Mas eu jamais me submeteria a dividir um quarto com uma fã.
Ela me irritou a ponto de disseminar sua irritação mesmo ausente ou o meu empresário me drogou, e tive visões a longo prazo? Eu não lembrava.
Me assustei com o grito agudo que estupraram os meus tímpanos. Eu reclamava do telefone, mas aquilo era mil vezes pior. Esse som pedófilo merecia prisão perpétua. Amaldiçoei a autora da voz em automático. Tentei abrir os olhos, e senti o esmagamento dos efeitos da ressaca. Essa era a única parte ruim em beber. Coloquei a mão nos ouvidos, desejando que aquele barulho parasse. Alguém tira essa Murta-que-geme do meu quarto? Como o grito não parava, meu corpo ignorou a ressaca, e se predispôs à combater aquela poluição sonora.
–Cala a boca, inferno! – foi tudo o que consegui dizer. O barulho parou, mas a respiração forte ainda continuava. Barulhos de respirações eram irritantes.
Abri os olhos, num rompante, me virando à procura da emissora do som. A visão estava um pouco embaçada, o que fazia sentido, já que eu estava tonto. Quando foquei a minha visão, com muito esforço, me esquivei para ponta da cama, encarando a figura que estava próxima à outra ponta, de pé. Eu não costumava criticar as minhas atitudes, mas com que porra eu estava na cabeça para me submeter à isso?
–Maldição. É real. – eu disse, ainda um pouco assustado, encarando o inferno em um só ser.
Ela estava com o cabelo bagunçado, enrolada grosseiramente com apenas um pedaço do lençol de casal, porque eu estava encima do resto. Começou a puxar, enquanto me encarava assustada, como se quisesse esconder suas vergonhas. Aquele lençol era meu, eu que pagaria por ele, como tudo nesse quarto. Tentei puxá-lo, para me cobrir, e tentar voltar a dormir, já que o barulho havia parado, e eu só queria estar lúcido quando ela fosse embora. Mas ela o puxou de volta, desesperada. Eu, hein. Insisti mais um pouco, observando-a ficar vermelha de tanto puxar. Bufei, revirando os olhos, e larguei o lençol. Assisti, entretido, a pirralha cair de bunda no chão num baque surdo. O típico clichê desastrado.
–Eu não acredito que fez isso comigo! – ela colocou as palmas das mãos no rosto, ainda no chão, e eu dei um largo sorriso.
–Você me assusta com essa voz histérica, me incomoda, rouba o lençol de mim. Está no maldito quarto que era pra ser só meu, à essa hora da manhã, e ainda me questiona por que foi lerda para cair tão fácil? – ironizei, o máximo que pude. O relógio dourado marcava 10:13.
–Não estou falando de ter me derrubado. Foi o seu maior cavalheirismo até agora. – disse, enquanto se levantava e cuidava para que o lençol não despencasse.
–Hm. – falei, desinteressado. Ela me olhou como se eu fosse o cara mais idiota já escrito. Mas que porra de doença mental essa garota tem? – Que foi?
–Estava roubando o lençol porque por baixo estou apenas de roupa íntima. – ela confessou, e eu a olhei com cara de quem zombava, já ela, retribuiu esse olhar de maneira séria. Mas por que diabos ela tirou a roupa?
–O que eu tenho a ver com isso? – indaguei. Ela respirou fundo, e apenas me direcionou com o olhar. Que safada! Por que ela estava olhando para... fui rapidamente respondido quando notei que tudo que eu vestia, era uma cueca da Calvin Klein. Como não reparei isso antes? Peraí... Por que eu estou assim? A confusão me preencheu num maremoto, até que firmei um veredicto em segundos, segundos estes que peguei uma almofada para cobrir – Legal... Engraçado...! Agora me explica como conseguiu tirar minha roupa.
–Eu não tirei sua roupa... – ela disse, demonstrando ofensa. Ela além de lunática, era tarada. Provavelmente sua próxima cena seria que dormimos juntos. Como pode ser tão burro, Dobrev? Como pode, por capricho, habitar o mesmo quarto que uma fã com retardo mental? E pior, a mesma cama que ela. – Você que tirou a minha!
Ri, sem humor.
–Não sei se percebeu, mas você não é meu tipo. – eu disse, a encarando com deboche, ela passava a mão nos cabelos desesperadamente e encarava o chão.
–Você é um pervertido. Você estragou tudo. – ela caminhou, de um lado pro outro, a voz quase tão desesperada quanto seus passos.
–Estraguei o que? Eu nunca dormiria com você. Nunca. – confessei, com plena verdade. Nem que me pagassem eu o faria – E, se dormisse, mesmo em sonho, tinha que considerar uma honra.
–Mesmo estando bêbado? – ela perguntou, num fio de voz. Não pude responder, fui pego de surpresa. A verdade é que, a embriaguez me fazia perder o discernimento, o fio da meada, a memória. Mas, mesmo assim, eu sempre levava garotas bonitas para cama, e sempre tomava os cuidados necessários, levando sempre uma camisinha na carteira. Aquilo não fazia sentido para mim. O medo de ter esquecido quem era ela depois de umas entornadas, e acabar parando com ela na cama me assolou. Por um lado, eu achava aquilo impossível, e por outro, eu não sabia se, bêbado, aquilo era impossível pra mim. Quero dizer, no meu estado normal a acho repulsiva, digna de desprezo, e tudo que era pra ser atraente é repugnante só por fazer parte dela. Mas, bêbado, eu não lembrava de como a achava. Será que existiam entornadas o suficiente para ódio à primeira vista? Sentei-me na cama, pouco perdido.
–Pode provar isso? – perguntei, confuso, não sabendo o que fazer, e ao mesmo tempo, tentando não mostrar o que sentia naquele momento. Era uma coisa estranha, que nunca tinha sentido antes: raiva de mim mesmo. Ela parecia atordoada, tremia enquanto andava, acho que por isso resolveu se sentar, no máximo de distância possível.
–Lembro de bebermos muito, de você tirando a sua roupa, e depois a minha... – ela parecia forçar a memória – Esse momento era pra ser especial. – ela disse baixinho, como se lamentasse.
–Você era virgem aos 19? – perguntei, zombando. Em que mundo existiam garotas virgens dessa idade? – Quer dizer, é. Você é! – Mal pude piscar novamente, e sua mão veio em direção ao meu rosto, e num reflexo automático, a segurei. Peraí, ela queria me bater? Mas que porra é essa? Com a outra mão, ela tentou acertar o outro lado, e eu novamente segurei. Ela não me conhecia, não sabia quem eu era. Enquanto questionava sua ousadia, assisti o lençol despencar um pouco, mostrando um sutiã preto com detalhes em renda, e eu pude comprovar que ela tinha uma considerável comissão de frente. Que é? Eu sou homem, porra. Balancei a cabeça, quando percebi que me observava. Soltei suas mãos, pigarreei, e ela puxou o lençol novamente para cima.
–O que faço agora? – ela disse, perdida. Aquela suposta merda estava começando a me preocupar.
–Agora você cala a boca. – resmunguei – Não importa se aconteceu ou não algo aqui, ninguém nunca saberá, ok? Foi um deslize.
–Para dentro de mim? – ela perguntou, e eu a repreendi com o olhar.
–Droga, eu não entendo como... – cocei a cabeça, confuso. Eu não dormiria com ela se soubesse que ela era virgem, era mais um dos meus códigos de conduta. Provavelmente aquela maldita não me contou. – Não usa anticoncepcional? – ela negou com a cabeça. – Camisinha... Eu provavelmente usei camisinha. – falei mais comigo mesmo do que com ela.
Peguei a almofada que tampava meu amigo, e a usei para sair da cama à procura da minha calça. A avistei, jogada ao chão, quando cheguei na entrada da sala de estar. A vesti rápido, procurando a carteira. Achei, contente, a minha carteira no bolso esquerdo da calça. A abri, encarando a camisinha que sempre guardava ali no mesmo lugar. Queria me sentir tranquilo depois disso, mas não consegui evitar o pensamento de: Se eu já fui estúpido o suficiente para comer essa louca, por que não transaria sem camisinha? Ela me observava ao longe, também já vestida. – Já sei, talvez eu tenha tirado antes de... – falei, e ela me olhava com cara de inocente. Me senti um pai explicando à seu filho pré-adolescente que ele teria pelos pubianos brevemente.
–Caralho, Dobrev, como pode ter comido uma criança? – falei comigo mesmo, alto demais.
–Do mesmo jeito que está agindo como tal. – ouvi ela dizer, enquanto eu procurava um telefone. Senti raiva, mas resolvi ignorá-la. Pretendia ligar para o meu empresário. Não sabia como começar. Mas essa não era minha preocupação: Eu só lembrava apenas do primeiro dígito. Com um digito só, não se liga nem para a polícia, seu asno.
–Eu vou na farmácia comprar a pílula. – sugeri – Não posso correr o risco. Você não vai falar nada a ninguém, não vai estragar nada. Tá ouvindo? Isso tudo foi um mal-entendido, um acidente, eu nunca o faria em sã consciência.
–Nem liga, não é? Não sou uma qualquer que come por aí. – ela disse, parecia ofendida.Até que fim. – Claro, só uma bomba de hormônio que vai me deixar desregulada. Eu não quero nada! Você estragou o meu momento, e se isso tiver acontecido, terei o prazer de estragar a sua vida. – ela rosnou, dando um sorriso sínico no final. Eu mal pude acreditar no que disse.
–Quanto você quer? – questionei, de antemão. A pergunta pareceu a ofender. Eu só queria me livrar da situação.
–Dispenso seu dinheiro imundo. – ela disse.
–EU NÃO TENHO CULPA QUE NENHUM HOMEM QUIS TE COMER, E QUE PRECISEI EMBEBEDAR PRA TE ACHAR ATRAENTE. SE ALMEJAVA O CONVENTO, POR QUE NÃO MANTEVE SUAS PERNAS FECHADAS? – falei alto, e ela apenas sorriu. Como eu odiava isso.
–Consciência nula e pernas abertas não lhe dão o direito de adentrar nenhuma mulher, Dobrev. Mas é claro que moleques não sabem disso. – ela deu um sorriso irônico, e senti vontade de quebrar todos os seus dentes – 25 anos, e só agora descobriu que irresponsabilidades antecedem consequências. Imagina só: Arthur Dobrev, no auge da carreira, engravida uma fã de apenas 19 anos, de classe média, que ainda está na escola.
Definitivamente, ontem não era o dia que mais senti raiva. Esse dia foi hoje, era agora. Eu desejava que todos os milhões de espermatozoides tivessem se suicidado, e que o óvulo estivesse bêbado demais para deixar que um entrasse. Nunca teria um filho na vida, e muito menos com ela. As mulheres que dormi, sempre faziam sua parte, por que ela não? Isso era uma experiência nova pra mim. Por isso que, qualquer indicio que esses malandros do meu saco à procura de um par é preocupante, principalmente porque isso nunca aconteceu antes.
O que eu faria agora? Sentei na cama, pondo a mão na cabeça. Era a primeira vez que eu estava me cagando de medo de algo que poderia acontecer. Será que iam descobrir de que andar ela caiu se eu a jogasse pela janela? Claro, né... Minha cabeça quase explodia, enquanto eu xingava todos os nomes que eu conhecia.
Foi aí que, num meio de um puta que pariu, tive uma ideia. Foquei no seu cartão na penteadeira, e sabia que o meu estava na carteira. Trancar a pirralha não seria difícil. Ela que praticamente implorou que fosse na marra.
Melanie PDV
Flashback on
–Que calor! – Tutuzinho comentou, tropeçando nas próprias pernas. Tentei rir dele e solucei. Ele tirou a camisa, mostrando os músculos.
–Uau! Parece o esqueleto de Caverna do dragão! – eu disse, espantada, ele apenas riu.
–We are in the highway to hell, baby. – cantarolou.
–ué árê in.. in isso aí. – falei, balançando a cabeça, num rock imaginário.
–Estou quente por outro motivo. – ele levantou a sobrancelha, e eu ri loucamente.
–Não tem sol à noite. – comentei.
–A infinidade de estrelas é maior que qualquer luz pra mim. – ele comentou, e eu parei para observá-lo – Sabia que há mais estrelas que grãos de areia e gotas nos oceanos? – balancei a cabeça, havia descoberto isso no seu penúltimo livro. Com essas palavras me sentia num deles. Dentre as páginas. – Aglomeradas, solta aos olhares. Estarem juntas as fazem especiais, mas estarem separadas as fazem únicas. Por causa das luzes, ou nuvens, parecem apagadas. Por causa da distância, parecem pequenas. Por causa das gerações, parecem démodé, sendo notadas apenas quando caem. Mas são mais do que parecem, assim como somos mais do que parecemos. Porque somos feitos de estrelas, mas a nossa luz própria é ofuscada pelas luzes artificiais dessa geração mesquinha. E então, achamos que para brilhar, dependemos do outro. Depois de muitos outros, conseguimos ser notados, e acabamos por perder um pelo caminho, porque preferimos constelar. E quando caímos... Não há nada a lamentar, apenas o fato da própria morte. Porque a morte só é lamentada por quem não vive.
–Agora também fiquei com calor. Você é tão incrível. – disse, suspirando longamente, e ele me deu um sorriso. Era enfim ele, eu mal podia respirar. Deu mesmo calor. Olhei pra baixo, vendo que algo branco me envolvia. Eu parecia um papel higiênico com isso. Onde comprei essa coisa embaçada? Tentei tirar aquela coisa de mim, mas não abria. Desisti, quando vi que ele me observava. Sua mão quente pegou na minha, me convidando a levantar. Ui. Por trás de mim, deu uma leve puxada no zíper, o destravando. Ouvi uma respiração forte, e dei risada, dando uma rodadinha. – Sou uma stripper. – brinquei.
–Pode ser o que quiser. – ele disse, sentando na poltrona. Balancei o corpo, tentando tirar meu vestido. Deixei que ele escorregasse devagar enquanto via o Tutuzinho na minha frente, que mais pareciam dois, me olhando. Nossa, que gêmeo gato. Será que ele também era escritor? Quando meu vestido caiu por completo, notei que tirei a roupa na frente de um garoto pela primeira vez, e tampei minhas partes, enquanto ria.
–Seu corpo é como uma poesia. – ele disse, mais uma vez, me olhando fixamente. Se deleitava do último copo de bebida – Se fosse mesmo uma stripper, gastaria tudo o que tenho.
Ri, enquanto imitava uma bailarina. Mas parei, assustada, quando vi que, literalmente, uma baleia dançava ao meu lado. Não sei o que sabia de biologia, mas nesse momento me questionava se baleias podiam voar, porque jurava estar vendo uma em performance de lago dos cisnes. Mas baleia não é de água salgada? Por que ela tinha sapatilhas e eu não? Senti vontade de chorar.
Tutuzinho pegou minha mão, me puxando para ele, mas tropecei nas minhas pernas e caí na outra poltrona. Ele depositou sua mão na minha coxa, e tirei, prevendo que ele faria cócegas. Ele me deu o último gole, enquanto me olhava beber.
A última gota desceu pelo meu queixo, pescoço, e foi descendo. Quando o vi observando, fiquei curiosa.
–Me acha bo-bon-bonita mesmo?
–Mais que isso. – ele sorriu, e logo após bocejou. Fiz o mesmo.
–Quer dormir? – falei, também bocejando, e ele ergueu uma sobrancelha.
–Quero.
E dormimos.
Dei uma golada num café maravilhoso, enquanto me continha para não rir, para não acabar o derrubando, e sujar o papel que estava à minha frente. Escrevia-o da minha maneira, em rabiscos rápidos. E, desta vez, não estava fazendo metáfora.
“Você é paradoxalmente agradável quando está embriagado. Se parece mais com a pessoa que achei que seria. Se me achava boa no papel de lunática, percebeu que sou muito melhor como atriz.
Dobrev, para mim, ser virgem não é vergonha alguma. A única vergonha é alheia, e é das garotas que se deitaram ao seu lado. Porque só é capaz de dar um único prazer, e ele é carnal, visto que o prazer de sua companhia é insatisfatório e desejo nunca mais desfrutar.
Você brinca com as garotas, não é, Tutuzinho? Foi minha vez de brincar, não sinto muito.
MelANIE”
Continua...
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