Potter's
1 31 de Agosto
Notas iniciais
Boa leitura.
Havia um sol fraco no céu, mas o suficiente para esquentar a pele exposta dos jogadores. Lily a caçula dos Potter’s era a mais concentrada, James definitivamente era o mais relaxado, contava com a vantagem de sua mãe, Ginny Weasley, estar no seu time, por mais que não fosse o jogo Quadribol, ele sabia que ela jogaria bem. Albus, dessa vez decidiu ficar de fora dessa disputa, tanto que nem participava de nenhum dos dois times, queria apenas observar a rixa dos dois irmãos que andava mais problemática do que nunca.
No time Lily estavam Rose Weasley, Robert Hunter, o melhor amigo de Lily e Joseph Sand, o quase namorado de Albus. Já no lado de James estavam Ginny, Scorpius Malfoy e Katherine Wood, a garota que é amiga de Hogwarts inteira.
— Aposto 20 galeões que o time da Ginny vence. –George falou para Albus assim que o time de James marcou mais um ponto na partida de vôlei.
— 20 no da Lily. –Albus disse se virando para tio, eles apertaram as mãos brevemente e Albus desceu alguns degraus da arquibancada pra chegar onde estava Dominique Weasley e Tália Tozzo.
— Hey Albus. –Domi lhe cumprimentou, já Tália estava concentrada demais no jogo para fazer o mesmo.
— Apostei 20 galeões com o tio George que Lily ganha. –contou.
— Lily e James parecem que vão estrangular o outro quando tiverem chance. –Tália comentou.
— Essas férias foram insuportáveis por causa disso, e eu não faço ideia do eu pode ter acontecido, eles apenas ficaram trocando farpas às férias inteiras. –Albus reclamou.
Dominique passou a mão pelos cabelos ruivos tensa, observando Lily fazer mais um ponto.
— Torcendo pro James? –Albus perguntou.
— Definitivamente não, só preocupada, reparei no jeito que os dois andam em pé de guerra.
— Boa Lily! –Tália gritou, Lily se virou para ela e sorriu.
— Tenho nojo de você Tozzo! –Scorpius gritou para Tália.
— Passou mais uma por você! –Tália zombou do amigo alto.
— Você gosta mesmo de provocar o Malfoy. –Domi comentou.
— Ele é o meu melhor amigo, então eu sou meio que obrigada a fazer isso. –Albus sorriu para a amiga o seu inglês perfeito falhou com o sotaque italiano dela, e ele achava muito fofo quando isso acontecia.
— Albus! –o garoto ouviu seu nome e se virou para trás, seu pai está mais pra cima junto com George.
— Sim. –ele respondeu.
— Venha aqui por favor.
Albus foi até lá devagar, James e Lily a ponto de se matar não foi a única coisa insuportável nessas férias, o garoto discutiu muito com o pai por ter sido o único dos irmãos que não arrumou um trabalho nas férias, pois preferia gastar seu tempo jogando Quadribol com a mãe e imerso nas loucuras de Joseph.
— Estou aqui. –disse seco, Harry ignorou o tom do filho.
— Onde você enfiou a sua vassoura? Procurei-a hoje, e não achei.
— Isso importa? A vassoura é minha, meio que não devo satisfação pra você de onde eu a guardo. –a resposta fez Harry lhe encarar com as sobrancelhas arqueadas, George que estava do lado estava com um sorrisinho de canto, pronto pra soltar um comentário sarcástico.
— Eu estou te perguntando, custa me responder? E com educação? –Harry perguntou serio para o filho.
— Mas por que você quer saber?
— Certo Albus, chega dessa palhaçada, passei esses dois meses tentando lidar com você, mas não dá, em casa você vai descobrir o seu castigo.
— Ok. –falou desinteressado e deu as costas para pai.
— Você não pensou em nenhum castigo não é? –Albus ouviu seu tio falar, seguida de uma risada.
— Algum problema? –Domi perguntou assim que Albus sentou ao lado dela.
— Nada demais... Tá quanto o jogo?
— 16 pro time do James e 20 pro da Lily. –Tália respondeu entrando na conversa.
— Eles não combinariam que acabava a partida com 21 pontos? –Domi comentou.
— Droga!- Os três ouviram George gritar.
Na quadra Lily ria montada nas costas de Robert, que pulava com animado com a vitória com o resto do time, Lily então desmontou dele e se aproximou da rede, onde James a encarava sério.
— Admita que você estava errado. –ela mandou para o irmão.
— Cresça Lily! Cresça! –James rebateu rude.
— Vou ter que acrescentar mais esse defeito a sua lista infinita? O de mal perdedor? –a ruiva provocou.
— Que infantil Lily.
— O interessante que mesmo você me chamando de infantil sou mais madura que você, renegado.
James pareceu explodir ao ouvir aquilo, passou por debaixo da rede furioso, Lily também avançou, até que foram jogados para trás, caindo no chão da quadra, ambos se levantaram rapidamente, James socava aquela barreira invisível, já Lily se virou para as arquibancadas onde encarava raivosa, o pai que estava com a varinha em punho.
— O que vocês acham que iam fazer? –Harry disse sério enquanto se aproximava.
James parou de socar aquela barreira e se virou para a mãe que demonstrava o quanto parecia confusa com aquela situação, Lily preferiu abandonar a quadra, deixando Harry sem resposta.
— Volte aqui mocinha. –Harry mandou, mas Lily não parou de andar, Harry se virou para Gina— Eu vou atrás dela.
Dominique ia se levantar, mas Albus a puxou para baixo, segurando o braço da prima com para mantê-la ali, talvez tivesse compreendido um pouco do que estava acontecendo entre os irmãos, graças a essa fala de Lily.
— Domi você ficou com a Lily? –ele perguntou baixo para a prima.
— Quase, e James viu... Desculpa Al. –ela lamentou e Albus suspirou.
— Depois eu quero entender melhor quando isso aconteceu, mas por agora, tudo isso é por sua culpa? Ou tem mais alguma coisa?
— Eu não tenho certeza, James mal olha pra mim e Lily se fechou. –respondeu.
— Fique aqui, eu vou atrás dela. –Albus disse e se levantou.
Ele não podia acreditar que logo os dois estavam daquele jeito por isso, tinha certeza que havia algo a mais, James e Lily não saíram na porrada por causa de Dominique.
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O jantar fora desconfortável, acabou que ninguém voltou para casa, todos ficaram no clube, já que ficava em Hogsmeade, então não havia o porquê de voltar para casa e ir no dia seguinte para Londres para pegar o expresso. Todos comeram em silêncio deixando o clima tenso, nem mesmo George falava alguma coisa, ou a sua sócia, Val Ribeiro fez algum comentário infame ou contou alguma coisa sobre o Brasil.
Albus foi o primeiro que deixou a mesa, era o que mais se sentia mal dali, caminhou pelo enorme local, indo a uma porta pintada de vermelha, assim que a abriu viu algumas camas, e vários sacos de dormir espalhados pelo pequeno cômodo, claro, com todo aquele espaço, resolveram enfiar todos os estudantes num quarto minúsculo.
Jogou-se em uma das camas e se pós a respirar fundo, nunca sentiu tanta vontade de socar alguém como naquele momento. Esparramado sobre a cama ele ouviu a porta se abrir, mas não se mexeu, queria que independente de quem fosse o deixa-se sozinho por agora.
— Olá pequeno Potter. –o garoto sorriu ao ouvir aquela voz com um tom suave.
— Por que você sempre volta? Isso me deixa tão confuso. –Albus perguntou cansado.
— Não sei bem, mas você também sempre volta. –respondeu se sentando na cama que Albus ocupava.
Potter então se sentou ao lado de Joseph, encarando ele incrédulo.
— Mas o máximo que você já fez foi me largar por causa de algum experimento, já tudo o que eu faço é imperdoável.
— Não é como se você me devesse satisfação, eu também não te devo nada. –falou dando de ombros.
Como ele podia? Ficar tão calmo em relação a isso, se os papeis estivem invertidos Albus teria surtado, e nunca teria perdoado nenhuma das besteiras, ainda mais com o fato que Albus ultrapassou completamente os limites daquela vez, tinha beijado Scorpius na frente de Joseph e ele estava completamente tranquilo sobre isso.
— Eu não sei mais o que dizer.
— Hoje não foi um bom dia pra você ou pros seus irmãos, eu estou aqui se precisar. –Sand disse simples.
Albus sentiu-se pior do que já estava, por breves segundos queria contar para Joseph sobre a discussão com o pai depois que fora procurar Lily, e também do por que beijara Scorpius Malfoy do nada e ainda na frente dele, mas não disse nada, preferiu abraçar Joseph, e ficar em silêncio.
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Faltava meia hora para dia 31 acabar, e Lily perambulava com a varinha em punho, que iluminava o caminho até a cozinha, lá encontrou Val cheia de pergaminhos e de biscoitos, e elfos muito animados por terem a quem servir, o clube tinha elfos demais.
— Olá querida. –Val a cumprimentou e logo se voltou para os pergaminhos.
— Olá chefe. –cumprimentou de volta e puxou uma cadeira para se sentar próxima da mais velha.
— Já disse que não precisa me chamar assim. –falou.
— Certo... O que é tudo isso?
— Cartas. –respondeu com um suspiro— Cartas de pessoas que talvez eu não veja nunca mais.
— Muito melancólico. –Lily soltou.
— Infelizmente sim... Sabe ruiva, aproveite muito os seus amigos, e independente do que vá fazer depois de sair de Hogwarts mantenha contato.
— Você deixou muita gente pra trás?
— Não muitos, mas deixei pessoas que se importam comigo.
— Por que não vai ver eles? Você tem dinheiro agora por causa do clube, e tio George não poderia te negar alguns dias de folga, desde que isso abriu você não parou de trabalhar, até mora aqui.
— Eu tive a ideia de fazer um clube onde seriam ensinado esportes trouxas para os bruxos no meu primeiro ano no Castelobruxo, a maioria dos meus colegas eram mestiços e tinham muito contato com o mundo trouxa, então achei que seria uma ótima ideia que os bruxos tivessem mais contato com o mundo trouxa, e assim que eu tive essa ideia maluca de criam um clube de esportes. –contou— O mais maluco é que o seu tio comprou a ideia, e decidiu embarcar nisso comigo... Eu gastei muito tempo elaborando esse projeto pra deixar ele de lado enquanto ele é executado.
— Por que não executou o projeto no Brasil?
—Acho que não executei o projeto no Brasil por que nem ao menos sabia quem eu era, ainda não me achei, mas Hogsmeade é o lugar que mais me acolheu.
— Seu objetivo era se jogar no mundo?
— Isso na verdade foi uma consequência do meu objetivo, meu objetivo é entender quem eu sou, isso é bastante filosófico e complexo, talvez seja por isso que eu engavetei essa ideia. –ela suspirou— Tinha acabado de me formar, tinha pouco dinheiro que juntei fazendo apostas com os meus colegas no último ano, intermediaria no inglês americano e sem saber o que fazer, então resolvi me mandar pra Europa, meu objetivo era ficar em Portugal, até que conheci um bruxo grego que tinha uma chave de portal pra Londres, tinha um pouco mais de dinheiro por ter me dado bem em mais algumas apostas então pensei, “por que não?” e vim parar aqui... Não faça coisas agora que possam te prejudicar mais para frente Potter, sei que só tem 12 anos, mas você é muito madura pra sua idade.
— Obrigada, eu acho. –Lily falou.
— Vá dormir, por mais que não tenho que acordar cedo amanhã, é sempre bom estar apresentável.
Lily pegou um dos biscoitos de Val e voltou para o quarto, onde Albus estava de pé na frente de um espelho que Lily não se lembrava de estar ali, o garoto estava apenas com roupa íntima, a pele branca estava marcada por uma serie de roxos, principalmente nas costas e pernas, ele suspirou assim que viu a irmã.
— Mais estrago do que eu esperava. –ele comentou baixo.
— Você tem mais roxos do que eu. –Lily disse.
— Eu sou um inútil. –falou cabisbaixo.
— Está latejando? Sei onde tem poção pra dor.
— Um pouco. –admitiu.
— Eu vou buscar.
Lily saiu do quarto novamente e Albus se encarava no espelho, odiava a si por ser tão parecido com o pai, odiava a si por não ser corajoso o suficiente, e odiava a si por não fazer nada certo.
Lily voltou com um frasco e dois copos, Albus pegou um e colocou um pouco do liquido no seu copo, assim que o conteúdo entrou na sua garganta ele a sentiu queimar.
— Serio?
— Quando você está bêbado sua cabeça está ocupada demais pra lembrar-se da dor. –disse dando de ombros.
— Obrigado por ter me ajudado hoje. –Albus agradeceu.
— Por ontem, já é primeiro de Setembro.
— Voltamos pros uniformes diferentes?
— Sim lufano, mas eu te trato bem de qualquer jeito.
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