Potter você é a minha escolha
5 Capítulo 5 - Risos para as estrelas
Notas iniciais
Amanhecera um dia claro com leves sopros do ar produzindo marolas na superfície do lago negro. Hogwarts parecia tranquilamente adormecida com todo o ar que a primavera trazia. E por ser o primeiro sábado os alunos deveriam estar dispostos a não fazer nada, pelo menos era o que uma grande parte fazia. Aos poucos cada cantinho do castelo ia acordando e as salas comunais iam se enchendo de bocejos, muitos desciam de seus dormitórios para esperar, se não, sentados!
– Lily... Lily... Líriozinho do Tiago... Acorda pedaço do pôr do sol... Uhuuu. — Kate tentava acordar Lily que parecia dormir feito uma pedra. E com um sorriso de “não me dei por derrotada” a garota se sentou na cama da amiga e começou a balançar-se sobre o colchão.
– Hmm... É sábado Kate. Sábado. Entende isso? Eu quero dormir. — Respondeu a ruiva cobrindo a cabeça com o travesseiro.
– Por isso mesmo. Hoje é um dos únicos dias que temos de folga e estamos juntas desde que as aulas começaram. Vamos fazer alguma coisa, sei lá, sentar na margem do lago, qualquer coisa — Comentou Anne.
– Ah vamos Lily! Qual é! O tempo está mais do que perfeito hoje! — No que a garota resmungou em resposta e se ergueu se dando por vencida. — Essa é a Lily que eu conheço!!
– Chata!
– Obrigada! Não há elogio melhor. Agora vai se arrumando por que eu estou com fome.
– Com fome ou quer ver alguém lá embaixo? — Questionou Anne marotamente.
– Hm... Alguém? Posso saber quem seria senhorita Roosevelter? — Brincou Lily enquanto se arrumava.
– Conhece um tal de, como que é mesmo o nome, Sirius Black? — Comentou Anne.
– Sabe o que eu acho disso? Patético. Só isso. Vocês deviam estudar com as primeiranistas. — Resmungou Kate.
– Mas você não pode negar cara Katherine. — No que a garota fez uma careta ao ouvir ser nome completo.
– Katherine. Apelou agora Lílian. — Respondeu a garota fingindo estar brava. — Mas e você hein? Passeios noturnos com o Tiago, hein?
– Ah! Então você se encontrou com ele ontem à noite e nem me falou? — Disse Anne em uma falsa indignação. — Pô, Lily!
– Primeiro: foi uma detenção que eu tive que monitorar. Anota ai senhorita Souturn. D-e-t-e-n-ç-ã-o! E segundo — disse a garota se virando para Kate- seu amiguinho também estava lá.
– Meu amiguinho?
– Amiguinho, namorado, paixonite, o termo que preferir. — Disse Lily com um sorriso triunfante.
– Tá bem, tá bem. Parei. — Kate se deu por vencida.
– Mas eae, o que aconteceu?
– Nada demais. Tive que vir buscar eles porque tinham “se esquecido” e os levei para as estufas onde eles acharam que deviam começar uma guerrinha d’água. — No que as outras riram.
– Era de se esperar. Tiago nunca aguentou ficar no tédio por muito tempo. — Comentou Anne.
– Ainda acho engraçado o fato de você conhecer ele desde criança.
– Moro perto demais dele, digamos assim, e sou afilhada dos pais dele, meio que tenho que conhecer ele desde pequena.
– Ele devia ser mais atentado do que é. — Comentou Lily rindo para a surpresa das outras, o que Kate não deixaria escapar.
– Lily rindo enquanto fala do Tiago. Primeiro o quase encontro e agora isso. Isso é muita coisa para a minha cabeça.
– Vou tomar banho que eu ganho mais.
– Ainda não terminei com você mocinha! Volta aqui criatura!
– Bom dia garotas. — Saudou-as Sirius ao chegar à mesa da Grifinória para tomar o café.
– Por que demoraram tanto? — Perguntou Kate.
– Por quê? Minha ausência foi sentida por você cara Kate?
– Não era só para saber se vocês não podiam ter demorado mais um pouco pra que eu sair daqui e não ter a sua presença tão cedo.
– Acordou afiada hoje. Gosto disso em você Kate — respondeu com um sorriso maroto.
– Mas então por que demoraram? — Questionou Lily.
– Pelo simples fato de o nosso querido Tiago aqui ter trocado de lugar com o Sirius e ter dormido demais. — Respondeu Remo à garota.
– Parece que você não foi a única, Lily. — Comentou Kate no que Lily corou levemente e sentiu o olhar de Tiago recair sobre ela com um sorriso estampado no rosto.
– Posso saber o que aconteceu ontem pra vocês dois terem se cansado tanto mais o Sirius não?
– Você analisa bem as coisas, cara Kate. Daria uma ótima marota, mas sinto lhe informar não aconteceu nada demais.
– Somente a guerra d’água e... — Tiago se lembrou das vezes em que a garota o chamara por seu primeiro nome e a vez em que a pegou olhando para ele com um ar aéreo — E, para manchar nossa reputação, Lily ganhou de lavada.
– Literalmente. — Comentou Sirius. — Ela nos deu um banho de encharcar até os ossos! — No que todos que estavam na mesa riram e Lily olhou para Tiago e surpreendeu ao ver que ele olhava para ela e simplesmente sorriu e novamente se surpreendeu por se pegar sorrindo para ele e voltou a atenção para o seu prato.
– Ar puro! — Gritou Sirius quando todos marchavam em direção à margem do lago.
– Devíamos ter aulas aqui fora. — Comentou Remo pensativo
– Ou até mesmo aqueles barquinhos que navegamos no primeiro ano. Ia ser legar andar pelo lago em dias como o de hoje. — Foi a vez de Tiago.
– Poderíamos apostar corridas. E obviamente, é claro, eu ganharia. — Comentou Sirius.
– Acho que não caro Almofadinhas... Precisa de força. — Disse Tiago erguendo os braços e mostrando os músculos, rindo de si mesmo.
– Desculpe desiludi-lo caro Pontas, mas eu sou o batedor. Força me define. — Foi a vez de ele mostrar os músculos.
– Gostaria de ver vocês tentando remar, literalmente remar, sem mágica. — Desdenhou Remo rindo.
– Se acha tão bom assim Aluado? — Comentou Sirius em desafio.
– Claro. Remo. Remar. É bem próximo sabe.
– Por Merlim eu não ouvi isso! — Comentou Lily
– Remo, pensei que você fosse o único dentre os três que tinha um pouco de protótipo cérebro! — Brincou Kate em tom falsamente surpreso.
– Uma trégua meninas, uma trégua. — Disse o garoto rindo abertamente com os outros e parou abruptamente quando viu uma garota se aproximar em sua direção.
– Oi Remo! — Disse a garota de cabelos castanhos que lhe caiam até o espaldar, olhos de mesma cor e de altura intermediária.
– Oi Emmeline. Ahm... Tudo bem? — Todos pareciam ter ficado em silêncio, observando o desenvolver da cena.
– Tudo sim. E com você?
– Vou bem. Obrigado.
– Então... Eu gostaria, se você quiser é claro, saber se teria como você me ajudar em algumas matérias? Sei que é um dos melhores do sexto... — Perguntou a garota timidamente
– Ah!... Claro!... Claro que sim. Podemos nos encontrar na biblioteca depois que tal?
– Oi Emmeline. Vou bem, obrigado por perguntar. Posso sugerir uma coisinha? Que tal irem agora? O dia está lindo, em plena harmonia, vocês não estão fazendo nada. Então vão andando e não precisa me agradecer Emme querida. — Disse Sirius empurrando os dois em direção ao castelo, no que Remo só teve tempo de olhar para trás em direção as meninas como se pedisse socorro.
– Uau! Você sabe ser gentil e delicado, hein Sirius? — Comentou Kate.
– Um dia ele vai me agradecer. Vocês vão ver.
– Ela não é pra ele Sirius. Não rola química. Tem que ser alguém que compartilhe os mesmos gostos. Ela só está se jogando encima dele. — Disse Lily.
– E quem seria perfeito para alguém quieto, estudioso e chato como aquele ser?
– Alguém como... Como...
– Como a Anne! — Kate quase que gritou.
– Mas assim nenhum agiria. Sem ofensas. — Sirius perguntou para Anne. — Vocês são amigos, não é mesmo?
– Claro, claro que sim. — Respondeu a garota que foi surpreendida pelo olhar penetrante de Tiago como se pudesse saber se a resposta era verdadeira ou não.
– Viu! — Disse Sirius como se realmente tivesse toda a razão do mundo. — Então, como gêmea dele, o que acha?
– Ahm... Ele é livre não?
– Tá bem então, que seja feliz assim- disse Lily sorrindo em direção ao castelo.
– E se não for podemos azarar ela — brincou Kate.
– Vamos Sirius! A Lily está nos esperando lá embaixo! — Gritou Tiago para a porta do banheiro.
– Calma Pontas, ainda temos alguns minutos.
– É a Lily você sabe disso, qualquer tempo a mais é a mesma coisa que estar atrasado.
– Você sabe que não tem lógica o que você disse, né? — Comentou Sirius abrindo a porta e encarando o amigo como se o examinasse.
– É, eu sei. Pronto? Se lembra do combinado?
– Virar pedra!! — Comentou o garoto fingindo animação. — Você lá, paquerando a Lily e eu dormindo num canto qualquer. Não posso nem sair escondido?
– Não ela vai perceber que tem coisa no meio e vai ficar brava comigo. E olha que ela ficou calminha comigo, sem nenhum grito o dia inteiro! Pegou a poção?
– Poção do soninho em mãos. Vamos. — Disse ele abrindo a porta e descendo as escadas. — Sabe ela bem que poderia reduzir o número de dias... Ia ajudar muito. Ainda estamos no segundo! Lily!
– Boa noite para vocês também. Podemos ir andando?
– Boa noite, ahm, claro — Tiago respondeu decidindo que não ia por tudo a perder daquela vez. — Para onde iremos hoje?
– Para um lugar que vocês conhecem mais do que muito bem... — E deixou no ar o resto da frase até estarem a meio caminho do lugar.
– O CAMPO! — Gritaram os dois juntos.
– Mas Lily... O que podemos fazer aqui? — Questionou Tiago meio confuso.
– O campo em si não é sinônimo somente de quadribol o que obviamente pensaram.
– Seria “sinônimo” do que então? Terra, arquibancada?
– Hoje sim.
– Perdão? — Indagaram os dois em coro.
– Arquibancadas. Hoje vocês vão reinstaurar os bancos quebrados. — Disse a garota com um sorriso no rosto. — E por ser não serem madeireiros ou coisa do tipo e terem muitos pontos quebrados vocês podem usar magia dessa vez.
– Uffa! Pensei que você ia nos tratar como elfos domésticos. — Comentou Sirius aliviado.
– Vou ficar ali mais embaixo, odeio a altura desse treco. — E com isso se afastou, novamente com um livro em mãos.
– Nunca parei pra reparar no tamanho das arquibancadas. — Afirmou Tiago.
– É, eu também não.
– AH! E CADA UM SEGUE SEU RUMO! NÃO QUERO CORRER O RISCO DE SAIREM EM GUERRINHA DE NOVO E UM VOAR LONGE! — Gritou Lily um pouco mais distante no que os dois riram.
– Tá bem então, eu para lá e você para cá. — Disse Sirius apontando as direções.
– Hey, Almofadinhas. Acho que nem vai precisar tomar, vamos estar longe.
– Ah preciso! Acha que quero ficar de vela? Só vou esperar um tempo. — Comentou Sirius no que o outro sorriu levemente e passou as mãos pelos cabelos. Ia ser uma noite longa.
Não sabia dizer bem quanto tempo ficou ali. Perdera a conta de quantas vezes murmurou “Reparo!” para a noite morna. Sirius parecia ter sumido na escuridão. Devia ter usado a poção o quanto antes para se livrar da tarefa, a varinha não estava acesa. Ele decidiu procurar o lugar em que Sirius se encontrava para poder ter um motivo pra procurar Lily. Ele não precisou passar por onde ela se encontrava, desceu as escadas e encontrou o amigo ali, encostado numa pilastra de madeira.
– Folgado! Deve ter saído na primeira oportunidade. — E ao olhar bem para o amigo notou que a poção permanecia intacta. — Mas... Como? Humpf. Sirius Black sendo Sirius Black. — Sentindo que nada mais o prendia ali decidiu subir e por o plano em prática.
– Hm... Lily?
– Sim. Potter? Já terminaram?
– Bom eu já, só não sei se o Sirius terminou. — Conclui passando a mão pelos cabelos distraidamente no que a garota revirou os olhos.
– Você realmente não consegue parar com essa coisa de bagunçar os cabelos, não? Como se tivesse acabado de desmontar de uma vassoura.
– Eu não faço por mal, meio que... Faço. Força do hábito, é mais forte do que eu. — No que a garota sorriu e fechou o livro que estava sobre seu colo. — Peter Pan? E o que seria exatamente isso?
– Um conto trouxa infantil. Fala sobre um garoto que se perdeu da babá e foi parar na Terra do Nunca onde é criança para sempre. Você não tá interessado em saber, né? — Sorriu ela um pouco constrangida.
– Não, não, pode continuar. O que seria essa Terra do Nunca?
– É uma espécie de ilha com fadas, criaturas e piratas. Lá ele faz amizade com outros garotos perdidos e uma fada chamada Sininho. Resumindo é isso. Minha mãe lia pra mim e para minha irmã quando éramos menores.
– Nunca ouvi falar de contos trouxas. Minha mãe lia Babbity, a coelha e outros.
– Mundos diferentes, crenças diferentes. — E eles ficaram ali quietos, em mais pleno silêncio, cada um mais constrangido que o outro, olhando para o céu com suas estrelas por vez ou outra brilhando para eles. Era difícil manter os olhos nelas enquanto ela estava ali sob a luz do luar, como se aquilo fosse capaz de aumentar a beleza dela mais ainda. E seus olhos. Ele podia ver o brilho das estrelas neles, como esmeraldas lapidadas.
– É incrível, não?
– O que? — Ele se assustou com a pergunta repentina.
– Isso tudo. Somos tão fúteis em relação às estrelas e todo o resto. Tão simples e fracos. Sabe, um dia talvez seja eu lá em cima, e alguém estará olhando o céu e apontará para mim. — Riu levemente. Ele só tinha olhos para ela, sua voz parecia soar mais suave do que nunca. — Sabe, às vezes eu queria que tudo fosse assim tão fácil. Ficar aqui sentada aqui, olhando tudo, só olhando, parece mais fácil, melhor.
– É... — Foi só o que ele conseguiu falar. — As coisas mudam, e o que você pensou que era impossível pode não ser. Uma vez me disseram que a vida não é um plano traçado, mas que você quem traça e ela se encarrega de seguir. — Lily se sentira tão conectada ao que ele disse que somente ficou ali olhando para ele. — Mas, sem querer ser intrometido, você tem passado por algum problema ou coisa assim?
– Ah... Nada fora do comum sabe. — Sorriu levemente.
– Então não são problemas, mas dúvidas... — Comentou Tiago.
– É, talvez sim. Novo ano, novas mudanças, às vezes não é nada muito impressionante. — E com isso eles deram espaço para um novo silêncio constrangedor.
– Mas sabe o que eu quero realmente saber? De onde você arranja tanta injúria para jogar pra mim? — Ele não sabia porque estava falando aquilo, o plano era saber se ela sentia o mesmo que ele, mas por algum motivo ele era incapaz de puxá-la e beijá-la, não queria que fosse assim. E de qualquer forma ela estava ali, mais calma na medida do impossível, com ele.
– Bom é fácil sabe, é só olhar para você e eu sei o que dizer.
– Claro. Arrogante, prepotente, orgulhoso, cafajeste, e a lista continua e continua. — Comentou ele enquanto a garota sorria.
– Você tem que concordar. — A garota ria abertamente para o anoitecer.
– Um dia talvez. No meu leito de morte eu deixo escreverem essas suas palavras tão amadas e pronunciadas somente na minha presença. Mas, veja bem, eu não sou tão... Atentando como era antes.
– É, agora você já tem sua fama “azarador do século” e pode se aposentar.
– Um dia talvez. — Repetiu ele rindo. — Ainda tenho mais um ano. Se bem que os melhores para se azarar sairão esse ano...
– Acho que até sei quem são. — Riu Lily. — Eu tive que passar na sala do Filch para adicionar a detenção ao relatório de vocês dois e anotação era o que não faltava! Vocês passaram algum dia em Hogwarts sem tramar algo?
– Na verdade — comentou pensativo — Houve um dia em que azarei o Ranhoso e fomos parar na Ala Hospitalar, sem detenção.
– Eu não acredito nisso! — Comentou rindo abertamente com o garoto.
– O que raios estão fazendo aqui a essa hora da noite? Não sabem que é proibido andar a essa hora por ai? — Madame Locy a professora de quadribol aparecera do além.
– Hm... Nós... Bem... — Gaguejou Lily.
– Estou cumprindo uma detenção. A Professora McGonagall encarregou Lily de monitorar a mim e a meu amigo que parece ter desaparecido.
– Sirius Black, não?
– Ele deve ter cochilado...
– Por favor, vão andando, está tarde para ficarem aqui. Andem logo.
– O que eu faço com você Sirius Black? — Perguntou Tiago a um Sirius que dormia profundamente, inerte no chão próximo as escadas. — Wingardium Leviosa! — E o corpo do garoto se ergueu e flutuou a centímetros do chão.
– Vamos? — Perguntou a garota, aliviada por não ter se encrencado.
– Claro. Uma detenção por cumprir uma detenção, parece tentador.
– Tiago!
– Euzinho! Tá bem, tá bem, parei. — O garoto se divertia. E juntos caminharam até chegarem à entrada para a torre da Grifinória, por vez ou outra comentando sobre alguma coisa e rindo.
– Não sei o por quê dessa regra de horário. — Comentou Tiago quando entraram na sala comunal depois de um sermão da Mulher Gorda.
– Regras, fazer o que... Bem, vou indo me deitar. Boa noite então, Potter.
– Preferiria Tiago, mas assim tá bom. Boa noite, Lily. Até amanhã, Lírio.– Comentou em tom baixo, crendo que a garota já havia subido para o dormitório. — O quê raios eu faço com você Almofadinhas?
Até amanhã Tiago, pensou a garota em resposta, recostada na parede e subiu deixando o na sala.
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