Potter você é a minha escolha
20 Capítulo 20 - Mísera parte
Notas iniciais
Coração pulsante, respirando¸ pensou Tiago.
– Potter... — Ouviu-a murmurar bem baixinho. — Black, Remo. Boa noite. — Completou quase de súbito com um aceno de cabeça, e se adiantou pelo corredor, indo de encontro à Mulher Gorda.
– Ela está meio estressada, Evans. — Disse Sirius virando-se para a garota.
– Ela sempre está. Chega a ser incrível, consegue ser pior do que eu. — Disse num meio sorriso, se afastando.
– Quem diria... — Disse Sirius depois de breves segundos.
– O que? — Indagou Tiago.
– Ela admitiu que é estressada. Deve ser um grande passo na vida dela, acho. — Riu Sirius.
– Ela disse?
– Disse, e não é a única que está meio aérea, pelo visto. — Remo sorria enquanto observava a cara de surpresa do amigo.
– Se tivesse prestado atenção no que ela falava e não precisamente nela você teria ouvido. — Comentou Sirius, olhando para o amigo. — Tiago?
– Oi. — Observava o corredor por onde ela tinha passado, como se fosse capaz de visualizá-la ali ainda. — Ela não estava meio que perdida?
– Você entendeu a parte de que ela não é a única aérea aqui? — Murmurou Sirius.
– Pelo menos não fui o único a perceber isso. — Disse encarando Sirius da mesma forma que o amigo o encarava.
– Acho que você bateu cabeça e seu cérebro vazou pelo visto. — Concluiu Remo, voltando a andar.
– Por que do sorrisinho, Pontas? — Disse Sirius. — Veja o que o amor faz com as pessoas. Deixam elas tão altas, tão além.
– Ela está bem. Preciso de melhor motivo para sorrir, caro Almofadinhas? — Disse passando o braço em volta dos outros dois, um o encarando e o outro rindo.
– Acho que prefiro você andando por ai sozinho de novo... — Murmurou Sirius.
***
– Eu disse para ele. Mas é o Linue, nunca vi um garoto de doze anos tão persistente. De qualquer forma ele se deu mal, perdeu feio no xadrez e mais alguns galeões que tinha... — Ouvia Kate dizer de sua cama, não se lembrava do quanto era macia e aconchegante.
– A mãe do Frank vive falando sobre inúmeros bruxos, alguns sucumbiram a jogos e perderam tudo. Se ela soubesse das apostas que Frank faz às vezes, jogaria ele da janela para ver se ele voa sozinho. — Comentou a garota rindo.
– Já a vi uma vez, quando fui comprar o material no segundo ano lá no Beco. Aliás, adorei o chapéu de bichinho. — Afirmou Anne.
– Aquele treco me dá arrepios, é um urubu de verdade empalhado. — Disse com o olhar vidrado. — Mas fora isso ela é gentil, orgulhosa e mão firme, mas um amor quando se conhece ela.
– A mãe do Potter é assim também? — se pronunciou Lily de repente, tão surpresa quanto as outras que a olharam de súbito como se tivessem percebido sua presença somente naquele momento.
– A primeira vista muitas pessoas pensam que ela é rigorosa e segue o mesmo exemplo da família dela, mas a Dórea sempre teve um pensamento diferente dos outros Black’s.
– Black?! — Disseram Kate e Lily ao mesmo tempo, surpresas.
– Quer dizer que o Potter e o Black são parentes? O que? Primos? — Indagou Kate.
– Agora entendo porque os dois são quase idênticos. — Brincou Alice soltando um leve sorriso enquanto folheava alguma coisa no livro de Herbologia.
– Sim, os pais do Ti são tios-avôs do Sirius.
– Oi? — As três disseram em um uníssono tão perfeito que fez Anne rir.
– Sim, Dórea e Charlus não optaram por ter um filho tão cedo, enquanto isso a família Black criou outras “ramificações”. Devem ser primos de segundo ou de algum outro grau, mas até onde eu sei de fato são parentes. — Conclui se voltando para Lily com um meio sorriso no rosto. — Mas por que a pergunta Lily?
– Não sei... Curiosidade mesmo...
– Pensando no Potter, Lírio? — Brincou, enquanto a amiga corava levemente.
– Não diga besteiras, Anne.
– Tem ao menos falado com ele ultimamente? — Perguntou Kate, sem desviar a atenção de um pergaminho de mais de meio metro em que o tinteiro havia caído, e então amassou-o e o jogou numa pilha de outros inúmeros pergaminhos amassados ao lado de sua cama.
– Eu... Eu o vi hoje.
– E...? — Perguntou Alice, erguendo uma das sobrancelhas.
– Fui despachar uma carta para os meus pais e o vi nos jardins que dão para o Corujal, só.
– Só? — Inquiriu Anne.
– Só. Não tem porque haver mais nada, Anne. — Disse Lily, evitando o olhar penetrante da amiga.
– Falou com ele? — Disse Kate.
– Não, ele não me viu. Mas ainda assim tenho bons modos, falaria com ele.
– Claro que falaria. — Respondeu ironicamente.
– Claro que sim. Encontrei com ele, Remo e Sirius enquanto voltava para cá. Falei com eles sim.
– Sempre precisa ter mais alguém para você se sentir na obrigação de falar com ele. Pensei que você já tinha ultrapassado essa parte.
– “Parte”? — Repetiu.
– A parte de achar que ele é só mais um problema que você tem que resolver, só mais uma obrigação.
– Ele não é só mais uma “obrigação” minha.
– É como se fosse. Como se tudo o que acontece fosse culpa dele.
– Vai me dizer que concorda, que apoia o que ele me fez por todos esses anos?
– Não, eu não concordo, não com a maneira que ele agiu as vezes. Mas se você não fosse tão míope teria percebido que ele só está tentando chamar sua atenção de um jeito ou outro.
– Continuo a manter minha opinião sobre ele, mesmo depois...
– Depois do que? — Indagou notando o silêncio da amiga.
– Depois de... Depois daquele dia em Hogsmeade. — Não posso contar, pensou.
–Não. Você vai manter sua opinião porque não quer admitir que esteja apaixonada, só.
– Só... — Riu amargamente.
– Não vai negar? — Disse Kate.
– Por que quando sei que não vai adiantar nada? — Parabéns Lily, agora ela vai achar que você está realmente... agindo do jeito que ela disse que está agindo, pensou.
– Porque é você. — Dessa vez foi Anne quem interveio. — E isso não é um insulto, por Merlim!
– Ok então, eu, Lily Evans, ouçam bem, não estou apaixonada.
– Você disse que não está apaixonada, mas isso não quer dizer que não esteja apaixonada pelo Tiago. — Afirmou Alice no que as outras duas apoiaram.
– Arrrg! Merlim o que quê eu fiz para merecer esses três grindylows na minha vida?
– Bem... Você nasceu, não? — Brincou Anne.
***
– SÁBADO!! — Gritou Sirius, fazendo a maior balbúrdia. — Levantem seus preguiçosos imundos! — Disse alegremente. — Não vão levantar? — Murmurou procurando pela varinha.
– Nem ouse, Black... — Murmurou Tiago por trás do cortinado.
– Ué! Eu não ia fazer nada! Julgar as pessoas é feio, Tiaguinho. — Disse se levantando mais silenciosamente que podia e se aproximando do cortinado do amigo, puxando-o. — Levi...– Tiago apareceu de trás do amigo que teve suas pernas e braços colados ao corpo, tombando de lado, movendo somente os olhos que eram capazes de traduzir cada xingamento que Sirius estava dirigindo ao amigo mentalmente.
– Feitiços não verbais e mais uma coisinha chamada despertador. — Riu, saltando por cima de um Sirius duro feito pedra no chão e se sentando em sua cama. — Entendo sua felicidade por ser sábado, mas guarde-a pra você.
– Podíamos usar o legilimens nele... — Murmurou Remo se espreguiçando. — Acordar pessoas... Ele já devia saber que todo mundo já está acordado quando ele decide acordar.
– Você tem uma mente perversa, Aluado. Que lobinho mal.
– Você também está precisando de um. Sabe, sou bom nesse feitiço...
– Não está aqui mais quem falou. — Riu o garoto, se levantando.
– É bom você rir... — Ouviu Sirius murmurar com dificuldade.
– ... Enquanto posso? — Continuou. — Não se preocupe pulguento, não estarei aqui quando você conseguir se mexer por conta própria.
***
– É BOM VOCÊ CORRER! — Ouviram Sirius gritar enquanto corria atrás de Tiago que disparava pelo buraco do retrato.
– Bom dia, meninas. — Remo as saudou no que todas assentiram com um sorriso enquanto Anne se aproximava dele e a deixava ser envolvida pelos ombros por ele.
– É oficial, então? — Perguntou Kate levando uma cotovelada de Lily na barriga. — Ai! Que foi...? — Reclamou encarando a ruiva. — Baah, bobagem. E ai, é sério então? — Repetiu olhando de um para o outro.
–Não precisam responder. — Disse Lily notando que ambos coraram. — O que o Tiago fez para ter que fugir do Sirius?
– Caramba. — Disse Remo, surpreso.
– O que? — indagou a garota.
– Você chamou o Tiago pelo nome, não que isso faça diferença, é só que...
– Faz toda diferença. — Disse Kate percebendo o que havia acontecido com atraso, fazendo Lily revirar os olhos.
– Grande coisa. É o nome dele, certo? Não vejo mal nisso...
– Não vê mal nisso?? Você praticamente passou sua vida inteira o chamando de Potter, realmente faz toda diferença. — Concluiu Anne.
– Não, não faz. Porque ele continua sendo um cafajeste, tirano e arrogante independentemente da forma que eu o chame. — Concluiu se direcionando para o buraco do retrato, sem notar a troca de olhares que se seguia atrás dela ou até mesmo o breve sussurro de Kate dizendo “Ainda assim faz toda a diferença”.
***
Neve?, pensou Tiago, enquanto saia em disparada para os jardins, percebendo tarde demais e afundando o pé em um monte da substância.
– Eu podia me vingar de você, mas parece que a mãe natureza já fez isso por mim. — Disse Sirius logo atrás, respirando lentamente o ar gélido de Dezembro, e ainda assim rindo do outro que caíra no gramado semi coberto de neve.
– Já? — Disse se levantando e jogando uma bolinha de neve na cara do amigo. -Agora sim a mãe natureza está em equilíbrio. — Concluiu rindo.
– Essa será sua última risada Potter! — Disse Sirius juntando neve com as duas mãos.
***
– O que raios aconteceu com vocês dois? Andaram brincando de rolar na neve? — Ouviram McGonagall dizer quando entraram para o Salão Principal, felizes por ainda servirem o café da manhã.
– Nós... Caímos. — Respondeu Tiago com um meio sorriso.
– Você pelo menos sim. — Disse Sirius baixinho, rindo.
– Não sei do que seria essa escola, ou melhor, do que seria vocês se Madame Pomfrey tirasse férias. — Comentou medindo os dois de cima abaixo, quase encharcados da neve que começava a derreter. — Espero que troquem essas roupas antes que peguem um baita de um resfriado. Preciso dizer para terem uma boa tarde? — Concluiu encarando-os.
– Aceitamos e desejamos o mesmo para a senhora, professora.
– Se não o conhecesse pensaria que realmente é uma pessoa decente, Black. — Afirmou, fazendo Tiago rir. — Não ria Potter, sabe que digo o mesmo do senhor.
– Vai seu trasgo, ri agora! — Disse Sirius rindo da careta do amigo.
– Me deem licença, por favor. — Disse indo na direção do Saguão de Entrada. — Os aconselharia a tomarem seu café logo.
– Ahm... Obrigado, professora.
– Adoro essa mulher.
– Você tem problemas, Pontas.
– Qual é, ela é boa no que faz. Se bem que o fato de eu ser bom facilita as coisas.
– Até que enfim! — Disse Remo quando os dois se sentaram.
– Olá para você também, Reminho. — Respondeu Sirius mandando um beijo para o outro.
– Corta essa. O Apolo estava injuriado, Pontas. — Disse se dirigindo ao outro.
– Eu prometi que daria alguma coisa para ele quando voltasse.
– Agora está explicado porque ele comeu seu cereal. — Ouviu Lily alguns lugares do outro lado da mesa, se dirigindo a Remo. Procurou por ela e percebeu que ela já estava olhando para ele, sentiu suas bochechas enrubescerem levemente e desviou o olhar, ciente de que a garota percebera e engasgando com o suco.
– Ele... Ele deixou alguma correspondência? — Perguntou ainda tossindo, sentindo que estava corando mais ainda.
– Calma ae, Pontas. — Disse Rabicho, dando-lhe tapas excessivamente fortes nas costas.
– Valeu Pedro, valeu mesmo. — Disse, sentindo suas costas doerem onde o amigo batera.
– Uma carta de Dórea. — Disse Anne entregando-lhe a correspondência que estava sobre a mesa.
– Que droga... Ela quer que a gente passe o Natal aqui. Qual é! — Comentou para Sirius.
– Mas por quê??
– Tom Riddle.
– Quem? — Indagou Lily.
– Voldemort ou você-sabe-quem. — Respondeu Sirius amargamente. — Deve estar procurando mais aliados, os tais dos Comensais da Morte.
– Acho que nossos amigos sonserinos não bastam para ele. — Comentou Tiago.
– Acham que alguém de Hogwarts se aliaria a ele? — Indagou Kate.
– Não só acho como tenho certeza.
– Quem? — Disse Anne.
– Tenham em mente que metade da minha família é. — No que todas olharam para Sirius.
– Sei em quem está pensando. — Disse Tiago olhando para Lily. — Se ele é ou não. Realmente ainda duvida disso?
– Deixei de duvidar há muito tempo. — Respondeu, mantendo o olhar no dele. — Acho que deixei de duvidar de muitas coisas para falar a verdade.
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