Potter você é a minha escolha
7 Capítulo 7 - Um dia talvez
Notas iniciais
– Qual é Lily! Você nunca vai! N-u-n-c-a! Ao menos uma vez na sua vida você deveria ir! — Os gritos de Kate eram tudo o que se ouvia no dormitório feminino naquele sábado de outubro.
– Por que eu iria querer ir pra lá assistir um teste idiota e perder meu tempo vendo pessoa tentarem se matar em cima de uma vassoura?
– Por quê? Pelo simples fato de “perder seu tempo” sem se preocupar com isso tudo. E cá entre nós, motivos não faltam. E a propósito, você tem ignorado o Tiago nas últimas duas semanas.
– Ou então ele notou que tinha que me deixar em paz.
– Ou aconteceu alguma coisa entre vocês na última detenção. — Comentou Anne, que pareceu surgir das cobertas como se não estivesse ali. — Não algo romântico como a gente espera, mas alguma ligeira discussão fora do normal de vocês. — E nisso fixou seu olhos extremamente azuis nos da ruiva.
– Não aconteceu nada. — Disse lembrando-se muito bem da sua pergunta ligeiramente intrusa. — Ele agiu da mesma forma de sempre.
– Tá, tá. Brigados ou não, afastados ou não, embora eu ache que ele vem tentado falar com você desde então e você sempre deu desculpas para sair dali quando ele se aproximava, você vai ao teste de quadribol e ponto. — deu por fim Kate, sorrindo abertamente, no que a ruiva somente lhe deu as costas. — Talvez até crie coragem na fuça e pare de se esquivar dele. — e nisso ela saiu correndo em direção ao banheiro antes mesmo que Lily pudesse dizer alguma coisa.
– Bom dia flor do dia! — comentou Sirius. — Sabe eu não estou gostando disso, você que tem que me acordar e não o contrário.
– Vai encher outro Sirius! — resmungou Tiago.
– Educação mandou lembranças. Vai levanta seu preguiçoso, tem teste hoje.
– Já vou... — disse sentando-se em sua cama de dorsal e olhando em direção a janela oposta. Ela o evitara desde então. Mas eu não tenho culpa, foi ela que veio com aquele assunto. Mas você também estava doido pra falar aquilo aos quatro ventos. E então ela sente alguma coisa, porque se há ciúmes... E num ato de perplexidade ele passou as mãos pelos cabelos num ato bem comum. Levante e faça do seu jeito murmurou para si mesmo.
– Bom dia pessoal! Temos sorte hoje porque as condições estão extremamente favoráveis a nós. Primeiro vou treiná-los por categoria e depois vou dividir vocês em equipes já que o número é razoável para formarmos três com um artilheiro e um batedor cada. — comentou Jonnatan, o capitão do time de quadribol da Grifinória distribuindo fitas cada uma com um número.
– Qual é? Assim nem vale fazer o teste com o Tiago aqui! — gritou um terceiranista.
– Qualquer um pode fazer os testes. Você só tem que tentar ser melhor que ele.
– Se conseguir... — murmurou Tiago para Sirius no que o amigo riu marotamente.
– Vamos lá, Pontas, tenta ser melhor que ele. — respondeu Sirius ao amigo e alçaram voou.
– Ah não vamos ficar mais embaixo! — resmungou Lily.
– E perder toda a diversão e ficar com torcicolo depois? Nem levando crucio! Vem — disse Kate puxando a amiga.
– Não olha pra baixo. Não olha pra baixo...
– Relaxa Lily, é só respirar fundo. — comentou Anne.
– E não olhar pra baixo. — brincou Remo.
– Que maldade! — comentou Anne.
– Vocês três. Estão todos na minha lista negra.
– Eu não fiz nada, viu. — brincou Anne.
– Meu Deus, não está bom aqui??
– Só mais um pouco. — comentou Kate e baixando o tom de voz. — Você não vai querer ficar do lado dessas histéricas ai. — disse apontando com a cabeça um grupo de garotas que pareceu surtar quando um garoto de cabelos esvoaçantes passou voando ali perto.
– HEY TIAGO!! — gritou Kate no que o garoto virou a vassoura para o lado da gritaria que pareceu só aumentar e acenou para os amigos notando a presença de uma cabeleira ruiva. Ela veio. Ela nunca tinha vindo! E voltou sua atenção ao treino com um sorriso no rosto visível do chão.
– Que aconteceu Pontas? Viu uma veela?
– Melhor.
– Uma ruiva talvez. — comentou Sirius olhando para as arquibancadas. — Ela nunca vem ver os jogos. Que milagre, hein Merlim?
– Potter! Black! Prestem atenção!
E nisso eles ficaram por mais meia hora, e depois mais uma. Lily parecia que ia ter um treco a cada vez que alguém fazia uma manobra arriscada demais ou lenta demais para um balaço logo atrás. Duas ou três vezes Tiago pegou-a com as mãos na boca quando ele descia demais, quase tocando o solo, para capturar o pomo. E era isso que parecia motivá-lo a continuar e dar o seu melhor ali. Era mais do que simplesmente ganhar a ocupação, era fazer aquilo por ela, mesmo que ela quase enfartasse no processo.
– Tava mais do que na cara que vocês iam conseguir! Não tem nem graça assim! — comentou Kate abraçando Tiago.
– E eu? Não mereço abraços? — perguntou Sirius.
– Não acho que não. — brincou a garota sem realmente dar o abraço.
– Eu percebi que alguém faltava ter um treco lá na arquibancada, Pontas, você viu? — disse Sirius.
– Eu sinceramente não sei como vocês podem gostar disso. Devem ser loucos pra se esborrachar no chão só pode! — indagou Lily.
– Que nada Lílian. Com o tempo acostuma — comentou Tiago lembrando-se de que disse o mesmo à garota outra vez. — Quer dizer, a gente pega a prática.
– “Pega a prática” deve ser sinônimo de loucura, porque olha... — comentou a garota enquanto subiam o gramado em direção ao castelo.
– Um dia a gente volta lá e você sobe. Vai ver. É uma das melhores sensações do mundo! O vento batendo no seu cabelo. A percepção do impossível. De que nada nem ninguém pode te alcançar. — Lily o observava enquanto ele falava. Parecia tão vívido, distante, mas próximo. Nunca o vira falar daquele jeito.
– É... um dia talvez. — comentou sorrindo.
– É um bom começo... — disse notando que os amigos já caminhavam mais a frente.
– Tiago!
– Jenne! — comentou Tiago meio atordoado.
– Parabéns!! Eu sabia, sabia que você ia conseguir! — nisso abraçou o garoto e rapidamente o soltou como se estivesse encabulada pelo ato que fora planejado. — Bom hm... Eu só queria dizer isso mesmo. A gente se vê por ai? Ou até mesmo quando tiver visitas a Hogsmeade?
– Bem... Hm... A gente vê... — e notou que Lily continuou andando. — Eu vejo com você depois, tá?
– Tá bom então, vou esperar. Até logo Ti. — e nisso deu um beijo no rosto do garoto que não se demorou ali.
– Lily! Perae! — disse ainda tendo que correr para alcançar as longas passadas da garota, mas ela pareceu ter sumido. E foi ai que ele viu uma mescla avermelhada virar dois corredores à frente e apertou o passo. — Lily! — nisso conseguiu puxá-la pelo braço. — Você saiu andando, meio que correndo. O que quê foi?
– Eu não ia ficar lá de vela, não? — disse tentando fazer com que a frase saísse cômica. Ela realmente não sabia porque tinha feito aquilo, podia ter andado lenta e calmamente, mas não, saiu de lá quase que voando.
– É... Desculpa, eu não sabia que...
– Nem tinha como né? Elas aparecem sempre de todos os cantos. — Comentou agora forçando um risinho.
– Isso é perturbador. Irritante para dizer a verdade. — Comentou o garoto.
– Puxa. Pensei que você gostasse de toda essa coisa. Quer dizer, que você quisesse.
– Você realmente não vai tirar essa ideia da cabeça? — indagou em um tom sério.
– Essa ideia?
– É! De que eu sou um cafajeste, tirano e arrogante que fica com qualquer uma que olhar para ele. Quer uma novidade? A única garota que eu realmente me importa, a única que me faria desistir de tudo... Poxa, não tá mais do que na cara? — nisso ele passou as mãos pelos cabelos num ato desesperador.
– E por que eu deveria acreditar? Por que eu devo acreditar que não é mais uma das suas brincadeirinhas, que não vai me fazer de mais uma pecinha sua?
– Arrg! Eu não vou! E eu sei que acreditar no que digo é uma coisa banal e fútil, mas é só do que eu preciso. Eu não iria te fazer sofrer. Não seria um cafajeste como você insiste em dizer que sou. A propósito, por que pensa isso? Alguma vez, qualquer das garotas com que fiquei disseram que eu as tratava mal? Que eu ultrapassei os seus limites?
– Não! Mas sabe entre ficar arrasada porque você gostava de um cara e ele destruiu tudo e não ter pulado essa cerca eu prefiro ficar aqui. Sem nada. — Nisso o garoto pegou sua mão e colocou a sobre seu peito.
– Está sentindo? Rápido mas lentamente. Sabe o que é passar sua vida brigando com uma pessoa, e esse sentimento mudar rapidamente, mas tão rapidamente que ninguém acreditaria? Mas eu não preciso que eles acreditem, só você. É só o que preciso. E eu sinto... Sinto que você poderia sentir o mesmo, mas tem alguma coisa que te impede, que te trava... E eu sei que pode ser pelo simples fato de ser eu quem está aqui na sua frente e você não faz nem ideia do quanto isso dói. Mas, sabe, parece valer a pena. Tudo para te ter não pra mim, mas ao meu lado. Poder sentir que o seu coração bate em uníssono ao meu. Que poderíamos ser uma única alma. Um dia talvez dê certo, e eu vou esperar, você sabe que eu não desisto. Mas se você não sentir nada, nada além de repugnância, raiva e ódio por mim... Me faça parar. Não acho que eu sou tão ruim assim a ponto de merecer isso. — E nisso, lentamente, ele se aproximou dela. Sentindo sua respiração lenta. Quase prendendo o fôlego. Ela parecia paralisada, e ele sabia que se ela fosse negar já teria feito alguma coisa. E naquele momento ele sabia que tudo o que dissera fez sentido. Sabia que ela sentia o mesmo. Sabia que devia lutar por aquilo.
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