Potter você é a minha escolha
6 Capítulo 6 - Com o tempo a gente acostuma
Notas iniciais
–LILY!!! ACORDA SER DO OLIMPO!! — gritava Kate.
– Ser do olimpo... Você tá evoluindo. — Resmungou Lily sem sequer abrir os olhos.
– Não quero correr o risco de sair daqui direto pra Ala Hospitalar sabe...
– O quê que você quer Kate?
– Nada não. Tava no tédio. Como foi ontem??
– Tava demorando... — disse Lily entre um longo bocejo e vendo que a amiga insistia contou: — Ontem a gente foi para o campo de quadribol, seu Sirius aproveitou pra fugir e dormir na escada, e o Tiago apareceu depois e a Madame Locy nos mandou subir. Só. Obrigada pela atenção. De nada. Tenha um bom dia.
– Hahaha engraçadinha. Só? Nada demais?
– Nada demais em qualquer uma das suas classificações.
– Nenhuma conversa? Aproximação?
– A gente conversou um pouco. Não. Eu não estou em total capacidade pra lembrar do que agora. Mais alguma pergunta?
– Vocês...?
– Kate você vai se arrumar agora? — perguntou Anne.
– Ah sim, sim, é. Me aguarde Lilian, me aguarde. — Nisso entrou no banheiro deixando as duas amigas a sós.
– Conseguiu falar com a McGonagall pra anular alguns dias?
– Eu falei com ela ontem de tarde e ela disse que ia pensar. Já pensou se eu me livro e eles têm que ver a cara do Filch por mais dois dias?
– Você é do mal! — Brincou Anne no que a ruiva riu.
– Bom, a culpa não é minha não?
– Ah, não, claro que não. Até por que somente duas noites é pouco. — comentou Anne num tom falsamente cínico.
– Pra eles era mesmo. Aproveito que vamos descer para o café e falo com ela. Talvez ela seja piedosa. — E nisso a garota uniu as duas mãos e ergueu os olhos para o teto. — Merlim do céu dá uma forcinha aqui, por favor.
– Mas me acordar com um balde de água fria?? Não acha que é demais?? Depois de eu ter te ajudado?? Você é um i-n-g-r-a-t-o, Pontas!! — exclamava Sirius enquanto eles vinham andando pelo Salão Principal em direção onde as garotas se encontravam.
– Foi só um baldezinho. Eu ia fazer pior, mas o Remo não deixou. — Brincou Tiago fingindo tristeza.
– Me agradeça eternamente Almofadinhas, ele ia brincar com você como se fosse um bonequinho de vudu.
– Um bonequinho de o quê? — indagaram os outros três juntos.
– Baah, deixa quieto.
– Bem, mudando o rumo. E você nossa adorada Emmeline? — indagou Tiago.
– Tá cheio das gracinhas hoje, né Pontas? — respondeu o amigo.
– Deve ter sido bom o papo com uma certa ruivinha ontem, se é que ouve um sabe — disse Sirius no que Tiago corou.
– Talvez porque não rolou nada. Nós só ficamos lá conversando até que a treinadora chegou e nos mandou ir embora falando que tinha um monte de ovos de fadas dormentes na escada.
– Ai credo. É assim que você me trata depois que eu te dei maior apoio ontem com a poção e todo o resto?
– Primeiro: você nem usou a poção, o que dá a entender que dormiria de qualquer forma na primeira oportunidade. Segundo... Sei lá.
– Que tal “Segundo: Obrigado Sirius”?
– É pode ser... Nãoooo! — comentou Tiago rindo da feição do amigo.
– Bom dia garotas. — Disse Sirius ignorando Tiago e suas risadas.
– Bom dia — responderam Anne e Lily.
– É educado dar bom dia pras pessoas, cara Kate.
– É talvez, mas eu não nasci pra agradar seu humor mesmo.
– E eu talvez morra tentando descobrir a fonte infindável de ódio que você sente por mim, tsic tsic.
– E eu espero estar lá pra ver isso.
– Me ama demais mesmo. Só pode. — comentou Sirius rindo da cara que a garota fez e se preparando para contra-atacar. — Ah não, hoje é domingo cara Kate, domingo! Uma trégua, que tal?
– É. Se você cumprir sua parte posso pensar... — No que o garoto puxou-a pela cintura e aproximou-a dele, já que a garota pareceu querer sentar a dois metros de distância.
– Assim está bem melhor. — Disse Sirius no que a garota pareceu que ia surtar, respirou fundo e disse:
– Ou você tem algum problema psicológico ou necessita de atenção. Quando vai entender que não gosto que me toquem dessa forma?
– Uoou. Ponto chato, cara Kate, ponto chato — comentou Tiago no outro lado da mesa.
– Na verdade... Quando se nasce numa família como a minha e se é praticamente deserdado você passa a sentir falta de coisas que nunca teve. — comentou sorrindo levemente para a garota, no que a mesma se calou.
– Sirius, eu não...
– Que isso, Kate. Está tudo bem.
– Bom... Ahm... Eu vou indo. Vejo vocês depois. — comentou Remo se levantando da mesa e sendo puxado de volta por Tiago.
– Indo pra onde Sr. Aluado? Tem alguma coisa haver com uma tal de Emmeline? — brincou Tiago.
– Ah o segundo encontro. Quem diria, hein Pontas? O Aluado desencanou da aposentadoria. — no que Tiago riu.
– Que isso? Não posso nem ajudar a garota a estudar?
– Pode é claro que pode. — começou Sirius.
– Só não sabemos...
– Se vocês realmente estudam...
– Ou ficam folheando uma página a cada vinte minutos...
– Chega!
– Ui ficou vermelhinho.
– Mas pode ir Aluado.
– Mas não se esqueça seguir o meu ser. — comentou Sirius.
– O meu é mais seguro! — rebateu Tiago.
– Vocês vão ficar nessa o dia todo? — perguntou Lily que já tinha voltado da conversa com McGonagall.
– Vamos para os jardins de novo? — indagou Kate.
– Eu estava pensando em passar na biblioteca pra confirmar uma coisa no trabalho de poções. — comentou Anne.
– Quer que eu vá com você Aninha? — perguntou Tiago.
– Ah não, não precisa. Eu só vou ver um livro rapidinho e encontro vocês depois. Mas obrigado. Já volto. — nisso se dirigiu para a longa escada.
– Ela anda meio quieta ultimamente. — Comentou Lily.
– Fala uma novidade. — disse Sirius.
– Não, eu quero dizer que ela está mais quieta do que o normal.
– Vai ver ela está se encontrando com um namoradinho secreto. — brincou Sirius.
– Uma sombra! — gritou Sirius e logo depois ele e Tiago saíram correndo em direção à arvore que a produzia no que as duas garotas reviraram os olhos.
O que raios eu to fazendo aqui? Ele deve estar por ai se amassando com ela e eu escolho o pior lugar pra ir, pensava Anne. Trabalho de poções. Desde quando? Ainda nem passaram trabalhos! Eles não vão acreditar. Uma hora vai ficar claro, muito claro para o Tiago. Arrg!
– Anne? — chamou-a Remo. — Eu... Eu pensei que você ia para os jardins com os outros.
– Eu ia, só que resolvi dar... uma passada aqui. Lição extra de feitiços. — disse ela tentando parecer convincente.
– Ah, entendi. Se você quiser eu posso te ajudar...
– Ah não, não precisa. Você está com a Emmeline, quer dizer, está ajudando ela, não quero atrapalhar. Com licença.
– Não, não está atrapalhando. — disse ele segurando-a pelo braço levemente. — Emmeline não vai se importar se tiver mais uma...
– Aluna? Porque do jeito que vai indo não me surpreendo se você se tornar professor, Reminho. — Comentou Emmeline friamente se apoiando nos ombros do garoto que soltou uma careta ao ouvir o apelido.
– Acho melhor eu me virar. Não se preocupe Remo, qualquer coisa falo com você ou até mesmo com a Lily.
– Ahm. Tá bem então. Até daqui a pouco, Anne.
– Até, Remo. — e ela deu as costas ao garoto que foi puxado por Emmeline e parecia expressar tristeza no olhar. Eu sempre estrago tudo, pensou o garoto.
– Lily do céu, eu te amo eternamente!! — gritou Sirius ao saber que McGonagall os liberara das próximas duas noites.
– Menos por favor. — Comentou Tiago, no que Sirius riu e Lily olhou o desconfiada. — A escola inteira não precisa saber, não? Podem achar que estamos sendo privilegiados.
– É... Verdade, depois quem se ferra sou eu. — comentou Lily vagamente o que fez Tiago olhá-la de esguelha.
– Olha lá Pontas. Jenne Lourêncio.
– O quê? Não vai me dizer que você está dando em cima dela, Tiago! Ela é um nojo! — comentou Kate.
– A questão não é eu estar dando em cima dela, mas ela estar dando em cima de mim. — comentou Tiago.
– Então vocês se merecem, não? — comentou Lily.
– Não sei. Não gosto do tipo que se atira.
– Mas já ficou com muitas assim, não? — retrucou a garota.
– Já, não posso negar o que está escrito nas estrelas e comprovado pela lua.
– Você fez mais esforço pra criar essa frase do que num ano inteiro com a velha Cassandra. — comentou Sirius no que o amigo riu.
– Alguma coisa eu aprendi.
– Você foi o único então — disse Kate.
– Hehe, me desculpem se sou expert!
– Pronto, deu liberdade! — brincou Lily.
– Vocês sabem que sou bom, ótimo, maravilhoso... A lista é infinita.
– Mas vem cá. Quando vão começar os treinos pra taça de quadribol?
– Não sei, o Jonnatan nem disse nada.
– Mas vocês vão ter que fazer o teste de novo? — questionou Lily.
– Vamos, mas cá entre nós não haverá batedor melhor do que eu.
– Depois falam que eu que me acho. — brincou Tiago fingindo indignação.
– É bem simples Ti, um parece tentar ser mais exibido que o outro, nunca dá pra saber quem é mais.
– É, pode ficar com essa categoria Almofadinhas — comentou Tiago no que os outros riram.
– Baaah! Depois de dois dias ainda tenho que segurar vela. Pra quê isso Merlim, eu não tenho sido um bom menino? — falou Sirius olhando para o teto.
– Pode ser sincero Merlinzito, ele não vai ficar magoado. — brincou Remo se juntando ao amigo e olhando para o teto.
– Você vê isso Merlim? Eu sou um bom amigo e olha como eles me tratam!
– Vamos logo Almofadinhas antes que a Lily mude de ideia e nos deixe com o Filch por mais dois dias.
– Opa! Bora! Não posso me atrasar. Sou um bom menino.
– Vish! — brincou Remo.
– Você tá tirando onda com a minha cara Aluado, não é uma coisa legal de se fazer viu.
– Que isso Almofadinhas, só estou retribuindo o seu empurrãozinho totalmente desnecessário com a Emmeline.
– Você será meu segundo projeto.
– E o primeiro seria...?
– O Pontas é claro.
– Hahaha muito engraçadinho. — murmurou Tiago.
– O azar foi ele sair do percurso e travar no ponto “Pedaço do pôr do sol” — comentou Sirius rindo abertamente.
– Larga de ser chato e exibido e vamos logo antes que ela tenha um treco.
– Tá bem, tá bem. Não sinta minha falta Reminho querido.
– Como que...? — murmurou Remo, mas Tiago puxava Sirius dormitório a fora, o que só permitiu que o garoto sorrisse marotamente.
– B’noite Lily.
– Ahm? Ah sim! Boa noite — A garota parecia meio desconcertada.
– Uhm, aconteceu alguma coisa? — questionou Tiago.
– Ou será que você se esqueceu da detenção e essa anta aqui me fez te lembrar? — disse olhando de esguelha para Tiago.
– Não, nada disso eu só tava... — no que a garota olhou sem querer para um garoto do outro lado da sala comunal que também olhara para ela. — Vamos indo? — Tiago notara a troca de olhares furtivos. Sentiu o sangue ferver-lhe na nuca e não devia ter conseguido disfarçar sua emoções porque Sirius o cutucou. — Hm... Potter? Vamos?
– Ah! Claro — comentou friamente.
– Está bem? Está... vermelho?
– Não, não é nada. Está quente hoje.
– Bom... Para onde vamos hoje? — Sirius tentou quebrar o gelo momentâneo.
– Estufas, campo, e finalmente a biblioteca. — comentou a garota se dirigindo ao buraco do retrato.
– E o que raios vamos fazer lá? — questionou Sirius.
– Estudar que não é, não? Vocês vão limpar o chão.
– Mas isso não é trabalho do Filch ou da bibliotecária? — indagou Sirius.
– É melhor do que consertar livros rasgados. — murmurou Tiago de uma forma tão cálida que atraiu a atenção dos outros dois.
– Você realmente está se sentindo bem Potter? Posso adiar se...
– Já disse, estou bem, Lily. — Eles ficaram ali, quietos, caminhando por corredores desertos iluminados pela luz do luar que entrava pelas altas vidraças e por archotes que lançavam nas paredes sombras tremeluzentes dando a tudo um ar mais inquieto.
– Bom, ahm, vou ficar ali adiante. — Disse a garota se dirigindo a uma mesa mais ao fundo.
– O que deu em você? — indagou Sirius.
– Nada! Quantas vezes vou ter que falar isso?
– Até eu acreditar, muitas vezes.
– Vai me dizer que você não viu a troca de olhares entre ela e o cara do sétimo?
– Relaxa cara. Hey, olha aqui você é um Potter. Não pode desistir nunca.
– Não é questão de ser quem mas de saber se ela realmente quer alguma coisa.
– É tudo englobado!
– NÃO SE GRITA NUMA BIBLIOTECA SIRIUS! — gritou a ruiva.
– Desculpa! Mas você acabou de fazer pior!
– Isso não vem ao caso Sirius! — murmurou Tiago.
– Você já deu grandes passos não pode andar pra trás agora Pontas. Só foi uma troca de olhares, faça com que só tenha sido isso, nada demais.
– Vamos terminar isso logo Almofadinhas.
– Terminaram? — questionou a garota quando viu Tiago aparecer por entre as estantes.
– Ah sim. Sirius disse que queria fazer alguma coisa, não entendi direito, ele saiu correndo. Sobrou pra mim te chamar.
– Sobrou? — indagou a garota.
– É... Quase isso. — comentou o garoto com um esboço de um quase sorriso no rosto. — Posso? — perguntou indicando a cadeira.
– Ah! Claro.
– Você realmente gosta de ler tudo que é livro. Dessa vez é...? Poções! Que ser lê os livros antes do ano letivo pegar impulso??
– Ah que isso! Não devo ser a única — comentou sorrindo.
– Na verdade deve ser sim. Se bem que o Remo faz a mesma coisa. Deviam ser gêmeos separados na maternidade.
– Ai meu Merlim! Isso é preconceito sabia?
– Que nada, é só uma pequena observação. — E o silêncio reinou sobre eles, era quase opressor.
– Jenne Lourêncio, então?
– Robert Cortein?
– Que isso, foi só uma pergunta sobre sua próxima... — a garota se calou.
– Vítima? Pode falar, com o tempo a gente se acostuma.
– “Com o tempo a gente se acostuma”?
– Você sempre diz isso e então “com o tempo a gente acostuma”.
– O quê? Estou errada por você ser assim?
– Assim?
– É. Um cafajeste, arrogante e tirano.
– Palavras ferem, Lilian. Temos que aprender a lidar com elas.
– Você mesmo não disse que está acostumado?
– É. Eu disse. Quer saber deixa quieto. Posso saber ao menos se estou liberado, então Evans?
– Ahm... — a garota pareceu ficar perplexa com a mudança repentina. — Pode sim. Mas espera um pouco. Eu quero entender porque essa discussão ridícula.
– Eu também. E provavelmente vou virar a noite pensando nisso mas não tem o por quê, não? — perguntou o garoto inseguro, querendo apenas saber o que a garota pensava como se isso fosse mudar alguma coisa.
– Talvez. Potter... Olha, eu não...
– Deixa quieto, faz seis anos Lily. Já me acostumei. — Concluiu o garoto sorrindo o que pareceu acalmar um pouco a garota. — Vamos? Não é educado te deixar sozinha aqui. — Eles caminharam, vez por outra trocando olhares tímidos e sorrindo para o nada. — Bem... Boa noite, Lily — Nisso ele se atreveu a segurá-la pela mão e beijá-la no rosto. Ele sabia que ela podia surtar mas ela ficou ali paralisada e esboçou um sorriso.
– Boa noite, Potter.
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