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5 Capítulo 5 - Quando estou ao seu lado, quero te beijar
Notas iniciais
Realidade — 08h:55m — Quinta-Feira
Eu estava sentada quietinha fazendo o exercício de literatura quando alguém joga uma bolinha de papel em mim. Eu vi que tinha algo escrito e a peguei do chão. Era o Ruan perguntando se queria ir com ele ao cinema hoje mais tarde. Ele podia me mandar mensagem de texto, mas da última vez o professor disse que se me visse mexendo no celular em ficava sem ele. Claro que ele disse que apenas meu responsável poderia pega-lo de volta, o pensamento de um Matt invocado comigo passou pela minha mente e decidi não mexer com ele nas aulas.
Depois da aula falei a Ruan que o encontraria mais tarde, obviamente ele me mostrou um sorriso encantador que derreteu meu coração. Incrivelmente nestes dias meus sonhos eram normais e Matt não comentou mais sobre as esquisitices de Segunda. Estava um tanto difícil falar com ele na verdade. Meus olhos paravam em sua boca, eu me distraia imaginando como seria beija-lo, em seguida corava, ele me perguntava o que estava errado e eu corria para meu quarto. Aliais, foi exatamente isso que aconteceu quando cheguei em casa.
Mais tarde um pouco eu me arrumei para ir ao cinema. Eu até poderia chamar de encontro, já que demorei duas horas escolhendo uma blusa, mas não acho que ele me veja desse jeito. Ele é lindo, educado, adorado e inteligente. Comparado a minha pessoa ele é perfeito e não poderia vir a ser a namorada dele. Principalmente por que as fãs dele iriam me matar na certa. De qualquer forma depois de estar arrumada sai do meu quarto e já abrindo a porta vi Matt.
"Onde está indo?" Eu tinha esquecido que essa situação estranha me fazia ter que prestar contas a ele, mesmo que não fosse nada meu.
"Vou ao cinema..." Eu tentei parecer normal, o que obviamente falhou por que corei em mil tons de vermelho.
"Com quem?" A voz dele estava um tanto impaciente e podia disser que sua semana não estava indo bem.
"Com colegas do colégio..." Eu estava tentando não mentir muito. Ele não pareceu muito satisfeito com a resposta, mas assentiu e falou para eu não voltar tarde. "Valeu, Matt. Até daqui a pouco." E eu juro que vi um sorriso diabólico antes de pegar o elevador e ele fechar a porta.
Post — Indo a um encontro, ou quase, o que devo fazer
O segundo cara mais lindo me convidou para ir ao cinema. O que eu devo fazer? Eu estou tão nervosa. Eu fico imaginando mil coisa, mas nenhuma parece racional.
Comentários (2)
Hum... Um encontro com um popular... Quem diria... Apenas seja você... [Lola-Sonhadora]
RE: Valeu, isso me deixou um pouco melhor. [Alisa-Flores]
Tome cuidado com esse tipo de cara. Você e ele querem coisas diferentes. [Matt-Leitor]
RE: O que quer dizer com coisas diferentes? [Alisa-Flores]
RE:RE: Sua ingenuidade me comove... Só vou te dizer que ele não vai querer ficar nos beijos, se é que me entende. [Matt-Leitor]
RE:RE:RE: Não precisa se preocupar com isso... Eu não vou cair na dele se é isso que está insinuando. [Alisa-Flores]
RE:RE:RE:RE: Você é uma garota, não é questão de dar mole... Se ele te pegar a força, já pensou nisso... [Matt-Leitor]
RE:RE:RE:RE:RE: Sei disso e não vai acontecer. [Alisa-Flores]
Realidade — 18h:25m — Quinta-Feira
É provável que ele morra tentando algo, disso tenho certeza. A preocupação dele me deixou um tanto feliz. Ter alguém que se importa é uma sensação ótima. Adoraria contar a verdade a ele, entretanto isso é impossível.
O filme foi legal, era uma comédia romântica, e incrivelmente Ruan se comportou sem nenhuma mão boba. Na verdade, ele não tentou nada. Isso de certa forma me frustrou. Ele foi mega gentil, não se importou quando cheguei atrasada, comprou os ingressos e comida e viu um filme idiota comigo. Eu não realmente podia reclamar de um encontro perfeito. Parte de mim achava estranho alguém ser tão perfeito e ainda por cima sair comigo sem esperar nada.
Estava tudo indo muito bem, eu e ele sentados no banco da praça rindo, Ruan se espreguiçou e passou o braço atrás de mim sorrindo quando meu celular tocou. Olhei meu celular apreensiva e vi "Pesadelo" escrito. Atendi ainda sentada e com os olhos dele fixos em mim.
"Oi... Algum problema?"
"Não diga 'oi' tão naturalmente... Onde você está agora?" A voz dele parecia um tanto alterada.
"Acabei de sair do cinema... Não quer que volte agora, ou quer?" Esperava que ele respondesse que não.
"Cinema?! Quem te deu permissão pra ir ao cinema?!"
"Ninguém..." Ruan estava tentando imaginar quem era e o que estava acontecendo. Eu pedi licença e me levantei. "Por favor... Só estou me divertindo um pouco..."
"Não com esse cara. Volte agora, entendeu?" Eu não podia acreditar que ele já sabia de Ruan e o referiu como esse cara. Eu fiquei com medo do que ele faria se não fosse agora. "Eu perguntei se você entendeu?"
"Sim. Eu entendi. Sim, eu vou agora pra casa." Desliguei na cara dele e fui até Ruan me desculpar. "Eu sinto muito. Tenho que voltar pra casa."
"Sério? Agora, tem certeza?" Pude ver um brilho estranho nos olhos dele. Eu tinha quase certeza que ele estava tentando me hipnotizar.
"Sério. Tenho que ir agora. Meu tio vai ficar zangado se eu não voltar." Ele ficou me encarando e estava frustrado. Segurou meu braço e me encarou ainda mais. Era suposto que eu sentisse algo. "Eh... O que está fazendo?"
Ele me soltou e andou de um lado a outro murmurando um não acredito.
"Pensei que fosse humana... É a raça mais fácil de seduzir..." Ele continuou tagarelando e a esse ponto eu apenas podia pensar na primeira frase dele. Ele está confuso e achando que não sou humana e fala com se não fosse. Estava tentando digerir toda essa informação.
"Bem, Ruan, eu tenho mesmo que ir embora." Eu acenei e devagar fui andando pra longe. "Nos vemos no colégio amanhã, tchau."
Eu sai correndo de lá muito rápido e acabei batendo em alguém. Olhei para cima e vi o rosto nada feliz de Matt me encarando. E depois vi Ruan nos encarando bem de perto.
"Eu já estava indo pra casa..." Ele colocou a mão na minha boca e literalmente me empurrou pro lado.
"Não fique mentindo pra mim, entendeu?" Ele tentou manter a voz calma, mas pude sentir sua irritação de longe.
"Entendi." Hoje eles deram pra ficar me questionando e usando o artificio entendeu pra me coagir. Qual o problema deles? Até parece que eles se importam de verdade com o que acontece comigo. Apenas estão preocupados com eu estragando seus planos.
"Vamos." Ele fuzilou o Ruan com o olhar antes de irmos embora. Ficamos em silencio até entramos no apartamento e Matt me mandar sentar no sofá. "O que achou que estava fazendo?!"
"Indo ao cinema." Eu podia ver a ira em seus olhos, irônico não? Ele estava prestes a me matar com aquela expressão. "Olha, eu só queria me divertir um pouco."
"Podia ter contado a verdade!" Agora a calma dele tinha ido de vez. Ele esbravejou e xingou chutando a mesa de centro pra longe. "Sabe o que acontece de agora em diante?!" Neguei e ele agarrou meus ombros com força rindo maniacamente. Sorriu sinceramente se aproximando lentamente sua cabeça a minha. Sua mão direita segurou meu rosto e fechei os olhos. "O que está esperando?"
"Eu não sei..." Respondi enquanto abria meus olhos lentamente. Ele estava sangrando por trás dos óculos escuros e por incrível que pareça não me assustei. Eu já tinha me acostumado com suas falta de olhos, porém não sabia o significado deles sangrarem. "Quando vai me soltar?"
Ele sorriu e me deu um selinho. um selinho?! Nossos lábios por uma fração de segundo se encostaram. Eu corei sentindo meu coração palpitar forte em meu peito. Ele simplesmente riu e se afastou sorrindo. o que ele pretendia com isso? Aliais, aqui foi um ataque de ciúmes? por que pareceu um namorado ciumento pedindo explicações.
Sonho — 22h:00m — Quinta-Feira
Estava no meu quarto deitada e quando vi aquele ambiente meio enevoado sabia que era um sonho. Levantei com dificuldade vendo que minhas pernas pareciam um tanto dormentes. Vi o ambiente escuro da sala me senti receosa. Gritei muito alto quando as mãos com garras enormes me agarraram por trás. Ele me virou e pude ver suas orbes vermelhas vivo.
"Se divertindo muito, minha flor?" Sua voz sensual e calma mais suas mãos me envolvendo tão intimamente me fizeram corar. "Se sentiu assim também com Matt..."
Aquilo não era uma pergunta e me senti mal com seu comentário. Afinal, pra que ele estava criando esse sonho bizarro se era apenas para falar essas asneiras? Poderia simplesmente ter ligado ou mandado uma mensagem.
"Não." Eu obviamente estava mentindo e ele sabia disso. Ele me puxou ainda mais pela cintura e beijou meu pescoço. Sua mão subiu pelos meus braços me arranhando. Senti ardendo, pude ver o sangue escorrendo e caindo no chão. "Por que faz essas coisas comigo? Por que eu?" Minha voz era chorosa mesmo que não tivesse lágrimas.
"Por que é divertido." Ele lambei o ferimento e senti uma sensação boa. Era um arrepio, como faíscas que pinicavam o local. Não conseguia ver seu rosto nitidamente, mas tinha certeza que sabia exatamente como ele era. Seu sorriso lascivo parecia que iria me devorar apenas com o olhar. Eu devia estar irritada, enojada e empurra-lo pra longe. "Por que não se afasta? Por que não grita e tenta me afastar?"
"Eu não sei..." Minha voz soou estranho, como um gemido abafado. Suas mãos percorriam meu corpo com tanto avidez. Mesmo que rasgando minha pele com suas garras, e a dor do ar em contado com a ferida, eu queria mais. Me senti tão horrível por querer que ele... Na verdade não sabia o que queria dele. Era a mesma sensação que tinha ao ver os lábios macios de Matt, queria beija-lo até dizer chega.
Ele continuou me arranhando e provocando esses estranhos arrepios de prazer. Minha voz era diferente enquanto gemia sobre seu corpo e suas mãos. Eu estava me sentindo tão suja. Aquela não era uma situação descente, mesmo que fosse um sonho realista não era certo. Coloquei minhas mãos sobre seu peitoral tentando afasta-lo. Ele chegou bem perto mordendo de leve minha orelha.
"Estou apenas começando..."
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