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3 Capítulo 3 - Pesadelos que se tornam reais


Notas iniciais
Okay.... Mais um capítulo cheio de emoção... Espero que gostem... E obrigada pelos lindos comentários... Amo todos vocês... Beijos e aproveitem...

Realidade — 15h:00m — Sábado

Estava no meu novo quarto e havia arrumado todas as minhas coisas já. Era um apartamento no centro, aparentemente nenhum dos vizinhos que nos viram suspeitaram. Eu percebi que ele não fala com ninguém, apenas vagamente o vi conversando com o vizinho da frente.

Matt disse que eu era sua sobrinha. Incrivelmente o vizinho acreditou e comentou como eu era tímida quando entrei rápido no apartamento. Ele é um homem muito quieto, em nenhum momento falou comigo sobre quem está tornando minha vida um inferno.

Eu não tive nenhum animo para postar no blog. E afinal, o que eu iria escrever? Que agora estou morando com um estranho por que o assassino do meu pai quis, provavelmente ele também é o serial. Não é como se alguém fosse acreditar nisso. Se esse cara não invadisse meus sonhos eu tentaria fugir.

"Melissa, vem aqui."

Eu arrepiei quando o ouvi me chamar. Quando ele soube meu nome, se eu não contei. Na verdade não lembro se ele disse meu nome ao vizinho ou simplesmente o ignorou. Eu levantei da cama e fui até a sala. Ele estava sentado no sofá e mandou eu me sentar também.

"Como sabe meu nome?"

"Isso não é importante. O que deve saber é que em hipótese alguma deve comentar a verdade com ninguém. Inclusive com seus colegas no novo colégio."

"Novo colégio?!" Havia algo de realmente errado nessa conversa. "Como acha que ninguém vai descobrir, ou vai me dar também me dar uma identidade falsa... Ai meu Deus, eu serei uma foragida da lei!"

"Não, não será. E não, não vai usar uma identidade falsa." Eu perguntei o por que ele estava falando isso. Ele riu, mas foi um tanto sarcástico e forçado. "Você não deve dizer a verdade, por que ninguém vai acreditar em você. Digamos que o que todos sabem não é o mesmo que você."

"Quer dizer que além de invadir sonhos, ele também muda toda a minha vida?"

"Não seja assim." Ele era calmo e um tanto sincero. "Tem muita sorte, é alguém especial..."

"Especial? Isso quer dizer, o que ele falou sobre ter minha alma... Isso não é uma piada?"

Ele ficou calado e parecia que não ira me responder. Eu o perturbei muito, tentando o fazer responder. Matt apenas me olhava como se sentisse pena. E eu não conseguia entender por que.

"Vamos lá, me conte..."

"Não posso. Pare de insistir."

Eu fui para meu quarto e vi meu celular com uma nova mensagem. Eu já até sabia quem era e por que. Estava escrito "Pare de perturbar. E espero que não fale nada. Vai se arrepender se o fizer." Eu corri até o final para ver "Ele tem razão em dizer que é especial, mas isso não significa que pode fazer o que quiser. Bons sonhos hoje a noite." Eu tive um arrepio com a última parte. Ele iria me fazer vomitar apenas com o pensamento de todo o sangue.

Post — Nova casa, eu acho

Estou agora morando com um tio... Não que eu soubesse que ele existia. Eu fiquei muito surpresa com isso. Ainda não me acostumei a minha possível nova vida. Aliais, terei que atender um novo colégio pela localização do apartamento.

Comentários (1)

Tão rápido? Isso realmente é estranho... E quem seria esse seu tio? [Matt-Leitor]

RE: Eu também fiquei surpresa... Eu acho que se está bem para justiça, então o que posso fazer? [Alisa-Flores]

RE:RE: Tome cuidado com esse cara... Ele pode ser seu tio, mas não te viu crescer. [Matt-Leitor]

RE:RE:RE: Vou sim. E sempre lembrarei de trancar a porta. [Alisa-Flores]

RE:RE:RE:RE: É assim que deve ser. Não deixe de contar sobre tudo que acontecer. [Matt-Leitor]

Realidade — 19h:45m — Sábado

Eu decidi responder ao comentário legal dele depois. Eu estava morrendo de fome. Sai do meu quarto e encontrei Matt falando no celular meio exaltado. Acho que eu o criei problemas.

"Desculpa por ser insistente. Eu vou preparar algo pra comer agora, licença."

Eu não o encarei ou fiquei lá para ouvir uma resposta, simplesmente segui em direção a cozinha. Abri a geladeira, estava cheia de comida e decidir pela lasanha congelada. Eu não era muito boa em fazer comida. Claro que eu sabia o básico, mas não era como se quisesse ficar horas na cozinha.

Minha lasanha estava no micro-ondas aquecendo e eu estava procurando algo para beber na geladeira. Matt apareceu na minha frente quando fechei a porta. Ele me estendeu o celular. Larguei a garrafa de guaraná na bancada e apanhei o celular.

"Você é uma boa menina. Engraçado, não esperava menos de você."

Como a voz dele era tão extremamente sexy e ao mesmo tempo eu podia me sentir no Polo Norte congelando? De imediato não respondi nada. Ele me perguntou algumas vezes qual era meu problema e por que não falava nada.

"Apenas estou surpresa. Está falando sobre ter me desculpa ou sobre meu post?"

"Ambos são atitudes muito bondosas de maneiras diferentes." Eu jurei ter ouvido o gemer baixo antes de continuar. "É ótimo saber que não criara problemas. E me faça um favor, não fique mais pesquisando na internet sobre esse serial."

No momento que ele se referiu ao serial como esse pensei que talvez ele não fosse, mas poderia apenas um plano para me afastar da verdade. Eu ainda estava obstinada a descobrir quem ele era. Apenas tinha que fazer seu jogo enquanto tentava desvendar tudo e obviamente me livrar de morar com Matt. Ele era calmo de mais para alguém que eu pudesse confiar e acima de tudo trabalha para Pesadelo.

"Entendi. Não vou fazer nenhuma estupidez." Apenas o que é o certo foi o que pensei. "Posso devolver o celular a Matt agora?"

"Pode." Ele não pareceu muito convencido das minhas palavras.

Eu entreguei o celular a ele e fui ver como minha lasanha estava. Eu jantei na cozinha mesmo. Quando ia para meu quarto ouvi parte da conversa de Matt, fiquei escondida tentando entender mais.

"Isso é um tanto perigoso..." Houve um grande silencio e vi Matt agitar as mãos no ar. "Claro, mas o que espera fazer..." Ele ficou calado e com uma expressão muito seria. Riu e balançou a cabeça negativamente. "Não me faça rir..." Ele revirou os olhos e fez caretas. "Está bem. Espero que saiba o que está fazendo."

Eu não conseguia ouvir o que ele cochichou. Em seguida vi o rosto de Matt próximo do meu. Ele não parecia zangado, mas me dava medo aquela expressão extremante seria. Eu sorri e sai do meu esconderijo. Ele apontou pro sofá e eu obedeci.

"Não ouça ligações alheias, entendeu?" Eu afirmei com a cabeça, ele pareceu ficar mais calmo. "Olha, não gosto dessa situação tanto quanto você."

Sonho — 03h:00m — Domingo

Eu estava andando em um campo verde de repente cai em um lago. Algo me puxava para mais fundo enquanto tentava nadar para cima. Eu não conseguia mais segurar o folego e me senti afogando. Tudo ficou escuro e quando me senti solta nadei rápido com todas as forças para fora. Eu sentia o gosto de sangue na minha boca, logo vi meus braços cobertos de sangue. Aquele lago todo era feito de sangue. Ouvi um barulho de algo abaixo dos meus pês, me movi rápido e algo emergiu.

Eu gritei muito alto a ver a cabeça de meu pai sem vida. Estava podre e totalmente machucada. Algo se moveu sobre o sangue e vi seus olhos se abrirem. Eu tentei correr, mas algo me segurou por trás.

"Isso é o que acontece pôs morte com almas impuras." Aquela voz, eu não precisava virar para saber que era ele. Vi garras suas garras nos meus ombros. Ele não estava me machucando mesmo assim senti uma sensação quente. Parecia como se estivesse me queimando, eu olhava meus ombros e não via nada de errado. "Sabe muito bem que esses sonhos são reais, pode falar comigo..."

"Pode me tirar daqui?" Perguntei um pouco chorosa.

O cenário mudou como num passe de mágica. Estávamos em um campo verde e céu azul. Eu imaginei se ele faria chover sangue novamente. Eu estava gostando menos desse pesadelo sabendo que era real.

"Melhor? Acredito que sim... O lugar de antes é o poço das tormentas..."

"Poço? Pensei que era um lago."

Ele riu. O riso dele era gostoso e não me dava medo.

"Sim, você passou por um lago. Só que aquele local cheio de sangue é na verdade um poço muito grande. Apenas não tem nada o demarcando ou um balde para puxar agua."

"Um buraco grande cheio de sangue na terra... Isso é nojento."

"Exatamente como a vida medíocre daquelas almas... Tem pena do seu pai?"

"Ele era meu pai e apesar de tudo eu o amo." As lagrimas escorriam sem parar enquanto pensava em tudo que ele me fizera. Eu não o odiava, mas era mentira que o amava. Eu não mais o amava há muito tempo.

"Calma criança..." Ele abraçou meu eu frágil e quase me senti protegida. "Seu inferno está apenas começando..."

Ele me virou e encarei seus olhos felinos vermelhos e assas negras em sombras. Aquela era a primeira vez que não sentia medo. Claro, que depois que ele sorriu macabramente ficou difícil não sentir. Ele segurou meu rosto e passou as garras de leve por meu pescoço. Pude sentir o sangue escorrer dos finos arranhões. Era estranho como seu rosto parecia tão embaçado mesmo estando tão claro.

"Eu vou devorar seu ser até esquecer quem é..."

Realidade — 07h:02m — Domingo

Eu acordei suando e senti meu corpo doendo. Levantei da cama e vi uma poça grande de sangue. Corri até o banheiro para ver varias marcas em meu corpo. Todas já estavam fechando e não mais sangravam.

"Então agora é real." Olhei meu reflexo e vi meus olhos inchados. Eu não lembrava de nada depois daquela frase, de certa forma eu não queria saber. "Seja o que ele tenha feito não quero saber."

Tomei um banho demorado debaixo da agua fria. Em certa hora eu estava chorando e soluçando até não me lembrar o motivo. Sai do banheiro me enrolando na toalha e peguei meu celular.

Post — Alguém sabe me disser

Eu queria muito saber se alguém sabe sobe pôs vida... Tipo existe algo como poço das tormentas? Estava me perguntando o que acontece com os mortos...

Comentários (3)

Que estranho pensamento... Isso é por que seu pai morreu? [Lola-Sonhadora]

RE: Não exatamente. [Alisa-Flores]

Nunca ouvi falar de poço das tormentas... Eu só não entendo por que está se perguntando esse tipo de coisa... Seu pai não era um homem bom? [Matt-Leitor]

RE: Não exatamente. [Alisa-Flores]

RE:RE: Sinto muito. [Matt-Leitor]

RE:RE:RE: Não sinta. Ele não era um bom homem, não posso mentir sobre isso só por que ele morreu. [Alisa-Flores]

Poço das tormentas? Talvez eu saiba algo sobre isso... [Usuário Anônimo]

RE: O que você sabe? [Alisa-Flores]

RE:RE: É para onde vai as almas imundas. Tudo que fizeram em vida passa por seus olhos sem parar. Por isso se chama "tormentas", eles são atormentados por seus erros, medos e escolhas erradas. [Usuário Anônimo]

RE:RE:RE: Entendo. Queria entender por que me respondeu de imediato... [Alisa-Flores]

Notas finais
Me digam o que estão achando... E não se esqueçam comentar não custa nada e ainda deixa a autora aqui feliz....