Possuídos

2 Capítulo Um


Notas iniciais
Boa leitura!!

Quando acordou, estava tonta e muito desorientada, percebeu que estava deitada em uma cama que parecia com uma maca de hospital. Olhou envolta e viu que estava mesmo em um quarto de hospital. Ela tinha sido capturada, estava com as criaturas que tinham matado sua mãe e todos que conhecia, exceto seu pai e seu irmão. Por que ainda estava viva? Se perguntou.

Levantou uma de suas mãos para ver se algo havia mudado, levou os dedos até o rosto e o tocou, nada estava fora do lugar, imaginou. Lentamente foi se levantando da maca em que estava deitada, viu que em cima de um pequeno móvel ao lado da maca havia um objeto metálico, Sophie o pegou, percebeu que era um bisturi e o escondeu sob seu shorts desbotado. Ela ouviu vozes do lado de fora e voltou a se deitar.

— Creio que a humana já acordou, vamos encontrar alguém forte para entrar nela.

Aquela voz... Sophie arregalou os olhos. Era a voz de sua mãe! E do que ela estava falando? Pensou Sophie.

Sophie conseguiu ouvir alguns passos se afastando e imaginou que os seres que estavam do lado de fora do quarto tinham ido buscar esse alguém para entrar no corpo dela, como faziam com todos os humanos que eram capturados. Alguns minutos depois Sophie voltou a ouvir passos do lado de fora e então as criaturas entraram no quarto.

Sophie certamente não sabia como reagir ao olhar para o corpo de sua mãe. Tantas lembranças lhe vinham à mente que seus olhos não conseguiram conter as lágrimas. Ao total, quatro pessoas entraram no quarto. A criatura que estava no corpo de sua mãe, outra que estava em um corpo de um homem com um bela barba e corpulento, uma terceira criatura que estava em uma mulher morena muito bonita, com os cabelos pretos muito longos, e a outra... Sophie arregalou os olhos reconhecendo-o, era a mesma criatura que a capturá-la e a trouxera para aquele lugar, o ser estava no corpo de um homem muito bonito, com incríveis olhos azuis e cabelos loiros. Enquanto os outros discutiam sobre o triste futuro de Sophie, ela não conseguia ouvir nada, estava hipnotizada com o olhar do ser que a capturá-la.
Ela estava totalmente inerte com a beleza daquele rosto, mas algo que a criatura no corpo de sua mãe disse chamou sua atenção imediatamente.

— Eu me lembro de você. — Disse a criatura. — Bom, eu não, mas a humana que estou usando se lembra. — A criatura abriu um sorriso. — Ela é sua mãe certo?

Sophie apenas confirmou com a cabeça.

— Essa humana me serviu bem. — Comentou a criatura.

— Seu monstro! — Gritou Sophie. — O que fez com ela?

A criatura deu uma risada esquisita.

— Ela lutou muito quando a possuí. Adorei ouvi-la gritando. Sabe o que ela gritava? — Perguntou a criatura. — Ela gritava por você, dizia que não podia te deixar sozinha. — Ela lançou um sorriso malicioso para Sophie.

Sophie pulou da maca e correu em direção ao corpo de sua mãe atacando-a com o bisturi que pegara. Antes que pudesse sequer encostar o metal frio na pele da criatura, Sophie foi pega por mãos fortes e arremessada para longe. Ela sentiu um baque quando suas costas encontraram uma das paredes do quarto e caiu no chão. Quando conseguiu erguer a cabeça novamente, percebeu que fora a criatura no corpo da garota morena que a arremessou para longe. Os homens apenas assistiam do outro lado do quarto.

— Que garota estúpida. — Disse a morena.

Sophie foi erguida e colocada em cima da maca novamente.

— Eu trouxe vocês dois aqui, porque vocês são os melhores ajudantes que tenho. — Disse a criatura dentro da mãe de Sophie. — Tenho a impressão que possuir essa humana não vai ser uma tarefa muito fácil, pois ela conseguiu sobreviver até hoje e tentará resistir, como a mãe dela. Nosso amigo aqui. — A criatura apontou para o homem de olhos azuis. — Conseguiu pegá-la ontem a noite. O que eu quero saber é qual de vocês irá possuí-la.

Eles ficaram calados, aparentemente nenhum deles gostou da ideia de possuir Sophie.

— Que tal você Loren? — A criatura no corpo da mãe de Sophie apontou para o homem de barba grande.

— Ora, Beatriz você sabe muito bem que eu gosto dos hospedeiros homens, essa daí não tem nenhuma barba. — Disse Loren, parecendo uma criança mimada o que fez a criatura no corpo da mãe de Sophie revirar os olhos.

— Então você Samy? — dessa vez ela apontou para a morena bonita.

— Por quê? Essa garota não é atraente, e com certeza não tem nenhum diferencial dos outros humanos que já capturamos e possuímos, e aliás, vai ser um desperdício eu possuir essa daí e deixar esse corpo magnifico apodrecer. — Disse Samy olhando para Sophie.

— Acho que ela é diferente dos outros humanos, posso estar enganada, mas ela sobreviveu até hoje e tentará lutar como a mãe dela fez. Você sabe que quando os humanos tentam resistir o processo é mais lento e difícil. E esse corpo que você esta usando, o conservaríamos para outro poder usar. — Explicou Beatriz.

O que esses seres são? Pensou Sophie. Ela simplesmente continuou calada e assustada com tudo o que estava acontecendo. Eles iam possuí-la?

— Ok, eu faço. — Disse Samy, parecendo nada animada com tudo aquilo.

— Ótimo. — Disse Beatriz, parecendo muito satisfeita.

Sophie arregalou os olhos ainda em silêncio, parecia que o certo a fazer era manter a boca fechada.

— Calma querida, não vai doer nada... Em mim — Disse Samy, abrindo um largo sorriso. — Adoro a cara que eles fazem antes de serem possuídos. — Disse ela para ninguém em particular. Samy começou a sussurrar algo, mas Sophie não entendia o que era, ela percebeu que Samy estava falando em outra língua. Samy aumentou seu tom de voz e seus olhos começaram a brilhar, ela estava saindo de seu corpo humano. Sophie olhou desesperada para o homem de olhos azuis esperando algum tipo de ajuda, mas ele estava apenas assistindo sem nenhuma expressão no rosto.

Ela olhou novamente para Samy, que ainda estava sussurrando coisas, porém agora seu corpo todo brilhava, Samy soltou um grito e a luz ficou muito forte fazendo com que Sophie fechasse seus olhos.

Ela sentiu algo forçando entrar em seu corpo, porém fracassou, então ela percebeu que era Samy forçando a entrada. Sophie sentiu uma dor muito profunda na cabeça e ouviu um grito muito agudo no quarto, depois de alguns segundos ela percebeu que o grito saíra de sua boca. Estava acontecendo uma luta, uma luta dentro de sua cabeça. A cada segundo que passava, a dor aumentava e Sophie gritava cada vez mais alto se debatendo em cima da maca. Quando a dor em sua cabeça chegou ao ponto de fazê-la desistir de continuar lutando, ela percebeu que Samy parara de forçar e então ela não sentiu mais nada. Não ouviu mais nada e não viu mais nada. Ela estava inconsciente... De novo.

Notas finais
Obrigada por ler até aqui!!