Possibilidades
1 Quando quiser...
Notas iniciais
Não costumo escrever nada que não seja original, e para falar a verdade corro de crossovers como o diabo da cruz. Mas abro uma exceção para esse em especial.
Não creio que Elsa tenha ficado miraculosamente curada de todos os seus problemas psicológicos e gostaria de mostrar como imagino sua batalha diária, mesmo depois de tanto tempo e que todos saibam de seu segredo. Esse tipo de tristeza, medo e insegurança persistem, e apenas aqueles que sofrem com isso sabem disso...
Não creio que Elsa tenha ficado miraculosamente curada de todos os seus problemas psicológicos e gostaria de mostrar como imagino sua batalha diária, mesmo depois de tanto tempo e que todos saibam de seu segredo. Esse tipo de tristeza, medo e insegurança persistem, e apenas aqueles que sofrem com isso sabem disso...
A neve caía do lado de fora do castelo placidamente. Não era criação dela, era apenas o inverno que chegara. O natural. Podia ver as crianças correndo e brincando sob a supervisão não tão atenta de Anna. Ela deveria vigiar os pequenos, mas mesmo no estágio avançado de gravidez em que se encontrava ela conseguia ser mais imprudente do que eles. Era realmente uma sorte que ela tivesse Kristoff sempre atento a seus passos, cuidando dela. Sua irmã tivera tanta sorte por achar alguém que a amasse e cuidasse dela daquela maneira. Ela mesma já não teria tanta sorte. Quem se arriscaria a ficar a seu lado, correndo o risco de ser atingido por seus poderes?
Encostou a cabeça na janela e suspirou. Os cristais de gelo começaram a se formar e tomar conta dos batentes da janela, do vidro, da parede... Elsa assustou-se ao ver o que estava acontecendo. Afastou-se da janela e postou-se no meio do quarto, apertando as mãos uma na outra. Não podia deixar aquilo acontecer. Precisava manter o controle ou congelaria tudo novamente. Abraçou-se, a respiração acelerada e descompassada. — Não sinta, não sinta, não sinta... – murmurava em desespero para si mesma, como uma prece. — Não sentir o que? Elsa abriu os olhos que nem notara ter fechado. Na janela havia um garoto sentado displicentemente no beiral, apoiado num cajado de madeira velha. Deu um passo para trás, assustada, mas logo recuperou o controle sobre si e voltou à postura de rainha rígida. — Quem é você e o que faz aqui? — Sou Jack. Jack Frost. Estou aqui para trazer a diversão! – fez uma mesura atrapalhada, sorrindo para ela – E o que você faz aqui, trancada neste quarto enquanto todos estão se divertindo lá fora? — Me sinto indisposta – disse cruzando os braços – e você deveria ir antes que eu chame os guardas para te levarem daqui. Indiferente à ameaça da rainha e sua postura hostil, Jack entrou no quarto flutuando de costas enquanto gargalhava. — Tente enganar quem você quiser – disse flutuando ao redor de Elsa, assoprando seu cabeço – mas a mim não. Nós dois sabemos que você não fica doente nunca, Elsa. Elsa olhou para o garoto, irritada. Quem ele pensava ser, importunando-a daquela maneira? — Seu trabalho não é lidar com as crianças, elas estão lá fora! – disse apontado para a janela, tentando livrar-se dele. — Sim, mas acho que elas estão se divertindo bastante já – pousou na cama de Elsa, sorrindo zombeteiramente sempre – meu trabalho está feito lá fora. — E não tem nenhum outro lugar para estar? — E você Elsa – levantou-se e passou a caminhar lentamente ao redor da rainha – já terminou seus afazeres, hein? Não tem nenhum lugar para estar? — Todas as minhas obrigações diárias já foram finalizadas. – respondeu friamente, ainda de pé no meio do quarto sem mover um músculo. — Então, as minhas também! – Jack exclamou alegremente, jogando-se na cama de Elsa, espalhando almofadas e flocos de neve – e quando meus afazeres acabam, posso me divertir da maneira que quiser. Você também pode. – levantou-se e parou à frente de Elsa. Jack pôde ver a dor e insegurança nos olhos dela e sentou vontade de abraça-la. Observara-a por toda a vida dela, sem que a garota nada percebesse. Partia-lhe o coração vê-la definhas daquela maneira, imersa em sua tristeza e insegurança. — Eu não posso – ela murmurou, os olhos enchendo-se de lágrimas – E se eu machucar alguém de novo? – baixou a cabeça para que o garoto não visse as lágrimas que rolavam por seu rosto. — Hey – pegou o queixo de Elsa delicadamente e ergueu seu rosto para que pudesse olhas em seus olhos – Sei do medo que tem. Também tive. Mas é só porque nunca aprendeu a controlar o dom que recebeu. Você foi trancada neste quarto porque não sabia controlar o poder que tinha e seu medo e insegurança criaram uma prisão que é interna – pousou a mão no ombro da rainha, aproximando-se um pouco mais dela – de nada adianta abrir os portões do castelo e caminhar por ai, enganando a todos e fingindo que está tudo bem quando você ainda está presa aqui – tocou a testa de Elsa, deixando-lhe um floco de neve na pele. — É tarde demais, Jack. — Não! – exclamou e apertou os ombros de Elsa – Não é tarde demais! Venha comigo, posso te ensinar a controlar isso e você nunca mais precisará ter medo. — Você está louco. E se eu perder o controle e machucar alguém? – desvencilhou-se das mãos de Jack e recuou alguns passos, apertando as mãos nervosamente. — Vamos para um lugar afastado. Agora! Jack flutuava novamente ao redor de Elsa, animado. Ela tinha uma expressão entre surpresa e incrédula na face. — E Arendelle? E Anna? Não posso deixar tudo para trás! — Pode sim, Elsa – Jack desceu ao chão e agora falava calma e docemente – Não pode controlar tudo sempre. Nomeie alguns regentes e venha comigo. Prometo que voltaremos antes até que sua sobrinha nasça. Elsa sorriu e começou a ceder. Caminhou até a janela e olhou a paisagem e as pessoas se divertindo. Queria fazer parte daquilo. — Muito bem. – virou-se e sorriu para Jack – Quando partimos? Jack sorriu travessamente e estendeu a mão para Elsa. — Quando quiser.
Notas finais
Comentários são sempre aceitos, positivos e negativos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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