Possessão Psiônica
1 Capítulo I - Um Começo (Quase) Clichê
CAPITULO I
Meu nome é Klischee Leben,
Até pouco tempo, eu realmente pensei que minha vida seria monótona, o meu nome significa vida clichê, ou seja, eu estava destinado a isso ou pelo menos eu pensei que estava.
Tenho quinze anos, curso o primeiro ano do ensino médio, não sou um bom aluno na verdade a minha simples presença na sala de aula não tem a mínima diferença, eu sou um ser invisível para a sociedade, não tenho amigos e não pretendo ter tão cedo.
Eu me sinto esquisito, um Homo sapiens de estatura média, cabelo curto preto, e olhos tão negros quanto à noite sem estrelas, muito magro, sofro de transtorno de espectro autista, não me sinto a vontade perto de pessoas, ou seja, eu sou um típico adolescente antissocial.
Numa manhã de quinta, acordei nada disposto a ir para escola era uma manhã fria mais que o habitual, já que eu moro em International Falls, “A cidade mais fria da América do Norte”, eu não cheguei a estranhar o clima apenas me levantei, tremendo de frio, fui atrás de um café quente para me aquecer.
Então fui até a cozinha, e lá em pé perante o fogão observando e esperando a água entrar em ebulição, estava o meu pai vestido com o seu uniforme de carteiro, blusa azul clara, boné azul escuro, botas pretas, calças com a camisa para dentro, ele tinha uma barba ralada, mas o seu rosto era praticamente o meu um pouco envelhecido, os mesmos olhos, o mesmo cabelo, tudo parecia comigo.
Meu pai, Harry Leben, preparou então o café, e me serviu não trocamos nenhuma palavra, eu amo o meu pai mas em comum só temos a aparência, e eu não costumo conversar muito, tomei o café e fui para o meu quarto me arrumar para ir à temível escola.
Vesti o meu uniforme escolar que era uma blusa branca e uma calça azul escuro e botei por cima o meu casaco favorito, preto e quentinho.
Cheguei à escola, cabisbaixo, com as mãos no bolso do casaco, sentei na última cadeira, da última fileira me encostei-me à parede e esperei as horas passarem, sentia que ninguém se importava comigo nem o professor, eles me olhavam de relance, mas disfarçavam já tentaram puxar conversa comigo, mas mandei eles se ferrarem.
Mas tinha uma garota em especial que me chamava à atenção, pelo simples fato de todos estarem ao redor dela, por alguma razão que eu nunca entendi “o que será que essa garota tem?”, pensava comigo mesmo, havia algo de especial, “ela tinha muita inteligência para partilhar?”, porque dali onde eu estava sentado parecia apenas mais uma. E o meu professor, ele pode até não saber, mas eu gosto dele, ensina bem, sempre sorridente, me dava um pouco de alegria a sua presença com suas piadinhas, apesar dele não se interessar pela minha simples existência.
Quase final da aula, é nesse momento que minutos se tornam horas, e dois meninos um na minha frente e outro na minha direita, estavam debochando de uma menina gordinha na frente do da minha direita, eu fiquei com um anseio para defendê-la, “mas eu nem sei o nome dessas pessoas, eu não me importo”, pensei, então retomei o meu lugar, coloquei a cabeça na mesa, e fechei os olhos e cochilei.
Mais tarde, sinto um pedaço de madeira bater em minha cabeça, me assusto, abro os olhos repentinamente e ergo minha cabeça, e estava um senhor de meia idade segurando um cabo de vassoura sobre minha cabeça.
— Ó menino, ó menino, todos já se foram o que você ainda esta fazendo aqui, babando? – Resmungou o senhor, que claramente era o zelador.
—Ué, nem o professor me acordou, não era minha intenção “curtir” mais a escola, senhor. – disse eu meio sonolento com um tom sarcástico.
Então me levantei, peguei minha mochila, me despedi e agradeci ao zelador por não me trancar na escola dormindo, e fui para casa como já era um pouco mais tarde que o habitual não havia mais ônibus, então tive que ir caminhando até o outro lado da cidade.
Estava escurecendo, começava a apertar os passos, Intercional Falls não é a cidade mais perigosa do mundo mas todo cuidado é pouco, decidi pegar um atalho dentre um beco, eu não sei o porquê de eu decidir aquilo, mas senti como se aquele beco me chamasse, no meio do beco tinha o que parecia um mendigo sentado, ele começou a olhar para mim, e sussurrar:
—É ele? Você tem certeza? Você tem certeza, Porque o meu tempo esta acabando, eu já não aguento mais essa dor.
O velho mendigo começou a tropeçar para o meu lado, e de repente, aquela minha vontade de defender alguma pessoa retomou, segurei-o, e o coloquei de novo no monte de papelão e cobertores rasgados em que ele estava sentado.
Ele estava fedendo tanto, que me dava tonturas, ele do nada segurou nos meus braços bem firme, e disse nos meus ouvidos:
— Esta maldição, agora te pertence, eu me livro dela, ela te escolheu, como seu novo tormento.
Enquanto ele me segurava e dizia isso, eu não conseguia enxergar nada, eu não via nada além de muito branco, era uma grande tela em branco, e senti muita dor dentro da minha cabeça, como se um alien tentasse entrar por ali, era uma dor insuportável, gritei muito e desmaiei.
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