Possessão Psiônica

2 Capitulo II - O que esta acontecendo?


CAPITULO II

Tentei abrir os meus olhos, não estava conseguindo fiz um esforço maior e um pequeno raio de sol entrou pela minha retina, e pareceu queimar toda a minha cabeça por dentro e então percebi que havia passado praticamente toda a noite nesse beco, ainda estava meio tonto mas precisava ir para casa, meu pai devia estar preocupado. Peguei a minha mochila que estava sobre aquele monte de papelão que o “mendigo” estava, apressei os passos cambaleando de um lado para o outro, tentei encontrar um apoio em qualquer coisa à minha frente, demorei mas avistei a minha casa de longe e tinha uma viatura na frente dela, não estranhei logo pensei que meu pai devia estar preocupado e chamou a polícia.

Bem, eu não fui conferir se era realmente isso, minha cabeça estava girando muito passei direto pela varanda quase empurrando um dos policiais, ele olhou com surpresa para mim e logo atravessando a porta estava o meu pai, ele claramente estava muito preocupado, ele correu para meu lado segurando para não gritar comigo em frente as autoridades, não me importei, já não estava mais me segurando em pé, fui até meu quarto e desmaiei de novo. O Harry, meu pai, ficou me observando dormir, dispensou os policiais e pegou uma coberta grossa pois estava de manhã e me esperou acordar para fazer as perguntas.

Eu havia sonhado com aquele mendigo, com aquele momento em looping até eu acordar, minha cabeça estava melhor já conseguia pensar direito e parecia ser bem tarde, me levantei e fui procurar pelo meu pai e ele estava na sala dormindo sentado, ainda com seu uniforme e com a televisão ligada passando um tipo de documentário da segunda guerra mundial. Resolvi deixa-lo dormir, e fui tentar preparar algo para comermos assim que ele acordasse, abri a minha bancada e vi que não tinha nada nem mesmo na geladeira. Apenas água armazenado em garrafas PET e umas maçãs.

Como não tinha mais nada, peguei uma maçã e decidi ir no mercadinho que ficava a uns três quarteirões da minha casa, pensando que o meu pai poderia acordar e preocupar por eu não estar por perto, escrevi um bilhete e colei na geladeira. Chegando no mercadinho, pensei em fazer um omelete então peguei alguns ovos e fui até o balcão:

— 12,80 – Disse o balconista, que era um empregado novo no estabelecimento, nunca tinha o visto antes.

—Hum, sim... Vejamos, aqui está – eu disse procurando o dinheiro que eu peguei do bolso da calça do meu pai, e então lembrei que coloquei dentro do bolso do casaco, então eu ouvi na minha mente o balconista dizer:

— Meu Deus, que cara lerdo em Ericsburg — Cidade próxima de international Falls — as pessoas não eram tão lentas...

—Então porque saiu de lá? – Retruquei aborrecido pelo o que eu havia acabado de ouvir. E joguei o dinheiro em cima do balcão.

O balconista olhou para mim perplexo, parecia não entender o que havia acabado de acontecer, estava pálido. Ele ia me dizer algo, mas eu virei as costas e fui embora e não dei ouvidos.

Chegando em casa, o meu pai ainda estava dormindo “Ele deve ter passado a noite e a manhã inteira acordado, preocupado em comigo” pensei, e logo percebi que ele não havia ido ao trabalho para ficar comigo, e que eu faltei a escola mas esse era o de menos, não estávamos em uma situação financeira boa para ele ficar faltando. Preparei os omeletes com açafrão e tudo mais, me sentindo o maior chef gourmet. Depois de pronto, coloquei em um prato para mim e em outro para o meu pai para assim que ele acordasse, demorou mais alguns minutos até ele finalmente acordar.

—Boa noite dorminhoco, seu omelete já deve estar frio.

—Klis, eu fiquei preocupado, você sabe que eu preciso trabalhar, onde você esteve de ontem à tarde para hoje de manhã?

—Err...- Eu devia ter pensando em uma desculpa, não posso falar que fiquei em um beco e fui desmaiado por um mendigo.

—Err...? – Meu pai falou com um tom de deboche, mexendo a cabeça para o meu lado.

—Bem, eu perdi o ônibus e passei mal então parei no Smokey Bear Park, sentei em um banco e acabei dormindo...

— Hum sim, eu preciso comprar um celular para você – Meu pai sabia que isso que eu falei não era verdade mas deixou, ele confia em mim e eu estava bem era isso que importava.

—Não precisa por agora. Pague as nossas contas primeiro, depois pensamos nisso.

Ele me deu um abraço forte, eu vi que ele estava se segurando para não chorar.

— Agora, vai comer seu omelete que eu preparei.

— Você? Ora essa já temos um outro adulto nessa casa.

— HA HA HA, muito engraçado.

Eu e o meu pai já havíamos dormido o bastante, ficamos até tarde tentando conversar, mas sem trocar muitas palavras e maratonando “STAR WARS”, eu era muito fã e meu pai havia me dado um box de fita casssete com a trilogia clássica, ainda não tínhamos conseguido comprar um DVD, e ficamos assistindo, meu pai não gosta tanto e acabou dormindo no final do episódio V (Na melhor parte) e como eu também não posso ir pra escola sem dormir, terminei de ver o episódio V e tentei dormir um pouco.

— Acorda, Klis acorde, acorde...

Abri os olhos involuntariamente logo após ouvir meu pai me chamar, mas ele não estava por perto, estranho. Senti cheiro de ovos fritos e café, estava vindo da cozinha, Harry estava fazendo o café da manhã fui até ele e perguntei:

— Pai, você me acordou agora? Nem esperou o despertador.

— O que? Não, eu até pensei em te chamar, mas eu só pensei, não cheguei a chamar. Estou fazendo o nosso café.

—Pai... Fala sério, eu ouvi você me chamar claramente.

— Filho, eu já disse que não, Para que eu iria mentir? Agora toma seu café você acordou cedo então não precisa correr.

— Okay.

Terminei de tomar meu café da manhã, peguei minha mochila e meu uniforme a rotina de sempre e fui para a escola. Sentei no mesmo lugar de sempre, percebi que a menina gordinha não veio na aula e o garoto do meu lado passou para frente para o lugar dela para conversar com seu amigo que sentava do lado dela, bem não havia ninguém do meu lado então fui fazer o que faço de melhor na aula, fui dormir.

Cochilei o primeiro período todo, quando eu acordei com uma batida na mesa do lado, olhei bem e alguém estava se sentando na cadeira vazia eu não sabia quem era, eu não conheço quase ninguém da minha sala, troquei de escola semana passada, não conhecia praticamente ninguém mas nunca tinha visto esse rapaz. Eu pensei em conversar com ele mas não sentia a mínima relevância então voltei a cochilar, até que fui acordado de novo dessa vez pelo meu professor:

— Klis, Klis pelo amor, você esta aqui a uma semana e só tem dormido, você ouviu o que eu disse?

“Ele falou alguma coisa? Bem pelo menos dessa vez tenho certeza que foi ele quem me acordou.” Pensei.

— Hum err... Não senhor, eu não ouvi.

— É para se sentarem em duplas para fazer o teste de trigonometria. E você vai se sentar com o Herz.

— Ah sim... – Falei balançando a cabeça e pensando quem diabos é esse Herz.

Fiquei parado esperando esse Herz, seja lá quem for, vir até mim. O garoto que me acordou antes veio trazendo a mesa até mim para juntar as duas mesas, logo após ele ter feito isso eu indaguei:

— Presumo que você seja o Herz.

— É sim, eu mesmo. Você não sabia?

— Claro qu...

— Eu me apresentei na frente da turma, há um período atrás – ele me interrompeu.

— Como o professor disse, eu estava dormindo, como sempre, só acordei quando você se sentou e voltei a dormir mas você é aluno novo então?

— Bem, sim e como você está presumindo isso eu acho que você também.

— Sim... Como o professor disse, faz uma semana, Sherlock – Então aquela garota que todos ficam em volta veio até a nossa mesa entregar o teste quando eu ouvi “Uau, que gostosa”, eu logo virei para o Herz e falei:

— Cara não fala isso na frente dela.

— falar o que? – Ele me olhou com o rosto suado.

— Chamar a menina de gostosa na cara dela, não é legal.

— Mas... Mas eu não falei isso – E então ela olhou para trás com certeza nos ouviu falando – Obrigado! Agora ela acha que eu sou um tarado pervertido.

— Mas você fal...- Quando eu ia completar a frase milhares de vozes veio na minha cabeça, se amontoando e sobressaindo uma da outra minha cabeça parecia que iria explodir. Estava doendo tanto, uma dor insuportável que eu saí correndo e gritando, sem pensar da sala de aula e corri para o banheiro.