Possessão
1 Um pouco sobre mim
Notas iniciais
Espero que gostem!
Eu não sei como você foi tratado/tratada. Não sei se teve muitos amigos, mas eu posso afirmar uma coisa sobre meu respeito: sempre fui solitária. Vítima de bullying e adolescente de 17 anos com problemas de automutilação. Graças a isso tenho algumas cicatrizes nos pulsos e em outras partes do corpo. Desculpe pela apresentação meio fria, mas foi assim que aprendi a ser. A propósito, meu nome é Bianca.
* * *
Risadas.
Apressei o meu passo.
Mais risadas.
–Droga! – sussurrei.
Eu havia entrado em uma rua em saída. Virei para trás e me deparei com a gangue do colégio.
– Pensou que ia escapar querida? Não é porque terminamos o Ensino Médio que agora deixaremos de nos ver, não é? Nós ficaríamos com saudades! – Helena deu um sorriso sarcástico –
– Me deixem em paz, por favor – disse enquanto tentava pensar em uma maneira de fugir –
– Não iremos te machucar! Basta nos obedecer, você sabe disso! Por que tanto medo? – replicou Caio -
– Danilo... Você está solteiro, não é? – perguntou Marina
– Estou.
– É... Acho que tive uma ideia. Você gostaria de ter um tempinho com a nossa amada Bianca, não? Ela nunca teve um namorado! Você bem que poderia ensiná-la alguma coisa.
– Gostei da ideia – ele respondeu sorrindo – Tire a blusa Bianca.
Os quatro entreolharam-se.
– Vamos Bianca! Você está com medo? Garanto que ele irá adorar. Ande, ande! Tire a blusa!
– Calma Helena, não seja impaciente. Como a Marina disse, ela não tem experiência.
– Eu não farei isso –disse com frieza –
– Você ouviu Danilo? Ela não quer tirar a blusa –Marina estava fazendo biquinho –
– Qual é Bianquinha, estamos sendo gentis. Não nos faça tirar a sua blusa a força. Será algo muito mais desagradável.
– Vocês não mandam em mim! – gritei -
As lágrimas começam a escorrer dos meus olhos. Não era possível! Quando eu achei que ia ter paz, o inferno me encontrou.
Fitei Danilo com raiva.
Marina aproximou-se de mim e deu-me um soco no rosto. O gosto de sangue invadiu a minha boca e encarei-a.
– Patética – balbuciou –
– Caio e Danilo, por favor, tirem a blusa dela.
– Pensei que a diversão seria só minha –
– E será Danilo, mas é que você não conseguirá pegá-la sozinho. – Marina riu -
Não pensei duas vezes. Comecei a correr e esbarrei na Helena, derrubando-a no chão. Corri com todas as minhas forças. — Para onde vou? Não, não importa. Só preciso continuar até os passos atrás de mim cessarem- pensava comigo mesma.
Meu pulmão parecia estar em chamas e a minha respiração ficava cada vez mais acelerada. Tudo em minha volta era um borrão.
Eu não ouvia mais os paços. Parei de correr e olhei para trás: não havia ninguém. Suspirei em alívio e olhei o relógio: meia noite e meia. Perdida no meio da noite com a boca sangrando. Não poderia ficar pior.
Ouvi o barulho de um carro se aproximando. Olhei para trás e gelei: o motorista abriu a porta da sua humilde BMW, saiu e fitou-me:
- Você está bem? – perguntou –
- Estou perdida e acabei me machucando. Só isso. – respondi virando-me olhando para o rosto do sujeito –
Cabelos castanhos claros, olhos amêndoa, pele branca, mas não pálida. Braços musculosos apertados pelo suéter. Altura em torno de 1,85 m. Idade... Provavelmente na casa dos vinte.
- Você não deveria dizer a um estranho que está perdida, não é? – ele sorriu –
- Não tenho nada a perder, na realidade.
Ele me olhou com curiosidade.
- Não? Bom, isso não vem ao caso agora. Aceita uma carona? Você parece estar exausta.
Eu sei que não deveria aceitar carona de um estranho, mas aceitei.
- Sim, muito obrigada.
Ele sorriu novamente com a minha resposta e abriu a porta do carro para eu entrar.
- Obrigada.
- Não precisa agradecer, é o que qualquer homem deveria fazer na presença de uma donzela em perigo, não é?
Eu sorri rapidamente, pois meus lábios doíam e ainda tinham gosto de sangue.
- Tome – disse ele entregando-me um lenço –
- Obrigada, mais uma vez.
- Qual é o seu nome?
- Bianca e o seu?
- Roberto. Prazer em conhecê-la, Bianca. Lamento apenas ser desta maneira – ele disse olhando-me com pena – Para onde devo ir senhorita?
Pensei um pouco e passei o endereço de três ruas anteriores a minha.
Ficamos em silêncio por um bom tempo.
- Como você foi parar em que me encontrou? Com essa BMW não se parece algo muito seguro de se fazer.
Ele riu baixinho.
- Na realidade, eu te persegui. Percebi que você estava fugindo, a sua expressão deixava isso claro e, além disso, ao me aproximar notei que sua roupa está suja de sangue, o que não é normal. Por isso fui atrás de você.
Fiquei chocada. Ele havia ido até lá só para me socorrer? Ninguém nunca havia feito algo tão gentil por mim (exceto pelos meus pais). Não pude conter o sorriso.
- Não sei como agradecer.
- Eu sei.
Encarei-o surpresa.
- Como?
- Dê-me uma chance de conhecê-la. Pelo visto você tem uma grande história para contar-continuei encarando-o – e eu sou alguém disposto a ouvir.
- Bem, eu... eu estou livre todos os dias, então é só me dizer quando é mais conveniente para você.
- Não se preocupe, irei encontrá-la – sorriu –
Apenas quando ele terminou de falar percebi que o carro já estava parado.
- Pronto. Estamos aqui.
Olhei para fora já reconhecendo a rua. Fitei-o e agradeci mais uma vez, saindo do carro.
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