Posse irracional

1 Posse Irracional


Prometi para mim, nunca mais postar e por um lapso no tempo acreditei ter uma crença real. Todavia, como fugir deste método de expressão? Você pode abandonar este livro demasiadas vezes na sua escrivaninha, jogue-se ao mar e ele virá junto. Compreendo que isto, este âmbito, é um complemento absurdíssimo da minha alma e o único modo de comunicá-los dos meus erros, é escrevendo como um condenado, todavia que sente prazer na sua labuta.

Enquanto extravio-me, escrevendo e chorando, constato como nenhum outro, que em todas as minhas obras há um pedaço indubitavelmente grandioso, com uma visão explicita que me faz questionar, se vale mesmo lançar-me ao ar.

O início de tudo que conheço hoje se inicializou através de conversas privadas e resumia-se em descargas públicas, dotado de esperança espero que isto continue, mesmo que a roda dos ventos aponte para a direção contrária.

Em um mundo de especulações, posso dizer que Ela se acostumou ao adeus, depois de ir embora sem despedida inúmeras vezes, deixou territórios inexplorados, beijos incompletos e fúrias adormecidas. Conheceu pessoas que tem certeza que nunca verá novamente. Diferente do relator, que após ser dispensado em um precipício continua sofrendo com cada empurrão, com cada baque suicida. Hilário, ano após ano e o mesmo fato se contesta, contextualiza-se com faustosa habilidade.

Provavelmente assinei previamente a minha sentença, até aprender subir na carruagem da vida, irei cair várias vezes, e a distância será a minha imensa inimiga. Pode acreditar no seu mundo ilusório que é a sua distância que me martiriza, porém é a minha distância, aquela que sinto do meu próprio eu, ou melhor, dizendo, do meu complemento. Após ser renegado na minha primeira experiência “amorosa”, a essência do meu ego foi embora, e em cada relação conjugal leva com ele mais uma parte minha, cansei de esperar o seu retorno e este cansaço também me impede de correr atrás, humilhado ou afugentado pelos meus próprios medos de ver tudo se repetir em um loop infinito de sofrimento e adeus descompensado.

E quando o filho pródigo volta, é apenas para buscar o que deixou na partida.

Mentiria se dissesse que esqueci os nomes daquelas que já passaram na minha vida, o tempo deve ser mesmo uma dimensão física, e por isso pode ser dobrado, alongado, dimensionado e portanto, o exato acontecimento de cerca de um ano atrás, irá se repetir, rebobinar e recomeçar até que eu aprenda dizer que nada me pertence. E que essa posse que tanto almejo, nunca irá acontecer.

Afinal, o local onde moro não é meu, o carro na garagem não me pertence, e aquela que seguro a mão (ilusoriamente), não pertence nem aos pais que trouxeram ao mundo.

Compreendo, agora, que tudo se resume em uma possessão doentia. Por todo esse tempo acreditei poder reter areia em minhas mãos, após este texto, esta reflexão rasa, capto que nem o corpo que habito, será parte da minha lista de posses.

“Aceita, confia e agradece”. Aceite, como eu tento aceitar desde que nasci.

Não se despeça, pense, pense até a insanidade se tornar poeira para fumo, e depois viva sua vida tendo a certeza que apenas restará em uma certa etapa da vida, a sua cabeça, os seus aspectos intelecto-morais e quanto mais apegado for a matéria, aqui ficará até entender o que demorei tanto absorver.

Vá, se este é o seu lugar. Não posso te prender, por mais que ainda quisesse.

Você não pode estabelecer uma relação que te impossibilite de viver sem ela.

O fim desta obra não existe, espero ter abrangido alguém, pelo menos uma alma e se ela se fortalecer pelo meu relato quebradiço, a minha vida valeu a pena, e partir, será só um detalhe.


25/01/2015

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!