Uma sensação desconfortável dominava o corpo de Sanji, como se olhássemos para o céu e vermos silhuetas gigantes que provavam a existência de Dark Watchers no mundo, pelo menos no mundo revirado de Sanji deveria existir. Era um adolescente como qualquer outro, um que passava a questionar tudo ao redor e a todos. Se era certo ou não, se era pecado ou não, se Deus existia ou não. Não tinha certeza de nada e se achava um cagão por estar quase sempre em cima do muro, diferente de seu amigo Zoro. Esse simplesmente não dava a mínima, apenas vivia e tal atitude fazia Sanji admirá-lo mais ainda, porque nunca que Zoro iria se descabelar todo por um problema que nem era tão grande assim.

Naquele sábado, Zoro esperava Sanji passar na sua casa para os dois andarem de bicicletas juntos até a casa abandonada, lugar que se escondiam pra falar de assuntos diversos e inúteis. Teve até mesmo uma tarde que começaram a especular se Dark Watchers existiam ou não, mas Zoro jurava que viu um enquanto andava de bicicleta no campo de centeio ao redor do esconderijo. Chovia, um raio caiu no horizonte e o céu ficou claro, e nesse exato momento, Zoro viu duas silhuetas o observando. Se chegasse mais perto, tinha a certeza que eram gigantes, porque visto de longe a imagem era perceptível e se fosse um humano normal, nenhuma sombra cobriria o céu daquela forma.

— Marimo, pra quê você tá trazendo esse assunto de volta? — Perguntou Sanji, cansado de ouvir aquela mentira o tempo todo. Jogava cartas com Zoro num sofá empoeirado (que eles mesmos arrumaram) do casebre abandonado. — Você só estava bêbado!

— Ei, eu não fico bêbado por mais que eu beba, você sabe disso, mas hoje eu me lembrei de algo. — Respondeu arremessando uma carta no caixote entre eles servindo de mesa.

— Ah, você se lembrou de algo...

Tinha um sarcasmo na voz de Sanji, porque o idiota não sabia nem mentir.

— Sim, eles tinham asas! Estou achando agora que eram anjos!!

Sanji largou as cartas e se levantou, aborrecido. Como ele iria se esquecer disso? Só estava mentindo como Usopp. — Anta, por que só se lembrou disso agora?!

Zoro falara daquilo umas mil vezes, e só na versão daquele dia que trazia essa informação.

— Ei, não fique nervoso, sobrancelha enrolada! — Disse ao respeito de ter lançado as cartas do baralho num jogo que estava vencendo. — E bem... eu acho que fiquei nervoso e só me lembrei agora.

Sanji não se aguentou e se jogou no Zoro para lhe dar alguns tapas, o marimo começou a rir e conseguiu pegar em seus pulsos estreitos para pará-lo. O peso do corpo de Sanji fez com que caíssem do sofá para o assoalho, portanto, Zoro estava sob ele e seus olhos castanhos muito pertos. Dava um sorrisinho travesso, que fez o sobrancelha enrolada corar ainda mais.

Pensou em como os sorrisos de Zoro eram leves e lhe davam uma sensação de segurança. Os pensamentos que o fazia se dividir para decidir, perdiam o sentido quando via o amigo esboçando um.

Zoro soltou os seus pulsos e segurou o seu rosto, uma mão passou a deslizar nos seus cabelos loiros para poder ver o seu outro olho.

— M-Marimo...

Ainda não estava acostumado com aquele contato tão íntimo e Sanji achava Zoro genial, porque mais uma vez ele não dava a mínima, não ficava sem graça, não havia gaguejos em sua voz rouca. Era sempre tão decidido que fazia Sanji pensar que se unirem dessa forma era a coisa mais certa a se fazer.

O marimo o puxou pela nuca e envolveu seus lábios nos dele. O corpo de Sanji relaxou ainda mais, ficando totalmente sobre si. Um gemido baixinho escapou e lá fora caía uma chuva sobre o campo de centeio.

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