Porto Seguro - 2ª Temporada
8 8. Mundo, tudo assim ao mesmo tempo?
Notas iniciais
Espero que gostem!
Boa leitura!
P.S: não consegui responder aos reviews do capítulo anterior, mas li todos eles e os amei!
8. Mundo, tudo assim ao mesmo tempo?
POV EDWARD
- Edward?
Emmett me olhou surpreso, e eu engoli em seco. Ele abriu espaço para que eu entrasse em seu apartamento, e eu o fiz.
Passei a mão nos cabelos, sentindo meu coração bater rápido. Tudo passava na minha cabeça ao mesmo tempo, e eu sentia raiva. E culpado.
Eu percorri NY inteira desde a hora em que saí de casa, e por fim decidi vir até Emmett... Só ele para me ajudar nesse momento. Era sempre ele.
- Você parece um psicótico. – Emm falou. – Sente-se aí no sofá, eu vou pegar algo para você beber.
Apenas assenti e ele foi para a cozinha. Sentei no sofá sentindo todo o meu corpo pesado. Passei a mão no rosto, respirando fundo.
Por que ela não me contou? Eu sou seu marido, — mesmo que não oficialmente – e ela devia ter me contado. Eu devia ser a primeira pessoa a saber disso. Ela corria o risco de morrer e eu tive que descobrir isso através de uma merda de papel.
Senti uma mão em meu ombro. Emmett. Ele me entregou uma taça de vinho e eu agradeci baixo, bebendo três goles seguidos da bebida.
- Vai com calma aí. – ele brincou.
Sorri levemente, amargurado. Eu me sentia um caco. Emmett ficou em silêncio sentado ao meu lado, apenas esperando momento em que eu me abrisse.
Era por isso que Emmett era meu irmão preferido. Eu amava Jasper, é claro, mas eu sempre fui mais ligado em Emmett. Talvez porque ele sempre sabia que havia algo errado mesmo antes de eu dizer algo. E ele sempre sabia como me ajudar e aconselhar. E ele esperava o momento em que eu estivesse pronto para falar, não pressionava.
Suspirei.
Desatei a contar tudo o que havia acontecido, desde o dia em que Bella passou mal pela primeira vez, — ao menos, era a primeira vez que eu via – até o que aconteceu horas atrás.
Ao fim da história, Emmett me olhava estático, quase sem respirar. Por fim, soltou o ar e me olhou parecendo sem saber o que falar.
- Eu não sei o que dizer. – murmurou. – A Bella está com tumor?
- Sim.
Ficamos em silêncio por mais algum tempo. Meu vinho já no final.
- Ela devia ter te contado, é claro. – ele finalmente falou. – Mas...
Agora é que vinha. Eu sabia o que ele iria dizer.
- Você sabe que o que fez foi errado. – falou sério. – Tudo bem, foi um tremendo susto para você e você ficou irritado por não ter descoberto através dela, mas cara... Se você está assim, imagina como ela está. Não é você que está com algo se formando dentro da sua cabeça que pode te matar. A Bella tem você, tem as crianças, ela é uma mãe para todo mundo, até para Rose... Ela deve estar se sentindo incapaz agora. Está arrasada.
Respirei fundo, largando a taça sobre a mesa de centro e passando as duas mãos no rosto. Senti algo crescer dentro de mim, abafando minha respiração. As lágrimas começaram a cair e eu senti os braços de Emmett ao redor dos meus ombros.
- Eu não posso perdê-la, Emm... – murmurei. – Bella é tudo para mim...
- Eu sei, calma.
- E ela devia ter me contado... Eu me sinto inútil por ela não ter me contado. O que eu vou fazer se ela...?
Emmett suspirou.
- Ela vai ficar bem. Converse com ela direito, ok? Ela precisa de todo o seu apoio nesse momento. Entendeu?
Assenti, limpando meu rosto. Já estava de noite, e Emmett me deixou passar a noite em seu apartamento. Segundo ele, eu já “estava bêbado, e não se faz as pazes com a mulher estando bêbado”.
Dormi em seu quarto de hóspedes, — muito mal por sinal.
Na manhã seguinte, acordei com uma dor de cabeça dos infernos, mas melhor. Tomei um café-da-manhã rápido com Emmett, porque ele ainda iria sair com Rose, e prometeu passar em minha casa mais tarde com ela para ver Bella.
Peguei meu carro na garagem do prédio e dirigi rápido para casa. Eu só esperava que Bella me perdoasse pelo meu surto da noite anterior...
Eu a amava. Não poderia perdê-la de maneira alguma. E eu a faria saber disso, mais do que nunca.
POV BELLA
Little House – Amanda Seyfried
Eu abracei o corpo pequeno de Melanie mais próximo do meu, respirando o cheirinho de chiclete que o seu cabelo tinha. Estávamos de conchinha em sua cama. Ela não conseguia dormir de noite, e me chamou.
Ambas com seus próprios pesadelos.
Ela ressonava tranquilamente, e eu tentava fazer o mesmo, mas era impossível. Eu fechava os olhos e a lembrança de Edward gritando comigo me atormentava. Eu precisava dele mais do que nunca, por que ele fez aquilo?
Eu iria contar, mas não tive oportunidade... E ele ficou tão irritado...
Suspirei, decidindo levantar. Ainda era 07:30 da manhã. Dei um beijinho na testa de Melanie e saí de seu quarto. Passei pelo quarto de Nessie e o de Austin, ambos dormiam pesadamente. Beijei a testa de cada um e passei pelo quarto de Alice. Vazio.
Sorri levemente. Pelo o que ela me contava pelo telefone, estava tudo correndo maravilhosamente bem. Eu a queria aqui. Mas ao mesmo tempo eu queria mantê-la afastada disso tudo.
Como eu contaria para ela o que estava acontecendo? Ela estava em plena turnê...
Suspirei, balançando a cabeça. Eu não pensaria nisso agora, mas eu teria que contar logo. Não queria outra pessoa tendo a mesma reação que Edward teve.
Fui para a cozinha, sentindo minha cabeça doer. Isso era muito incômodo. Terminei de preparar rapidamente o café e arrumei a mesa com os pães, bolos e o suco das crianças. Fiz um chá para mim e me sentei em uma das cadeiras à mesa. Encolhi minhas pernas sobre ela, abraçando meus joelhos e olhando a fumaça do chá sobre a caneca.
Será que ele voltaria?
Bebi dois goles do chá, sentindo um alívio estranho ao sentir o líquido morno descer pela garganta. Era relaxante.
Ouvi o barulho de carro em frente de casa. Arregalei levemente os olhos, sentindo meu coração bater mais forte. Fiquei estática com a caneca no meio do caminho até meus lábios. O carro estacionou em frente à entrada e desligou.
Era ele.
Deixei a caneca sobre a mesa e fiquei de pé, sentindo minhas pernas trêmulas. Céus, eu pareço uma garotinha. Ri baixinho de mim mesma e saí da cozinha, indo até o corredor. Fiquei parada, me apoiando em uma das paredes e olhando ansiosamente para a porta de entrada.
Mordi o lábio inferior quando ouvi o barulho de chaves... E a porta foi aberta.
Ele apareceu. Sua expressão cansada, e sua roupa meio amarrotada. Eu me controlei para não perguntar onde ele esteve, e por que chegou apenas agora, e se eu estava perdoada, e se ele ficaria comigo. Ele me olhou, ainda parado com a mão na maçaneta. Seus olhos percorreram todo o meu rosto numa expressão desolada. Senti meus olhos arderem e ele largou a porta, atravessando rapidamente todo o caminho entre nós. Arfei ao sentir seus braços me envolvendo com força, e me agarrei nele, afundando o rosto em seu pescoço. Ele afundou os dedos em meus cabelos, aspirando o cheiro dos mesmos. Ficamos agarrados um no outro por minutos, ou horas, não sei.
- Me desculpe. – falamos juntos.
O senti sorrir, como eu. Nós nos separamos um pouco, ainda abraçados, e nos olhamos. Seus olhos brilhavam, e eu senti uma lágrima cair de um dos meus olhos. Ele passou o dedo por ela e deu um beijinho na ponta do meu nariz, me fazendo sorrir novamente.
- Não vou embora novamente. – ele falou baixinho. – Eu prometo.
- Eu pensei que você não fosse voltar mais. – falei num fio de voz.
Foi um pensamento patético, eu sei. Mas eu sou Isabella Swan. E ter Edward comigo agora...
Sinceramente, por que ninguém me deu um tapa ainda? Às vezes eu realmente mereço isso.
- Realmente pensou isso? Bom saber o quanto você confia em mim. – ele falou, parecendo realmente chateado. – Você é minha, Swan. E eu não abandono o que é meu, nunca.
Suspirei, assentindo. Edward segurou meu rosto entre suas mãos e seus lábios encontraram com os meus delicadamente.
- Ah, que bonitinho! – ouvimos Nesse dizer.
Nós nos separamos assustados e olhamos para a escada. Nessie nos olhava do topo, com um sorriso de orelha em orelha. Mel e Austin se escondiam atrás dela, ambos com um sorrisinho nos lábios.
Crispei os olhos para eles, controlando a vontade de sorrir.
- O que vocês estão fazendo aí espiando?! – perguntei, colocando as mãos na cintura.
- Nós ouvimos o barulho do carro do papai, aí viemos ver... – Mel falou com uma carinha arteira.
- Se vocês não queriam ser vistos se pegando, não faziam isso aí no meio do corredor, né. – Nessie falou rindo.
Edward emburrou.
- Ela já sabe o que é “pegar”? – Edward cochichou para mim.
O olhei sem entender.
- Acho que sim. – cochichei de volta.
Edward emburrou ainda mais.
- Renesmee, precisamos ter uma conversa. – ele falou com a “voz de mal”, como Austin dizia. – Agora.
- Mas por quê? – Nessie perguntou receosa.
Controlei a vontade de rir e virei o rosto para o lado, mordendo o lábio inferior. Mel e Austin deram risinhos e desceram as escadas de mãos dadas. Eles sempre faziam isso, e eu achava muito lindo... Mel pegou essa mania de querer ajudar ele em tudo, com medo de ele se machucar ou algo assim.
Edward ignorou a pergunta de Nessie.
- Vocês dois vão tomar café com Bella. – ele falou para Austin e Mel, dando um beijo no topo da cabeça de cada um, e eles assentiram.
Nessie ainda estava parada no topo da escada, com uma careta.
- Vamos Renesmee, para o meu escritório. Agora. – Edward falou enquanto subia as escadas.
Nessie me olhou com uma careta de horror, e eu não consegui me controlar. Ri alto.
- Mãe! – ela me chamou, me fazendo rir ainda mais.
Ela sempre me chamava de “mãe” ou “mamãe” e Edward de “pai” ou “papai” quando sabia que iria levar bronca.
- Faça o que o “papai” mandou, Nessie. – falei risonha. – E desça para tomar café, se não aquele bolo de laranja que você gosta vai acabar.
- Vou comer tudo! – Austin falou, colocando os braços para o alto.
- Anda logo, Renesmee! – Edward falou alto, sua voz tempestuosa.
Nessie o seguiu toda murcha. Fui para a cozinha com Mel e Austin, que davam palpite sobre o que Edward falaria para Nessie. Logo eu fiz os dois comerem, mas nem assim eles paravam de falar sobre o que poderia acontecer. Sorri dos dois e fui até o armário pegar alguns biscoitos que Mel havia pedido. Meus olhos caíram sobre as caixas de remédios que o Dr. Volturi havia me receitado e que Rose havia ido comprar logo que saímos da clínica.
Suspirei. Eu teria que tomá-los, estava bem na hora. Coloquei os biscoitos de Nessie em um potinho e entreguei a ela. Logo voltei até o armário e peguei os remédios que teria que tomar, de acordo com a receita que estava junto com eles. Rapidamente os bebi e os guardei novamente, voltando para a mesa. Eu me sentei ao lado de Austin, e peguei o meu chá que havia deixado lá. Ainda estava morno, e eu comecei a bebê-lo, enquanto ria das coisas que os dois falavam.
- Se eu fosse o papai, dava umas palmadas de Nessie! – Austin falou, fazendo pose de sério. – O papai já falou várias vezes que ela ainda é muito nova para namorar!
- Olha quem fala! – Mel revirou os olhos. – Você que fica lá de namorico na escolinha! E a Nessie não tem namorado...
Austin emburrou.
- Mas eu a ouvi falando com você no outro dia sobre um tal de John... Joe... – Austin olhou para Mel, confuso. – Não lembro, era alguma coisa com “Jo”.
- Ah, o Johnny? – Mel olhou para cima, pensativa enquanto mastigava seu biscoito. – Ele estuda com ela, mas ela só me falou que iria fazer um trabalho de Matemática com ele quando eu perguntei e... Espera aí! Você fica ouvindo nossas conversas?!
Austin a olhou todo sonso.
- Não... – falou. – Eu só busco informações.
- Informações sobre o quê? – Mel o olhou com uma sobrancelha arqueada.
- Não sei. Vai que um dia eu escuto algo interessante?
Ri dos dois, balançando a cabeça. Mel jogou um biscoito em Austin, e ele jogou um pão nela.
- Opa, sem guerrinha de comida! – me intrometi ainda rindo.
Os dois se olharam emburrados.
- Eu também tenho informações bem interessantes sobre você, Austin Anthony. – Mel falou, crispando os olhos. – Muito, muito interessantes.
Austin a olhou tenso.
- Não tem nada. – ele falou.
- Tenho sim.
- Não tem.
- Tenho!
- Não tem!
- Você sabe que sim!
- Cala a boca, sua boba! – ele jogou outro pão.
- Cala você, seu cabeçudo! – Mel jogou dois biscoitos.
- CHEGA! – gritei.
Eles pararam, amuados e se olhando ainda mais emburrados. Revirei os olhos. Uma hora se amam, na outra jogam pão e biscoito na cara um do outro. Vai entender.
Edward na mesma hora apareceu com Nessie. Ela tinha uma expressão azeda no rosto, e Edward estava com um sorrisinho satisfeito no rosto.
- Cadê? – Austin falou para Nessie, que sentou ao lado de Mel.
- Cadê o quê?
- Mostra a bunda para eu ver se você apanhou! – ele falou com seu sorriso banguela.
Nessie olhou-o cética, pegou um biscoito de Mel e jogou na cara de Austin.
- Gente, sem biscoitos voando! – pedi. – Mas que desperdício!
- Ele mereceu. – Nessie resmungou.
- Concordo. – Mel falou, risonha.
Austin bufou e se afundou em sua cadeira, bebendo seu suco. Sorri e olhei para Edward, que me observava.
- O que foi? – perguntei, sentindo meu rosto esquentar.
Ele sorriu e acariciou minha bochecha.
- Nada. – murmurou.
Voltamos a comer tranquilamente, enquanto Mel e Austin ainda ficavam se ameaçando em relação às “informações muito, muito, muito, muito interessantes”. Eu e Edward apenas ríamos. Muitos biscoitos voaram. Pães também.
Era muito amor.
(...)
Rose não desgrudava de mim, o que fazia Edward revirar os olhos. Emmett e Rose haviam saído cedo juntos, e resolveram passar para me ver já no fim da tarde. Emmett me deu um daqueles abraços de ursos, sob as recriminações de Edward. Emmett chorou enquanto dizia que todos estariam comigo, sempre.
Se eu chorei também? Imagina.
Rosalie me puxou para a cozinha, na hora em que Edward, Emmett e Austin começaram a se entreter com um jogo de basquete que passava na TV. Mel e Nessie estavam em um canto da sala, lendo revistas.
- O que foi? — perguntei, olhando para Rose assustada.
Ela andou de um lado para o outro da cozinha, com seu olhar de psicopata.
Socorro.
- Ele não me pede em casamento. — ela falou entredentes, se apoiando na bancada da cozinha e me olhando como uma maníaca. — Eu já pintei o cabelo, eu emagreci três quilos, eu levei ele ao casamento de uma cliente minha, eu o levei para ver o apartamento de recém-casados que eu estava decorando, eu programei um jantar na semana passada onde uma mulher seria pedida em casamento na frente de todos, EU JÁ DEI VÁRIAS INDIRETAS E... — ela começou a gritar e eu a segurei pelos ombros.
- Sem gritos, fica calma! — pedi. — Respira e expira... Respira e expira...
Rose respirou fundo, e me olhou com sua carinha de cãozinho abandonado.
- Ele não toma atitude, Bell. — ela murmurou. — Eu não sei mais o que fazer.
- Deixa acontecer naturalmente, mulher. — falei, indo até a geladeira para pegar suco.
Rose parecia que ia ter um ataque a qualquer momento.
Não, espera, ela já estava tendo.
Coloquei suco num copo e entreguei a ela, que bebeu tudo avidamente.
- Ele não me ama. — falou de repente. — É isso. Eu sou só um passatempo para ele, um brinquedinho!
- Um passatempo e brinquedinho de cinco anos? — revirei os olhos.
- Eu já conheci um cara que tinha uma amante durante vinte anos. — falou pensativa. — Eu sou bonita e independente. A maioria dos homens gosta de mulheres que são bonitas e que não dependem deles. Alguns homens gostam de apenas usar e brincar com mulheres bonitas e independentes, até aparecer uma melhor e...
- Rose, chega. — bufei. — Ela não está te usando, ok? Emmett te ama, e você sabe disso.
- Não sei não.
Crispei os olhos e ela suspirou, assentindo.
- Ok, desculpe. — murmurou. — Eu sei que ele me ama, e eu o amo também. Muito. Mas não quero ser enrolada por mais cinco anos, entende? Poxa, eu vejo o quanto vocês e Edward progrediram nesses cinco anos, e é uma coisa tão bonita. — seus olhos lacrimejaram, ai meu Deus. — Eu quero uma família assim para mim também.
- Você nos tem, Rose. — falei, sentindo meus olhos arderem. — Somos sua família.
Ela sorriu.
- Eu sei, mas eu quero os meus filhos também. Eu sempre terei o Toninho como o meu bebê. — ela riu. — Mas eu quero um pedacinho meu também.
Nos olhamos e começamos a chorar. Nos abraçamos, e começamos a rir de nós mesmas.
- Você terá, não se preocupe. — falei, beijando sua testa.
- Que momento ternura. — Edward zoou, entrando na cozinha. — Por que estão chorando?
- Porque eu amo muito a Bella. — Rose choramingou.
Edward riu.
- Eu também amo. — ele falou, pegando duas latinhas de cerveja na geladeira.
Rose ficou séria e crispou os olhos para ele.
- Eu amo mais. — falou. — Eu a conheci primeiro, eu cuidei dela primeiro então eu amo mais.
Ri alto, e Edward colocou as mãos para o alto como se se rendesse, prendendo o riso. Rose sorriu e cruzou os braços.
Edward voltou para a sala, e Rose virou pra mim.
- Se ele gritar com você de novo, você me conta na hora, entendeu? — falou. — Eu quebro a cara dele.
- Mas você gosta tanto dele. — falei.
- Gosto, mas isso não signifique que ele possa gritar com você. — ela jogou o cabelo. — Só eu posso fazer isso.
- Ok então. — revirei os olhos.
Rose sorriu abertamente e ficamos mais um tempo na cozinha, comendo torta e conversando, e logo Mel e Nessie se juntaram a nós.
(...)
- É para tomar todas as vitaminas, entendeu? – Rose repetiu pela milésima vez, já na porta de casa prestes a ir embora com Emm. – Diz que entendeu.
- Eu entendi, mamãe. – revirei os olhos.
- Ótimo. – ela falou, e se virou para Edward. – Faça ela tomar todas as vitaminas e os remédios.
- Eu disse que entendi!
- Você não é confiável. – falou, dando beijinhos em minhas bochechas enquanto eu revirava os olhos. Rose me abraçou. – Se cuida, tá?
- Ok. – sorri. – Aproveita a noite.
- Ah, com certeza! – ela falou, sorrindo abertamente.
Emmett sorriu sacana.
Ai senhor.
- Vamos aproveitar sim.
- Nós não precisamos saber disso. – Edward falou, forçando um sorriso engraçado.
- Amanhã eu venho te contar tudo! – Rose falou para mim, só para tirar com a minha cara mesmo.
- Ahaha. – ri forçada. – Vão embora logo!
Rose e Emm riram e entraram no carro, indo embora em seguida.
Os seguranças fecharam os portões e Edward me puxou para ele, beijando minha testa.
- Vamos para a cama? Estou cansado. – falou, fazendo carinha de neném.
Sorri.
- Vamos sim. Mas primeiro vamos colocar as pestinhas para dormir. – falei, entrando em casa.
- Que tipo de mãe chama os filhos de pestinhas? – Edward perguntou, fingindo estar horrorizado. – Que vergonha, Isabella!
- O tipo de mãe realista. – falei rindo.
Austin dormia de boca aberta no sofá, enquanto Mel e Nessie assistiam “Mulan”, talvez pela vigésima vez. Edward pegou Austin no colo, todo cuidadoso, me fazendo sorrir, e o levou para o quarto. Fiquei esperando o filme acabar com as meninas, enquanto as duas choravam emocionadas.
Desliguei a TV e apaguei as luzes, e subi para o segundo andar com elas. Botei as duas para dormir, dando um beijinho na testa delas. Nessie ainda resmungou, falando que não era mais um bebê.
Ela sempre seria meu bebê.
Fui para o quarto e encontrei Edward já deitado na cama. Ele me olhou e sorriu preguiçoso. Fui para o closet, vesti minha camisola e deitei na cama. Edward me abraçou, me beijou na testa e me deitou sobre o seu peito.
E só.
TEM ALGUMA COISA ERRADA.
Eu me apoiei em meus cotovelos na cama e o olhei curiosa.
- O que foi? – perguntei.
- O que foi o quê?
- Não faremos nada? Você só não faz nada quando está muito cansado por causa do trabalho, o que raramente acontece porque até quando está cansado você não sossega e... – eu desatei a falar, e Edward colocou um dedo sobre os meus lábios, rindo. – Ok, desculpa.
Edward assentiu e suspirou.
- Eu não quero te machucar. – falou.
Hã?
- Você não vai me machucar. Como você acha que vai me machucar? Tá maluco?
- Bella, nós não sabemos se você pode passar mal ou algo assim. – falou.
Olhei para a sua carinha preocupada e sorri, me jogando em cima dele. Edward riu baixinho, me abraçando. Beijei seus lábios.
- Está tudo bem. – falei.
- Não sei...
- É sério, Edward!
- Vou com você na sua próxima consulta, e aí tiraremos a dúvida, ok? – falou.
Ele está brincando, né?
- Edward, minha próxima consulta é daqui a uma semana.
- Tudo bem. – ele sorriu. – Agora deita e dorme.
Revirei os olhos e soquei meu travesseiro, deitando em seguida de costas para ele. Edward riu e me abraçou, afundando o rosto em minha nuca e beijando o local.
Sorri para mim mesma e coloquei minha mão sobre a sua.
(...)
- Bella, liga logo! – Rose ralhou.
- Mas eu não me sinto pronta para isso!
- Vou te fazer ficar pronta na marra, daqui a pouco. – crispou os olhos. – Liga logo. Alice tem que saber.
Suspirei.
Já havia se passado mais dois dias, e nesse tempo Alice havia me ligado... E eu não tive coragem de contar sobre o que acontecia comigo. Mas Rose insistia tanto... E ela não estava errada, é claro. Alice já havia percebido que havia algo errado também.
Com os dedos trêmulos eu disquei o número de Alice no telefone.
POV ALICE
Eu terminei de cantar a última parte da música e suspirei. Sorri para a banda, e eles sorriram de volta. Estávamos ensaiando em um estádio do estado de Michigan. Eu faria um show hoje à noite, e estava ansiosa, como sempre. Resolvemos fazer uma pausa e Jéssica veio até mim com uma garrafinha de água. Agradeci e bebi a bebida, enquanto ela me puxava para um canto do palco. Eu olhei-a, curiosa, e ela me olhou parecendo preocupada.
- Jasper está te chamando na sala dele. – falou.
- Para quê?
- Não sei, mas ele parecia nervoso e mandou que eu a chamasse.
Suspirei, assentindo. Entreguei a garrafinha de água a ela novamente e me dirigi à sala que havia reservado para Jasper. Dei três batidas na porta, e o ouvi gritar para que eu entrasse. Abri a porta receosa, e espiei a sala. Jasper estava sentado atrás de uma mesa onde havia vários papéis espalhados. Ele passava a mão no rosto, parecendo preocupado.
- Jéssica disse que você me chamou. – falei, encostando a porta atrás de mim.
Ele ficou me olhando, parecendo pensativo. Logo assentiu lentamente, suspirando e ficando de pé.
- Sim, eu a chamei. – falou com a voz meio rouca. – Eu preciso... Da sua ajuda em uma coisa.
- No quê?
Jasper parou à quase um metro de mim, e eu prendi a respiração. Eu não gostava quando ele ficava muito próximo. Ele respirou fundo, olhando-me profundamente.
O que ele queria, afinal?
- Eu preciso da sua ajuda nisso... – falou, e cruzou a distância que nos separava.
E segurou meu rosto entre suas mãos.
E me beijou.
Arregalei os olhos, ficando estática. Jasper tinha os olhos fechados fortemente.
- Jasper, eu precis...
Empurrei Jasper rapidamente e, ao olhar para a porta, vi Stephen. Ele nos olhava de olhos arregalados, e eu engoli em seco. Logo sua expressão de surpresa deu lugar à uma expressão fria.
- Stephen... – tentei falar, mas ele foi embora.
Dei três passos em direção à porta, e senti Jasper segurar meu braço.
- Espere aí, Alice. Eu... – ele começou a falar, e eu me soltei de sua mão bruscamente.
- CALA A BOCA! – gritei. – TEM NOÇÃO DA IDIOTICE QUE VOCÊ FEZ?!
O larguei lá e corri da sala, procurando por Stephen com os olhos. Esbarrei em Jéssica já perto do palco, e ela me olhou alarmada.
- Stephen passou por mim feito um touro enlouquecido! – ela disse afoita. – E você está chorando, Alice? O que aconteceu?
Passei a mão pelo rosto, sem nem ter percebido que chorava.
- D-Depois eu te explico. – gaguejei. – Para onde ele foi?
- Ele ia para a saída do estádio... – ela murmurou, preocupada.
Apenas assenti e apressei meus passos em direção à saída do local. Ainda ouvi Jéssica me chamar, mas eu não teria cabeça para ensaiar nada no momento.
Céus, eu precisava achar Stephen... Eu precisava explicar as coisas para ele. Não era minha culpa! O que deu em Jasper, afinal?! Depois de cinco anos ele decide tomar uma atitude? E logo agora, quando eu estava no meu melhor momento com Stephen?!
Fechei minhas mãos em punhos, sentindo vontade de socar algo. Comecei a descer as escadas que me levariam até a saída, quando meu celular vibrou em meu bolso. Rapidamente parei e o peguei.
Suspirei ao ver “Bella” piscar na tela. Atendi.
- Alô.
- Alice? Sou eu. – sua voz parecia temerosa.
- O que aconteceu, Bella?
Passei a mão no rosto, tentando me acalmar. Tinha algo errado com a minha irmã também, e nada dela me contar. Meu Deus, eu vou explodir!
- Eu tenho que te contar uma coisa... – ela falou. – Lembra que eu andava passando mal?
- Sim. – murmurei.
- Eu fiz os exames, e os resultados já saíram.
Eu me apoiei no corrimão de ferro da escada, sentindo minhas pernas trêmulas. Não era coisa boa, eu sentia isso.
- O que você tem, Bella? – perguntei, sentindo minha garganta fechar.
Bella ficou em silêncio, e eu apenas podia ouvir sua respiração. Ouvi Jéssica se aproximar chamando meu nome, mas ao ver que eu estava falando ao celular, ela apenas parou ao meu lado, me olhando ainda com aquele ar de preocupação.
Minha cara não devia estar das melhores.
- Tumor. – a voz de Bella fraquejou, e eu senti um choque frio passar por toda a minha coluna. – Tumor cerebral.
Senti meu corpo gelar, e minha vista escurecer.
- Alice? – ela chamou no outro lado da linha, sua voz já distante. – Alice? Fala comi...
- Alice! – Jéssica gritou.
Senti meu corpo cair aos poucos, e logo a escuridão.
Notas finais
E AÍ? GOSTARAM? A fic já está caminhando para a...
RETA FINAL! ♥
No início eu planejava apenas 10 capítulos, vocês lembram? Mas agora vai ser estendida um pouquinho! Acho que no capítulo 11 ou 12 ela acaba!
"AH, VAI SER ESTENDIDA A BEÇA, NÉ ALINE?"
Shhhhh.
Enfim, eu sei que demorei para postar esse capítulo, mas é que eu andei meio mal há uns dias, aí fiquei desanimada para escrever, e ainda tem a escola, e blablabla, e vocês sabem como é quando o desânimo bate, né?
Eu me entupi de doce, geralmente isso me faz ter ânimo pra escrever, Na verdade, doce me faz ter ânimo para viver, mas enfim, nem isso funcionou. BUT aqui está o capítulo, fresquinho! *-*
Espero que tenham gostado!
Ah, e para não perder o costume...
QUEM AINDA NÃO PARTICIPA DO GRUPO NO FACEBOOK? BORA LÁ! :D
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Logo eu posto o próximo, amores!
Comentem!
Beeeeeeeeeeijos!
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