Notas iniciais
Bobby continua sua jornada em busca de uma saída para salvar seus garotos das artimanhas de uma garota que tem o domínio de um livro poderoso. Mas o caçador começa a entender que o livro não é apenas o centro dos seus problemas.

Bobby viu a garota abraçar a mulher e sentiu o perigo de ser descoberto por aquele ser demoníaco, quando de repente os pais de Lana anunciavam sua chegada com extrema gritaria.

— Não, Alfredo! A culpa foi sua por dirigir como um louco, agora você vai pagar os prejuízos, sozinho! – a mulher alta e de nariz empinado depositou sua bolsa sobre a mesa.

Lana apenas sorriu. Um dia ela se livraria desta casa e faria o que quisesse de sua vida. Com apenas dezessete anos ela já era adulta o suficiente para decidir o que fazer e sentiu-se poderosa ao comandar a seu bem querer a vida daqueles que lhe atrapalhavam seu caminho. Seus pais eram apenas uns meros peões, fáceis de manipular se assim desejasse, caso contrário teria que agir a seu modo.

Mas o espírito já havia desaparecido, e a moça voltou em direção do roupeiro para colocar sua roupa, Bobby espremeu seu corpo no canto o máximo que pôde, viu a mão pálida e ossuda da jovem quase tocá-lo. Respirou fundo quando ela apenas pegou um vestido preto e fechou a porta do roupeiro.

— Maldição – o velho caçador resmungava arfando e saiu pela janela do quarto da moça, quando esta foi falar com seus pais.

Bobby estava muito preocupado com a situação, se para ele apenas dez minutos significavam muitas horas no outro mundo, seus garotos estariam em frequentes perigos. O velho caçador deixou o local e foi encontrar ajuda em seus livros empoeirados que estavam em sua camionete. Caso não fossem o suficiente esperaria a biblioteca abrir, sentiu falta da grande praticidade que Sam tinha em pesquisas naquele mundo informatizado, pediria umas aulas ao garoto depois que tudo se resolvesse. Sorriu com o próprio pensamento positivo.

O caçador ficou horas a fio de pesquisa, e encontrou algo que lhe chamou a atenção.

— Se isso for verdade, que o tempo fica estagnado quando a pessoa não está escrevendo, tenho que impedir que a moça escreva e antecipe os acontecimentos de forma extremamente rápido. Se ela não escreve, os envolvidos ficam envoltos a um sono profundo. – Bobby levantou-se e gemeu ao endireitar sua coluna. – Eu tenho que pegar aquele livro, tudo indica que se eu reescrever a história com eles encontrando o caminho de volta ao nosso mundo, os garotos voltariam para a realidade. Mas há um, porém, quem escrever qualquer linha no livro estará fadado à morte.

Bobby respirou profundamente, pelo Dean e Sam estava disposto a dar sua vida.

Enquanto o velho caçador continuava sua pesquisa, a jovem Lana era atormentada por pesadelos, vários rapazes tentavam atingi-la de diversas formas perseguindo sua alma que vagava fora do corpo por lugares escuros e traiçoeiros. Lana sentiu medo corria por vielas que formavam horrendos caminhos tortuosos e sombrios. Clamouinúmeras vezes o nome de Sophia ou Sophy, como ela carinhosamente chamava a índia, mas a ajuda não vinha. Lana continuava sua corrida desesperada quando o livro lhe apareceu suspenso no ar. Sem demonstrar qualquer dúvida o pegou e sentiu-o escorregadio, era como se ela não conseguisse dominá-lo. Momento antes de acordar sobressaltada a imagem da índia lhe apareceu tão sofrida e lamuriosa tentando dizer-lhe algo em seu ouvido. Neste instante Lana acordou suada e amedrontada. A moça correu ao banheiro e vomitou, olhou no espelho e assustou-se com o que via. Estava novamente tão magra e envelhecida que começou a gritar histericamente derrubando tudo que encontrava pela frente e destruindo o espelho que se desfez em cacos refletindo sua imagem em vários pedaços. Os pais da moça entraram no quarto e vendo a cena se assustaram. Alfredo o pai da garota pegou o telefone e ligou para seu médico de confiança, informando que sua filha estava tendo uma crise de loucura. Lana olhou com desdém para ambos e correu para a escrivaninha e tirou o livro do fundo falso, com o movimento brusco ela cortou a mão que sangrava sobre o livro. A mãe da jovem atormentada estava imóvel e tentou gritar ao ver com seus próprios olhos a capa do livro tornar-se uma caricatura horripilante de onde uma espécie de língua embebia o sangue da jovem que começou a escrever freneticamente.

— Mamãe, papai. Acho que o doutor Gustavo não poderá nos atender. – a moça sorria loucamente.

— Acalme-se Lana, você está tendo um surto. Logo você ficará bem. – dizia o pai da moça com receio de chegar perto da própria filha.

Lana pareceu acalmar-se, já tinha escrito o que queria. Olhou para a mãe que não havia dito nenhuma palavra. A garota apenas acompanhou o olhar da mãe que estava no livro. Muito lentamente a moça recolocou o livro na escrivaninha e com uma doçura e calma que congelava a alma proferiu palavras de que tudo estava bem.

— Desculpem-me pelo chilique. É que...- ela tentou encontrar as palavras adequadas. – uma amiga minha me ligou dizendo que o garoto de quem eu gosto se mudou para outra cidade. Fiquei com muita raiva dele não ter se despedido de mim.

Alfredo sorriu, encontrou no olhar de Lana a filha novamente. E abraçou-a carinhosamente afagando seus cabelos.

— Querida, você deve controlar seus impulsos. Você me assustou e a sua mãe também, não é amor? – ele virou-se para sua esposa que continuava imóvel.

— Mãe? A senhora está bem? – Lana desvencilhou-se dos braços do pai e seguiu em direção de sua mãe.

— Bruxa! – a mulher conseguiu apenas proferir essas palavras antes de cair ao chão já sem vida com os olhos queimados e a boca escancarada de dor.

Alfredo correu até a mulher tentando reanimá-la. Lana estava com sua camisola com respingos de seu próprio sangue olhando para trás de onde sua mãe estava Sophia estava sorrindo para ela.

Bobby havia cochilado no meio de sua pesquisa e foi alertado pelos sons das sirenes de ambulância que passavam e pelas viaturas da polícia. Não foi difícil para o caçador perceber que algo havia acontecido e já imaginava onde poderia ser. Pegou seu distintivo falso e correu para a residência da jovem do bosque.

Ao chegar ao local os viu passarem com um corpo, imaginava ser o de Lana. Parou os enfermeiros mostrando sua credencial e levantou parte do saco preto que cobria o corpo. Bobby de imediato soube com que estava lidando e seu temor aumentou ainda mais. Engoliu o medo e perguntou o que havia acontecido.

— Não sabemos ao certo, a mulher surtou. O quarto da filha está todo quebrado e a pobre garota está com o pai agora. Faremos a autopsia e então saberemos o que lhe aconteceu, senhor...- o enfermeiro tentou saber o nome do agente.

-Jim McGuinn, obrigado pela informação. Podem continuar seus serviços. – Bobby deu as costas e saiu. Tentaria revistar a casa, mas desistiu da ideia quando avistou Lana sentada no banco do jardim junto com o pai agarrada com o livro.

Notas finais
Espero que tenham apreciado este capítulo. Nosso corajoso Bobby se passa por Jim McGuinncomo agente do FBI. Na verdade Jim McGuinn era parte de um dos integrantes da banda The Byrds formada em 1964 em Los Angeles.
Agradeço aos fieis leitores e aos que futuramente lerem minha fic um grande abraço. Aguardo os amados reviews que fazem com que continuamos a escrever com muita vontade! Beijos.